A TRIBUTAO NA HISTRIA DO BRASIL - ??245 A Tributao na Histria do Brasil Aula BRASIL COLNIA 20 A cobrana de tributos no Brasil se inicia anterior a colonizao isto no perodo pr

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<ul><li><p>A TRIBUTAO NA HISTRIA DO BRASIL </p><p>METAApresentar a poltica tributria estabelecida no Brasil nos perodos colonial , imperial e Republicano.</p><p>OBJETIVOSAo final desta aula, o aluno dever:Listar os principais tributos estabelecidos no Brasil Colnia;listar os principais tributos estabelecidos no Brasil Imprio;comentar sobre as razes que levaram Portugal a impor no Brasil uma excessiva carga tributria;identificar os principais tributos estabelecidos no Brasil no Perodo Republicano.</p><p>PR-REQUISITOSTer assimilado o contedo das aulas 14 a 19.</p><p>Aula</p><p>20</p><p>Figura 1 - Carga tributaria (Fonte: http://www.crasp.com.br)</p></li><li><p>244</p><p>Temas de Histria Econmica</p><p>INTRODUO</p><p> comum hoje no Brasil, a afirmativa de que, somos o Pas que possui uma das maiores carga tributria. Paga-se impostos sobre tudo . Pagamos tanto os chamados impostos diretos como os indiretos (s impostos so considerados diretos quando pagos pela prpria pessoa a qual incidem e indiretos quando o pagamento repassado para terceiros). Outro ponto a destacar que os bens tributados afetam todos os contribuintes de forma injusta , por exemplo: quando um trabalhador que recebe salrio mnimo compra uma caixa de fsforo, um quilo de arroz, um litro de leite, um ca-derno, etc, ele est pagando o mesmo imposto que ministros, deputados e pessoas de classe alta pagam.</p><p>Nesta aula ser apresentado as aes desenvolvidas pelo fisco portugus no Brasil Colnia e Imprio onde veremos que a opresso tributria que vivemos hoje, uma herana do nosso passado.</p><p>Figura 2 - Impostos(Fonte: http://www.fenastc.org.br).</p></li><li><p>245</p><p>A Tributao na Histria do Brasil Aula</p><p>20BRASIL COLNIAA cobrana de tributos no Brasil se inicia anterior a colonizao isto </p><p>no perodo pr-colonial com a explorao do Pau Brasil. Mesmo sendo ex-plorado atravs do arrendamento a Ferno de Noronha a Coroa portuguesa recebia anualmente 4.000 cruzados pela cesso dos direitos de explorao.</p><p>Figura 3 - Carta de Pero Vaz de Caminha, escrivo da frota de Pedro lvares Cabral descrevendo as riquezas da terra descoberta. (Fonte: www.historianet.com.br).</p><p>Do perodo que vai da implantao do sistema de Capitanias insta-lao do Governo Geral (1530-1548), apesar dos objetivos da colonizao vistos nas aulas 14 e 15, a estrutura administrativa e fazendria ainda no estava devidamente implantada. Em cada capitania existia apenas um fun-cionrio , o feitor ou almoxarife, que alm de arrecadar as rendas reais e administrar as feitorias, tinha a funo de</p><p> lanar mo das terras para o rei, no caso de sesmarias pertencentes a herdeiros que venham a ocupar a governana da capitania e no as ten-ham passado a outros no prazo de um ano, fazendo assent-las em livro (SALGADO, 1985, p. 143).</p><p>Do Governo Geral at o incio da Unio Ibrica (1548-1580), a administrao fazendria se estruturou da seguinte forma: um Provedor-Mor que auxiliava o Governador Geral e em nvel das </p></li><li><p>246</p><p>Temas de Histria Econmica</p><p>capitanias foi criado o cargo de Provedor -Menor ou parcial, que era auxiliado pelo almoxarife, por rendeiros, contratadores, alealdador, escrives, porteiro e guarda da Alfndega.</p><p>Cabia ao Provedor -Mor:</p><p>a) superintender e fiscalizar a arrecadao de tributos e o seu recolhimento ao Tesouro da Coroa, e fiscalizar a produo de acar nos engenhos;b) em conjunto com o governador prover cargos pblicos;c) julgar as causas que excediam a alada dos Provedores-parciais, em Conselho Especial;d) punir os funcionrios faltosos, aplicando pena de priso e mand-los ao Reino;e) conhecer os defeitos e causas referentes s sesmarias, com alada acima de 10$000 dez mil ris.Para os provedores em nvel das Capitanias, auxiliares imediatos do Provedor Mor, destacamos as seguintes funes:a) lanar em prego pblico as rendas e direitos rgios a serem arrematados;b) tomar, anualmente, contas aos almoxarifes e recebedores das rendas ar-recadadas e remeter os saldos ao tesoureiro sediado na Bahia (...);c) lanar publicamente em prego as mercadorias arrendadas em pagamento da dzima (...)d) fiscalizar e conceder licenas para a navegao comercial entre as capi-tanias;e) conferir os despachos de acar na alfndega (...) cobrando o direito devido;f) arrecadar o dzimo e fiscalizar o movimento da alfndega (SALGADO, 1985, p. 159-160)Aos almoxarifes cabia, entre outras atribuies,a) fiscalizar e cobrar os direitos rgios aos rendeiros (...);b) arrecadar o dzimo do acar (...);c) fiscalizar, com o provedor, o movimento da alfndega e efetuar a co-brana dos dzimos;d) recolher e lanar na sua receita as mercadorias de proprietrios que fraudem ou soneguem os impostos .O escrivo tinha a funo de:a) assistir e registrar o recebimento das rendas e direitos rgios pelos al-moxarifes recebedores;b) estar presente nos engenhos, quando for feita a partilha do acar, reg-istrando o acar de cada produtor e o dzimo corr4espondente (...);c) escrever as entradas e sadas das mercadorias na Alfndega para a co-brana de impostos.</p><p>Os Rendeiros/Contratadores recebiam na capitania as rendas e os di-reitos, enquanto o porteiro era responsvel por guardar os livros das casas </p></li><li><p>247</p><p>A Tributao na Histria do Brasil Aula</p><p>20de Contos e da Alfndega. Por sua vez, o guarda da Alfndega fiscalizava o embarque das mercadorias (Graa Salgado, 1985: 159-160)</p><p> importante frisar que no era apenas o trfico negreiro e o acar que eram tributados , outras fontes de rendas foram repassadas para o governo metropolitano a exemplo do gado, ouro,tabaco, algodo dentre outros.</p><p>Figura 4 - ENGENHO DE ACAR. O acar era o principal produto tributado pela Coroa portuguesa (Fonte: www.eb23.-diogo-cao.rcyts.pt).</p><p>Com relao ao gado a tributao incidia sobre o couro. Cobrava o fisco portugus 20% sobre o couro curtido e 30% sobre o couro em cabelo. Quanto ao tabaco, este em alguns momentos chegou a superar o ouro.</p><p>Nas Minas Gerais com a descoberta do ouro, o fisco portugus atuou rigidamente com o estabelecimento de vrios impostos.</p><p>At o final da era colonial (1500-1822), mudanas significativas carac-terizaram o aparato fiscal aplicado no Brasil. Novos rgos foram criados, a exemplo do Conselho Ultramarino e do Conselho da Fazenda. Em nvel de capitanias, destaca-se a criao da Alfndega, a Intendncia da Marinha e os Armazns Gerais.</p><p>A criao do Conselho Ultramarino foi um marco, na medida em que procurou estruturar as prticas coloniais e sugar ao mximo a Colnia, atravs de uma rgida poltica fiscal, com o aumento e a criao de novos impostos e de companhias de comrcio, para manter o monoplio real. </p><p>Em nvel administrativo-fazendrio estava assim estabelecido: Vice-Rei, seguindo-se de um Provedor-Mor, capites-generais das capitanias gerais e capites-mores das subalternas; as juntas de Fazenda em cada capitania, Casas dos Contos e Vedores da Fazenda; provedores das capitanias; oficiais </p></li><li><p>248</p><p>Temas de Histria Econmica</p><p>da fazenda (contadores, almoxarifes, tesoureiros). As juntas da Fazenda eram responsveis pela administrao dos negcios fiscais. Subordinadas Junta da Fazenda estavam as alfndegas, provedorias da moeda, que de forma geral administravam e arrecadavam todas as rendas rgias, observando as ordens do Errio. Os vedores eram os inspetores fazendrios e os almoxa-rifes cuidavam apenas da cobrana dos direitos reais e do pagamento de ordenados Nesse perodo, os tributos consumiam um quarto da produo total, dividindo-se em ordinrios e extraordinrios (donativos voluntrios).</p><p>As duas primeiras dcadas do sculo XIX caracterizaram-se por transformaes sociais, polticas e econmicas na colnia portuguesa da Amrica. No aspecto poltico, a vinda da famlia real portuguesa, em 1808, constituiu-se em um marco importante no processo da emancipao poltica do Brasil. Tal evento culminar com a independncia em 1822.</p><p>Em nvel econmico, a abertura dos portos s naes amigas, em 28 de janeiro de 1808, libertou o Brasil do isolamento imposto pela condio de colnia, ao determinar o fim do comrcio exclusivo com a metrpole e abrir o pas ao comrcio internacional. O sistema monopolista comea a ser condenado, defende-se o livre cambismo, pois as diretrizes do capital-ismo impunham a necessidade de um mercado aberto,sem a presena dos monoplios e privilgios que caracterizaram a poltica econmica at ento. A prpria idia de pacto colonial passa a ser questionada:</p><p>Rompia-se, ao nvel do sistema, a comunho de interesses existentes entre o produtor colonial, o comerciante e a Coroa garantida pelos monoplios e privilgios (...) e o pacto colonial, de um pacto entre irmos, passa a ser um contrato unilateral, visto pelos colonos como um acordo que devia ser desfeito (...)Os colonos rebelam-se contra os excessos fiscais, os desmandos dos administradores (...) manifestando sua repulsa s restries importao de escravos, circulao ou aos excessos do fisco (Costa, 1986, p. 72).</p><p>A questo tributria aparece muito bem na Carta Rgia de 28 de janeiro de 1808, que estabelecia o seguinte:</p><p>1 - Que sejam admissveis nas alfndegas do Brasil todo, e quaisquer gneros, fazendas e mercadorias transportadas ou em navios estrangeiros das potncias que se conservaram em paz e harmonia com a minha real coroa, ou em navios dos meus vassalos, pagando por entrada, 24%; a saber: 20% de direitos grossos e 4% de donativos j estabelecidos, regulando-se a cobrana destes direitos pelas pausas ou aforamentos, porque at o presente momento se regulam cada uma das ditas alfndegas, ficando os vinhos, guas, ardentes e azeites doces, que se denominam molhados, pagando o dobro dos direitos, que at agora nelas satisfaziam;</p></li><li><p>249</p><p>A Tributao na Histria do Brasil Aula</p><p>202 - Que no s os meus vassalos, mas tambm os ditos estrangeiros possam exportar para os portos, que bem lhes parecer, a benefcio do comrcio, e a agricultura, que tanto desejo promover todos, e quaisquer gneros coloniais, a exceo do pau-brasil , e outros notoriamente estancados, pagando por sada os mesmos direitos j estabelecidos nas referidas capitanias, ficando entretanto como em suspenso, e sem o vigor todas as leis; atos rgios ou outras ordens, que at aqui proibiam neste Estado do Brasil o recproco comrcio entre meus vassalos, estrangeiros o que tudo assim fareis executar com o zelo e a atividade que de vs espero. (Amed., 2000, p. 79).</p><p>Para estabelecer a corte portuguesa no Brasil, novos tributos foram criados. Era necessrio manter o aparelho burocrtico. Nesse sentido, alm dos j existentes, criaram-se e aplicaram-se os seguintes impostos em todas as capitanias:</p><p>a) Subsdio real ou nacional, representado por direitos sobre a carne verde, os couros crus ou curtidos, a aguardente de cana e as ls grosseiras manu-faturadas no pas;b) Subsdio literrio, para custeio dos mestres escolas, incidindo sobre cada rs abatida, aguardente destilado;c) Imposto em benefcio do Banco do Brasil (fundado em 1812), de 12.800 ris, recaindo sobre cada negociante, livreiro e boticrio, loja de ouro, prata, estanho e artigos de cobre, tabaco etc., e do qual estavam isentas somente as lojas de barbeiro e sapateiro;d) A taxa sunturia, tambm em benefcio do Banco do Brasil, sobre cada carruagem de quatro e duas rodas;f) A taxa sobre engenhos de acar e destilaes maior ou menor segundo a provncia;g) A dcima do rendimento anual das casas e quaisquer imveis urbanos;h) A sisa, que era um imposto de 10% percebido sobre a venda das casas e outros imveis urbanos;i) A meia sisa, que era um imposto de 5% percebido sobre a venda de um escravo que fosse negro ladino, isto , que j tivesse algum ofcio;j) Os novos direitos, representados por uma taxa de 10% sobre os salrios dos empregados nos departamentos da Fazenda e Justia. (Amed, 2000, p. 179).</p><p>Enfim, Portugal procurou enquadrar muito bem o Brasil na dinmica do sistema colonial da poca mercantilista, principalmente no tocante administrao fazendria, no seu aspecto fiscalista, pois </p><p>... alm da arrecadao de impostos, garantia as atividades e possibilidades econmicas reservadas sob contratos e monoplios, </p></li><li><p>250</p><p>Temas de Histria Econmica</p><p>chamados na poca de estancos. Essa administrao, desdobrada a partir de 1548 nas instncias metropolitana, do governo Geral e da Capitania, era responsvel pela arrecadao de rendas Rgias, cobradas sobre todas as atividades econmicas (uma vez que incluam a arrecadao dos dzimos), com especial cuidado sobre as destinadas ao comrcio exportador e conseqente cobrana de direitos alfandegrios... (SALGADO, 1985, p. 159-160).</p><p>Figura 5 - Sobre os Escravos Ladinos Incidia o Imposto da Meia Sisa(Fonte: www.oglobo.globo.com).</p><p>BRASIL IMPRIO</p><p>Proclamada a independncia em 7 de setembro de 1822, era necessrio organizar a mquina administrativa, visto que o Brasil enfrentava uma pro-funda crise econmica, devido ao aumento das importaes e diminuio das exportaes.</p><p>O sistema tributrio se apresentava precrio, pois no existia uma sistematizao das receitas e despesas. Os tributos eram mal distribudos. A jovem nao herdou do perodo anterior um quadro tributrio que im-pedia o seu crescimento . Os bens de consumo, ao iniciar o 1 Reinado, </p></li><li><p>251</p><p>A Tributao na Histria do Brasil Aula</p><p>20suportavam a maior carga dos impostos. O quadro tributrio, na ordem da importncia das contribuies, no ano de 1822, era o seguinte:</p><p>I Direitos aduaneiros de entrada, cobrados razo de 15% sobre o valor oficial, estabelecido em pauta alfandegria, das mercadorias de procedncia portuguesa e inglesa, e de 24% sobre o valor oficial dos artigos de outras origens, excludos tanto de uma quanto de outra taxa de vinhos, licores, azeite e vinagres, cujos direitos de importao eram cobrados de acordo, com tabela especial, baixada com o alvar de 25 de abril de 1818; nas alfndegas eram arrecadados, ainda, os direitos de entrada de escravos e, entre outras contribuies de menor vulto, os direitos de baldeao, os de guarda-costa, os de reexportao e o imposto de ancoragem dos navios estranjeiros;II Dzimos, em que incorriam os gneros de cultura e criao de todas as provncias, e para cuja cobrana, antes feita por administradores ou por contrato de arrematao, com graves prejuzos e vexame dos contribuintes;III Imposto de exportao representado pela taxa de 2% sobre todos os gneros no sujeitos a qualquer outro subsdio ou direito de sada;IV Dcima urbana sobre o rendimento lquido anual dos prdios, ou sobre o valor do aluguel arbitrado, no caso de neles morarem seus donos;V Sisa cobrada razo de 10% sobre o valor de todas as compras vendas e arremataes de bens de raiz;VI Imposto de carne verde, constitudo pela contribuio de cinco ris em cada arratel de carne fresca de vaca;VII Imposto conhecido como subsdio literrio, pois destinava-se ao pagamento dos mestres escolas, corresponderia a um real em cada arratel de carne verde que se cortasse nos aougues, e a dez ris em canada de aguardente da terra;VIII Imposto sobre aguardente de consumo;IX Imposto sobre seges, lojas e embarcaes, conhecido tambm pelo imposto do bancoX Imposto sobre o tabaco de corda, cobrados na base de 400 ris por arroba;XI Direitos sobre os escravos, que se despachavam para as minas;XII Imposto do selo do papel e dcima das heranas e legados;XIII Meia sisa dos escravos ladinos isto : todos aqueles que no so havidos por compra feita aos negocia...</p></li></ul>