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A Volta de Tarzan - Tarzan - Vo - Edgar Rice Burroughs

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    "Quando o mundo estiver unido na busca do conhecimento, e no mais lutandopor dinheiro e poder, ento nossa sociedade poder enfim evoluir a um novo

    nvel."

  • Edgar Rice Burroughs

    A Volta deTarzan

    Digitalizao de Digital SourceFormatao de LeYtor

  • Segundo Edgar Rice Burroughs, a inspirao para criar Tarzan surgiu em umsonho que teve, assim no livro Tarzan dos Macacos ele tentou criar um heri diferente eintegrado natureza. Nos livros seguintes, procurou dar-lhe uma formao inglesa,enquadrando o homem selvagem dentro do aristocrata ingls. No entanto, estaabordagem contraditria no durou muito e pouco tempo depois, ele voltaria a ser oTarzan do incio. Assim Burroughs fez dele o homem que rompe os laos com acivilizao para se consagrar vida natural. Por isso mesmo Tarzan um heri que fezenorme sucesso em uma das pocas mais difceis do sculo 20, em 1929 em plenadepresso econmica americana.

    Agora, no sculo 21, em um perodo onde a tecnologia proporciona todos osconfortos possveis ao ser humano e a vida se torna cada vez mais artificial. Vemos queeste tambm o perodo em que mais se pratica campismo e turismo ecolgico, semcontar as legies que se refugiam durante os fins de semana em stios e fazendas. Sereste um sinal de que o mundo tecnolgico em que vivemos, em casa, na escola, noemprego esta provocando uma intoxicao que leva o homem a tentar reencontrar suaverdadeira essncia? Para as pessoas comuns, passar um tempo em contato com anatureza hoje soa como uma libertao. E Tarzan um smbolo desta liberdade, pois ele o homem que tendo sido criado na selva, conhece a civilizao e assim compreende ques voltando vida natural poderia encontrar a felicidade. Tarzan assim simboliza todosaqueles que, aprisionados nas cidades, aproveitam todos os momentos para selibertarem. E assim como na depresso de 1929, novamente traz a mensagem de queviver bem no viver opulentamente, mas viver de acordo consigo prprio.

    Nossa inteno com esta srie de e-books, resgatar esta obra esquecida, trazendopara as novas geraes o fascnio das aventuras do homem macaco, e quem sabeincentivando as editoras nacionais a relanarem estes livros fantsticos. Boa leitura!

  • CAPTULO 1A bordo do transatlntico - Magnifique! - exclamou a condessa de Coude, a meia voz.- Como? - perguntou o conde, voltando-se para a sua jovem mulher. - O que

    magnfico? E o conde olhou em torno, procurando a causa da admirao dela.- Ah! Nada, querido... - respondeu a condessa, corando ligeiramente. Estava

    recordando com admirao, esses esplndidos arranha-cus, como chamam em NovaIorque...

    E a bela condessa instalou-se mais confortavelmente na sua cadeira de convs,retomando a revista que o tal "nada" a fizera deixar cair no regao.

    O conde remergulhou no seu livro, no sem um certo espanto de que trs diasdepois de haverem sado de Nova Iorque, a sua linda condessa considerasse magnficosos mesmos edifcios que na semana anterior classificava de horrveis. Acabou porpousar o livro, dizendo:

    - Isto muito enfadonho, Olga: Creio que vou procurar outros passageiros toaborrecidos como eu, para um jogo de cartas.

    - Isso muito pouco galante de sua parte, senhor meu marido... respondeu ela,sorrindo - mas estou tambm to aborrecida que posso compreend-lo. V jogar essasinspidas partidas, se quiser...

    Quando o conde partiu, ela voltou a olhar, discretamente, para o vulto de um jovemalto, estendido preguiosamente numa cadeira no muito distante.

    - Magnifique! - murmurou de novo.A condessa Olga de Coude tinha vinte anos, e o marido quarenta. Era uma esposa

    fiel e dedicada, mas como no tivera nada a ver com a escolha do marido, nada deestranho havia em que no estivesse positivamente apaixonada por aquele que o destino,e o aristocrata russo que era seu pai, haviam escolhido para ela. No entanto, apenas porter deixado escapar uma breve exclamao admirativa ao ver aquele jovem e belodesconhecido, no podemos deduzir que nos seus pensamentos se houvesse insinuadoqualquer idia de infidelidade. Apenas admirava, como teria admirado um especialmentebelo animal de qualquer espcie. E sem dvida que o jovem era agradvel de ver.Quando o olhar furtivo da condessa analisava o seu perfil, ele levantou-se para seafastar. A condessa de Coude fez sinal a um criado que passava.

    - Quem esse senhor? - perguntou.- Reservou o camarote em nome de Sr. Tarzan, da frica.- Uma vasta propriedade... - pensou a condessa, sentindo aumentar o seu interesse.Enquanto Tarzan se encaminhava vagarosamente para o salo de fumo, quase se

    chocou com dois homens que, porta, falavam em voz baixa, excitadamente. No lhesteria dedicado a menor ateno, se um deles no o tivesse olhado de relance, com umaexpresso de culpa. Tinham um aspecto que lembrou a Tarzan o dos melodramticosviles que vira nos teatros, em Paris.

  • Ambos eram morenos, de cabelos escuros, e as suas atitudes acentuavam asemelhana. Tarzan entrou no salo de fumo e procurou uma cadeira um tanto afastadadas outras pessoas que ali se encontravam. No se sentia disposio para conversar, eenquanto bebia a pequenos sorvos o seu absinto, deixava vaguear o pensamento, comtristeza, pelas semanas anteriores. Por vrias vezes havia refletido sobre se teria agidobem ao renunciar aos seus direitos de nascimento, a favor de um homem a quem nadadevia.

    Decerto simpatizava com Clayton, mas a questo no era essa. No fora por causa deWilliam Cecil Clayton, Lorde Greystoke, que negara a sua verdadeira origem... Haviasido por causa da mulher a quem ambos amavam e que um estranho capricho da sorteentregara a Clayton e no a ele...

    O fato de ela o amar tornava a situao duplamente difcil de suportar e no entantoTarzan sabia que nunca poderia fazer menos do que fizera naquela noite, na pequenaestao de caminho de ferro dos distantes bosques de Wisconsin. Para ele, a felicidadede Jane estava acima de tudo, e a sua breve experincia com a civilizao e com oshomens civilizados, ensinara-lhe que sem dinheiro e posio... a vida da maioria delesera insuportvel.

    Jane Porter nascera para ter ambas as coisas, e se Tarzan privasse dela o seu futuromarido, sem dvida a condenaria a uma vida de misria e de angstia. A idia de queJane repeliria Clayton no caso de ele perder o ttulo e fortuna, nem sequer ocorreu aTarzan - pois atribua aos outros, a mesma honesta lealdade que era uma qualidade natanele prprio. E, neste caso, no se enganava. Se alguma coisa pudesse tornar ainda maisforte a promessa de Jane a Clayton, seria seguramente o fato de tal desventura cair sobreele.

    Os pensamentos de Tarzan deslizaram do passado para o futuro... Tentou encararcom uma sensao de prazer o seu regresso selva onde nascera e onde tinha vivido, aselva feroz e cruel, na qual passara vinte dos seus vinte e dois anos de vida. Mas quem,ou o qu, nos milhares de existncias multiformes que se agitavam na floresta, lhe dariaas boas-vindas? Nem uma sequer. Apenas Tantor, o elefante, podia ser considerado umamigo. Os outros o perseguiriam ou fugiriam dele, como sempre havia sido. Nemmesmo os macacos da sua tribo lhe dariam uma acolhida amigvel.

    Se a civilizao nada mais tivesse dado a Tarzan, de certa maneira lhe dera o desejoda companhia, de criaturas da sua espcie, o desejo de amizade e de entendimentofraternal. E, nas mesmas propores, lhe tornara odiosa qualquer outra espcie de vida.Era-lhe difcil conceber o mundo sem um amigo ou sem uma criatura viva com quempudesse falar as lnguas novas que apreciava tanto. E, assim, Tarzan encarava sem prazero futuro que traara para si mesmo. Sentado, tendo entre os dedos um cigarro de ondesubia um tnue fio de fumo azul, os seus olhos pousaram-se num espelho que refletiauma das mesas, onde quatro homens jogavam as cartas. Nesse momento um doshomens ergueu-se, para se afastar e outro homem aproximou-se e, cortesmente,ofereceu-se para ocupar o lugar vago, para que o jogo no se interrompesse. Era o maisbaixo dos dois que Tarzan vira porta, falando em segredo e foi isso o que despertou ointeresse dele.

    Enquanto a sua imaginao tentava percorrer os caminhos do futuro, ia observando,

  • no espelho, os quatro indivduos sentados atrs. Alm daquele que se havia sentado emltimo lugar, Tarzan conhecia apenas o nome de um dos outros jogadores, exatamente oque estava do lado oposto. Era o conde Raul de Coude. Um criado solcito indicara-o aTarzan como um dos passageiros importantes, algum que pertencia ao grupo familiardo ministro da guerra francs.

    De repente, a ateno de Tarzan fixou-se no espelho. O outro homem que Tarzanvira na porta, se aproximara tambm e estava de p atrs do conde. Tarzan viu-o olharfurtivamente em volta sem, no entanto reparar no espelho. Discretamente, o homemtirou qualquer coisa do bolso, tapando-a com a mo. Curvou-se de leve, e Tarzan viu-ometer num dos bolsos do conde o que tirara do seu prprio bolso. Depois disto ohomem continuou onde estava, observando as cartas do conde de Coude. Tarzan sentia-se intrigado, mas agora os seus olhos seguiam tudo com uma ateno concentrada.

    O jogo continuou, durante alguns minutos, at que o conde ganhou uma som