acordo ortográfico 1945 / 1973 - priberam .2 decreto n.º 35 228, ... governos pareceu conveniente

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  • ACORDO ORTOGRFICO Aprovado pelo Decreto n. 35 228, de 8 de Dezembro de 1945.

    Alterado pelo Decreto-Lei n. 32/73, de 6 de Fevereiro.

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    Decreto n. 35 228, de 8 de Dezembro de 1945 MINISTRIO DA EDUCAO NACIONAL

    Secretaria Geral

    A entrada em vigor, no nosso Pas, da reforma ortogrfica de 1911, que o Brasil no adoptou, trouxe como consequncia diferenciaes sensveis no regime da escrita, com prejuzo da unidade intercontinental da lngua portuguesa. A fim de obviar aos inconvenientes da situao criada, a Academia das Cincias de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras tomaram a iniciativa de um acordo ortogrfico tendente a restabelecer, mediante transigncias mtuas, a unidade dos dois sistemas. Esse acordo, assinado pelos Embaixadores e pelos presidentes das duas Academias em 30 de Abril de 1931, foi aprovado e mandado executar, em Portugal pela portaria n. 7:117, de 27 de Maio do mesmo ano, e no Brasil pelos decretos n.s 20:108 e 23:028, respectivamente de 15 de Junho de 1931 e de 2 de Agosto de 1933. Em 1934, porm, o artigo 26. da Constituio Brasileira, decretada e promulgada pela Assembleia Constituinte daquele ano, suscitou de novo o problema da ortografia da lngua. E, embora o acordo ortogrfico de 1931 continuasse a vigorar praticamente nas escolas pblicas, s foi legalmente restabelecido no Brasil pelo decreto-lei n. 292, de 23 de Fevereiro de 1938. Pouco depois, em 1940, a Academia das Cincias de Lisboa publicava o seu Vocabulrio Ortogrfico da Lngua Portuguesa, cuja adopo o Governo Brasileiro preconizou, pela voz do seu Ministro da Educao e Sade, na sesso da Academia Brasileira de Letras realizada em 29 de Janeiro de 1942. No ano seguinte os dois Governos, Portugus e Brasileiro, negociavam a Conveno para a unidade, ilustrao e defesa do idioma comum, assinada em Lisboa em 29 de Dezembro de 1943; e, entretanto, a Academia Brasileira de Letras dava tambm a lume o seu vocabulrio ortogrfico. Verificou-se ento que entre os dois vocabulrios (o da Academia das Cincias de Lisboa, de 1940, e o da Academia Brasileira de Letras, concludo em 1943) havia ainda divergncias, que aos Governos pareceu conveniente eliminar, em obedincia ao esprito e letra daquele instrumento diplomtico. Nesse propsito se concertou a vinda a Portugal de uma delegao da Academia Brasileira, munida de poderes que lhe permitissem examinar e decidir, com a seco de filologia da Academia das Cincias, mediante ajustamentos e concesses recprocas, acerca dos pontos ainda controversos, duvidosos ou omissos.

    Com efeito, a Conferncia realizada em Lisboa, de Julho a Outubro do corrente ano, entre os delegados das duas corporaes, permitiu completar a obra da unidade universal da lngua portuguesa, que h vinte e dois anos as duas Academias vinham laboriosamente consolidando e estabilizando. O instrumento do acordo a que se chegou, assinado em 10 de Agosto, o acto complementar de 25 de Setembro que aprovou o desenvolvimento analtico das cinquenta e uma bases, o protocolo de encerramento, de 6 de Outubro, e os trabalhos, em curso, de preparao e organizao de um Vocabulrio Ortogrfico Resumido da Lngua Portuguesa permitem ao Governo realizar desde j os primeiros actos legais tendentes execuo interna da Conveno Ortogrfica Luso-Brasileira. Assim, tendo em ateno as concluses unnimes da Conferncia Interacadmica de Lisboa;

    Usando da faculdade conferida pelo n. 3. do artigo 109. da Constituio, o Governo decreta e eu promulgo o seguinte:

    Artigo 1. Fica aprovado o acordo de 10 de Agosto de 1945, resultante do trabalho da Conferncia Interacadmica de Lisboa, para a unidade ortogrfica da lngua portuguesa, cujos instrumentos, elaborados em harmonia com a Conveno Luso-Brasileira de 29 de Dezembro de 1943, so publicados em anexo ao presente decreto.

    Art. 2. Em conformidade com os votos expressos no protocolo de encerramento da Conferncia Interacadmica de Lisboa, de 6 de Outubro de 1945, a Academia das Cincias de Lisboa incumbida de organizar o Vocabulrio Ortogrfico Resumido da Lngua Portuguesa, que ser ao mesmo tempo inventrio das palavras bsicas do idioma e pronturio da ortografia consagrada pelo acordo de 10 de Agosto de 1945.

    nico. Este Vocabulrio no carece, para ter carcter oficial, da aprovao do Governo, mas o Ministro da Educao Nacional poder, na sua falta, aprovar por portaria qualquer outro que atenda aos mesmos fins de ordem prtica.

    Art. 3. Devero obedecer s normas do sistema ortogrfico unificado todas as publicaes editadas em territrio portugus.

    nico. O Ministro da Educao Nacional autorizar por portaria as publicaes que podem ser exceptuadas, tais como as que interessam diplomtica ou de ndole semelhante.

    Art. 4. O presente decreto entrar em vigor na data da publicao, mas a sua observncia, quanto ao que fica previsto no artigo anterior, s exigvel a partir do dia 1 de Janeiro de 1946.

    Art. 5. O Ministro da Educao Nacional fixar por portaria os prazos durante os quais podero continuar a ser adoptados no ensino os livros escolares j publicados e aprovados data do presente decreto.

    Publique-se e cumpra-se como nele se contm.

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    Paos do Governo da Repblica, 8 de Dezembro de 1945. ANTNIO SCAR DE FRAGOSO CARMONA Antnio de Oliveira Salazar Jos Caeiro da Mata.

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    Conferncia Interacadmica de Lisboa para a unificao ortogrfica da lngua portuguesa

    Documento n. 1 Concluses complementares do Acordo de 1931

    Relatrio Em cumprimento do que ficou resolvido em 6 de Agosto corrente, na nona sesso conjunta das duas

    delegaes Conferncia Interacadmica de Lisboa, a comisso de redaco, abaixo assinada, apresenta o seu relatrio, em que se define a orientao a que obedeceram os trabalhos e se resumem as concluses unanimemente aprovadas pelas duas delegaes, a fim de se eliminarem as divergncias verificadas entre os vocabulrios das respectivas Academias, resultantes do Acordo de 30 de Abril de 1931 e publicados em 1940 e 1943.

    Parte primeira

    I Para que o Acordo interacadmico de 1945 tenha imediata expresso prtica e exemplificativa, as duas

    Academias promovero a publicao conjunta de um Vocabulrio Ortogrfico Resumido da Lngua Portuguesa que consigne, tanto quanto possvel, somente as palavras indispensveis cuja grafia possa servir de modelo s derivadas, afins ou similares.

    II Na elaborao das Instrues que devem preceder o Vocabulrio Ortogrfico Resumido da Lngua

    Portuguesa, a matria ser ordenada, em suas linhas gerais, de conformidade com as Instrues para a Organizao do Vocabulrio Ortogrfico da Lngua Portuguesa elaboradas em 1943 pela Academia Brasileira de Letras.

    III No se consentem grafias duplas ou facultativas. Cada palavra da lngua portuguesa ter uma grafia nica.

    No se consideram grafias duplas as variantes fonticas e morfolgicas de uma mesma palavra.

    IV Existem no lxico da lngua portuguesa inmeros vocbulos de uso limitado ora a Portugal, ora ao Brasil,

    chamados lusismos e brasileirismos. Podendo embora tais vocbulos no figurar nos pequenos ou grandes vocabulrios das respectivas Academias, devero eles obedecer s regras ortogrficas unificadas, em obedincia ao princpio, aqui consagrado, de que todas as palavras da Lngua pertencem a um s sistema ortogrfico.

    V Reconheceu-se que as principais divergncias que se observam nos vocabulrios de 1940 e 1943 provm,

    sobretudo, de fenmenos fonticos, peculiares, como natural, no s a cada um dos dois pases, mas at a determinadas regies de um ou do outro.

    Sendo propsito dos dois Governos e das duas Academias de Portugal e do Brasil a unidade ortogrfica, em harmonia com o esprito e a letra da Conveno Luso-Brasileira de 29 de Dezembro de 1943, foi preciso transigir, de parte a parte:

    a) quanto a determinadas consoantes que, na pronncia respectiva dos dois pases, ora so mudas, ora so sonoras ou ligeiramente sonoras (exemplos: fato, facto; adoo, adopo; espetacular, espectacular, etc.), tanto mais que, mesmo em cada um dos dois pases, no invarivel, em todas as regies, o uso de tais consoantes;

    b) quanto acentuao grfica, ora modificada, ora abolida, de modo que as mesmas palavras nunca sejam escritas diferentemente, sendo isso, at certo ponto, uma consequncia da doutrina anterior;

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    c) e, de modo geral, quanto ao princpio, at ento observado, de que tudo quanto se diferena na fala se diferena na escrita, porquanto, obedecendo a lngua portuguesa, em cada um dos continentes onde falada, a tendncias fonticas variveis, nunca se poderia chegar desejada unidade ortogrfica, se se obedecesse rigorosamente a tal princpio.

    VI Cada uma das duas delegaes apresentou, no incio dos trabalhos, uma lista de observaes sobre as

    divergncias verificadas na, aplicao do Acordo de 1931 e constantes dos vocabulrios de 1940 e de 1943. Do exame a que se procedeu de cada uma de tais divergncias, assim como do estudo de algumas questes

    pendentes ou omissas que convinha esclarecer, tudo em proveito da unidade da ortografia comum aos dois pases, resultaram as resolues, unanimemente aprovadas, que constam da parte a seguir.

    Compendiando embora este relatrio todas as solues aprovadas, e firmando desde logo o compromisso das Academias no tocante sua observncia, a Conferncia providenciar para a elaborao imediata de um texto que contenha, analiticamente, as bases ortogrficas do presente Acordo e dos ajustamentos que o completarem.

    Dessarte, ter-se-o atingido plenamente os fins do Acordo interacadmico de 1931 e da Conveno Luso-Brasileira de 29 de Dezembro de 1943: a unidade ortogrfica da lngua portuguesa.

    Parte segunda

    I Manuteno do k, do w e d