AMIGOS DA HISTÓRIA - ?· 1835 – Revolta dos Malês (Bahia) 1837 – Revolta Sabinada (Bahia) 1838…

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  • AMIGOS DA HISTRIA

    A histria est presente na vida de todos ns. A histria est acontecendo todo o dia. O que aconteceu ontem no mundo passado, histria. Remete ao tempo, ao espao e aos personagens. O que voc l no jornal de hoje, poder ser histria no futuro. A notcia conta o fato, o lugar onde ocorreu, a data e fala dos personagens envolvidos. Esses so os instrumentais da nossa histria, inclusive da histria de vida de cada um. Cada pessoa tem data e local de nascimento, filiao, acontecimentos marcantes em sua vida, uma trajetria. Esta publicao vai fazer uma viagem na histria do Brasil, na histria de vida de cada um e na histria da comunidade escolar. Uma histria viva, construda por todos, composta por gente de diferentes lugares, raas e idades, por pocas de guerra e acordos de paz, por homens e mulheres que mudaram o mundo com seus sonhos e esperanas, mas tambm com suas aes. Voc, amigo da escola, vai ajudar as crianas e os jovens a se transformarem em Amigos da Histria. PORQUE CONHECER O PASSADO? Conhecer o passado de uma sociedade como conhecer o passado de uma pessoa. Quando encontramos um novo amigo, queremos saber coisas sobre a sua histria; quando e onde nasceu, em que colgios estudou e tantas outras curiosidades ... Essas curiosidades conformam o perfil da pessoa que estamos conhecendo. Sabendo do seu passado, entendemos muito mais sobre a sua personalidade atual e podemos ajud-la a superar obstculos, medos e problemas presentes que foram criados l atrs, no passado. Com uma sociedade acontece o mesmo: conhecer a histria das sociedades, ajuda a entender melhor o mundo em que se vive e a resolver os problemas do presente. Conhecer e compreender o passado, tornar o sujeito consciente de como o mundo em que vive chegou no ponto em que est e o ajudar a tomar a deciso de no ficar parado, esperando acontecer ... O QUE O HOMEM NO PRESENTE DEPENDE DE SEU COMPORTAMENTO ATUAL, MAS TAMBM DAS CONQUISTAS QUE A HUMANIDADE J REALIZOU.

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    CAPTULO 1 pg. 3 O Tempo: O tempo e a cronologia em histria so diferentes do tempo do relgio. Saiba como motivar seu grupo com atividades relacionadas cronologia. Utilize linhas de tempo para contar diversas histrias. O relgio da histria e o relgio da vida de cada um, acontecimentos marcantes na histria do Brasil Imperial e as revoltas que encurtam o tempo so alguns temas desse captulo. CAPTULO 2 pg. 6 O Espao: A organizao do espao importante em todos os mbitos da vida: na sala de aula, na escola, no bairro, na cidade e no pas. Saiba como estimular crianas e jovens a conhecer os espaos de socializao e respeit-los. Entre os temas desse captulo esto: as divises administrativas do Brasil ao longo da histria, os estados e as regies brasileiras, as caractersticas de cada regio, suas diferenas e as disputas pelo espao na histria. CAPTULO 3 pg. 9 O Personagem: os homens fazem a histria, o papel das mulheres na histria do Brasil, as revoltas e seus personagens, a histria de alguns personagens conhecidos da histria e os annimos, os amigos da Histria. CAPTULO 4 pg.13 As Revoltas: no Brasil Imperial ocorreram vrias revoltas, entre elas, a Farroupilha, a Cabanagem, Mals, a Sabinada e a Balaiada. O imperador era menor de idade, regentes governavam o pas e algumas regies reclamavam por autonomia, ateno e eficincia do governo central. Um quadro do Brasil na poca da Casa das Sete Mulheres.

  • AMIGOS DA HISTRIA

    CAPTULO 1 Quantas vezes ouvimos a expresso: Esse ano passou voando...? O modo das pessoas se relacionarem com o tempo na vida cotidiana se d atravs dos minutos, horas, meses, anos e at dcadas. Seria muito estranho ouvir a frase: Esse sculo passou voando .... Na histria da humanidade, o tempo se conta aos milhares de anos, sculos e dcadas. Os historiadores falam de eras, perodos e pocas. Dividem o tempo para explicar melhor as mudanas sociais e o modo de vida da humanidade em tempos diferentes. Na vida das pessoas tambm existem as fases: a infncia, a adolescncia ou juventude, a vida adulta e a velhice ou terceira idade. A passagem de uma fase para outra varia muito, de pessoa para pessoa, mas, em geral, um conjunto de acontecimentos importantes marcam as mudanas de comportamento social e pessoal dos indivduos. Com as sociedades acontece o mesmo. Um fato ou vrios acontecimentos importantes determinaram mudanas to grandes na vida de todas as pessoas, que deram origem periodizao da histria. O prprio aparecimento da Histria foi marcado por um desses acontecimentos extraordinrios: a inveno da escrita, por volta de 4000 anos a.C. Chamamos o perodo anterior ao aparecimento da escrita de Pr-histria, estudada atravs de vestgios, como objetos domsticos, armas, pinturas e desenhos nas cavernas. As divises da histria tm origem nessas mudanas, mas variam de lugar para lugar. Por exemplo, somente a histria do Ocidente divide-se em Idade Antiga, Idade Mdia, Idade Moderna e Idade Contempornea. No Oriente, a periodizao outra. Os marcos de passagem, as datas, so um pouco arbitrrios porque revelam apenas um acontecimento entre muitos que, juntos, determinaram as transformaes da sociedade.

    Expedio Colonizadora 1530

    Engenho do Perodo Colonial

    As grandes fatias de tempo em que se divide a histria do Brasil estoligadas aos regimes polticos que existiram em nossa histria: PerodoColonial, comea com a chegada dos portugueses, em 1500, etermina com a Independncia do Brasil, em 1822; Perodo Imperial,comea com a Independncia e termina com a Proclamao daRepblica, em 1889; e Perodo Republicano, que comea com aProclamao e no qual vivemos at hoje. Essa diviso, emboradidtica, suprime o perodo anterior conquista do Brasil por Portugal,quando aqui existia uma sociedade organizada em tribos. Osestudiosos desse perodo, chamam-no de Perodo Pr Cabralino.

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    Bandeira do Brasil Imprio

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    LINHA DE TEMPO Instrumento muito usado pelos historiadores e professores de histria para visualizar a periodizao. As periodizaes podem ser alteradas, em funo dos aspectos ressaltados pelo historiador (polticos, econmicos, sociais, culturais e outros) ou em funo de novas pesquisas. A linha de tempo tambm permite ressaltar, ao mesmo tempo, vrios aspectos da vida dos homens em sociedade: artsticos, culturais, polticos, econmicos, sociais e outros.

    Perodo Colonial Perodo Imperial Perodo Republicano 1500 1822 1822 1889 1889 atual Neste caderno, abordamos o Perodo Imperial brasileiro, poca de formao do Estado Nacional e quando o regime monrquico supunha a presena da famlia real portuguesa no poder central. D. Pedro I e D. Pedro II governaram o pas entre 1822 e 1889. Com a abdicao de D. Pedro I, em 1831, o pas passou a ser governado por regentes, pois seu filho, D. Pedro II, tinha apenas 5 anos de idade. A fase das Regncias foi muito conturbada; vrias revoltas eclodiram nas mais diversas regies do pas. O romance A Casa das Sete Mulheres, da escritora gacha Leticia Wierzchowski, conta a histria das mulheres da famlia de Bento Gonalves, lder da Revoluo Farroupilha. Elas ficaram confinadas numa estncia, durante os dez anos da luta. O tempo passou diferente para os sul-rio-grandenses que lutaram nos campos de batalha contra o Imprio brasileiro e para aquelas mulheres, praticamente isoladas do mundo. Linha do Tempo do Perodo Imperial 1822 Proclamao da Independncia do Brasil 1824 Primeira Constituio Brasileira, Monrquica 1824 Confederao do Equador 1831 Abdicao de D. Pedro I, Incio das Regncias 1831 Motins em Pernambuco 1932 Guerra dos Cabanos (Pernambuco) at 1834 1834 Reforma na Constituio do Brasil: Ato Adicional 1835 Revoluo Farroupilha (Rio Grande do Sul) at 1845 1835 Revolta Cabanagem (Par) at 1840

    Proclamao da Independncia do Brasil

    1835 Revolta dos Mals (Bahia) 1837 Revolta Sabinada (Bahia) 1838 Revolta Balaiada (Maranho) at 1841 1840 Maioridade de D. Pedro II 1842 Revoltas Liberais no Rio de Janeiro e So Paulo 1845 Paz do Poncho Verde (fim da Revoluo Farroupilha) 1848 Revoluo Praieria em Pernambuco 1888 Abolio da Escravido no Brasil 1889 Proclamao da Repblica

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    SUGESTO DE ATIVIDADE Objetivos: Para crianas e jovens, a contagem do tempo histrico muito abstrata porque os perodos so muito longos e distantes de sua prpria realidade. Essa atividade pode ajudar a conectar acontecimentos coletivos e pblicos com a histria particular da vida de cada um. Construindo a sua histria, eles vo entender o trabalho do historiador na busca de documentos, vestgios de uma poca e na construo das periodizaes. Execuo:

    Uma idia comear propondo uma conversa sobre as unidades de tempo conhecidas por eles para que construam uma linha de tempo de um determinado dia na vida de uma pessoa: hora de acordar, hora do almoo, hora de ir para o colgio e assim por diante;

    Que tal contar a sua prpria histria com data de nascimento, filiao, colgios onde estudou, etc.? Mostre fotografias e documentos como identidade, carteira profissional, boletins escolares?

    Voc pode procurar os arquivos de jornais de sua cidade e consiguir cpias de exemplares antigos, de 10 15 anos atrs, a poca do nascimento das crianas e dos jovens da escola;

    Outra sugesto o registro da histria de cada um deles, atravs de uma pesquisa. Eles podem recorrer aos pais, irmos, avs, tios e outros para compor um quadro do que viveram at o presente numa autobiografia;

    Voc pode completar a histria com ilustraes, fotos, fotocpia de documentos como certido de nascimento, depoimentos e at uma linha e tempo da histria de cada um;

    Ao final, que tal propor a troca dos trabalhos entre eles e a prazerosa leitura sobre as histrias uns dos outros?

    Essa atividade vai ajudar todos a se conhecerem melhor, criando uma autoconfiana nas crianas e jovens que podero visualizar o prprio crescimento.

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    CAPTULO 2 Esse o meu lugar, reclama a criana ao entrar na sala de aula e ver sua cadeira ocupada pelo colega. Alm do sentimento de posse, muito caracterstico de algumas faixas etrias, sobressai o sentimento de pertencer a algum lugar. O lugar, pensado como espao ou territrio, constitui o local onde se vive, de onde se pode enxergar o mundo e onde se realizam as atividades necessrias sobrevivncia e ao prazer. No seu lugar, as pessoas conseguem identificar a paisagem, sua beleza e seus problemas, e conseguem ver como ela se modifica ao longo do tempo. Na sala de aula professores e alunos discutem, de modo sistemtico, a organizao do espao, seja em funo de problemas disciplinares ou em funo de tipos de atividades que exigem uma nova distribuio das classes. As modificaes do espao so realizadas em funo das necessidades humanas. Ao longo da histria, os homens introduziram atividades produtivas como plantaes e criao de animais; construram casas, prdios, usinas hidreltricas, vias de transporte e fbricas... Com isso, as sociedades humanas modificaram as paisagens, definindo seus usos e criando normas de utilizao dos espaos. muito difcil encontrar um lugar do planeta que no tenha sido modificado pela ao humana; praticamente todos os lugares do mundo so constitudos por espaos modificados, conseqncia da ao do homem sobre a natureza. Os espaos modificados pelo homem, que deveriam resultar de aes planejadas, refletidas e harmnicas, nem sempre tm essas caractersticas. A poluio e a desordem so frutos, muitas vezes, de uma m utilizao do meio ambiente e de aes impensadas dos homens sobre a ocupao e uso dos espaos disponveis. Ao longo da histria do Brasil, a paisagem natural foi sendo modificada de acordo com as necessidades humanas e com os objetivos econmicos e polticos daqueles que estavam no poder. Diante de um espao to grande, a organizao territorial do pas sempre foi motivo de grandes preocupaes. O pas j foi dividido em Capitanias Hereditrias, Norte/Sul, Provncias, Estados, Regies, Municpios... Algumas dessas divises foram fruto de atos administrativos, outras foram resultado das caractersticas naturais de cada paisagem e das atividades econmicas nelas desenvolvidas.

    Ilustrao de mapa do Brasil feito na poca das expedies colonizadoras

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    VEJA O CASO DA BAHIA: A Bahia foi Capitania, entre os sculos XVI e XVIII, tornou-se provncia, no sculo XIX e Estado no sculo XX. Entre 1548 e 1763, Salvador foi a capital do poder central da Colnia, sede do Governo Geral. E a Bahia foi transformada em Capitania Real ou da Coroa. Em 1763, a Bahia perdeu seu lugar para o Rio de Janeiro porque a atividade de minerao desenvolvida no centro do pas deslocou os interesses portugueses do Nordeste para o Sudeste. Essas mudanas administrativas, realizadas por fora dos interesses econmicos, provocavam conseqncias graves na relao das regies com o poder central. Durante o perodo Imperial, a organizao territorial e o papel de cada regio do Brasil nas decises dos destinos polticos do pas, foram motivos de grandes disputas e controversas. O Brasil era dividido em provncias, que praticamente deram origem aos atuais estados da federao. A importncia de cada uma, sua autonomia econmica e poltica e os benefcios que recebiam do poder central estavam entre os principais problemas das provncias.

    A capitania da Bahia tinha como donatrio Francisco Pereira Coutinho e possua 50 lguas que iniciava-se na foz do rio So Francisco e prolongava-se at a foz do rio Jaguaripe.

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    SUGESTO DE ATIVIDADE Objetivos: Todos possuem uma identidade regional e nacional. Mesmo assim, esses sentimentos de pertencer a algum lugar mais amplo do que o bairro ou a cidade so abstraes que podero ser vivenciadas a partir de conhecimentos e de jogos de interao sobre esses espaos. Essa atividade pode ajudar a ampliar a percepo das dimenses do Brasil, de suas particularidades e os interesses de cada regio. Brincando de conhecer os Estados e suas capitais, jovens e crianas podem trocar experincias sobre tradies, modos de vida e costumes diferentes dos seus. Execuo:

    Que tal comear propondo uma conversa sobre o lugar em que se encontra a escola, o bairro e a comunidade?

    Uma sugesto fazer um passeio pelo bairro, observando e anotando o que viram: as belezas naturais, os espaos modificados pelos homens que proporcionaram melhoria na qualidade de vida do bairro, e tambm os principais problemas locais. Procure os mais velhos e pea que eles venham escola para contar como era o bairro h 20 ou trinta anos atrs. Os alunos tambm podem compor um painel com fotos de antes e depois, discutir os problemas e propor solues;

    Localizar no seu grupo pessoas que j viveram em outros bairros para que eles falem sobre as diferenas entre o lugar onde viveram e o lugar atual tambm uma boa idia;

    Voc pode distribuir, aleatoriamente, crachs com o nome dos Estados do Brasil e suas respectivas capitais, pedir que cada um encontre o seu par e depois formem grupos de acordo com as cinco regies do pas. Proponha aos grupos uma pesquisa sobre os costumes, modos de falar, comidas, roupas tpicas, danas e msica de cada regio do Brasil;

    Ao final, que tal fazer a montagem de pequenas e divertidas encenaes sobre cada regio do pas e apresentar para a comunidade escolar?

    Essa atividade vai ajudar todos a conhecerem melhor o lugar onde vivem. Reconhecer o prprio lugar como espao de identidade pode ampliar o desenvolvimento das responsabilidades em relao ao meio ambiente.

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    CAPTULO 3 E quem garante que a Histria carroa abandonada Numa beira de estrada ou numa estao inglria A Histria um carro alegre, cheio de gente contente Que atropela indiferente, todo aquele que a negue! A msica de Chico Buarque de Holanda e Pablo Milanez revela o motor da histria: a gente. Homens e mulheres fazem a histria, e ainda que os homens apaream mais do que as mulheres nos livros didticos como os grandes personagens da Histria, a humanidade no existiria sem elas. Durante as revoltas, guerras e rebelies ocorridas no perodo das Regncias no Brasil, os principais personagens foram homens. Eram eles que elaboravam os jornais de resistncia ao regime imperial, liam autores estrangeiros e se influenciavam pelos ideais liberais da Europa naquela poca. Eram os homens que participavam dos ataques s foras oficiais, enquanto outros homens participavam do exrcito imperial e defendiam a posio centralizadora do governo. O que faziam as mulheres? Muitos acharam que elas apenas dedicavam-se ao trabalho domstico e do cuidado com as crianas; que elas ficavam em casa, esperando aflitas os pais, esposos e filhos voltarem da guerra; que elas pouco entendiam porque os homens estavam lutando; e que enquanto eles lutavam, os negcios minguavam, porque as mulheres pouco sabiam do mundo do trabalho. Isso no verdade. As mulheres tiveram uma participao na histria que nem sempre foi descrita pelos historiadores, assim como o importante papel desempenhado por milhares de homens annimos; que tambm fizeram a histria, mas cujos nomes no entraram para os compndios da matria. Alguns historiadores reexaminaram fontes documentais do perodo colonial e imperial e concluram que embora a maior parte das mulheres da elite estivessem de acordo com aquele padro mulher submissa, adequado famlia patriarcal, muitas outras fugiram regra. Muitas negras, mestias e brancas pobres, mas tambm mulheres de elite ss, vivas, solteiras ou abandonadas pelos maridos, trabalhavam para o seu sustento e dos filhos, como padeiras, quitandeiras, lavadeiras, costureiras, cozinheiras e parteiras, mas algumas manejavam importantes negcios familiares. Eram poucas as mulheres que possuam terras ou escravos, mas recentes pesquisas demonstram que existiam alguns exemplos. O combate ao poder colonial ou imperial foi restrito: algumas mulheres desafiavam as regras morais impostas pela famlia patriarcal e outras tantas dedicavam-se ao comrcio informal, sem pagar impostos, atividade considerada uma afronta ao poder.

    Anita Garibaldi acompanha Giuseppe no campo de batalha. (Cena da minissrie A Casa das Sete Mulheres)

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    OS PERSONAGENS E SEUS NOMES

    o Cara Preta, o vaqueiro que comeou o conflito. Mas, talvez o caso mais interessante, tenha sido daqueles que entraram para histria conhecidos pelo parentesco e pelo sobrenome, os Irmos Vinagre, lideranas da Cabanagem, no Par.

    A maioria dos personagens das revoltas regenciais entrou para a histriacom seu nome completo, como Bento Gonalves, que liderou a Guerrados Farrapos, Antnio de Souza Neto, que proclamou a Repblica Rio-grandense, ou Francisco Sabino lvares da Rocha Vieira, que editava ojornal Novo Dirio da Bahia, onde reclamava das arbitrariedades dopoder central. Outros personagens ficaram conhecidos apenas pelo primeiro nome,como Cosme, o escravo que reuniu o maior nmero de fugitivos numquilombo no Maranho. Houve ainda aqueles cujo apelido entrou para aHistria, como o caso do lder da revolta maranhense, o fazedor decestos, conhecido como Balaio, que deu origem ao nome da revolta, e

    Confronto entre negros e tropas imperiais na Revolta dos Mals A Revolta Lugar Data Personagens Cabanagem Par 1835-1840 Francisco Pedro, Manuel e Antnio (Os Irmos

    Vinagre), Eduardo Angelim e Flix Antnio Clemente Malcher.

    Guerra dos Farrapos

    Rio Grande do Sul

    1835-1845 Bento Gonalves, Giuseppe Garibaldi, Anita Garibaldi, Antnio de Souza Neto e Davi Canabarro.

    Revolta dos Mals Bahia 1835 Manuel Calafate, Aprgio e Pai Incio. Sabinada Bahia 1837 Francisco Sabino lvares da Rocha Vieira. Balaiada Maranho 1838-1841 Raimundo Gomes (Cara Preta), Manuel Francisco

    dos Anjos Ferreira (o Balaio) e o preto Cosme.

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    SUGESTO DE ATIVIDADE Objetivos: Estimular os estudantes a aproximarem-se das pessoas de outras geraes e perceberem que suas preocupaes foram, muitas vezes, alm dos problemas do cotidiano. Essa atividade vai ajudar a construir o Centro de Memria da comunidade escolar, atraindo para a escola as lembranas daqueles que vivenciaram momentos fundamentais na histria do Brasil e do mundo. Execuo:

    Uma sugesto comear propondo uma conversa sobre o papel dos homens e das mulheres na construo da histria, nas mudanas polticaS e sociais ocorridas no Brasil atual e no prprio mbito estadual ou municipal;

    Voc pode propor que eles elaborem um questionrio (abaixo voc encontra uma proposta de ficha para as entrevistas) e saiam para entrevistar pessoas idosas da famlia, amigos ou conhecidos. Podem planejar uma visita a um asilo para realizar algumas entrevistas. Alm do nome, data de nascimento e outros dados pessoais do entrevistado, prope-se a seguinte questo: Relate algum acontecimento da histria do Brasil ou do mundo que voc tenha participado, vivenciado ou que marcou a sua existncia, mudou seu cotidiano, ou simplesmente tornou-se importante marco na sua vida;

    Que tal estimular o grupo a registrar os depoimentos com a maior fidelidade possvel s palavras do entrevistado, usando quantas fichas forem necessrias?

    Outra idia realizar a leitura dos depoimentos em grupo. Vo surgir muitas lembranas sobre o dia do suicdio de Getlio Vargas, a imigrao, a II Guerra Mundial, enchentes ou secas que abalaram a regio, alistamentos voluntrios ou forados, participao em movimento estudantil, em comcios, sindicatos e partidos, represso poltica, Campanha das Diretas, Impeachment e outros temas. Solicite a presena do professor de histria para que ele v ajudando na compreenso de certos acontecimentos e realize o vnculo entre a histria do cotidiano e a histria social;

    Como sugesto de atividade final, voc pode estimular a organizao um banco de depoimentos, um verdadeiro Centro de Memria da comunidade escolar e propor que alguns depoentes venham escola para uma confraternizao e para contar oralmente as suas experincias. Planeje, com o seu grupo, uma forma de homenagear e agradecer aos entrevistados.

    Essa atividade vai ajudar jovens e crianas a descobrir nos pais, avs e bisavs, pessoas que, alm das preocupaes dirias, fizeram a histria do Brasil e que as suas lembranas sirvam de lio para aqueles, que podero contribuir, de modo consciente, na construo do futuro.

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    MODELO DE FOLHA DE ENTREVISTA:

    Escola xxxxxxxxxxxxxxxx

    Projeto Centro de Memria Nome: _________________________________________Data de nascimento: ______________________________Local de nascimento: _____________________________Data aproximada do depoimento:____________________ Voc j viveu muitos acontecimentos da histria doBrasil e do Mundo. Fale sobre um desses acontecimentos,mas no de qualquer um. Fale sobre aquele que marcou asua vida, que voc ou conhecidos seus estiveramenvolvidos, fatos que tenham mudado o seu cotidiano oude pessoas prximas; fatos que depois entraramhistria ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Nome do entrevistador e data da entrevista: _______________________________________________

    para

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    Captulo 4 As revoltas que sacudiram o Brasil no Perodo das Regncias estiveram ligadas ao exerccio do poder e ocorreram no momento em que D. Pedro I abdicou do trono em favor de seu filho de apenas 5 anos de idade, abrindo espao para todo o tipo de reivindicao. As elites das provncias queriam autonomia poltica, reivindicavam a defesa da economia local e uma maior participao no poder central. Ao mesmo tempo, surgiram movimentos populares que criticavam a escravido e visavam melhores condies de vida para os menos favorecidos. A Guerra dos Farrapos comeou em 1835, no Rio Grande do Sul, durou dez anos e foi motivada pelos impostos que pesavam sobre o charque do Estado, enquanto o charque dos pases vizinhos (Uruguai e Argentina) chegava ao centro do Brasil com preos mais vantajosos. Os gachos tambm no aceitavam a nomeao do presidente da provncia, escolhido pelos regentes, e seus atos. As elites do Rio Grande do Sul lutaram contra o Imprio brasileiro, a ponto de optarem pela separao e proclamarem uma Repblica, em 1836. Na provncia do Gro-Par (hoje Amazonas, Par e Acre) eclodiu, em 1835, uma revolta bem diferente da Farroupilha. Apesar de ter iniciado como uma luta das elites contra o Imprio, os fatos evoluram para uma rebelio popular. Lderes radicais identificaram-se com a populao pobre da regio, sertanejos que viviam em habitaes muito precrias e que deram nome aos revoltosos: cabanos. Eram ndios aldeados ou tapuios, negros escravos e caboclos, que conseguiram tomar a capital, proclamaram uma Repblica e separaram a provncia do Imprio. Na Bahia, foram duas revoltas. Em 1835, escravos de origem muulmana e negros libertos organizaram uma insurreio. Planejavam libertar os escravos, dizimar os brancos e mulatos e tomar a cidade. O plano foi denunciado. No dia marcado para a rebelio, as tropas do Imprio estavam mobilizadas e os rebeldes foram massacrados. Em 1837, as classes mdias de Salvador revoltaram-se, estimuladas pela continu-idade da Guerra dos Farrapos e as notcias da Cabanagem. Os rebeldes, que denunciavam a centralizao e o despotismo do governo central, tinham pretenses separatistas e tomaram a capital, empossaram um novo presidente na provncia e constituram um governo autnomo. Em 1838, eclodiu, no Maranho, um movi- mento de negros, vaqueiros e fazedores de balaios; sertanejos que tinham como objetivo melhorar suas condies de vida na provncia, cuja economia havia sido muito prejudicada pela concorrncia com o algodo norte-americano. Centenas de sertanejos atacavam fazendas, enquanto os escravos aproveitavam a rebelio para realizar fugas em massa e formar quilombos na regio. A Balaiada consistiu numa srie de levantes que colocavam em cheque a dominao dos latifundirios locais e a ordem escravista, mas no apresentava uma alternativa objetiva ao regime imperial.

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    A VIOLNCIA GARANTIU A ORDEM As revoltas regenciais foram reprimidas com muita violncia pelas foras imperiais. Em alguns lugares, como Salvador, em 1835, houve um verdadeiro massacre de escravos. A Sabinada foi combatida pelo General Joo Crisstomo Calado e, em meio violncia que se estabeleceu, alguns combatentes foram queimados vivos. A represso aos cabanos no Par ficou a cargo de Soares de Andrea, e calcula-se que foram 40 mil mortos numa populao com menos de 100 mil habitantes. Para o Maranho e o Rio Grande do Sul foi enviado o Coronel Luis Alves de Lima e Silva, futuro Duque de Caxias, cuja estratgia era usar a represso e a cooperao de rebeldes que aceitassem a oferta de anistia. Em todos os casos, com maior ou menor violncia, a sociedade nunca mais voltaria a ser a mesma; todos sofreram muito com o clima de instabilidade. Desorganizou-se a sociedade, a poltica, a economia e o dia a dia das pessoas comuns foi muito alterado, resultando em casos como o das mulheres da famlia de Bento Gonalves, que tiveram suas vidas totalmente alteradas pela luta da qual elas no participavam diretamente.

    A IMPRENSA REBELDE Durante as Regncias houve quase uma centena de jornais no Brasil. Eram pasquins de quatro pginas, com pouca informao e muita crtica poltica. A populao brasileira era de mais ou menos 4, 6 milhes, sendo que pouqussimos, menos de 0,1%, eram alfabetizados. Entre os jornais editados pelos crticos do Imprio estavam o Novo Dirio da Bahia, publicado por Francisco Sabino lvares da Rocha Vieira, jornalista que emprestou seu nome ao movimento e usava as pginas do jornal para criticar o Imprio e divulgar idias separatistas. No Par, o jornal A Sentinela Maranhense na Guarita do Par, editado por Flix Antnio Malcher, denunciava as arbitrariedades dos governantes. Os principais jornais farroupilhas foram O Mensageiro, O Americano, A Estrela do Sul e O Povo. Os jornais farroupilhas circulavam em dias irregulares e por pouco tempo. Publicavam idias liberais, faziam a propaganda republicana e serviam para divulgar decretos de Bento Gonalves, atas da Assemblia Constituinte e o projeto constitucional, alm de versos revolucionrios. Todos eram muito moderados quanto participao popular. O mais importante jornal farroupilha, O Povo, adotou, em 1839, o lema da Revoluo Francesa, liberdade, igualdade e fraternidade. Apesar de divulgar as idias da Frana revolucionria e republicana, o jornal publicava anncios sobre a fuga e aluguel de escravos, de acordo com os interesses dos latifundirios gachos.

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    SUGESTO DE ATIVIDADE Objetivos: Essa atividade tem como objetivo pensar o perodo imperial brasileiro, suas revoltas e seu cotidiano, reconstruindo a histria, atravs dos principais meios de comunicao da poca, os pasquins. Execuo:

    Voc pode comear com uma conversa sobre modos de comunicao no passado, tentar convidar algum conhecido jornalista local para dar uma palestra sobre o tema (a histria da imprensa e o quais so os passos para fazer um jornal);

    Para essa atividade os jovens podem estar divididos em grupos e fazer uma pesquisa sobre a (as) revolta (s) ocorrida (s) em sua regio no perodo imperial brasileiro;

    Que tal propor que os grupos criem pequenos jornais de poca, com quatro pginas, contendo as notcias, opinies polticas, esportes, publicidade, poesia, cartuns etc.?

    Caso voc execute esta atividade, uma sugesto cuidar para que figurem, em cada grupo, os profissionais necessrios para fazer um jornal jornalistas, editor, cartunista, revisor e outros;

    Outra sugesto solicitar aos professores de portugus, histria, geografia, artes, informtica e outros a participar da pesquisa, da redao e da organizao dos jornais;

    Ao final, uma dica fazer pequenas e divertidas encenaes para apresentar os resultados do trabalho dos Amigos da Histria de forma bem criativa.

    Interagindo com esses conhecimentos e envolvendo-se num clima de origens, lembranas e identidades, jovens e crianas podero ter uma participao mais solidria na sociedade, fazer escolhas mais conscientes e ajudar a construir um futuro mais promissor para o Brasil e para a humanidade.

    AMIGOS DA HISTRIA REALIZAO TV Globo Projeto Amigos da Escola DIREO Lacy Barca COORDENAO Vera Rodrigues REDAO E EDIO DE TEXTO: Claudia Wasserman ILUSTRAO: Michele Lacoca FOTOS: Minissrie A Casa das Sete Mulheres DIAGRAMAO: Sabrina Falco

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