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  • Florianpolis: Inventrio do Patrimnio Cultural

    PRAA GETLIO VARGAS, 194 88020-030 FLORIANPOLIS SC - FONE/FAX: (048) 212-5700 CGC 83.469.965/0001-55

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    FLORIANPOLIS / SC

    POLTICA DE PRESERVAO

    DO

    PATRIMNIO CULTURAL

    Elaborao

    GERNCIA DO SEPHAN

    Servio do Patrimnio Histrico, Artstico e Natural do Municpio

    Arq. Betina Maria Adams

    Rest. Maria Anilta Nunes

    Arq. Suzane Albers Arajo

    Agosto de 2012

    Reviso

  • Florianpolis: Inventrio do Patrimnio Cultural

    PRAA GETLIO VARGAS, 194 88020-030 FLORIANPOLIS SC - FONE/FAX: (048) 212-5700 CGC 83.469.965/0001-55

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    FLORIANPOLIS: O MUNICPIO

    O Muncipio de Florianpolis, capital do Estado de Santa Catarina, localiza-se entre os paralelos de 27 10 e

    27 50 de latitude Sul, e entre os meridianos de 4825 de longitude Leste. Possui uma rea territorial de

    438,56 km (incluindo os ltimos aterros hidrulicos), onde 426,60 Km so referentes Ilha de Santa

    Catarina e 11,90 Km a poro continental, sendo que a Ilha situa-se prxima costa continental,

    delimitando as baas norte e sul, que so divididas por um estreito canal, com largura aproximada de 500 m.

    Segundo fontes do IBGE sua populao em 2010 era de 421.240 mil habitantes.

    Primitivamente a regio era habitada por povos indgenas, dos quais destacam-se a nao guarani. Por volta

    de 16731 fundada pelo bandeirante paulista Francisco Dias Velho a povoao de Nossa Senhora do

    Desterro, sendo esta elevada categoria de vila em 23/03/1726, desligando-se da vila de Santo Antnio dos

    Anjos da Laguna. Seu processo de ocupao se consolidou no sculo XVIII e est vinculado ao plano de

    defesa do territrio portugus no Brasil Meridional, com a construo de fortificaes e do incremento do

    povoamento com a vinda de imigrantes aorianos. Em 1823, a vila de Nossa Senhora do Desterro

    transforma-se na categoria de cidade e, a partir de 3/10/1894, sua denominao passa a ser Florianpolis.

    Sua paisagem e diversidade cultural conferem atratividade e dinamismo cidade. Suas caractersticas

    singulares impulsionam o turismo que se expande alm do perodo de vero, assim como atrai investimentos

    na rea tecnolgica e novos moradores vindo de outras regies dos pais e do exterior. Entretanto, salutar

    lembrar que muitas vezes so diagnosticados ameaas a paisagem cultural, entre estas a especulao

    imobiliria, pondo em risco o patrimnio singular existente em Florianpolis. Assim, com vias preservao

    de nosso patrimnio cultural e ao dinamismo das diferentes formas de expresso imprescindvel a interao

    entre o Plano de Polticas Culturais do Municpio e o Plano Diretor Participativo Sustentvel, que dispe

    sobre o uso e ocupao do solo e cria novas categorias de preservao entre estas: a paisagem cultural, os

    cones de visibilidade e os locais de memria.

    PATRIMONIO CULTURAL E PRESERVAO

    A trajetria da preservao do patrimnio cultural no algo recente. Essas discusses acerca dos valores

    histrico e esttico das obras antigas so relatadas no Renascimento. A evoluo deste pensamento se fez

    mais presente no fim do sculo XVIII com as reflexes sobre a importncia do contato entre culturas

    passadas e futuras. Nos sculos XIX e XX foram firmando-se sistematicamente as idias preservacionistas,

    tendo como base o avano dos estudos da histria da arte, da arqueologia e da incorporao do suporte

    cientfico restaurao.

    Dentre as teorias surgidas no sculo XIX, sobre interveno em bens culturais, destacam-se a do arquiteto

    francs Eugne-Emmanuel Viollet Le Duc, do ingls John Ruskin e do italiano Camilo Boito. Entretanto,

    Ruskin e Willian Morris aprimoraram o pensamento conservacionista, quando enfatizaram a importncia do

    tempo histrico e da autenticidade em relao ao objeto original. Estes incluram os conjuntos urbanos e os

    edifcios isolados, como patrimnio sujeito preservao e conceberam a proteo dos monumentos

    histricos em escala internacional.

    Durante o sculo XX, firma-se o valor documental dos monumentos. Inicialmente com Alois Riegl que,

    teceu anlise crtica sobre monumento histrico, a partir de uma viso social e filosfica do objeto. Segundo

    Choay (2001), sua anlise encontra-se estruturada em duas categorias de valores: os de rememorao,

    relacionados ao passado e memria, construda e armazenada a partir do sentido de afetividade e, os

    valores de contemporaneidade.

    1 A data de fundao controversa, utilizou-se aquela utilizada pelo Instituto Histrico e Geogrfico de Santa Catarina.

  • Florianpolis: Inventrio do Patrimnio Cultural

    PRAA GETLIO VARGAS, 194 88020-030 FLORIANPOLIS SC - FONE/FAX: (048) 212-5700 CGC 83.469.965/0001-55

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    A partir da criao da UNESCO2 e ICOMOS

    3 estas reflexes passam a ser difundidas por meio das cartas

    patrimoniais. Destaca-se a Carta de Veneza (1964) que estabelece a relao do termo monumento memria

    e conceitua o mesmo como, a criao arquitetnica isolada e aos stios, urbano ou rural, que do testemunho

    de uma civilizao. A referida carta prope que as aes de preservao do patrimnio cultural faam parte

    do planejamento urbano.

    A Carta de Restauro (1972) trata dos critrios tcnicos de restaurao com vias a salvaguarda e a

    autenticidade das obras de arte, compreendidas aos monumentos arquitetnicos, s pinturas e esculturas,

    desde o perodo paleoltico at as expresses figurativas das culturas populares e da arte contempornea.

    Neste mesmo ano, a Conveno sobre Patrimnio Material da UNESCO, abarca tambm as questes

    relativas ao patrimnio natural, e tece consideraes sobre a interao do homem com seu meio.

    A carta Europia do Patrimnio Arquitetnico (Amsterd, 1975) trata dos conceitos relativos conservao

    integrada e, ao uso de recursos jurdicos, administrativos, financeiros e tcnicos, alm dos engajamentos

    polticos e comunitrios sua obteno. A referida carta considera a necessidade da criao de inventrios e

    a divulgao dos bens culturais, a qual deve contar com a participao comunitria, incluindo na tomada de

    decises.

    Em 1992, no Mxico, o Comit do Patrimnio Mundial da UNESCO define e aprova o termo Paisagem

    Cultural, como produto das interaes significativas entre o homem e o meio natural. Sendo este o primeiro

    instrumento legal reconhecido internacionalmente sobre a preservao da paisagem cultural. Por tratar-se de

    ao humana dinmica, para sua melhor compreenso e tratamento, a mesma est classificada em: 1)

    Paisagens claramente definidas, desenhadas e criadas intencionalmente; 2) Paisagem evoluda

    organicamente; 3) Paisagem cultural associativa.

    A Conferencia da UNESCO (Paris, 2003) define como patrimnio cultural imaterial, os usos, as

    representaes, as expresses, os conhecimentos e as tcnicas, junto com os instrumentos, os objetos, os

    artefatos e os espaos culturais, inerentes s comunidades, aos grupos e aos indivduos portadores de

    conhecimento, parte integrante de seu patrimnio.

    A Declarao de Xian (2005), aborda as questes relativas ao significado de entorno do bem cultural, o qual

    deve ser percebido alm dos aspectos fsicos e visuais. O entorno do bem cultural deve ser compreendido

    como a interao deste com o ambiente natural, as prticas sociais ou espirituais passadas ou presentes,

    costumes, conhecimentos tradicionais, usos ou atividades, e outros aspectos do patrimnio intangvel que

    criaram e formaram o espao. Assim, objetivando a conservao do patrimnio cultural, deve-se fazer o

    acompanhamento e a gesto das mudanas que ameaam o entorno, por meio de indicadores qualitativos e

    quantitativos.

    Dentre os pensamentos mais recentes relacionados preservao dos bens culturais encontram-se a

    Declarao de Quebec (2008), que discorre sobre a preservao do esprito do lugar. O referido documento

    abrange o carter vivo e permanente de monumentos, stios e paisagens culturais. Por seu carter dinmico,

    sugere o envolvimento das comunidades tradicionais na proteo da memria, vitalidade, continuidade e

    espiritualidade destes lugares.

    Salienta-se que segundo Manguel (2001) toda imagem tem uma histria para contar, estando esta associada

    s idias estticas e crtica. Argan (1998), referindo-se a importncia da obra de arte salienta que estas so

    resultados de um conjunto de relaes que se estendem ao longo dos anos, por exerceram uma influncia

    determinante mesmo distncia de sculos. Assim, no se pode excluir que sejam consideradas como pontos

    de referncia num futuro prximo ou distante, ou seja, para alcanar seu significado histrico e esttico da

    obra como patrimnio cultural imperativo o ato de olhar e apreciar, possibilitando o estabelecimento do

    dilogo entre a obra e o espectador, reconhecendo seu valor como patrimnio cultual.

    2 UNESCO: Organizao das Naes Unidas para a Educao, a Cincia e a Cultura, criada em 1945.

    3 ICOMOS: Conselho Internacional de Monumentos e Stios, criado em 1964.

  • Florianpolis: Inventrio do Patrimnio Cultural

    PRAA GETLIO VARGAS, 194 88020-030 FLORIANPOLIS SC - FONE/FAX: (048) 212-5700 CGC 83.469.965/0001-55

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    PRESERVAO DO PATRIMNIO CULTURAL NO MBITO FEDERAL

    A preservao cultural no Brasil teve sua origem em princpios do sculo XX com o Movimento Mode