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  • Algumas

    razes para

    ser um

    cientista

  • PRESIDENTE DA REPBLICALuiz Incio Lula da Silva

    MINISTRO DE ESTADO DA CINCIA E TECNOLOGIASergio Machado Rezende

    SUBSECRETRIO DE COORDENAO DE UNIDADES DE PESQUISAAvlio Antnio Franco

    DIRETOR DO CBPFRicardo Magnus Osrio Galvo

    COORDENADORES CIENTFICOSRicardo Magnus Osrio Galvo e Ronald Cintra Shellard

    EDIO DE TEXTOCarolina Cronemberger

    REVISO DE TEXTOMrcia Reis

    ILUSTRAESMario Bag

    PROJETO GRFICO e DIAGRAMAOAmpersand Comunicao Grfica

    CENTRO BRASILEIRO DE PESQUISAS FSICASRua Dr. Xavier Sigaud, 15022290-180 Rio de Janeiro RJTel: (0xx21) 2141-7100Fax: (0xx21) 2141-7400Internet: http://www.cbpf.br

    Para receber gratuitamente pelo correio um exemplar desta publicao, envie pedido com seu nomee endereo para mreis@cbpf.br.

    Agradecimentos: The Abdus Salam International Centre for Theoretical Physics (ICTP) - Trieste, Itliapela permisso para traduzir o livro One hundred reasons to be a scientist

    Centro Brasileiro dePesquisas Fsicas

  • STEPHEN L. ADLER | Dos elementos do rdio fsica das partculas

    elementares ................................................ 06

    MICHAEL BERRY | Vivendo com a fsica ........................ 12

    JAMES W. CRONIN | Cientistas nascem a todo minuto ............ 18

    ELISA FROTA-PESSA | Quebrando barreiras .................... 22

    VITALY L. GINZBURG | Educao, cincia e acaso ................ 26

    MARCELO GLEISER | O mundo belo e a gente tem que mostrar isso para

    as pessoas ................................................. 32

    JOHN J. HOPFIELD | Crescendo na cincia ..................... 36

    BELITA KOILLER | A competncia no escolhe gnero ............ 42

    LEON M. LEDERMAN | Cientistas so exploradores ................ 46

    JOS LEITE LOPES | Uma parte da histria da fsica no Brasil .. 50

    DOUGLAS D. OSHEROFF | Explorando o universo ................... 54

    MARTIN M. PERL | Fazendo cincia experimental ................ 60

    HELEN R. QUINN | Voc poderia ser uma matemtica ............... 66

    MARTIN REES | A cincia uma busca sem fim .................. 74

    SRGIO REZENDE | O desafio de enfrentar o desconhecido ....... 80

    VERA C. RUBIN | Ns precisamos de vocs ..................... 84

    ROBERTO A. SALMERON | Sorte, dedicao e perseverana ........ 90

    JAYME TIOMNO | Trabalho duro ................................ 96

    CHARLES H. TOWNES | A histria dos lasers ................... 100

    CONSTANTINO TSALLIS | Beleza e intuio .................... 106

    DANIEL C. TSUI | A curiosidade foi a curva em meu caminho .... 110

    STEVEN WEINBERG | O Camaro vermelho ........................ 114

    MARIANA WEISSMANN | Memrias de uma fsica latino-americana .. 118

    FRANK WILCZEK | A pesquisa cientfica me deu liberdade ...... 124

    EDWARD WITTEN | Olhando para o passado ..................... 128

    SUMRIOSUMRIOSUMRIOSUMRIOSUMRIO

  • P or ocasio de seu 40 aniversrio, o Centro Internacional deFsica Terica (ICTP) instituio fundada pelo Professor AbdusSalam, em 1964, com o objetivo de estimular a cooperaocientfica nas reas de Fsica e Matemtica entre pases de-senvolvidos e no-desenvolvidos reuniu em publicao intitulada One

    hundred reasons to be a scientist (Cem razes para ser um cientista) depo-

    imentos de cem cientistas das reas de Fsica e Matemtica sobre as razes

    que os teriam despertado para a carreira cientfica, assim como o que os

    levava a perseverar em um caminho, s vezes, pelas razes mais diversas,

    um tanto rduo, mas certamente compensatrio do ponto de vista pessoal

    e estimulante pela possibilidade de contribuir para a melhoria das condi-

    es gerais de vida da humanidade.

    O que os testemunhos nos mostram que, antes de grandes cientistas,

    so homens e mulheres com uma grande nsia pelo conhecimento. Uma

    tendncia natural, o estmulo familiar e/ou condies favorveis constitu-

    ram fatores que, separadamente ou em conjunto, certamente foram decisi-

    vos para suas escolhas e seu sucesso. No entanto, seus relatos deixam cla-

    ro que o acesso a um sistema educacional bem estruturado, que vise pro-

    mover o esprito de investigao e permita o desenvolvimento das capaci-

    dades naturais do aluno, fundamental na consolidao de uma carreira

    cientfica, e, por conseqncia, de um sistema de cincia e tecnologia sli-

    do em qualquer pas.

    Ciente disto, e com o objetivo de levar para mais perto da populao as

    atividades cientficas desenvolvidas nas instituies de ensino e pesquisa

    do pas, o Ministrio da Cincia e Tecnologia instituiu em 2004 a Semana

    APRESENTAOAPRESENTAOAPRESENTAOAPRESENTAOAPRESENTAO

  • Nacional de Cincia e Tecnologia. Equipamentos e experimentos, velhos

    cientistas e cientistas em formao ocuparam praas, parques, estaes de

    trem - e os prprios trens e terminais de nibus, mostrando que so pes-

    soas como quaisquer outras e que seu trabalho, longe de ser algo distante

    da realidade, faz parte dela, visa a compreend-la e se realiza plenamente

    quando obtm resultados que promovem benefcios para o homem.

    Com o objetivo de levar alguns destes testemunhos a um pblico maior e,

    quem sabe, despertar novas vocaes, na ocasio em que a realizao da

    II Semana Nacional de Cincia e Tecnologia coincide com a celebrao do Ano

    Mundial da Fsica, o Centro Brasileiro de Pesquisas Fsicas traz a pblico

    Algumas razes para ser um cientista, que rene tradues dos depoimen-

    tos de alguns dos fsicos presentes na publicao do ICTP, com os de alguns

    expoentes brasileiros na pesquisa em Fsica, elaborados com base em entrevis-

    tas realizadas por Carolina Cronemberger, estudante de Doutorado do CBPF.

    Gostaramos de agradecer a contribuio de todos para a realizao

    desse projeto, em especial os Professores Elisa Frota-Pessa, Marcelo

    Gleiser, Jos Leite Lopes, Belita Koiller, Roberto Salmeron, Jayme Tiomno,

    Constantino Tsallis e, o Excelentssimo Ministro da Cincia e Tecnologia,

    Srgio Rezende, por acolherem o projeto com entusiasmo e nos permitirem

    conhecer um pouco mais sobre como nascem os cientistas, em um pas que

    ainda tem muito a evoluir nesta rea. Esperamos que este livro permita a

    alguns jovens descobrirem a sua razo para vir a ser um cientista.

    Rio de Janeiro, Outubro 2005

    Ricardo Galvo

  • 6 ALGUMAS RAZES PARA SER UM CIENTISTADoselementos

    do rdio

    fsica

    das

    partculas

    elementares

  • 7

    Eu nasci em 1939 na cidade de Nova Iorque, sendo

    meus pais Irving e Ruth Relis Adler. Meu pai era pro-

    fessor de matemtica e minha me tambm era li-

    cenciada em matemtica. Minha educao foi

    direcionada para a cincia desde cedo por meus pais.

    Quando tinha dois anos, meu pai construiu para mim

    uma caixa dispositiva feita de peas eletrnicas e,

    ao mesmo tempo, minha me fez para mim uma ver-

    so caseira do livro Pat the Bunny, com cada pgi-

    na contendo uma operao ttil ou manual para eu desempenhar. Quando

    estava mais velho, meu pai construa para mim brinquedos eltricos como

    telgrafos, um alarme para ladro que tocava uma campainha quando a

    porta era aberta e uma miniatura de sinais de trnsito. Ns tambm nos

    engajamos em atividades naturais, como colecionar cobras e borboletas.

    Na idade de oito anos, participei de um curso de astronomia para jovens no

    Museu de Histria Natural de NY, e a minha fascinao pelos fsseis que vi

    nesse museu me levou a pensar brevemente em ser um paleontlogo, po-

    rm, este meu interesse acabou rapidamente.

    O caminho para minha atual carreira comeou na sexta srie, quando

    discutia com um colega de classe sobre rdio e fui visit-lo em casa, desco-

    brindo seus equipamentos e brinquedos. Desenvolvi um interesse srio pela

    Stephen L. AdlerStephen L. AdlerStephen L. AdlerStephen L. AdlerStephen L. Adler

    Instituto para Estudos Avanados

    Princeton|NJ|EUA

  • 8 ALGUMAS RAZES PARA SER UM CIENTISTAeletricidade, rdio e eletrnica, quando ainda estava no ensino fundamen-tal. Constru vrios aparelhos eltricos, como motores eltricos com rotoresfeitos de lminas cortadas de latas e, ims permanentes de estatores tira-dos de alto-falantes. Tenho um desses, at hoje, no meu armrio no Institu-

    to de Estudos Avanados. Com o estmulo de meu pai, li Marcus e o seu

    texto clssico da segunda guerra mundial Elementos do Rdio. Meu pai

    conseguiu tornar-me o expert da famlia em rdio, enquanto ele ficava como

    consultor sobre os pequenos detalhes do texto. Tambm por sugesto do

    meu pai, comecei a solicitar da vizinhana batendo de porta a porta, em-

    purrando um carrinho velhos rdios, aparelhos e televises que as pesso-

    as planejavam jogar fora. Desmontava esses aparelhos e usava as partes

    para construir rdios, amplificadores e, at mesmo, um osciloscpio, usan-

    do um tubo de televiso de sete polegadas. Aprendi tambm o suficiente de

    cdigo Morse para conseguir uma licena de tcnico de rdio amador. En-

    tretanto, a atividade de rdio amador no me interessava tanto quanto a

    construo de equipamentos eletrnicos, a qual continuei atravs de vri-

    os projetos no ensino mdio.

    Devido a essa exposio da eletrnica, seria natural para mim, seguir

    carreira em engenharia eltrica, mas nos primeiros anos do meu ensino

    mdio, tive um primeiro vislumbre do fascinante mundo da pesquisa em

    fsica de altas energias. Por dois veres, minha famlia tirou frias num par-

    que estadual perto de Ithaca, NY, e Phillip Morrison, um velho amigo de

    meu pai, fez uma visita conosco ao Laboratrio de