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De Site Omelete

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  • RICO MARCELO MARCELO

    BORGO FORLANI HESSEL

    O OMELETE comeou de certa forma no final da dcada

    de 1980, com a amizade de RICO BORGO e MARCELO

    FORLANI, que se conheceram na oitava srie. Nerds da

    classe, passavam as tardes na banca perto do colgio ou

    no cinema do bairro, sem a menor ideia de que todas

    aquelas sesses de Caa-Fantasmas e De Volta Para o

    Futuro um dia renderiam o maior site de entretenimento

    do Brasil. A faculdade, porm, fez com que seguissem

    caminhos diferentes rico foi fazer design grfico e

    Marcelo seguiu a carreira de publicitrio. Eventualmente,

    acabaram no mesmo ramo, a criao de sites para a

    nascente internet, e se reencontraram. Com o desejo

    de trabalhar juntos, comeou oficialmente em 2000 o

    site OMELETE.COM.BR. Pouco mais de um ano depois,

    MARCELO HESSEL, jornalista e crtico, comeou a cola-

    borar para o site, graas a um convite feito em um curso

    de crtica, e foi bromance primeira vista. Com os trs

    na edio do Omelete, o que era um projeto independente

    e feito nas horas vagas comeou a render frutos. Hoje o

    maior website do gnero do pas e um dos poucos

    mundialmente reconhecidos pela indstria do cinema,

    o Omelete tem 1 milho de leitores por ms, ganhou um

    programa em vdeo semanal e agora gera um livro, este

    Almanaque do Cinema que voc tem em mos.

    WWW.ALMANAQUEDOCINEMA.COM.BR

    927320005887

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    H ISTR IAS , CUR IOS IDADES E GRANDES NOMES DA ST IMA ARTE

    RICO

    BORGOMARCELO

    FORLANIMARCELO

    HESSEL

    A INTERNET MUDOU NOSSO JEITO DE VER CINEMA.Se antes as informaes chegavam pelas poucasrevistas especializadas e pelos jornais, hoje possvelacompanhar passo a passo a criao de um filme.Nesse cenrio, h poucos sites que oferecem o que oOmelete d a seus leitores: uma cobertura que nadadeve aos principais sites de entretenimento do mundo.

    Desde o incio, no entanto, quando rico Borgo eMarcelo Forlani tocavam o Omelete de suas casas,ficou claro o que tornava o site to distinto: o gostopela coisa. Mais que meramente um trabalho feito por fs e para fs, os editores do site, agora ao lado do crtico de cinema Marcelo Hessel e de uma onda de colaboradores que foram chegando, elevaram o trabalho a outro patamar.

    A soma disso tudo o livro que voc tem em mos. O resultado um impressionante e detalhadopasseio pela histria do cinema, em que descobrimosfatos inusitados, mistrios no resolvidos, grandes personagens e, alm disso, um vislumbre privilegiadodos mecanismos internos da indstria cinematogrfica,dcada por dcada, dos irmos Lumire ao mais recenteblockbuster hollywoodiano. Os autores nos conduzempor uma trama to bem amarrada que renderia e porque no? um belo documentrio em longa-metragem.

    H duas maneiras de encarar este volume. Uma seguindo pgina a pgina, cronologicamente, o fio proposto pelos autores. A outra maneira, de acordocom a tradio dos melhores almanaques, aleatria:abrindo o livro num trecho qualquer, o leitor encontrar curiosidades, nmeros, dados e, quem sabe, um novofilme favorito. De ambos os jeitos, o resultado sero mesmo: tima diverso.

    Alan Smithee, cineasta

  • A NOITE DOS MORTOS-VIVOS (Night of the Living Dead, 1968) direo GEORGE A. ROMERO. roteiro GEORGE A. ROMERO E JOHN A. RUSSO. com JUDITH O DEA, RUSS STREINER, DUANE JONES, KARL HARDMAN, KEITH WAYNE, JUDITH RIDLEY E MARILYN EASTMAN.

    O primeiro longa-metragem do pai dos zumbis modernos, feito com apenas 100 mil dlares,

    era agressivamente realista se comparado com a inspirao gtica e barroca da maioria dos fil-

    mes B de monstros de ento. A ideia de George Romero era mostrar como um fenmeno inex-

    plicvel, sobrenatural, pode afetar qualquer pessoa normal a qualquer momento. Os irmos

    Barbara (Judith ODea) e Johnny (Russ Streiner), por exemplo, estavam simplesmente visitando

    o tmulo do pai em um cemitrio quando mortos-vivos saem do cho e matam Johnny a den-

    tadas. Barbara se refugia em uma casa e l percebe que outros tambm esto sendo vtimas

    do misterioso evento. As ousadas insinuaes sociais propostas por Romero esto na sua forma

    de filmar o realismo nos aproxima do terror, tanto que depois do relanamento do filme, em

    1969, ele comeou a ser visto como um libelo contra a Guerra do Vietn e tambm no roteiro,

    como a escolha de fazer do ator Duane Jones o primeiro heri negro de que se tem notcia no

    cinema americano. A crtica social se inflamaria na quase-continuao Amanhecer dos Mortos

    (Dawn of the Dead, 1978), que rivaliza em importncia com o clssico de 1968.

    O BANDIDO DA LUZ VERMELHA (1968) direo e roteiro ROGRIO SGANZERLA. com PAULO VILLAA, HELENA IGNEZ E JOS MARINHO.

    O Brasil vivia o auge do Cinema Novo quando, aos 22 anos, Rogrio Sganzerla realizou o seu pri-

    meiro longa-metragem que imediatamente verbalizou o descontentamento de outros cineas-

    tas que, no ano do AI-5 e da intensificao do regime militar, no acreditavam mais na ideia de

    nao (e de um cinema nacional unido e institudo) que os cinemanovistas pregavam. Com O

    Bandido da Luz Vermelha surgiu, ento, o Cinema Marginal, originado na bomia e violenta re-

    gio do centro de So Paulo, conhecida como Boca do Lixo, e no havia figura mais emblemtica

    desse abandono prpria sorte do que o matador de mulheres (vivido no filme por Paulo Vil-

    laa) inspirado no verdadeiro Joo Accio Pereira da Costa, o bandido que abordava suas vtimas

    com uma lanterna vermelha. A exemplo de outro clssico, O Demnio das Onze Horas (Pierrot

    le Fou, 1965), de Jean-Luc Godard, Sganzerla usou seu filme para colecionar referncias da m-

    sica erudita, da cultura popular, do gnero policial e orden-las de forma desestruturada. Era,

    nas palavras do diretor, um faroeste do Terceiro Mundo. O filme encontrou impensvel reper-

    cusso entre o pblico, apesar do discurso de Sganzerla (e depois de todo o Cinema Marginal)

    deixar claro j no texto do filme que sua arte no fazia concesses: Quem no pode nada tem

    mais que avacalhar.

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  • O PODEROSO CHEFO (The Godfather, 1972)direo e roteiro FRANCIS FORD COPPOLA. com AL PACINO, MARLON BRANDO, JAMES CAAN, JOHN CAZALE, ROBERT DUVALL, TALIA SHIRE, ABE VIGODA E DIANE KEATON.

    Que o maior filme americano dos ltimos quarenta anos

    tenha um dia sado do papel foi um feito. A Paramount

    j estava sem opes quando entregou a direo ao no-

    vato Francis Ford Coppola. Pelo menos meia dzia de

    atores foi cogitada para o papel de Michael Corleone,

    at que outro novato, Al Pacino, pegasse a vaga. Marlon

    Brando no facilitava o prprio reconhece que atuou

    o filme inteiro lendo cartes com suas falas, s vezes co-

    lados no peito de seus coadjuvantes e o diretor, por

    vezes, tinha um substituto pronto ao seu lado caso ele,

    Coppola, fosse sumariamente demitido. O que se v na

    tela, porm, no esse equilbrio limtrofe, mas uma

    afinao insuspeita. A histria do caula da famlia

    mafiosa (Pacino) que, depois de uma ameaa vida do

    Don (Brando), precisa manter a casa de p contra o as-

    sdio das famlias nova-iorquinas rivais genial sob

    todas as leituras: tradio versus modernidade, drama

    ntimo versus vocao pica. Ah, e tem o maior nmero de

    cenas e falas lembradas e imitadas da histria do cinema.

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  • TUBARO (Jaws, 1975)direo STEVEN SPIELBERG. roteiro CARL GOTTLIEB E PETER BENCHLEY (LIVRO). com ROY SCHEIDER, ROBERT SHAW, RICHARD DREYFUSS, LORRAINE GARY E MURRAY HAMILTON.

    Tubaro foi o primeiro filme a superar os 100milhes de d-

    lares em bilheterias nos Estados Unidos, marca batida dois

    anos depois por Star Wars, e pensando hoje incrvel cons-

    tatar que a obra-prima de Steven Spielberg era, acima de

    tudo, insinuao. O espetculo, de fato, est na construo

    do suspense, desde a trilha mnima de John Williams at a

    deciso de esconder o peixe, o mximo possvel, simples-

    mente porque o monstro mecnico de 3 toneladas mal fun-

    cionava. O contexto familiar que se tornou uma das marcas

    do diretor j estava presente: o chefe de polcia Martin Brody

    (Roy Scheider) acaba de se mudar com a mulher e dois filhos

    de Nova York para a litornea Amity Island, onde acha que

    pode fazer a diferena como homem da lei. Pena que seja

    hidrfobo, porque uma ameaa com uma mandbula for-

    rada de caninos est avanando nos veranistas (entre eles,

    claro, um dos filhos do chefe Brody). O heri e pai supera

    seus medos com a ajuda de dois parceiros de pescaria no

    por acaso, dois opostos, o oceangrafo racional com seus

    sonares e o lobo do mar passional com suas cicatrizes de

    guerra. Aos 80 minutos de filme, enfim, o tubaro bota os

    olhos para fora da gua pela primeira vez, e sabemos que

    Brody vai precisar de toda ajuda, alm de um barco maior.

    NOIVO NEURTICO, NOIVA NERVOSA (Annie Hall, 1977)

    direoWOODY ALLEN. roteiroWOODY ALLEN E MARSHALL BRICKMAN. comWOODY ALLEN, DIANE KEATON, TONY ROBERTS, CAROL KANE, PAUL SIMON E COLLEEN DEWHURST.

    J virou clich dizer que o melhor da carreira de Woody

    Allen est nos anos 1970, e no difcil entender o porqu

    vendo uma das cenas de Noivo Neurtico, Noiva Nervosa,

    quando Alvy Singer (Allen) comea a discutir com um su-

    jeito, na fila do cinema, que se diz especialista na obra se-

    mitica de Marshall McLuhan e, para prov-lo errado, Alvy

    puxa McLuhan em pessoa para a discusso! Que comdia,

    hoje em dia, se aventuraria em algo assim? De certa forma,

    Allen estava ciente da atual banalizao da arte e da dis-

    cusso