ANÁLISE DA PRODUÇÃO ESCRITA EM MATEMÁTICA E A ... ?· qualitativa, tem o objetivo de direcionar…

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<ul><li><p>ANLISE DA PRODUO ESCRITA EM MATEMTICA E A </p><p>RESSIGNIFICAO DE SABERES DOCENTES </p><p>Dayani Quero da Silva1 </p><p>GD7 Formao de Professores que Ensinam Matemtica </p><p>Apresenta-se aqui uma pesquisa de mestrado em andamento vinculada ao Programa de Mestrado Profissional </p><p>em Ensino de Matemtica (PPGMAT) da Universidade Tecnolgica Federal do Paran (UTFPR) - Campus </p><p>Londrina e Cornlio Procpio, inserida na linha de pesquisa formao de professores. Sabe-se que em meio </p><p>s situaes de ensino e aprendizagem vivenciadas em ambientes escolares, alguns professores pesquisadores </p><p>tm feito de suas salas de aula palco para investigaes em busca de desenvolvimento acadmico e </p><p>profissional em prol de formao prpria e de seus alunos. Neste contexto, essa pesquisa, de abordagem </p><p>qualitativa, tem o objetivo de direcionar estudos por meio de um curso de extenso, a fim de verificar, </p><p>quando os professores e futuros professores participam de atividades de anlise da produo escrita, </p><p>ampliaes e ressignificaes nos seus saberes docentes na considerao do desenvolvimento de questes dos </p><p>alunos. A coleta de dados para anlise foi feita por meio de registro escrito, udio e vdeo no decorrer do </p><p>curso e, esses dados esto sendo analisados luz do proposto por autores que estudam saberes docentes e </p><p>pelas tcnicas da anlise de contedo. Aps esse perodo de estudos, acredita-se no refinamento do olhar do </p><p>professor e futuros professores perante a produo dos alunos e na incluso dessa ferramenta em suas </p><p>prticas. </p><p>Palavras-chave: Educao Matemtica; Formao de Professores; Saberes docentes; Avaliao; Anlise da </p><p>Produo Escrita. </p><p>Introduo </p><p> Esta pesquisa em andamento suscitada e alicerada pelo interesse em contribuir </p><p>na linha de formao de professores partindo da necessidade de ampliar o conhecimento </p><p>sobre anlise da produo escrita e suas implicaes para com a Educao Matemtica. </p><p>Alm disso, acredita-se no potencial da formao inicial e continuada e o seu reflexo no </p><p>processo de ensino e aprendizagem, haja vista que, essas formaes vo para alm da </p><p>formao do professor buscando a eficincia do ensino. </p><p>1 Universidade Tecnolgica Federal do Paran, e-mail: day_dayani@hotmail.com, orientador: Dr. Jader </p><p>Otavio Dalto. </p></li><li><p> Desde os anos 80 tem havido grandes mudanas relacionadas as condies de vida </p><p>da populao, nas quais a educao se destaca como um setor pouco valorizado. No </p><p>entanto, esta deveria ser garantida e ofertada para todos os alunos com qualidade. Nesta </p><p>direo, podemos mencionar o trabalho educativo na matemtica, haja vista que, em cursos </p><p>de Licenciatura em Matemtica, algumas vezes, tem-se debatido sobre a importncia da </p><p>reflexo da prtica docente e saberes dos professores. E, em busca por qualificao e </p><p>melhorias, seja por formao continuada, por reflexo da sua prpria prtica, o professor, </p><p>constri e reconstri seus saberes advindos da sua experincia, vivncia e formao. </p><p> Remetendo ao ensino e aprendizagem, sabe-se que a matemtica, muitas vezes, </p><p>vista de forma negativa pelos alunos, sendo uma das maiores causas de reprovao e </p><p>existem dificuldades ao entender a importncia real desta na sociedade. Neste prisma, </p><p>Boeri (2009) traz a ideia de que alguns professores consideram a aprendizagem matemtica </p><p>dos seus alunos como sendo decorebas de frmulas, deixando de lado o aprender a </p><p>entend-las, us-las e aplic-las em problemas e temas cotidianos, o que acaba </p><p>promovendo insegurana nos alunos. </p><p> Quando h a meno das dificuldades, o pensamento que se evidencia o ato de </p><p>avaliar. Na perspectiva de Hadji (1994, p.22), avaliao proceder uma anlise da situao </p><p>e a uma apreciao das consequncias provveis do seu ato numa tal situao. </p><p> Considerando a avaliao no ambiente escolar, importante frisar que a Lei de </p><p>Diretrizes e Bases da Educao Nacional (Lei 9394/96) em seu artigo 24, inciso V, prev a </p><p>avaliao contnua e cumulativa do desempenho do aluno, com prevalncia dos aspectos </p><p>qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do perodo sobre os de </p><p>eventuais provas finais. Neste contexto, destaca-se a utilizao de diversos instrumentos </p><p>de avaliao na prtica pedaggica e avaliativa, como: atividades, seminrios, testes, </p><p>apresentaes, provas, anlise da produo escrita, entre outros. </p><p> Quando se tem muitos alunos em uma sala de aula, de extrema dificuldade a </p><p>observao particular de cada um dos alunos. Devido a isso, podemos ressaltar que a </p><p>anlise da produo escrita vivel, visto que ela aproxima o professor do aluno, </p><p>possibilitando a ele identificar a forma como o aluno pensa e faz reflexes da sua prpria </p><p>prtica, deixando de considerar somente o erro do aluno, mas sim o processo que o levou </p></li><li><p>concluso e resposta da determinada situao, o que o aluno tem de conhecimento e no o </p><p>que lhe falta. </p><p> Pesquisas sobre formao de professores revelam que alguns professores tm feito </p><p>de suas salas de aula palco para investigaes, pesquisas, as quais incentivam uma melhor </p><p>produo e desenvolvimento acadmico e profissional em prol de formao prpria e de </p><p>seus alunos. </p><p>Nas ideias de Lima (2010) o professor pode ser caracterizado como sujeito em </p><p>construo, haja vista que seus saberes aprendidos diante de novas situaes vivenciadas </p><p>passam pela significao e ressignificao de novos olhares. </p><p> Situaes consistentes com a realidade escolar e com o saber docente j </p><p>interiorizado so as que possibilitam ao educador um outro olhar e um trabalho </p><p>ressignificado quer em sala de aula, quer na escola como um todo e no seu entorno. </p><p> O professor responsvel pelos seu desenvolvimento e saberes profissionais - os </p><p>saberes so re(construdos) tambm quando o professor atua em sala de aula. </p><p> Ao pensar em situaes prticas de avaliao inseridas no dia a dia escolar, </p><p>considerando que, na maioria das vezes, o professor olha a produo escrita do aluno </p><p>apenas para verificar se est certa ou errada, alardeou-nos o interesse em trabalhar com um </p><p>grupo de professores e futuros professores com o objetivo de direcionar estudos por meio </p><p>de um curso de extenso a fim de verificar, quando eles participam de atividades de anlise </p><p>da produo escrita, ampliaes e ressignificaes nos seus saberes docentes na </p><p>considerao do desenvolvimento de questes dos alunos. </p><p> Para isso, junto ao curso de extenso, foi elaborado um recurso de apoio aos </p><p>participantes, que contem para alm da fundamentao terica, um captulo com algumas </p><p>referncias de autores que utilizaram em suas publicaes a ferramenta anlise da produo </p><p>escrita afim de propiciar aos participantes contato com a anlise da produo escrita, </p><p>promovendo reflexes de suas prticas. </p></li><li><p>Objetivos </p><p> Esta pesquisa tem como objetivo direcionar estudos por meio de um curso de </p><p>extenso a fim de verificar, quando os professores e futuros professores participam de </p><p>atividades de anlise da produo escrita, ampliaes e ressignificaes nos seus saberes </p><p>docentes na considerao do desenvolvimento de questes dos alunos. </p><p> Para isso, os objetivos especficos so: realizar leituras acerca de Avaliao e </p><p>Anlise da Produo Escrita; elaborar um recurso de apoio aos professores e futuros </p><p>professores sobre anlise da produo escrita; ofertar um curso de extenso sobre a </p><p>temtica em estudo para professores e futuros professores; verificar saberes docentes de </p><p>professores e futuros professores de matemtica relacionados avaliao e anlise da </p><p>produo escrita por meio de um bate papo durante o curso de extenso e propiciar aos </p><p>professores e futuros professores contato com a anlise da produo escrita promovendo </p><p>reflexes de suas prticas. </p><p>Avaliao e Anlise da Produo Escrita </p><p> Revisando parte da literatura existente, vale mencionar alguns tericos que em suas </p><p>obras discutem sobre saberes docentes e/ou reflexo da prpria prtica, com Tardif (2002), </p><p>Gauthier (1998), Ponte (2004) e Fiorentini (1999). </p><p> Ponte (2004) enfatiza em seus estudos que o insucesso de alunos em aprendizagem </p><p>curricular, socializao e enculturao, modo de funcionamento das instituies e </p><p>condies da educao atual so tpicos postos como problemas enfrentados por </p><p>profissionais de educao, e que os incentivam a pesquisar sobre sua prpria prtica, </p><p>movimentando a sua realidade. </p><p>O movimento da realidade do ser que compreende, age e vive se assemelha a um </p><p>grande rio que corre para o mar. O rio carrega tudo que nele est, tudo sendo </p><p>arrastado, geralmente com pouca reao dos participantes. Apenas alguns </p><p>navegam o rio de modo consciente e so estes que tm condies de influir no </p><p>fluxo das guas, redirecionar o rumo do movimento, transformar o rio. [...]. A </p><p>pesquisa em sala de aula pode representar um dos modos de influir no fluxo do </p><p>rio. Envolver-se neste processo acreditar que a realidade no pronta, mas que </p><p>constitui-se a partir de uma construo humana. (MORAES; GALIAZZI; </p><p>RAMOS, 2004, p.9). </p><p> Destarte, o professor pesquisador responsvel pelos seu desenvolvimento e </p><p>saberes profissionais. Tardif (2014) afirma que o saber dos professores plural e temporal, </p></li><li><p>haja vista que leva-se em conta a histria de vida pessoal e profissional, dando nfase nos </p><p>aprendizados singulares e com as demais pessoas com quem mantm contato. </p><p> Partindo da ideia de Tardif e considerando o fato de que os saberes so </p><p>re(construdos) tambm quando o professor atua em sala de aula, destacar-se-ia a prtica </p><p>avaliativa, fator muito usado no processo de ensino e aprendizagem. </p><p> Sabe-se que o conceito de avaliao est relacionado ao ato de avaliar, que para o </p><p>senso comum aparece como atribuio de um valor, mas uma avaliao escolar no ocorre </p><p>de maneira to simples, necessita de alguns critrios para destacar as competncias e </p><p>habilidades e acima de tudo a aprendizagem do aluno. </p><p> Buriasco (2002, p.59) afirma que a avaliao como parte integrante das atividades </p><p>escolares possui vrias funes. Uma delas tem sido pouco evidenciada - a avaliao como </p><p>reguladora do processo de ensino e aprendizagem. </p><p> Para Hadji (1994, p.27) </p><p>Avaliar pode significar, entre outras coisas: verificar, julgar, estimar, situar, </p><p>representar, determinar, dar um conselho...Verificar o que foi aprendido, </p><p>compreendido, retido. Verificar as aquisies no quadro de uma progresso. </p><p>Julgar um trabalho em funo das instrues dadas; julgar o nvel de um ano em </p><p>relao ao resto da aula; julgar segundo normas preestabelecidas. (HADJI, 1994, </p><p>p.27). </p><p> Tomando a avaliao como prtica de investigao, essa busca dar respostas aos </p><p>processos de ensino e aprendizagem e, nesta funo, o foco no est em encontrar as </p><p>respostas, mas antes, em interrogar os meios, as trajetrias, os caminhos percorridos </p><p>(BURIASCO; FERREIRA; CIANI, 2009, p.76-7). </p><p> Diante disso, percebe-se o destaque de verificar os conhecimentos adquiridos pelos </p><p>alunos e suas competncias, situ-los sobre os seus desenvolvimentos e mais ainda julg-</p><p>los atribuindo valores destinados a alguns contedos. </p><p> Vrios autores destacam instrumentos de avaliao, entre eles: observaes, </p><p>registros, debates, auto avaliaes, reflexes, trabalhos em grupos, participaes em sala de </p><p>aula e em atividades propostas, seminrios, provas dissertativas, anlise da produo </p><p>escrita, portflios, entre outros. </p></li><li><p> De acordo com Buriasco (2004) citada por Pavanello e Nogueira (2006, p.37) </p><p>preciso considerar alm da resposta final do aluno, ampliando a qualidade de sua avaliao </p><p>para modificar o seu procedimento de ensino. Para ela, essa avaliao deve considerar: </p><p>O modo como o aluno interpretou sua resoluo para dar a resposta; as escolhas </p><p>feitas por ele para desincumbir-se de sua tarefa; os conhecimentos matemticos </p><p>que utilizou; se utilizou ou no a matemtica apresentada nas aulas; e sua </p><p>capacidade de comunicar-se matematicamente, oralmente ou por escrito. </p><p>(PAVANELLO; NOGUEIRA, 2006, p.37). </p><p> Para que a avaliao em matemtica seja feita contemplando todo o processo de </p><p>ensino e aprendizagem suficiente que o professor cobre de seus alunos tudo que lhes foi </p><p>ensinado, desde conceitos, procedimentos, atitudes, exerccios, raciocnios matemticos, </p><p>desde que esses faam parte do contedo que foi posto para ser avaliado conjuntamente </p><p>com seus pr-requisitos. pertinente que o professor requeira que o aluno utilize seus </p><p>conhecimentos, fazendo com que esse busque solues relacionando contedos com outros </p><p>e suas aplicaes tornando-o mais participativo na construo do seu prprio conhecimento </p><p>e responsvel por seu conhecimento e rendimento. </p><p> Alguns estudos sobre a anlise da produo escrita foram desenvolvidos </p><p>destacando-a como uma possibilidade de implementao na formao do professor, tais </p><p>como (VIOLA dos SANTOS; BURIASCO; CIANI, 2008; DALTO; BURIASCO, 2009; </p><p>FERREIRA, 2009). </p><p> A produo escrita dos alunos apresenta-se como uma rica fonte para buscar </p><p>entender os processos de ensino e aprendizagem, uma vez que por meio dela e ao </p><p>[...] ter uma noo o mais precisa possvel do que seus alunos sabem e so </p><p>capazes de fazer, o professor pode, alm de tomar decises adequadas sobre sua </p><p>prtica escolar, contar com seus alunos como interlocutores na compreenso dos </p><p>caminhos por eles percorridos na busca da resoluo da situao; o que contribui </p><p>para melhorar a aprendizagem, na medida em que favorece a continuidade dela e </p><p>a progressiva autonomia do aluno. (BURIASCO, 2004, p. 247). </p><p> Neste sentido a anlise da produo escrita se d como um procedimento que visa a </p><p>comunicao entre ambas as partes, alunos e professores. E um mtodo interrogativo </p><p>relacionado ao processo de ensino e aprendizagem. </p><p> Buriasco, Ferreira e Ciani (2009, p.79) sugerem que a anlise da produo escrita </p><p>venha acompanhada de alternativas como, por exemplo, entrevistas, discusses e </p><p>exploraes coletivas, em sala de aula, a respeito de uma ou mais produes. </p></li><li><p> E completam alm da anlise da produo escrita contribuir para um pensar sobre </p><p>a produo individual do estudante, ela pode servir tambm para um olhar mais abrangente </p><p>a respeito de um conjunto de produes que apresentam caractersticas comuns. </p><p> De acordo com Santos (2008, p.23) ao utilizar </p><p>[...] a produo escrita dos estudantes, interpretando as informaes presentes </p><p>nessa produo, os professores podem tambm identificar possveis dificuldades, </p><p>analisar os erros encontrados e obter indcios do que pode ter levado esses </p><p>estudantes a errarem e, a partir de tais informaes e de conversas com eles, </p><p>planejar novas aes de modo que estas possam contribuir com a aprendizagem </p><p>dos envolvidos. (SANTOS, 2008, p.23). </p><p> A escrita na matemtica de suma importncia j que no desempenho desta ao </p><p>necessrio a organizao de ideias, vocabulrios, algoritmos que fazem parte dos </p><p>conhecimentos do aluno, fazendo com que professor e aluno percebam o grande contexto </p><p>da matemtica e suas exigncias. </p><p> Para Ferreira (2013, p.24) </p><p>a anlise da produo escrita associada a um bom instrumento de avaliao pode </p><p>servir para detectar erros frequentes, recorrentes, dificuldades; simular formas de </p><p>pensar, tipos de raciocnio; investigar causas de erros, obstculos didticos, </p><p>obstculos epistemolgicos; investigar acertos casuais; produzir e emitir </p><p>feedback; dar suporte para a reelaborao do prprio instrumento de avaliao </p><p>utilizado. (FERREIRA, 2013, p.24). </p><p> Para Buriasco, Cyrino e Soares (2003, p.4) a documentao e anlise con...</p></li></ul>