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  • TEXTO PARA DISCUSSO N 540

    (VERSO REVISTA)*

    PARA ONDE VAI A ESTRUTURAINDUSTRIAL BRASILEIRA?**

    Regis Bonelli***Robson R. Gonalves****

    Rio de Janeiro, junho de 1998

    * Reimpresso para correo de falhas editoriais identificadas na primeira versoimpressa, de que os autores esto isentos de responsabilidade.** Os autores agradecem o excelente apoio computacional de Leandro Pinto Vilela eSamantha Taam Dart.*** Pesquisador-visitante na Diretoria de Pesquisa do IPEA**** Da Diretoria de Pesquisa do IPEA.

  • O IPEA uma fundao pblicavinculada ao Ministrio doPlanejamento e Oramento, cujasfinalidades so: auxiliar o ministro naelaborao e no acompanhamento dapoltica econmica e prover atividadesde pesquisa econmica aplicada nasreas fiscal, financeira, externa e dedesenvolvimento setorial.

    PresidenteFernando Rezende

    DiretoriaClaudio Monteiro ConsideraLus Fernando TironiGustavo Maia GomesMariano de Matos MacedoLuiz Antonio de Souza CordeiroMurilo Lbo

    TEXTO PARA DISCUSSO tem o objetivo de divulgar resultadosde estudos desenvolvidos direta ou indiretamente pelo IPEA,bem como trabalhos considerados de relevncia para disseminaopelo Instituto, para informar profissionais especializados ecolher sugestes.

    ISSN 1415-4765

    SERVIO EDITORIAL

    Rio de Janeiro RJAv. Presidente Antnio Carlos, 51 14 andar CEP 20020-010Telefax: (021) 220-5533E-mail: editrj@ipea.gov.br

    Braslia DFSBS Q. 1 Bl. J, Ed. BNDES 10 andar CEP 70076-900Telefax: (061) 315-5314E-mail: editbsb@ipea.gov.br

    IPEA, 1998 permitida a reproduo deste texto, desde que obrigatoriamente citada a fonte.Reprodues para fins comerciais so rigorosamente proibidas.

  • SUMRIO

    RESUMO

    1 - INTRODUO......................................................................................1

    2 - UMA VISO DE LONGO PRAZO DA EVOLUO DA INDSTRIA.....................................................................................1

    3 - MUDANAS RECENTES 1985/97 ..................................................7

    4 - PADRES NORMAIS DE CRESCIMENTO E MUDANA ESTRUTURAL .................................................................11

    5 - OUTROS MODELOS DE MUDANA ESTRUTURAL........................19

    6 - UMA ESTIMATIVA DOS PADRES NORMAIS E A POSIO DO BRASIL........................................................................21

    7 - CENRIOS PARA O DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL BRASILEIRO ...............................................................33

    8 - CONCLUSO .....................................................................................37

    ANEXO.....................................................................................................39

    BIBLIOGRAFIA ........................................................................................47

  • RESUMO

    Este texto apresenta uma anlise das tendncias de evoluo da estrutura industrialbrasileira em uma perspectiva de longo prazo. A partir da estimao de padres dedesenvolvimento industrial, feita para uma amostra de 80 pases no perodo1980/94, procura-se identificar a posio relativa do Brasil, bem como se realizaum exerccio de cenarizao para o perodo 1997/2020, envolvendo algumas dasvariveis-chave do setor industrial, tais como valor adicionado total,produtividade e emprego.

  • PARA ONDE VAI A ESTRUTURA INDUSTRIAL BRASILEIRA?

    1

    1 - INTRODUO

    As mudanas que vm sendo atravessadas pela economia brasileira nos ltimostempos levantam, naturalmente, dvidas e indagaes as mais diversas, elegtimas, a respeito do nosso futuro. Curiosamente, embora essa inquietudedevesse ter sido maior na fase de superinflao do que hoje, precisamentequando se percebem os contornos da estabilidade e que se abre a possibilidade docrescimento de longo prazo que se nota aguado o interesse pela evoluo futurada nossa economia.

    Em poucos setores esta curiosidade parece mais aguda do que em relao indstria. Em parte, talvez, porque aqui as mudanas tm sido rpidas e violentaso suficiente para lanar dvidas e novas questes. Para quem acreditava que oBrasil havia alcanado em meados dos anos 80 uma estrutura industrialcompleta, integrada e diversificada, o vendaval que comea ainda no rescaldoda crise da dvida externa e se estende at a fase de estabilizao com aberturacomercial e financeira dos dias de hoje (para no falar da globalizao e seusefeitos, ainda hoje mal-compreendidos e escassamente estudados), abateu teses,projetos, conceitos e preconceitos. Para onde vamos, neste mar de intensastransformaes?

    Perguntas complexas no permitem, como se sabe, respostas fceis. No que sesegue temos a pretenso de provocar uma reflexo sobre o futuro da indstria combase em modelos, antigos e novos que, acreditamos, serviro para acrescentarmais contedo s questes e especulaes a respeito do futuro industrial brasileiro.E, se no contedo, pelo menos forma.

    Isto posto, o restante do trabalho organiza-se assim: a seo seguinte apresentauma viso descritiva de longo prazo da evoluo da produo industrial brasileiraat o incio dos anos 90. Segue-se, na Seo 3, uma breve discusso sobre asmudanas recentes. A Seo 4 apresenta um apanhado das idias relacionadas aochamado padro normal de crescimento, devidamente qualificadas paraincorporar avanos recentes da rea da economia do desenvolvimento. A Seo 5amplia a anlise, acrescentando novos modelos, enquanto a de nmero 6 mostra osresultados empricos, ilustrando como o Brasil se enquadra nos padres normaisestimados e sua estabilidade no tempo. A Seo 7 apresenta alguns cenrios para odesenvolvimento industrial brasileiro e a Seo 8 conclui o trabalho comcomentrios que destacam os principais resultados e consideraes sobre aevoluo futura da dimenso da indstria, partindo de hipteses sobre variveisdemogrficas e sobre o produto real agregado.

    2 - UMA VISO DE LONGO PRAZO DA EVOLUO DA INDSTRIA1

    O Grfico 1 apresenta as linhas gerais da transformao de longo prazo daindstria e da economia brasileiras no sculo XX.

    1 Baseado em Bonelli (1996).

  • PARA ONDE VAI A ESTRUTURA INDUSTRIAL BRASILEIRA?

    2

    Grfico 1

    Tendncias de Longo Prazo da Produo Brasileirandices de Produto Real: PIB, Agricultura, Indstria (1900/97)

    O crescimento da indstria a taxas superiores s da agricultura j visvel a partirdo final da primeira dcada deste sculo. De fato, entre 1908 e 1928 a indstria detransformao cresceu taxa mdia de 6,8% a.a., ao passo que a agriculturacresceu 3,9%. O crescimento mdio do PIB no mesmo perodo de 5,1% ou decerca de 2,9%, em termos per capita.

    No incio dos anos 30 a curva de produo industrial muda de inflexo para cima,indicando uma acelerao da taxa de crescimento apenas esporadicamenteinterrompida no comeo da Segunda Guerra Mundial e em meados dos anos 50:entre 1932 e 1962, a taxa de crescimento mdia da indstria atinge os 9,1% a.a.No mesmo perodo a produo agrcola aumenta 3,7% a.a., em mdia,praticamente a mesma taxa do subperodo anterior. J o PIB reflete mais de pertoo desempenho da indstria, cujo peso no total aumenta sensivelmente ao longo dotempo: a taxa mdia de crescimento anual chega a 6,4%, acelerando-se em relaoao perodo anterior graas ao desempenho da indstria.

    Percebe-se, ainda, na inspeo do grfico, uma outra inflexo na curva deproduo industrial e, por extenso, na do PIB por um perodo de temporelativamente curto, entre 1967 e 1973. a poca do chamado "milagreeconmico brasileiro", quando a produo da indstria cresceu 13,3% e o PIB,11,9% anuais.

    Os anos 80, por sua vez, registram um desempenho que totalmente atpico natendncia de crescimento de longo prazo. Entre 1980 e 1990 a produo industrialcaiu cerca de 2%, acumulados, ao passo que o PIB aumentava apenas 16,8%: emmdia 1,56% a.a., ou aproximadamente -0,6% a.a. em termos per capita. A taxa

  • PARA ONDE VAI A ESTRUTURA INDUSTRIAL BRASILEIRA?

    3

    de crescimento da agricultura tambm diminuiu na dcada de 80 em relao tendncia histrica, alcanando 2,4% a.a.

    J nos anos 90, a par de uma modesta recuperao do crescimento, chama aateno a estabilidade do crescimento agrcola.

    A Tabela 1 permite a comparao do desempenho dos setores e do PIB pordcadas, destacando-se o pssimo desempenho da indstria e, por extenso, doPIB na dcada de 80 e, em menor medida, na de 90, em comparao com todasas demais neste sculo. J a agricultura, embora apresentando taxas mdias decrescimento ligeiramente superiores mdia histrica a partir dos anos 40, temuma evoluo com menor varincia em termos de taxas mdias de crescimento.De fato, seu desempenho foi pior nos anos 30 impedindo que o PIB arrancassejunto com a indstria de transformao e nos anos 80.

    Um fato relevante a ser destacado refere-se ao padro de crescimento dos anos 90.Muito embora as taxas de expanso no perodo 1990/97, apresentadas na Tabela 1,representem recuperao em relao dcada anterior, sobretudo no caso daindstria, ainda que com uma performance muito aqum da observada ao longode todo o ps-guerra, sabemos que essa dcada foi, at o presente, marcada pordois subperodos distintos em termos de crescimento econmico. Entre 1990 e1993, o clima recessivo atravessado pela economia brasileira resultou em umataxa mdia de crescimento do PIB de apenas 1,2% a.a. (taxa esta que foi de 0,3%para a indstria e 2,3% para a agricultura). No segundo subperodo (1993/97), oPIB expandiu-se de forma bem mais favorvel, atingindo uma taxa de crescimentopouco superior a 4,4% a.a. em mdia (taxa que foi de 3,8% no caso da indstria e6% no caso da agricultura).

    Tabela 1Taxas Mdias Anuais de Crescimento do PIB, Agricultura e Indstria, segundo Dcadas

    (Em %)Perodo PIB Agricultura Indstria

    1900/101910/201920/301930/401940/501950/601960/701970/801980/901990/