análise de conjuntura - ?· 4 análise de conjuntura análise de conjuntura 5 fevereiro de 2017 A Tabela…

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<p>N 437 Fevereiro / 2017FUNDAO INSTITUTO DE PESQUISAS ECONMICAS</p> <p>iss</p> <p>n 1</p> <p>678-6</p> <p>335</p> <p>As ideias e opinies expostas nos artigos so de responsabilidade exclusiva dos autores, no refletindo a opinio da Fipe</p> <p>Vera Martins da Silva analisa a conjuntura econmica brasileira, com en-foque na evoluo das Transaes Correntes e nas fontes de financiamento dela, alm da evoluo das reservas e da taxa de cmbio efetiva real.</p> <p>Perspectivas da Economia Mundial para o Trinio 2017-2019</p> <p>Jos Paulo Zeetano Chahad </p> <p>Reformas nos Regimes de Previdncia de Servidores Pblicos Civis na OCDE e PEC 287 no Brasil </p> <p>Rogrio Nagamine Costanzi</p> <p>Democracia, Rent-Seeking e Aumento do Tamanho do Governo no Brasil</p> <p>Elson Rodrigo de Souza Santos </p> <p>Entendendo a Renegociao das Dvidas Estaduais com a Unio</p> <p>Guilherme Tinoco de Lima Horta </p> <p>Somos um pas muito endividado?Victor Cezarini </p> <p>Neutralidade da Moeda: Novo-keynesianosVitor Kayo de Oliveira </p> <p>Relatrio de Indicadores FinanceirosNefin-USP</p> <p>anlise de conjuntura</p> <p>temas de economia aplicada</p> <p>Finanas PblicasVera Martins da Silva </p> <p>Setor ExternoVera Martins da Silva</p> <p>p. 36</p> <p>p. 3</p> <p>p. 43</p> <p>Vera Martins da Silva discute a situao das finanas pblicas brasileiras, mostrando a evoluo do resultado primrio do Governo Central, dividido em Tesouro Nacional, Banco Central e Previdncia Social.</p> <p>Jos Paulo Zeetano Chahad faz uma resenha, destacando os principais ele-mentos da evoluo esperada do PIB global, assim como do nvel de ativi-dade nas principais regies em que so classificados os pases analisados.</p> <p>p. 21</p> <p>p. 13</p> <p>p. 31</p> <p>p. 26</p> <p>p. 48</p> <p>Rogrio Nagamine Costanzi discute sobre os regimes de previdncia dos servidores pblicos e do setor privado em vrios pases do mundo e faz um paralelo com a PEC 287 no Brasil.</p> <p>Elson Rodrigo de Souza Santos explora os fundamentos da interao entre democracia, rent-seeking e tamanho do governo no Brasil, tomando como base o choque provocado pela abertura poltica na metade da dcada de 1980.</p> <p>Victor Cezarini explica as diferentes mtricas utilizadas para medir a capacidade de pagamento de um pas e discute se o Brasil muito endi-vidado de acordo com elas.</p> <p>Guilherme Tinoco de Lima Horta faz um histrico dos diferentes proces-sos de renegociao das dvidas estaduais com a Unio, alm de mostrar quais as outras possveis formas de apoio que esto em negociao.</p> <p>Vitor Kayo de Oliveira faz uma pequena resenha a respeito de como a escola Novo-Keynesianos apresenta a relao terica entre moeda e va-riveis reais, sobretudo o produto agregado e o nvel de emprego.</p> <p>economia &amp; histriaRibeiro Preto e o Imposto sobre Cafeeiros</p> <p>Luciana Suarez Lopes</p> <p>O Ncleo de Economia Financeira da USP apresenta a evoluo dos valores de quatro tipos de carteiras, do dividend yield, do short interest e do ndice de volatilidade futura esperada para o mercado acionrio brasileiro.</p> <p>Luciana Suarez Lopes analisa a arrecadao com o imposto sobre a atividade cafeeira em Ribeiro Preto e seus impactos sobre as finanas pblicas municipais.</p> <p>p. 53</p> <p>p. 7</p> <p>fevereiro de 2017</p> <p>Conselho Curador</p> <p>Juarez A. Baldini Rizzieri (Presidente) Andrea Sandro Calabi Denisard C. de Oliveira Alves Eduardo Amaral Haddad Francisco Vidal Luna Hlio Nogueira da Cruz Jos Paulo Zeetano Chahad Simo Davi Silber Vera Lucia Fava</p> <p>INFORMAES FIPE UMA PUBLICAO MENSAL DE CONJUNTURA ECONMICA DA FUNDAO INSTITUTO DE PESQUISAS ECONMICAS ISSN 1678-6335</p> <p>Luiz Martins Lopes Jos Paulo Z. Chahad Maria Cristina Cacciamali Maria Helena G. Pallares Zockun Simo Davi Silber</p> <p>Editora-Chefe </p> <p>Fabiana F. Rocha</p> <p>Preparao de Originais e Reviso</p> <p>Alina Gasparello de Araujo</p> <p> Produo Editorial</p> <p>Sandra Vilas Boas</p> <p>http://www.fipe.org.br</p> <p>Diretoria</p> <p>Diretor Presidente</p> <p>Carlos Antonio Luque</p> <p>Diretora de Pesquisa</p> <p>Maria Helena Garcia Pallares Zockun</p> <p>Diretor de Cursos</p> <p>Jos Carlos de Souza Santos</p> <p>Ps-Graduao</p> <p>Mrcio Issao Nakane</p> <p>Secretaria Executiva</p> <p>Domingos Pimentel Bortoletto</p> <p>Conselho EditorialHeron Carlos E. do Carmo Lenina Pomeranz </p> <p>Observatrio do Emprego e do Trabalho</p> <p>O Observatrio do Emprego e do Trabalho oferece aos formuladores de polticas pblicas um conjunto de ferramentas inovadoras para aprimorar as possibilidades de anlise e de compreenso da evoluo do mercado de trabalho.</p> <p>O Observatrio inova a anlise do mercado de trabalho em dois aspectos importantes. Primeiro, utiliza um conjunto de indicadores novos, especialmente criados pelos pesquisadores da FIPE, os quais junta-mente com indicadores mais conhecidos e tradicionais permitiro um acompanhamento mais detalhado do que ocorre no mercado de trabalho. Segundo, porque estes indicadores podem ser utilizados tanto para analisar o mercado como um todo, quanto para analisar aspectos desagregados do mercado como, por exemplo, uma ocupao ou um municpio. So indicadores poderosos, que oferecem uma viso de curto prazo e tambm podem formar uma srie histrica. O conjunto de indicadores pode ser usado para acompanhar tanto as flutuaes decorrentes das alteraes conjunturais de curto prazo quanto as evolu-es estruturais de longo prazo. Mensalmente divulgado um Boletim que apresenta um resumo do que ocorreu no mercado de trabalho do Estado. As bases de dados que originam as informaes divulgadas pelo Observatrio so: a) CAGED (MTE); b) RAIS (MTE); c) PNAD (IBGE).</p> <p>O Observatrio do Emprego e do Trabalho foi desenvolvido e mantido em conjunto pela Secretaria do Emprego e Relaes do Trabalho do Governo do Estado de So Paulo (SERT) e pela Fundao Instituto de Pesquisas Econmicas da USP (FIPE).</p> <p> Para saber mais, acesse: </p> <p> http://www.fipe.org.br/projetos/observatorio/</p> <p>3anlise de conjuntura</p> <p>fevereiro de 2017</p> <p>Finanas Pblicas: Entre uma Recesso Tenebrosa e um Dese-quilbrio Fiscal Espantoso</p> <p>Vera Martins da Silva (*)</p> <p>No mbito das f inanas gover-namentais, foi-se o tempo de ob-teno de supervits primrios, sujeitos contabilidade criativa ou no. Desde 2015, ocorrem dficits, ou seja, tanto o primrio como o j recorrente dficit nominal, o que inclui as contas financeiras, este j tido como normal ou natural nas contas pblicas brasileiras. No ano de 2016, o dficit primrio foi cal-culado em R$ 154,3 bilhes contra um dficit de R$ 114,7 bilhes em 2015, em valores correntes. O re-sultado decorre da forte recesso que assola a economia1 e s no foi pior devido aos recursos obtidos com a repatriao de valores do exterior, com a entrada de R$ 47 bilhes. Em termos reais, usando o IPCA (ndice de Preos ao Con-</p> <p>sumidor Amplo do IBGE), o dficit primrio passou de R$ 122,7 bi-lhes para R$ 155,5 bilhes, ou seja, um aumento de R$ 32,7 bi-lhes, que acabaram gerando uma dvida adicional ao estoque de d-vida j pressionada por taxas de juros elevadas.</p> <p>A maior causa do aumento do pri-mrio em 2016 foram as contas da Previdncia, cuja receita do Re-gime Geral recuou R$ 23 bilhes, resultado da queda da atividade econmica e do desemprego gene-ralizado, e da queda das receitas pblicas em geral, com destaque para a queda da receita adminis-trada pela Receita Federal, de R$ 14 bilhes. As Transferncias aos governos subnacionais aumenta-</p> <p>ram entre 2015 e 2016 em R$ 3,7 bilhes, como resposta s presses por alvio nas contas em meio re-cesso, e especialmente devido ao repasse do principal e das multas do Imposto de Renda relativo aos recursos repatriados do exterior. Depois das Transferncias por Re-partio de Receita, a Receita L-quida da Unio caiu R$ 47 bilhes, ou 4,1% em relao ao ano ante-rior, enquanto as Despesas caram bem menos, R$ 15 bilhes (1,2%). Esta tem sido a caracterstica das despesas pblicas no Brasil, bem menos flexveis do que as receitas pblicas. Entre os itens de Despesa, a maior expanso foram os Benef-cios Previdencirios, com aumento de R$ 35 bilhes entre 2015 e 2016. </p> <p>5anlise de conjuntura4 anlise de conjuntura</p> <p>fevereiro de 2017</p> <p>A Tabela 1 apresenta os valores do dficit primrio segundo as grandes instituies pblicas entre 2015 e 2016, a preos constantes (IPCA). Destaque-se que o resultado do Tesouro, apesar de ainda ser negativo, caiu substancialmente em relao ao ano anterior, 2015, pois ao final deste ltimo (2015) foram pagos uma srie de atrasos de pagamentos decorrentes da </p> <p>contabilidade criativa dos anos anteriores. O ano de </p> <p>2016 j ficou livre desse legado funesto, mas a econo-</p> <p>mia em recesso profunda ainda levou a um primrio </p> <p>negativo para o Tesouro Nacional. O dficit previdenci-</p> <p>rio do Regime Geral foi de R$ 152 bilhes, um acrs-</p> <p>cimo de R$ 57 bilhes sobre o ano anterior.</p> <p>Tabela 1 Resultado Primrio do Governo Central em 2015 e 2016, R$ Milhes</p> <p>2015 2016</p> <p>A B A - B</p> <p>Resultado do Tesouro Nacional -27.177,7 -2.317,2 24.860,5</p> <p>Resultado do Banco Central -778,9 -988,1 -209,2</p> <p>Resultado da Previdncia Social (RGPS) -94.805,4 -152.210,5 -57.405,2</p> <p>Fonte: Resultado do Tesouro Nacional, dez/2016 Tabela 1.2.</p> <p>A recesso a grande vil da situao das contas p-blicas na medida em que derruba vendas, faturamento e importaes, especialmente do setor industrial. Do ponto de vista da receita pblica, as principais fontes foram afetadas pela queda dos montantes arrecada-dos: R$ 16 bilhes da COFINS Contribuio para o Financiamento da Seguridade Social, R$ 11 bilhes do Imposto sobre Produtos Industrializados e R$ 11 bilhes do Imposto de Importao. No caso da Previ-dncia, no mbito do setor rural, houve at um aumen-to da arrecadao, de R$ 233 milhes, que no ajudou a reverter o desastre financeiro da rea urbana, onde houve queda de arrecadao de R$ 23 bilhes. </p> <p>Outros grandes itens de receita que tiveram modifica-es importantes foram a queda de R$ 10 bilhes em dividendos de empresas estatais estas, por sua vez, tambm sujeitas ao stress de mercados recessivos e a queda da cota-parte das compensaes financeiras, especialmente devido queda dos preos do petrleo, o que impactou negativamente no s a Unio, mas os Estados produtores, como a catica situao do Rio de Janeiro deixa evidente. H que se destacar, tambm, a enorme perda de receita tributria com incentivos </p> <p>fiscais, que aumentaram em R$ 152 bilhes entre 2015 e 2016. Pelo lado da entrada de recursos, alm da j citada receita por repatriao de recursos do exterior, que corresponde a R$ 23 bilhes, a receita da Unio foi tambm aumentada em R$ 16 bilhes em Concesses e Permisses, principalmente devido concesso de 29 usinas hidreltricas.2 Neste ponto, cabe a seguinte pergunta: o que seria da receita pblica e do resultado primrio sem esse conjunto volumoso de expedientes gerenciais? E at quando ser possvel essa criativi-dade arrecadatria sem um srio processo de reade-quao fiscal?</p> <p>Pelo lado das despesas, alm dos pagamentos dos atra-sados ao final de 2015, em 2016 ocorreu um aumento de pagamentos de Restos a Pagar, que so compromis-sos de pagamentos deixados para o ano seguinte ao de execuo do oramento anual. Este tipo de despesa, que vinha crescendo aceleradamente, est deixando de ser uma importante fonte de financiamento pbli-co, e seu pagamento aumentou em R$ 5 bilhes entre 2015 e 2016, quando alcanou R$ 32,8 bilhes.3 No mbito das despesas discricionrias, um dos itens mais afetados pela situao econmica e fiscal do go-</p> <p>5anlise de conjuntura4 anlise de conjuntura</p> <p>fevereiro de 2017</p> <p>verno foi o Programa Minha Casa, Minha Vida, com queda de R$ 14 bilhes entre 2015 e 2016.</p> <p>Alm dos incentivos fiscais, uma grande fonte do desequilbrio fis-cal primrio a Previdncia, objeto de uma proposta de reforma em tramitao no Congresso, que visa restringir as condies de acesso aos benefcios, seja em termos de idade, tempo de contribuio e penses, com regras de transio entre o sistema existente e o novo modelo, de modo que os efeitos fis-cais de eventuais mudanas ainda vo demorar a aparecer. No curto prazo, predomina uma corrida por parte dos possveis beneficirios ao atual sistema e o peso do desem-prego e queda das contribuies das empresas ao sistema, tornando os resultados negativos mais avas-saladores. O dficit da Previdncia aumentou 61%, passando de R$ 95 bilhes em 2015 para R$ 152 bilhes em 2016. A arrecadao lquida teve queda de R$ 22 bi-lhes, ou seja, 5,6%, enquanto os benefcios tiveram aumento de R$ 35 bilhes, ou 7,2%. Pelo lado da receita, houve decrscimo de re-passes do Tesouro em funo da re-verso de alquotas diferenciadas a alguns setores e tambm a reduo de R$ 2,5 bilhes em funo do regime diferenciado do SIMPLES, que corresponde a cerca de 10% da arrecadao das contribuies previdencirias.</p> <p>1 O Novo Regime Fiscal</p> <p>A novidade dentro da questo fis-cal foi a aprovao ao final de de-zembro de 2016 da Emenda Cons-titucional 95/2016, que instituiu o chamado Novo Regime Fiscal, que limita as despesas primrias reais da Unio, individualizando cada um dos seus Poderes, Tribunal de Contas, Ministrio Pblico, Defen-soria da Unio e Conselho Nacional da Justia por 20 anos, sendo pos-svel a alterao a partir do dcimo ano de vigncia da Emenda. Em 2017, os valores limites so os va-lores pagos (momento da emisso das Ordens Bancrias) em 2016 atualizados por 7,16%; a partir de 2018, o limite ser o do exerccio anterior, atualizado pela taxa de inflao de 12 meses encerrada em junho do ano anterior sua execu-o.4</p> <p>Apesar de a Emenda definir um horizonte de 20 anos para o con-gelamento de gastos primrios reais, a partir do dcimo ano o Poder Executivo pode apresentar Lei Complementar para alterar o mtodo de correo dos limites. Ento, pode-se dizer que o limite real de gastos de 10 anos, e no de 20. Resta saber se at l a regra de limite de despesas vai mesmo ser duramente cumprida ou se as presses inerentes sobre os recur-sos pblicos encontraro novas formas criativas de se concretizar. De qualquer modo, a luta pelos re-cursos pblicos deve se intensificar e no est garantida sua melhor </p> <p>alocao, e sim maior apropriao pelos grupos mais bem representa-dos.5 Por outro lado, sendo a Previ-dncia Pblica uma grande fonte de gastos, sua reforma pode amenizar a expanso do gasto primrio. Con-tudo, h que se notar que no s pela Previdncia que a transfern-cia de recursos ocorre. Uma fonte gigante de transferncias so os in-centivos fiscais e previdencirios. H todo um conjunto de benefcios e regimes tributrios diferencia-dos, que tornam o sistema fiscal muito complexo, oneroso e dis-funcional. Caberia, portanto, uma reordenao completa do sistema fiscal nacional, incluindo a anli-se de cada programa de governo, eventualmente uma poltica de re-cuperao de receita e at a criao de novos impostos. Ver Grfico 1 sobre o desempenho do resultado primrio do governo central desde janeiro de 2010, mostrando que a deteriorao desse indicador pas-sou a ocorrer em meados de 2014, com a recesso se espalhando pela economia.</p> <p>Enquanto as novas regras fiscais vo ganhando vida e implemen-tao, a recesso continua derru-bando as receitas pblicas; muitos desempregados, que anteriormen-te eram usurios dos servios pri-vados de sade e educao, passam a demandar Estados e Municpios por estes servios pb...</p>