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A UNIO EUROPEIA OCIDENTAL: SINOPSE HISTRICA E DEVIR EXISTENCIAL

los Manuel da Costa Arsnio

A UNIO EUROPEIA OCIDENTAL: SINOPSE HISTRICA E DEVIR EXISTENCIAL

SUMRIO

1. GENESE E EVOLUO ESTRUTURAL

2. A REVITALIZAO DA UEO

3. A UEO NO QUADRO MULTILATERAL DA SEGURANA OCIDENTAL EUROPEIA

4. PERSPECTIVAS DE ALARGAMENTO E .4 RECENTE ADESO DE PORTUGAL

1. GNESE E EVOLUO ESTRUTURAL

As origens da Unio Europeia Ocidental (UEO) assentam no Tra-tado de Bruxelas, assinado em 17 de Maro de 1948 pelos pases do Benelux (Blgica, Holanda e Luxemburgo), a Frana e a Gr-Bretanha, tendo em vista uma colaborao econmica, social e cultural, bem como um objectivo de defesa comum, nos termos do Artigo 51 da Carta das Naes Unidas, no sentido de poder ser detida uma eventual retomada da poltica de agresso da Alemanha, tendo em mente, por outro lado, o estabelecimento de um sistema defensivo contra a hegemonia sovitica no Bloco Leste.

O Tratado, com uma durao de 50 anos, previa, no mbito da sua organizao - mais vulgarmente conhecida por Unio Ocidental-, a cria-o de um rgo supremo, o Conselho Consultivo, que inclua os Ministros dos Negcios Estrangeiros dos cinco pases membros.

Em Setembro de 1948 foi criado um rgo militar, a Organizao de Defesa da Unio Ocidental, com um Estado-Maior presidido pelo General Montgomery e integrado pelos trs Comandantes das foras navais, terrestres e areas.

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A breve trecho, porm, a Organizao do Tratado de Bruxelas se revelou insuficiente para assegurar, por si s, a defesa do Ocidente, o que veio demonstrar evidncia a necessidade de uma maior abrangncia geoestratgica escala atlntica, envolvendo os Estados Unidos da Am-rica. Tal insuficincia veio dar origem fundao da Organizao do Tra-tado do Atlntico Norte (OTAN), cuja assinatura teve lugar em Washington, em 4 de Abril de 1949, como corolrio de esforos desenvolvidos em ambos os lados do Atlntico, com especial salincia para Paul-Henri Spaak, Ministro dos Negcios Estrangeiros da Blgica, e Harry Truman, Presidente dos Estados Unidos, que, assumindo uma nova doutrina, ps termo ao isola-cionismo a que a Amrica se votara desde o fim da Primeira Guerra Mundial.

Em Dezembro de 1950, os pases membros do Tratado de Bruxelas concordaram em transferir para a OT AN a responsabilidade da defesa da Europa Ocidental, mas mantiveram a sua competncia em matria cultural, econmica e social, apesar da criao do Conselho da Europa em 1949.

Entretanto, um dos motivos determinantes do esprito do Tratado de Bruxelas - a ameaa alem - passou a ser encarado sob ptica diversa, o que conduziu Declarao de Washington, de 14 de Setembro de 1951, na qual os Ministros dos Negcios Estrangeiros da Frana, Gr-Bretanha e Estados Unidos expressaram o desejo de participao da Alemanha na defesa do Ocidente, atravs da Comunidade de Defesa Europeia, cuja criao, no mbito da OTAN, foi proposta pela Frana e reiterada na reunio do Conselho do Atlntico Norte, realizada em Lisboa, em Feve-reiro de 1952.

A Comunidade de Defesa Europeia, cujo Tratado foi assinado em 27 de Maio de 1952 pelos Governos da Blgica, Frana, Itlia, Holanda, Luxemburgo e Repblica Federal da Alemanha, fora concebida como mais uma etapa da via para a constituio de uma Federao Europeia. tal como idealizada pelo Plano Schuman, de 1950. Em 30 de Agosto de 1954, porm, o Parlamento Francs recusou-se a ratificar a Comunidade de Defesa Europeia, para o que ter contribudo o facto de a Gr-Bre-tanha no haver aderido organizao, por fora da sua poltica de sistemtica recusa de integrar um federalismo europeu.

No obstante o colapso prematuro da Comunidade de Defesa Europeia, no cessaram os esforos tendentes organizao da defesa do Ocidente

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com a participao da Repblica Federal da Alemanha. Na procura de uma soluo alternativa, destacou-se o Ministro Britnico dos Negcios Estrangeiros, Sir Anthony Eden, que logrou a realizao de uma conferncia em Londres, de 28 de Setembro a 3 de Outubro de 1954, com a partici-pao dos cinco pases signatrios do Tratado de Bruxelas, a que se juntaram o Canad, a Repblica Federal da Alemanha, a Itlia e os Estados Unidos.

A conferncia procurou a reviso e alargamento do Tratado de Bruxelas, de forma a incluir a Itlia e a Repblica Federal da Almanha como novos membros, e tendo em vista a subsequente admisso deste ltimo pas na OTAN. Na sequncia da Conferncia de Londres, os Ministros dos Negcios Estrangeiros dos pases concernidos reuniram-se em Paris, de 20 a 23 de Outubro seguinte, para aprovao de uma srie de Protocolos Adicionais ao Tratado de Bruxelas, preconizando,

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de uma estreita cooperao com a OTAN; e pela elaborao de um rela-trio, a ser apresentado Assembleia, dando conta das suas actjvidades, mormente as referentes ao controle de armamentos. Da que a j men-cionada Agncia para o Controle de Armamentos esteja sob a dependncia directa do Conselho, o mesmo se verificando em relao ao Comit Per-manente de Armamentos, igualmente localizado em Paris, e que tem a funo de coordenar o fornecimento e padronizao de material blico s Foras Armadas das naes da UEO.

A Assembleia, que rene duas vezes por ano, constituda por 89 representantes dos pases membros da UEO junto da Assembleia Par-lamentar do Conselho da Europa (18 franceses, 18 britnicos, 18 alemes, 18 italianos, 7 belgas, 7 holandeses e 3 luxemburgue~cs), ocupa-se, esser cialmente, de questes de defesa e poltica externa, c exerce a sua capa cidade de transmitir recomendaes ao Conselho, aos parlamentos na-cionais, aos Governos e s organizaes internacionais. A Assembleia engloba vrias Comisses Permanentes (Defesa e Armamentos; Assuntos Gerais; Questes Cientficas; Assuntos Oramentais e Administrao; Normas de Procedimentos e Privilgios; e Relaes com os Parlamentos) e tem o seu prprio Secretariado, baseado em Londres, chefiado por um Secretrio--Geral coadjuvado por um Adjunto e um Assistente.

Importa referir, dentro deste contexto da reviso do Tratado de Bruxelas, que uma das condies impostas pelo Parlamento Francs para aprovao do rearmamento da Alemanha foi a soluo do problema do Sarre.

Dadas as sucessivas negociaes abortadas entre os Governos francs e alemo, a Assembleia Consultiva do Conselho da Europa empreendeu um estudo exaustivo do problema e elaborou um plano conciliatrio que foi aceite por ambos os Governos e foi consubstanciado atravs do Acordo Franco-Germnico sobre o Sarre, concludo em 23 de Outubro de 1954, simultaneamente com os Acordos de Paris. O Acordo preconizava que fosse outorgado ao Sarre um Estatuto Europeu no quadro da Unio Europeia Ocidental. Um comissrio Europeu, nomeado pelo Conselho da UEO e perante este responsvel, passou a representar os interesses do Sarre em matria de defesa e poltica externa, para alm de supervisionar a observncia do Estatuto e de submeter apreciao do Conselho um relatrio anual que, posteriormente, era por aquele rgo remetido Assembleia. Esta situao, contudo, teve existncia efmera, dada a rein-tegrao do Sarre no teritrio da Repblica Federal da Alemanha, operada

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entre Janeiro de 1957 e Julho de 1959, na sequncia de um referendo efectuado em Outubro de 1955, que rejeitou o Estatuto vigente.

Os Acordos de Paris foram ratificados em 6 de 11aio de 1955, acto esse que marca o incio da existncia de facto da Unio Europeia Ocidental.

2. REVIT ALIZAO DA UBO

Os mentores dos Acordos de Paris, ao revigorarem o Tratado de Bruxelas, pretenderam dotar a UEO dos meios adequados ao desenvolvi-mento da segurana europeia a uma escala suficientemente abrangente e, qui, susceptvel de progressiva expanso.

Contudo, a UEO acabou por no revelar a necessria fora vital para a prossecuo dos objectivos delineados pelos seus promotores e limitou-se ao desempenho de tarefas inexpressivas e rotineiras, sombra da OTAN, sob cuja responsabilidade -- conforme j anteriormente referido - os pases signatrios do Tratado de Bruxelas haviam colocado, em 1950, todas as questes relacionadas com a manuteno e defesa da paz na Europa Ocidental. Em 1960, a UEO decidiu transferir as suas responsabilidades de cariz sociocultural para a esfera do Conselho da Europa. Do mesmo modo, em 1970, deixou competncia exclusiva da CEE o tratamento dos assuntos econmicos.

Tambm no campo poltico a UEO desperdiou a oportunidade de se impor como organizao criadora de um esprito de convergncia entre os seus membros. Com efeito, em 1963, aps as fracassadas negociaes para a entrada da Gr-Bretanha na Comunidade Econmica Europeia, as naes da CEE propuseram quele pas a realizao de reunies trimes-trais, sob a gide do Conselho da UEO, com vista a um intercmbio de pareceres sobre os principais problemas polticos e econmicos de interesse comum, LI. fim de promover a cooperao entre os Seis e a Gr-Bretanha. A proposta foi bem acolhida pelo Reino Unido e passaram a ter lugar reunies regulares at reabertura das negociaes, em 1970, que condu-ziram assinatura do Tratado de Adeso da Gr-Bretanha CEE, em Janeiro de 1972.

Desde ento, os Ministros dos Negcios Estrangeiros dos pases mem-bros da UEO praticamente desertaram do Conselho que, at 1984, jamais reuniu a tal nvel. As reunies do Conselho, de periodicidade mais redu-

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zida, ficaram limitadas a consultaes sobre assuntos polticos. A Assem-bleia da UEO, embora tenha continuado a reunir regularmente, ressentiu-se da falta de um Conselho de compleio plena e viu-se inibida de levar por diante os seus esforos de estabelecimento de um dilogo democrtico sobre questes de segurana europeia.

Temos, por