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apostila de controle integrado de pragas

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  • TECNOLOGIA DE APLICAO DE AGROTXICOS

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    Universidade Federal de Viosa

    Nilda de Ftima Ferreira Soares - Reitora

    Demetrius David da Silva - Vice-Reitor

    CEAD - Coodenadoria de Educao Aberta e a Distncia

    Frederico Vieira Passos - Diretor

    Editorao Eletrnica: Hamilton Henrique Teixeira Reis.Reviso Final: Ecila Albuquerque Villani.

    CEAD - Prdio CEE, Avenida PH Rolfs s/nCampus Universitrio, 36570-000, Viosa/MGTelefone: (31) 3899 2858 | Fax: (31) 3899 3352

  • TECNOLOGIA DE APLICAO DE AGROTXICOS

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    CAPTULO 1

    TECNOLOGIA DE APLICAO DE AGROTXICOS

    A utilizao incorreta de agrotxicos seja pelo uso inadequado de dose, poca inadequada de aplicao, condies climticas adversas, associada ao desconhecimento dos recursos do equipamento aplicador e suas limitaes so fatores que contribuem para reduo da eficincia dos produtos, alm de aumentar o risco de intoxicao humana e contaminao ambiental.

    Os agrotxicos, para terem ao eficiente, necessitam ser distribudo da maneira mais uniforme possvel sobre o alvo a ser atingido. Essa distribuio ser tanto melhor quanto mais adequados forem os equipamentos e as tcnicas empregadas.

    O crescente aumento do custo de mo-de-obra e de energia, e a preocupao cada vez maior em relao poluio ambiental tm ressaltado a necessidade de tecnologias mais acuradas para aplicao de agrotxicos no alvo. Para isso, so necessrios procedimentos e equipamentos mais adequados maior proteo ao trabalhador e ao ambiente.

    Na aplicao de agrotxicos, as gotas que no so depositadas no alvo so chamadas de deriva de pulverizao. Essas gotas muitas vezes so muito pequenas, com dimetro menor que 150 m, facilmente movidas para fora do alvo pela ao do vento e de condies climticas. A deriva provoca deposio do produto aplicado em reas no desejadas.

    As causas da deriva, segundo Matuo et al. (2001), so muitas e esto relacionadas com os equipamentos de aplicao, formulaes e com as condies meteorolgicas. Tamanho de gota, altura de vo em aplicaes areas, altura da barra e da ponta de pulverizao, velocidade de operao, velocidade do vento, temperatura e umidade do ar, volume de aplicao e formulao utilizada encontram-se como os principais fatores que influenciam a deriva.

    Lino Roberto Ferreira (Prof. UFV)Aroldo Ferreira Lopes Machado (Ps Doutorando - PNPD UFT)

    Francisco Cludio Lopes de Freitas (Prof. UFERSA)Rafael Gomes Viana (Doutorando UFV)

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    1.1. Inter-relao entre Alvo, Produto, Equipamento e Ambiente

    O sucesso do controle fitossanitrio, depende da interao entre caractersticas do produto aplicado (herbicida, fungicida, inseticida e outros), do equipamento de aplicao e seus acessrios (pulverizador, ponta de pulverizao), das condies ambientais (temperatura, umidade relativa e vento), do momento correto da aplicao e do alvo a ser atingido (plantas daninhas, insetos, caros, fungos, bactrias).

    Essa inter-relao ocorre para todas as aplicaes de herbicidas, fungicidas e inseticidas. Na prtica, antes de tomar qualquer deciso, deve-se ter em mente trs questes com relao tcnica de aplicao:

    O que aplicar? (qual o produto a ser aplicado e a qua-lidade do mesmo);

    Como aplicar? (qual equipamento e quais acessrios utilizar para que se tenha qualidade na aplicao); e

    Quando aplicar? (momento da aplicao, levando em considerao o alvo e as condies ambientais).

    Ateno!

    Nesse sentido, a tcnica utilizada na aplicao de agrotxicos deve considerar conhecimentos cientficos, de modo que o produto biologicamente ativo seja depositado no alvo, em quantidade necessria, de forma econmica, com o mnimo de contaminao ambiental.

    1.2. Alvo Biolgico e Eficincia

    O agrotxico deve exercer a sua ao sobre determinado organismo que se deseja controlar. Portanto, o alvo a ser atingido esse organismo, seja ele, planta daninha, inseto, fungo ou bactria. Em funo de caractersticas do alvo, como forma, tamanho e posio, a pulverizao dever ter caractersticas especficas para melhor atingi-lo. O alvo real tem que ser definido em termos de tempo e de espao, de maneira a aumentar a porcentagem de produto que o atinge em relao que foi emitida pelo equipamento de aplicao. Qualquer quantidade de produto aplicado, que no atinge o alvo, no ter qualquer eficcia e estar representando uma forma de perda e poluio ambiental.

    Em sntese, alvo um objeto selecionado a ser atingido, direta ou indiretamente, pelo processo de aplicao. Diretamente, quando se coloca o produto em seu contato no momento da aplicao, e indiretamente, pelo processo de redistribuio. Essa redistribuio poder se dar por meio da translocao sistmica ou pelo deslocamento superficial do depsito inicial do produto.

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    Eficincia de aplicao (EA) a relao entre a dose teoricamente requerida para o controle e aquela efetivamente empregada. Quando o alvo possui elevada superfcie e a coleta do defensivo favorvel, a EA elevada, como o caso da aplicao de herbicidas sistmicos em ps-emergncia, numa rea com boa cobertura de plantas daninhas, sob condies climticas favorveis aplicao. Por outro lado, quando se aplica, por exemplo, inseticidas de contato, visando obter controle de lagartas no fruto, como o tomate, a EA pode atingir valores baixos, devido dificuldade de se atingir o alvo.

    A melhoria nessa eficincia poder ser alcanada por meio da evoluo no processo, nos seus mais variados aspectos. O treinamento do operador do equipamento de aplicao , sem dvida, um dos pontos mais importantes. O uso correto e seguro dos agrotxicos passam por diversas etapas, desde sua aquisio, at a colheita do produto comercializado, respeitando-se o perodo de carncia, a fim de se preservar o meio ambiente e a sade dos trabalhadores e consumidores. Sua aquisio somente pode ser feita por meio de receiturio agronmico, emitido por um profissional legalmente habilitado, valendo os princpios de uma agricultura sustentvel, que procura produzir alimentos para a populao, sem comprometer a produo de alimentos de futuras geraes.

    No receiturio devem constar informaes sobre o agrotxico (dose, finalidade, perodo de carncia, etc.), sobre a destinao de sobras dos produtos e embalagens vazias, precaues de uso, equipamentos de proteo individual (EPIs) e primeiros socorros em casos de acidentes.

    1.3. Mtodos de Aplicao de Agrotxicos

    Os mtodos de aplicao, dependendo do estado fsico do agrotxico, podem ser agrupados em via slida, lquida e gasosa. Dentre essas, a via lquida utilizando a gua como diluente, o mtodo mais utilizado. Nela, aplicao feita na forma de gotas (pulverizao), podendo em alguns casos tambm ser na forma de filetes lquidos (rega ou injeo) ou na forma de gotas diminutas, formando neblina (nebulizao). A concentrao varia em funo da dose recomendada para o defensivo e do volume de calda aplicado.

    A distribuio da calda realizada, normalmente, por meio de pulverizao hidrulica, que definida como processo mecnico de gerao de gotas pelo pulverizador (Cordeiro, 2001; Matuo, et al. 2001). As gotas so produzidas pelas pontas de pulverizao que, tambm, determinam a vazo e a distribuio do lquido pulverizado, sendo, portanto, um dos componentes mais importantes do pulverizador (Bauer e Raetano, 2004).

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    1.3.1. Aplicao Via Lquida

    A gua o principal diluente ou veculo de aplicao para a via lquida, por ser de fcil obteno, de baixo custo e por contar com ampla opo de formulaes compatveis. Entretanto, a gua apresenta duas limitaes: alta tenso superficial e alta presso de vapor (Matuo et al., 2001), fazendo com que haja diminuio do volume da gota produzida.

    A alta tenso superficial faz com que uma gota depositada numa superfcie permanea na forma esfrica, com pouca superfcie de contato. Para corrigir este problema, basta adicionar nela algum agente tensoativo (surfactante), que diminua sua tenso superficial. Com isso, a gota se espalha facilmente na superfcie, molhando maior rea. Alguns adjuvantes integrantes da formulao - como os molhantes, emulsionantes, etc - so agentes tensoativos; assim, a simples presena deles na formulao pode ser suficiente para diminuir a tenso superficial da gua at os nveis desejados. Outras vezes, no momento da aplicao de determinados agrotxicos, necessrio adicionar surfactante ou leo mineral, para melhorar a cobertura foliar.

    A intensidade de evaporao depende de vrios fatores, dos quais os mais importantes so: a evaporao de lquidos no-volteis ou proporo de partculas slidas existente na mistura; temperatura, umidade do ar e velocidade do vento; tamanho da gota; e tempo que esta permanece no ar. medida que a gua vai evaporando, as gotas diminuem de tamanho e peso, reduzindo assim, a possibilidade de impactar o alvo. Gotas de mesmo tamanho podem ter comportamentos distintos, em diferentes condies ambientais. Portanto, a observao das condies ambientais muito importante para uma aplicao correta.

    A elevada capacidade de evaporao da gua limita a utilizao de gotas muito pequenas, principalmente nos climas tropicais. Para boa cobertura do alvo e emprego de pequenos volumes de aplicao (abaixo de 50 L ha-), necessrio controlar a evaporao da gua ou, ento, utilizar outro diluente que no seja voltil, como, por exemplo, o leo mineral agrcola.

    Nas condies noturnas, a umidade relativa elevada e a evaporao drasticamente reduzida, o que permite a utilizao de gotas menores, por isso alguns agrotxicos tm sido aplicados durante a noite com eficincia de controle.

    Segundo Matthews (1979), existem cinco categorias de volume de aplicao para culturas de campo:

    alto volume (> 600 L ha-) ;volume mdio (200 - 600 L ha-); volume baixo (50 - 200 L ha-);

    volume muito baixo (5 - 50 L ha-); e volume ultrabaixo (< 5 L ha-).

    A