Agroecologia short-port

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<ul><li> 1. de Miguel Altieri1 edio: 1998Direitos reservados desta edio:Universidade Federal do Rio Grande do SulCapa: Carla M. LuzzattoTraduo: Marlia Marques LopesReviso tcnica: Maria Jos Guazzelli Cludia Job SchmittReviso: Cludia Bittencourt Mnica Ballejo Canto Maria da Glria Almeida dos SantosArte-nal dos desenhos: Rubens Renato AbreuEditorao eletrnica: Priscila dos Santos NovakMiguel AltieriEngenheiro-agrnomo pela Universidade do Chile (1974); mestre pela UniversidadeNacional da Colmbia (1976); PhD pela Universidade de Florida (1979); professor deAgroecologia na Universidade da Califrnia, campus de Berkeley, desde 1981; asses-sor cientco do Consrcio Latino-Americano de Agroecologia e Desenvolvimento(CLADES) desde 1989; coordenador geral do Sustainable Agriculture Networking andExtension (SANE) ligado ao PNUD (Naes Unidas) desde 1994; coordenador do Co-mit de ONGs do Comit Consultivo de Pesquisa Agrcola Internacional (CGIAR) desde1997. Principais publicaes: Agroecology: the science of sustainable agriculture (1995)e Biodiversity and pest management in agrosystems (1994). A468a Altieri, Miguel Agroecologia: a dinmica produtiva da agricultura sustentvel / Miguel Altieri. 4.ed. Porto Alegre : Editora da UFRGS, 2004. (Nome da coleo) 1. Agricultura Ecologia. I. Ttulo. CDU 631.58/.584.9:634.0.1Catalogao na publicao: Mnica Ballejo Canto CRB 10/1023ISBN 85-7025-538-1 </li> <li> 2. AGRADECIMENTOS A agroecologia o tema central e o princpio do que hojechamado agricultura sustentvel. Poucas pessoas tm trabalha-do com tanto afinco para desenvolver e explicar esse concei-to quanto Miguel A. Altieri, professor adjunto do College ofNatural Resources e do Center for Biological Control, Universityof California, Berkeley. Ele contribuiu com os elementos cen-trais deste segundo livro-guia do PNUD.1 Com uma experincianica, tambm coordena nosso programa global denominadoSustainable Agriculture Networking and Extension Programme(SANE-INT/93/201).2 Agradecemos igualmente a contribuiode Paul Faeth, assistente senior do Programa de Economia e Po-pulao do World Resources Institute (WRI),3 pela autorizaofornecida pelo WRI para a publicao do material do Sustaina-ble Agriculture and Rural Development (SARD)4 sobre econo-mia nesta edio. Grandes trechos do texto foram editados porRosemarie Philips. Linda L. Schmidt habilidosamente produziuo texto final em camera-ready para publicao. Esta obra no teria sido possvel sem o estmulo e levanta-mento de fundos de Luis Gomez-Echeverri, ento Diretor Interi-1 Programa de Desenvolvimento das Naes Unidas.2 Programa de Rede e Extenso em Agricultura Sustentvel.3 Instituto Mundial de Recursos.4 Agricultura Sustentvel e Desenvolvimento Rural. </li> <li> 3. no da Sustainable Energy and Environment Division (SEED)5 noBPPS e sem o gerenciamento e coordenao dos diferentes inputspor Friedrich Mumm von Mallinckrodt, Presidente e Conselhei-ro Tcnico em Agricultura Sustentvel e Segurana Alimentar doSEED. Gostaramos, tambm, de agradecer o trabalho e comen-trios dos colegas de vrias agncias, mas particularmente Divi-so de Assuntos Pblicos e ao Conselho Editorial do PNUD.5 Diviso de energia e ambiente sustentvel. </li> <li> 4. APRESENTAO QUINTA EDIO Por um novo sentido prtica da agricultura Na segunda metade do sculo XX, vrios pases latino-ame-ricanos engajaram-se na intitulada Revoluo Verde, um iderioprodutivo proposto e implementado nos pases mais desenvol-vidos aps o trmino da Segunda Guerra Mundial, cuja metaera o aumento da produo e da produtividade das atividadesagrcolas, assentando-se para isso no uso intensivo de insumosqumicos, das variedades geneticamente melhoradas de alto ren-dimento, da irrigao e da motomecanizao. Polticas pblicasnacionais foram criadas, tendo a pesquisa agrcola e a extensorural aliadas geralmente ao crdito agrcola subsidiado comoos principais instrumentos para a concretizao dessas polticas. No Brasil, a partir de meados da dcada de 1980, com a in-viabilizao dos subsdios ao crdito, tornam-se gradativamentemais visveis as conseqncias menos gloriosas do padro deagricultura introduzido com a Revoluo Verde. A contestao agricultura e s formas de organizao produtivas oriundas desseiderio traz em seu rastro uma srie de manifestaes sociais quepassam a adquirir crescente importncia e legitimidade nos anosmais recentes. </li> <li> 5. A crtica e o debate em torno de novas formas de agricultura(e de desenvolvimento) se intensificam a partir de alguns fatos emovimentos gerais, tais como: a) Uma crise generalizada nos pases de capitalismo pe-rifrico, a partir da dcada de 1950, mostrando que o progressono uma virtude natural que todos os sistemas econmicos etodas as sociedades humanas possuem (implicando tambm a cri-se do industrialismo e da idia de que o desenvolvimento iguala progresso material o qual, por sua vez, traz o bem-estar social, ou que o desenvolvimento tcnico-cientfico implica desenvol-vimento socioeconmico, progresso e crescimento). b) As crises sociais, expressas de diferentes maneiras, viaconcentrao de renda, de riquezas e da terra, o xodo rural e aviolncia em todos os sentidos. c) Uma crise ambiental, manifestada tambm de diferen-tes e graves formas, como, por exemplo, a degradao e a escassezdos recursos naturais, a contaminao dos alimentos etc. d) Uma crise econmica, a partir da diminuio dos n-veis mdios de renda e pela constatao de que a maioria dosprodutos incentivados pela modernizao agrcola deixou de seratrativa sob esse aspecto, inclusive algumas commodities. Neste ano de 2008 assume contornos importantes a discus-so sobre a crise alimentar mundial, com vrios argumentos emdebate e uma hiptese de fundo na cabea de muitos: se uma cri-se alimentar existe porque existiria tambm uma crise do padrode desenvolvimento imposto agricultura nos ltimos quarentaanos. Ainda que se ostente o aumento espetacular da produtivida-de nesses anos em alguns cultivos e atividades agropecurias, fato que as mencionadas crises geram problemas e impasses que gradu-almente comeam a ganhar momentum, indicando crescentes difi-culdades de manuteno do padro produtivo moderno implan-tado no perodo ps-guerra. No plano econmico, especialmente,destaca-se, como tendncia geral histrica nas dcadas recentes, a </li> <li> 6. elevao dos custos de produo associada queda real dos preospagos aos agricultores. Essa falta de sintonia ocorre, por certo, nospases nos quais os governos no conseguem manter subsdios aosagricultores e assegurar preos sociais dos alimentos compatveiscom o nvel de renda dos consumidores. Esse padro de produoinsustentvel ressaltado pelo professor Miguel Altieri neste livro:a falta de acesso dos produtores menos favorecidos a insumos ca-ros, bem como questes bsicas de igualdade socioeconmica, obs-taculizaram, em muito, a modernizao da agricultura nos pasesem desenvolvimento. Essas so algumas das muitas razes e motivaes queiriam produzir a entrada em cena, nos ltimos vinte anos, deexperincias diferentes daquela do padro proposto pelo ide-rio da Revoluo Verde, atraindo a ateno de profissionais dascincias agrrias e de outras reas do conhecimento, bem comode autoridades governamentais e, claro, de muitos agriculto-res pelo Brasil afora. Esse movimento cresceu e assumiu maiorcomplexidade, hoje sendo denominado de vrias maneiras, mui-tas vezes caracterizando sua feio tcnica ou produtiva strictosensu, na qual a agroecologia assume posio destacada. Todo a discusso em torno dessas novas formas de praticare viver a agricultura insere-se nestes ltimos anos no debate dasustentabilidade do desenvolvimento, indicando, genericamente,um objetivo social e produtivo, qual seja, a adoo de um padrotecnolgico e de organizao social e produtiva que no use deforma predatria os recursos naturais e tampouco modifiqueto agressivamente a natureza, buscando compatibilizar, comoresultado, um padro de produo agrcola que integre equilibra-damente objetivos sociais, econmicos e ambientais. Essa nova forma de praticar a agricultura mais sustent-vel traz, porm, alguns desafios:11 Conforme Maria Leonor Assad e Jalcione Almeida em Agricultura e sustentabilidade:contextos, desafios e cenrios, Cincia &amp; Ambiente, Santa Maria, n. 29, p. 21-22, 2004. </li> <li> 7. a) Um desafio ambiental considerando que a agricultura uma atividade causadora de impactos ambientais, decorrentes dasubstituio de uma vegetao naturalmente adaptada por outraque exige a conteno do processo de sucesso natural, visan-do ganhos econmicos, o desafio consiste em buscar sistemasde produo agrcola adaptados ao ambiente, de tal forma quea dependncia de insumos externos e de recursos naturais no-renovveis seja mnima. b) Um desafio econmico considerando que a agricultura uma atividade capaz de gerar, a curto, mdio e longo prazos,produtos de valor comercial tanto maior quanto maior for o va-lor agregado, o desafio consiste em adotar sistemas de produoe de cultivo que minimizem perdas e desperdcios e que apre-sentem produtividade compatvel com os investimentos feitos, eem estabelecer mecanismos que assegurem a competitividade doproduto agrcola no mercado interno e/ou externo, garantindo aeconomicidade da cadeia produtiva e a qualidade do produto. c) Um desafio social considerando a capacidade da agricul-tura de gerar empregos diretos e indiretos e de contribuir para aconteno de fluxos migratrios, que favorecem a urbanizaoacelerada e desorganizada, esse desafio consiste em adotar siste-mas de produo que assegurem gerao de renda para o traba-lhador rural e que este disponha de condies dignas de trabalho,com remunerao compatvel com sua importncia no processode produo. Considerando o nmero de famintos no planeta, eparticularmente no Brasil, necessrio que a produo agrcolacontribua para a segurana alimentar e nutricional. Consideran-do, ainda, que o contexto social no seja uma externalidade decurto prazo do processo produtivo e, portanto, do desenvolvi-mento, necessrio construir novos padres de organizao so-cial da produo agrcola por meio da implantao de reformaagrria compatvel com as necessidades locais e da gestao denovas formas de estruturas produtivas. </li> <li> 8. d) Um desafio territorial considerando que a agricultura potencialmente uma atividade capaz de se integrar a outras ati-vidades rurais, esse desafio consiste em buscar a viabilizao deuma efetiva integrao agrcola com o espao rural, por meio dapluriatividade e da multifuncionalidade desses espaos. e) Um desafio tecnolgico considerando que a agricultura fortemente dependente de tecnologias para o aumento da pro-duo e da produtividade, e que muitas das tecnologias, sobretu-do aquelas intensivas em capital, so causadoras de impactos aoambiente, urge que se desenvolvam novos processos produtivosnos quais as tecnologias sejam menos agressivas ambientalmente,mantendo uma adequada relao produo/produtividade. Esses desafios so tanto maiores e mais complexos quan-to maior for o nmero de limitaes impostas pela natureza e,para super-los, necessrio um profundo conhecimento sobreo meio, tanto em seus aspectos fsicos e biolgicos quanto emseus aspectos humanos. necessria uma nova (agri)cultura queconcilie processos biolgicos (base do crescimento de plantas eanimais) e processos geoqumicos e fsicos (base do funciona-mento de solos que sustentam a produo agrcola) com os pro-cessos produtivos, os quais envolvem componentes sociais, po-lticos, econmicos e culturais. Essa abordagem deve-se basearno conhecimento que se tem hoje do funcionamento dos ecos-sistemas terrestres: a) o equilbrio da natureza extremamentedelicado (e instvel) e os seres humanos podem modific-lo demaneira irreversvel, pelo menos em termos de escala de vidahumana; b) a Terra no um reservatrio ilimitado de recursos;c) no longo prazo, a sociedade jamais indenizada pelos danosambientais e pelos desperdcios de recursos naturais, nem emtermos econmicos, nem em termos sociais; d) o fictcio bem-es-tar de alguns segmentos sociais se d custa da explorao reale atual de excludos, que no usufruem vantagens econmicas esociais mnimas, e pelo comprometimento das novas geraes, </li> <li> 9. que tendem a se deparar com problemas sociais e econmicoscada vez mais complexos. No so poucos, pois, os desafios e enfrentamentos na dire-o de uma agricultura e de um desenvolvimento mais sustent-veis. Mas como tornar a agricultura brasileira mais sustentvel,garantindo os ganhos de produtividade agrcola atuais ou atmesmo os aumentando? Essa parece ser uma questo de peso, so-bre a qual todos os interessados no desenvolvimento deveriam sedebruar. Vrias tentativas de resposta j foram ensaiadas nos l-timos anos, por dentro e por fora do status quo reinante, algumasdelas atravs de um movimento que originalmente se chamou deagricultura alternativa (dcada de 1970) e que hoje se agrupaem torno das iniciativas de agricultura ecolgica.2 A agroecolo-gia tem sido difundida na Amrica Latina, em outros pases e noBrasil, em especial, como sendo um padro tcnico-agronmicocapaz de orientar as diferentes estratgias de desenvolvimentorural sustentvel, avaliando as potencialidades dos sistemas agr-colas atravs de uma perspectiva social, econmica e ecolgica.O objetivo maior da agricultura sustentvel que sustenta o en-foque agroecolgico a manuteno da produtividade agrcolacom o mnimo possvel de impactos ambientais e com retornoseconmico-financeiros adequados meta de reduo da pobreza,assim atendendo s necessidades sociais das populaes rurais. Muitos trabalhos, acadmicos ou no, foram produzidosnos ltimos anos sobre a agroecologia; eles buscaram aprofun-dar temas e analis-los, afirmando-a conceitualmente e enquantomodelo terico e prt...</li></ul>