aguas industriais, controle de efluente

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Águas industriais, controle de efluentes físico-quimicos e biológicos - Jsé Carlos Azzoli

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  • 7guas industriais: controle fsico-qumico e biolgico do efluente e medida da eficincia do tratamento na

    agroindstriaJos Carlos Azzolini*

    Eduarda de Magalhes Dias Frinhani**

    Lucas Fernando Fabro***

    Resumo

    Este trabalho contemplou um estudo experimental, relacionado com o monitoramento da eficincia do sistema de tratamento de efluentes de uma agroindstria da regio do Meio-Oeste de Santa Catarina. A partir da determinao dos parmetros fsico-qumicos e biolgicos da gua, procurou-se avaliar a eficincia e o processo do sistema de tratamento de efluentes utilizados pela empresa, como objeto de estudo. Tambm foi avaliada a qualidade do efluente liberado pela respectiva empresa no corpo receptor. O tema foi determinado pela intensa atividade dos setores agroindustriais nessa regio, fazendo com que haja uma produo de grandes volumes de efluentes que contribuem diretamente no ndice de poluio das guas dos rios receptores. Por esse motivo, h a necessidade de monitoramento dos sistemas de tratamento utilizados pelas empresas dessa natureza; estes, por sua vez, devem ser condizentes com os padres estabelecidos pelas legislaes vigentes: Resoluo do CONAMA n. 357, de 17 de maro de 2005 e Lei n. 14.675, de 13 de abril de 2009. A realizao do trabalho ocorreu em uma agroindstria, denominada neste trabalho como empresa A, que utiliza sistema de tratamento de efluentes do tipo lodo ativado. As amostras dos efluentes para anlise em laboratrio foram coletadas em cinco pontos determinados e considerados estratgicos na empresa e no corpo receptor. Os resultados obtidos por meio das anlises fsico-qumicas e biolgicas em laboratrio, demonstraram que os parmetros de qualidade temperatura, turbidez, pH, oxignio dissolvido, cor, fsforo total, surfactantes, mangans, ferro, DBO e leos e graxas, esto de acordo com os padres estabelecidos pelas legislaes vigentes, demonstrando que o sistema de tratamento de efluentes utilizado pela empresa A est operando com eficincia. Quanto ao parmetro DQO, as legislaes em vigor citadas no estabelecem padres determinados.Palavras-chave: Lodo ativado. Lanamento. Efluente.

    1 INTRODUO

    Segundo o Centro de Informaes Metal Mecnica (CIMM) ([199-?]), importante destacar que toda atividade humana, de carter empresarial, traz consequncias ambientais. No passado, a contaminao gerada pelas empresas era entendida como uma consequncia inevitvel nos processos industriais, o que desencadeou uma grande deteriorao ambiental em muitas regies do mundo.

    De acordo com Jordo e Pessa (1995), existe atualmente uma grande preocupao em relao ao grau de tratamento e ao destino final dos efluentes, bem como as suas consequncias sobre o meio ambiente. Dessa forma, um argumento que chama a ateno no apenas dos engenheiros, especialistas e tcnicos, mas tambm das organizaes ambientalistas e da sociedade.

    * Universidade do Oeste de Santa Catarina; jose.azzolini@unoesc.edu.br** Universidade do Oeste de Santa Catarina; eduarda.frinhani@unoesc.edu.br*** Universidade do Oeste de Santa Catarina; lucasfabro@hotmail.com

    Unoesc & Cincia ACET, Joaaba, v. 2, n. 1, p. 7-18, jan./jun. 2011

  • 8Jos Carlos Azzolini, Eduarda de Magalhes Dias Frinhani, Lucas Fernando Fabro

    Unoesc & Cincia ACET, Joaaba, v. 2, n. 1, p. 7-18, jan./jun. 2011

    Existem diversos tipos de tratamentos de efluentes para amenizar esses problemas, um deles o sistema de lodos ativados. Para que esse sistema possua uma boa eficincia, necessrio que seja acompanhado por meio de anlises fsico-qumicas e biolgicas, em que se possa ter uma viso tcnica em relao qualidade das guas dos efluentes ali tratados. *

    Para Zardo (2007), com o aumento da exigncia nos padres de descarte de efluentes e resduos, indispensvel que o tratamento seja eficaz no sentido de garantir a qualidade deles. Dessa forma, fica clara a necessidade de acompanhamento da eficincia de sistemas de tratamentos utilizados no meio industrial, para que produzam efluentes de satisfatria qualidade fsica-qumica e biolgica, no comprometendo as caractersticas do corpo receptor e a sade da populao.

    O objetivo deste trabalho foi realizar um estudo sobre a eficincia do sistema de tratamento de efluentes por lodo ativado de uma agroindstria localizada na regio Meio- Oeste de Santa Catarina. Objetivou-se, tambm, acompanhar e verificar, por meio de anlises fsico-qumicas e biolgicas, a carga orgnica recebida pelo respectivo sistema de tratamento e a qualidade da gua resultante deste, liberada para o rio receptor.

    2 REVISO BIBLIOGRFICA

    2.1 CARACTERIZAO DOS EFLUENTES

    De acordo com a Norma Brasileira (NBR 9800/1987), efluente lquido industrial o despejo lquido proveniente do estabelecimento industrial, compreendendo emanaes de processo industrial, guas de refrigerao poludas, guas pluviais poludas e esgoto domstico.

    Para Giordano (2004), aps a utilizao das guas pelas indstrias, os diversos resduos e/ou energias so incorporados modificando-lhes as suas caractersticas fsicas, qumicas e biolgicas, gerando assim os efluentes lquidos. Para a avaliao da carga poluidora dos efluentes industriais, so necessrias as medies de vazo in loco e a coleta de amostras para anlise de diversos parmetros sanitrios que representam a carga orgnica e a carga txica dos efluentes. Os parmetros utilizados so organizados de forma que melhor signifiquem e descrevam as caractersticas de cada efluente.

    Segundo o Centro de Informaes Metal Mecnica (CIMM) ([199-?]), sabendo a vazo e a composio do efluente industrial, possvel determinar as cargas de contaminao, o que fundamental para definir o tipo de tratamento, avaliar o enquadramento na legislao ambiental e estimar a capacidade de autodepurao do corpo receptor. Desse modo, preciso quantificar e caracterizar os efluentes, para evitar danos ambientais, demandas legais e prejuzos para a imagem da indstria junto sociedade.

    2.2 PROCESSOS DE TRATAMENTOS DE EFLUENTE LQUIDO

    Giordano (2004) menciona que os sistemas de tratamentos de efluentes tm por objetivo fundamental atender legislao ambiental, e em alguns casos, ao reuso de guas. Para a determinao do processo de tratamento dos efluentes industriais, so testadas e utilizadas diversas operaes unitrias. Os processos podem ser classificados em fsicos, qumicos e biolgicos, em razo da natureza dos poluentes a serem removidos e/ou das operaes unitrias utilizadas para o tratamento.

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    2.3 LODOS

    De acordo com Cordi (2008), atualmente existe um grande interesse, tanto de ordem econmica quanto ambiental e social, de que os despejos domsticos e industriais sejam submetidos a tratamentos adequados antes do seu destino em corpos aquticos.

    Segundo Richter (2001), contemplam os mtodos alternativos para a disposio de lodos, lagoas com largo tempo de deteno, aplicaes no terreno, aterros sanitrios e aproveitamento de subprodutos. Os tratamentos baseados em processos biolgicos so os mais utilizados atualmente, considerando que podem ser aplicados maioria dos efluentes gerados, permitindo o tratamento de grandes volumes.

    Para Cordi (2008), o tratamento biolgico aerbio uma reproduo do mecanismo de biodegradao que ocorre naturalmente nos rios, autodepurao. Esse processo se realiza por meio da estabilizao biolgica da matria orgnica, na qual, em meio aerbio, as bactrias processam a matria orgnica por intermdio da respirao celular, promovendo a oxidao dos compostos orgnicos.

    2.4 SISTEMA DE TRATAMENTO POR LODO ATIVADO

    Segundo Sperling (2002), com a necessidade de tratamentos mais eficientes de efluentes em relao crescente regulamentao imposta pelos rgos fiscalizadores, o sistema de lodos ativados usado em grande escala, para o tratamento de guas residurias, domsticas e industriais, em situaes nas quais uma elevada qualidade do efluente indispensvel e a disponibilidade de rea reduzida. Todavia, pelo fato de ser implantada uma mecanizao superior ao de outros sistemas de tratamento, a manuteno e operao deste so menos simples. Outras desvantagens so o consumo de energia eltrica para aerao e a maior produo de lodo.

    Para Giordano (2004), o processo fundamentado no fornecimento de oxignio (ar atmosfrico ou oxignio puro), para que os micro-organismos biodegradem a matria orgnica dissolvida e em suspenso, transformando-a em gs carbnico, gua e flocos biolgicos formados por micro-organismos caractersticos do processo. Essa caracterstica utilizada para a separao da biomassa (flocos biolgicos) dos efluentes tratados (fase lquida). Os flocos biolgicos formados apresentam normalmente boa sedimentabilidade. De acordo com Sperling (2002), os seguintes itens so partes integrantes e a essncia de qualquer sistema de lodos ativados de fluxo contnuo:

    Tanque de aerao (reator);a) tanque de sedimentao (decantador secundrio);b) recirculao de lodo;c) retirada de lodo excedente.d)

    2.4.1 Variantes do processo

    Conforme Sperling (2002), existem diversas variantes do processo de lodos ativados que se dividem em:

    Diviso quanto idade do lodo;a) lodos ativados convencionais,- aerao prolongada,-

    Diviso quanto ao fluxo;b)

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    Jos Carlos Azzolini, Eduarda de Magalhes Dias Frinhani, Lucas Fernando Fabro

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    fluxo contnuo,- fluxo intermitente (batelada),-

    Diviso quanto ao afluente etapa biolgica do sistema de lodos ativados;c) esgoto bruto,- efluente de decantador primrio,- efluente de reator anaerbio,- efluente de outro processo de tratamento de esgotos.-

    Os sistemas de lodos ativados so classificados de acordo com a idade do lodo, tanto para sistemas de fluxo contnuo quanto para intermitente. Porm, a aerao prolongada mais comum em sis