ALFABETIZAÇÃO CARTOGRÁFICA: UM DESAFIO PARA O ENSINO DE ... ?· é preciso dar um novo enfoque para…

Download ALFABETIZAÇÃO CARTOGRÁFICA: UM DESAFIO PARA O ENSINO DE ... ?· é preciso dar um novo enfoque para…

Post on 16-Dec-2018

212 views

Category:

Documents

0 download

TRANSCRIPT

ALFABETIZAO CARTOGRFICA: UM DESAFIOPARA O ENSINO DE GEOGRAFIA.

RUDI PEDRO LUNKES

Professor da Rede Pblica do Paran

GILBERTO MARTINS

Prof. Ms e Orientador da Unioeste

Campus de Francisco Beltro

RESUMO

Este artigo trata da deficincia na leitura cartogrfica dos alunos que chegam ao Ensino Mdio, tendo em vista que o estudo da linguagem cartogrfica vem, cada vez mais, reafirmando sua importncia desde o incio da escolaridade. Tem como objetivo em sua primeira parte apresentar a relao entre a Cartografia e a Geografia no contexto escolar, trazendo a importncia da Cartografia como linguagem para o Ensino de Geografia. E em sua segunda parte, em uma anlise da situao, tem como objetivo buscar indicadores que expliquem o analfabetismo cartogrfico de grande nmero de alunos, passando pelas dificuldades dos professores da Educao Bsica quanto ao uso da Cartografia, o enfoque dado a Cartografia nos cursos de Geografia e a relao direta do conhecimento adquirido pelo professor na Academia e a deficincia dos alunos na leitura cartogrfica.

Palavras-chave: Cartografia. Alfabetizao cartogrfica. Ensino de Geografia e

mapas.

ABSTRACT

This article is about the deficiency in cartographic reading of students from High School, considering that the importance of studying the cartographic language since the beginning of the school years has been reaffirmed. The first part shows the relationship between the cartography and the geography in the school context and

1

the importance of the Cartography as a language in Geography teaching. The second part presents, through an analysis of the situation, signs that explain the cartographic illiteracy of a big number of students, considering the difficulties that the teachers from Elementary School have regarding the use of cartography as a language in Geography. It also discusses the importance given to Cartography in the Geography courses and the relationship between the teachers knowledge and the deficiency of the students in cartographic reading.

Keywords: Cartography, Cartographyc literacy, Geography teaching, maps.

1. INTRODUO

O Ensino de Geografia um dos processos de alfabetizao da sociedade na

leitura do espao geogrfico, em suas diversas escalas e configuraes e para que

isto ocorra, a Cartografia uma ferramenta importante.

Como professor do Ensino Mdio constatou-se que existe uma grande

defasagem dos alunos que chegam ao 1 ano do Ensino Mdio, em relao ao

domnio da leitura cartogrfica, Embora ainda uma discusso pouco levada a efeito,

j existe literatura que retrata este fenmeno, mostrando que a alfabetizao

cartogrfica deveria acontecer no Ensino Fundamental, mas no tem acontecido ou

tem lacunas em seu processo. Observa-se que os alunos no dominam os

conceitos, os elementos cartogrficos e as tcnicas elementares da Cartografia e

assim tm grandes dificuldades na leitura e na interpretao de um mapa.

O Ensino de Geografia deve ter como objetivo a formao de um indivduo

que saiba ler o espao, que consiga analisar o sistema e as estruturas que

produzem a sua organizao, e sendo leitor eficiente de mapas, seja capaz de

realizar estudos e pesquisas reorganizadoras e reconstrutoras do espao. Para isto

preciso dar um novo enfoque para a Cartografia no Ensino de Geografia, ainda

vista por educadores como mera tcnica ou ferramenta e se transforme numa

proposta metodolgica que permita um Ensino de Geografia mais crtico e assim

possibilitando uma transformao social.

Diante deste panorama, o objetivo maior deste trabalho buscar as causas

que resultam nas dificuldades apresentadas pelos alunos no Ensino Mdio quanto

ao domnio ou compreenso dos conceitos cartogrficos. Para isto, durante o

2

desenvolvimento deste estudo, procurou-se: elencar a relao entre a Geografia e a

Cartografia no contexto histrico e sua importncia para o Ensino de Geografia;

compreender a relao existente entre a defasagem na leitura cartogrfica e a

Concepo Tradicional de Ensino de Geografia na formao dos professores;

problematizar o uso da Cartografia presente na Concepo Tradicional e

redimension-lo a partir de uma Concepo Histrica e Crtica, tendo a Cartografia

como linguagem para o Ensino de Geografia; identificar as dificuldades presentes

nas prticas de ensino dos professores do Ensino Fundamental e Mdio, atravs da

implementao de uma proposta de trabalho, quanto ao uso da Cartografia e suas

possveis relaes com a deficincia dos alunos do Ensino Mdio na leitura

cartogrfica; contribuir com a construo de alternativas para a superao do

analfabetismo cartogrfico.

2. A GEOGRAFIA E A CARTOGRAFIA

De acordo com as Diretrizes Curriculares do Paran, o conceito adotado para

o objeto de estudo da Geografia o espao geogrfico, entendido como espao

produzido e organizado pela sociedade, sendo, portanto a Geografia uma cincia

natural e social uma vez que a organizao do espao sempre ser sob a

perspectiva humana, pois indica formas de percepo, de relao, ocupao e

utilizao da natureza. Andrade (1987, p. 14) define a Geografia como a cincia que

estuda as relaes entre a sociedade e a natureza. Deste modo, a Geografia,

devido ao seu objeto de estudo, necessita aproximar-se de outros ramos das

cincias, como a Cartografia, a Matemtica, a Histria, a Antropologia, a Sociologia,

Meteorologia, Geologia, Psicologia, entre outras. Para a Geografia, estas cincias

so importantes, pois contribuem para a anlise e pesquisa geogrfica de forma

substancial.

A Geografia se desenvolveu muito na Antiguidade, principalmente com os

gregos, com quem muito se avanou na elaborao dos saberes geogrficos e

deles a maior quantidade de material produzido por um povo da antiguidade, que

chegou at ns. Ampliaram-se os conhecimentos quanto extenso dos territrios

bem como suas caractersticas fsicas, humanas e econmicas. Neste sentido,

3

Andrade (1987, p. 26-28), aponta que tambm os romanos contriburam com grande

nmero de descries do Imprio, visando localizao das reas ricas em

produtos comerciais, as vias de acesso s mesmas e os problemas fronteirios, etc.

Neste contexto de ampliao do espao conhecido, fez-se necessrio a elaborao

de outros conhecimentos, como a elaborao de mapas, clculos da latitude e

longitude, classificaes climticas, etc. Temos neste momento histrico, uma

relao da Geografia com a Cartografia, apesar de ambas apenas serem

consideradas meras fornecedoras de informaes para as outras Cincias, mais

importantes no contexto intelectual, como afirma Joly (1990, p.132): no incio a

Cartografia e a Geografia foram confundidas como um mesmo ramo da Matemtica

e da Astronomia aplicada mensurao e representao do mundo conhecido.

Segundo Francischett (2002, p.17) a Cartografia, assim como a Geografia,

tambm tem suas origens na Grcia, antes de Cristo, permeada pela mitologia que

influencia a produo das representaes cartogrficas da poca. Seu

desenvolvimento se deu com as expedies militares e as navegaes devido ao

grande nmero de informaes que precisava ser registrado e sistematizado. Neste

sentido, Joly (1990, p. 31) afirma que

os homens sempre procuraram conservar a memria dos lugares e dos caminhos teis s suas ocupaes. Aprenderam a agravar os seus detalhes em placas de argila, madeira ou metal, ou a desenh-los nos tecidos, nos papiros e nos pergaminhos. Assim, apareceram no Egito, na Assria, na Fencia e na China os primeiro esboos cartogrficos.

Apesar de terem surgido no Egito, na Assria, na Fencia e na China os

primeiros esboos cartogrficos, os verdadeiros mapas foram construdos pelos

sbios gregos, que forneceram seus primeiros elementos. De acordo com Joly

(1990), recolhendo todos os dados disponveis e inventando os sistemas de

projeo, eles fundaram uma cartografia racional, livre de fantasmas religiosos e das

mistificaes comerciais, assentada em bases matemticas cada vez mais seguras.

Conhecer e representar a Terra foram os primeiros objetivos da Cartografia.

Portanto, a Cartografia a cincia da representao atravs da concepo,

produo, difuso, utilizao e estudo das diferentes linguagens cartogrficas.

Martinelli (apud Francischett 2002, p. 29) assim conceitua a Cartografia:

4

A Cartografia a cincia da representao e do estudo da distribuio espacial dos fenmenos naturais e sociais, suas relaes e suas transformaes ao longo do tempo, por meio de representaes cartogrficas modelos icnicos que reproduzem este ou aquele aspecto da realidade de forma grfica e generalizada.

No entanto, durante a Idade Mdia, os conhecimentos geogrficos e

cartogrficos foram abandonados, pois eram tidos como no verdadeiros, pois

discordavam da viso de mundo de quem detinha o poder (a Igreja Catlica), no

entanto, a partir do sculo XII, devido necessidade de registrar e localizar as rotas

martimas, bem como terras descobertas, a Geografia e as questes cartogrficas

voltaram a ser discutidas. A Geografia e a Cartografia dos tempos Modernos

tiveram grande evoluo, devido s aspiraes da burguesia emergente e

conseqente expanso do mundo conhecido. Estas Cincias foram favorecidas pelo

surgimento dos grandes centros de estudos, empenhados no levantamento e

registro das descobertas feitas nas grandes navegaes realizadas atravs das

expedies pelo planeta. O papel da Cartografia fundamental no registro das

novas terras descobertas, bem como seu aspecto, suas potencialidades

econmicas, etc. Segundo Joly (1990, p. 132), a partir do sculo XIX, com o

desenvolvimento de uma Geografia descritiva cada vez mais explicativa, temos o

isolamento do cartgrafo, que passa a ser um simples fabricante de mapas. No

entanto no final do sculo XIX e incio do sculo XX, os gegrafos passaram a

transferir para a base de mapas topogrficos as caractersticas qualitativas e

quantitativas dos territrios estudados. Assim temos um crescimento do papel da

Cartografia, sendo chamada ento de Cartografia Geogrfica ou Temtica, mas que

hoje ultrapassa o domnio da Geografia e atinge a todas as cincias que incluem

uma dimenso espacial.

Mas antes temos que ter em mente que, embora a Geografia tenha surgido

na Antiguidade, todo este conhecimento se encontrava disperso. At o final do

sculo XVIII no havia uma unidade temtica. Para a Geografia se tornar um

pensamento autnomo, algumas condies histricas para sua sistematizao eram

necessrias. Segundo Moraes (1986, p. 35-43),

estes pressupostos esto ligados ao avano e domnios das relaes capitalistas de produo: efetivo conhecimento da extenso da Terra; existncia de um repertrio de informaes organizado por institutos; aprimoramento das tcnicas cartogrficas; a evoluo do

5

pensamento fazendo a correspondncia no plano filosfico e cientfico, das transformaes operadas ao nvel econmico e poltico.

Estes pressupostos se concretizam no sculo XIX, atravs da Escola Alem

(Humboldt, Ritter e Ratzel) e Francesa (Vidal de La Blache) e do imperialismo dos

pases europeus. Assim a sistematizao da Geografia ocorre quando a burguesia,

j est no poder dos Estados e visa apenas manuteno da ordem social

existente. A Geografia vai servir a burguesia, para o desenvolvimento econmico e a

manuteno do poder poltico.

A Geografia que ento se introduz no contexto das Universidades, tem

apenas o aspecto decorativo e enciclopedista, focado na descrio do espao,

chamada por Lacoste (2005) de Geografia dos Professores. Esta Geografia que

tinha a pretenso de ser neutra, na verdade servia a quem estava no poder, atravs

das informaes obtidas nas pesquisas feitas.

A crise desta Geografia Tradicional e o Movimento de Renovao comeam a

se manifestar em meados da dcada de 50. As razes da crise, que vo deste a

alterao da base social, que deu os fundamentos Geografia Tradicional, passam

pela complexidade da realidade gerada pelo desenvolvimento do capitalismo,

chegando crise do pensamento filosfico positivista, que dava sustentao a

Geografia Tradicional, que sofreu renovaes, mas que a Geografia no assimilou.

Muitos problemas internos so tambm razes da crise, como a indefinio do

objeto de anlise e a questo da generalizao (dualismo).

O movimento de renovao leva a duas correntes, de acordo com seus

propsitos e posicionamentos polticos: pragmticos e crticos. A Geografia

pragmtica uma renovao conservadora da Geografia, visa um interesse utilitrio,

na medida em que informa a ao de planejamento. Permite a ao deliberada

sobre o espao. Assim uma arma de dominao, atuando no sentido de neutralizar

os conflitos e facilitar a ao do Estado. , portanto, um instrumento de dominao

burguesa. A chamada Geografia Crtica, como linha terico-metodolgica do

pensamento geogrfico, deu novas interpretaes aos conceitos e ao objeto de

estudo, trazendo as questes econmicas, sociais e polticas como fundamentais

para a compreenso do espao geogrfico. Os autores ou seguidores desta

Geografia se posicionam por uma transformao da realidade social, fazendo uso

6

deste conhecimento cientfico da Geografia e tendo a anlise geogrfica como

instrumento de libertao do homem.

Devido a este movimento da Geografia Crtica, tivemos um afastamento no

Ensino de Geografia da Cincia Cartogrfica, uma vez que seu instrumento, o mapa,

era apenas usado para a localizao e descrio dos fenmenos espaciais e de

acordo com as Diretrizes Curriculares (DCEs-2006. p.48) fazer uso de quaisquer

materiais didticos da Geografia Tradicional significava recusar a mudana, manter-

se atrelado ao velho, ao que deveria ser superado.

No entanto, nos ltimos anos h uma reaproximao da Cartografia com o

Ensino de Geografia, uma vez que sua linguagem fundamental, para um ensino

crtico do espao geogrfico, se feito sob uma concepo terico-metodolgico que

no seja a Tradicional. Isto fica claro na colocao de Castrogiovani (1998, p. 39),

que diz: O fundamental no ensino da Geografia que o aluno/cidado aprenda a

fazer uma leitura crtica da representao cartogrfica, isto , decodific-la,

transpondo suas informaes para o uso do cotidiano. Deve ter claro que ela antes

de tudo uma representao poltica.

3. A CARTOGRAFIA E O ENSINO DE GEOGRAFIA

O Ensino de Geografia tem como objeto de estudo o espao geogrfico. Nas

Diretrizes Curriculares do Paran, o espao geogrfico, entendido como aquele

produzido e apropriado pela sociedade, composto por objetos naturais, culturais e

tcnicos e aes pertinentes a relaes socioculturais e poltico-econmicas. A

Cartografia auxilia neste estudo, pois compreende a representao do espao

geogrfico, assim possibilita a interpretao, a compreenso e as transformaes

que ocorrem na organizao e utilizao do espao. Segundo Castrogiovanni (1998,

p. 38), a Cartografia oferece a compreenso espacial do fenmeno e neste sentido

podemos afirmar que ela serve como instrumento de conhecimento, domnio e

controle de um territrio.

A Cartografia como linguagem, de grande valor ao Ensino de Geografia,

pois se trata de um importante meio de comunicao e informao geogrfica. O

mapa, um dos seus produtos, sempre esteve associado ao seu ensino. Assim a

7

Cartografia, no Ensino de Geografia, ajuda a localizar o objeto de estudo, a entender

por que aqui e no em outro lugar; a saber, como este lugar; o porqu deste lugar

ser assim; por que as coisas esto dispostas desta maneira; qual a significao

deste ordenamento espacial; quais as conseqncias deste ordenamento espacial.

A Cartografia atravs da representao do espao geogrfico permite

permear o desenvolvimento da aprendizagem de todos os Contedos Estruturantes

das Diretrizes Curriculares do Paran: dimenso econmica da produo do/no

espao; geopoltica; dimenso socioambiental; e dinmica cultural e demogrfica.

A linguagem Cartogrfica um meio importante para o Ensino de Geografia.

No entanto, devemos ter claro, como j foi posto anteriormente, que sua utilizao

depende da perspectiva terico-metodolgico que o professor for utilizar.

No Ensino de Geografia, muitas vezes o produto da Cartografia (mapa) serve

apenas para localizao e descrio de fenmenos espaciais. Francischett (2004, p.

124) afirma que, a maioria dos professores que trabalham com o ensino concebem

a Cartografia como a tcnica de representar e ler mapas, desvinculada do contexto

da Geografia. Isto traz srios prejuzos para o aluno. Se dentro do Ensino de

Geografia Tradicional, a Cartografia tinha este aspecto de tcnica da representao

voltada para a leitura e a explicao do espao geogrfico, hoje nas novas correntes

de pensamento o aluno deixa de ser um leitor passivo para ser um leitor crtico dos

mapas.

Temos que entender a Cartografia como construo social, no como algo

pronto, acabado e esttico. A Cartografia no pode mais ser vista como um

amontoado de tcnicas, pois constri, reconstri conhecimentos e acima de tudo

revela informaes. A Cartografia compartilha com a Geografia o estudo do espao

e das relaes espaciais. Est a a sua importncia para o Ensino de Geografia,

como uma cincia que veicula um conhecimento histrico e social.

Francischett (2002, p. 14) aponta que nem todos os professores usam a

Cartografia no que ela tem de mais precioso: a forma de comunicar os

conhecimentos geogrficos atravs das representaes cartogrficas, fato deveras

preocupante, dada importncia da Cartografia para o Ensino de Geografia. No

cotidiano escolar do Ensino Mdio, nas turmas de 1 ano, observamos que os alunos

no dominam os conceitos e as tcnicas elementares da Cartografia. Tm

dificuldade na leitura e na interpretao de um mapa, portanto com dificuldades para

uma leitura de mundo. O que nos leva a crer que urgente tomar medidas que

8

superem essa defasagem na leitura Cartogrfica, dos alunos que chegam do Ensino

Fundamental.

O que preocupa a muitos professores o fato das Diretrizes Curriculares do

Paran, apontarem a Cartografia apenas como uma linguagem e no como

contedo no Currculo do Ensino Mdio, o que poderia possibilitar a superao da

deficincia na leitura cartogrfica. No se est afirmando que se deva ensinar a

Cartografia Tcnica na disciplina de Geografia, apenas como uma tcnica, dentro de

uma concepo tradicional, uma vez que ela deve permear todos os contedos do

Ensino de Geografia, mas que necessrio buscar meios para superar as

deficincias que os alunos trazem do Ensino Fundamental, a fim de que possam

incorporar os conceitos cartogrficos e fazer uma leitura cartogrfica que venha

instrument-los para uma ao mais crtica na sociedade.

Embora nos ltimos anos se tenha ouvido, por parte dos professores no

cotidiano escolar, que a prtica educacional no mais tradicional, que se quer

formar um cidado mais crtico, (isto consta no Projeto Poltico Pedaggico das

Escolas), no isto que na verdade ocorre. Segundo Bomfim (2006, p. 107), nas

escolas, do Brasil e do mundo, percebe-se que o ensino de Geografia mantm,

ainda, uma prtica tradicional, enraizada no Positivismo Clssico, tanto no Ensino

Fundamental quanto no Mdio. Essa concepo positivista reflete uma Geografia

meramente descritiva, de memorizao, colocada a servio do congelamento da

Histria e dos conceitos que cria. No contexto da sala de aula, configurou-se como

uma Geografia centrada na transmisso de contedos pretensamente neutros e que

mascara as determinaes e contradies do espao.

Assim, o ensino e a aprendizagem da Geografia escolar se caracterizam pela

utilizao excessiva do livro didtico, pela aplicao dos contedos mais conceituais

que procedimentais, como tambm pela utilizao descontextualizada e

estereotipada das cartas geogrficas. Esta pedagogia presente ainda em muitas

escolas faz com que os alunos no consigam compreender, de maneira autnoma e

criativa as bases da cincia geogrfica, que poderiam lhes permitir pensar e agir

como ator social no espao cotidiano.

No universo acadmico e das publicaes recentes, observa-se uma

tendncia crtica em relao s abordagens tradicionais do Ensino da Geografia.

Passini (1994, p. 19) afirma que o aluno no reflete, interpreta, analisa, compara ou

generaliza, apenas recebe a informao, memoriza e reproduz, sem utilizar o prprio

9

pensamento, suas leituras de mundo construdas anteriormente. Quanto

importncia de saber ler mapas, numa Geografia de cunho mais crtico, fica bem

clara na fala de Martinelli (1990, apud Santos, 2001, p.27):

inadmissvel que o gegrafo da atualidade tenda a menosprezar o

papel dos mapas quando prega uma Geografia com clara finalidade,

ao ser crtica, de servir ao progresso social. Em assim sendo, o

poder de comunicao dos mapas corre o risco de ficar apenas do

lado da ideologia, da alienao constituda. Portanto,

imprescindvel dinamizarmos tal forma de produto social, o qual faz

parte da vida de cada cidado, e tornar, assim, o mapa, um

instrumento de luta nas reivindicaes em prol de uma sociedade

mais justa.

Esta vertente crtica da Geografia faz parte do movimento de renovao da

Geografia e faz frente Geografia existente, a Tradicional e a Pragmtica, esta

ltima tambm do movimento de renovao. Segundo Moraes (1986, p. 126) seus

autores se posicionam por uma transformao da realidade social, tendo o contedo

da Geografia como uma arma desse processo. Apontam e criticam o contedo de

classe da Geografia Tradicional e Pragmtica em suas vinculaes com o Estado e

a classe dominante, em que o discurso geogrfico sempre escamoteou as

contradies sociais. Moraes (1986, p. 115) cita o francs Ives Lacoste, como o

autor que formulou a crtica mais radical da Geografia Tradicional. Este autor aponta

que o saber geogrfico manifesta-se em dois planos: a Geografia dos Professores e

a Geografia dos Estados Maiores. Ainda afirma que, a Geografia dos Professores

serve apenas para evitar que a populao como um todo, perceba o contedo

estratgico que a cincia geogrfica possui. Nesta Geografia dos Professores, de

cunho Tradicional, o aluno no preparado para um agir consciente e crtico na

construo do espao geogrfico.

preciso romper com este Ensino de Geografia Tradicional e usar a

Cartografia para alm da ilustrao ou elemento tcnico. Francischett (2002, p. 26)

afirma que atravs dos conhecimentos cartogrficos ser possvel entender a

representao e a transformao do espao geogrfico, razo pela qual a Geografia

age como cincia.

10

O fato dos alunos chegarem ao Ensino Mdio e no terem o domnio da

leitura cartogrfica leva a um questionamento: no Ensino Fundamental, no Ensino de

Geografia, no se est dando a devida importncia a Cartografia, como meio de

anlise, de interpretao e reorganizao do espao? Lacoste (2005, p. 55)

questiona o descompromisso da escola em relao alfabetizao cartogrfica:

Vai-se escola para aprender a ler, a escrever e a contar. Por que no para

aprender a ler uma carta? Portanto, faz-se necessrio discutir os processos de

alfabetizao cartogrfica no Ensino Fundamental, a formao que o professor do

Ensino Fundamental teve quanto a Cartografia e as concepes presentes nas

prticas de ensino dos professores deste nvel de ensino, quanto ao uso da

Cartografia e suas possveis relaes com as dificuldades dos alunos do Ensino

Mdio no uso dos conceitos cartogrficos.

A Geografia e a Cartografia so cincias que envolvem um conhecimento

estratgico, o qual permite s pessoas que desconhecem seus espao e sua

representao, passarem a organizar e dominar este espao. Portanto,

fundamental a alfabetizao cartogrfica como uma proposta metodolgica que

possa romper com o Ensino de Geografia Tradicional e o aluno possa compreender

o contedo estratgico da Cincia Geogrfica e assim participar das mudanas em

prol de um mundo melhor.

Apesar da existncia dessa tendncia crtica no plano terico, no mbito da

experincia docente no Ensino Mdio, tem-se percebido que a defasagem na

alfabetizao cartogrfica no foi superada, o que impede o professor do Ensino

Mdio, de trabalhar com a Cartografia no Ensino de Geografia, como mediadora

para uma anlise mais crtica do espao. Isto demonstra que no abandonamos de

todo o modo tradicional de trabalhar o ensino de Geografia?

Trata-se, ento, de buscar alternativas de uso da Cartografia no ensino da

Geografia que contribua de fato para um desenvolvimento potencial de interferncia

do sujeito na sociedade e possa assim fazer frente ao poder do Estado ou grupos

poderosos em seus interesses na explorao e planejamento de aes no espao

geogrfico. Assim, a Cartografia pode de fato, tornar-se uma ferramenta que

potencializa esta dimenso ativa do sujeito.

4. ANLISE DE SITUAO

11

Diante desta realidade, foi proposto dentro do Plano de Trabalho do PDE,

realizar um trabalho junto aos professores do Colgio Estadual Presidente Castelo

Branco de Toledo, com o intuito de discutir e levantar a problemtica da deficincia

na leitura cartogrfica dos alunos do Ensino Mdio. Tambm foi proposto um

trabalho prtico, voltado alfabetizao cartogrfica, atravs da construo de

mapas e de uma maquete do relevo do Paran. Alm disso, os professores

responderam a um questionrio, com enfoque na formao acadmica e atuao em

sala de aula.

Na implementao deste trabalho, a primeira dificuldade foi conseguir

conciliar um momento em que todos os professores de Geografia pudessem

participar das discusses e atividades prticas a serem realizadas: isto no foi

possvel. Apesar das escolas terem procurado fazer a Hora Atividade concentrada

por disciplina, nem todos os professores foram contemplados, devido a diferentes

situaes operacionais. Diante disso, ficou bem claro que o projeto da Secretaria de

Estado da Educao em promover Hora Atividade concentrada vlido e

necessrio, uma vez que permite a realizao de encontros de estudo de todos os

professores da mesma disciplina, para uma capacitao constante, relacionada a

dificuldades do dia-a-dia de cada escola, municpio e NRE, sem que isto acarrete

perda de aula para os alunos, com possveis afastamentos dos professores para

cursos em outros locais. Para solucionar a dificuldade do grupo se encontrar, parte

das atividades foi feita via e-mail, o que mostra que o projeto da Secretaria de

Educao do Paran, Grupo de Trabalho em Rede (GTR) fundamental e

importante para a formao dos professores do Paran e serve de exemplo para

outras Secretarias de Educao.

O Colgio oferece alm do Ensino Mdio, o curso de Formao de Docentes

e o curso de Tcnico em Administrao. Logo no incio das leituras pertinentes ao

tema em questo, surgiu um ponto de interrogao quanto ao curso de Formao de

Docentes, uma vez que l esto se formando os futuros professores de 1 4 srie.

A preocupao se deve ao fato da necessidade de estes alunos serem capacitados

para a leitura cartogrfica, caso contrrio, quando professores tero dificuldade na

alfabetizao cartogrfica dos seus alunos.

12

Quanto ao perfil do grupo de professores de Geografia deste Colgio,

encontram-se docentes formados na dcada de 80, bem como docentes recm-

formados, portanto, alguns com uma formao de cunho tradicional e outros com

uma formao histrico-crtica. Alguns professores tm dificuldade em lembrar como

foi sua formao cartogrfica, no entanto, o mais preocupante o fato do docente do

Curso de Formao de Docentes, da disciplina de Metodologia de Geografia,

formado em Pedagogia, nunca ter tido Cartografia em sua formao. No se est

aqui julgando o trabalho e o empenho da professora em ministrar esta disciplina, que

pelo contrrio grande, prova disto o seu interesse em obter o mximo de

informaes destes encontros de discusso. No entanto, ficou clara a dificuldade

que a docente enfrenta para ministrar a sua aula, relatado por ela mesma. Cabe

ressaltar que esta disciplina dada por um Pedagogo, por ser norma do setor

responsvel pelo curso de Formao de Docentes do Ncleo Regional de Educao.

Mas o que mais preocupante o fato de que tanto os professores formados

h mais tempo como tambm os de formao recente tm diferenas muito grandes

no contedo ou do seu encaminhamento metodolgico, quanto disciplina de

Cartografia. Em levantamento realizado com os professores de Geografia do Colgio

Presidente Castelo Branco, 66% apontam como regular a sua formao acadmica,

no sentido que o habilite a desenvolver um programa destinado a levar o aluno a

dominar conceitos espaciais e sua representao. Justificam que a Cartografia foi

pouco trabalhada e/ou apenas como tcnica, ou ainda, por a instituio ter uma base

extremamente marxista, no fazer uso da Cartografia como recurso ou linguagem

(negao ao tradicional) para o Ensino de Geografia. Um professor aponta que para

dar conta na prtica diria em sala de aula, foi necessrio buscar em outros espaos

a formao necessria.

Um dado que merece ser citado se refere Cartografia digital ou

geoprocessamento, etc., com a qual nem os professores recm formados tiveram

contato na Universidade. Estamos na era digital, onde nossos alunos tm contato

com este material, sendo urgente repensar a formao dos professores e a

reciclagem dos que j atuam como docentes. Outro aspecto apresentado se refere

reduzida carga horria da disciplina de Cartografia no curso de Geografia.

Apesar da Lei de Diretrizes e Bases da Educao LDB, bem como os

Parmetros Curriculares Nacionais (PCNs) e as Diretrizes Curriculares Estaduais do

Paran (DCEs) de Geografia, indicar a importncia do despertar do entendimento

13

espacial do aluno, segundo Abreu; Carneiro (2006), em um artigo apresentado na

Revista Brasileira de Cartografia, o mesmo no se aplica s diretrizes curriculares

dos cursos de graduao em Geografia que, por no darem a nfase

correspondente s exigncias dos documentos reguladores, permitem que cursos de

licenciatura em Geografia possuam, em suas matrizes curriculares, pouco ou

nenhum contedo voltado para a educao cartogrfica. Apesar da maioria dos

cursos de Geografia apresentar em sua grade contedos cartogrficos, so os

temas especficos de educao cartogrfica que capacitam o professor para

trabalhar os contedos cartogrficos voltados para o entendimento das crianas,

utilizando metodologias adequadas a cada faixa etria, atravs de processos ldicos

e do despertar da percepo espacial.

Inicia-se desta forma uma circulo vicioso, pois com a deficincia n formao

do professor, o aluno no aprende os contedos cartogrficos; logo depois este

aluno entra em uma faculdade e ou universidade que forma professores de

Geografia, e novamente esses contedos no so repassados. Este professor

recm-formado, quando for exercer a docncia, lecionando Cartografia quem sabe

para alunos de um curso de graduao em uma faculdade, dar continuidade a

disseminao do analfabetismo cartogrfico em todos os nveis de ensino.

Quanto ao grupo de professores pesquisado, apenas 33% dos professores

afirmam que tiveram uma boa base cartogrfica na sua formao acadmica, mas o

preocupante o fato de que os conhecimentos cartogrficos ministrados tenham

sido quase que em sua totalidade de cunho tcnico, o que no possibilita ao futuro

professor sair da Universidade dominando uma metodologia capaz de fazer uso da

Cartografia para o Ensino de Geografia, que o fundamental para que o aluno saiba

passar da fase de localizao de pontos no mapa, para a anlise, relao e sntese.

Com relao s dificuldades encontradas e citadas pelos professores, na

prtica do Ensino de Geografia, usando a Cartografia como linguagem, aponta-se:

a dificuldade dos alunos dominarem os conceitos cartogrficos e

prticos da Cartografia dos alunos que chegam ao Ensino Mdio;

a diferena de conhecimentos bsicos sobre escala, coordenadas,

legenda, etc. entre alunos da mesma srie, uma vez que eles chegam

ao 1 ano do Ensino Mdio, vindo de diversas escolas;

a falta de material elaborado, como acervo de mapas, maquetes;

14

ausncia de um laboratrio de Geografia ou sala ambiente e/ou

material cartogrfico na prpria sala de aula;

a carga horria disponvel e o enorme contedo a ser ministrado e

pouca possibilidade da construo de um material concreto com os

alunos;

os livros didticos que trazem mapas com informaes incompatveis

com as informaes dos textos que o explicam, ampliando a

dificuldade de interpretao do aluno;

a prpria deficincia na formao do professor quanto ao uso da

Cartografia no Ensino de Geografia.

So unnimes os professores ao afirmarem que se faz necessrio mudar em

relao ao uso da Cartografia no Ensino de Geografia. Muitos no sabem bem

como, outros afirmam ser necessrio planejar e discutir com seus pares.

Em um artigo da revista on-line Caminhos de Geografia, os autores Sampaio;

Menezes; Melo (2005), analisam uma proposta de contedo da disciplina de

Geografia, em todas as sries das escolas de EF e de EM, para uso da rede

municipal, estadual e privada, do municpio de Uberlndia. Nesta proposta anotou-se

um total de 94 (noventa e quatro) assuntos a serem ensinados. Destes, 51

(cinqenta e um) assuntos, a juzo dos autores da anlise, so assuntos em que os

conhecimentos de Cartografia so importantes para o entendimento. E aqueles que

no foram destacados necessitariam de, pelo menos, um mapa para apoiar o estudo

da pauta, o que mostra, tambm, o valor da Cartografia, especialmente da

Cartografia Temtica, em apoio a temas diversos. Fica evidente a importncia da

Cartografia para o Ensino de Geografia e a necessidade de uma boa formao

acadmica do professor, para dar conta de um bom Ensino de Geografia.

Quanto ao grupo de professores do Colgio Presidente Castelo Branco,

perguntados com que freqncia utilizam recursos da Cartografia (mapa, grficos,

globo, planta, maquete...) no Ensino de Geografia, 66% afirmam que usam

constantemente mapas, globo, maquetes, em sua aulas. Os demais justificam que

fazem uso apenas quando h esta sugesto no livro didtico ou quando consta no

mesmo. Mas percebe-se entre os que afirmam que fazem uso constante, que

utilizam mapas apenas para fins de localizao ou orientao, o que nos reporta a

15

uma metodologia tradicional com o uso dos mapas apenas como ilustrao, onde o

aluno no reflete, interpreta, analisa, compara ou generaliza, apenas recebe a

informao, memoriza e reproduz. Somente 33% trabalham os recursos

cartogrficos atravs da interpretao e anlise dos mesmos, sempre buscando

levar o aluno a refletir do por que destes fatos estarem ocorrendo em tal espao

relacionando com outras caractersticas deste espao, por exemplo, sobrepondo

mapas, como do relevo e de hidrografia e sua interligao com a localizao de

hidreltricas. No entanto, so unnimes em afirmar que o uso da Cartografia no

Ensino de Geografia muito pouca ou no bem usada, por diversas razes, alm

dos apontados anteriormente:

por falta de domnio das tcnicas cartogrficas pelos professores;

desinteresse ou acomodao do professor;

grande dificuldade em fazer uso devido formao deficitria;

a pouca experincia no exerccio da docncia;

falta de hbito dos professores em ilustrar, analisar, comparar o

espao geogrfico atravs da Cartografia;

o vazio que ficou na transio da Geografia Tradicional para a

Geografia Crtica, mais presa as questes sociais e contra as prticas

consideradas tradicionais;

pelo fato de professores no acharem importante o seu uso, devido a

sua formao acadmica.

Tambm fica claro que os materiais didticos (mapas, maquetes, livro

didtico, globo, etc.) tm sido mais utilizados como fonte de informao conceitual e

muito menos como meios, nos quais o fazer de alunos e professores se combinem

para que o aluno possa confrontar conhecimentos, desenvolver habilidades,

problematizar questes geogrficas, etc.

Cabe a Geografia proporcionar ao educando a aprendizagem da leitura

espacial. Mesmo que todo cidado tenha noes espaciais, a Geografia em

particular a cincia que sistematiza os procedimentos de leitura e escrita da

linguagem cartogrfica. Desta forma, precisamos deixar para trs o tempo em que,

nas aulas de Geografia somente se copiava mapas, pela simples razo de copi-los.

16

preciso ir alm, buscando uma anlise das relaes que ocorrem no espao

geogrfico, bem como discutir as intenes de quem produziu estes mapas.

Percebe-se que a formao do professor fundamental para que o mesmo

tenha plena condio de realizar um trabalho profcuo no uso da Cartografia como

meio para o Ensino de Geografia. O discente do curso de Licenciatura em Geografia

que estuda e se prepara para ministrar aulas de Geografia para alunos de Ensino

Fundamental, Ensino Mdio e Ensino Superior, precisam compreender a relao

estabelecida entre o homem e o espao. Os conhecimentos de Cartografia so de

extrema importncia no estabelecimento desta relao.

Portanto, se o aluno do Ensino Fundamental ou do Ensino Mdio, alm de

saber ler um mapa para localizar geograficamente um rio, uma cidade, ou saber que

a Cordilheira dos Andes situa-se na poro oeste da Amrica do Sul, precisa saber

tecer interpretaes e anlises sobre o mapa, o aluno licenciado em Geografia

precisa ao se formar, saber fazer uso da Cartografia como um instrumento

importante para a construo do saber e levar o aluno a compreender o espao

como produto das relaes da sociedade, bem como usar a Cartografia como

instrumento do espao geogrfico.

Em outra questo da pesquisa, os professores foram unnimes em afirmar

que a realidade no Ensino de Geografia com uso da Cartografia precisa ser mudada,

embora muitos no soubessem apontar uma soluo, algumas sugestes foram

apresentadas:

uma reviso terica do que Geografia e para que serve na escola, j

mudaria a forma de atuar de muitos professores;

troca de informaes e de idias entre os profissionais da rea seria de

grande valia, para compartilhar experincias que deram certo ou no;

oferecer curso da formao aos professores quanto ao uso da Cartografia;

ao escolher o livro didtico, observar como apresenta a Cartografia no Ensino

de Geografia;

montar nas escolas um material cartogrfico a ser utilizado nas aulas;

formar grupos de estudo para alm das capacitaes oficiais;

as escolas adquirirem um acervo maior de mapas, que abordem os diversos

temas do espao geogrfico, globo, maquetes, cartas topogrficas, etc.;

17

fazer um planejamento das aulas, visando superar a deficincia dos alunos no

uso da Cartografia, atravs de atividades especficas;

5. CONCLUSO

Pelo que foi exposto, conclumos que o assunto extremamente amplo e

muito se tem a contribuir para o melhoramento e facilitao do aprendizado e do

Ensino de Geografia usando a Cartografia. necessrio um estudo amplo e

detalhado sobre o ensino da Cartografia nos cursos superiores de Licenciatura em

Geografia, quanto a carga horria da disciplina de Cartografia, quanto ao

encaminhamento metodolgico, bem como observar como o aluno chega e sai da

faculdade em termos de conhecimento de Cartografia, a fim de romper com crculo

vicioso da disseminao do analfabetismo cartogrfico.

preciso tambm analisar a grade curricular desta(s) matria(s) ministrada(s)

nas Universidades pblicas e privadas do pas, para que se d mais nfase a uma

Cartografia Temtica e menos tcnica, com temas especficos de educao

cartogrfica que capacitam o professor para trabalhar os contedos cartogrficos

voltados para o entendimento das crianas, utilizando metodologias adequadas a

cada faixa etria, atravs de processos ldicos e do despertar da percepo

espacial.

necessrio tambm observar as mudanas que a Lei de Diretrizes e Base,

os Parmetros Curriculares Nacionais e as Diretrizes Curriculares do Paran

trouxeram para o Ensino de Geografia e como a Cartografia contemplada, uma

vez que pelas Diretrizes Curriculares, ela apenas uma linguagem e no mais um

contedo a ser ensinado no Ensino Mdio, embora seu uso como linguagem fica

comprometido, devido ao analfabetismo cartogrfico de grande nmero de alunos.

Fica clara a necessidade de uma proposta de trabalho para buscar superar esta

deficincia na leitura cartogrfica dos alunos do Ensino Mdio.

necessrio se pensar na motivao de professores e alunos dos cursos de

Geografia em relao grande ferramenta que a Cartografia para o Ensino de

Geografia, como uma efetiva possibilidade de levar o aluno a compreender o espao

como produto das relaes da sociedade.

18

Tambm se faz necessrio as escolas terem a estrutura material em apoio ao

Ensino de Geografia, atravs da aquisio e/ou da construo com os alunos, de

material cartogrfico, tendo um espao prprio para a sua guarda.

E por fim, de fundamental importncia a ampliao da carga horria da

disciplina de Cartografia nos cursos de Geografia e o estabelecimento de cursos de

aperfeioamento e/ou especializao especficos de Cartografia, para melhor

preparar o professor de Geografia, que j se formaram e tem deficincia no domnio

da linguagem cartogrfica no Ensino de Geografia.

6. REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

ABREU, Paulo Roberto F. de; CARNEIRO, Andria F. T. A educao cartogrfica na formao do professor de Geografia em Pernambuco. Revista Brasileira de Cartografia, n 58/01, 2006, p. 43-48. disponvel em: http://www.rbc.ufrj.br/_pdf_58_2006/58_01_5.pdf > acesso em: 29 novembro 2008.

ALMEIDA, Rosangela Doin de; PASSINI, Elza Y. O Espao Geogrfico: ensino e representao. 6 ed. So Paulo: Ed. Contexto, 1998. 90 p.

ANDRADE, Manuel Correia de. Geografia, Cincia da Sociedade: uma introduo anlise do pensamento geogrfico. So Paulo: Atlas, 1987.

BOMFIM, Natanael Reis. A imagem da Geografia e do Ensino de Geografia pelos Professores das sries iniciais. Estudos Geogrficos: Revista Eletrnica de Geografia: p. 107-116, 2006. disponvel em:cecemca.rc.unesp.br/ojs/index.php/estgeo/article/viewPDFInterstitial/210/176 ou em http://cecemca.rc.unesp.br/ojs/index.php/estgeo > acesso em 29 novembro 2008.

CASTROGIOVANNI, Antnio Carlos. Apreenso e compreenso do espao geogrfico. In: In: CASTROGIOVANNI, Antnio Carlos. A Geografia em sala de aula: prticas e reflexes. (Org.) et al, Porto Alegre: AGB, 1998.

FRANCISCHETT, Mafalda Nesi. A Cartografia no ensino de Geografia: Construindo os Caminhos do Cotidiano. Rio de Janeiro: Litteris Ed.: KroArt. 2002.

FRANCISCHETT, Mafalda Nesi. A Cartografia no ensino de Geografia: a aprendizagem mediada. Cascavel, EDUNIOESTE, 2004. 198 p.

19

http://cecemca.rc.unesp.br/ojs/index.php/estgeohttp://www.rbc.ufrj.br/_pdf_58_2006/58_01_5.pdf

GOMES, Paulo Csar da Costa. Geografia e modernidade. 5 ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005.

JOLY, Fernand. A Cartografia. Campinas: Papirus, 1990.

LACOSTE, Yves. Isso serve, em primeiro lugar, para fazer a guerra. 11 ed. Campinas, SP: Papirus, 2005.

MARTINELLI, Marcelo. A cartografia escolar na abordagem temtica da geografia. IV Colquio de cartografia para escolares e I Frum Latino americano. Boletim de Geografia. Universidade Estadual de Maring, Departamento de Geografia. Ano 19, n. 2 Maring/Pr, 2001.

MARTINELLI, Marcelo. Cartografia ambiental: que Cartografia essa? In: SANTOS, M. et al, (Org.). O Novo Mapa do Mundo. So Paulo: Hucitec, 1993, p.232-242.

MARTINELLI, Marcelo. Curso de Cartografia temtica. So Paulo: Editora Contexto, 1991.

MATIAS, Lindon Fonseca. Cartografia e Ensino: em busca de novas abordagens tericas e metodolgicas. IV Colquio de cartografia para escolares e I Frum Latino americano. Boletim de Geografia. Universidade Estadual de Maring, Departamento de Geografia. Ano 19, n. 2 Maring/Pr, 2001.

MORAES, Antonio Carlos Robert. Geografia: pequena histria crtica. 5 ed. So Paulo: Editora Hucitec, 1986.

PARAN. As Diretrizes Curriculares da Educao Bsica do Paran. Curitiba: SEED, 2006. Disponvel em www. diaadiaeducacao.pr.gov.br.

PASSINI, Elza Y. Alfabetizao Cartogrfica e o livro didtico: uma anlise crtica. Belo Horizonte: Ed. L, 1994. 94 p.

SAMPAIO, Antonio Carlos Freire; MENEZES, Paulo Mrcio Leal de; MELO, Adriany de vila. O Ensino de Cartografia no curso de Licenciatura em Geografia: uma

20

discusso para a formao do Professor. Revista on-line Caminhos de Geografia 3, p. 14-22, 2005. Disponvel em: http://www.ig.ufu.br/revista/caminhos.html. > Acesso em: out 2007.

SANTOS, Clzio. Cartografia temtica no ensino Mdio: do tema representao grfica. IV Colquio de cartografia para escolares e I Frum Latino americano. Boletim de Geografia. Universidade Estadual de Maring, Departamento de Geografia. Ano 19, n. 2 Maring/Pr, 2001.

SANTOS, Milton. A natureza do Espao: Tcnica e Tempo, Razo e Emoo. 4 ed. So Paulo: Editora da Universidade de So Paulo, 2006.

SCHFFER, Neiva Otero. O livro didtico e o desempenho pedaggico: anotaes de apoio escolha do livro texto. In: CASTROGIOVANNI, Antnio Carlos. A Geografia em sala de aula: prticas e reflexes. (Org.) et al, Porto Alegre: AGB, 1998.

SILVA, Eliane Alves da. A importncia do Atlas e da cartografia no ensino mdio e fundamental. In: ARCHELA, Rosely S.; FRESCA, Tania M.; SALVI, Rosana F. (Org.) Novas tecnologias. Londrina: Ed. UEL, 2001.

SIMIELLI, Maria Helena Ramos. Cartografia no ensino fundamental e mdio. In: CARLOS, Fani Alessandri. (Org.). A Geografia na sala de aula. 2 ed. So Paulo: contexto, 2000.

SIMIELLI, Maria Helena Ramos. Primeiros Mapas: como entender e construir. 7 ed. So Paulo: ed. tica, 2006.

SODR, Nelson Werneck. Introduo Geografia: Geografia e Ideologia. 5 ed. Petrpolis, RJ: Vozes, 1986.

21

http://www.ig.ufu.br/revista/caminhos.html