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  • ALIANDO A TEORIA PRTICA DA

    GESTO EMPRESARIAL: O CASO DA

    CAPACITAO DOS ALUNOS DA

    FACULDADE FARIAS BRITO COMO

    AVALIADORES DA GESTO DE MICRO

    E PEQUENAS EMPRESAS

    Srgio Jos Barbosa Elias (UFSC)

    serglias@secrel.com.br

    Mnica Maria Mendes Luna (UFSC)

    monica@deps.ufsc.br

    Este artigo relata a experincia de um programa de capacitao em

    avaliao da gesto para alunos de graduao. O programa foi

    desenvolvido pela Faculdade Farias Brito em parceria com o SEBRAE,

    tendo por base o MPE Brasil - Prmio de Compettitividade para Micro

    e Pequenas Empresas, no sentido de aprimorar a formao em gesto

    empresarial dos alunos de graduao, por meio da utilizao de um

    modelo de excelncia em gesto de reconhecimento mundial. O

    programa contempla formao em sala de aula, trabalho de campo

    para avaliao das prticas profissionais das empresas, elaborao e

    apresentao do relatrio de avaliao. Antes da apresentao do

    caso, feita uma reviso bibliogrfica sobre o ensino superior de

    administrao e os modelos de excelncia em gesto. Os positivos

    resultados do programa ensejaram sua reedio e ampliao para os

    anos de 2010 e 2011.

    Palavras-chaves: modelos de excelncia em gesto, micro e pequenas

    empresas, ensino superior de administrao

    5, 6 e 7 de Agosto de 2010

    ISSN 1984-9354

  • VI CONGRESSO NACIONAL DE EXCELNCIA EM GESTO

    Energia, Inovao, Tecnologia e Complexidade para a Gesto Sustentvel Niteri, RJ, Brasil, 5, 6 e 7 de agosto de 2010

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    1 Introduo

    Um dos desafios da educao superior possibilitar uma formao que capacite os alunos

    para a aplicao dos conhecimentos tericos na vivncia prtica, quando da sua atuao

    profissional na sociedade. Nos cursos voltados gesto empresarial, fundamental que a

    teoria permita aos acadmicos a compreenso da realidade das organizaes.

    Com o intuito de aprimorar o processo de ensino aprendizagem, aproximando os acadmicos

    da realidade empresarial, a Faculdade Farias Brito desenvolveu, nos cursos de administrao e

    marketing, um programa de capacitao em avaliao da gesto das micro e pequenas

    empresas. Para isso, utilizou como modelo o MPE Brasil Prmio de Competitividade para

    Micro e Pequenas Empresas, em estreita parceria com o SEBRAE.

    Este artigo tem por objetivo apresentar e discutir a experincia dessa faculdade com esse

    programa. Para tanto, feita uma reviso sobre o ensino na universidade, destacando os

    aspectos relacionados aos mtodos de ensino que promovam o saber pensar e fazer e a

    importncia de profissionais capacitados no desenvolvimento do pas. Em seguida,

    apresentado o estudo de caso do programa de capacitao da avaliao em gesto e os

    conceitos de gesto da qualidade e dos modelos de excelncia em gesto que permitem o

    melhor entendimento do programa. Por fim, so apresentados os resultados alcanados com

    este programa.

    2 O Ensino na universidade

    As atividades desempenhadas pelos professores nas universidades esto, em geral,

    relacionadas com o ensino a pesquisa e a extenso. Embora a atividade de ensino seja

    priorizada, face s demais, e represente a maior parcela da carga horria dispensada pelos

    professores, no deve estar desvinculada das atividades de pesquisa e extenso,

    principalmente, quando se busca a formao de profissionais que atuaro no mercado. O uso

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    de mtodos de ensino aliados a atividades de extenso e pesquisa constitui um formato

    interessante e pode substituir as longas aulas tericas, as quais dificultam o aprendizado.

    Enquanto que na pesquisa o aluno tem a oportunidade de adquirir conhecimentos

    procedimentais, a extenso lhe possibilita levar seu aprendizado at a sociedade, aliando a

    teoria prtica para resolver os problemas da vida real, por meio da tomada de deciso

    embasada nos conhecimentos procedimentais adquiridos no ambiente acadmico. Nesses

    casos, a avaliao do aluno tambm precisa ser atualizada, e no mais se limitando ao

    conhecimento dos conceitos, sendo necessrio incluir a verificao da capacidade do aluno

    aplicar tais conhecimentos no ambiente empresarial. Esta abordagem colabora fortemente

    para que se desenvolva as competncias do saber e fazer.

    Cabe destacar que no h mais uma diviso do binmio saber e fazer, devido mudana no

    perfil dos operrios e dos profissionais, decorrente da modernizao nos processos de

    trabalho, como afirma Fogaa e Eichenberg (1993, p. 37):

    A uma aparente simplificao das rotinas pode corresponder uma

    complexificao das tarefas. Melhor dizendo, medida que se

    eliminam tarefas mecnicas, ou que se diminui o trabalho direto,

    acrescentam-se atividades mais abstratas (...) A dualidade entre fazer e

    pensar est posta em questo (porque) a automao flexvel pressupe

    nos operrios o saber pensar.

    Este novo conceito de educao exige, por sua vez, que o profissional de nvel superior saiba

    pensar e fazer. E no h como desenvolver estas competncias sem uma contextualizao dos

    conhecimentos, sem a considerao de situaes complexas.

    As propostas apenas instrucionistas no conseguem levar o homem a saber pensar e agir

    adequadamente no seu ambiente profissional. Na verdade, como destaca Luckesi (1991), a

    prtica educativa baseada na pedagogia do exame, na qual se deduz que se os alunos esto

    indo bem nas provas porque em outros aspectos tambm o esto, suprime a preocupao

    crtica da relao entre ensino e aprendizado do processo educacional.

    Um professor que foca seu ensino e a correspondente avaliao apenas na informao pura e

    simples, na memorizao de conceitos, deixando em segundo plano a avaliao de

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    habilidades, procedimentos e princpios, dificulta o processo de aprendizagem e torna remota

    a possibilidade de formao de um profissional de qualidade (MURAD, s.l)

    O papel do ensino superior e da avaliao da aprendizagem deve estar alinhado com o novo

    conceito de educao. Enquanto os estudos at o ensino mdio enfatizam o acesso do aluno

    universidade, por meio do vestibular, cabe ao ensino superior ajud-lo no saber pensar e fazer,

    para que esse possa desempenhar adequadamente uma profisso. Isto porque, por mais que o

    aluno possua os conhecimentos relativos aos assuntos estudados, as situaes da vida real

    exigiro discernimento e construo de novos conhecimentos, a partir do fato concreto a ser

    tratado.

    O ensino superior desempenha papel estratgico na qualidade da educao. Principalmente, se

    considerado que a grande maioria dos professores que atuam em todos os nveis, desde a

    educao bsica at o ensino superior, passou pela universidade, embora nem todos tenham a

    necessria formao pedaggica para o ensino. Assim, a qualidade da formao dos

    professores nas universidades ter um forte reflexo na qualidade do ensino.

    No obstante a importncia do ensino superior na melhoria da qualidade da educao, deve-se

    ressaltar a necessidade de uma melhor preparao do aluno que ingressa na universidade, de

    forma a permitir que este desenvolva as habilidades que o ambiente acadmico proporciona.

    Conforme Bloom (apud FGV, 2009), a cognio se d a partir de habilidades hierarquizadas

    segundo o grau de complexidade de processamento, indo do conhecimento (nvel primrio)

    para a avaliao (nvel mais complexo), nessa ordem: conhecimento, compreenso, aplicao,

    anlise, sntese, avaliao.

    Compete ao professor, em todos os nveis de ensino, possibilitar que essa evoluo acontea

    com os alunos. No basta exigir a memorizao e conhecimento de contedos, mas cabe

    destacar que isso constitui a base para as etapas seguintes. O ensino superior deve dar

    destaque s atividades relacionadas s habilidades mais complexas. necessrio que o

    professor possa, ao apresentar os temas, possibilitar aos alunos a identificao de aspectos

    relacionados sua aplicao e anlise. Por exemplo, em um curso de administrao de

    empresas, no basta o aluno conhecer os nveis de motivao identificados no modelo de

    Maslow, mas ele tambm precisa saber relacion-los s teorias e tcnicas para obter melhoria

    da produtividade nas organizaes, o que pode exigir conhecimentos de outras disciplinas do

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    curso. Identifica-se, a partir da, outro desafio para o professor: o de fazer com que os alunos

    desenvolvam uma viso sistmica dos problemas abordados. Entretanto, a falta de

    conhecimentos bsicos, que inclui at mesmo a capacidade de se expressar dos alunos, torna

    muitas vezes, este desafio maior.

    Alm dos conhecimentos conceituais, cabe aqui apresentar os outros tipos de conhecimento

    que compem um currculo: procedimentais e atitudinais (CESAR COLL apud MURAD, s.l).

    Os dois primeiros esto relacionados, principalmente, ao saber e ao fazer e o terceiro, aos

    valores, atitudes e normas. Cabe ao ensino superior (e tambm aos outros nveis) atender e

    avaliar esses conhecimentos, pois, embora no haja dvidas que o aumento do n

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