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Boletim Informativo Nova Acrópole Lisboa de Março - Abril 2012

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  • ALETHEIAO Voo da Filosofia

    Publicao da Associao Cultural Nova Acrpole | Distribuio Gratuita | Mar12 N1

    H algo que sempre preocupou os filsofos: a vida e os seus dife-rentes aspectos; se a vida continua, se a morte existe; o que que nos sucede quando nos retiramos deste cenrio do mundo E h algo que a mim, pessoalmente, me chamou a ateno e que o facto de no momento actual haver tantos milhes de pessoas con-denadas morte. Todos havemos de morrer. s vezes pensamos, dadas as caractersticas um pouco materialistas deste momento histrico, que melhor no reflectir muito sobre isto. Pensamos sempre que vai acontecer aos outros; no entanto, obvio que to-dos nascemos, vivemos e havemos de morrer.

    Desperta-me muito a ateno, como filsofo e como homem, o facto de no haver uma preocupao mais profunda sobre o que a vida e qual o seu sentido. H coisas que afectam a uns e no afectam a outros, como os problemas polticos, econmicos, mas h um problema comum que o facto de que todos vamos morrer. Por isso surpreende-me, como filsofo e como homem, que haja tantos milhes de pessoas que no se preocupem seria-mente em perguntar-se a si prprias e em perguntar aos grandes focos de Sabedoria da Antiguidade e aos grandes pensadores ac-tuais o que que isto significa, e o que h por detrs de tudo isto.

    Sabemos hoje que todas as coisas, de algum modo, esto vivas. Outrora diferenciava-se os seres orgnicos dos seres inorgnicos, e ainda hoje, em Qumica, continua-se a falar de Qumica org-nica e inorgnica. Assim, se algum nos pergunta, dizemos que um ser vivo um gato, um co, uma pessoa, mas no uma janela ou um pedao de madeira. Porqu?

    As investigaes actuais, recolhidas atravs dos tempos, ensi-nam-nos que a constituio de todas as coisas, de todos os seres, parte de elementos comuns: qumicos, relaes fsicas, trmicas, elctricas, magnticas, etc.

    Sei que muito difcil poder dizer onde est a vida e on-de no est. Talvez nos parea a ns que

    quando acariciamos um gato ou lhe

    batemos, e

    ele ronroneia ou grita, est vivo. Mas quando damos uma pan-cada na madeira tambm h um som esse som a voz da ma-deira. E se a quebrssemos, essa madeira faria um crack, e es-se crack o grito de agonia de um ser que morre. Do ponto de vista filosfico, no podemos diferenciar o que est vivo e o que no est.

    Uma coisa que a Filosofia Clssica nos ensina a no traba-lhar com absolutos: neste mundo tudo relativo. Aqui no h coisas absolutamente grandes, nem absolutamente pequenas; no existe o preto e o branco, no existe nada que tenha carac-tersticas absolutas. No mundo manifestado todas as coisas so relativas. Estou a falar-vos, estou a dizer-vos algumas palavras e, no entanto, h quinze minutos atrs eu no estava a falar con-vosco e dentro de meia hora tambm no estarei; so simples funes do momento que no h que confundir com a essn-cia das coisas.

    Uma coisa no m nem boa em si, mas sim pelo uso que se lhe d; uma faca, por exemplo, nas mos desses delinquentes e assaltantes que h nas ruas, um instrumento de morte, de opresso e, no entanto, uma faca nas mos de um cirurgio um elemento de bem, de salvao. Ento, a faca boa ou m? Isso uma relatividade. Este estrado de onde estou a falar-vos grande ou pequeno? Se o compararmos com uma formiga enorme, se o compararmos com a cidade de Madrid nfimo. No espao no teria nem tamanho, nem idade.

    Se ns comearmos por considerar os problemas da vida com este critrio, provvel que cheguemos a concluses que talvez no sejam perfeitas, mas sim humanas, e que nos ajudaro a vi-ver. E aqui est o primeiro problema que se nos coloca: o que a Vida? As caractersticas que damos aos seres vivos so proprie-dades dos seres vivos, mas no da Vida em si.

    Plato faz uma diferenciao entre o Belo e as coisas belas. Suponhamos um jardim; vemos uma esttua, uma pessoa e di-zemos que esse jardim, essa esttua, essa pessoa, so belos. Porqu? Porque participam da essncia do Belo. Ou seja, o Belo seria uma Essncia, um Ser que est para alm de todas as manifestaes e que apenas se reflecte nelas; atravs delas vamo-lo descobrindo, ainda que, tal como a areia, se nos es-capa das mos, e quanto mais a apertamos mais nos escapa.

    Assim, podemos deduzir que tudo o que nos rodeia est vivo.

    A Vida em si, segundo os antigos filsofos, exprime-se co-mo uma actividade, uma banda de actividade e dizemos que tudo aquilo que est dentro dela est vivo e aquilo que no est nela teria uma vida diferente que, por vezes, no pode-mos compreender muito bem.

    Se Deus existe, se os Deuses existem, estaro vivos, mas nu-ma outra dimenso diferente desta em que nos encontramos. Estaro num outro grau de conscincia e tambm estaro nu-ma outra ordem do tempo. O tempo tambm muito relativo. Para um pequeno insecto, algumas horas representam toda a sua vida; para uma estrela, a nossa existncia humana um instante. Da que tambm as medidas do tempo sejam muito relativas. E dentro destas relatividades que teremos de en-contrar o sentido oculto da Vida.

    O que a Vida? Para que que existe? E mais ainda: o que que nos possibilita a Vida? Como se manifesta? H tantas dou-

    trinas, tantos ensinamentos.

    O Sentido Ocultoda Vida

  • H teorias materialistas que afirmam que a Vida surgiu casualmente, que o choque de determinados elementos que no tm vida, ao porem-se em contacto, produziram a chispa da Vida e essa chispa vai-se perpetuando.

    evidente que, do ponto de vista filosfico, esta teoria no muito sli-da, porque O que que move a casualidade? Poderamos responder que nada, mas ser que nada pode mover algo? impossvel. Toda a coisa que se move necessita de um motor, de algo que a faa mover, mesmo que seja um motor como o de Aristteles, que ele concebia imvel em comparao com todas as coisas que se moviam; porque as relaes de velocidades tam-bm so muito relativas.

    Por outro lado, as crenas religiosas transmitem-nos a ideia de um Ser Csmico, superior, muitas vezes personalizado, que infunde a Vida nas su-as criaturas. Mas quem que criou esse ser, Deus, Deuses ou como lhe queramos chamar? muito difcil poder abarcar com a nossa mente esse conhecimento.

    H um ensinamento que os meus antigos Mestres me deram e que, creio eu, poder servir a todos: imaginar que a nossa mente, a nossa mente con-creta no a nossa mente mais elevada , uma espcie de colher; se sub-mergirmos essa colher num copo de gua extrairemos um decmetro cbi-co de gua, e se a submergirmos no Oceano Pacifico tambm extrairemos um decmetro cbico de gua. Ou seja, o problema no est no lugar onde submergimos a nossa pergunta para obter respostas, mas sim em aumentar o nosso campo de conscincia para poder captar e compreender cada vez mais; e isto um trabalho individual.

    A Filosofia Acropolitana prope um crescimento individual, independen-temente de nos podermos associar para estar juntos, para conversar, para realizar uma obra cientfica, literria ou, como estamos a fazer agora, para ouvir uma palestra quase informal vestida de conferncia. Mas, para alm de tudo isso, h a procura e o encontro de cada um com ele prprio e com os seus problemas.

    S os encontros individuais nos do a segurana interior de que necessi-tamos; tudo o resto, de uma maneira ou de outra, so crenas, e no me re-firo apenas ao aspecto religioso.

    Os materialistas troam da existncia dos Espritos da Natureza, ou dos An-jos, ou Deuses. E qual o seu argumento? Que nunca os viram. Perante isso, a resposta filosfica muito simples: Voc j viu algum tomo? J mediu al-guma vez a distncia entre a Terra e a Lua? J alguma vez visitou o Japo? Assim, tambm eu posso pr em dvida a existncia dos tomos, a distncia da Terra Lua ou a realidade do Japo.

    No geral, salvo excepes, nenhum de ns fez uma experincia pessoal e directa sobre o assunto. Aceitamo-los simplesmente, como aceitamos a existncia de Tria. Deste modo, no assim to difcil aceitar como hip-tese de trabalho a existncia de Seres Inteligentes, se bem que invisveis, que esto de alguma forma a manejar a Vida, embora no os vejamos.

    Um homem da poca carolngia tambm no via os micrbios nem ne-nhum tipo de bactrias; no entanto, nessa poca houve pestes que se alas-traram por toda a Europa e os ditos vrus existiam, embora no fossem vis-tos. Talvez existam Seres que impulsionam ou manejam a Fora da Vida, ainda que no os vejamos directamente, mas sim atravs dos seus efeitos, j que, no geral, vemos tudo atravs dos efeitos. Se agora soltasse o micro-fone, este cairia. Ser que veriam a lei da gravidade? No, veriam apenas um microfone a cair e nada mais. A massa da Terra, muito maior do que a massa do microfone, fez com que este casse. Vimos o efeito de uma lei na-tural, mas no vimos a lei em si.

    O que vemos na Vida so nada mais do que manifestaes externas. Se-guindo esta linha de pensamento, quem nos assegura, ento, que no exis-timos antes de estar aqui, neste plano, e que no continuaremos a existir quando j no estivermos aqui? Do ponto de vista lgico, do ponto de vis-ta filosfico, no podemos de modo algum negar a existncia de uma Vida contnua, de um fluxo em constante manifestao.

    Algum poder pensar que tudo isto tem uma durao limitada, na or-dem de muitos milhes de anos. Talvez, mas para ns isso uma eternida-de. Os velhos livros orientais falam-nos dos Manvantaras ou dos Pralayas: para ns so eternidades, embora tenham um nmero, real ou no, de anos de durao.

    Os antigos pensavam que todas as coisas manifestadas estavam dentro de um grande Macrobios, de um imenso Ser vivo. Os hindus chamam-lhe Brahma que desperta e dorme, que desperta e dorme A mesma histria existe no Ocidente quanto ao Rei do Mundo, que est desperto durante um perodo de tempo e dorme num outro. Pelos vistos, existe algo contnuo que vemos como descontnuo porque fixamos a ateno ora num ponto ora noutro.

    Da que os antigos filsofos tenham dito que todo este Universo no

    uma casualidade, mas si