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  • 1. USP - Abelhas Indgenas Sem FerroParte 1 Generalidades 1 As abelhas sociais sem ferro Por que estudar as abelhas? O estudo das abelhas na UniversidadePor que estudar as abelhas?As associaes mais freqentes com a palavra "abelha" so flores, mel, trabalho, abelhasafricanizadas, agressividade, cera (velas), inseto social, apicultura, prpolis, plen. Algumas dasespcies de abelhas apareceram na Terra h mais de 100 milhes de anos, e desde ento houve umainterao muito ntima entre as flores e as abelhas. As flores atraem as abelhas usando perfumes esuas ptalas vistosas, nas quais s vezes so encontradas certas marcas coloridas que indicam ondeesto os nectrios florais, glndulas que produzem uma substncia aucarada, o nctar, recompensaaucarado apreciado pelos visitantes. As flores em geral tambm produzem grande quantidade deplen, que so seus gametas masculinos, fonte de protenas para os insetos. Deste modo, as abelhasprocuram as flores para ali se alimentarem; atravs deste vo de flor em flor, levam junto ao corpoos gros de plen e fertilizam as flores. Esta associao foi muita bem sucedida, e encontramoscasos realmente especializados e extraordinrios de polinizao por abelhas. Embora o vento possaser um agente polinizador, as flores polinizadas pelos insetos produzem frutos de melhor qualidade,com mais suco e melhores sementes. Mais de 3/4 da alimentao do homem baseada em plantaspolinizadas pelas abelhas.As abelhas mais populares no mundo todo so aquelas tambm encontradas nos produtos doces daspadarias, cujo nome cientfico Apis mellifera. Entretanto, h muitos tipos diferentes de abelhas.Estima-se em mais de 30.000 as espcies de abelhas do mundo. No Brasil, devemos ter cerca de5000 espcies diferentes. Uma das caractersticas gerais das abelhas a dependncia integral deprodutos florais.Podemos tratar da diversidade de espcies de abelhas de vrias maneiras diferentes. Uma delas separar as espcies que so de hbito solitrio, isto , os adultos copulam, as fmeas constroem umninho, colocam ali o alimento necessrio para o desenvolvimento de sua cria (um ovo colocadosobre uma mistura de plen e nctar; a larva vai se alimentar desta mistura, e depois completar oseu desenvolvimento transformando-se em pupa e finalmente em um inseto adulto) e nunca voconviver com seus filhos. A maioria das espcies de abelhas pertence a esta categoria. O outroextremo ocupado pelas espcies altamente sociais, isto , que vivem em sociedades muito bemorganizadas onde existe uma rainha, responsvel pela reproduo, operrias que se ocupam dasoutras tarefas do ninho, cuidado especializado da prole e uma sobreposio de geraes que podehttp://eco.ib.usp.br/beelab

2. USP - Abelhas Indgenas Sem FerroParte 1 Generalidades 2permitir a uma mesma colnia viver por mais de 50 anos. As espcies sociais so menos numerosas,em torno de 1000 conhecidas at o momento.Nas regies tropicais estamos ainda na fase de inventariar as espcies de abelhas encontradas nosvrios ecossistemas. Assim sendo, no Brasil j foram feitos cerca de 40 levantamentos faunsticoscom metodologia semelhante, que nos permitem ter uma idia preliminar de nossa fauna. Ascomunidades de abelhas so geralmente ricas em um determinado local: nos jardins do Instituto deBiocincias da USP, no corao de S. Paulo, uma das maiores cidades da atualidade, por exemplo,h cerca de 132 espcies de abelhas. Na Estao Biolgica de Boracia , na Mata Atlntica de S.Paulo, este nmero sobe para 260. A alta biodiversidade uma de nossas riquezas maiores. Aquicabe, entretanto, um comentrio: faltam especialistas para identificar as espcies, e parte delasnunca foi sequer descrita. comum encontramos nos trabalhos especializadas referncias comoespcie 1, espcie 2, 3, 4, etc., aguardando estudos mais detalhados. A anlise das comunidades deabelhas , nas reas tropicais, enfrenta a dificuldade do impedimento taxonmico, isto , precisamosformar e empregar especialistas neste ramo.A importncia de se conhecer a comunidade de abelhas de um local e suas relaes com as flores grande: so os potenciais polinizadores de nossas reas naturais e da agricultura regional. Asabelhas podem ser especialistas em determinadas flores ou famlias botnicas, coletando com amxima eficincia nelas e operando como polinizadores especializados, ou generalistas, isto ,visitam muitas espcies botnicas e as polinizam com menor eficincia do que as especialistas, masno dependem exclusivamente delas para sua sobrevivncia. As espcies sociais, que vivem duranteo ano todo , so generalistas. Entretanto, as plantas visitadas por cada espcie da comunidade localvo variar com a abundncia relativa de ninhos e de floradas, embora existam preferncias dedeterminadas espcies de abelhas por espcies ou famlias de plantas. Na natureza existe umbalano de predominncia de especialistas e generalistas em certas floradas. Uma vez conhecidosestes mecanismos, estas abelhas so intensamente estudadas, criadas pelo homem para aumentar aproduo de culturas agrcolas e de alimentos.Assim, por exemplo, a Megachile roduntata, espcies solitria, importante polinizadora da alfafado Hemisfrio Norte. J as abelhas Apis mellifera so os polinizadores generalistas mais utilizadosno mundo todo, talvez por ser criada em todos os continentes. Apesar da Apis mellifera ser o insetosocial mais estudado do mundo, pouco sabemos sobre ela, de modo que a abelha que serve defoco para estudos cada vez mais especializados. Na verdade, a Apis mellifera, por ser melhorconhecida, serve como parmetro de comparao com as outras espcies sociais, cujo conhecimentobiolgico para a Cincia ainda rudimentar.Para a sobrevivncia das espcies sociais, muito importante conhecermos seus hbitos de vida.Assim, estudar onde fazem os ninhos, quais as premissas para constru-los, as faixas de distribuiogeogrfica (geralmente moldadas pela temperatura , umidade relativa e tipo de vegetao) e suaspreferncias florais, isto , onde coleta o seu alimento, constitui-se no primeiro passo paraprogramas de restaurao ambiental ou de criao destas abelhas. Atualmente, estaesmeteorolgicas digitalizadas, imagens de satlites e equipamentos de controle de dados ambientais(dataloggers) nos fornecem dados sobre as necessidades abiticas das espcies. Estes estudos noslevam tambm aos laboratrios de fisiologia do metabolismo e estudos bioqumicos de enzimas queatuam no vo das abelhas. J a anlise das plantas visitada pode ser feita de modo indireto atravsde anlise polnica do mel e do plen coletado pelas abelhas e armazenado nos ninhos; so as basespara avaliao de importncia ecolgica relativa das espcies sociais nos ecossistemas, alm defundamentais para programas de restaurao ambiental.http://eco.ib.usp.br/beelab 3. USP - Abelhas Indgenas Sem FerroParte 1 Generalidades3O estudo das abelhas na UniversidadeA estrutura social dos insetos tem sido estudada intensivamente nos ltimos 30 anos. Aquiconsideramos as teorias que explicam a evoluo do comportamento social, baseadas em estudosgenticos altamente especializados, usando, por exemplo, marcadores moleculares como osmicrossatlites de DNA. Estes permitem que sejam verificados os nveis de parentescos entreninhos de uma determinada rea, a maternidade de machos, a competio entre rainhas e operrias.Atravs de estudos de DNA mitocondrial tambm estudamos as relaes filogenticas entre asespcies. O comportamento social atualmente avaliado atravs de marcao individual, filmagensem vdeo, anlises quantitativas complementadas com estatstica especializada e experimentos pararesolver questes pontuais. A diviso de trabalho , seus mecanismos e especializaes, aorganizao colonial e o comportamento individual so estudados detalhadamente. Ocomportamento reprodutivo tem enorme importncia, destacando-se aqui estudos sobre monandriaou poliandria e quais os feromnios envolvidos no processo de atrao entre os sexos. As colniasde insetos sociais seriam moldadas pela sua composio gentica, e os mecanismos proximais parao desenrolar das fases do ciclo intermediados por feromnios, substncias qumicas produzidas porum inseto que atuam no comportamento e fisiologia de outros companheiros de ninho. Assim, porexemplo, a rainha de Apis mellifera inibe o desenvolvimento de ovrios das operrias e a construode novas clulas reais atravs de feromnios produzidos nas glndulas mandibulares. o controlequmico das sociedades de insetos. Este assunto motivo de publicaes at em revistas comoScience e Nature, consideradas como muito importantes e competitivas na cincia internacional.Estudamos em laboratrio principalmente as abelhas sociais nativas no Brasil, pertencentes subfamlia Meliponinae. So cerca de 300 espcies de abelhas sociais que tm como caractersticacomum presena de ferro vestigial, ou seja, no ferroam: defendem seus ninhos enroscando noscabelos do observador, mordiscando a pele, etc. Existem no pas todo. Conhecemos muito pouco arespeito da biologia de cerca de 30 espcies destas abelhas, e as outras so quase completamentedesconhecidas pela Cincia, embora tenham sido cultivadas por algumas de nossas populaesindgenas mais avanadas, da o nome popular de abelhas indgenas sem ferro. Atualmente hgrande interesse na criao destas abelhas por apicultores de todo pas, os quais esto organizadosem cooperativas e associaes. Nos congressos de Apicultura, uma tradio no pas por causa daproduo de mel significativa da abelha africanizada, as reunies e conferncias sobre meliponneostem sido muito concorridas, servindo para divulgar os dados de biologia e estreitar os laos decooperao entre apicultores e cientistas. Existe mesmo uma lista eletrnica de discusso sobre oassunto, onde os meliponicultores se organizam para o desenvolvimento do conhecimento regional.Esta tendncia de busca de conhecimentos regionais mundial. Os meliponneos do Mxico estosendo estudados por vrios pesquisadores, assim como sua criao. O Codex maia, que cultua aabelha Melipona beechei como divindade, est sendo estudado e tem sido objeto de vriaspublicaes; o uso de mel de abelhas indgenas como remdio para doe

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