acp casep - criciúma

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  • 1. MINISTRIO PBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA 8 PROMOTORIA DE JUSTIA DA COMARCA DE CRICIMAEXCELENTSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA VARA DA INFNCIA EJUVENTUDE E ANEXOS DA COMARCA DE CRICIMA preciso pensar;Mais que pensar; preciso sentir;Mais do que sentir; preciso agir;Com a Sabedoria quase que divina,Quando se milita na Justia da Infncia e da Juventude(Estatuto da Criana e do Adolescente Comentado, p. 107) OMINISTRIO PBLICODOESTADODE SANTACATARINA, por seu Promotor de Justia, no uso de suas atribuiesconstitucionais e legais, vem, com fundamento nos artigos 127 e 129,incisos II e III, da Constituio da Repblica Federativa do Brasil, no artigo5 da Lei Federal n 7.347/95 e no artigo 201, inciso V, da Lei n 8.069/90(Estatuto da Criana e do Adolescente), propor a presente AO CIVIL PBLICA COM OBRIGAO DE FAZER E NO FAZER CUMULADA COM PEDIDO LIMINAR contra o ESTADO DE SANTA CATARINA, pessoa jurdicade direito pblico interno, na pessoa do senhor Procurador-Geral do Estadocom endereo na rua Saldanha Marinho, 189, Florianpolis/SC, pelasrazes de fato e de direito que passa a expor:

2. MINISTRIO PBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA 8 PROMOTORIA DE JUSTIA DA COMARCA DE CRICIMA 1. DA LEGITIMIDADE ATIVA DO MINISTRIO PBLICO A teor do artigo 127 da Constituio da RepblicaFederativa do Brasil, o Ministrio Pblico "instituio permanente,essencial funo jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa daordem jurdica, do regime democrtico, e dos interesses sociais eindividuais indisponveis", sendo uma de suas atribuies, conforme oartigo 129, inciso III, da Lei Maior, "promover a ao civil pblica para aproteo do patrimnio pblico e social, do meio ambiente e de outrosinteresses difusos e coletivos" grifos no existentes no original. Tambm o artigo 93, da Constituio do Estado de SantaCatarina reserva ao Ministrio Pblico "a defesa da ordem jurdica, doregime democrtico e dos interesses sociais e individuais indisponveis" grifos no existentes no original. Neste contexto, a Lei Orgnica Nacional do MinistrioPblico (Lei n 8.625/93) dispe em seu artigo 25, ser funo do MinistrioPblico, alm de outras previstas nas Constituies Federal e Estadual e emoutras leis, a promoo do inqurito civil e da ao civil pblica para adefesa de direitos de relevncia social. No mesmo diapaso, a Lei Orgnica Estadual do MinistrioPblico (Lei Complementar Estadual n 197/2000), na alnea c do incisoVI de seu artigo 82, proclama ser funo institucional do Ministrio Pblico,entre outras, promover a ao civil pblica, na forma da lei, para "aproteo dos interesses individuais indisponveis, individuais homogneos,difusos e coletivos relativos famlia, criana e ao adolescente, aoidoso e s minorias tnicas" grifos no existentes no original. 3. MINISTRIO PBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA 8 PROMOTORIA DE JUSTIA DA COMARCA DE CRICIMAEspecificamente seara da infncia e juventude, oEstatuto da Criana e do Adolescente suficientemente claro a entregar aoMinistrio Pblico legitimidade para promover ao civil pblica paraproteo dos interesses individuais, difusos ou coletivos, conforme seuartigo 201, V.No bastasse, o mesmo dispositivo atribui ao Parquet amais ampla funo de zelar pelo efetivo respeito aos direitos e garantiaslegais assegurados s crianas e adolescentes, promovendo as medidasjudiciais e extrajudiciais cabveis (inciso VIII), alm de deter atribuio parainspecionar as entidades pblicas e particulares de atendimento e osprogramas de que trata esta Lei, adotando de pronto as medidasadministrativas ou judiciais necessrias remoo de irregularidadesporventura verificadas (inciso XI).Mais do que patente, pois, a legitimidade do MinistrioPblico para propositura da presente demanda.2. DA COMPETNCIAA Lei n 7.347/85 estabeleceu como critrio para fixao dacompetncia, em sede de ao civil pblica, o foro do local onde ocorrer odano (artigo 2). de se ter em conta, ainda, que o artigo 1, inciso IV, domencionado diploma legal, determina que a presente ao legtima para adefesa dos direitos e interesses difusos e coletivos. 4. MINISTRIO PBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA8 PROMOTORIA DE JUSTIA DA COMARCA DE CRICIMA Destarte, ressalvada a competncia da Justia Federal, nahiptese de existir interesse da Unio, entidade autrquica ou empresapblica federal, tratando-se de dano de mbito local, ser competente o foroonde ele ocorreu ou deveria ter ocorrido, reservando-se o foro da Capital doEstado ou do Distrito Federal apenas para os danos de mbito nacional ouregional. Paralelamente, o Cdigo de Processo Civil dispe que "competente o foro do lugar onde a obrigao deve ser satisfeita para a aoem que se lhe exigir o cumprimento" (CPC, art. 100, IV, d). Ainda quanto a competncia, o art. 209, do Estatuto daCriana e do Adolescente estabelece o seguinte: Art. 209. As aes previstas neste Captulo sero propostas no foro do local onde ocorreu ou deva ocorrer a ao ou omisso, cujo juzo ter competncia absoluta para processar a causa, ressalvadas a competncia da Justia Federal e a competncia originria dos Tribunais Superiores. Neste contexto,cuidando-sededanoaodireito segurana, bem como, o dever estatal de integral proteo e incluso dosadolescentes infratores na sociedade, sendo que um dos alicerces que fazinteragir esses direitos neste municpio de Cricima, o Centro deAtendimento Socioeducativo Provisrio que a competncia para o processoe julgamento da presente ao civil pblica mesmo do Juzo da Infncia eJuventude da Comarca de Cricima. 5. MINISTRIO PBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA 8 PROMOTORIA DE JUSTIA DA COMARCA DE CRICIMA3. DOS FATOSO Estado de Santa Catarina, por sua, ento, Secretaria deEstado de Segurana Pblica e Defesa do Cidado e a Organizao No-Governamental Multiplicando Talentos, celebraram Termo de Convnio n18900/2009-6, datado de 17 de dezembro de 2009, (cpia anexa), visandoo atendimentoa adolescentes autores de atos infracionais eminternamento provisrio na Regio de Cricima e adjacncias da a 5Circunscrio Judiciria.J no corpo do citado termo de convnio, a clusulaprimeira indica como OBJETO do pacto prestaratendimentoaadolescentes aos quais se atribua a autoria de ato infracional, em regimede Internamento Provisrio e Definitivo, provenientes das Comarcas daRegio de Cricima, compreendida a 5 Circunscrio Judiciria emunicpios adjacentes.Mais adiante, na Clusula Quinta, das obrigaes daEntidade, fica definido que esta est obrigada a disponibilizar 20 (vinte)vagas, para atendimento a adolescentes aos quais se atribua a autoria deato infracional, em regime de Internamento Provisrio e Definitivo,provenientes das Comarcas da Regio de Cricima, compreendida a 5Circunscrio Judiciria e municpios adjacentes.A preocupao do Estado acerca do nmero de vagas aserem disponibilizadas e o seu compromisso em no exceder suacapacidade, bem como a regio de abrangncia do Centro de AtendimentoSocioeducativo Provisrio CASEP, fica evidenciada no 1 e 2, daclusula primeira, que prev expressamente: 6. MINISTRIO PBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA 8 PROMOTORIA DE JUSTIA DA COMARCA DE CRICIMA Excepcionalmente, comprovada a ausncia de vagas no respectivo Centro de Internamento, ser o adolescente encaminhado para outra unidade, observado, quando possvel, o critrio territorial disposto no artigo 124, IV, do Estatuto da Criana e do Adolescente; Ser autorizada a transferncia de adolescente de um Centro para outro, quando comprovada a imperiosa necessidade, mediante justificativa da Equipe Tcnica da respectiva unidade, para garantia e segurana da integridade fsica do adolescente, desde que previamente autorizado pelo Departamento de Justia e Cidadania e cientificado o juzo competente. Isso porque se parte da premissa que o Estado, nesteponto, pretenda respeitar os princpios e diretrizes do Sistema NacionalSocioeducativo SINASE e do prprio Estatuto da Criana e do Adolescente,garantindo que os adolescentes em cumprimento de medida socioeducativarestritiva de liberdade possa estar prximo sua famlia e seu domiclio (art.124, VI, do ECA). Durante todoesteano de2012,foram feitas,bimestralmente, pelo Ministrio Pblico, atravs da 8 Promotoria deJustia da Comarca de Cricima, observando a Resoluo 71, do ConselhoNacional do Ministrio Pblico, inspees no Centro de AtendimentoSocioeducativo Provisrio de Cricima, onde ficou constatado, em todas asoportunidades, um desvio de funo. Durante as inspees, foi averiguado que o nmero deadolescente internados definitivamente, ou seja, com sentena que aplicoumedida socioeducativa de internao em procedimento de apurao de atoinfracional transitada em julgado sempre, repita-se, sempre superou onmero de adolescentes privados da liberdade provisoriamente, conformedocumentos anexos. 7. MINISTRIO PBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA 8 PROMOTORIA DE JUSTIA DA COMARCA DE CRICIMA bom ressaltar que, embora o termo de convnio entreEstado de Santa Catarina e a entidade Multiplicando Talentos delibereacerca de regime de Internamento Provisrio e Definitivo, o Centro deAtendimento Socioeducativo Provisrio CASEP dentro de sua capacidadee estrutura, destinado internao provisria.No mesmo norte, e apenas para reforar a argumentao(posto que no o mrito da presente ao) ainda que fosse destinadoapenas internao provisria de adolescentes, sua estrutura deficitria,conforme pode se ver do quadro de aspectos fsicos a serem consideradosestabelecido pelo SINASE (documento anexo), onde o CASEP de Cricimano consta, infelizmente, com condies adequadas de higiene, circulao,iluminao e segurana; rea para atendimento de sade/ambulatrios;espao para prtica de esportes e atividade de lazer e cultura, devidamenteequipados e em quantidade suficiente para o atendimento de todos osadolescentes, por exemplo.A situao j preocupante, veio a se agravar nos ltimosdias em razo da intensa transferncia de adolescentes autorizados peloDepartamento de Atendimento Socioeducativo DEASE da Secretaria deJustia e Cidadania do Estado de Santa Catarina, fazendo ingressar noCASEPdeCricimaadolescentesemcumprimento de medidasocioeducativa oriundos de outras regies