ABC Criação de abelhas

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ABC DA AGRICULTURA FAMILIAR APOSTILAS EMBRAPA CRIAO DE ABELHAS

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<ul><li> 1. ABCdaAgriculturaFamiliar Criao de abelhas (apicultura) </li></ul><p> 2. Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuria Embrapa Informao Tecnolgica Embrapa Meio-Norte Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento Embrapa Informao Tecnolgica Braslia, DF 2007 Criao de abelhas (apicultura) 3. Exemplares desta publicao podem ser adquiridos na: Embrapa Informao Tecnolgica Parque Estao Biolgica (PqEB), Av. W3 Norte (final) CEP 70770-901 Braslia, DF Fone: (61) 3340-9999 Fax: (61) 3340-2753 vendas@sct.embrapa.br www.sct.embrapa.br/liv Embrapa Meio-Norte Elaborao da cartilha:Alessandra de Lima Barbosa Fbia de Mello Pereira Jos Maria Vieira Neto Joseth Glucia de Siqueira Rego Maria Teresa do Rego Lopes Ricardo Costa Rodrigues de Camargo Produo editorial: Embrapa Informao Tecnolgica Coordenao editorial: Fernando do Amaral Pereira Mayara Rosa Carneiro Lucilene Maria de Andrade Compilao e edio: Guido Heleno Dutra Reviso tcnica: Juliana Meireles Fortaleza Reviso de texto: Wesley Jos da Rocha Projeto grfico da coleo: Carlos Eduardo Felice Barbeiro Editorao eletrnica: Grazielle Tinassi Oliveira Ilustrao da capa: CW Produes Ltda. (Paulo Srgio Soares e Carlcio Campos) 1a edio 1a impresso (2007): 1.000 exemplares Todos os direitos reservados A reproduo no autorizada desta publicao, no todo ou em parte, constitui violao dos direitos autorais (Lei n 9.610). Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP) Embrapa Informao Tecnolgica Embrapa 2007 Criao de abelhas: apicultura / Embrapa Informao Tecnolgica; Embrapa Meio- Norte. Braslia, DF : Embrapa Informao Tecnolgica, 2007. 113p. : il. (ABC da Agricultura Familiar, 18). ISBN 978-85-7383-415-4 1. Abelha. 2. Apicultura. I. Embrapa Informao Tecnolgica. II Embrapa Meio- Norte. III. Coleo. CDD 638.1 4. Apresentao Empenhada em auxiliar o pequeno produtor, a Embrapa lana o ABC da Agricultura Familiar, que oferece valiosas instrues sobre o trabalho no campo. Elaboradas em linguagem simples e objetiva, as publicaes abordam temas relacionados agropecuria e mostram como otimizar a atividade rural. A criao de animais, tcnicas de plantio, prticas de controle de pragas e doenas, adubao alternativa e fabricao de conservas de frutas so alguns dos assuntos tratados. De forma independente ou reunidas em associaes, as famlias podero beneficiar-se dessas informaes e, com isso, diminuir custos, aumentar a produo de alimentos, criar outras fontes de renda e agregar valor a seus produtos. Assim, a Embrapa cumpre o propsito adicional de ajudar a fixar o homem no campo, pois coloca a pesquisa a seu alcance e oferece alternativas de melhoria na qualidade de vida. Fernando do Amaral Pereira Gerente-Geral Embrapa Informao Tecnolgica 5. Sumrio Criar abelhas, um bom negcio!..................................... 7 Um pouco mais sobre as abelhas ............................................... 8 O veneno das abelhas ............................ 9 Organizao social e desenvolvimento das abelhas africanizadas ......................................... 10 Os produtos das abelhas ...................... 11 Organizao da colmia........................ 15 Desenvolvimento das abelhas .............. 20 Os favos ................................................ 21 A comunicao das abelhas ................. 23 Controle da temperatura ....................... 23 O apirio................................................ 24 6. 6 Equipamentos e produtos necessrios na criao de abelhas ........................... 33 Outros instrumentos .............................. 43 Preparo das colmias............................ 46 Povoando as colmias .......................... 54 Como cuidar das colmias .................... 60 Colmias fracas e colmias fortes ...................................... 68 A alimentao das colmias.................. 77 Coleta do mel ........................................ 88 Transporte das melgueiras durante a coleta .................................... 92 A casa do mel........................................ 96 Equipamentos e utenslios para extrao do mel........................... 102 A apicultura como atividade comunitria e associativa .................... 107 7. 7 Criar abelhas, um bom negcio! A criao de abelhas uma atividade lucrativa e pode ser praticada pelo pequeno produtor rural ou agricultor familiar, com bons resultados. Mas para isso, alm de adotar as tcnicas corretas, o criador precisa enca- rar a atividade como um negcio. A apicultura, a criao racional de abe- lhas, apresenta muitas vantagens. Exemplos: No exige uma grande propriedade para sua explorao. No polui nem destri o meio ambiente. Alm do mel, as abelhas oferecem outros produtos que podem ser con- sumidos ou comercializados. Nesta publicao voc saber mais sobre: Como vivem e se reproduzem as abelhas. 8. 8 Como iniciar uma criao de abelhas, com a montagem de um apirio. Os equipamentos e materiais neces- srios para criar abelhas. A coleta e os cuidados com as col- mias. A alimentao das abelhas e seus produtos. A coleta do mel. Informaes teis para obter mais lucros com o mel e outros produtos. Um pouco mais sobre as abelhas Existem muitos espcies de abelhas, mas aqui trataremos da espcie social com ferro e que produz mel: a abelha africa- nizada, conhecida no meio cientfico como Apis mellifera, muito comum em todo o Pas. Para obter sucesso na atividade, o api- cultor precisa conhecer vrios aspectos da 9. 9 vida desse tipo de abelha. Assim, pode-se tirar melhor proveito da capacidade que ela possui de produzir mel e outros produtos. As abelhas possuem o corpo dividido em trs partes: cabea, trax e abdome. Diviso do corpo da abelha africanizada. Ilustrao:EduardoAguiarBezerraeMariaTeresado RegoLopesadaptadadeSnodgrass(1956) O veneno das abelhas O veneno da abelha, chamado apitoxi- na, fica numa bolsa ligada ao ferro. Depois 10. 10 da ferroada, o ferro fica preso vtima, e o veneno continua sendo injetado. O ferro deve ser retirado da vtima o mais rpido possvel, raspando o local com uma faca ou canivete. Nunca se deve tentar tirar o ferro com os dedos, pois, nesse caso, h o risco de injetar o resto do veneno. A tolerncia das pessoas dose do veneno varia bastante. H casos de pessoas que receberam mais de 100 ferroadas e no apresentaram sintomas graves. Entretanto, pessoas muito alrgicas podem at morrer com uma nica ferroada, se no socorridas a tempo. Organizao social e desenvolvimento das abelhas africanizadas As abelhas, da mesma forma que as formigas e as vespas so consideradas inse- 11. 11 tos sociais, ou seja, vivem em comunidade e dividem as tarefas para a sobrevivncia da colnia. Elas vivem em enxames que podem estar localizados dentro de ocos de rvores, pendurados em galhos, em buracos no cho ou em pedras, cupinzeiros ou ainda insta- lados nos telhados de residncias. Na criao comercial de abelhas, o costume recolher os enxames e aloj-los em caixas apropriadas chamadas colmias. Os produtos das abelhas Os principais produtos das abelhas so: Mel. Cera. Prpolis. Plen apcola. Gelia real. Apitoxina. 12. 12 Mel O mel um alimento natural de grande valor. Contm acares, gua, sais minerais, pequenas quantidades de vitaminas e outros nutrientes. produzido pelas abelhas que colhem e transformam o nctar, um lquido auca- rado encontrado nas flores. Esse lquido, aps algumas transformaes, depositado nos alvolos dos favos, onde o mel ama- durece, ou seja, fica pronto para o consumo. Nesse ponto, as abelhas tampam os alv- olos com uma fina camada de cera para que o mel fique protegido at que seja usado como alimento. Acor, o gosto (sabor), o cheiro (aroma) e a consistncia do mel variam com as flo- radas e com o clima, alm de outros fatores. A manipulao do mel pelo apicultor tam- bm pode alterar suas caractersticas. 13. 13 Cera A cera produzida pelas abelhas usada na construo dos favos e no fecha- mento dos alvolos (operculao). As indstrias de produtos de beleza, de medicamentos e de velas so as princi- pais consumidoras de cera, que tambm usada nas tecelagens. Prpolis A prpolis produzida quando as abe- lhas misturam a cera com a resina das plantas. Essa resina retirada dos botes de flores, das gemas e dos cortes nas cascas. A prpolis usada pelas abelhas para manter a colmia livre de doenas e para fechar as frestas e a entrada do ninho, o que evita correntes de ar frio durante o inverno. Atualmente, a prpolis usada principalmente pelas indstrias de produtos de beleza e de remdios. Possui efeitos 14. 14 cicatrizantes e considerada um antibitico natural. Plen apcola O plen apcola retirado das flores e manipulado pelas abelhas, sendo depois depositado nos alvolos. usado para alimentar as larvas e abelhas adultas com at 18 dias de idade. Graas a seu alto valor nutritivo, usado como alimento. vendido seco, mis- turado com mel, em cpsulas ou tabletes. Gelia real A gelia real produzida pelas abelhas operrias mais novas (at 15 dias de idade). Na colmia, usada como alimento das crias e da rainha. rica em protenas, gua, acares, gorduras e vitaminas. Possui cor branco-leitosa e sabor cido forte. A gelia real produzida por alguns apicultores para comercializao em estado 15. 15 natural, misturada com mel ou mesmo seca e em tabletes. As indstrias de produtos de beleza e de medicamentos tambm usam esse produto. Apitoxina Com o uso de tcnicas apropriadas, possvel extrair o veneno das abelhas (apitoxina) e vend-lo. Entretanto, essa atividade no interessante para os peque- nos produtores. A apitoxina usada como medicamento no tratamento de doenas reumticas, mas s pode ser comercializada por farmcias e drogarias. Organizao da colmia Numa colmia, possvel encontrar: A rainha Responsvel pela repro- duo, a nica abelha da colmia que se acasala com os machos (zan- ges) e pode pr ovos que geram fmeas (operrias e rainhas) e zan- ges. 16. 16 Os zanges Machos da colmia, cuja nica funo se acasalar com a rainha. As operrias Realizam todo o tra- balho da colmia: coletam alimento (nctar e plen) e gua, cuidam das crias e da rainha, limpam a colmia e defendem o enxame. Na falta da rainha, algumas operrias podem pr ovos, mas desses ovos s nas- cero zanges. As abelhas produzem cera para a fabricao dos favos. Neles, realizada a Rainha, operrias e zanges adultos de uma colmia de abelhas africanizadas. Fotos:RicardoCosta RodriguesdeCamargo 17. 17 postura, as crias se desenvolvem e arma- zenado o alimento mel e plen. Cada pequena clula do favo cha- mado alvolo. Os alvolos dos zanges so maiores que os das operrias. A rainha nasce em uma clula diferen- te, chamado realeira, com formato de um pequeno tubo com a abertura voltada para baixo. Lembra tambm o formato de um amendoim. Realeiras contrudas na extremidade do favo. Foto:RicardoCostaRodriguesdeCamargo 18. 18 A rainha e os zanges A rainha adulta tem quase o dobro do tamanho de uma operria. S h uma rainha em cada colmia. Quando nasce a primeira rainha, ela destri as outras realeiras. Se nascerem duas ou mais rainhas ao mesmo tempo, elas brigam entre si at uma delas morrer. Uma rainha nova comea a pr ovos depois de acasalar-se com zanges. O aca- salamento ocorre cerca de 13 dias aps o nascimento da rainha, em pleno vo, a uma altura de 10 a 20 metros do cho. A rainha pode se acasalar com 8 ou at 20 zanges. Dos ovos da rainha podem nascer tanto machos (zanges) quanto fmeas (operrias e rainhas). A rainha pode viver at 3 anos, dependendo de uma srie de fatores, mas sua postura maior no primeiro ano de vida. Quanto maior a postura, maior a produo de mel da colnia. Por isso, recomenda-se trocar a rainha todo ano. 19. 19 A rainha est sempre acompanhada por um grupo de 5 a 10 operrias, encarre- gadas de aliment-la e cuidar de sua limpeza. A rainha recebe, durante toda sua vida, um alimento chamado gelia real. Os zanges so os indivduos machos da colnia, cuja nica funo acasalar com Alvolos de zango e operria. Foto:RicardoCostaRodriguesdeCamargo 20. 20 a rainha durante o vo nupcial. As larvas dos zanges so criadas em alvolos maiores que os das larvas de operrias. O zango morre logo aps a fecundao, mas, se ele no se acasalar com nenhuma rainha, pode viver por at 80 dias. Desenvolvimento das abelhas Durante sua vida, as abelhas passam por quatro fases: ovo, larva, pupa e adulto. O ovo das abelhas, de cor branca, lembra um pequeno gro de arroz e colo- cado em p, no fundo do alvolo. Trs dias depois da postura, ocorre o nascimento da larva, que branca e fica no fundo do al- volo com o corpo curvado, em forma de C. No final da fase larval, o alvolo fe- chado com um tampo de cera, o oprculo. Assim, diz-se que o alvolo est operculado, ou seja, tampado com cera. A fase seguinte a fase de pupa. 21. 21 Na fase de pupa, possvel distinguir cabea, trax e abdome, com distino de olhos, pernas, asas, antenas e partes da boca. O tempo de desenvolvimento, do ovo at a fase adulta, de 19 dias para as operrias; 16 para as rainhas; e 24 para os zanges. Fases do ciclo de desenvol- vimento das abelhas. Os favos O ninho das abelhas formado pelos favos, que so formados por pequenas Foto:RicardoCostaRodriguesdeCamargo 22. 22 clulas com seis lados, chamadas alvolos. Os alvolos tm uma pequena inclinao para cima, para evitar que a larva e o mel escorram, e so construdos em dois tama- nhos. Nos maiores, a rainha pe ovos de zango; os menores podem ser usados para a criao de operrias e para armazenar o mel e o plen. Quando o mel est maduro, as abelhas fecham os alvolos com uma fina camada de cera chamada de oprculo. As crias geralmente esto localizadas nas partes centrais da colmia, de forma a facilitar o controle da temperatura pelas operrias. O centro dos favos normalmente ocupado pelas crias, sendo os cantos infe- riores e superiores usados para estocagem de alimento, pois isso facilita o trabalho das abelhas responsveis pela alimentao das larvas. At o terceiro dia de vida, as larvas de operrias so alimentadas com um produto chamado gelia de operria. Aps esse 23. 23 perodo, passam a receber uma mistura de gelia de operria, mel e plen. A comunicao das abelhas Entre as abelhas, a comunicao pode ser feita por meio de sons, substncias qumicas, tato, danas ou estmulos eletro- magnticos. A dana um importante meio de comunicao. Por meio dela, as operrias podem informar a distncia e a localizao exata de uma fonte de alimento, um novo local para instalao do enxame, a neces- sidade de ajuda em sua higiene. Podem, alm disso, impedir que a rainha destrua realeiras e, com isso, estimular a enxame- ao. Controle da temperatura A rea de cria da colmia mantida entre 34 C e 35 C. Temperaturas mais 24. 24 altas ou mais baixas podem provocar o aumento da mortalidade das crias ou causar defeitos fsicos nas asas ou noutras partes do corpo das abelhas recm-nascidas. As prprias abelhas percebem quando a temperatura e a umidade da colmia no esto normais. Se precisam aquecer as col- mias, as abelhas comeam a abanar as asas com movimentos rpidos e espalham gotas de gua pelos favos. Para...</p>