Análise de Conjuntura - ?· Câmara dos Deputados Consultoria Legislativa 1 Análise de Conjuntura…

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Anlise de ConjunturaBoletim peridico da Consultoria Legislativa da Cmara dos DeputadosOs textos so da exclusiva responsabilidade de seus autores. O boletim destina-se a promover discusses sobre temasde conjuntura e no reflete a posio de parlamentares, de suas assessorias ou do corpo tcnico da Cmara dosDeputados.

G20: apesar dos afagos, divergncias persistem

O comunicado final do G20 continua a refletir as divises do grupo comrespeito s polticas a serem adotadas.

O Brasil defendeu linhas de crdito em apoio ao comrcio internacional e aapoiou a retomada da rodada de Doha na OMC. Gr-Bretanha, Canad,ndia e Turquia tambm se posicionaram contra o protecionismo.

Quanto regulamentao dos mercados financeiros, a Gr-Bretanhadefendeu maior controle dos fundos offshore (parasos fiscais). Canad,Unio Europia, Frana, Alemanha, Itlia, China tambm apoiaram umaregulao mais severa dos mercados financeiros internacionais. Os EUAevitaram a questo da regulamentao, mas defenderam uma soluopara os ativos podres e concordaram com um maior controle dos fundosoffshore.

Variedade de temasAlgumas questes postas na mesa: a Argentina demandou maior poder para aseconomias emergentes, a Austrlia, maiores recursos paras o FMI e um papelmais importante da China neste organismo internacional. O Brasil reivindicoumaiores recursos para o FMI e maior poder de deciso para as economiasemergentes. A China pediu maior poder de deciso e criao de novosmecanismos de reserva cambial internacional e o Canad o aumento dosrecursos do FMI.

Expediente

Boletim de Anlise de Conjuntura (BAC). Ano 1, n 6. Quinta-feira, 9 de abril de 2009.

Colaboraram neste nmero: Marcelo Barroso Lacombe (coordenador), Marcos Pineschi Teixeira e BernardoEstellita Lins.

O Boletim de Anlise de Conjuntura uma publicao da Consultoria Legislativa da Cmara dos Deputados.Destina-se a promover o debate sobre temas de conjuntura e no reflete a posio de parlamentares, de suasassessorias ou do corpo tcnico da Cmara dos Deputados.

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E a lista no para por a: o Mxico posicionou-se pelo reforo do papel do FMIno suporte das economias emergentes, acompanhado pela frica do Sul, quedefendeu um papel mais efetivo dos organismos internacionais na gesto dosistema financeiro. A Rssia tambm apoiou o fortalecimento dos organismosinternacionais e uma maior participao das economias emergentes no processodecisrio destas organizaes. A ndia defendeu mais recursos para aseconomias emergentes e sua maior representao no FMI.

A Gr-Bretanha e o Canad defenderam medidas urgentes para a retomada docrescimento. A Indonsia defendeu a harmonizao internacional de medidasde estmulo econmico e o Mxico e Turquia, a coordenao de medidas fiscaisem nvel mundial. O Japo mostrou-se principalmente preocupado com aimplementao de medidas de curto prazo para a soluo da crise.

Um conselho de estabilidade financeiraO comunicado do G20 props a criao de um conselho de estabilidadefinanceira, compreendendo os pases do G20 e outras grandes economias,encarregado de detectar crises macroeconmicas e financeiras e recomendaraes para sua soluo. O conselho decidir por consenso, o que torna difcilesperar do mesmo grande agilidade. Alm disso, o cumprimento das medidasrecomendadas delegado ao mbito da discrio internas dos pases.

O primeiro relatrio do conselho ser divulgado na Esccia, em novembro de2009, na prxima reunio do G20.

Parasos fiscais, aportes financeiros, livre comrcio...O Grupo tambm concordou em impor sanes aos fundos offshore, muitoembora pases como China, EUA, Gr-Bretanha e outros membros da UnioEuropia (por exemplo, Luxemburgo e Irlanda) possuam parasos fiscais emseus domnios ou sejam considerados como tais. Mas a primeira lista de sanoda OCDE contra esses parasos fiscais gerou controvrsias com pases comoUruguai e Sua, que protestaram contra os critrios utilizados.

Tambm foi anunciada a liberao de 1,1 trilho de dlares para combater acrise financeira. Setecentos e cinqenta bilhes sero liberados para o FMI,sendo quinhentos provindos de novos aportes por parte dos pases do G20 eduzentos e cinqenta bilhes na forma de novos DES (Direito Especial deSaque). Outros duzentos e cinqenta bilhes foram destinados para linhas decrdito de estmulo ao comrcio internacional e cem bilhes para bancosmultilaterais de desenvolvimento.

Apesar do estmulo fiscal ser considerado significativo, a ausncia de acordosobre uma reforma do sistema financeiro mundial ainda gera indagaes, entreespecialistas, sobre a efetividade do pacote de medidas. Inclusive porque a

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capacidade de monitoramento do FMI limita-se aos pases que voluntariamenteprocuram a assistncia da instituio

O comunicado mostra-se ainda mais ambivalente em relao ao livre comrcio.Os EUA prometeram no implementar polticas protecionistas, mas essapromessa limita-se aos acordos internacionais j firmados. Leia-se NAFTA eOMC. E pases como China e India, que no so signatrios dos acordos sobresubsdios governamentais da OMC, no abrem mo de continuar com suasposies atuais. Nesse contexto, por exemplo, discusses sobre a taxa decmbio chinesa e sua necessria valorizao foram silenciadas.

Diversificao das exportaes

Enquanto as negociaes internacionais seguem adiante, os nmeros dabalana comercial em maro indicam que se reduz a participao dosEstados Unidos como destino das exportaes brasileiras, ao passo que aChina vem mostrando ser um comprador cada vez mais expressivo dosnossos produtos.

Em 2002 os Estados Unidos adquiriam 26% das nossas exportaes,patamar que, poca, era quase idntico ao da Unio Europia, e superior participao da Amrica Latina, que recebia 18% de nossas vendas.

Em 2008 a participao dos Estados Unidos caiu para 14%. E chegou aapenas 11% no primeiro trimestre de 2009, j sendo, assim, suplantadapela China (12%) e pela Amrica Latina (20%, respondendo o Mercosul porquase metade desse montante).

A Unio Europia manteve, ao longo desses anos, uma participao decerca de 25% em nossas exportaes.

Os efeitos sobre o volume exportadoA reduo da participao dos Estados Unidos como destino das exportaesbrasileiras poderia, eventualmente, amenizar os impactos sobre o setorexportador.

Contudo, em um ambiente globalizado, as economias esto submetidas a cicloseconmicos cada vez mais sincronizados, especialmente quando os choquesrelevantes ocorrem nos pases desenvolvidos, que representam uma expressivaparcela da economia mundial.

Desta forma, a substituio dos Estados Unidos por outros parceiros comerciaisno evitou a reduo das exportaes brasileiras a partir de setembro de 2008.

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Houve uma leve recuperao no ms de fevereiro e estabilidade em maro de2009. Ainda assim, as mdias de exportao por dia til retroagiram aospatamares observados h dois anos, no incio de 2007.

EVOLUO DAS EXPORTAES E IMPORTAES BRASILEIRAS Mdia por dia til no ms(janeiro/ 2006 a mar/2009)

(200)

-

200

400

600

800

1.000

jan/

06

abr/

06

jul/0

6

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6

jan/

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abr/

07

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7

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7

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8

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8

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09

US

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s po

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a t

il

Fonte: elaborao prpria a partir de dados do MDIC

A retrao das exportaes brasileiras ocorrida no segundo semestre de 2008no foi restrita aos pases desenvolvidos, mas foi disseminada a diversosparceiros comerciais.

Com efeito, desconsiderando-se os destinos representados por Estados Unidos,Unio Europia, Amrica Latina e China (que em maro responderam, emconjunto, por 71% de nossas vendas ao exterior), as exportaes brasileiras aosdemais pases apresentaram retrao de 51% no perodo compreendido entreagosto de 2008 e maro de 2009.

No caso particular das relaes com a China, houve uma significativarecuperao a partir de janeiro. Destaque-se que as importaes vindas daquelepas se mantm estveis, resultando em pequeno supervit a favor do Brasil, oque no acontecia desde agosto de 2008.

Exportaes de bens

Importaes de bens

Saldo comercial

5

EXPORTAES BRASILEIRAS(Mdia por dia til no ms)

0

50

100

150

200

250

300

350ju

l/08

ago/

08

set/0

8

out/0

8

nov/

08

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fev/

09

mar

/09

US

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il

Fonte: elaborao prpria a partir de dados do MDIC

Incerteza persiste e investimento prejudicado

Os dados relativos economia no traam um panorama claro. Nos EUA,a gesto de Obama parece restaurar a confiana do consumidor narecuperao. Os solavancos do mercado de aes nos ltimos dias,antecipando nova crise bancria, indicam que este sucesso preliminarpode no se sustentar.

No Brasil, em contraste, as expectativas de consumidores e empresriosno melhorou e, no longo prazo, a paisagem continua dbia. O indicadorde confiana da Feicomrcio de So Paulo voltou a cair em maro, apsleve alta no ms anterior. Outros indicadores apresentam comportamentosimilar, com estabilidade ou queda em maro.

Queda do investimento privadoUm efeito importante desse pessimismo a queda do investimento privado. Paraa indstria de bens de capital, trata-se de uma notcia preocupante. E atendncia dos indicadores do IBGE para o setor revela uma desacelerao emfevereiro, em relao ao ms anterior.

Estados Unidos

China, Hong Kong e Macau

Amrica Latina

Unio Europia

Demais destinos

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Indice das condies econmicas atuais (ICEA)

100

120

140

160

2008

.02

2008

.03

2008

.04

2008

.05

2008

.06

2008

.07

2008

.08

2008

.09

2008

.10

2008

.11

2008

.12

2009

.01

2009

.02

2009

.03

Fonte: Feicomrcio/Ipeadata

Em janeiro as notcias no haviam sido melhores: se por um lado a produolocal, considerando os indicadores dessazonalizados, apresentava ligeirarecuperao, as importaes e a demanda por linhas de crdito do BNDES paracompra de mquinas haviam reportado quedas de cerca de 13% e 6%,respectivamente.

O mercado de bens de capital tem um leve sabor do amanh. Seus indicadoresrevelam um pouco do que poder ocorrer mais adiante na indstria e noagronegcio. O recuo do setor mostra que os empresrios preferem no arriscarneste momento. a psicologia afetando as decises econmicas...

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