Acidentes com máquinas agrícolas

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  • ACIDENTES COM MQUINAS AGRCOLAS: texto de referncia para tcnicos e extensionistas

  • NGELO VIEIRA DOS REIS

    ANTNIO LILLES TAVARES MACHADO

    ACIDENTES COM MQUINAS AGRCOLAS: texto de referncia para tcnicos e extensionistas

    Editora e Grfica UniversitriaPelotas Pelotas/Maro de 2009

  • Obra publicada pela Universidade Federal de Pelotas Reitor: Prof. Dr. Antonio Cesar G. Borges Vice-Reitor: Prof. Dr. Manoel Luiz Brenner de Moraes Pr-Reitor de Extenso e Cultura: Prof. Dr. Luiz Ernani Gonalves vila Pr-Reitor de Graduao: Prof. Dra.Eliana Pvoas Brito Pr-Reitor de Pesquisa e Ps-Graduao: Prof Dr. Manoel de Souza Maia Pr-Reitor Administrativo: Eng. Francisco Carlos Gomes Luzzardi Pr-Reitor de Planejamento e Desenvolvimento: Prof. lio Paulo Zonta Pr-Reitor de Recursos Humanos: Admin. Roberta Trierweiler Pr-Reitor de Infra-Estrutura: Mario Renato Cardoso Amaral Pr-Reitoria de Assistncia Estudantil: Assistente Social Carmen de Ftima de Mattos do Nascimento

    CONSELHO EDITORIAL Prof. Dr. Antonio Jorge Amaral Bezerra Prof. Dr. Elomar Antonio Callegaro Tambara Prof. Dr. Isabel Porto Nogueira Prof Dr. Jos Justino Faleiros Prof: Lgia Antunes Leivas Prof Dr Neusa Mariza Leite Rodrigues Felix Prof. Dr. Renato Luiz Mello Varoto Prof. Ms. Valter Eliogabalos Azambuja Prof. Dr. Volmar Geraldo Nunes Prof. Dr. Wilson Marcelino Miranda Diretor da Editora e Grfica Universitria: Prof. Dr. Volmar Geraldo da Silva Nunes Gerencia Operacional: Daniela da Silva Pieper Chefe da Seo Grfica: Carlos Gilberto Costa da Silva Layout e Editorao Eletrnica: Jos Hermnio Barbach Ilustraes: Csar Silva de Morais Capa: Gilnei da Paz Tavares

    Impresso no Brasil Edio: 2009 ISBN 978-85-7192-368-3 Tiragem: 1.000 exemplares

    R375a Reis, ngelo Vieira dos Acidentes com mquinas agrcolas : texto de referncia para tcnicos

    e extensionistas / ngelo Vieira dos Reis e Antnio Lilles Tavares Machado Pelotas : Ed. Universitria UFPEL, 2009.

    103p. : il.,

    1. Mquinas agrcolas 2. Acidentes de trabalho 3. Uso do trator 4. Preveno de acidentes 5. Segurana do trabalho I. Ttulo II. Machado, Antnio Lilles Tavares

    CDD 614.8

    Dados de catalogao na fonte: (Marlene Cravo Castillo CRB-10/744)

    EDITORA E GRFICA UNIVERSITRIA R Lobo da Costa, 447 Pelotas, RS CEP 96010-150 Fone/fax: (53) 3227 8411 e-mail: editora@ufpel.edu.br

    Projeto financiado pelo Edital MCT/CNPq/MDA/SAF/MDS/SESAN - N 36/2007 - Seleo Pblica de Propostas para Apoio a Projetos de Extenso Tecnolgica Inovadora para Agricultura Familiar

  • SUMRIO

    1. Acidentes de trabalho com mquinas agrcolas .............................. 13 1.1 Introduo ................................................................................. 13 1.2 Definio de acidente de trabalho ............................................. 16 1.3 Tipificao de estatsticas ......................................................... 18

    2. Conscientizao sobre a necessidade de se prevenir acidentes..... 23 2.1 Aspectos econmicos ............................................................... 24 2.2 Aspectos sociais e familiares .................................................... 26

    3. Causas dos acidentes com mquinas agrcolas ............................. 29 3.1 Atos inseguros .......................................................................... 34 3.2 Condies inseguras ................................................................ 36 3.3 Fatores pessoais ...................................................................... 36 3.4 Causas especficas de acidentes com tratores ........................ 37

    4. Simbologia utilizada para alertar o operador sobre perigos ............ 43

    5. Preveno de acidentes .................................................................. 51 5.1 Vestimenta adequada a necessidade de EPI ........................... 54 5.2 Categorizao dos perigos decorrentes do uso de mquinas

    agrcolas ................................................................................... 57

  • 5.2.1 Perigos mecnicos .......................................................... 57 5.2.2 Perigos respiratrios ........................................................ 60 5.2.3 Perigos sonoros ............................................................... 60

    5.3 Trator de quatro rodas .............................................................. 61 5.3.1 Preveno dos principais acidentes ................................ 62 5.3.2 Outros procedimentos de segurana ............................... 73

    5.4 Trator de duas rodas ................................................................. 84

    6. Manuseio de agrotxicos ................................................................ 91 6.1 Formas de exposio a agrotxicos ......................................... 92 6.2 Classes de toxidade .................................................................. 94 6.3 Medidas preventivas ................................................................. 96

    BIBLIOGRAFIA ................................................................................... 101 AGRADECIMENTOS .......................................................................... 103

  • LISTA DE FIGURAS

    FIGURA 1 Principais tipos de acidentes fatais envolvendo tratores agrcolas em nvel mundial (adaptado de Debiase, 2002) ....................................................... 20

    FIGURA 2 Principais tipos de acidentes envolvendo tratores agrcolas na regio central do RS (fonte: Debiase & Shlosser, 2001) ................................................... 20

    FIGURA 3 Local do corpo atingido nos acidentes com mquinas agrcolas (fonte: FUNDACENTRO, 1990). ..................................................................... 20

    FIGURA 4 Dedos da mo decepados durante o trabalho com mquina agrcola (Fonte: Alono, 2004) ................ 28

    FIGURA 5 Agricultor morto pelo tombamento lateral do trator em estrada (fonte no identificada) ........................ 28

    FIGURA 6 Principais causas dos acidentes com tratores (fonte: Debiase & Schlosser, 2001) ........................ 34

    FIGURA 7 Efeito de diferentes condies do operador sobre a distncia necessria para parar o trator (Fonte: Couto, 2008 UFRRJ) ........................................... 39

    FIGURA 8 Painel de instrumentos tpico de um trator agrcola de operao de quatro rodas (Fonte: John Deere) 47

    FIGURA 9 Como as roupas soltas podem se prender s partes mveis do trator (Hershmann et al., 2004) ... 55

    FIGURA 10 Alguns EPls utilizados na aplicao de agrotxicos e em ambientes insalubres e/ou perigosos ............ 56

  • 8

    FIGURA 11 Seqncia e tempo de capotamento longitudinal de um trator (Fonte: Alono, 2005) ........................ 63

    FIGURA 12 Estrutura de proteo contra o capotamento do tipo arco simples .................................................... 64

    FIGURA 13 Risco de capotamento pela operao muito prxima a valetas ................................................... 66

    FIGURA 14 Risco de capotamento pela trao de cargas pelo acoplamento do 3 ponto ....................................... 66

    FIGURA 15 Risco de capotamento lateral pela operao em encostas muito inclinadas ...................................... 67

    FIGURA 16 Risco de capotamento ao tentar subir em rampas muito ngremes ...................................................... 67

    FIGURA 17 Placa indicadora de veculo lento instalada na parte traseira do trator (Fonte: Hershmann et al., 2004) ...................................................................... 70

    FIGURA 18 Proteo principal do eixo da TDP (Fonte: Hershmann et al., 2004) ......................................... 72

    FIGURA 19 Eixo card da TDP e sua proteo externa .......... 72 FIGURA 20 Vista traseira de um trator mostrando a barra de

    trao, o sistema de engate de trs pontos e a TDP (Fonte: Reis et al., 2005) ................................ 76

    FIGURA 21 Alinhamento da barra de trao ao cabealho do implemento (Fonte: Hershmann et al., 2004) .......... 77

    FIGURA 22 Seo do eixo da TDP de 1.000rpm e 540 rpm .... 81 FIGURA 23 Trator de duas rodas tpico (Fonte: Reis et al.,

    2005) ...................................................................... 85 FIGURA 24 Comandos da rabia do trator ................................ 87 FIGURA 25 Detalhe da embreagem e freio principal ................ 87 FIGURA 26 Realizao de curvas com trator de rabia ............ 90

  • LISTA DE QUADROS

    QUADRO 1 Fatores ambientais influenciando o trabalho agrcola .................................................................... 29

    QUADRO 2 Fatores pessoais influenciando o trabalho agrcola . 30 QUADRO 3 Fatores relacionados atividade agrcola

    influenciando o trabalho ........................................... 31 QUADRO 4 Fatores scio-econmicos e polticos influenciando

    o trabalho agrcola .................................................... 32 QUADRO 5 Pictogramas de aviso de perigo dos acidentes mais

    comuns com tratores ................................................ 45 QUADRO 6 Alguns smbolos utilizados como instrues de

    operao em tratores ............................................... 48 QUADRO 7 Matriz de risco .......................................................... 52

  • LISTA DE TABELA

    TABELA 1 Critrios utilizados para a determinao do nvel de gravidade dos acidentes (NGA) .................... 19

  • 1. Acidentes de trabalho com mquinas agrcolas

    1.1. Introduo

    As atividades rurais so consideradas como as mais perigosas que existem para os trabalhadores, podendo superar, inclusive, aquelas da construo civil. Algumas caractersticas nicas do ambiente agrcola levam-no a apresentar fatores negativos com relao segurana do trabalho: ausncia de uniformidade e controle sobre o local de trabalho e das prprias atividades; sobreposio entre o local de trabalho e o lar; o emprego freqente de mo-de-obra familiar sem restries de idade (tanto crianas e adolescentes como idosos trabalham); incipiente atuao do estado como legislador e fiscalizador de leis regulamentadoras dos riscos e perigos das atividades agrcolas. Sobre esse ltimo aspecto, pode-se dizer que o Brasil conta apenas com as Normas Regulamentadoras do Ministrio do Trabalho e Emprego. Dentre elas a NR 31 (Norma Regulamentadora de Segurana e Sade no Trabalho na Agricultura, Pecuria, Silvicultura, Explorao Florestal e Aqicultura) oferece, de forma demasiadamente genrica, um conjunto de recomendaes e prescries de segurana para o desenvolvimento do trabalho no meio rural, fixando os graus de responsabilidade do empregador, do empregado e dos fornecedores de equipamento.

  • 14

    Dentre as atividades agrcolas, as operaes mecanizadas so as que oferecem maiores riscos de acidentes. Essas operaes pressupem no somente o emprego de mquinas, mas a interferncia do homem, formando um sistema homem-mquina, que deve ser suficientemente eficiente para que tanto a quantidade do trabalho produzido como a sua qualidade sejam timas. Adicionalmente, um sistema homem-mquina eficiente (mquinas adequadas ao meio e operadores suficientemente capacitados) tem menor chance de produzir acidentes no trabalho.

    A percepo de que a disseminao progressiva das operaes mecanizadas vem agravando o quadro de acidentes no campo muito bem posta por Schlosser et al. (2002): se antes os acidentes de trabalho no meio rural estavam restritos basicamente a quedas,

    ferimentos com ferramentas de trabalho (enxada, faco) e

    envenenamentos causados por animais peonhentos, a manipulao de

    agrotxicos e a utilizao intensa de mquinas agrcolas ampliou

    consideravelmente os riscos a que esto sujeitos os trabalhadores rurais

    em seu trabalho dirio. Os autores relatam que com o aumento da produo de tratores na dcada de 60 do sculo XX, aumentou o nmero de acidentes no meio rural, na maioria dos casos de risco superior aos que ocorriam anteriormente. Isto se deveu substituio dos trabalhos manuais e com animais de trao pela mecanizao das tarefas agrcolas. Para que se tenha idia da gravidade da situao, os autores afirmam que na regio Central do Rio Grande do Sul, ocorrem

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    A conscientizao o ponto chave para que o agricultor adote prticas de segurana.

    trs acidentes de trabalho envolvendo mquinas agrcolas a cada 200 propriedades mecanizadas, sendo que 75% destes envolvem de alguma forma tratores agrcolas.

    A anlise desse processo histrico leva a crer que o fenmeno pode se repetir com a introduo acelerada de mquinas nos sistemas de produo da agricultura familiar. A agricultura familiar permaneceu por um longo perodo sem acesso s linhas de crdito para o fomento da produo agropecuria. A demanda reprimida de aquisio de mquinas e implementos agrcolas, sobretudo tratores, comeou a ser contrabalanada pelo surgimento e plena operacionalizao do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF). O considervel volume de crdito disponibilizando a esse setor tem sido utilizado na compra de mquinas e implementos agrcolas

    numa parcela no desprezvel dos contratos. Assim, pode-se concluir que a sociedade est diante de um franco processo de mecanizao dos pequenos estabelecimentos rurais, o que poder trazer consigo o indesejado aumento da ocorrncia de acidentes no meio rural.

    justamente no sentido de atacar o problema da falta de capacitao dos agricultores familiares para operar eficazmente as mquinas adquiridas e, conseqentemente, reduzir os riscos de acidentes que se apresenta essa cartilha. O objetivo do texto informar, conscientizar e apresentar ao pessoal tcnico dos

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    rgos oficiais de extenso, das associaes de pequenos agricultores, das cooperativas e das organizaes no-governamentais (ONGs), as prticas de segurana na operao de tratores com maior potencial para o controle dos acidentes no meio rural. Embora haja planos para editar outras duas cartilhas, mais simples, para os agricultores e crianas, acredita-se que os leitores aos quais se destina esta obra tero, por sua atuao quotidiana junto aos agricultores familiares, uma ao multiplicadora das informaes e das recomendaes aqui condensadas e apresentadas. Dessa forma, espera-se que aumente a conscientizao do agricultor a respeito dos riscos e das conseqncias dos acidentes agrcolas com mquinas. Alis, os pesquisadores desse assunto so unnimes em afirmar que a conscientizao o ponto chave para que o agricultor adote prticas de segurana. Sem a conscientizao, as recomendaes de segurana so tomadas apenas como mais um estorvo na atividade agrcola.

    1.2. Definio de acidente de trabalho O acidente de trabalho definido no Regulamento dos

    Benefcios da Previdncia Social no artigo 131 do Decreto n 2.172, de 05 de maro de 1997, como aquele que ocorre pelo exerccio do trabalho a servio da empresa, provocando leso corporal ou

    perturbao funcional que cause a morte ou a perda ou reduo,

    permanente ou temporria, da capacidade para o trabalho. Mais genericamente, segundo Alono (2005), acidente de

    trabalho todo o acontecimento que no esteja programado e que

  • 17

    No necessrio que uma determinada ocorrncia produza leses ao trabalhador para ser considerada acidente.

    interrompa, por pouco ou muito tempo, a realizao de um servio,

    provocando perda de tempo, danos materiais ou leso corporal. Assim, no necessrio que uma determinada ocorrncia produza leses ao trabalhador para ser considerada acidente. Tampouco necessrio que haja vnculo empregatcio para o que o acidente seja configurado, o que muito importante para a agricultura familiar onde todo o trabalho feito quase que exclusivamente pelo agricultor e seus familiares.

    O fato de no haver danos fsicos ao trabalhador , na maioria das vezes, uma questo de sorte, pois os eventos com danos materiais ensejam todas as condies para que os primeiros ocorram: acontece em intervalos de tempo muito curtos e de forma inesperada, dificultando, ou mesmo impossibilitando, a pronta resposta das pessoas envolvidas; foras muito elevadas esto geralmente presentes, especialmente com mquinas agrcolas; podem liberar agentes txicos; produzem comportamentos inesperados dos equipamentos, os quais, invariavelmente, aumentam as chances danos fsicos ao trabalhador.

    Essa noo mais ampla de acidente de trabalho, proposta pelos estudiosos do assunto, favorece a preveno por considerar eventos que poderiam ter causado danos materiais e, conseqentemente, inclu-los nas estatsticas de acidentes. Essas mesmas estatsticas so norteadoras das aes que visam reduzir o nmero e a gravidade dos

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    acidentes, que vo desde o projeto dos equipamentos, mudanas na legislao, adoo de procedimentos preventivos at a capacitao da mo-de-obra.

    1.3. Tipificao e estatsticas

    Os acidentes que resultam em danos fsicos ao trabalhador podem ser classificados em acidentes fatais (morte do trabalhador e ou de pessoas no envolvidas diretamente no trabalho), acidentes graves e acidentes leves. Embora no haja uma definio legal do que sejam acidentes graves e acidentes leves, Schlosser et al. (2002) consideram acidentes graves aqueles que afastem o trabalhador por mais de 15 dias de suas atividades. Uma classificao bem mais detalhada e que leva em conta a natureza do ferimento proposta por Debiase (2002) e apresentada na Tabela 1. A caracterizao da gravidade dos acidentes com danos pessoais de fundamental importncia para que se tenham estatsticas confiveis e, conseqentemente, aes apropriadas para o controle da freqncia dos eventos, reduo dos riscos e de sua gravidade. Nesse aspecto importante salientar que, ao contrrio do que ocorre na cidade, os acidentes do meio rural, mesmo os fatais, so pouco noticiados. Como em grande nmero de casos no h relao formal de trabalho ou trata-se de mo-de-obra familiar, os acidentes deixam de ser comunicados ao Ministrio do Trabalho e Emprego, o que, igualmente, dificulta a soluo desse grave problema.

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    Tabela 1 - Critrios utilizados para a determinao do nvel de gravidade dos acidentes (NGA).

    NVEL QUALITATIVO CARACTERIZAO NGA Desprezvel Incmodos passageiros, sem leses 1 Muito leve Leses pequenas, sem afastamento do trabalho 2 Leve Afastamento menor ou igual a 7 dias 3 Mdia-baixa Afastamento entre 8 e 30 dias 4 Mdia Afastamento entre 31 e 180 dias 5 Mdia-alta Afastamento entre 181 e 360 dias (1 ano) 6 Grave Afastamento maior que 360 dias 7 Muito grave Perda parcial de funes (cegueira de 1 olho) 8 Extremamente grave Perda permanente de funes (2 olhos) 9 Fatal Morte 10

    Fonte: Debiase (2002)

    A falta do comunicado relatando o acidente envolvendo mquinas agrcolas s autoridades torna difcil a obteno de dados seguros a respeito da freqncia dos acidentes assim como a sua gravidade. Esse fato, embora seja grave no Brasil, tambm observado em pases mais desenvolvidos. Para que se tenha uma idia, Field (2008) estima que para a cada pessoa morta em acidentes com tratores nos EUA outras 40 so feridas.

    A seguir so apresentados alguns dados que resumem as estatsticas de acidentes com mquinas agrcolas no mundo (Figura 1) e na regio central do estado do Rio Grande do Sul (Figura 2), juntamente com os locais do corpo mais atingidos (Figura 3).

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    Capotamento; 54%

    Quedas e atropelametos; 17%

    Colises c/ outros veculos ou

    obstculos; 10%

    Contato com a TDP; 7%

    Outros; 12%

    Capotamento; 51,7%

    Quedas c/ o trator em movimento;

    16,1%

    Atropelamento; 9,3%

    Contato com a TDP; 14,4%

    Batidas; 4,2%

    Outros; 4,2%

    Mos; 28%

    Ps; 23%Coxa, perna e tornozelo; 14%

    Tronco; 11%

    Olhos; 6%

    Ombros e braos; 5%

    Face, pescoo, couro cabeludo; 4%

    rgos internos; 3%

    No definidos; 6%

    Figura 1 Principais tipos de acidentes fatais envolvendo tratores agrcolas em nvel mundial (adaptado de Debiase, 2002).

    Figura 2 Principais tipos de acidentes graves envolvendo tratores agrcolas na regio central do RS (fonte: Debiase & Schlosser, 2001).

    Figura 3 Local do corpo atingido nos acidentes com mquinas agrcolas (fonte: FUNDACENTRO, 1990).

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    A cada quatro acidentes envolvendo tratores agrcolas, um produz a invalidez permanente da vtima.

    Percebe-se o quo preocupante o tema quando se verifica que 39% dos trabalhadores rurais entrevistados por Debiase & Schlosser (2001), na regio central do Rio Grande do Sul, j sofreram algum tipo de acidente com tratores. A estatstica torna-se mais grave se a esse dado for associada estimativa de que a cada quatro acidentes envolvendo tratores agrcolas, um produz a invalidez permanente da vtima.

    Outro aspecto que merece ateno o local de ocorrncia dos acidentes. Em pases subdesenvolvidos como o Brasil e a ndia de 40 a 50% dos acidentes com tratores ocorrem em operaes de transporte ou estradas. Umas das provveis razes talvez seja a utilizao dessa mquina como meio de transporte pessoal e de cargas. Medidas para tentar mitigar esse tipo de acidentes tambm sero apresentadas.

  • Para reduzir os riscos de acidentes, a pessoa deve entender as conseqncias de suas prprias aes.

    SIGA AS NORMAS DE PREVENO! No h dinheiro que pague a perda de uma vida.

    2. Conscientizao sobre a necessidade de se prevenir acidentes

    Conforme visto, a conscientizao dos agricultores e das outras pessoas envolvidas com o

    uso de mquinas agrcolas, especialmente os tratores, sobre as graves implicaes de um acidente fundamental para a adoo de prticas de segurana e escolha e aquisio de equipamentos seguros. Sem essas atitudes, pouco provvel que tanto a freqncia quanto a gravidade dos acidentes no meio rural sejam abrandados. Sendo assim, h trs aspectos que podem ajudar a sensibilizar os agricultores sobre a necessidade de se prevenir acidentes: os econmicos, os sociais e familiares e, os de sade (doenas, invalidez e morte).

    Outra questo que merece ser lembrada que as normas de segurana e regulamentaes sobre o uso de equipamento de proteo individual (EPI) so destinadas proteo e manuteno da sade do

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    agricultor, no devendo ser encaradas como obstculos lucratividade, pois no h dinheiro que pague a perda de uma vida.

    2.1. Aspectos econmicos

    No se conhece uma estimativa dos custos financeiros dos acidentes com mquinas agrcolas no Brasil. Para a Europa como um todo, os pesquisadores estimam que o valor anual passe bastante de um bilho de dlares. Os custos financeiros incluem, entre outros, os prejuzos da prpria mquina, reduo da produtividade ou produo (custo indireto) e o custo financeiro para o estado.

    Seguindo a viso mais ampla de acidente, verifica-se que, em muitos casos, a ocorrncia imprevista resulta na quebra do trator ou da mquina agrcola. Para que a mquina readquira o seu estado de funcionamento anterior os danos materiais sofridos devem ser reparados. Este se constitui, portanto, no dano econmico mais evidente decorrente de um acidente com mquinas agrcolas. Como raramente as mquinas encontram-se cobertas por seguro, especialmente no caso de pequenos estabelecimentos, o agricultor quem deve arcar diretamente com os prejuzos.

    Dependendo do estgio de desenvolvimento da cultura em que ocorre a quebra da mquina e do tempo necessrio para os reparos, ocorre um prejuzo indireto, pois a tarefa que estava sendo realizada interrompida. Dentre as operaes agrcolas, aquelas mais sensveis aos atrasos na execuo so a colheita (exposio a maiores riscos de

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    intempries, ataque de animais silvestres, degrana natural, queda da qualidade de gros, sementes ou frutos), a semeadura (perda dos perodos timos de semeadura para a maximizao da produtividade) e tratamentos fitossanitrios (a demora no controle a determinadas pragas pode causar srios riscos produo e qualidade do produto).

    Outro aspecto econmico que deve ser lembrado aquele decorrente do afastamento do trabalho necessrio ao restabelecimento da sade do operador. Caso o trabalhador seja empregado, poder ser necessria a contratao de outra pessoa para que as tarefas continuem a serem executadas. No caso da agricultura familiar, a pessoa afastada o prprio agricultor ou agricultora, de modo que se no for possvel a contrao de um trabalhador temporrio, haver perda irreversvel na produo.

    Por fim, mas no menos importante, o custo financeiro para o estado. Devido ocorrncia de acidentes o estado tem que disponibilizar a sociedade uma estrutura de atendimento e assistncia aos feridos. Os gastos do estado comeam pela estrutura de pronto atendimento aos feridos e ao posterior tratamento mdico, passam pelo pagamento de auxlio doena e, nos casos mais graves, pelo pagamento de penses por morte e aposentadorias por invalidez. No demais lembrar que o custo de toda essa estrutura pago pelos contribuintes na forma de impostos e taxas.

  • 26

    Para o agricultor pensar: O que aconteceria com a minha vida e com o futuro de minha famlia se eu tivesse a mo amputada durante o trabalho?

    2.2. Aspectos sociais e familiares

    Os prejuzos advindos da ocorrncia de um acidente extrapolam, em muito, o mbito financeiro. Uma rpida anlise da situao j permite antever a propagao de conseqncias negativas para a sociedade e para a prpria famlia do acidentado.

    Um primeiro aspecto de ordem social j foi abordado, que o custo financeiro que toda a sociedade tem que arcar quando da ocorrncia de um acidente com leses corporais: crescimento das estruturas de socorro e pronto atendimento, pagamento por tratamentos de sade e terapias de reabilitao, pagamento de auxlio-doena, pagamento de aposentadorias por invalidez e penses por morte.

    Dependendo das caractersticas do acidente, das leses e dos prejuzos provocados e da estrutura psicolgica da vtima, podem surgir problemas psicossociais associados ocorrncia. Quando, de alguma forma, a capacidade da vtima para o trabalho a afetada, ou os prejuzos econmicos so considerveis, ela pode ser levada depresso ou ao alcoolismo. Em ambos os casos, so conhecidas as implicaes negativas para o indivduo, para a sua famlia e para a sociedade.

    Outro aspecto importante na conscientizao do agricultor sobre

  • 27

    a necessidade de preveno de acidentes o do grande potencial oculto para a desestruturao familiar. O primeiro ponto que deve ser levantado a possibilidade de um acidente levar ao falecimento de cnjuge, pai, me, filho, filha ou outro membro do ncleo familiar. Alm da dor da perda do ente querido, h o risco do comprometimento da viabilidade econmica do estabelecimento e com isso, de todo um modo de vida, pois na agricultura familiar grande parte do trabalho feito pelos membros da famlia. Some-se a isto a possibilidade de que a pessoa morta ou incapacitada seja a empreendedora, a motivadora ou a lder no ncleo familiar.

    Tanto a inviabilizao econmica da propriedade, quanto a necessidade de tratamentos de sade, quanto a incapacitao para o trabalho no campo, podem levar migrao de toda a famlia para as periferias das cidades. Os problemas sociais gerados por esse fenmeno so amplamente conhecidos, por isso no sero aqui discutidos.

    Nas Figuras 4 e 5 podem-se ver dois exemplos com resultados de acidentes com mquinas agrcolas. O primeiro caso resultando na invalidez permanente do acidentado e o segundo resultando na morte do agricultor.

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    Figura 4 Dedos da mo decepados durante o trabalho com mquina agrcola (fonte: Alono, 2004).

    Figura 5 Agricultor morto pelo tombamento lateral do trator em estrada (fonte no identificada).

  • 3. Causas dos acidentes com mquinas agrcolas

    Conforme j foi dito, o ambiente agrcola apresenta caractersticas nicas que o levam a ser um dos mais perigosos de se trabalhar. Dentre elas podem-se citar: ausncia de uniformidade e controle sobre o local de trabalho e das prprias atividades; sobreposio entre o local de trabalho e o lar; o emprego freqente de mo-de-obra familiar sem restries de idade; incipiente atuao do estado como legislador e fiscalizador. Mais especificamente, Harshman et al. (2004) apontam que os seguintes fatores influenciam o trabalho agrcola e o risco de acidentes: fatores ambientais, fatores pessoais, fatores relacionados com a atividade agrcola e, fatores sociais, econmicos e polticos (Quadros 1 a 4).

    Quadro 1 - Fatores ambientais influenciando o trabalho agrcola. Condies climticas

    O trabalho agrcola muitas vezes tem que ser completado independentemente de condies atmosfricas extremas.

    Local de trabalho Normalmente se confunde com local de moradia. Servios de

    socorro No esto disponveis; geralmente apresentam atraso em funo da distncia do estabelecimento.

    Isolamento do trabalhador

    Geralmente esto fora do alcance visual ou sonoro de outras pessoas no momento do acidente.

    Higiene pessoal Geralmente solicitada e disponibilizada em outras ocupaes, mas facultativa para os trabalhadores rurais. Riscos ambientais (rudo, vibraes, contaminantes)

    Os riscos e as exposies no so monitorados ou regulados no meio rural como na indstria.

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    Quadro 2 - Fatores pessoais influenciando o trabalho agrcola.

    Trabalhadores jovens

    Adolescentes com menos de 16 anos e crianas com menos de 5 anos de idade so comumente expostas, interagem com os riscos de acidentes e ambientes que esto alm de sua capacidade fsica, mental e/ou emocional de resposta segura.

    Trabalhadores idosos No h uma aposentadoria de fato no meio rural; o que resulta em trabalhadores com limitaes fsicas considerveis e tempo de resposta lento ainda enfrentando situaes de alto risco.

    Ausncia de limitaes de sade

    Ao contrrio do que ocorre em outros setores, no so exigidos exames prvios ou observados requisitos fsicos mnimos para a tarefa ou continuao do trabalho.

    Exames fsicos Acompanhamento mdico de rotina no comum. Ateno para

    condies especiais de sade fsica e mental

    No est disponvel e s ocorre quando h uma condio auto imposta pelo trabalhador, ao contrrio do que ocorre em outros setores de alto risco.

    Transferncia para atividades mais leves

    Esta geralmente no uma opo entre os trabalhadores rurais quando se encontram numa condio de limitao para o trabalho.

    Disperso da fora de trabalho

    Dificuldade de prestar servios de sade e segurana devido a disperso geogrfica e mobilidade dos trabalhadores.

    Variabilidade da populao rural

    A populao rural apresenta desde aqueles com formao superior at os semi-analfabetos; agricultores em tempo integral at aqueles que trabalham em tempo parcial.

  • 31

    Quadro 3 - Fatores relacionados prpria atividade agrcola influenciando o trabalho.

    Horas de trabalho Jornadas semanais de 60 a 80 horas no so incomuns na agricultura.

    Duplicidade de funes Muitas vezes o agricultor exerce funes manuais e administrativas, o que no comum noutros setores.

    Ritmo de trabalho O ritmo de trabalho instvel e freqentemente afetado pelas condies climticas e quebra do equipamento.

    Rotina de trabalho A rotina de trabalho altamente irregular, com muitas tarefas sazonais ou feitas uma ou duas vezes por ano ou por temporada.

    Especializao A especializao do agricultor em uma atividade geralmente no possvel, o trabalhador um coringa no estabelecimento rural.

    Capacitao Os trabalhadores normalmente aprendem o seu ofcio por observao e experincia, havendo pouca capacitao formal.

    Folgas e frias Dias de folga so normais para os demais trabalhadores, mas no para os rurais

    Demanda de trabalho Muitas vezes os agricultores fazem uso de trabalhadores avulsos das mais variadas origens por temporada.

    Incerteza Atividades agrcolas so caracterizadas por um futuro no garantido. Condies do tempo, pragas, pestes, poltica econmica e eventos inesperados em nvel mundial podem resultar em dificuldades econmicas para o agricultor.

    Produo agrcola H grandes diferenas no tamanho e no tipo de estabelecimentos rurais e na tecnologia empregada, o que torna o agrupamento dos tipos de agricultura moderna difcil.

  • 32

    Quadro 4 - Fatores scio-econmicos e polticos influenciando o trabalho agrcola.

    Creches No esto disponveis nas reas rurais. Os pais acabam tomando conta de crianas e adolescentes durante o trabalho.

    Segurana ocupacional e legislao do trabalho

    Novos padres e regulamentos freqentemente excluem os trabalhadores rurais devido a uma combinao de falta de praticidade, falta de condies de aplicar a legislao e o nus sobre os trabalhadores.

    Preconceitos culturais sobre a segurana e a sade dos trabalhadores

    H uma crena de que a atividade rural perigosa e imprevisvel, o que contribui para que os trabalhadores pensem que nada pode ser feito sobre a segurana, exceto ser cuidadoso.

    Foras de mercado Os agricultores no formam o preo de seus produtos. Portanto, no podem adicionar os custos extras de segurana e sade ao preo de venda.

    Autoconfiana para segurana

    Os agricultores confiam no seu prprio conhecimento e sensibilidade para o risco de acidentes.

    De uma maneira geral, os fatores relacionados nos Quadros 1 a 4, tornam particularmente complexas as aes de preveno de acidentes no meio rural. A falta de homogeneidade das caractersticas ambientais, a diversidade cultural dos agricultores, a multiplicidade das atividades de produo, a precariedade das condies de trabalho, entre outras, faz com que o combate aos acidentes com mquinas agrcolas requeira especificidade quanto ao tipo de capacitao e o pblico alvo (tcnicos, agricultores, mulheres, jovens) e tambm quanto ao tipo de atividade agrcola. Esta constatao acaba agravando um pouco mais um problema que, por si s, j complexo. Assim, se tem mais um obstculo a ser vencido na capacitao dos agricultores.

  • 33

    Como os recursos didticos e de tempo so limitados, buscou-se identificar a forma mais efetiva de reduzir a freqncia e o risco de acidentes com mquinas agrcolas. O estudo preliminar sobre a questo permitiu que se encontrassem as principais causas de acidentes com tratores agrcolas, j que com estes os acidentes tm um nvel de gravidade muito elevado (um em cada quatro provoca a invalidez permanente da vtima) e uma alta freqncia (um em cada quatro acidentes com mquinas envolvem, de alguma forma, tratores agrcolas). Sendo assim, o foco principal do trabalho sero os tratores de duas e quatro rodas.

    Debiase & Schlosser (2001) identificaram as principais causas genricas de acidentes com tratores na regio central do Rio Grande do Sul (Figura 6). Essa informao nos d uma idia das fontes do problema. Na continuao do texto ser possvel classificar estas causas conforme a sua similaridade para que as aes de preveno sejam mais bem definidas. A classificao varivel, mas as causas dos acidentes podem ser separadas em atos inseguros, condies inseguras e fatores pessoais, conforme ser visto a seguir.

  • 34

    Eu sou sempre cuidadoso. Nunca vou me machucar no trabalho. Esse justamente o pensamento que fere e mata centenas de trabalhadores rurais.

    Figura 6 Principais causas dos acidentes com tratores (fonte: Debiase & Schlosser, 2001).

    3.1. Atos inseguros Segundo Alono (2005), o ato inseguro a maneira errada e/ou

    descuidada do trabalhador fazer determinado servio, como por

    exemplo: dirigir o trator em

    alta velocidade, no ter

    cuidado ao reabastecer o

    trator, etc. O ato inseguro

    pode se dar de forma consciente ou inconsciente. No primeiro caso, pode denotar excesso de confiana, pressa, m vontade, busca de reputao ou falta de noo das conseqncias que o iminente acidente pode provocar. Em todos os casos, a conscientizao do agricultor fundamental. Quando o ato inseguro decorre de uma atitude inconsciente, na maioria das vezes, significa que o agricultor alm de no ter sido sensibilizado para o problema dos acidentes, no passou por um processo de capacitao para execuo da tarefa em questo.

    Falta de ateno; 32,2%

    Cansao; 1,1%

    Falta de conhecimento;

    32,8%

    Pressa; 11,1%

    Equipamento inadequado; 22,2%

    Embriaguez; 0,6%

  • 35

    Os pesquisadores do assunto afirmam que os atos inseguros so responsveis por at 85% dos acidentes com mquinas agrcolas. V-se, portanto, como a conscientizao e a capacitao para a operao segura das mquinas so importantes.

    Como atos inseguros, podem ser listados (s. n., 2005):

    1. operar sem autorizao 2. utilizar equipamento de maneira imprpria ou operar em

    velocidades inseguras 3. usar equipamento inseguro (com conhecimento) 4. lubrificar, limpar, regular ou consertar mquinas em

    movimento, energizadas ou sob presso 5. misturar indevidamente 6. utilizar ferramenta imprpria ou deixar de utilizar a

    ferramenta prpria 7. tornar inoperantes ou inseguros os dispositivos de

    segurana 8. usar mos e outras partes do corpo impropriamente 9. assumir posio ou postura insegura 10. fazer brincadeiras de mau gosto 11. no usar o Equipamento de Proteo Individual (E.P.I.)

    disponvel 12. descuidar-se no pisar e na observao do ambiente 13. deixar de prender, desligar, sinalizar, etc.

  • 36

    3.2. Condies inseguras Segundo Alono (2005), a condio insegura caracteriza-se

    quando, por qualquer motivo, as ferramentas, os tratores ou as

    mquinas agrcolas esto com defeito ou sem dispositivos de segurana,

    colocando em risco a segurana do operador, como por exemplo:

    ferramentas estragadas, mal conservadas ou defeituosas, falta de

    cabine nos tratores, etc. Ao relacionar as estatsticas sobre acidentes (Figura 2), onde o

    capotamento responde por mais da metade das ocorrncias de acidentes graves com tratores, e as condies inseguras, percebe-se que a ausncia de estrutura de proteo contra capotagem (EPCC) uma inadequao gravssima, que pode ter efeitos catastrficos. A falta do EPCC pode se dever a idade do trator, j que os tratores mais antigos no dispunham dessa estrutura, ou sua retirada para realizao de certos trabalhos, principalmente em operao dentro de pomares.

    As condies inseguras correspondem por cerca de 15% dos acidentes com mquinas agrcolas.

    3.3. Fatores pessoais So fatores que no podem ser considerados nem atos

    inseguros nem condies inseguras por si s, mas quando atingem determinado nvel podem vir a causar acidentes, pois se transformam em atos e condies inseguras. No homem pode-se tomar como exemplo a fadiga e na mquina, a sua obsolescncia.

  • 37

    No que diz respeito ao homem, o Quadro 2 traz um bom nmero de exemplos de fatores que podem vir a aumentar o risco de acidentes. Um fator bastante importante no citado a ingesto de bebidas alcolicas, o qual ser visto com maior detalhe adiante.

    3.4. Causas especficas de acidentes com tratores Em termos prticos, o conhecimento das causas genricas dos

    acidentes (atos inseguros, condies inseguras e fatores pessoais) traz poucos efeitos positivos na preveno de acidentes e capacitao dos agricultores. O aumento da segurana no trabalho d-se pelo conhecimento das causas especficas dos acidentes, pois assim possvel atacar (prevenir) as situaes que efetivamente so potenciais causadoras de acidentes. A abordagem de causas especficas tambm traz a vantagem de ser de mais fcil compreenso pelos agricultores por se tratar de fatos dos quais eles tm conhecimento e vivncia quotidiana.

    Segundo Debiase & Schlosser (2002), 75% dos acidentes que envolvem tratores na regio central do RS so frutos de seis causas principais: (1) operao do trator em condies extremas; (2) perda do controle em aclives/declives; (3) ingesto de bebidas alcolicas; (4) presena de pessoas junto ao posto do operador; (5) falta de proteo das partes mveis do trator e do implemento a ele conectado; (6) engate inadequado do implemento. Como os dados dessa pesquisa, especfica para uma regio do estado do RS, confirmam as estatsticas mundiais

  • 38

    (Figura 1), pode-se considerar estas as principais causas especficas de acidentes no meio rural envolvendo tratores.

    (1) Operao do trator em condies extremas: ocorre quando o trator utilizado sob condies que excedem os limites para as quais ele foi projetado. Dentre essas condies pode se citar: o trabalho em terrenos com declividade acentuada; trabalho excessivamente prximo de valos, barrancos ou outros obstculos, o trfego em velocidade excessiva e a trao de cargas demasiadamente pesadas.

    (2) Perda do controle em aclives/declives: as aes equivocadas do operador (falta de capacitao, impercia ou imprudncia) durante a operao em subidas ou descidas causam a perda do controle sobre o trator. As principais ocorrncias so: erro na troca de marchas com o trator em movimento em aclives (o trator passa a ir para trs) ou declives (o trator fica em neutro e o freio no suficiente para par-lo); trao de carretas agrcolas com excesso de peso, principalmente em aclives ou declives, potencializando as ocorrncias j descritas ou o prprio excesso de peso torna o freio motor (pela ao do engrenamento de uma marcha reduzida) insuficiente para evitar o aumento de velocidade (o excesso de carga faz com que as rodas deslizem sobre o terreno); acionamento do freio em apenas uma das rodas (o trator forado a mudar a trajetria,

  • 39

    podendo atingir os obstculos do caminho); descida de aclives em neutro (os freios podem no serem suficientes para controlar o aumento de velocidade).

    (3) Ingesto de bebidas alcolicas: o efeito do lcool sobre o operador de mquinas agrcolas e o motorista de carro o mesmo. H uma reduo da rapidez dos reflexos, o que pode dar margem a batidas, capotamento, perda de controle e m qualidade de certas operaes. Na Figura 7 possvel se ter uma idia dos efeitos do lcool sobre os reflexos de um operador de trator.

    Figura 7 Efeito de diferentes condies do operador sobre a distncia necessria

    para parar o trator (Fonte: Couto, 2008 - UFRRJ).

  • 40

    (4) Presena de pessoas junto ao posto do operador: o trator agrcola possui apenas um assento porque apenas uma pessoa pode oper-lo com segurana. No evento de qualquer imprevisto, a pessoa que estiver de carona no conta com o auxlio dos dispositivos de segurana do trator, estando sujeita a quedas, esmagamentos e atropelamentos.

    (5) Falta de proteo das partes mveis do trator e do implemento a ele conectado: a falta de proteo permite que as pessoas tenham acesso partes mveis inadvertidamente ou por imprudncia. Os casos mais comuns referem-se ao eixo da tomada de potncia, ao eixo card a ele ligado, roscas transportadoras e sistemas de transmisso por correias e polias (tratores de rabia, bombas dgua, trituradores).

  • 41

    A conscientizao e a capacitao sobre essas 6 causas, podem reduzir em at 75% a ocorrncia de acidentes com tratores agrcolas.

    (6) Engate inadequado do implemento: os implementos de arrasto devem apenas ser engatados ao trator pela barra de

    trao. O uso do ponto de

    acoplamento superior

    (terceiro ponto) para esse fim

    altera a estabilidade longitudinal do trator, favorecendo o capotamento para trs.

  • 4. Simbologia utilizada para alertar o operador sobre perigos

    Parte importante no processo de preveno de acidentes com mquinas agrcolas saber interpretar os smbolos e alertas de segurana existentes nos manuais do operador e colados em adesivos nas prprias mquinas. Os pictogramas, com ou sem texto complementar, trazem informaes sobre o risco de acidentes, avisos de perigo ou so utilizados como instrues de operao da mquina.

    Smbolos informativos

    Smbolo com a palavra ADVERTNCIA SSoo aapprreesseennttaaddooss nnaa ccoorr llaarraannjjaa

    Indicam os riscos menos graves de acidentes

    Smbolo de alerta de segurana - CUIDADO Sua presena indica: AATTEENNOO!! FFIIQQUUEE AALLEERRTTAA!! AA SSUUAA SSEEGGUURRAANNAA EESSTT EENNVVOOLLVVIIDDAA!!

  • 44

    CAUTELA 1. Mantenha as protees no lugar 2. Coloque em ponto morto e desligue o motor antes de regular ou fazer manuteno

    Smbolo com a palavra PERIGO

    SSoo aapprreesseennttaaddooss nnaa ccoorr vveerrmmeellhhaa

    Indicam os riscos mais graves de acidentes Indicam a possibilidade de morte

    Apresentam texto explicativo abaixo do smbolo do perigo em questo

    Smbolo com a palavra CAUTELA

    SSoo aapprreesseennttaaddooss nnaa ccoorr aammaarreellaa

    Indicam a necessidade de seguir instrues de segurana

  • 45

    Aviso de perigo

    Os smbolos de aviso de perigo alertam para os possveis perigos na operao de mquinas, mostrando as conseqncias em caso de acidentes ou indicando como os perigos podem ser evitados. No Quadro 5 so mostrados os smbolos referentes aos acidentes mais comuns com tratores. Outros smbolos, tanto aqueles regulamentados por organismos normalizadores, quanto aqueles utilizados pelas empresas podem ser consultados na pgina da Internet do Laboratrio de Segurana e Ergonomia da UFSM (http://w3.ufsm.br/laserg/basim/index.html).

    Quadro 5 Pictogramas de aviso de perigo dos acidentes mais comuns com tratores.

    PICTOGRAMA SIGNIFICADO

    No usar o trator em condies de inclinao lateral acentuada (condies extremas)

    Risco de atropelamento pelo trator. Este smbolo indica a possibilidade de ser atropelado pelo trator na regio entre as rodas (esquerda); frente ou atrs delas (direita)

    Risco de capotamento lateral Trator sem Estrutura de Proteo contra Capotamento

    (EPCC)

  • 46

    Risco de capotamento lateral Trator com cabine e EPCC

    Risco de capotamento traseiro

    Use o cinto de segurana! O cinto de segurana deve ser usado apenas em tratores com EPCC. O seu uso em outros tratores pode anular as poucas chances de sobrevivncia a um capotamento.

    No transporte caronas Risco de queda com o trator em movimento

    No transporte caronas trator com cabine Risco de queda com o trator em movimento

    Risco de captura pela tomada de potncia (TDP)

  • Smbolos utilizados como instrues de operao

    So encontrados geralmente no painel de instrumentos (Figura 8). Indicam situaes de mal-funcionamento ou informam sobre as funcionalidades das mquinas (Quadro 6).

    Figura 8 Painel de instrumentos tpico de um trator agrcola de quatro rodas (Fonte: John Deere)

    47

  • Quadro 6 Alguns smbolos utilizados como instrues de operao em tratores.

    PICTOGRAMA SIGNIFICADO PICTOGRAMA SIGNIFICADO PICTOGRAMA SIGNIFICADO Posio da alavanca na qual a

    tomada de potncia (TDP) ser engatada. TDP - engatar

    Tomada de Potncia desengatar

    Rotao de funcionamento da TDP

    Temperatura da gua do radiador

    Nvel de combustvel

    Presso do leo do motor

    Indicador de carga da bateria

    Trao dianteira ligada

    Trao dianteira desligada

    Faris de trabalho

    Tartaruga marcha lenta lento

    Lebre marcha rpida rpido

    Brao do hidrulico - abaixar

    Brao do hidrulico levantar

    Bloqueio do diferencial

    Hormetro horas trabalhadas

    Rotao do motor

    Estrangulamento do motor para o motor

    554400

    48

  • Alm dos smbolos, as normas preconizam cores

    especficas para cada grupo de funo. Assim tem-se: Parada do motor -(vermelho) Delsocamento do trator (rotao do motor; alavancas da transmisso; freio de estacionamento; bloqueio do diferencial) (laranja)

    EEnnggaattee ddee ppoottnncciiaa ((eennggaattee ddaa TTDDPP)) ((aammaarreelloo)) Demais comandos (luzes, sistema hidrulico, acoplamentos etc.) (preto)

  • 5. Preveno de acidentes

    Segundo salienta Debiase ( 2002), o risco de ocorrncia de um determinado evento uma varivel bidimensional, resultado do produto

    entre a freqncia e a gravidade das suas conseqncias. Nesse sentido, necessrio que se conhea, por um lado, detalhadamente as operaes agrcolas executadas, as mquinas empregadas (tipo, estado de manuteno, idade, presena de dispositivos de segurana, ergonomia), o local de trabalho, bem como a freqncia do uso, e por outro, os tipos de acidentes possveis de ocorrerem e o seu nvel de gravidade.

    De posse de informaes pertinentes a essas duas dimenses possvel, principalmente para os tcnicos, fazer uma avaliao do risco de ocorrncia de acidentes com determinada mquina num estabelecimento agrcola. Nesse sentido, Harshman et al. (2004) sugerem o uso da Matriz de Risco para avaliao e tomada de decises para reduzir a probabilidade de risco de acidente (Quadro 7).

  • 52

    Quadro 7 Matriz de risco.

    Gravidade

    Freqncia

    Catastrfico Crtico Marginal Insignificante

    Freqente Pare

    imediatamente! Corrija o problema

    Pare imediatamente!

    Corrija o problema

    Corrija to logo possvel

    Corrija quando possvel

    Provvel Pare

    imediatamente; corrija o problema

    Corrija to logo Possvel Corrija logo

    Corrija quando possvel

    Ocasional Corrija to logo possvel Corrija logo Corrija quando possvel

    Corrija quando possvel

    Remoto Corrija quando possvel Corrija quando possvel Corrija quando possvel Corrija quando

    possvel

    Improvvel Corrija com a manuteno preventiva Corrija com a manuteno preventiva Corrija com a manuteno preventiva

    Corrija com a manuteno preventiva

    Fonte: adaptado de Harshman et al. (2004).

    O uso da Matriz de Risco no direto. necessrio, como j foi dito, o conhecimento tanto das estatsticas a respeito da ocorrncia de acidentes com a mquina em questo (freqncia), como das possveis conseqncias de um determinado evento (gravidade). A freqncia de ocorrncia de um acidente pode ser estimada com base na informao apresentadas nas Figuras 1 a 3 e a sua gravidade pode ser estimada com base na Tabela 1. Outras informaes disponibilizadas ao longo do texto tambm devem ser consideradas para se fazer a avaliao do risco e para orientar a adoo de medidas para minimizar o risco do acidente.

  • 53

    Exemplo: uso de trator sem estrutura de proteo contra capotagem em operaes em terrenos com elevada inclinao lateral.

    Freqncia: observa-se na Figura 2 que o capotamento corresponde a, aproximadamente, 52% dos acidentes graves com tratores. Aliado a esse fato h que se considerar que o trator utilizado em todas as operaes mecanizadas da propriedade e, tambm, que se a rea majoritariamente declisova, o trator trafegar a maior parte do tempo em situao de risco. Portanto, nesse caso, pode se atribuir como freqente a exposio ao risco.

    Gravidade: a prpria Figura 2 j se refere aos acidentes graves. No fora isso, deve se levar em conta que o trator pesa mais de duas toneladas, de modo que se ele tombar e o operador ficar preso entre ele e o solo, fraturas e esmagamentos de rgos vitais so os eventos esperados. Portanto, a gravidade do acidente catastrfica.

    Cruzando-se estas duas avaliaes na Matriz de Risco chega-se clula Pare imediatamente; corrija o problema. Nesse caso, a correo do problema seria a reposio do EPCC, caso ele houvesse sido retirado para facilitar a execuo da operao e uso do cinto de segurana ou a instalao de um EPCC no caso do trator ser antigo e no contar com um original. Esta ltima ao mais difcil ainda de ocorrer, pois no Brasil ainda no existe legislao que obrigue a instalao de EPCC em tratores antigos e, portanto, no h empresas que forneam esse equipamento como acessrio.

  • 54

    Vestimentas adequadas reduzem o risco de ferimentos e mortes no trabalho.

    5.1. Vestimenta adequada e necessidade de EPI

    Vestir-se adequadamente para o trabalho o primeiro passo para a operao segura de mquinas agrcolas. Esse um tipo de postura que pode e deve ser incentivada junto aos agricultores, pois alm de ser de baixo custo e depender muito mais da vontade e da conscientizao, evita alguns tipos graves de acidentes.

    Algumas dicas que aumentam a segurana:

    Use roupas justas. Roupas com partes soltas ou grandes podem se prender em partes dos tratores ou implementos (Figura 9).

    Deixe alianas e correntes em casa.

    Use calado de couro fechado com solado antiderrapante. Sandlias e chinelos oferecem pouca proteo contra espinhos, pisoteio, fagulhas e choque contra objetos.

    Amarre bem os cadaros para que no se prendam s partes mveis das mquinas.

    Os cabelos longos devem ser presos junto cabea ou cobertos.

    Vista calas compridas!

  • 55

    Figura 9 Como as roupas soltas podem se prender s partes mveis do trator (Hershmann et al., 2004)

    Os equipamentos de proteo individual (EPIs) so de uso obrigatrio pelo operador de mquinas agrcolas toda a vez que as condies ambientais sejam tais que a sua sade venha a ser prejudicada. Incluem-se nessa situao a exposio a rudos elevados, exposio aos agrotxicos, risco de impacto de objetos e/ou fagulhas. Na Figura 10 so mostrados os EPIs mais adequados proteo do trabalhador rural.

  • 56

    Figura 10 Alguns EPIs utilizados na aplicao de agrotxicos e em ambientes insalubres e/ou perigosos, onde: (A) Viseira facial: usado para proteger a face e os olhos contra respingos de agrotxicos; (B) culos fechados: usado para proteger os olhos contra respingo de agrotxicos e vapores txicos; (C) Respiradores (mscaras): usado para evitar a inalao de vapores e partculas txicas; (D) vestimentas com mangas e pernas longas ou macaco e botas fechadas; (E) Luvas: equipamento de proteo mais importante, pois protege dos agrotxicos a parte do corpo mais exposta contaminao; (F) Jaleco: protege o tronco, deve ser feito de tecido impermevel; (G) Protetor auricular; (H) culos de proteo: uso indispensvel em oficinas e durante a manuteno das mquinas (fonte: Hershmann et al., 2004).

    G

    H

  • 57

    A conscientizao a melhor proteo contra os perigos que no podem ser eliminados ou protegidos.

    5.2. Categorizao dos perigos decorrentes do uso de mquinas agrcolas

    H muitos perigos na atividade agrcola associados s mquinas. Conhecer todos os perigos de todas as mquinas muito difcil, por essa razo eles so agrupados em categorias para facilitar a sua identificao: perigos mecnicos, perigos respiratrios e perigos sonoros.

    5.2.1. Perigos mecnicos

    Pontos de corte: formados quando duas partes da mquina se movem uma em relao outra.

    Para evitar acidentes: Manter as protees no local. Usar capa protetora no eixo do card. No usar roupas ou cabelos soltos.

    Parar a mquina quando for necessria a aproximao

  • 58

    Pontos de esmagamento: formado pelo movimento entre dois objetos um contra o outro com a folga entre eles diminuindo. Comum durante o acoplamento de implementos.

    Para evitar acidentes: No permita

    que pessoas se interponham entre o trator e o implemento

    Pontos de captura: formados por partes contra-rotantes de mquinas de colheita de gros, colheita de forragem ou picadores.

    Para evitar acidentes: Ter conscincia do perigo. Respeitar as normas de segurana. Evitar o excesso de confiana.

  • 59

    Pontos de queimadura: geralmente canos de descarga, bloco do motor e sistemas de refrigerao.

    Para evitar acidentes:

    Durante as manutenes aproxime as mos para verificar a temperatura.

    Objetos arremessados: ocorre quando a operao normal da mquina descarrega material ao seu redor. Comum com colhedoras de forragem, enxadas rotativas e roadoras.

    Para evitar acidentes: Evite descer

    do trator com a mquina em funcionamento.

    No permita a presena de pessoas nas proximidades. Energia armazenada: ocorre quando a energia armazenada no

    sistema abruptamente liberada. O perigo acontece em sistemas pressurizados como molas e sistema hidrulico.

    Para evitar acidentes: Retirar a presso hidrulica do sistema baixando o

    implemento logo que a tarefa tenha terminado. Fazer a manuteno sob a mquina apenas aps a

    colocao de calos de segurana.

  • 60

    Voc no se adapta a rudos altos; na verdade, voc perde a capacidade de ouvi-los. A perda auditiva cumulativa e irreversvel!

    5.2.2. Perigos respiratrios

    Inalao de partculas slidas, vapores e gases txicos. Ex.: o gs carbnico do escapamento pode matar.

    Para evitar acidentes: No ligar o motor do

    trator em lugares fechados

    Usar EPI ao aplicar agrotxicos

    Usar mscara em ambientes com poeira

    5.2.3. Perigos sonoros

    Os nveis sonoros atingem valores perigosos quando: os ouvidos ficam zumbindo; h barulhos na cabea; a sua prpria fala parece abafada; voc tem que gritar a uma pessoa prxima para ser ouvido.

    Tipos de proteo: protetores auriculares internos (so individuais e devem ser mantidos limpos, reduz o rudo entre 26 e 33 dB) e abafadores (reduz o rudo entre 21 e 31 dB). Quando usados juntos reduzem 3 a 5 dB extras (fonte: Hershmann et al., 2004).

  • 61

    Tratores so cavalos de trao e no cavalos de corrida. Opere sempre em baixa velocidade!

    Para evitar perdas auditivas: Limitar o barulho (mantenha o silenciador do motor,

    lubrifique as partes mveis). Usar EPI (protetores auriculares) quando o nvel de rudo

    for alto

    5.3. Trator de quatro rodas Segundo Reis et al. (2005), os tratores so projetados para as

    seguintes funes, que podem ser executadas isoladamente ou em conjunto:

    Controlar e transferir potncia s mquinas e implementos via barra de trao ou engate de trs pontos;

    Controlar e transferir potncia s mquinas atravs da tomada de potncia (TDP) ou de presso hidrulica;

    Transportar material a ser distribudo ou recolhido do campo;

    Transportar material em estradas vicinais;

    Atuar como carregador ou descarredor em pequenas tarefas.

    Quaisquer usos do trator que extrapolem as finalidades listadas acima devem ser evitados, pois geralmente aumentam o risco de ocorrncia de acidentes. Inclui-se ai o uso do trator para atividades de lazer ou competio.

  • 62

    Como a segurana na operao do trator de responsabilidade do proprietrio, este deve ler atentamente o manual de operao e fazer com que os operadores do trator tambm o leiam, alm de oferecer acesso a cursos de capacitao para operao dessas mquinas.

    Conforme foi visto, os tratores so a maior fonte de acidentes no campo, embora nem todos os acidentes ocorram durante o trabalho com o trator. Alm daquelas causas apontadas nas Figuras 2 e 3 (capotamento, quedas e atropelamentos, colises com outros veculos ou obstculos e contato com a TDP), os pesquisadores apontam outro grupo de perigo: uso de tratores antigos. A preveno de cada uma dessas causas ser estudada a seguir.

    5.3.1. Preveno dos principais acidentes Capotamento

    H dois tipos de capotamento: o lateral, que ocorre quando o trator tomba para um dos lados, e o longitudinal, quando o trator tomba para trs em torno do seu eixo traseiro. Em ambos os casos, constituem-se nos mais graves acidentes que pode ocorrer com o trator, pondo sempre em grave risco a vida do operador. A gravidade e a letalidade deste tipo de acidente talvez se devam rapidez com que ele acontece. Em apenas 1,5 s aps o incio de um capotamento longitudinal, o trator j est tombado, sendo que o operador tem apenas 0,75 s para evitar o acidente (pisar na embreagem, por exemplo). Aps esse tempo, o trator ir tombar no importando mais o que o operador faa (Figura 11).

  • 63

    O EPCC e o cinto de segurana, quando usado, so os dispositivos de segurana mais efetivos para salvar a vida do operador numa capotagem.

    1,5 segundo 3/4 de segundo

    Posio de no retorno

    Figura 11 Seqncia e tempo de capotamento longitudinal de um trator (fonte: Alono, 2005).

    No evento de um capotamento, as reais chances de sobrevivncia do operador esto vinculadas presena de uma estrutura de proteo contra o capotamento (EPCC) e ao uso concomitante do cinto de segurana. O EPCC constitui-se de uma estrutura metlica ligada diretamente ao chassi do trator formando um ou dois arcos de proteo que delimitam uma regio de proteo em torno do operador que, mesmo no evento de um capotamento, so capazes de suportar os carregamentos estticos e dinmicos gerados pelo acidente. Na Figura 12 pode-se ver um EPCC do tipo arco.

  • 64

    Figura 12 Estrutura de proteo contra o capotamento do tipo arco simples.

    A presena do EPCC, por si s, no garante a proteo do operador em caso de capotamento. Para que isso ocorra, absolutamente necessrio que o operador permanea no interior da zona de proteo durante o acidente. Fato este que no ocorrer se ele no estiver usando o cinto de segurana, pois a violncia do acidente, na maioria dos casos, acaba por arremessar o operador para fora da zona de proteo, expondo-o aos mesmos riscos da operao de um trator sem EPCC. Por outro lado, a utilizao de cinto de segurana em tratores sem EPCC no aconselhada (ainda que as leis de trnsito assim o determinem), pois o cinto impede que o operador pule do trator (talvez a sua nica chance de sobrevivncia) para escapar do esmagamento iminente.

    Cabe salientar que nem todas as cabines de tratores oferecem

  • 65

    O cinto de segurana evita que o operador seja jogado para fora do assento durante um capotamento. USE O CINTO DE SEGURANA!

    proteo contra o capotamento. A maioria das cabines oferecidas por terceiros so estruturas que apresentam apenas proteo contra os agentes climticos. Portanto, necessrio que se verifique se a cabine tem certificao de proteo contra o capotamento antes da compra do trator.

    Principais causas de capotamento:

    Conduzir ou manobrar o trator muito perto de valetas (Figura 13). Trafegar em alta velocidade em estradas ou no campo. Rebocar ou tracionar cargas acopladas por outro local que no a

    barra de trao (Figura 12). Conduzir o trator em encostas muito inclinadas (Figura 15). Tentar subir rampas muito ngremes (Figura 16). Tentar fazer curvas muito rpido, especialmente com carregadores

    frontais.

  • 66

    Figura 13 Risco de capotamento pela operao muito prxima a valetas.

    A distncia mnima que as rodas do trator podem se aproximar de uma valeta nunca deve ser menor que a profundidade desta mesma valeta (Figura 13).

    Figura 14 Risco de capotamento pela trao de cargas pelo acoplamento do 3 ponto.

    X m

    X m

  • 67

    Figura 15 Risco de capotamento lateral pela operao em encostas muito inclinadas.

    Figura 16 Risco de capotamento ao tentar subir em rampas muito ngremes.

  • 68

    Quedas e atropelamentos

    Esses so eventos que geralmente ocorrem em seqncia: primeiro ocorre a queda da pessoa de cima do trator (operador ou acompanhante) e depois o atropelamento, pois geralmente a vtima cai ao alcance das rodas do trator ou da mquina que este est tracionando. No obstante, esses eventos podem acontecer de forma independente, porm com conseqncias igualmente graves. A prpria queda do operador do trator ou da pessoa que, imprudentemente, vai de carona, pode causar ferimentos considerveis, devidos tanto altura da queda quanto velocidade do trator. Da mesma forma, os atropelamentos podem ocorrer independentemente da queda de uma pessoa do trator. Os atropelamentos acontecem principalmente quando pessoas (em especial crianas) esto fora do campo visual do operador, tanto em condies normais de operao quanto em manobras ou durante o acoplamento de implementos.

    Principais causas de quedas e atropelamentos: Presena de pessoas prximas ao trator durante o trabalho. Transporte de pessoas sentadas no pra-lama do trator, em

    p sobre a proteo principal da TDP ou em p sobre os braos inferiores de levante hidrulico.

    Presena de pessoas prximas no momento de ligar o trator ou p-lo em movimento.

    Presena de crianas (as menores de 5 anos so atradas pelo barulho do trator) nos locais de trabalho.

  • 69

    Outro fator de risco ocorre quando o operador tenta burlar os dispositivos de segurana existentes para que a partida do motor somente seja possvel quando ele est sentado no banco do trator: cmbio em neutro e pedal da embreagem pressionado. O acionamento direto do motor de arranque por dispositivos improvisados com o operador em p ao lado do trator pode ocasionar atropelamentos se uma marcha estiver engatada.

    Para evitar acidentes: Nunca d carona no

    trator. Nunca permita a

    presena de outra pessoa durante a operao.

    Certifique-se que no h ningum por perto quando ligar ou colocar o trator em movimento.

    No burle os sistemas de proteo de partida.

    Colises com outros veculos ou obstculos

    Os obstculos contra os quais o trator pode se chocar localizam-se tanto no campo, escondidos pela vegetao (tocos e pedras), quanto em estradas ou caminhos (rvores, postes ou outros veculos). A coliso pode ocorrer pelo desconhecimento da existncia do obstculo, o que muito comum em operaes de limpeza de campo (roado) ou por descontrole do trator (excesso de velocidade ou

  • 70

    acionamento de freio direcional em uma roda), que leva coliso contra um obstculo visvel. No primeiro caso, de fundamental importncia o reconhecimento da lavoura a p e a demarcao com balizas (ex.: bambu) dos obstculos como tocos, pedras, valetas, buracos, canais, colmias etc.

    Para o trfego do trator em estradas vicinais deve-se ter em mente que o trator um veculo lento quando comparado com automveis e caminhes. Assim, o grande diferencial de velocidade uma causa importante de acidentes envolvendo tratores e outros veculos em estradas. A fim de minimizar os riscos, o trator deve estar devidamente sinalizado com sinaleiras, refletores traseiros na sinaleira, faris frontais acesos ( noite) e placa indicadora de veculo lento (Figura 17) instalada no trator ou no reboque quando for o caso. No caso de deslocamento do trator ao longo de rodovias asfaltadas, recomenda-se o emprego de veculos batedores sinalizando a existncia do trator.

    Figura 17 Placa indicadora de veiculo lento instala na parte traseira do trator

    (fonte: Hershmann et al., 2004).

    Placa indicadora

  • 71

    Uma pessoa pode ter um brao ou uma perna capturado pelo eixo da TDP antes que perceba que est em perigo.

    Contato com a TDP O perigo de contato com o eixo da TDP est relacionado com o

    elevado tempo de resposta do ser humano em comparao com a rotao envolvida. O tempo de resposta pode ser definido como o tempo que uma pessoa leva para perceber e reagir a um evento ou a uma emergncia e situa-se ao redor de de segundo. Com esse tempo de resposta e com uma rotao de 540 rpm na TDP, se o operador for pego, o eixo j ter dado mais de 6 voltas com a sua roupa, cadaro do calado ou mesmo membro, antes que ele perceba. Ou seja: as mquinas so muito mais rpidas que o tempo de resposta humano.

    Para reduzir as possibilidades de ocorrncia de acidentes deve-se manter sempre no lugar a proteo principal do eixo da TDP (Figura 18). Outro aspecto de fundamental importncia o uso da proteo do eixo card que leva o movimento da TDP at a mquina que est sendo acionada. Essa proteo, como se pode ver na Figura 19, fixa, no apresentando movimento giratrio, de forma que se houver contato de alguma parte do operador ou de sua vestimenta com a proteo no haver risco de enroscamento.

  • 72

    Figura 18 Proteo principal do eixo da TDP, onde (A) a capa do eixo (fonte: Hershmann et al., 2004).

    A

    B

    Figura 19 Eixo card da TDP (A) e sua proteo externa (B).

    A

  • 73

    Para evitar acidentes: Vista-se com segurana para evitar enroscamentos. Mantenha as protees da TDP. Mantenha a proteo do card. Desligue a TDP e pare o motor antes de descer do trator. Nunca passe ou pule sobre o eixo card.

    Uso de tratores antigos

    Os tratores antigos so geralmente menos seguros, pois no apresentam os dispositivos de segurana dos tratores atuais, alm disso, podem no estar com a manuteno em dia. As principais razes da menor segurana so: ausncia de EPCC e sinto de segurana, assentos sem apoio para braos e sem encosto, banco com poucos ou nenhum ajuste, ausncia de dispositivos de segurana para partida, freios deficientes, sistema de direo muito lento, ausncia de proteo principal fixa da TDP.

    5.3.2. Outros procedimentos de segurana

    Identificao de comandos e informaes do painel

    Todos os operadores devem conhecer as indicaes do painel de instrumentos do trator (veja Figura 6) assim como os comandos de todas as suas funes (veja exemplos no Quadro 6). O entendimento dos significados das informaes e das funes de cada comando de extrema importncia, tanto para a segurana na operao da mquina

  • 74

    quanto para evitar quebras devidas ao mau funcionamento. O operador deve verificar os marcadores do painel ao ligar o trator, a intervalos regulares durante a operao e toda a vez que as situaes de trabalho se alterarem ou que forem ouvidos rudos estranhos, pois se algum subsistema do trator no estiver funcionando adequadamente, a continuao do trabalho poder levar quebra do equipamento ou a uma condio insegura, com risco de acidente.

    Afora isso, muito importante que a plataforma, ou posto, do operador esteja limpa e organizada. Os degraus de acesso devem estar limpos para evitar escorreges; objetos como correntes, ferramentas e panos devem ser armazenados na caixa de ferramentas e nunca sobre o piso da plataforma, pois podem obstruir o acionamento de algum comando ou distrair a ateno do operador; o banco deve estar ajustado (altura, distncia da direo e firmeza da mola) para o tipo fsico do operador, para que ele tenha acesso confortvel a todos os comandos; e o cinto de segurana bem ajustado cintura do operador.

    Ligando e desligando o trator Procedimentos seguros para ligar o trator:

    1. Subir no trator sempre do lado esquerdo e apoiado pelas duas mos e um dos ps.

    2. Sentar no banco do operador e prender o cinto de segurana (se o trator tiver EPCC).

    3. Pressionar o pedal de embreagem at o fundo. 4. Colocar todas as alavancas de marcha em posio de neutro.

  • 75

    Somente ligue o trator sentado no banco do operador!

    5. Ajustar a alavanca do acelerador para 1/3 de acelerao. 6. Por a chave de ignio na posio ligado (parte eltrica ligada)

    e verificar o painel do trator.

    7. Girar a chave para posio ligar at o funcionamento do motor.

    8. Se o motor no ligar em 10 segundos, pare. Verificar o painel de instrumentos e esperar um minuto antes de tentar de novo.

    9. Deixar o motor funcionando em marcha lenta por pelo menos 30 segundos para a correta lubrificao.

    Procedimentos seguros para desligar o trator: 1. Desacelerar at a marcha - lenta. 2. Por a transmisso em neutro e acionar o freio de

    estacionamento. 3. Desligar a chave de ignio e retir-la para evitar que o trator

    seja ligado por crianas. 4. Puxar o estrangulador da bomba injetora para parar o motor. 5. Se o trator estiver numa ladeira engrene uma marcha reduzida.

  • 76

    Sempre engate implementos de arrasto barra de trao !

    Acoplando implementos

    Na Figura 20 so identificados os principais rgos de acoplamento de um trator tpico.

    Figura 20 Vista traseira de um trator mostrando a barra de trao, o sistema de engate de trs pontos e a TDP (fonte: Reis et al., 2005).

    Para implementos de arrasto (aqueles acoplados pela barra de trao) deve se adotar o seguinte procedimento seguro para acoplamento:

    1. Manobre o trator para alinhar o furo da barra de trao ao furo do cabealho do implemento (Figura 21a).

    13

    1

    12 2 1011

    4 93 8

    5 6

    7

    Legenda:

    1) Braos inferiores; 2) e 10) esticadores laterais; 5) ponto de acoplamento superior; 6) brao de ligao superior; 11) TDP (com capa protetora); 12) barra de trao; 13) pontos de engate inferiores.

  • 77

    2. Desligue o motor, engate uma marcha e acione o freio de estacionamento.

    3. Acople o implemento com o pino adequado e o pino trava (Figura 21b).

    4. Remova ou levante o p de sustentao (caso exista).

    5. Acople o eixo da TDP e as mangueiras hidrulicas (caso existam).

    A B Figura 21 Alinhamento da barra de trao ao cabealho do implemento (A), pino

    trava (B) (fonte: Hershmann et al., 2004).

    No caso de implementos montados (acoplados atravs do engate de trs pontos), recomenda-se o seguinte procedimento para o acoplamento seguro de implementos em tratores pequenos e mdios (categorias de engate I e II):

  • 78

    Nunca permita a presena de uma pessoa entre o trator e o implemento durante as manobras para engate!

    1. Manobre o trator para alinhar os furos dos braos inferiores aos furos de engate do implemento.

    2. Movimente o hidrulico para acertar a altura do brao esquerdo (brao fixo).

    3. Desligue o motor, engate uma marcha e acione o freio de estacionamento.

    4. Engate primeiro o pino no furo do brao inferior esquerdo e ponha o pino trava.

    5. Engate o ponto de engate superior e ponha o pino trava.

    6. Por ltimo engate o brao inferior direito ajustando a altura do furo atravs da manivela e ponha o pino trava.

    Cabe reafirmar que a seqncia inteira aps o terceiro passo feita com o motor desligado. Caso seja necessrio movimentar o trator para melhorar o alinhamento com o implemento, este deve ser novamente imobilizado e desligado antes que o operador desa para terminar o acoplamento.

  • 79

    Uso do trator em operaes de campo (riscos de capotamento) A operao segura do trator da lavoura deve-se a um conjunto

    de procedimentos e atitudes bastante extensos, dos quais a maioria j foi discutida ao longo do texto. No entanto, restam algumas recomendaes importantes a fim de tornar o uso principal do trator (operaes de campo) mais seguro. So elas:

    Conhea a posio das marchas do trator que voc ir usar.

    Sempre solte a embreagem lentamente para evitar o levantamento das rodas dianteiras, o que pode resultar no capotamento do trator ou, na melhor das hipteses, na quebra da ponta de eixo dianteira.

    Faa um reconhecimento da lavoura a p. Identifique e marque VALETAS, PEDRAS, TOCOS e outros obstculos.

    Use velocidades baixas em terrenos irregulares, inclinados ou em curvas.

    Sempre una com trava os pedais de freios quando sair da lavoura.

    Utilize marcha r para sair de valas profundas para evitar o capotamento.

    Uso do trator em operaes de transporte Ao trafegar em descidas, use a mesma marcha que seria

    usada para subir. Jamais desa em ponto-morto.

  • 80

    Mantenha os pedais de freio unidos por trava, pois o travamento de apenas uma roda pode causar o tombamento lateral do trator mesmo em terreno plano.

    No exceda 32 km/h no reboque de cargas. No exceda 16 km/h no reboque de cargas com peso igual

    ou maior que o do trator. No rebocar cargas com peso superior ao dobro do peso

    do trator. Apague o farol traseiro ao trafegar noite em estradas. Tenha muito cuidado ao fazer curvas, especialmente com

    implementos suspensos ou reboques. Certifique-se que os dispositivos de aviso se encontram

    em boas condies (refletores, piscas, faris).

    Alm desses cuidados, deve-se ter em mente que um dos fatores de risco associado aos acidentes com tratores em operaes de transporte em estradas a sua baixa velocidade relativamente aos demais veculos. Automveis e caminhes trafegam a velocidades at trs vezes superiores a maior velocidade atingida pelo trator, de forma que pode se tornar impossvel para estes parar a tempo de evitar uma coliso, mesmo trafegando no mesmo sentido da via.

    Uso de implementos acionados pela tomada de potncia

    H duas rotaes padronizadas de funcionamento do eixo da tomada de potncia (TDP) dos tratores: 540 e 1.000 rpm. Para que no

  • 81

    Mantenha no lugar as protees da TDP!

    se corra o risco de acoplar um implemento que deve ser acionado a 540 rpm numa TDP de 1.000 rpm, os eixos tm dimetros e nmeros de estrias diferentes. O eixo da TDP de 540 rpm tem 35 mm de dimetro e apresenta 6 estrias enquanto que o eixo da TDP de 1.000 rpm pode ter 35 ou 45 mm de dimetro e apresenta 21 estrias (Figura 22).

    Figura 22 Seo do eixo da TDP de 1.000 rpm (A) e 540 rpm (B).

    Numa TDP de 540 rpm o eixo gira 9 vezes por segundo enquanto que na de 1.000 rpm ele gira a 16,6 vezes por segundo. Fica claro, portanto, que com o tempo de reao humano no h como evitar um acidente. Somente com preveno e procedimentos seguros de utilizao, os perigos podem ser evitados. Nesse sentido, recomenda-se a adoo das seguintes prticas:

    Mantenha todas as partes da TDP e do eixo card com a proteo principal e a proteo externa fixa

    A) 1.000rpm B) 540rpm

  • 82

    (Figuras 18 e 19). Desengate a TDP e desligue o motor antes de descer do

    trator por qualquer motivo. D a volta no trator ao invs de tentar pular o eixo da TDP

    em movimento. Sempre use o eixo card recomendado para o implemento.

    Jamais troque o eixo card entre implementos diferentes. Ajuste a barra de trao e o cabealho do implemento de

    forma a manter o eixo card sempre alinhado, prevenindo tenses no eixo ou na proteo durante curvas fechadas ou transposio de obstculos.

    Verifique, antes de cada utilizao, se a capa protetora do eixo card no est presa ao eixo. Se isso ocorrer, o problema deve ser solucionado antes de se comear a tarefa.

    Cuidados durante as manutenes As atividades de manuteno peridica e reparos no trator

    tambm so fontes de acidentes, por isso alguns cuidados importantes devem ser tomados durante esses servios. Os principais so listados a seguir.

    Antes de se afastar do trator aplique o freio de estacionamento, baixe o implemento ao solo, pare o motor e retire a chave do contato.

    Efetue trabalhos de manuteno sempre com o motor

  • 83

    desligado. Se for necessrio remover as rodas, use apoios firmes

    alm do macaco. Cuidado! A gua do radiador pode estar a mais de 100C. O gs que se desprende da bateria explosivo. Mantenha

    longe de chamas e fascas. Manuseie o combustvel com precauo. Desligue o motor antes de reabastecer. No fume ao reabastecer. No suba nem desa do trator em movimento.

    Alguns cuidados especficos devem ser observados com o manuseio, manuteno e recarga da bateria, pois alm da soluo eletroltica ser fortemente cida, h a possibilidade de formao do gs hidrognio, o qual altamente explosivo, especialmente quanto o nvel da soluo eletroltica deixado abaixo do especificado. Para o manuseio seguro da bateria recomenda-se:

  • 84

    Verifique periodicamente o nvel da soluo eletroltica, completando o nvel com gua destilada para evitar o acmulo de gs hidrognio.

    Se necessrio remover a bateria do trator, solte primeiro o cabo do terminal negativo para reduzir o risco de produo de fascas.

    Ao reinstalar a bateria no trator fixe primeiro o cabo negativo.

    Use luvas de borracha e culos de proteo ao completar o nvel com gua destilada a fim de reduzir os efeitos de respingos de cido.

    5. 4. Trator de duas rodas

    O trator de duas rodas, tambm chamado de motocultivador, microtrator ou trator de rabias - por sua semelhana com os implementos de trao animal, nos quais o agricultor caminha atrs do implemento, comandando-o por meio de rabias - vem montado, geralmente, com uma enxada rotativa atrs das duas rodas motrizes, podendo esta ser substituda por arados, carretas, pulverizadores, perfurador de solo e outros implementos. Executam, respeitados os limites de potncia e de estabilidade, as mesmas tarefas realizadas por tratores maiores, sendo indicados para estabelecimentos de at 30 ha (Figura 23).

  • 85

    A) vista lateral B) vista superior

    Figura 23 Trator de duas rodas tpico (fonte: Reis et al., 2005).

    Em relao ao trator de quatro rodas, o trator de rabias apresenta as seguintes vantagens: baixo custo de aquisio, baixo custo de operao, versatilidade, excelente manobrabilidade e tamanho reduzido. Como desvantagens destacam-se a sua baixa potncia (geralmente inferior a 18 cv) e o fato de no carregar o operador em algumas operaes.

    Outro aspecto que merece ateno e que pode ser fonte de acidentes a forma de operao desse trator. Os comandos para por o trator em movimento, frear, parar, trocar marchas e mudar a direo de deslocamento guardam pouca semelhana com aqueles dos automveis e mesmo dos tratores de quatro rodas. Assim, mesmo um operador capacitado na operao de tratores convencionais necessita passar por um treinamento especfico para operar esse tipo de mquina. Esta imposio torna-se ainda mais imperiosa quando se trata de agricultores que esto fazendo a transio da mecanizao com trao animal, pois devero aprender tambm a controlar potncias at seis vezes maiores que as das produzidas pelos animais. Nesse contexto, maior potncia

  • 86

    significa maior fora e maior rapidez: duas caractersticas que ao mesmo tempo em que aumentam a freqncia dos acidentes podem agravar as suas conseqncias.

    Logo, parte da operao segura desse tipo de trator passa pelo conhecimento e completo domnio dos seus comandos e funcionalidades. Portanto, inicialmente sero apresentados os principais comandos do trator de duas rodas e, posteriormente, algumas prticas fundamentais para minimizar a ocorrncia de acidentes.

    Principais comandos Os principais comandos do trator de duas rodas esto dispostos

    em torno das rabias, mais ou menos ao alcance das mos do operador (Figura 24). Ao centro localiza-se uma manivela para regular a profundidade de trabalho da enxada rotativa. Tambm ao centro, um pouco mais a frente encontra-se a alavanca de marchas. Mais um pouco frente, no modelo ilustrado na figura, pode-se observar a alavanca de acionamento da enxada rotativa. Na extremidade da rabia direita, alm do acelerador, encontra-se a embreagem direcional direita na forma de uma manopla, que ao ser pressionada interrompe a transmisso de movimento para a roda direita, o que com o avano da roda esquerda direciona o trator para o lado direito. Na extremidade da rabia esquerda encontra-se apenas a embreagem direcional esquerda, que, de maneira anloga, ao ser pressionada conduz o trator para o lado esquerdo. frente da rabia esquerda h a alavanca da embreagem principal e freio, que utilizada tanto como embreagem, acoplando e desacoplando o

  • 87

    motor caixa de cmbio, como freio para imobilizar o trator em operaes de transporte ou deslocamento. A Figura 25 traz detalhes da embreagem e freio principal.

    Figura 24 Comandos da rabia do trator.

    Figura 25 Detalhe da embreagem e freio principal.

    EEmmbbrreeaaggeemm ee ffrreeiioo pprriinncciippaall AAllaavvaannccaa ddee mmaarrcchhaass

    PPrrooffuunnddiiddaaddee ddaa rroottaattiivvaa

    EEmmbbrreeaaggeemm ddiirreecciioonnaall EEssqquueerrddaa EEmmbbrreeaaggeemm ddiirreecciioonnaall DDiirreeiittaa

    AAcceelleerraaddoorr

    AAllaavvaannccaa ddaa rroottaattiivvaa

    EEmmbbrreeaaggeemm ee ffrreeiioo pprriinncciippaall

  • 88

    Principais cuidados

    Os principais cuidados que devem ser observados durante a operao desses tratores so destacados a seguir:

    Antes de por o microtrator em funcionamento, leia atentamente o manual de operao.

    Desengate todas as embreagens e mude o cmbio para a posio neutra antes de dar a partida no motor.

    Segure firmemente a manivela para dar a partida! No a solte da mo quando o motor pegar!

    Mantenha as mos, os ps e o vesturio distante das partes giratrias.

    Use sapatos fechados ou botas. No freie bruscamente, pois h o perigo da parte traseira

    ser levantada. No transporte cargas com mais de 750 kg. Nunca permita a presena de outras pessoas prximas ao

    microtrator. Tome extremo cuidado ao operar em modo reverso, pois

    se o operador cair h risco de atropelamento, alm disso, o funcionamento do sistema de direo se inverte.

    Sempre opere o microtrator com as protees, tampas e capas nos seus respectivos lugares.

    Desligue o motor e acione o freio antes de realizar qualquer ajuste ou manuteno no microtrator ou

  • 89

    implemento. Faa curvas com extremo cuidado, tanto em operaes de

    campo como de transporte, pois medida que a curva feita a rabia se afasta do operador, dificultado o controle do trator.

    Alm dessas recomendaes bsicas, bom ter-se em mente que nos tratores em que o sistema de direcionamento feito atravs de embreagens (a maioria), o comportamento do sistema se inverte em marcha r e em descidas. Isto ocorre porque nas descidas as rodas atuam como freio-motor e quando a embreagem de uma roda acionada, o peso do trator faz com que ela aumente a velocidade de descida, direcionando o trator para o lado oposto do que se previa. A Figura 26 ilustra esse efeito.

  • 90

    Figura 26 Realizao de curvas com trator de rabia.

    DDiirreeiittaa EEssqquueerrddaa

    DDiirreeiittaa

    EEssqquueerrddaa

    Terreno Plano

    Descida

  • 6. Manuseio de agrotxicos

    A palavra agrotxico est geralmente associada aos produtos qumicos utilizados no tratamento fitossanitrio das culturas agrcolas conduzidas na forma tradicional. No entanto, outros produtos qumicos presentes num estabelecimento agrcola, como fertilizantes, combustveis, lubrificantes, solventes e produtos veterinrios, tambm podem causar danos sade humana se mal empregados. Assim, no presente texto, o termo agrotxico empregado num sentido amplo, englobando todos os produtos qumicos que possam prejudicar o homem.

    Os agrotxicos podem se apresentar na forma granular, em p, lquidos concentrados ou em soluo. Embora possam ter aparncia segura e at mesmo inocente, tratam-se de compostos qumicos complexos que causam srios danos ao ser humano.

    Os efeitos dos agrotxicos no ser humano vo desde uma simples dor de cabea at nuseas, clicas estomacais, diarria, calafrios, febre, desmaios, paralisia e mesmo a morte. Devido variedade de sintomas causados no ser humano exposto aos venenos,

  • 92

    A palavra TXICO significa VENENOSO !

    muitas vezes, a intoxicao no constatada, sendo confundida com outra doena ou condio. Como exemplo pode-se citar uma gripe de vero, que tem os mesmos sintomas da intoxicao por agrotxicos: dor de cabea, febre e pigarro. Por essa razo, importante que fique bem claro que o agrotxico veneno, e veneno mata.

    6.1. Formas de exposio a agrotxicos Existem quatro formas principais de contaminao do homem

    pelos agrotxicos: oral, drmica, respiratria e ocular. A Figura 10 sumariza os EPIs necessrios para se reduzir os riscos dessa contaminao.

    Exposio oral Ocorre quanto o veneno chega boca da pessoa que o est

    manuseando, aplicando ou mesmo trabalhando numa rea em que o produto foi aplicado. Neste tipo de exposio ocorre a ingesto do produto ativo do agrotxico. Na maioria dos casos o agrotxico no chega boca diretamente, primeiro h a contaminao das mos. Esta por sua vez ocorre pelo manuseio de embalagens, preparao de caldas, manuteno de equipamentos de aplicao entre outras, mesmo com o uso de luvas apropriadas. Neste ltimo caso, a exposio geralmente ocorre associada ao vcio de fumar. Ao pegar o cigarro com

  • 93

    As mos calejadas no reduzem a entrada de veneno.

    as mos ou luvas contaminadas, pequenas quantidades do veneno acabam chegando boca.

    A fim de minimizar a ocorrncia deste tipo de contaminao recomenda-se que as pessoas envolvidas no manuseio e aplicao de agrotxicos no fumem nem se alimentem durante o trabalho. Antes das paradas para alimentao as luvas devem ser retiradas e as mos lavadas cuidadosamente com gua e sabo.

    Exposio drmica

    o tipo de exposio em que a entrada do veneno no corpo ocorre atravs da pele. Ocorre pelo manuseio de embalagens (cheias ou vazias), preparao de caldas, durante a aplicao ou mesmo atravs de caminhadas por reas recm tratadas.

    O envenenamento ocorre nos atos mais banais como: urinar com as luvas contaminadas e secar o suor da testa com a parte de traz da mo enluvada. Em ambos os casos os resduos de veneno depositados na superfcie da luva tm a chance de chegar pele.

    O uso de luvas de borracha sempre imprescindvel, pois ao contrrio do que as pessoas pensam, as mos calejadas do agricultor no reduzem a entrada do veneno no corpo.

  • 94

    A exposio por inalao produz a forma mais rpida de chegada do veneno corrente sangnea.

    Sempre use luvas, jaleco e botas ao trabalhar com agrotxicos.

    Exposio respiratria o tipo de

    contaminao que se d atravs dos pulmes pela inalao do veneno. O que causa a intoxicao, portanto, a inalao de vapores, gases ou poeiras de agrotxicos.

    A exposio pode ocorrer durante a preparao de caudas, mistura de agrotxicos em p ou granulados, durante a trplice lavagem ou queima de embalagens.

    Sempre use mscara de proteo ao usar agrotxicos.

    Exposio ocular Ocorre atravs dos olhos. Respingos de agrotxicos lquidos e

    p de produtos slidos durante o manuseio, preparao de caldas e lavagem de embalagens so fontes de contaminao atravs dos olhos.

    Sempre use viseira facial ou culos fechados ao trabalhar com agrotxicos.

    6.2. Classes de toxidade A fim de informar aos usurios o nvel de perigo a que esto

  • 95

    expostos durante o manuseio de venenos, as embalagens trazem a classe de toxidade do produto que contm. As classes so expressas textualmente e atravs de cores conforme se pode ver na Figura 23.

    CCllaassssee II -- eexxttrreemmaammeennttee ttxxiiccoo

    CCllaassssee IIII -- aallttaammeennttee ttxxiiccoo

    CCllaassssee IIIIII -- mmeeddiiaannaammeennttee ttxxiiccoo

    CCllaassssee IIVV -- ppoouuccoo ttxxiiccoo

    Figura 24 Classes de toxidade dos agrotxicos.

    Para um melhor entendimento dos riscos de contaminao, a cada uma das classes est associada a dose mortal para um adulto. Assim, tem-se: Classe I - extremamente txico: 1 pitada ou algumas gotas. CCllaassssee IIII -- aallttaammeennttee ttxxiiccoo: algumas gotas a 1 colher de ch. Classe III - medianamente txico: 2 colheres de sopa a 1 copo. Classe IV - pouco txico: 1 copo a 1 litro.

    V-se que mesmo aqueles venenos mais fracos podem matar uma pessoa com uma quantidade relativamente pequena. Tambm ficam evidentes os perigos a que se est sujeito quando do uso dos agrotxicos da Classe I, pois mesmo uma pequena exposio, que pode ocorrer por descuido, falta de capacitao, ausncia de EPI ou fatores no previstos, pode levar morte ou, no mnimo, a intoxicaes graves.

  • 96

    6.3. Medidas preventivas

    Cuidados no armazenamento

    Os usurios/agricultores devem armazenar as embalagens nas suas propriedades apenas temporariamente, e mesmo assim por um prazo inferior a um ano. Essa medida reduz os riscos de acidentes com pessoas no diretamente envolvidas com o agrotxico.

    Outras medidas preventivas durante o armazenamento so listadas a seguir:

    As embalagens, vazias lavadas ou cheias, devero ser armazenadas com as suas respectivas tampas e rtulos em local coberto, ao abrigo de chuva. Isso permite identificar a classe de toxidade do veneno e as medidas de emergncia a serem tomadas em caso de exposio.

    Nunca armazenar o produto ou as embalagens, lavadas ou no, junto com pessoas, animais, medicamentos, alimentos ou raes.

    Certificar-se de que as embalagens vazias estejam adequadamente lavadas e com o fundo perfurado, evitando assim a sua reutilizao.

    O local de armazenamento deve ser exclusivo para produtos txicos, ser ventilado, coberto e ter piso impermevel.

    Manter o local trancado. Essa medida impede o acesso de crianas e de outras pessoas no capacitadas para o

  • 97

    manuseio do veneno. Colocar placa de advertncia: Cuidado, Veneno!

    Cuidados durante o manuseio Evitar contato com nariz e boca. Usar EPI. No desentupir bicos, orifcios e vlvulas com a boca. No utilizar equipamentos de aplicao com vazamentos. Evitar o contato com os olhos. Caso ocorra, lavar

    imediatamente com gua corrente durante quinze minutos e se houver irritao, procurar um mdico levando a embalagem, bula ou rtulo do produto.

    Evitar contato com a pele. Caso isso ocorra, lavar as partes atingidas imediatamente com gua e sabo em abundncia e, havendo sinais de irritao, procurar assistncia mdica, levando a bula, rtulo ou embalagem do produto.

    Em caso de inalao, procurar um local arejado. Evitar respingos ao abrir a embalagem. Aplicar somente as doses recomendadas.

    Cuidados durante a aplicao No aplicar contra o vento. Usar EPI. No distribuir o produto com as mos desprotegidas,

    optando por usar luvas impermeveis.

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    Evitar ao mximo, contato com a rea de aplicao. Se a pulverizao produzir neblina, no descuidar do uso

    de avental impermevel e protetor cobrindo o nariz e a boca.

    No trabalhar sozinho quando manusear produtos txicos. No beber, comer ou fumar durante o manuseio e a

    aplicao dos tratamentos. Preparar somente a quantidade de calda necessria

    aplicao.

    Cuidados aps a aplicao Lavar as mos com gua e sabo aps a aplicao. No reutilizar a embalagem vazia. Manter as sobras de produtos adequadamente fechadas

    em local trancado, longe do alcance de crianas e animais.

    Tomar banho, trocar e lavar as roupas utilizadas durante a aplicao.

    Trplice lavagem Este um procedimento de segurana que deve ser adotado a

    fim de reduzir a contaminao ambiental e os riscos sade das pessoas e animais.

    a) Esvazie completamente o contedo da embalagem no tanque do pulverizador.

  • 99

    Importante! Realizar a trplice lavagem no momento de preparao da calda.

    b) Adicione gua limpa embalagem at do seu volume. c) Tampe bem a embalagem e agite-a por 30 segundos. d) Despeje a gua de lavagem no tanque do pulverizador. e) Faa esta operao

    3 vezes. f) Inutilize a

    embalagem plstica ou metlica, perfurando o fundo.

    As embalagens vazias, juntamente com os rtulos e tampas, podem ser armazenadas pelo agricultor por at um ano a partir da data da compra. Quando um nmero de embalagens suficiente for armazenado, o agricultor deve entreg-las a uma unidade de recebimento, cujo endereo deve constar na nota fiscal de compra.

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    103

    Agradecimentos

    A todos aqueles que nos antecederam no estudo da segurana na operao de mquinas agrcolas, pois forneceram as condies imprescindveis para que esta obra se tornasse possvel.

    Em especial, gostaramos de agradecer ao amigo e colega Prof. Dr. Airton dos Santos Alono, que h muitos anos milita na preveno de acidentes com mquinas agrcolas e que nos ajudou a perceber e a entender a gravidade do tema.