Advocacia em tempos difíceis: ditadura militar 1964-1985

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Advocacia em Tempos Difceis: Ditadura Militar 1964-1985 1

ADVOCACIA EMTEMPOS DIFCEISDitadura Militar 1964-1985

Paula Spieler e Rafael Mafei Rabelo Queiroz (Coords.)2

Esta publicao resultado de iniciativa fomentada comverbas do projeto Marcas da Memria da Comisso deAnistia, selecionada por meio de edital pblico, na IIChamada Pblica. Por essa razo, as opinies e dadoscontidos na publicao so de responsabilidade de seusorganizadores e autores, e no traduzem opinies doGoverno Federal, exceto quando expresso em contrrio.

Spieler, Paula (coord.).S756 Advocacia em tempos difceis: ditadura militar

1964-1985./ coordenao Paula Spieler, Rafael Mafei Rabelo Queiroz./ Curitiba: Edio do Autor, 2013.

912p.

1. Advogados. 2. Brasil Histria Revoluo, 1964. I. Queiroz, Rafael Mafei Rabelo (coord.). II. Ttulo.

CDD 340.092 (22 ed.)CDU 347.921.4

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Paula SpielerRafael Mafei Rabelo Queiroz

Coordenadores

ADVOCACIA EMTEMPOS DIFCEISDitadura Militar 1964-1985

Pesquisadores:Alynne Nayara Ferreira Nunes

Andr Javier Ferreira PayarCatarina Dacosta Freitas

Mariana Campos de Carvalho

Curitiba2013

Paula Spieler e Rafael Mafei Rabelo Queiroz (Coords.)4

REALIZAO:

APOIO:

Escola de Direito de So Paulo da Fundao Getulio VargasEscola de Direito do Rio de Janeiro da Fundao Getulio Vargas

REVISO NA COMISSO DE ANISTIA:Amarlis Busch Tavares (Diretora da Comisso de Anistia), Bruno Scalko Franke

(Coordenador de Articulao Social, Aes Educativas e Museologia) eSnia Costa (PNUD).

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O presente projeto foi apresentado no ano de 2011 IIChamada Pblica do Projeto Marcas da Memria, da Comis-so de Anistia do Ministrio da Justia, e selecionado por Co-mit independente para fomento. A realizao do projeto obje-tiva atender as misses legais da Comisso de Anistia de pro-mover o direito reparao, memria e verdade, permitindoque a sociedade civil e os anistiados polticos concretizem seusprojetos de memria. Por essa razo, as opinies e dados con-tidos na publicao so de responsabilidade de seus organiza-dores e autores, e no traduzem opinies do Governo Federal,exceto quando expresso em contrrio.

Paula Spieler e Rafael Mafei Rabelo Queiroz (Coords.)6

Presidenta da RepblicaDilma Vana Rousseff

Ministro da JustiaJos Eduardo Cardozo

Secretria-ExecutivaMarcia Pelegrini

Presidente da Comisso de AnistiaPaulo Abro

Vice-presidentes da Comisso de AnistiaSueli Aparecida Bellato

Jos Carlos Moreira da Silva Filho

Conselheiros da Comisso de AnistiaAline Sueli de Salles Santos Marina Silva SteinbruchAna Maria Guedes Mrio Miranda de AlbuquerqueAna Maria Lima de Oliveira Marlon Alberto WeichertCarolina de Campos Melo Narciso Fernandes BarbosaCarol Proner Nilmrio MirandaCristiano Otvio Paixo Arajo Pinto Prudente Jos Silveira MelloEne de Stutz e Almeida Rita Maria de Miranda SipahiHenrique de Almeida Cardoso Roberta Camineiro BaggioJuvelino Jos Strozake Rodrigo Gonalves dos SantosLuciana Silva Garcia Vanda Davi Fernandes de OliveiraManoel Severino Moraes de Almeida Virginius Jos Lianza da FrancaMrcia Elayne Berbich de Moraes

Diretora da Comisso de AnistiaAmarlis Busch Tavares

Chefia de GabineteLarissa Nacif Fonseca

GabineteLuciane Faria Gonalves

Fbio da Silva Sousa Costa

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Coordenadora do Servio de Apoio AdministrativoLvia Almeida Santos

Servio de Apoio AdministrativoAlinne Gomes Farias (Estagiria)

Antonio Francisco Marcico RibeiroCleiton de Oliveira Rodrigues

Neire Peres do CarmoOadir Arajo Fernandes

Samuel Domingos de Oliveira

Coordenadora da Central de Atendimento Integrada SNJ / CAAline Carneiro de Aguiar

Central de Atendimento IntegradaCamila Pereira NeryHayara Vianna Silva

Leandro Rocha Mundim de Oliveira (Estagirio)Virna Arcanjo Freire (Estagiria)

Coordenao Executiva do Memorial da Anistia Poltica do BrasilAmarlis Busch Tavares

Coordenador de Projetos e Polticas de Reparao e Memria HistricaEduardo Henrique Falco Pires

Coordenao de Projetos e Polticas de Reparao e Memria HistricaDaniel Fernandes Rocha

Deborah Nunes LyraLvia Vieira Brana

Mariana Gracie Prieto vila (Estagiria)Paula Regina Montenegro Generino de Andrade

Paula Stein de Melo e Sousa (Consultora MJ / PNUD)Snia Maria Alves da Costa (Consultora MJ / PNUD)

Wallison dos Santos Machado

Coordenador de Articulao Social, Aes Educativas e MuseologiaBruno Scalco Franke

Coordenao de Articulao Social, Aes Educativas e MuseologiaEliana Rocha Oliveira (Consultora MJ / PNUD)

Jeny Kim BatistaPriscilla do Nascimento Silva Goudim

Paula Spieler e Rafael Mafei Rabelo Queiroz (Coords.)8

Coordenao do Centro de Documentao e PesquisaAndra Valentim Alves Ferreira (Consultora MJ/ PNUD)

Joo Alberto TomacheskiPmela Almeida Rezende (Consultora MJ/ PNUD)

Rodrigo Lentz (Consultor MJ/ PNUD)

Coordenador Geral de Gesto ProcessualMuller Luiz Borges

Assessoria da Coordenao Geral de Gesto ProcessualCarolina Nunes Barbosa de Sousa

Janine Poggiali Gasporoni e Oliveira

Coordenadora de Controle Processual e Pr-AnliseNatlia Costa

Coordenao de Controle Processual e Pr-AnliseAdriana Soares Guimares Pereira Luana Fonseca OliveiraArquimedes Barros Rodrigues Marcos Denaim Correa da SilvaElaine Cristina Guedes Martins Maria Jos das NevesElisa Machado Rabelo Maria Mnica Rodrigues LimaGardnia Azevedo de Oliveira Matheus Ramos vila (Estagirio)Helbert Lopes Rocha Mislene dos SantosJos Antunes Primo Junior Raiane Feitoza da SilvaJuliana Priscila de Oliveira Renata Alves Neres NogueiraLeonardo Barbosa Cardoso Thiago Azevedo Luna dos Santos

Coordenadora de Julgamento e FinalizaoJoicy Honorato de Souza

Coordenao de Julgamento e FinalizaoAlexandre Tadeu de Oliveira

Ana Lourdes Reis BrodAna Paula Barbacena

Ariane Ramos de Souza (Estagiria)Giovana Rodrigues Arajo

Chefe da Diviso de ArquivoMayara Nunes de Castro

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Diviso de Arquivo e MemriaEmilinha Soares Marques

Leonardo Krieger F. BarbosaMatheus Henrique Santos Dures (Estagirio)

Pedro Henrique Santos Moraes da Silva (Estagirio)rsula Beatriz Silva Sangaleti (Estagirio)

Rodrigo de Jesus SilvaRosemeire de Oliveira Arajo

Coordenador de Anlise e Informao ProcessualAntnio Jos Teixeira Leite

Coordenao de Anlise e Informao ProcessualAlan Cruz Murada

Clarina Soares Meireles PachecoDborah Cristina Colho Machado

Leonardo Aguilar VillalobosLorena das Neves Chaveiro

Marcello Evandro de Carvalho Dias PortelaOdefrnio Vidal Pierre de Messias

Rodrigo MercanteSabrina Nunes Gonalves da Silva

Vnia Margarete Rodrigues Bonfim Souto

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A Comisso de Anistia um rgo do Estado brasileiro ligadoao Ministrio da Justia e composto por 26 conselheiros, em sua maio-ria, agentes da sociedade civil ou professores universitrios, sendo umdeles indicado pelas vtimas e outro pelo Ministrio da Defesa. Criadaem 2001, h doze anos, com o objetivo de reparar moral e economica-mente as vtimas de atos de exceo, arbtrio e violaes aos direitoshumanos cometidas entre 1946 e 1988, a Comisso hoje conta com maisde 70 mil pedidos de anistia protocolados. At o ano de 2012 havia de-clarado mais de 35 mil pessoas anistiadas polticas, promovendo opedido oficial de desculpas do Estado pelas violaes praticadas. Emaproximadamente 15 mil destes casos, a Comisso igualmente reconhe-ceu o direito reparao econmica. O acervo da Comisso de Anistia o mais completo fundo documental sobre a ditadura brasileira (1964-1985), conjugando documentos oficiais com inmeros depoimentos eacervos agregados pelas vtimas. Esse acervo ser disponibilizado aopblico por meio do Memorial da Anistia Poltica do Brasil, stio de me-mria e homenagem s vtimas, em construo na cidade de Belo Hori-zonte. Desde 2007 a Comisso passou a promover diversos projetos deeducao, cidadania e memria, levando, por meio das Caravanas deAnistia, as sesses de apreciao dos pedidos aos locais onde ocorrerams violaes, que j superaram 70 edies; divulgando chamadas pbli-cas para financiamento a iniciativas sociais de memria, como a quepresentemente contempla este projeto; e fomentando a cooperao inter-nacional para o intercmbio de prticas e conhecimentos, com nfasenos pases do Hemisfrio Sul.

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MARCAS DA MEMRIA: UM PROJETO DEMEMRIA E REPARAO COLETIVA

PARA O BRASIL

Criada em 2001, por meio de medida provisria, a Comissode Anistia do Ministrio da Justia passou a integrar em definitivo aestrutura do Estado brasileiro no ano de 2002, com a aprovao de Lein. 10.559, que regulamentou o artigo 8 do Ato das Disposies Consti-tucionais Transitrias.

Tendo por objetivo promover a reparao de violaes a di-reitos fundamentais praticadas entre 1946 e 1988, a Comisso configura--se em espao de reencontro do Brasil com seu passado, subvertendo osenso comum da anistia enquanto esquecimento. A Anistia no Brasil sig-nifica, a contrrio senso, memria. Em sua atuao, o rgo reuniu mi-lhares de pginas de documentao oficial sobre a represso no Brasil e,ainda, centenas de depoimentos, escritos e orais, das vtimas de tal re-presso. E deste grande reencontro com a histria que surgem no apenasos fundamentos para a reparao s violaes como, tambm, a necess-ria reflexo sobre a importncia da no repetio destes atos de arbtrio.

Se a reparao individual um meio de buscar reconciliar ci-dados cujos direitos foram violados, que tm ento a oportunidade deverem o Estado reconhecer que errou, devolvendo-lhes a cidadania e, sefor o caso, reparando-os financeiramente, por sua vez, as reparaescoletivas, os projetos de memria e as aes para a no repetio tm oclaro objetivo de permitir a toda a sociedade conhecer, compreender e,ento, repudiar tais erros. A afronta aos direitos fundamentais de qual-quer cidado singular igualmente ofende a toda a humanidade que temosem comum, e por isso que tais violaes jamais podem ser esquecidas.Esquecer a barbrie equivaleria a nos desumanizarmos.

Partindo destes pressupostos e, ainda, buscando valorizar a lutadaqueles que resistiram por todos os meios que entenderam cabveis a

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Comisso de Anistia passou, a partir de 2008, a realizar sesses de apre-ciao pblica, em todo o territrio nacional, dos pedidos de anistia querecebe, de modo a tornar o passado recente acessvel a todos. So aschamadas Caravanas da Anistia. Com isso, transferiu seu trabalhocotidiano das quatro paredes de mrmore do Palcio da Justia para apraa pblica, para escolas e universidades, associaes profissionais esindicatos, bem como a todo e qualquer local onde perseguies ocorre-ram. Assim, passou a ativamente conscientizar as novas geraes, nasci-das na democracia, da importncia de hoje vivermos em um regime livre,que deve e precisa ser continuamente aprimorado.

Com a ampliao do acesso pblico aos trabalhos da Comisso,cresceram exponencialmente o nmero de relatos de arbitrariedades,prises, torturas, por outro lado, pde-se romper o silncio para ouvircentenas de depoimentos sobre resistncia, coragem, bravura e luta. neste contexto que surge o projeto Marcas da Memria, que expandeainda mais a reparao individual em um processo de reflexo e apren-dizado coletivo, fomentando iniciativas locais, regionais e nacionais quepermitam queles que viveram um passado sombrio, ou que a seu estudose dedicaram, dividir leituras de mundo que permitam a reflexo crticasobre um tempo que precisa ser lembrado e abordado sob auspcios de-mocrticos.

Para atender estes amplos e inovadores propsitos, as aes doprojeto Marcas da Memria esto divididas em quatro campos:

a) Audincias Pblicas: atos e eventos para promover pro-cessos de escuta pblica dos perseguidos polticos sobre opassado e suas relaes com o presente.

b) Histria oral: entrevistas com perseguidos polticos basea-das em critrios terico-metodolgicos prprios da Hist-ria Oral. Todos os produtos ficam disponveis no Memorialda Anistia e podero ser disponibilizadas nas bibliotecas ecentros de pesquisa das universidades participantes doprojeto para acesso da juventude, sociedade e pesquisado-res em geral;

c) Chamadas Pblicas de fomento a iniciativas da Socieda-de Civil: por meio de Chamadas Pblicas, a Comisso se-leciona projetos de preservao, de memria, de divulga-o e difuso advindos de Organizao da Sociedade Civilde Interesse Pblico (OSCIP) e Entidades Privadas SemFins Lucrativos. Os projetos desenvolvidos envolvem do-cumentrios, publicaes, exposies artsticas e fotogrfi-cas, palestras, musicais, restaurao de filmes, preserva-

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o de acervos, locais de memria, produes teatrais emateriais didticos.

d) Publicaes: colees de livros de memrias dos perse-guidos polticos; dissertaes e teses de doutorado sobre operodo da ditadura e a anistia no Brasil; reimpresses ourepublicaes de outras obras e textos histricos e rele-vantes; registros de anais de diferentes eventos sobre anis-tia poltica e justia de transio. Sem fins comerciais oulucrativos, todas as publicaes so distribudas gratuita-mente, especialmente para escolas e universidades.

O projeto Marcas da Memria rene depoimentos, sistematizainformaes e fomenta iniciativas culturais que permitem a toda socieda-de conhecer o passado e dele extrair lies para o futuro. Reitera, por-tanto, a premissa que apenas conhecendo o passado podemos evitar suarepetio no futuro, fazendo da Anistia um caminho para a reflexo crticae o aprimoramento das instituies democrticas. Mais ainda: o projetoinveste em olhares plurais, selecionando iniciativas por meio de editalpblico, garantindo igual possibilidade de acesso a todos e evitando queuma nica viso de mundo imponha-se como hegemnica ante as demais.

Espera-se, com este projeto, permitir que todos conheam umpassado que temos em comum e que os olhares histricos anteriormentereprimidos adquiram espao junto ao pblico para que, assim, o respeitoao livre pensamento e o direito verdade histrica disseminem-se comovalores imprescindveis para um Estado plural e respeitador dos direitoshumanos.

Comisso de Anistia do Ministrio da Justia

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Advogados entrevistadosAlcyone Vieira Pinto Barreto

Amadeu de Almeida WeinmannAntnio Carlos da Gama Barandier

Antnio de Pdua BarrosoAntnio Modesto da Silveira

Arthur LavigneBelisrio dos Santos JuniorBoris Marques da Trindade

Dyrce DrachEny Raimundo Moreira

Fernando FragosoFlvio Flores da Cunha Bierrenbach

Flora...