ACMULO E EXPORTAO DE NUTRIENTES EM ? cebola, alho e outras hortalias mais tradicionais. Nos

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267Acmulo e exportao de nutrientes em beterrabaCinc. agrotec., Lavras, v. 31, n. 2, p. 267-273, mar./abr., 2007ACMULO E EXPORTAO DE NUTRIENTES EM BETERRABAAccumulation and exportation of nutrients in beet cropLeilson Costa Grangeiro1, Maria Zuleide de Negreiros2, Brgida Savana de Souza3, Pascalle Escssia de Azevdo4,Stnio Lima de Oliveira5, Maria Aparecida de Medeiros6RESUMOO objetivo do presente trabalho foi determinar o acmulo e exportao de nutrientes pela cultura da beterraba em condiesde altas temperaturas e luminosidade. O delineamento experimental utilizado foi em blocos casualizados completos com quatrorepeties, sendo os tratamentos constitudos pelas pocas de coleta de plantas (20, 30, 40, 50 e 60 dias aps semeadura). Em cadacoleta foram utilizadas quatro plantas por repetio. O mximo acmulo de massa seca ocorreu aos 60 DAS, sendo de 21,35 g/planta.A maior demanda de nutriente aconteceu no perodo de 50 a 60 DAS para N e Mg, 30 a 50 DAS para P, 30 a 40 para K e 40 a 50 DASpara Ca. A ordem decrescente dos nutrientes acumulados pela beterraba foi: N, K, Mg, Ca e P. As quantidades totais de N, P, K, Cae Mg exportadas pelas razes foram respectivamente de 88,0; 6,1; 93,2; 12,1 e 16,8 kg/ha.Termos para indexao: Beta vulgaris, nutrio de plantas, crescimento.ABSTRACTThe objective of this research was to determine on field condition the accumulation and exportation of nutrients by beetcrop in conditions of high temperatures and radiations intensity. The experimental design was fully randomized blocks, with fourreplications. The treatments consisted of the sampling times (20, 30, 40, 50 and 60 days after sowing (DAS). The maximumaccumulation of dry mass occurred at 60 DAS, being of 21.35 g/plant. The period of higher demand for N and Mg occurred from50 to 60 DAS, 30 the 50 DAT for P, 30 the 40 for K and 40 the 50 for Ca. The decreasing order of nutrient accumulation by thebeet crop was: N, K, Mg, Ca and P. The roots exported 88.0 kg/ha of N; 6.1 kg/ha of P; 93.1 kg/ha of K; 12.1 kg/ha of Ca and 16.8kg/ha of Mg.Index terms: Beta vulgaris, plant nutrition, growth.(Recebido em 10 de maro de 2006 e aprovado em 25 de outubro de 2006)1Engenheiro Agrnomo, DSc. Professor Adjunto II do Departamento de Cincias Vegetais Universidade Federal Rural do Semi-rido Br 110, km 47 Cx. P. 137 59625-900 Mossor,RN leilson@ufersa.edu.br2Engenheira Agrnoma, DSc. Professora Associada I do Departamento de Cincias Vegetais Universidade Federal Rural do Semi-rido Br 110, km 47 Cx. P. 137 59625-900 Mossor, RN zuleide@ufersa.edu.br3Engenheira Agrnoma, ps-graduanda do curso de Mestrado em Agronomia/Fitotecnia Universidade Federal Rural do Semi-rido Br 110, km 47 Cx. P. 137 59625-900 Mossor, RN brygitesavana@hotmail.com4Engenheira Agrnoma, ps-graduanda do curso de Mestrado em Agronomia/Fitotecnia Universidade Federal Rural do Semi-rido Br 110, km 47 Cx. P. 137 59625-900 Mossor, RN pascalleesco@yahoo.com.br5Engenheiro Agrnomo, ps-graduando do curso de Mestrado em Agronomia/Fitotecnia Universidade Federal Rural do Semi-rido Br 110, km 47 Cx. P. 137 59625-900 Mossor, RN stenio-_agro@hotmail.com6Engenheira Agrnoma, ps-graduanda do curso de Mestrado em Agronomia/Fitotecnia Universidade Federal Rural do Semi-rido Br 110, km 47 Cx. P.137 59625-900 Mossor, RN cida.med@bol.com.brINTRODUOA beterraba uma importante espcie olercola, queapresenta as razes como o mais importante produtocomercial. No Brasil, seu cultivo intensificou-se grandementecom a imigrao europia e asitica, sendo cultivadasexclusivamente variedades de mesa, mesmo assim, empequena escala comercial, quando se compara com tomate,cebola, alho e outras hortalias mais tradicionais. Nosltimos dez anos pode-se observar um aumento crescentena procura por esta hortalia, tanto para utilizao nasindstrias de conservas e alimentos infantis, como paraconsumo in natura (SOUZA et al., 2003).As principais regies produtoras de beterraba estonos Estados de So Paulo, Minas Gerais e Rio Grande doSul, onde encontram-se 42% das propriedades produtorasdessa hortalia tuberosa. No Nordeste, seu cultivo reduzido, pois as temperaturas mais elevadas tendem areduzir a pigmentao e conseqentemente a qualidade doproduto.A exemplo de outras olercolas, a nutrio mineral um dos fatores que contribuem para a produtividade equalidade do produto comercial, dessa forma os nutrientesdevem ser aplicados de acordo com as exigncias dacultura, nas quantidades e pocas corretas. Uma dasferramentas utilizadas no balanceamento das adubaes a marcha de absoro de nutrientes, expressa sob a formade curvas em funo da idade da planta (NUNES et al.,1981).GRANGEIRO, L. C. et al.268Cinc. agrotec., Lavras, v. 31, n. 2, p. 267-273, mar./abr., 2007O conhecimento da quantidade de nutrientesacumuladas na planta, em cada estgio de desenvolvimento,fornece informaes importantes que podem auxiliar noprograma de adubao das culturas. Deve-se terconscincia, no entanto, que estas curvas refletem o que aplanta necessita, e no o que deve ser aplicado, uma vezque se tem que considerar a eficincia de aproveitamentodos nutrientes, que varivel segundo as condiesclimticas, o tipo de solo, o sistema de irrigao, o manejocultural, entre outros fatores. De modo mais efetivo, essascurvas auxiliam no programa de adubao, principalmentena quantidade dos diferentes nutrientes que devem seraplicados nos distintos estgios fisiolgicos da cultura(VILLAS-BOAS, 2001).Com relao beterraba praticamente no existeinformaes na literatura, mostrando a exigncia nutricionaldesta cultura. Haag & Minami (1987), trabalhando com acultivar Early Wonder, observaram que a extrao denutrientes foi contnua dos 40 dias at a colheita (80 dias),acentuando-se aos 60 dias de idade. A quantidade totalextrada de macronutrientes para uma populao de 330.000 plantas/ha foi de: 30 kg/ha de N; 8 kg/ha de P; 75 kg/hade K; 2 kg/ha de Ca e 4 kg/ha de Mg.Nesse contexto, o presente trabalho teve comoobjetivo determinar o acmulo e exportao de nutrientespela cultura da beterraba em condies de altastemperaturas e luminosidade.MATERIAL E MTODOSO experimento foi realizado na horta doDepartamento de Cincias Vegetais da UniversidadeFederal Rural do Semi-rido em Mossor-RN, no perodode janeiro a maro de 2005, em solo classificado com oArgissolo Vermelho-amarelo. Da rea experimental foramretiradas amostras de solo, cuja anlise qumica, revelouos seguintes resultados: pH (gua) = 7,9; P = 157 mg dm-3;K = 0,3 cmolc dm-3; Ca = 3,2 cmolc dm-3, Na= 0,32 cmolc dm-3e Mg = 1,0 cmolc dm-3.O municpio de Mossor est situado a 18 m dealtitude, a 511 de latitude sul e 3720 de longitude oeste.O clima da regio, segundo a classificao de Kppen, BSwh , isto , seco e muito quente, com duas estaesclimticas: uma seca que vai geralmente de junho a janeiro,e outra chuvosa, de fevereiro a maio, apresentandotemperatura mdia anual de 27,4C, precipitaopluviomtrica anual irregular com mdia de 673 mm eumidade relativa de 68,9% (CARMO FILHO et al., 1991).O delineamento experimental utilizado foi em blocoscasualizados completos com quatro repeties, sendo ostratamentos constitudos pelas pocas de coleta de plantas(20, 30, 40, 50 e 60 dias aps semeadura). Em cada coletaforam utilizadas quatro plantas por repetio. A unidadeexperimental foi composta por trs fileiras de 10 plantas,espaadas de 0,30 m entrelinhas e 0,10 m entre plantas,com rea total de 0,9 m2 por parcela. Por ocasio da coleta,a amostragem era realizada na fileira central.O preparo do solo constou de uma gradagem,seguida do levantamento dos canteiros. As adubaesforam realizadas com base na anlise do solo, e segundo arecomendao de Cavalcanti (1998), sendo aplicado emfundao 45 kg/ha de N, na forma de uria, 60 kg/ha deP2O5 na forma de superfosfato simples e 30 kg/ha de K2O,na forma de cloreto de potssio. A adubao de coberturafoi parcelada em duas vezes aos 25 e 45 dias, sendoutilizado 40 kg/ha de N na forma de uria e 30 kg/ha de K2Ona forma de cloreto de potssio. A beterraba, cultivar EarlyWonder foi semeada em covas de aproximadamente 2 cmde profundidade colocando-se quatro sementes,espaadas de 0,30 x 0,10 m, e aps 14 dias realizou-se odesbaste, deixando a planta mais vigorosa. A irrigao foirealizada atravs de microaspersores com aplicao de guadiria.As coletas de plantas foram realizadas em perodospr-estabelecidos, na parte da manh, para evitar que asplantas murchassem at chegar ao laboratrio. As plantasselecionadas em cada coleta deveriam ser competitivas,ou seja, apresentavam as mesmas condies de crescimentodas demais, obedecendo ao espaamento pr-definido ecom bom aspecto visual (isentas de pragas e/ou doenas).Em seguida, as plantas eram levadas ao Laboratrio dePs-colheita do Departamento de Cincias Vegetais, ondeforam fracionadas em parte area e razes, lavadas ecolocadas separadamente, em saco de papel e levadas parasecagem em estufa com circulao forada de ar temperatura de 65 - 70 C, at atingir massa constante. Emfuno da massa seca das amostras, foi determinado oacmulo de massa seca da parte area (caule + folha) e raizem cada poca de coleta, sendo os resultados expressosem g/planta. Em seguida, as amostras foram processadasem moinho tipo Willey (peneira de 2 mm) e acondicionadasem recipientes fechados.As anlises qumicas para a determinao dos teoresde nutrientes presentes em cada frao foram feitas nosextratos obtidos pela digesto sulfrica (nitrognio),ntrico-perclrica (fsforo, potssio, clcio e magnsio). Onitrognio foi quantificado pelo mtodo semi-microKjeldahl, fsforo pelo mtodo do complexo fosfo-molbdicoem meio redutor, adaptado por Braga & Defelipo (1974),269Acmulo e exportao de nutrientes em beterrabaCinc. agrotec., Lavras, v. 31, n. 2, p. 267-273, mar./abr., 2007potssio por fotometria de emisso de chama e clcio emagnsio por complexometria (EMBRAPA, 1997).O resultado das anlises forneceu as concentraesdos nutrientes (N, P, K, Ca e Mg) e para se determinar aquantidade destes acumulados em cada frao da planta,multiplicou-se a concentrao pela massa seca da referidafrao, sendo que o acmulo total na planta foi determinadoatravs da soma do acmulo das fraes para cadanutriente.Todas as caractersticas determinadas foramsubmetidas anlise de varincia utilizando-se o softwareESTAT e anlise de regresso com o software Tablecurve(JANDEL SCIENTIFIC, 1991).RESULTADOS E DISCUSSOAcmulo de massa secaO crescimento da planta, expresso pelo acmulo demassa seca ao longo do ciclo, inicialmente foi lento at 30dias aps a semeadura (DAS), sendo que ao final do ciclo,a produo estimada de massa seca total foi de 21,35 g/planta, com uma participao da parte area de 52% e dasrazes de 48% (Figura 1). O maior acmulo ocorreu noperodo compreendido entre 50 e 60 DAS, quando a taxade incremento estimada foi de 0,665 g/planta/dia.051015202520 30 40 50 60Dias aps semeaduraMassa seca (g/planta) Y1= EXP(6,971 30,284/X0,5) R2 = 0,99** Y2= EXP(-3,105 + 0,1636X 0,0011X2) R2 = 0,98** Y3= EXP(-0,445 + 0,0462 X) R2 = 0,98* FIGURA 1 Acmulo de massa seca total (Y1), parte area(Y2) e razes (Y3) em beterraba, cultivar Early Wonder,Mossor-RN, UFERSA, 2005.A parte area tambm apresentou acmulocrescente de massa seca, sendo observado no perodo de40 a 50 DAS o acmulo mximo, com taxas estimadas de0,385 g/planta/dia. Nas razes o mximo acmulo foi obtidono perodo de 50 a 60 DAS, quando a taxa foi de 0,387 g/planta/dia, superior ao da parte area no mesmo perodo.Embora no final do ciclo, a parte area tenha contribudocom a maior porcentagem de massa seca acumulada,verificou-se uma reduo da taxa de acmulo mdia destaem relao s razes.Relacionando os dados de acmulo de matria secada parte area com o acmulo de matria seca de razes debeterraba, Guimares et al. (2002) verificaram que houveum grande investimento inicial na parte area, logicamentepara o estabelecimento dos rgos responsveis pela fontede fotoassimilados. A estabilizao do acmulo de massaseca na parte area coincidiu com o acmulo exponencialde matria seca nas razes, que se tornou o grande drenoda planta. A matria seca nas razes atingiu praticamente odobro da matria seca da parte area, ao final da avaliao(98 DAS). Resultados semelhantes foram observados porNunes et al. (1981) em beterraba aucareira.Haag & Minami (1987) avaliaram o crescimento dabeterraba atravs da produo de massa seca e verificaramaumentos na massa seca da parte area e de razes at ofinal do ciclo da cultura, por volta de 80 dias.Acmulo de nutrientesNitrognioO acmulo mximo total de nitrognio pela cultivarde beterraba Early Wonder foi de 558,3 mg/planta (186,10kg/ha), obtida aos 60 DAS, sendo que a parte area foiresponsvel por 52,7% e as razes com 47,3%. A maiordemanda ocorreu de 50 a 60 DAS, coincidindo com a pocade maior acmulo de massa seca na planta (Figura 2). Essesresultados foram superiores ao encontrados por Haag &Minami (1987) que para uma populao de 330.000 plantas/ha obtiveram um acmulo de 30 kg/ha de nitrognio eprximos aos obtidos (150 kg/ha) por Trani et al. (1992),citados por Souza et al. (2003).O nitrognio mineral absorvido pelas razes assimilado para satisfazer as necessidades de compostosnitrogenados da planta. Segundo Andriolo (1999), na escalado ciclo da cultura, h, portanto, uma ligao entre aabsoro de N e o crescimento em massa seca da planta.Trani et al. (2005) verificaram uma relao linear entre orendimento de massa seca da parte area e de razes debeterraba com doses aplicadas de nitrognio.GRANGEIRO, L. C. et al.270Cinc. agrotec., Lavras, v. 31, n. 2, p. 267-273, mar./abr., 20071011021031041051061020 30 40 50 60Dias aps a semeaduraNitrognio (mg/planta)0510152025303520 30 40 50 60Dias aps a semeaduraFsforo (mg/planta)010020030040050060020 30 40 50 60Dias aps a semeaduraPotssio (mg/planta)02040608010012020 30 40 50 60Dias aps a semeaduraClcio (mg/planta)05010015020025030020 30 40 50 60Dias aps a semeaduraMagnsio (mg/planta)FIGURA 2 Acmulo de N, P, K, Ca e Mg, total (Y1), parte area (Y2) e razes (Y3) em beterraba, cultivar Early Wonder.Mossor-RN, UFERSA, 2005. Y1=EXP(3,5889 + 0,00456X) R2 = 0,94* Y2=EXP(1,086 + 0,132X 0,0009 X2) R2 = 0,99** Y3=EXP(3,746 + 0,004 X1,5) R2 = 0,98* Y1=EXP(4,238 378,791/ X1,5) R2 = 0,99** Y2=EXP(-3,385 + 0,201X 0,0017X2) R2 =0,99** Y3=EXP(-1,752 + 0,605 X0,5) R2 = 0,99** Y1=EXP(6,948 306,818/ X1,5) R2 = 0,98** Y2=EXP(5,851 975,998/ X,2) R2 = 0,97* Y3=EXP(0,442 + 0,674 X0,5) R2 = 0,99* Y1=EXP(9,075 27,452/ X0,5) R2 = 0,97* Y2=EXP(8,647 - 25,876/ X0,5) R2 = 0,97* Y3=EXP(4,633 2668,370/ X2) R2 = 0,97* Y1=EXP(5,754 - 488,753/ X1,5)R2 = 0,99** Y2=EXP(5,314 - 457,561/ X1,5) R2 = 0,97* Y3=EXP(1,932 + 6,042 E-05 X2,5) R2 = 0,97* 271Acmulo e exportao de nutrientes em beterrabaCinc. agrotec., Lavras, v. 31, n. 2, p. 267-273, mar./abr., 2007Na parte area, a taxa de acmulo mximo denitrognio foi obtido no perodo de 40 a 50 DAS, sendo de8,71 mg/planta/dia, coincidindo tambm com o maioracmulo de massa seca na mesma. J nas razes, a maiortaxa de acmulo (9,82 mg/planta/dia) foi verificada noperodo de 50 a 60 DAS, quando houve um pequenodecrscimo no acmulo da parte area. Embora, em termosde acmulo total, a parte area tenha sido responsvel pormais da metade do nitrognio acumulado pela planta, essadiminuio na taxa de acmulo ocorrido na mesma, no finaldo ciclo, demonstra haver certa inverso com relao aosdrenos preferenciais da planta.Trani et al. (1993), ao revisarem os efeitos donitrognio na adubao de beterraba, verificaram que sovrios os fatores que interferem na sua eficcia. Porexemplo, a resposta aplicao de nitrognio em beterrabadepende do tipo de solo, da temperatura, da poca e maneirade adubao, e da fonte de nitrognio. Por outro lado,adubaes excessivas com N podem afetar na qualidadeda raiz, provocando o acmulo de glutamina e de PCA, umcido orgnico que acarreta sabor amargo na beterrabaaps o cozimento (SOUZA et al., 2003).FsforoO fsforo foi o nutriente de menor acmulo pelabeterraba, com o mximo de 30,67 mg/planta (10,22 kg/ha),atingido aos 60 DAS. A maior demanda ocorreu no perodode 30 a 50 DAS, quando a taxa de acmulo foi deaproximadamente 0,84 mg/planta/dia (Figura 2). As razescontriburam com a maior parte (59,3%) em relao partearea (40,7%). Na parte area, a taxa de acmulo foicrescente at o perodo de 40 a 50 DAS, sendo de 0,43 mg/planta/dia. Nas razes, o comportamento foi semelhante aonitrognio, ou seja, a maior demanda aconteceu de 50 a 60dias. Os valores acumulados de fsforo ficaram prximosdaquele obtidos por Haag & Minami (1987). De uma formageral, a beterraba no considerada uma hortalia exigenteem fsforo, encontrando-se na literatura recomendaesde adubao variando de 60 at 400 kg/ha de P2O5 (TRANIet al., 2003).As quantidades de fsforo retiradas do solo pelashortalias so geralmente baixas, principalmente quandocomparadas com o nitrognio e o potssio. Entretanto,apesar dessa aparente baixa exigncia, os teores dessenutriente na soluo do solo, bem como a velocidade doseu restabelecimento na mesma, no so suficientes paraatender s necessidades das culturas. Como conseqncia,nas adubaes o fsforo que entra em maiorespropores (COUTINHO et al., 1993).PotssioO potssio foi o segundo nutriente maisacumulado pela cultivar de beterraba Early Wonder, comacmulo mximo de 538 mg/planta (179,3 kg/ha), aos 60DAS, tendo a maior demanda ocorrida no perodo de 30a 40 DAS (Figura 2). As participaes da parte area erazes foram respectivamente de 48% e 52%.Diferentemente dos observados por Haag & Minami(1987) e por Kemmler (1988), citados por Trani et al.(1993), que o obtiveram o potssio como o nutriente demaior acmulo.Na parte area, as taxas de maiores acmulosaconteceram at aproximadamente os 40 DAS, com mdiano perodo de 7,93 mg/planta/dia. A partir de ento, asrazes apresentaram uma maior taxa de acmulo em relao parte area, com mximo de 10,5 mg/planta/dia no perodode 50 a 60 DAS. Esse comportamento demonstra que asrazes como rgo de armazenamento, so tambm a partirde certo momento, os drenos preferencias da planta. Abeterraba considerada moderadamente ou bastanteexigente em potssio, existindo certa controvrsia entre osautores. Entretanto, so poucos os trabalhos relativos aosefeitos desse nutriente na produo e qualidade dessahortalia.ClcioO acmulo mximo de clcio foi de 110,24 mg/planta(36,8 kg/ha), atingido aos 60 DAS. A maior demandaocorreu no perodo de 40 a 50 DAS, coincidindo tambmcom o maior acmulo de massa seca pela planta. Aparticipao da parte area foi de 67,1% e das razes 32,9%(Figura 2).Na parte area, a taxa de acmulo mximo de clciofoi obtida no perodo de 40 a 50 DAS, sendo de 2,24 g/planta/dia, coincidindo tambm com o maior acmulo demassa seca na mesma. J nas razes, a maior taxa de acmulo(1,68 g/planta/dia) foi verificada no perodo de 50 a 60 DAS.Em relao aos outros nutrientes (N, P e K), o acmulo declcio foi bem maior na parte area, evidenciando o fato deo clcio absorvido pela raiz ser translocado para parte areae no ser redistribudo dentro da planta, devido a sua baixamobilidade. Tal fato foi observado por Yorinori (2003) embatata.O acmulo total de clcio obtido no presentetrabalho (36,8 kg/ha), foi bem superior aos encontradospor Haag & Minami (1987), quando trabalharam com essamesma cultivar (2,0 kg/ha). Entretanto, foi prximo ao valor(36,0 kg/ha) encontrado por Fersini (1976), citado por Traniet al. (1993).GRANGEIRO, L. C. et al.272Cinc. agrotec., Lavras, v. 31, n. 2, p. 267-273, mar./abr., 2007MagnsioO total acumulado de Mg na planta foi de 252,37mg/planta (84,1 kg/ha), com maior demanda no perodo de50 a 60 DAS (Figura 2), coincidindo com o maior incrementode massa seca na planta. As participaes da parte area erazes foram respectivamente de 80 e 20%. O magnsio, emquantidades maiores que o clcio, acumula-sepreferencialmente na parte area; fato semelhante foiverificado em outras hortalias como em melancia, quandoo maior acmulo foi na parte area em relao aos frutos(GRANGEIRO & CECLIO FILHO, 2004, 2005), em batata(YORINORI, 2003) e tomate (FAYAD, 1998). Uma dasprovveis causa, para essa maior acumulao do Mg naparte area que o mesmo faz parte da molcula de clorofila.De acordo com Marschner (1995), dependendo do statusde Mg na planta, entre 6 a 25% do magnsio total estligado molcula de clorofila, outros 5 a 10% estofirmemente ligados a pectatos, na parede celular, ou comosal solvel, no vacolo.Exportao de nutrientesNo momento da colheita, 60 dias aps asemeadura, as razes correspondiam a 48% da massa secada planta. Do total dos nutrientes acumulados pelabeterraba, as razes participaram com 47,3% de N, 59,3%de P, 52% de K, 32,9% de Ca e 20% de Mg. Os nutrientesP e K, portanto, acumulam-se preferencialmente nas razes,enquanto N, Ca e Mg na parte vegetativa. As quantidadestotais de N, P, K, Ca e Mg exportadas pelas razes foramde 88,0; 6,1; 93,2; 12,1 e 16,8 kg ha-1, respectivamente(Tabela 1).TABELA 1 Exportao de N, P, K, Ca e Mg pelas razesde beterraba cultivar Early Wonder, Mossor-RN,UFERSA, 2005.Nutrientes Exportao (kg/ ha)* Percentagem do total (%) N 88,0 47,3 P 6,1 59,3 K 93,2 52,0 Ca 12,1 32,9 Mg 16,8 20,0 *Densidade de plantio 333.333 plantas ha-1 e produtividadede 30 t ha-1.As quantidades de nutrientes exportadas pelasrazes, portanto, representam importante componente deperdas de nutrientes do solo, que devero ser restitudos,enquanto os nutrientes contidos na parte area podem serincorporados ao solo dentro de um programa dereaproveitamento de restos culturais.CONCLUSESA cultivar de beterraba Early Wonder apresentoucrescimento inicial lento, intensificando-se a partir dos 30dias aps a semeadura;A massa seca total acumulada mxima por plantafoi de 21,35 g/planta, com uma participao da parte areade 52% e das razes de 48%;A maior demanda de nutriente aconteceu no perodode 50 a 60 DAS para N e Mg, 30 a 50 DAS para P, 30 a 40para K e 40 a 50 DAS para Ca, com mximo acumulado de558,3; 30,67 ; 538,0; 100,24 e 252,37 mg/planta,respectivamente para N, P, K, Ca e Mg;As quantidades totais de N, P, K, Ca e Mgexportadas pelas razes foram de 88,0; 6,1; 93,2; 12,1 e 16,8kg ha-1, respectivamente.REFERNCIAS BIBLIOGRFICASANDRIOLO, J. 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