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    II Congresso Nacional de Pesquisa em Cincias Sociais Aplicadas II CONAPE

    Francisco Beltro/PR, 02, 03 e 04 de outubro de 2013.

    1

    ANLISE DA RELAO DAS OBRIGAES CONTBEIS E O DESEMPENHO FINANCEIRO DE UMA UNIDADE DA CAIXA

    ECONMICA FEDERAL

    Celio Jos Albrecht Mahl 1

    Gilmar Ribeiro de Mello 2 rea de conhecimento: Administrao Eixo Temtico: Administrao Financeira, Custos e Contabilidade

    RESUMO O presente trabalho trata da anlise do risco operacional na atividade bancria sob o foco do controle e conciliao contbil de dados financeiros nas agncias bancrias da Caixa Econmica Federal. Para tanto, foram utilizados dois mtodos estatsticos de anlise dos dados, a correlao e a anlise de dados em painis. Foram utilizadas quatro variveis, sendo duas de desempenho financeiro das agncias e duas que registram dados contbeis incoerentes. A premissa a ser verificada era se existia correlao entre o desempenho financeiro e o nvel de registros contbeis incoerentes. Verificou-se que a hiptese levantada explicada parcialmente pelos dados e teste estatsticos apresentados, sendo que para anlise de dados em painis as variveis que tratam as incoerncias no so estatisticamente significativas, no sendo possvel concluir que as incoerncias tenham relao com custo ou resultado. Palavras-chave: Risco Operacional. Desempenho Financeiro. Correlao.

    INTRODUO

    A gesto dos riscos inerentes s atividades desenvolvidas em instituies

    financeiras deixou de ser, j h algum tempo, um item secundrio no

    estabelecimento de metas e nos resultados financeiros dos bancos brasileiros. A

    partir de 1988, com o Acordo de Mercado de Capitais, Basilia I, e a abertura

    comercial da economia brasileira, iniciada nos anos 1990, o Brasil buscou alinhar o

    seu mercado interno com as regras e diretrizes do mercado internacional, decorrente

    disso, os rgos reguladores aumentaram sua preocupao em implementar regras

    de segurana e a regulamentar o mercado financeiro em aderncia s regras

    internacionais (SILVA, 2006, p. 14).

    Com a crise nos mercados financeiros iniciada no Mxico, em 1998, e o novo

    Acordo de Mercado de Capitais, Basilia II, assinado em 2004, o enfoque deixou de

    1 Bacharel em Cincias Econmicas, Especialista em Gesto Contbil, Financeira e Auditoria, pela

    Universidade Estadual do Oeste do Paran - Unioeste, Campus de Cascavel. celiomahl@yahoo.com.br. 2 Doutor em Cincias Contbeis, Professor do mestrado em Gesto e Desenvolvimento Regional, da

    Unioeste, Campus de Francisco Beltro. gilmarribeirodemello@gmail.com.

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    ser apenas no controle e mitigao de risco de crdito, com a formao de um

    estoque mnimo de recursos para cobrir eventuais perdas de um banco. Alm disso,

    foram adicionados outros fatores de risco, sendo um deles o risco operacional.

    Entende-se risco operacional como a possibilidade de ocorrncia de perdas

    resultantes de falha, deficincia ou inadequao de processos internos, pessoas

    e sistemas, ou de eventos externos. A adoo de normas internacionais na

    regulamentao dos bancos brasileiros trouxe vrios desafios a serem vencidos, no

    Brasil a insero do componente risco operacional passou a ser tratada de maneira

    formal a partir da publicao do Comunicado n 12.746/2004 e da Resoluo n

    3.380/2006, ambos do Banco Central (BACEN).

    Na Caixa Econmica Federal (CAIXA), houve a implantao de um modelo de

    segregao de funes a partir do incio de 2000, o que acarretou diversas

    mudanas na estrutura organizacional da empresa, com a criao das retaguardas

    de agncias. As retaguardas de agncias esto diretamente vinculadas a uma

    Gerncia de Retaguarda de mbito regional que presta apoio e superviso s

    retaguardas e controla demais servios de conciliao contbil e conformidade dos

    servios e produtos oferecidos pela instituio no albergados nas retaguardas,

    exercendo assim a funo de compliance.

    Para acompanhar essas mudanas, foram criadas diversas ferramentas e

    sistemas para auxiliar na execuo e controle do risco operacional para

    acompanhamento e cobrana de medidas cabveis, a fim de sanar e evitar possveis

    prejuzos financeiros e da imagem da prpria empresa, frente a seus clientes e

    demais stakeholders.

    Dentre os diversos sistemas de controles utilizados o de conciliao contbil

    um timo indicador da gesto das unidades de retaguarda, pois se pode verificar

    no s o desempenho da conciliao de contas e subcontas, mas tambm verificar o

    desempenho financeiro das diversas agncias bancrias sob os aspectos de custos

    e receitas obtidos em suas operaes dirias.

    Dessa forma, a questo de pesquisa que orienta este trabalho : existe

    correlao entre o desempenho financeiro e o controle e conformidade das

    informaes contbeis em uma agncia bancria?

    Neste sentido, a anlise desses dados contbeis e financeiros torna-se

    bastante relevante para o acompanhamento dos objetivos impostos pela alta

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    administrao da empresa, sendo possvel estabelecer diversas correlaes entre o

    desempenho e o cumprimento de obrigaes junto aos rgos reguladores. Assim,

    esse trabalho visa verificar se h alguma correlao entre o cumprimento de

    obrigaes contbeis e o desempenho financeiro das agncias bancrias da CAIXA.

    1 REFERENCIAL TERICO

    1.1 Consideraes sobre risco operacional

    Os eventos associados ao risco sistmico do setor bancrio visto nas crises

    financeiras na dcada de 1980,1990 e mais recentemente no fim da dcada

    passada; a globalizao dos sistemas financeiros, evoluo tecnolgica; e a criao

    de novos produtos financeiros resultou em um ambiente de constantes mudanas e

    volatilidade nos mercados financeiros internacionais. Os organismos internacionais

    tiveram que tomar diversas medidas para mediar e tornar segura a atividade

    financeira desenvolvida nos pases a fim de evitar novas crises.

    Para Cupello (2006, p 13), em 1974 foi criado o Comit de Superviso da

    Basilia, que tinha funo de supervisionar as instituies financeiras, em 1988 foi

    assinado o primeiro Acordo de Capital de Basileia, denominado Basileia I, que teve

    como objetivo a criao de requerimento mnimo de capital para controle do risco de

    crdito das instituies, este acordo substitui o acordo que vigorava e estava

    atrelado ao grau de alavancagem.

    Alm disso, em 1997 o Comit emitiu os 25 Princpios para Fiscalizao

    Bancria Eficaz e em 1998 o Comit publicou os 13 princpios para avaliao dos

    sistemas de controles internos.

    Em 2001, o Comit da Basilia divulgou um relatrio em que reconhece a

    existncia e a dificuldade de lidar com o risco operacional, propondo vrias medidas

    de controle e gesto, publicando normas e princpios que devem ser seguidos por

    todos os signatrios do comit. O antigo acordo no conseguiu evitar vrias quebras

    na dcada de 1990, e em 2004 foi editado um novo acordo denominado Basileia II,

    que foi baseado em trs pilares bsicos.

    Assim Guerra (2006, p. 1) diz que o novo acordo mantm o pilar requerimento

    de capital constante em Basileia I e adiciona mais dois pilares: superviso bancria

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    e disciplina de mercado, podemos melhor entender esses trs princpios, nos itens

    seguintes:

    a) capital: visa aumentar a sensibilidade dos requisitos mnimos de fundos prprios

    aos riscos de crdito e cobrir, pela primeira vez, o risco operacional;

    b) superviso: busca reforar o processo de superviso quanto suficincia de

    montante de capital nos bancos;

    c) disciplina: visa implementar uma disciplina de mercado com vista a contribuir para

    prticas bancrias mais saudveis e seguras.

    Posteriormente, no ano de 2010, o acordo de Basilia foi revisado em funo

    da crise do subprime norte-americano e a sua posterior contaminao para os

    demais pases, o que gerou uma grave crise de liquidez. O Acordo da Basileia III,

    tambm foi assinado em funo do perigo que o crescimento dos derivativos

    financeiros representou e o afrouxamento da fiscalizao em pases centrais e

    tambm ao baixo nvel de qualidade dos ativos destinados a cobrir riscos inerentes

    atividade bancria.

    Para Silva (2006, p. 27), a gesto de risco nos bancos brasileiros seguiu o

    caminho adotado pelo mercado internacional e das exigncias regulamentares,

    desenvolvendo primeiramente a gesto do risco de crdito e risco de mercado,

    segmentos esses que j esto bem dilatados em termos de literatura conceitual e

    prtica, sistemas de gerenciamento e anlise ferramental. Entretanto, os demais

    riscos, como por exemplo, o operacional, tem recebido pouca ateno e concentrado

    menos esforos, mesmo sendo considerados importantes.

    O termo risco operacional bastante recente em termos de pesquisa

    cientfica sendo que os primeiros estudos na rea ocorreram somente aps a

    falncia do Banco Barings em 1995.

    Segundo Guerra (2006), existe a percepo que esse risco aumentou

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