abraham palatinik

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Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP) (William Okubo, CRB-8/6331, SP, Brasil) INSTITUTO ARTE NA ESCOLA Abraham Palatnik: a arte do tempo / Instituto Arte na Escola ; autoria de Maria Cristina Vilanova Biazus ; coordenao de Mirian Celeste Martins e Gisa Picosque. So Paulo : Instituto Arte na Escola, 2005. (DVDteca Arte na Escola Material educativo para professor-propositor ; 21) Foco: FC-1/2005 Forma-Contedo Contm: 1 DVD ; Glossrio ; Bibliografia ISBN 85-98009-22-9 1. Artes - Estudo e ensino 2. Artes - Tcnicas 3. Arte cintica 4. Palatnik, Abraham I. Biazus, Maria Cristina Vilanova II. Martins, Mirian Celeste III. Picosque, Gisa IV. Ttulo V. Srie CDD-700.7

CrditosMATERIAIS EDUCATIVOS DVDTECA ARTE NA ESCOLAOrganizao: Instituto Arte na Escola Coordenao: Mirian Celeste Martins Gisa Picosque Projeto grfico e direo de arte: Oliva Teles Comunicao

MAPA RIZOMTICOCopyright: Instituto Arte na Escola Concepo: Mirian Celeste Martins Gisa Picosque Concepo grfica: Bia Fioretti

ABRAHAM PALATNIK: a arte do tempoCopyright: Instituto Arte na Escola Autor deste material: Maria Cristina Vilanova Biazus Reviso de textos: Soletra Assessoria em Lngua Portuguesa Diagramao e arte final: Jorge Monge Autorizao de imagens: Ludmila Picosque Baltazar Fotolito, impresso e acabamento: Indusplan Express Tiragem: 200 exemplares

DVDABRAHAM PALATNIK: a arte do tempo

Ficha tcnicaGnero: Documentrio com depoimento do artista em sua casa-ateli. Palavras-chave: Movimento; tempo; cor; luz; arte cintica; experimentao; procedimentos tcnicos inventivos. Foco: Forma-Contedo. Tema: Vida e obra de Palatnik. Artistas abordados: Abraham Palatnik, o crtico de arte Mrio Pedrosa e a psiquiatra Nise da Silveira. Indicao: 7a e 8a sries do Ensino Fundamental e Ensino Mdio. Direo: Cac Vicalvi. Realizao/Produo: Rede SescSenac de Televiso, So Paulo. Ano de produo: 2002. Durao: 23. Coleo/Srie: O mundo da arte.

SinopsePalatnik o anfitrio de uma visita sua casa-ateli. De modo coloquial, fala de sua vida e o desenrolar de seu trabalho na sua trajetria artstica. Demonstra o seu processo de trabalho nas suas oficinas e revela como o seu pensamento e sua subjetividade foram se traduzindo por meio do conhecimento tecnolgico. Os processos amalgamados se transformam em obras nas quais a cor-luz e o movimento tm papel predominante. Considerados pelo artista como um registro da passagem do tempo, seus Relevos progressivos feitos tanto na madeira, quanto no papel, revelam uma busca incessante de poticas visuais extradas de materiais do cotidiano. O movimento e seu aspecto temporal, presentes nos objetos cinticos, nos cinecromticos e nos relevos, so o fio condutor de sua obra.

Trama inventivaOnde se v a forma, l est o contedo. Kandinsky discute essa questo de modo certeiro. Para ele, a forma a expresso exterior do contedo interior1 . A forma visual linhas, volumes, cores,... e suas relaes compositivas o meio pelo qual o artista d ressonncia, nos materiais, sua idia/pensamento e emoo que quer expressar. A forma conjuga-se com a matria por meio da qual se exprime, ligada aos significados que imprimem cada artista, perodo ou poca. Forma e contedo so, assim, intimamente conectados, inseparveis, imantados. Aproximao deste documentrio ao territrio Forma-Contedo da cartografia oferece acesso a vias de compreenso para alm do olhar analtico que separa a forma esttica do contedo tematizado.

O passeio da cmeraPalatnik se faz, ao final do documentrio, um questionamento instigante: Como que eu resolvo o problema da cor?, ao que ele mesmo responde: Fatalmente eu cheguei luz, com focos luminosos. Alm da arte cintica, das relaes entre tempo e movimento como focos do documentrio, a cor-luz e a luz entram como um componente bsico para que os movimentos dos elementos da sua obra se faam visveis. O documentrio nos leva casa-ateli de Palatnik. O artista fala da sua infncia e juventude mostrando trabalhos que fez ainda quando aluno do curso livre de arte em Israel e do curso de mecnica de motores em Tel-Aviv entre os anos de 30 e 40. Palatnik conta sobre o seu encontro com o trabalho da psiquiatra Nise da Silveira, desenvolvido com pacientes esquizofrnicos, e o resultado expressivo que v nestas obras: Ento eu fiquei desorientado, declara. Isso o faz rever o prprio processo de trabalho. Mrio Pedrosa tem, nessa poca, papel fundamental, apresentando a teoria da gestalt, a psicologia da forma e a ciberntica, que lhe abrem novas perspectivas. Ele sente que poderia fazer algo que

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material educativo para o professor-propositorPALATNIK A ARTE DO TEMPO no representasse o exterior, mas que representasse a si mesmo. Abandona, ento, a pintura, os pincis, as tintas em busca de outro meio de expresso que envolve a mecnica e os processos perceptivos. Cria uma caixa em que a parte frontal seria uma tela, obra conhecida posteriormente como Objeto cinecromtico. As relaes entre cor-pigmento e cor-luz, e entre tempo-movimento podem ser o fio norteador para estudos no territrio Forma-Contedo, no qual o documentrio est alocado. Proposies pedaggicas podem ainda abordar Saberes Estticos e Culturais (arte tecnolgica, arte cintica, arte incomum, a experincia estsica com obras de esquizofrnicos); Linguagens Artsticas (desenho, objeto); Materialidade (procedimentos tcnicos inventivos, materiais industriais, motores); Processo de Criao (experimentao, dilogo do artista com a matria, o espao do ateli, o acervo pessoal do artista); Conexes Transdisciplinares (psiqu, psiquiatria, tecnologia, eletrnica); alm de Mediao Cultural (exposio).

Sobre Abraham Palatnik(Natal/RN, 1928) Palatnik encarna bem o artista inventor de nosso tempo, no qual o domnio da tcnica e a imaginao tangenciam a potica visual que interessou aos concretos e neoconcretos. Aracy Amaral

O documentrio traz um panorama do processo artstico de Abraham Palatnik, sua trajetria de vida e os processos que foram se desenvolvendo e se acrescentando com facetas que mesclam a tcnica e a tecnologia e revelam toda sua subjetividade. Palatnik pode ser descrito como um artista cintico, pintor, desenhista, de famlia de judeus russos. Seu trabalho fica profundamente marcado quando conhece a Dra. Nise da Silveira2 no hospital psiquitrico D. Pedro II, no Engenho de Dentro. Ao confrontar-se com a obra dos internos, resultado de estimulao de processos criativos e artsticos como forma de tratamento, Palatnik questionou sua prpria obra. O conceito de que seus

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trabalhos provinham de estmulos externos entrou em choque com o que ele viu nas obras dos pacientes, que considerou densas e com um resultado vindo das profundezas do inconsciente. No fim dos anos 40, Palatnik decide romper com a trajetria de sua obra, abandona o pincel, o figurativo e parte para relaes mais livres entre forma e cor. Busca, ento, segundo ele, dinamizar as coisas no espao. Cria caixas de telas com lmpadas que se movimentam por mecanismos acionados por motores, sendo pioneiro no uso de fontes luminosas artificiais na arte. Esses Aparelhos cinecromticos, denominao atribuda por Mrio Pedrosa s invenes, so mostrados pela primeira vez em 1951, na 1 Bienal Internacional de So Paulo. Pedrosa descreve esses aparelhos como caixas em que Palatnik projeta sobre a tela ou outro qualquer material semitransparente composies de formas coloridas em movimento. Considerado por muitos como o pioneiro da arte cintica, Abraham Palatnik coloca o Brasil na vanguarda da arte tecnolgica com seus aparelhos cinecromticos. Seu trabalho reconhecido pelo ritmo progressivo da forma, a dinmica visual, o jogo de simetrias e assimetrias, luz e sombra, e pela estrutura formal resultante, abstrata, em que o tempo se mostra em movimento virtual, pontua Frederico Morais3 . Palatnik est na linha dos pesquisadores de plstica de luz, dos efeitos do espao-tempo sobre nossa sensibilidade. A cor, enfim, se liberta dos restos de sua existncia. Torna-se agora pura, direta, oriunda de fontes luminosas artificiais4 , reflete Mrio Pedrosa sobre a obra de Palatnik. O crtico Luiz Camilo Osrio define a obra de Abraham Palatnik a partir de uma frase de Paul Klee dar ordem ao movimento, viso que mostra esse artista como um todo. Palatnik sempre procurou explorar o potencial expressivo de cada material, mas o que d uma unidade sua obra uma questo de coerncia interna. Para ele, o sentido primordial da forma no est na sua aparncia, mas na sua essncia. O prprio artista estabelece as relaes forma-contedo, quando diz que a forma no pode ser confundida com invlucro ou contorno.

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material educativo para o professor-propositorPALATNIK A ARTE DO TEMPO No seu percurso criativo, interessante observar a ntima relao entre as possibilidades construtivas que antecipava ao pensar um trabalho e as relaes estticas que este poderia apresentar. Sobre seus projetos com ms e eletroms, citados por ele no documentrio, Palatnik fala ter desenvolvido pesquisa para encontrar as suas possibilidades expressivas, tambm pelo seu aspecto ldico. Diz ele5 :Nos meus primeiros trabalhos procuro os princpios que geram informaes, ou seja, o princpio da ordem e da essncia. As informaes no universo esto geralmente ocultas, disfaradas em meio desordem. necessrio o mecanismo da percepo e da intuio para que estas se manifestem de repente. a esta surpresa que tenho o maior interesse e fascnio. Inicia-se o processo da permuta e por meio de tecnologia adequada procuro disciplinar as informaes. Tambm acho que a forma de alguma coisa no apenas o seu contorno, mas principalmente a sua essncia. Alcanar essa essncia realmente intrigante. a origem de todas as manifestaes estticas manipuladas pelos artistas. A sensibilidade posta prova, o mecanismo da improvisao desabrocha, e o ludismo se apresenta reaproximando o homem de sua condio de participao e integrao.

Os olhos da arteEu achava que o interior poderia ser, de alguma forma exposto e, uma vez q