Ambientalismo, Desenvolvimento Social e Governança Global:

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  • Ambientalismo, Desenvolvimento Social e Governana Global: Construo de Dilogos Socioambientais entre os Principais Atores das Relaes Internacionais.

    Iala Serra Queiroz

    Universidade do Estado da Bahia - UNEB

    Formada em Relaes Internacionais e Especialista em Educao Ambiental. Trabalha na Secretaria do Meio Ambiente do Estado da Bahia na Assessoria Executiva dos Colegiados Socioambientais. Enquanto Educadora Ambiental contribui para o desenvolvimento de projetos socioambientais em comunidades rurais e urbanas com o objetivo de articular os atores para dialogar sobre as problemticas locais de cunho social, ambiental, econmico e cultural. Fao parte do Coletivo Jovem de Meio ambiente de Salvador e da Rede de Juventude e Meio Ambiente da Bahia.

    Resumo

    Apresenta uma nova forma de dilogo de cunho participativo entre os principais atores sociais, estabelecendo o papel do Estado e da Sociedade, para que ambos consigam fomentar o desenvolvimento social e realizar a boa governana, principalmente pautada nas questes ambientais. A governana ambiental pressupe em aes, das quais estimula os cidados a participarem das decises oriundas do seio poltico, econmico e social, e a no participao tem como corolrio o enfraquecimento da gesto democrtica impedindo a ecloso da cidadania ecolgica. Para tanto, o texto faz um breve resgate histrico sobre as lutas dos movimentos socioambientais por ampliao de espaos de reivindicao e mudana de paradigma para a configurao de uma nova ordem social, na qual se fundamenta a boa e legtima governana ambiental. Desse modo, estimular o romper da inrcia do conformismo social e da no participao nas decises polticas so temas de grande relevncia ao longo do estudo, uma vez que existe um grande desafio que sensibilizar os cidados na busca de sua emancipao e autonomia frente o emaranhando sistema econmico capitalista.

  • Introduo

    Os ajustes macroeconmicos efetuados principalmente na dcada de 80 impuseram altos

    custos sociais para toda a sociedade, principalmente a sociedade Latino Americana. Isso gerou

    ampliao na pobreza, aumento do desemprego e endossou a falta equnime da distribuio de

    renda travando a promoo do desenvolvimento social. Nesse conjunto de fatores sociais

    negativos imprescindvel pensar na problemtica ecolgica com a viso de que as mudanas, s

    sero visveis se houver um redirecionamento de foras para reequilibrar o ambiente natural, em

    vista da promoo da qualidade de vida de diversas formas de existncia, incluindo a humana.

    Essas assertivas se justificam na medida em que as aes promovidas pelo Estado em

    prol do interesse coletivo, bem como aes ligadas ao setor privado implicam em um grande

    desequilbrio ambiental, como o caso de construes de hidroeltricas das quais trazem

    prejuzos ambientais e sociais, outro exemplo que representa um feito do neoliberalismo so as

    implementaes de grandes fbricas multinacionais em regies consideradas de preservao

    ambiental. Assim, podemos citar inmeros casos que vo de encontro aos argumentos

    ecolgicos, uma vez que gera direta e indiretamente a poluio do solo, da atmosfera, a poluio

    dos rios e mares e os desmatamentos de florestas.

    Nesse ponto de vista, o artigo inicia abordando a importncia da formao de uma

    cidadania ecolgica na qual perpassa pela mudana de comportamentos diante desse novo

    contexto emaranhado que foi criado por ns e, portanto, s ns podemos achar o caminho que

    nos levar ao processo reverso da atual, porm histrica crise ambiental. Logo aps se faz uma

    anlise de como o mundo mudou o seu posicionamento, at ento focado nos assuntos de guerra

    e nacionalismo para direcionar suas foras em temas sociais, como direitos humanos, pobreza,

    questes de gnero e meio ambiente, sendo esse ltimo nosso principal foco de discusso.

    O estudo busca apontar como alternativa para gerir a crise ambiental, uma nova forma de

    administrao conhecida como governana global ambiental na qual envolve diferentes atores das

    relaes internacionais, desde organizaes no governamentais (ONGs) at os Estados e as

    empresas e toda a sociedade civil, unidos de comum acordo para decidir coletivamente as aes

    e prticas que contenham o avano da degradao ambiental. Por fim, h um estudo sobre a

    cidadania, o aprofundamento da pobreza e o alargamento da desigualdade social e o atual papel

    do Estado e da Sociedade Civil como atores relevantes para transformar a relao homem e

    natureza.

  • Desenvolvimento Social e Governana Global Ambiental

    O que torna o homem um ser/animal poltico a sua capacidade de participar das

    decises polticas oriundas da sociedade. O no participar implica no intil conformismo que

    estanca uma gesto democrtica e cidad, pois do espao para que outros, muitas vezes mal

    intencionados, respondam pela coletividade, acarretando enormes danos para toda a sociedade.

    [...] a omisso de muitos impede que se tenha um sistema democrtico. (DALLARI, 1999). Em se

    tratando de cidadania ecolgica esse argumento procedente. No adianta pensar em gesto

    democrtica dos recursos naturais e de toda questo social que envolve esse tema, sem a

    incluso de todos no processo. Muitas vezes as discusses ficam isoladas e isso no ressoa,

    portanto, no ganha vida, no possui capilaridade, uma vez que as pessoas no conseguem se

    enxergar como co-participantes do processo.

    Remetendo a histria, com o trmino da Guerra Fria o mundo passou a direcionar sua

    viso para temas at ento no abordados na seara internacional. Temas esses concernentes a

    fome e a pobreza nos pases subdesenvolvidos, os direitos humanos, igualdade de gnero,

    crescimento populacional, migraes, bem como a degradao ambiental. Esse ltimo teve

    grande ateno dos estadistas e da sociedade civil em geral, que passaram a estabelecer

    critrios/formas de como equacionar o problema da poluio dos oceanos e rios, destruio das

    florestas, extino da fauna e flora, demanda por gua potvel, rarefao da camada de oznio,

    etc.

    Os avanos do processo industrial e da agricultura agro-exportadora que despreza a

    relao harmnica entre o homem e a natureza fizeram com que o mundo se reunisse para

    discutir, dialogar e propor solues concernentes a proteo do meio ambiente e a melhoria da

    qualidade de vida. A Organizao das Naes Unidas (ONU) realizou vrias conferncias para

    discutir e propor solues para os desmandos ambientais. A reunio, intitulada de Conferncia

    das Naes Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento (Cnumad) ou Cpula da Terra, e

    mais conhecida como Rio 92 trouxe de volta as esperanas perdidas no contexto de grande

    degradao ambiental e perda de valores humanos. Portanto, o encontro foi desenhado conforme

    as necessidades de se criar polticas pblicas concernentes a continuao do programa

    desenvolvimentista dos Estados, porm baseado no modelo sustentvel.

    Nesse formato, a Eco-92 teve como objetivo a criao de estratgias de combate aos

    danos causados ao meio ambiente foi o espao onde essas demandas ambientais tiveram papel

    de destaque, uma vez que, o mundo iniciou um processo lento, porm continuo de mudana de

    paradigma civilizacional, cuja mola mestra se fundamenta em uma boa e legtima governana

    ambiental. Segundo o balano feito por Philippe Le Prestre:

  • A conferncia mobilizou praticamente o mundo inteiro. Reuniu 178 pases, oito mil delegados, dezenas e OIGs, trs mil representantes de ONGs credenciadas, mais de mil ONGs num frum paralelo, nove mil jornalistas. [...] Se cada um tirou do evento uma opinio prpria, todos estavam conscientes de que viviam um momento de grande simbolismo e que ningum poderia verdadeiramente predizer a dinmica que o evento engendraria. (PRESTRE, 2000, p. 2010)

    A Eco-92 surgiu como um espao onde foram postas todas as esperanas, expectativas e

    perspectivas de um mundo cujo olhar fosse direcionado para as questes ambientais,

    transversalizando os seus dilogos e prticas, uma vez que foi nesse encontro que se viu pela

    primeira vez na histria mundial a reunio de lderes estatais, sociedade civil organizada,

    empresas e governos locais juntos, unindo foras para assegurar a proteo do meio ambiente e

    a melhoria da qualidade de vida, numa atmosfera estruturada na coexistncia pacfica, onde todos

    os atores se reconheciam como peas chaves do grande problema que estava sendo abordado.

    Foi nesse momento, tambm, que se viu a ruptura do mainstream das relaes internacionais

    cujos temas fugiam da lgica realista de guerra e nacionalismo o que podemos chamar de

    sistema vestfaliano calcado na soberania dos Estados Nacionais para emergir novos temas

    ligados aos direitos humanos, questes de gnero e raa, meio ambiente e dentre outros de

    carter social e com ampla democracia, temas esses citados anteriormente.

    Diante dessa perspectiva interessante notar que existem alguns princpios, diria

    clssicos, que defini e caracteriza a boa governana ambiental tais como: pleno funcionamento do

    jogo democrtico, o equilbrio socioambiental em resposta a qualidade de vida, distribuio de

    renda a partir da perspectiva do desenvolvimento sustentvel, a incorporao da governana

    global na agenda dos governos federal, estadual e municipal. fundamental que todas as aes

    governamentais estejam aliceradas nesses princpios. Assim, contemplaremos, mas no como

    espectadores e sim como atores principais, uma sociedade equnime e ecologicamente vivel,

    estreitando o dilogo entre os diferentes atores sociais dando-lhes poderes para intervirem em

    polticas pblicas concernentes as questes sociais, bem como na tomada de decises frentes as

    aes emanadas da sociedade civil e/ou do Estado.

    Assim sendo, em termos gerais podemos definir governana como,

    [...] criao e funcionamento de instituies sociais (no sentido de regras do Jogo que servem para definir prticas sociais, designar papis e orientar as interaes entre os que os desempenham) capazes de solucionar conflitos, facilitando a cooperao, ou, mais genericamente aliviando problemas de ao coletiva em um mundo constitudo por atores interdependentes. (YOUNG, 1994)

    Sob esse ponto de vista, se faz necessrio trazer essa discusso para o campo da

    educao apontado como indicador para medir ou avaliar o grau de mudana ocorrido no seio da

    sociedade com relao a sua efetiva participao na qual refletir no bom funcionamento das

    instituies que a representa.

  • Nesse caso, os investimentos nessa rea representariam um resultado com somas

    importantes para facilitar a criao de polticas pblicas coerentes com a demanda social na qual

    refletir no desenvolvimento do pas. Mas, note-se que, nem sempre se pensou assim. Por muitas

    dcadas os Estados acreditaram que as elevadas taxas de crescimento econmico por si s

    configurava uma nao desenvolvida. E gastos com necessidades bsicas eram vistas como

    dficits governamentais1. Contudo, as pesquisas demonstram que o desenvolvimento se processa

    devido a um conjunto de fatores sociais, dentre eles os elevados nveis educacionais do cidado.

    A Constituio Brasileira e inmeros documentos internacionais asseguram esse direito. Suprir

    esse direito garantir uma sociedade livre das mazelas sociais, como a pobreza, o meio ambiente

    degradado e a violncia.

    Assim, conceder esse direito ampliar as possibilidades de insero do cidado na

    sociedade e emancip-lo. Em seu livro O Cidado de Papel, Gilberto Dimenstein afirma que: [...]

    uma pessoa instruda pode defender melhor seus direitos e saber quais so as suas obrigaes.

    (DIMENSTEIN, 1997, p. 140). Mais do que isso, a educao alm do seu impacto social ela

    possui tambm um impacto significativo na economia de um pas. Da interessante chamar a

    ateno para mostrar que, o desenvolvimento nacional e a legtima governana global s se

    concretizaro quando os problemas educacionais forem solucionados, quando o cidado

    conquistar a sua autonomia e liberdade, bem como quando houver a ampliao da democracia no

    que tange a tomada coletiva de decises.

    Por fim, mas no menos importante o direito ao meio ambiente equilibrado como medida

    de qualidade de vida. O ato de respirar configura uma das formas mais importante da manuteno

    da vida. E a cada dia que passa com cidades mais poludas e mais revestidas de concretos vai

    ficando mais difcil respirar ar puro, da a importncia de se manter a harmonia entre natureza e a

    vida contempornea citadina. As cidades so celeiros de relaes sociais que proporciona o pleno

    exerccio da cidadania, no entanto a qualidade de vida est diretamente relacionada aos diversos

    grupos sociais oriundos de uma sociedade capitalista, que elabora indicadores de acordo com o

    padro de consumo de cada grupo, gerando as disparidades nesses padres, comprometendo a

    qualidade de vida de boa parcela da populao.

    A vida agitada das cidades nos faz procurar lugares onde possa nos trazer paz e

    tranqilidade. Esses lugares geralmente so parques florestais, praias, lagoas, zona rural.

    Contudo, cada vez mais gritante a reduo desses espaos, seja pela voracidade da

    especulao imobiliria e/ou pelo modo de produo capitalista que estimula o xodo rural,

    fazendo com que as pessoas se instalem desordenadamente em reas de preservao ambiental,

    tornando essas moradias insalubres pela falta de infra-estrutura bsica. Diante desse quadro fica 1 medida que os pases percebem que ao contabilizar gastos em educao e sade como investimento, e no como despesa, o dficit pblico se transforma em supervit [...] gastos em educao so contabilizados como despesa nos clculos do PIB [...] mas [...] educao o investimento mais importante de um pas [...] as discusses se concentraram na redefinio dos conceitos de prosperidade e progresso, a partir do estabelecimento de novas formas de conceber a contabilidade nacional [...] (REVISTA SENAC, 2003, p. 1)

  • a intrigante pergunta: como controlar o avano desses atos e manter o meio ambiente saudvel?

    A resposta seria unir qualidade de vida e desenvolvimento sustentvel, e a partir da estabelecer

    alternativas de padres de vida que podero ser estimuladas para uma melhor vivncia no reduto

    social.

    Governana Ambiental, Democracia e Cidadania

    Quando se prope a falar em democracia a primeira referncia que se busca o seu

    conceito clssico, do qual remete ao governo do povo e para o povo, bem como a idia do

    sufrgio universal ou soberania popular. Contudo, percebe-se que h a necessidade de se ampliar

    o que venha ser democracia no mundo cada vez de interdependente em que as relaes polticas

    e sociais se tornaram mais complexa e a deliberao por meio do voto no se mostra suficiente

    para demarcar um Estado livre da opresso popular.

    Tendo em vista essas questes, a governana global no que tange a viso ambiental

    proporcionaria um espao fortalecido pela cidadania cuja relao sociedade e natureza estaria

    sendo preservada, uma vez que um governo global democrtico se ajusta as inmeras demandas

    de um mundo globalizado e interdependente dentre elas a preservao da sobrevivncia humana

    na qual est diretamente ligada a preservao de uma ambiente natural saudvel.

    A forma de vida humana depende do cuidado com as outras formas de vida que temos em

    nosso planeta. A crise ambiental, tambm uma crise global visto que isso representa um

    conjunto de problemas humanitrios, e o seu ajuste se dar quando os Estados-nao

    perceberem que j est na hora de mudar o sistema no qual rege as relaes econmicas,

    polticas e sociais. No entanto, indubitavelmente todos reconheam que o planeta est sendo

    maciamente destrudo. Anteriormente essas discusses ficavam no mbito dos movimentos

    ecologistas, mas nos dias correntes esse tema abrange toda a comunidade humana mundial, e

    sendo assim se faz necessrio uma mudana de paradigma calcada na noo de cidadania

    ambiental (WALDMAN, 2005) devido os grandes desmandos com o meio ambiente e a condio

    social do ser humano.

    Papel do Estado e da Sociedade Civil

    O Estado, entidade abstrata, forma complexa de organizao social (BOBBIO, 1987) se

    destaca em seu papel de promotor do desenvolvimento social, haja vista, que no seu cerne se

    configurou a formao de uma estrutura poltica, econmica e social capaz de estabelecer bases

    para coordenar as demandas de diversos setores sociais. Portanto, o Estado o agente regulador

    das necessidades que brotam no seio de cada esfera da sociedade, e a partir da facilita a busca

    de estratgias de promover e coordenar o desenvolvimento por meio de aes e iniciativas

    auxiliadas pelo estabelecimento de acordos entre os setores privados, bem como pela prtica da

  • cooperao internacional e formao de redes com outros Estados, empresas e principalmente

    com a sociedade civil local. Dessa forma, consoante o professor Gesinaldo A. Cndido:

    O desenvolvimento regional obtido com um Estado que cria um ambiente favorvel inovao, criando certas externalidades, disponibilizando bens e servios pblicos e regulando s distores econmicas, contando ainda com outros atores chaves para a gerao do desenvolvimento, quais sejam: as empresas, as redes produtivas, s associaes, as instituies de apoio e a sociedade civil em geral. (CNDIDO, 200?)

    No Brasil, mais especificamente na cidade do Salvador essa realidade se expressa de

    forma controvrsia. Existe o Estado, os departamentos, as secretarias, os conselhos, mas ainda

    est longe de se ter uma gesto comunitria participativa capaz de dirimir os problemas

    socioeconmicos existentes nessa regio. Nesse contexto, percebe-se que o modelo tradicional

    de gesto administrativa do Estado j se mostra obsoleto, e a sada que se aponta mais vivel o

    estmulo a um processo de cunho participativo, de planejar e implementar polticas pblicas de

    habitaes populares dignas, que tenham como conseqncia, promover o desenvolvimento

    regional com amplo apoio social. Para reforar essa afirmativa, Pedro Bandeira (2009), salienta

    que:

    [...] so mltiplos os argumentos que sustentam a necessidade de uma participao ampla e efetiva da sociedade civil2 na formulao e implementao das aes de governo, no apenas para produzir melhores programas e projetos, mas tambm como instrumento para construo de uma sociedade mais dinmica, mais justa e mais democrtica. (BANDEIRA, 2009)

    Contudo, esses argumentos se esbarram nos interesses polticos imediatistas e na viso

    pragmtica do Estado, dos quais engessam qualquer processo democrtico de se pensar em um

    planejamento habitacional direcionado para as reas mais carentes de Salvador onde a

    pobreza, a violncia, o trfico de drogas e armas j fazem parte do cenrio, configurando uma

    pliade de vulnerabilidades sociais dando ensejo para o aprofundamento das desigualdades

    originrias do esquecimento de uma instncia que se diz regulador e proativo, portanto o Estado.

    Porm, e de modo mais profundo, no se pode falar em polticas pblicas sem a presena

    do Estado, ou seja, sem a interveno de uma sociedade poltica3 que visa o bem pblico e

    expresse as relaes travadas dentro da sociedade civil. Portanto, o conjunto das polticas

    pblicas de habitao popular precisa, necessariamente, ter um carter de promover a

    2Na linguagem poltica de hoje, a expresso sociedade civil geralmente empregada como um dos termos da grande dicotomia sociedade civil/Estado. O que quer dizer que no se pode determinar seu significado e delimitar sua extenso seno redefinindo simultaneamente o termo Estado e delimitando a sua extenso. Negativamente, por sociedade civil entende-se a esfera das relaes sociais no reguladas pelo Estado, entendido restritivamente e quase sempre tambm polemicamente como o conjunto dos aparatos que num sistema social organizado exercem o poder coativo. (BOBBIO, 1987, p. 33) 3O Estado, [...] se denomina sociedade poltica, porque, tendo sua organizao determinada por normas de Direito Positivo, hierarquizada na forma de governantes e governados e tem uma finalidade prpria, o bem pblico. (AZAMBUJA, 1988)

  • urbanizao integrada dos precrios e insalubres assentamentos, alm de colocar os seus

    moradores como atores principais co-participantes na conquista da cidadania e da justia social4.

    4O Processo de construo democrtica enfrenta hoje no Brasil um dilema cujas razes esto na existncia de uma confluncia perversa entre dois processos distintos, polticos distintos. De um lado, um processo de alargamento da democracia, que se expressa na criao de espaos pblicos e na crescente participao da sociedade civil nos processos de discusso e de tomada de deciso relacionados com as questes e polticas pblicas. (DAGNINO apud TEIXEIRA; DAGNINO; SILVA, 2002).

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