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  • Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro

    Advocacia Pblica na Administrao Indireta e os Honorrios de Advocatcios

    Ricardo Zacharski Jnior

    Rio de Janeiro

    2012

  • 1

    RICARDO ZACHARSKI JNIOR

    Advocacia Pblica na Administrao Indireta e os Honorrios Advocatcios

    Artigo Cientfico apresentado como

    exigncia de concluso de Curso de Ps-

    Graduao Lato Sensu da Escola de

    Magistratura do Estado do Rio de Janeiro.

    Professores Orientadores:

    Mnica Areal

    Nli Luiza C. Fetzner

    Nelson C. Tavares Junior

    Rio de Janeiro

    2012

  • 2

    ADVOCACIA PBLICA NA ADMINISTRAO INDIRETA

    E OS HONORRIOS ADVOCATCIOS

    Ricardo Zacharski Jnior

    Graduado em Direito pela Universidade

    Federal do Estado do Rio de Janeiro.

    Advogado de Empresa Pblica Federal.

    Resumo: O exerccio da advocacia pblica, por empregados pblicos integrantes da

    administrao indireta em todas as esferas da federao, no lhes retira a natureza

    profissional. Embora aquela qualificao tenha repercusses para fins de tratamento

    especialmente previsto em lei, o regime jurdico aplicvel aos advogados pblicos da

    administrao indireta submete-se aos ditames constitucionais gerais, e ainda s prerrogativas

    inerentes ao mnus exercido, considerando sua indispensabilidade ao exerccio jurisdicional.

    O objetivo desse trabalho abordar algumas peculiaridades da advocacia pblica, analisando-

    se o regime legal aplicvel, e sua compatibilidade com a Constituio da Repblica

    Federativa do Brasil diante dos desequilbrios causados na prtica.

    Palavra Chave: Direito Constitucional. Advocacia Pblica. Direito Administrativo.

    Administrao Indireta. Regime Jurdico. Direito Processual Civil. Honorrios.

    Sumrio: 1. A Advocacia Pblica e seu desenho Constitucional. 1.1. A Administrao

    Pblica Indireta e seus Advogados Empregados. 1.2. As Regras Gerais para Advogados

    Empregados e o Regime Especial para Advogados Pblicos Empregados. 2. As

    (in)compatibilidades do regime diferenciado com a Constituio da Repblica. 3. A natureza

    dos Honorrios Sucumbenciais. 4. Os Advogados Pblicos como Titulares dos Honorrios

    Sucumbenciais. Concluso. Referncia.

    INTRODUO

    O presente trabalho aborda o tratamento diferenciado dado aos advogados

    empregados nas empresas pblicas e sociedades de economia mista (chamadas genericamente

    de Empresas Estatais), ligadas Administrao Indireta, em relao aos demais advogados

    empregados na iniciativa privada, sujeitos ao Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil

    (OAB Lei n. 8.906/94).

  • 3

    Um dos objetivos desse estudo identificar as normas aplicveis estritamente

    advocacia pblica das Estatais, e as consequncias dessa diferenciao diante da necessidade

    de tratamento isonmico e respeito s prerrogativas funcionais dos advogados, determinados

    pela Constituio da Repblica Federativa do Brasil, especificamente no que tange aos

    honorrios.

    Diante do crescente fortalecimento das Empresas Estatais, mormente daquelas que

    atuam em atividade concorrencial na forma do art. 173 da Constituio da Repblica

    Federativa do Brasil (CRFB/88), vem se tornando imperativa a alta qualificao e capacitao

    tcnica dos causdicos que atuam na defesa de seus interesses, cuja vinculao se d com base

    em contrato de trabalho regido pela Consolidao das Leis Trabalhistas (CLT Decreto-Lei

    n. 5.452/43).

    Por outro lado, de maneira diametralmente oposta quele reconhecimento, a Lei n.

    9.527/97 afastou, no caso de advogados pblicos, os direitos e prerrogativas especificados no

    Estatuto da OAB para os advogados empregados em geral. Nessa linha, o valor do nus

    sucumbencial passou no mais a ser direcionado aos causdicos pblicos, mas a constituir

    fonte de renda para a Administrao Pblica.

    Essa situao criou uma srie de distores jurdicas e fticas, repercutindo na esfera

    da prpria Administrao Pblica, que passou a ter esse valor como fonte de renda, bem como

    dos advogados pblicos a ela vinculados.

    Por essa razo, quer-se com o presente artigo analisar a natureza jurdica dos

    honorrios, sua evoluo histrico-jurisprudencial, o tratamento doutrinrio acerca da matria,

    bem como a (i)legitimidade da postura legislativa adotada na Lei n. 9.527/97 em afastar sua

    percepo por parte dos advogados empregados de empresas pblicas e sociedade de

    economia mistas.

  • 4

    1. A ADVOCACIA PBLICA E SEU DESENHO CONSTITUCIONAL

    A Constituio da Repblica Federativa do Brasil (CRFB/88), em seu art. 133 erigiu

    o advogado ao status de indispensvel administrao da justia, sendo, portanto, um

    pressuposto de formao do Poder Judicirio1. Essa consagrao constitucional deu-se em

    razo do Princpio da Inrcia, uma vez que o Judicirio no pode atuar, seno quando

    provocado, de modo que, sem o advogado, aquele princpio seria um obstculo prpria

    atuao estatal no exerccio jurisdicional.

    Por outro lado, preocupou-se o Constituinte em separar, dentro do captulo referente

    s Funes Essenciais Justia, a Seo II, denominada Da Advocacia Pblica, nos art. 131 e

    132 da CRFB. Contudo, apesar do ttulo mencionado, referidos artigos apenas tratam dos

    advogados ligados Administrao Pblica Direta, e ainda s Autarquias e Fundaes

    Pblicas (parte da Administrao Pblica Indireta), descuidando dos advogados vinculados s

    Empresas Pblicas e Sociedades de Economia Mista, doravante, chamadas genericamente de

    Empresas Estatais.

    Em razo dessa omisso, ficaram os advogados pblicos vinculados s Empresas

    Estatais sem o devido cuidado especfico por parte da Constituio de 1988, o que remete seu

    tratamento s regras infraconstitucionais genricas, aplicveis aos advogados empregados em

    geral.

    1. 1. A Administrao Pblica Indireta e seus Advogados Empregados

    O Estatuto da OAB dispe, em seu art. 3, 1, que exercem a advocacia e se

    sujeitam ao regime daquela lei, sem prejuzo de eventual regime prprio, os integrantes da

    1 SILVA, Jos Afonso da. Comentrio Contextual Constituio. 2. ed., de acordo com a Emenda

    Constitucional 52 de 8.3.2006. So Paulo: Malheiros, 2006, p. 613.

  • 5

    Advocacia Geral da Unio (AGU), Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), da Defensoria

    Pblica (DP), e das Procuradorias e Consultorias Jurdicas dos Estados (PGE), do Distrito

    Federal (PGDF), dos Municpios (PGM) e das respectivas entidades da administrao indireta

    e fundacional.

    Por essa razo no h dvidas de que os advogados de Empresas Estatais vinculam-

    se aos ditames e tratamentos previstos aos advogados em geral, diante do silncio

    constitucional mencionado. No entanto, importante salientar que, nesse artigo 3, 1 do

    Estatuto da OAB, so englobados diversos tipos de advogados pblicos, que se diferenciam

    pelo vnculo que possuem com a Administrao, e mesmo pelo interesse que defendem.

    Leciona gabaritada doutrina2 que, o servidor pblico vinculado administrao

    pblica, pode possuir vnculo estatutrio (regidos por estatutos funcionais), vnculo celetista

    (regidos pela CLT) e, excepcionalmente, vnculo temporrio (contratados para necessidades

    excepcionais de carter temporrio).

    Em regra, os servidores da Administrao Pblica Direta so estatutrios, e os da

    Indireta so celetistas, o que diferencia, no caso, o tratamento a ser emprestado aos advogados

    de Empresas Estatais (celetistas) dos demais advogados pblicos listados art. 3, 1 do

    Estatuto da OAB (estatutrios).

    Os advogados pblicos de Empresas Estatais so, em verdade, empregados pblicos

    regidos especificamente pela CLT, por serem integrantes da Administrao Indireta, cuja

    principal caracterstica a descentralizao em relao Administrao Direta.

    Por esse motivo, h ntida diferena entre os advogados pblicos estatutrios e os

    celetistas, uma vez que, apesar de ostentarem a qualidade de servidores pblicos lato senso,

    aqueles tm tratamento constitucional e estes no. Alm disso, o regime infraconstitucional

    previsto em lei especfica para aqueles, enquanto estes so regidos genericamente pela CLT.

    2 CARVALHO FILHO, Jos dos Santos. Manual de Direito Administrativo. 24. ed. rev., ampl. e atual. at

    31.12.2010. Rio de Janeiro: Lumen Iuris, 2011, p. 545.

  • 6

    Dessa diferena no descuidou o Estatuto da OAB, uma vez que, na prpria norma

    que submete os advogados pblicos (celetistas ou estatutrios) ao regime da Ordem dos

    Advogados, reconhece-se a possibilidade de regimes prprios regularem diversamente sua

    atuao. No entanto, efetiva regulamentao3 deu-se apenas em relao aos advogados

    pblicos estatutrios, uma vez que os celetistas no possuem regramento autnomo, como

    dito alhures.

    Nesse diapaso, os advogados pblicos de Empresa Pblica ou de Sociedade de

    Economia Mista, integrantes que so da Administrao Pblica Indireta, so advogados

    celetistas, com vnculo empregatcio, sem regime prprio por omisso constitucional e lacuna

    legislativa.

    Com isso, extrai-se que a norma de regncia aplicvel a esses advogados pblicos de

    Empresas Estatais deve ser CLT, no que tange ao vnculo empregatcio com a Administrao,

    e regras especficas no Estatuto da OAB, no que se refere ao exerccio do mnus advocatcio.

    1. 2. As Regras Gerais para Advogados Empregados e o Regime Especial para Advogad

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