ACIDENTES COM TRATORES - Avaliar os riscos de acidentes ... ?· do acidente estivessem usando o cinto…

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  • revista Agrcola | 41

    A ausncia destes dispositivos de segurana aumenta signif cativamente os percentuais de morte por esmaga-mento do operador.

    Ausncia de Estruturas de Proteo contra Capotamento, risco iminente de esmagamento do Operador.

    O Instituto Nacional de Segurana e Sade Ocupacional Americana estima que a porcentagem de leses ocasiona-das pelo capotamento de tratores pode-ria ser reduzida em aproximadamente 70%, se todos os tratores nos Esta-dos Unidos estivessem equipados com estruturas de proteo contra capota-mento e se os operadores no momento do acidente estivessem usando o cinto de segurana.

    No Brasil, estudos sobre acidentes rurais ainda so bastante limitados, existem poucos trabalhos sobre aciden-tes com conjuntos tratorizados, dif cul-tando o estudo das causas especf cas do acidente e, restringindo as bases de dados que poderiam auxiliar no controle da freqncia e gravidade dos aciden-tes.

    Alm do tombamento da mquina, outro mecanismo que tem causado grande nmero de acidentes fatais ou ocasionando leses graves e irrevers-veis, so a utilizao de equipamentos acionados pela tomada de potncia do trator, conhecida pela sigla TDP, este eixo cardn, transmite a potncia do motor do trator para acionamento de equipamentos a ele acoplado, quase que a totalidade dos acidentes ocor-ridos com este mecanismo poderiam ser evitados se os operadores tivessem mais conhecimento e conscincia no momento da utilizao do mesmo. V-rios mecanismos de proteo para es-tes tipos de eixo esto disponveis no mercado, muitos inclusive j acompa-nham o equipamento no momento de sua aquisio, porm durante a opera-o esto sujeitos a quebras e jamais so substitudos.

    Acidentes com Tomada de Potncia

    Outro ponto importante quando se fala em tomada de potncia, so as improvisaes, conhecidas como gambiarras comum a utilizao de vergalhes, pregos, arames de cerca entre outros, em substituio aos pinos de unio das extremidades dos eixos, (Figura 5), soldas entre outros, trans-formam estes equipamentos em verda-deiras mquinas de arrancar braos e pernas ou causar a morte do operador.

    Improvisaes Gambiarra

    Acidentes com Tomada de Potncia tem um grande percentual de mutilaes

    Acidentes com tomada de potencia corresponde a 35% do total de acidentes na regio de Botucatu

    Leses ocasionadas por Tomada de Potncia

    Uma prtica muito comum a circulao de mquinas agrcolas em vias pblicas e tem sido algo comum no cotidiano das cidades brasileiras tanto nas capitais quanto nos interiores, de-vido a necessidade de locomoo entre as reas de cultivo para execuo das atividades agrcolas com tambm para transportar insumos at a propriedade ou o ponto de distribuio. Esta prtica tem gerado situaes de grande risco aos demais condutores de veculos, pois estas mquinas se deslocam em veloci-dades inferiores que os demais veculos na via e possuem dimenses superiores que muitas vezes ocupam mais de uma faixa de rolamento. Este tipo prtica tem causado muitos acidentes graves e fatais pelas rodovias do pas, comum em pocas de safra, estas m-quinas estarem transitando pelas rodo-vias, muitas vezes ocupando metade da faixa de rolamento, por se tratarem de mquinas grandes, trazendo um risco iminente para os usurios das vias.

    Deslocamento de tratores em rodovias

    Alm disso, o trnsito de mquinas nos centros urbanos tambm tem cau-sado srios acidentes.

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    Agrcola

    Estudos recentes realizados pela Organizao Internacional do Trabalho (OIT), mostraram que

    as atividades agrcolas, em especial a utilizao de mquinas agrcolas, esto entre as trs atividades mais perigosas para os trabalhadores, sendo que para cada trs acidentes ocorrido no meio rural, um ocasionou a incapacidade permanente do trabalhador. A operao com tratores e equipamentos agrcolas so as que oferecem os maiores riscos de acidentes. Os acidentes de trabalho representam enorme importncia social e econmica, estudos estatsticos tm demonstrado a gravidade deste proble-ma, seja pela incidncia de acidentes, seja pela idade dos acidentados, seja pelas suas conseqncias.

    O artigo 131 do Decreto no 2.172, de 05 de maro de 1997, acidente de trabalho no meio rural o que ocorre na realizao do trabalho rural, a servio do empregador, provocando leso cor-poral, perturbao funcional ou doena que cause a morte ou reduo perma-nente ou temporria da capacidade para o trabalho. De uma maneira geral, conforme expem ZCCHIO (1971) e UNESP (1994), o acidente de trabalho no meio rural pode ser considerado como sendo todo o acontecimento que no esteja programado e que interrom-pa, por pouco ou muito tempo, a reali-zao de um servio, provocando perda de tempo, danos materiais e/ou leso corporal. Neste sentido, o acidente considerado grave quando resulta no afastamento do trabalhador rural da sua atividade produtiva por um pero-do igual ou superior a 15 dias (UNESP, 1994).

    Segundo MRQUEZ (1986), na Es-panha e nos demais pases europeus, aproximadamente 40% do total de aci-

    dentes ocorridos no setor agrrio en-volvem mquinas agrcolas e, destes, metade so devido ao uso do trator agr-cola.

    A utilizao intensa de mquinas agrcolas ampliou consideravelmente os riscos a que esto sujeitos os traba-lhadores rurais, e mais de 60% das mor-tes ocorridas em acidentes de trabalho no setor agrrio so conseqncias da mecanizao agrcola. Silva & Furlani (1999).

    Vrios estudos reportam a incidn-cia de acidentes na agricultura, sa-lientando dados como o envolvimento ou no das mquinas, tipo de trauma, idade dos acometidos e principalmen-te o modo de ocorrncia, objetivando basicamente analisar e estabelecer medidas de preveno das leses. O trabalho agrcola uma das ocupaes de maior risco nos Estados Unidos da Amrica, sendo que as mquinas esto envolvidas em grande parte dos aciden-tes (Lubicky, 2009).

    Quanto idade, refere-se o autor que 40% das mortes em crianas na zona rural so conseqncias de aci-dentes com mquinas agrcolas. Infor-maes do Departamento de Agricul-tura (2008) daquele pas, af rmam que acidentes com tratores, tm sido identi-f cados como a principal causa de mor-te ou leso incapacitante em trabalha-dores rurais. Em trabalho semelhante, Douphrate et al (2009), referem-se que na zona rural dos EUA, os tratores so responsveis por uma alta proporo de acidentes fatais ou no. Os autores res-saltam inclusive o modo de ocorrncia das leses, isto , um grande nmero de acidentes acontece quando o traba-lhador sobe ou desce da mquina.

    No Brasil as principais causas de acidentes com tratores agrcolas so,

    falta de ateno durante a operao, treinamento e capacitao dos opera-dores e conscientizao dos mesmos na operao da mquina.

    A Norma Regulamentadora De Se-gurana E Sade No Trabalho Na Agri-cultura, Pecuria, Silvicultura, Explo-rao Florestal E Aqicultura NR 31 (Portaria N. 86, DE 03/03/05 - DOU DE 04/03/05), no pargrafo 31.12, que trata das mquinas e equipamen-tos agrcolas, determina que todos os tratores agrcolas devem ser equipados com diversos dispositivos de segurana que garantem a integridade fsica do operador desde que usados de maneira correta, dentre estes equipamentos po-demos citar as estruturas de proteo contra capotamento, que usadas em conjunto com o cinto de segurana, pro-tegem o operador de ser esmagado pelo trator quando este vier a tombar.

    Estruturas de Proteo ao Capotamento (EPC)

    ACIDENTES COM TRATORES

    Cinto de segurana

  • 42 | revista

    Agrcola

    O Laboratrio de Investigao de Acidentes com Mquinas Agrcolas LIMA, da Universidade Federal do Cear em parceria com a 16a Delegacia da Policia Rodoviria Federal, vem rea-lizando estudos sobre a distribuio geogrf ca dos acidentes envolvendo tratores nas rodovias federais brasilei-ras, segundo estes estudos, a Regio Nordeste ocupa o terceiro lugar em n-mero de acidentes envolvendo tratores agrcolas em Rodovias Federais Brasilei-ras perdendo somente paras as regies Sudeste e Sul do pas, em contrapartida segundo dados da ANFAVEA 2006 a re-gio Nordeste ocupa a penltima posi-o em relao ao nmero de mquinas agrcolas em circulao no pas, confor-me o grf co abaixo.

    Distribuio Geogrf ca dos Acidentes em Rodovias Federais Brasileiras

    Outra prtica comum entre os ope-radores o carona, nos deslocamentos at o local de trabalho grande maioria dos operadores acabam transportando pessoas em cima dos para lamas do trator, em p nos degraus, nos braos do terceiro ponto, consequentemente a ocorrncia de atropelamentos em fun-o de quedas de cima do trator vem aumentado.

    Transporte irregular de pessoas carona

    Outros operadores acabam levando seus f lhos para o local de trabalho e os mesmos andam em cima dos para la-mas pois no h espao no trator para acomodar as crianas de forma segura.

    Transporte de crianas no trator

    Campanhas de conscientizao e capacitao so necessrias para a re-duo dos acidentes envolvendo trato-res agrcolas.

    Prof. Dr. Leonard MonteiroCoordenador LIMA aiveca@ufc.brhttp://acidentestrator.wordpress.com

    (85) 9662 7025 / 3366 9128

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