Anais Enio

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Poemas traduzido de Enio.

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<ul><li><p>UNIVERSIDADE DE SO PAULOFACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CINCIAS HUMANAS</p><p>DEPARTAMENTO DE LETRAS CLSSICAS E VERNCULASPROGRAMA DE PS-GRADUAO EM LETRAS CLSSICAS</p><p>EVERTON DA SILVA NATIVIDADE</p><p>Os Anais de Quinto nio:estudo, traduo e notas</p><p>So Paulo2009</p></li><li><p>UNIVERSIDADE DE SO PAULOFACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CINCIAS HUMANAS</p><p>DEPARTAMENTO DE LETRAS CLSSICAS E VERNCULASPROGRAMA DE PS-GRADUAO EM LETRAS CLSSICAS</p><p>Os Anais de Quinto nio:estudo, traduo e notas</p><p>Everton da Silva Natividade</p><p>Dissertao apresentada ao Programa de Ps-Graduao em Letras Clssicas</p><p>do Departamento de Letras Clssicas e Vernculasda Faculdade de Filosofia, Letras e Cincias Humanas</p><p>da Universidade de So Paulo,para o obteno do ttulo de Mestre </p><p>em Letras Clssicas.</p><p>Orientadora: Profa. Doutora Zelia Ladeira Veras de Almeida Cardoso</p><p>So Paulo2009</p></li><li><p>RESUMO</p><p>Os Anais de Quinto nio: estudo, traduo e notas</p><p>Este trabalho apresenta a traduo dos fragmentos suprstites do poema pico Anais de </p><p>Quinto nio (239 ca. 169 a. C.). Uma seo introdutria trata de discutir o que se sabe </p><p>sobre o poeta, partindo das citaes dos autores antigos que a ele se referiram. Faz ainda parte </p><p>dessa seo inicial um estudo sobre os Anais, observando o poema segundo as vises dos </p><p>antigos e tambm de acordo com o que hoje, na forma fragmentria em que chegou a ns, </p><p>cujo elemento unificador se centra no trabalho filolgico de crticos de todo o mundo.</p><p>O cerne do trabalho consiste na traduo e anotao dos 420 fragmentos tomados edio </p><p>italiana de Valmaggi (1945). Os comentrios se baseiam sobretudo nas reflexes de Skutsch </p><p>(1985), Steuart (1976), Warmington (1988) e Vahlen (1967), partindo da contextualizao de </p><p>cada fragmento, assinalando o tema a que esteja ligado e, por conseguinte, explicando por </p><p>que tal fragmento foi includo no canto de que faz parte. Em seguida, ocupamo-nos de </p><p>analisar o fragmento, ressaltando motivaes estilsticas e empregos lingsticos, em busca </p><p>do significado do texto-fragmento, o que se faz com o uso de recursos diversos, como o </p><p>auxlio de diferentes dicionrios, a comparao da mesma palavra em distintos fragmentos </p><p>dos Anais ou de outras obras enianas, ou ainda o estudo do emprego de uma palavra em </p><p>contextos semelhantes de outros autores, ou em diferentes contextos de autores </p><p>contemporneos de nio. </p><p>Palavras-chave: Anais; Quinto nio; pica; fragmentos; traduo</p></li><li><p>ABSTRACT</p><p>The Annals of Quintus Ennius: study, translation and notes</p><p>This thesis presents the translation of the remaining fragments of the epic poem </p><p>Annals by Quintus Ennius (239ca. 169 BC). An introductory section discusses what is </p><p>known about the poet, taking the ancient authors quotes that refer to him as a starting-point. </p><p>In this initial section a study on the Annals is also included; it observes the poem according to </p><p>the ancients point of view and to what it is today, in the fragmentary form in which it has </p><p>come down to us, the philological work of critics from all over the world being its unifying </p><p>element.</p><p>The kernel of this text consists of the translation and commentary of the 420 </p><p>fragments taken from the Italian edition of Valmaggi (1945). The comments are based </p><p>primarily on the contributions of Skutsch (1985), Steuart (1876), Warmington (1988) and </p><p>Vahlen (1967), and the contextualization given to each fragment, since such procedure aids </p><p>and enables my search for the theme it is connected with and thus explains why each </p><p>fragment was included in the book it is part of. I then analize the fragments one by one, mark </p><p>its stylistic motivations and linguistic uses, and search for the meaning of each text-fragment, </p><p>which is done through diverse resources, such as the help of different dictionaries, word </p><p>comparison in distinct fragments either of the Annals or other Ennius works, and the study </p><p>of a words usage in similar contexts found in other authors, and in different contexts of </p><p>Ennius contemporary authors. </p><p>Keywords: Annals; Quintus Ennius; epic; fragments; translation</p></li><li><p>CCILI ME,</p><p>magistrae primae,</p><p>sine qua non.</p></li><li><p>SUMRIO</p><p>Agradecimentos ................................................................................................................ p. i</p><p>Consideraes iniciais ....................................................................................................... p. 1</p><p>Quinto nio ....................................................................................................................... p. 3</p><p> Obras ....................................................................................................................... p. 7</p><p>Os Anais .......................................................................................................................... p. 10 Esta traduo ........................................................................................................ p. 14</p><p>Canto I ................................................................................................................. p. 16</p><p>Canto II ................................................................................................................ p. 63</p><p>Canto III .............................................................................................................. p. 71</p><p>Canto IV .............................................................................................................. p. 76</p><p>Canto V ............................................................................................................... p. 77</p><p>Canto VI .............................................................................................................. p. 81</p><p>Canto VII ............................................................................................................. p. 96</p><p>Canto VIII ......................................................................................................... p. 116</p><p>Canto IX ............................................................................................................ p. 131</p><p>Canto X ............................................................................................................. p. 140</p><p>Canto XI ............................................................................................................ p. 149</p><p>Canto XII ........................................................................................................... p. 154</p><p>Canto XIII ......................................................................................................... p. 156</p><p>Canto XIV ......................................................................................................... p. 159</p><p>Canto XV .......................................................................................................... p. 164</p><p>Canto XVI ......................................................................................................... p. 166</p><p>Canto XVII ........................................................................................................ p. 178</p></li><li><p>Canto XVIII ...................................................................................................... p. 181</p><p>Fragmentos de localizao incerta .................................................................... p. 183</p><p>Consideraes finais ...................................................................................................... p. 245</p><p>Referncias bibliogrficas ............................................................................................. p. 249</p></li><li><p>Agradecimentos</p><p>Esta uma das pginas mais importantes deste trabalho, e eu espero conseguir </p><p>palavras corretas e de sonoridade adequada para expressar a alegria da gratido que cada </p><p>nome citado mereceu no processo de redao ou representa no processo de crescimento </p><p>pessoal envolvido.</p><p>Em primeiro lugar, como manda a piedade religiosa, dou graas a Deus, pela </p><p>sade concedida, pelo auxlio enviado, pela concluso permitida.</p><p>Em seguida, os meus mais honestos agradecimentos minha orientadora, Profa. </p><p>Doutora Zelia Ladeira Veras de Almeida Cardoso. Alm de ecoar a j costumeira frase em </p><p>que isentamos o orientador das falhas da dissertao, que, asseguro, neste caso, so da </p><p>minha total responsabilidade, por imaturidade na audio ou incapacidade na apreenso, eu </p><p>gostaria de deixar expressa a minha gratido. A minha gratido se inicia no momento de </p><p>recepo no Programa de Ps-graduao, que significou a segurana de um contato </p><p>acadmico que eu desejava desde muito; ela se fortalece na lembrana de cada uma das </p><p>sesses de orientao, em que uma hora de charla equivalia a uma mirade de </p><p>aprendizagens para mim; ela se completa na leitura e reiterada releitura dos meus </p><p>textos, com olho crtico de mestra e bondade de guia; a minha gratido se rejubila, enfim, </p><p>no modelo adquirido. Magistrae maximae gratias ago meas. </p><p>Pela leitura atenciosa e pelas sugestes feitas quando do exame de qualificao, </p><p>que livraram a parte inicial deste texto de equvocos e excessos, meu grato reconhecimento </p><p>aos professores Doutor Jos Eduardo Lohner e Doutor Ariovaldo Augusto Peterlini.</p><p>Gostaria ainda de expressar a minha gratido pelas leituras de quatro professores, </p><p>em momentos distintos, de diferentes partes desta pesquisa: pela leitura do projeto, s </p><p>professoras Doutora Sandra Maria Gualberto Braga Bianchet, da Universidade Federal de </p><p>Minas Gerais, e Mestra Fernanda Messeder Moura; pela leitura de anlises e comentrios </p><p>de versos, aos professores Doutor Iv Lopes, atuante em estudos de Semitica Potica, e </p><p>Doutora Norma Goldstein, atuante em estudos de Estilstica, ambos da Faculdade de </p><p>Filosofia, Letras e Cincias Humanas da Universidade de So Paulo.</p><p>Aos revisores, amici certi in rebus incertis, professores Mestre Aristteles </p><p>Angheben Predebon e Mestra Fernanda Messeder Moura, sou grato; o seu trabalho muito </p><p>i</p></li><li><p>me dignifica o texto, e a sua leitura muito me honra, pois faz de ambos os meus primeiros </p><p>leitores.</p><p>Grato sou ainda FAPESP, Fundao de Amparo Pesquisa do Estado de So </p><p>Paulo, que me concedeu bolsa de estudos durante parte do perodo do Mestrado, </p><p>possibilitando o acesso a bibliografia importada e atualizada, a participao em eventos </p><p>nacionais e internacionais que muito me auxiliaram no desenvolvimento desta pesquisa e a </p><p>liberdade para a dedicao exclusiva aos estudos que ora se apresentam neste volume. </p><p>ii</p></li><li><p>Consideraes iniciais</p><p>Esta traduo anotada dos Anais de nio, introduzida por um estudo da vida e da </p><p>obra do autor, seguida de outro breve estudo, sobre o poema pico, insere-se na linha de </p><p>pesquisa Narrativa greco-latina do Programa de Ps-Graduao em Letras Clssicas da </p><p>Faculdade de Filosofia, Letras e Cincias Humanas da Universidade de So Paulo. </p><p>Foi nio o primeiro grande poeta pico da literatura latina; a redao dos dezoito </p><p>cantos dos seus Anais lhe concedeu fama imortal entre os romanos seus sucessores, ainda </p><p>que as opinies sobre o seu trabalho variem. No que tange ao gnero, foi o primeiro a se </p><p>destacar no canto pico, ainda que dois outros poetas, Lvio Andronico e Nvio, tivessem </p><p>comparecido cena antes dele. O grande lapso criado na produo pica ps-eniana s se </p><p>vai encerrar quando do surgimento da Eneida de Virglio, no sculo I a.C., texto que </p><p>suplantaria os Anais em fama. Convm ressaltar a importncia da tradio: se verdade que </p><p>a epopia de nio no se teria alado ao nvel que conheceu sem a primitiva produo de </p><p>Lvio ou a de Nvio, nem tampouco o texto virgiliano teria sido o que foi sem retrilhar </p><p>certos caminhos que nio j havia percorrido.</p><p>A traduo do texto dos Anais, do poeta pico pr-virgiliano Quinto nio (239 </p><p>ca. 169 a.C.), justifica-se na medida em que ela no existe, disponibilizada em portugus, </p><p>feita a partir de texto crtico confivel e notas que auxiliem a leitura dos fragmentos </p><p>suprstites, quase nunca to simples. A traduo e a exegese do texto, nos comentrios que </p><p>o seguem, analisando-o fragmento por fragmento, tm como finalidade primordial fazer </p><p>conhec-lo no seu estado atual. Quanto introduo, o citarem-se passos de outros autores </p><p>antigos, que fizeram referncia ao poeta e obra postos em estudo em diferentes pocas, </p><p>cria a vantagem da coleta organizada dessas passagens.</p><p>Na seo inicial, intitulada Quinto nio, situamos o autor e a sua produo. Para </p><p>isso, apresentamos as passagens que se referem a nio nos autores antigos, graas aos quais </p><p>nos chegou o que resta dos fragmentos enianos, as fontes dos fragmentos. As informaes </p><p>biogrficas, que so, como veremos, quase sempre cercadas de incertezas e conjecturas </p><p>mais ou menos plausveis, sero oportunamente completadas pela leitura da obra </p><p>1</p></li><li><p>propriamente dita, dos fragmentos suprstites que apresentamos, anexado o devido </p><p>comentrio explicativo de cada um. </p><p>Na seo seguinte, Os Anais, aps apresentar o poema em linhas gerais, passamos </p><p>ao que constitui propriamente o trabalho de pesquisa desta dissertao: a traduo </p><p>comentada. Tal traduo se manteve em prosa e, quanto possvel, em correspondncia </p><p>justalinear. O estudo compreende a contextualizao de cada fragmento, considerando e </p><p>anotando momentos de relevncia histrica e referncias mticas que se fazem necessrias </p><p>para a melhor apreenso do texto, as caractersticas estilstico-semiticas do original, alm </p><p>de algumas explicaes de ordem lingstica, utilizadas sobretudo na justificativa de </p><p>escolhas de traduo. </p><p>2</p></li><li><p>Quinto nio</p><p>Quinto nio, cujo nome se atesta em diferentes fontes, recebe provavelmente o </p><p>prenome Quinto de Quinto Flvio Noblior1, filho de Marco Flvio Noblior. Foi tambm </p><p>Quinto Flvio Noblior que, como trinviro, tendo colonizado o Pisauro, anexado a Roma </p><p>em 184 a.C., ofereceu a nio a cidadania2. O poeta era originrio de Rdias, o que fica dito </p><p>por ele mesmo no fragmento 313 dos Anais, mas a localizao desta cidade (ou vilarejo?) </p><p>no se pode averiguar com certeza: diferentes autores referiram-se a distintas localizaes3, </p><p>que podem ser reduzidas ao denominador comum da Calbria, chamada pelos gregos de </p><p>Iapgia ou Messpia4.</p><p>O nome Messpia provm de Messapo, rei mtico, domador de cavalos, condutor </p><p>dos messpios, povo de provvel origem ilrica. Imbuda na cultura grega, a Messpia, </p><p>parte da Magna Grcia, foi a origem das duas primeiras lnguas de nio: o grego e o osco, </p><p>este ltimo comum nas regies do sul da Itlia que no estavam sob a influncia direta dos </p><p>gregos. Como em 266 a.C. a lngua latina j se havia espraiado pela Messpia5, nio, o </p><p>poeta semi-grego6, podia declarar-se possuidor de trs coraes7, cada um ligado a uma das </p><p>lnguas que falava e cultura que elas expressavam. Ao rei Messapo nio parece ter-se </p><p>declarado aparentado, o que se veria em um fragmento dos Anais que no faz parte deste </p><p>nosso trabalho, uma vez que foi excludo da nossa edio, mas que comparece na de </p><p>Skutsch (ibid.: 119), como o de nmero 524, fragmento em que nio mencionaria o nome </p><p>do rei8. A passagem de Virglio, na Eneida, VII, 691-705, em que...</p></li></ul>