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  • a l m a n a q u eh i s t r i c o

    A Luta pelos Direitos Humanos

    ACOM

    PANH

    A

    GUIA

    DO

    PROF

    ESSO

    R

  • A Luta pelos Direitos Humanos

  • Almanaque Histrico

    Joo Cndido A luta pelos Direitos Humanos

    Coordenao Geral

    Elizabete Braga

    Coordenao de Produo

    Flvia Diab

    Assessoria de Produo

    Stanley Whibbe

    Coordenao de Administrao

    Ruy Godinho

    Textos

    Paulo Corra Barbosa

    Schuma Schumaher

    Consultoria de Contedos e

    Finalizao de Texto

    Marco Morel

    Equipe de Pesquisa

    Coordenadores

    Marco Morel

    Tnia Bessone

    Auxiliares

    Gabriel Labanca

    Rodrigo Cardoso

    Silvia Capanema

    Reviso de Textos

    Adriane Lorenzon

    Projeto Grfico e Diagramao

    Miriam Lerner

    Editorial

    Flvia Diab

    Capa

    Lula Ricardi XYZ Design

    Produo

    Abravdeo

    Fundao Banco do Brasil

    Presidente

    Jacques de Oliveira Pena

    Diretores Executivos

    Elenelson Honorato Marques

    Jorge Alfredo Streit

    Gerente de Educao e Cultura

    Marcos Fadanelli Ramos

    Assessor

    Claudio Alves Ribeiro Brennand

    Petrobras

    Presidente

    Jos Sergio Gabrielli

    Gerente Executivo de Comunicao Institucional

    Wilson Santarosa

    Gerente de Responsabilidade Social

    Luis Fernando Nery

    Gerente de Patrocnios

    Eliane Costa

    Gerente de Patocnios Culturais

    Tais Wohlmuth Reis

    Coordenador de Tecnologias Sociais

    Lenart Nascimento

    Associao Cultural do Arquivo Nacional (ACAN)

    Diretoria Executiva

    Licio Ramos de Araujo (Presidente)

    Oscar Bochat Filho (Vice-presidente)

    Fernando Joo Abelha Salles

    Jose Gomes de Almeida Netto

    Presidente do Conselho Fiscal

    Wanderlei Pinto de Medeiros

    Presidente do Conselho Consultivo

    Hans Jrgen Fernando Dohmann

  • SumrioApresentao, 5

    I. Primeiros passos

    1. Dos pampas para o mar, 7

    2. Do mar para o mundo, 10

    II. Adulto, contra a chibata

    3. Explode a revolta no mar, 17

    4. Explode a represso em terra, 35

    III. A longa vida de um homem do povo

    5. Um pescador artesanal, 41

    6. Joo Cndido vive nas memrias, 57

    Bibliografia bsica, 63

    Cronologia, 64

  • 5Joo Cndido A Luta pelos Direitos Humanos

    Em sua 11 edio, o Pro-jeto Memria apresentaa voc, professor(a), a traje-

    tria do marinheiro negro

    Joo Cndido, que esteve

    frente de importante epis-

    dio de nossa histria na defe-

    sa dos Direitos Humanos. Em

    22 de novembro de 1910,

    cerca de 2.300 marujos

    homens pobres, entre os

    quais muitos negros e pardos

    rebelaram-se, tomaram

    fora os mais possantes na-

    vios de guerra da Marinha

    brasileira e exigiram o fim dos

    castigos corporais que so-

    friam (chibatadas). Se no

    fossem atendidos, bombar-

    deariam o Rio de Janeiro, en-

    to capital do pas. Gritavam

    vivas liberdade. Saram vi-

    toriosos em suas reivindica-

    es e, assim, mudaram para

    melhor a sociedade ainda

    marcada pela escravido, ex-

    tinta apenas 22 anos antes.

    Logo depois, os mesmos re-

    beldes sofreriam duras re-

    presses: demisses injustas,

    prises arbitrrias, torturas e

    at assassinatos. Porm, no

    Durante 15 anos navegou

    pelas guas doces e salgadas

    de todo o Brasil, percorreu

    quatro continentes, aprendeu

    tcnicas e ofcios, foi instru-

    tor de marujos iniciantes,

    encharcou-se das paisagens

    exuberantes, das realidades

    sociais e suas contradies,

    acompanhou personagens e

    episdios polticos importan-

    tes at ser expulso da cor-

    porao, por causa da rebelio

    em que participou com desta-

    que, defendendo a dignidade

    da condio humana.

    A partir da, Joo Cndido

    viveu por quatro dcadas co-

    mo pescador artesanal, na

    mesma condio de milhes

    de trabalhadores pobres: lu-

    tando com dificuldade e criati-

    vidade para ganhar o po de

    cada dia, sentindo na carne a

    chibata do transporte prec-

    rio, do preconceito racial, da

    moradia sem saneamento b-

    sico, das escolas com poucos

    recursos para os filhos e da

    falta de assistncia mdica de

    qualidade, enfim, dos Direitos

    Humanos bsicos. No fim da

    se apagou a pgina da hist-

    ria que eles escreveram com

    seus prprios corpos, pala-

    vras e gestos.

    Criado em 1997, o Projeto

    Memria (iniciativa da Fun-

    dao Banco do Brasil em

    parceria com a Petrobras)

    consolidou uma trajetria de

    valorizao da cultura e da

    histria do pas, homena-

    geando personagens que

    colaboraram para a transfor-

    mao social e construo de

    nossa identidade contri-

    buindo, assim, para o fortale-

    cimento da cidadania e das

    liberdades.

    Mas quem foi mesmo Joo

    Cndido Felisberto, reconhe-

    cido como principal lder da

    Revolta da Chibata? Filho de

    escravos, nasceu em 1880

    (nove anos depois da chama-

    da lei do Ventre Livre, que

    no considerava cativos os

    filhos de escravos nascidos a

    partir dali) numa fazenda em

    Encruzilhada do Sul, interior

    gacho. Entrou para a Ma-

    rinha de Guerra aos 14 anos,

    onde teve carreira exemplar.

    Apresentao

  • Projeto Memria6

    longa vida, voltou a ser reco-

    nhecido por seus feitos, rece-

    beu homenagens e faleceu

    pobre e altivo, aos 89 anos.

    Joo Cndido e seus com-

    panheiros de revolta foram

    anistiados em 1910, mas o go-

    verno desrespeitou o perdo

    que concedera, violando os

    direitos de cidados brasilei-

    ros. Somente agora, quase

    um sculo (19102008) de-

    pois, receberam anistia ps-

    tuma: o governo atual reco-

    nhece os valores de dignida-

    de e justia pelos quais os

    rebeldes lutaram. Ainda as-

    sim, esta nova anistia par-

    cial, pois ficaram de fora as

    promoes e indenizaes

    que seriam recebidas por

    seus descendentes.

    Este conjunto pedaggico,

    distribudo a quase 18 mil es-

    colas pblicas em

    todo o Brasil,

    composto por:

    um Almana-

    que Histrico,

    um Guia do

    Professor e

    um DVDROM

    que inclui todas

    as outras peas do

    Projeto Memria um

    vdeo documentrio, um livro

    fotobiogrfico, uma expo-

    sio e um site. Todas unifica-

    das sob o mesmo tema: Joo

    Cndido e a luta pelos Direi-

    tos Humanos. um convite

    para conhecer as possibilida-

    des de abordar, em sala de

    aula, o episdio da Revolta da

    Chibata, suas conseqncias

    e significados atuais, ligando-

    o com outras histrias e si-

    tuaes, ao cotidiano de seus

    alunos, s atitudes, perspecti-

    vas e projetos de vida que

    construmos a cada dia, sem-

    pre a partir de variadas reas

    do conhecimento.

    Alm disso, no endereo

    eletrnico www.fundacao-

    bancodobrasil.org.br (Pro-

    gramas e Aes/ Educao/

    Projeto Memria) voc en-

    contra mais informaes so-

    bre Joo Cndido que po-

    dero ser teis no desenvol-

    vimento de seu trabalho

    alm da oportunidade de co-

    nhecer os homenageados em

    edies anteriores do Projeto

    Memria. Sua opinio e ava-

    liao sobre o material so

    muito importantes e voc po-

    der faz-las chegar at ns.

    Repare que tambm est

    recebendo uma ficha de ava-

    liao, no formato de carta-

    resposta. Basta coloc-la no

    Correio, pois j est selada.

    responsabilidade coleti-

    va garantir que os Direitos

    Humanos sejam realidade pa-

    ra todos, independentemente

    de posio social, nvel de

    instruo, sexo, gnero, reli-

    gio, cor da pele e opo po-

    ltica. Nesse campo, o papel

    da escola importante. A vi-

    da de Joo Cndido traz mui-

    tas lies para aprendermos

    e ensinarmos.

    Alb

    ert

    o F

    err

    eir

    a/

    CP

    DO

    C J

    B

    Au

    tor

    desc

    on

    hecid

    o/C

    PD

    OC

    JB

  • entre os cativos no Sul do pas.

    Apesar dos limites e controles,

    os escravos tropeiros tinham

    maior possibilidade de loco-

    moo e certa autonomia na-

    quela sociedade opressora.

    Joo Cndido, ento menino,

    acompanhava o pai, percor-

    rendo os pampas largos e lon-

    gnquos, com sua tpica vege-

    tao rasteira e ondulante,

    embalado pelo mugido dos

    animais e coberto pelo vasto

    7Joo Cndido A Luta pelos Direitos Humanos

    Omundo, na poca em queJoo Cndido nasceu (nafazenda Coxilha Bonita, En-

    cruzilhada do Sul, RS, a 24 de

    junho de 1880), apresentava

    muitos desafios e passava por

    importantes transformaes.

    No caso do Brasil, sociedade

    fundada em mais de trs s-

    culos de escravido, justa-

    mente o escravismo estava

    em crise, mas teimava em per-

    manecer, enraizado.

    lbum de famliaJoo Cndido (um dos sete

    filhos de Incia e Joo Cn-

    dido Velho, escravos da fa-

    zenda da famlia de Vicente

    Simes Pereira) veio ao mun-

    do numa choupana em que

    seus pais moravam, nas pro-

    ximidades da casa-grande,

    mas fora da senzala. No pe-

    rodo de infncia (os causos

    contados mais tarde por Jo-

    o Cndido a sua filha Zee-

    lndia1), ele sentia forte o mi-

    nuano, vento tpico do Sul do

    pas. Incia, sua me, honesta

    e severa, tinha muitos sabe-

    res: par