A TRIBUTAO NA HISTRIA DO BRASIL - ??245 A Tributao na Histria do Brasil Aula BRASIL COLNIA 20 A cobrana de tributos no Brasil se inicia anterior a colonizao isto no perodo pr ...

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A TRIBUTAO NA HISTRIA DO BRASIL METAApresentar a poltica tributria estabelecida no Brasil nos perodos colonial , imperial e Republicano.OBJETIVOSAo final desta aula, o aluno dever:Listar os principais tributos estabelecidos no Brasil Colnia;listar os principais tributos estabelecidos no Brasil Imprio;comentar sobre as razes que levaram Portugal a impor no Brasil uma excessiva carga tributria;identificar os principais tributos estabelecidos no Brasil no Perodo Republicano.PR-REQUISITOSTer assimilado o contedo das aulas 14 a 19.Aula20Figura 1 - Carga tributaria (Fonte: http://www.crasp.com.br)244Temas de Histria EconmicaINTRODUO comum hoje no Brasil, a afirmativa de que, somos o Pas que possui uma das maiores carga tributria. Paga-se impostos sobre tudo . Pagamos tanto os chamados impostos diretos como os indiretos (s impostos so considerados diretos quando pagos pela prpria pessoa a qual incidem e indiretos quando o pagamento repassado para terceiros). Outro ponto a destacar que os bens tributados afetam todos os contribuintes de forma injusta , por exemplo: quando um trabalhador que recebe salrio mnimo compra uma caixa de fsforo, um quilo de arroz, um litro de leite, um ca-derno, etc, ele est pagando o mesmo imposto que ministros, deputados e pessoas de classe alta pagam.Nesta aula ser apresentado as aes desenvolvidas pelo fisco portugus no Brasil Colnia e Imprio onde veremos que a opresso tributria que vivemos hoje, uma herana do nosso passado.Figura 2 - Impostos(Fonte: http://www.fenastc.org.br).245A Tributao na Histria do Brasil Aula20BRASIL COLNIAA cobrana de tributos no Brasil se inicia anterior a colonizao isto no perodo pr-colonial com a explorao do Pau Brasil. Mesmo sendo ex-plorado atravs do arrendamento a Ferno de Noronha a Coroa portuguesa recebia anualmente 4.000 cruzados pela cesso dos direitos de explorao.Figura 3 - Carta de Pero Vaz de Caminha, escrivo da frota de Pedro lvares Cabral descrevendo as riquezas da terra descoberta. (Fonte: www.historianet.com.br).Do perodo que vai da implantao do sistema de Capitanias insta-lao do Governo Geral (1530-1548), apesar dos objetivos da colonizao vistos nas aulas 14 e 15, a estrutura administrativa e fazendria ainda no estava devidamente implantada. Em cada capitania existia apenas um fun-cionrio , o feitor ou almoxarife, que alm de arrecadar as rendas reais e administrar as feitorias, tinha a funo de lanar mo das terras para o rei, no caso de sesmarias pertencentes a herdeiros que venham a ocupar a governana da capitania e no as ten-ham passado a outros no prazo de um ano, fazendo assent-las em livro (SALGADO, 1985, p. 143).Do Governo Geral at o incio da Unio Ibrica (1548-1580), a administrao fazendria se estruturou da seguinte forma: um Provedor-Mor que auxiliava o Governador Geral e em nvel das 246Temas de Histria Econmicacapitanias foi criado o cargo de Provedor -Menor ou parcial, que era auxiliado pelo almoxarife, por rendeiros, contratadores, alealdador, escrives, porteiro e guarda da Alfndega.Cabia ao Provedor -Mor:a) superintender e fiscalizar a arrecadao de tributos e o seu recolhimento ao Tesouro da Coroa, e fiscalizar a produo de acar nos engenhos;b) em conjunto com o governador prover cargos pblicos;c) julgar as causas que excediam a alada dos Provedores-parciais, em Conselho Especial;d) punir os funcionrios faltosos, aplicando pena de priso e mand-los ao Reino;e) conhecer os defeitos e causas referentes s sesmarias, com alada acima de 10$000 dez mil ris.Para os provedores em nvel das Capitanias, auxiliares imediatos do Provedor Mor, destacamos as seguintes funes:a) lanar em prego pblico as rendas e direitos rgios a serem arrematados;b) tomar, anualmente, contas aos almoxarifes e recebedores das rendas ar-recadadas e remeter os saldos ao tesoureiro sediado na Bahia (...);c) lanar publicamente em prego as mercadorias arrendadas em pagamento da dzima (...)d) fiscalizar e conceder licenas para a navegao comercial entre as capi-tanias;e) conferir os despachos de acar na alfndega (...) cobrando o direito devido;f) arrecadar o dzimo e fiscalizar o movimento da alfndega (SALGADO, 1985, p. 159-160)Aos almoxarifes cabia, entre outras atribuies,a) fiscalizar e cobrar os direitos rgios aos rendeiros (...);b) arrecadar o dzimo do acar (...);c) fiscalizar, com o provedor, o movimento da alfndega e efetuar a co-brana dos dzimos;d) recolher e lanar na sua receita as mercadorias de proprietrios que fraudem ou soneguem os impostos .O escrivo tinha a funo de:a) assistir e registrar o recebimento das rendas e direitos rgios pelos al-moxarifes recebedores;b) estar presente nos engenhos, quando for feita a partilha do acar, reg-istrando o acar de cada produtor e o dzimo corr4espondente (...);c) escrever as entradas e sadas das mercadorias na Alfndega para a co-brana de impostos.Os Rendeiros/Contratadores recebiam na capitania as rendas e os di-reitos, enquanto o porteiro era responsvel por guardar os livros das casas 247A Tributao na Histria do Brasil Aula20de Contos e da Alfndega. Por sua vez, o guarda da Alfndega fiscalizava o embarque das mercadorias (Graa Salgado, 1985: 159-160) importante frisar que no era apenas o trfico negreiro e o acar que eram tributados , outras fontes de rendas foram repassadas para o governo metropolitano a exemplo do gado, ouro,tabaco, algodo dentre outros.Figura 4 - ENGENHO DE ACAR. O acar era o principal produto tributado pela Coroa portuguesa (Fonte: www.eb23.-diogo-cao.rcyts.pt).Com relao ao gado a tributao incidia sobre o couro. Cobrava o fisco portugus 20% sobre o couro curtido e 30% sobre o couro em cabelo. Quanto ao tabaco, este em alguns momentos chegou a superar o ouro.Nas Minas Gerais com a descoberta do ouro, o fisco portugus atuou rigidamente com o estabelecimento de vrios impostos.At o final da era colonial (1500-1822), mudanas significativas carac-terizaram o aparato fiscal aplicado no Brasil. Novos rgos foram criados, a exemplo do Conselho Ultramarino e do Conselho da Fazenda. Em nvel de capitanias, destaca-se a criao da Alfndega, a Intendncia da Marinha e os Armazns Gerais.A criao do Conselho Ultramarino foi um marco, na medida em que procurou estruturar as prticas coloniais e sugar ao mximo a Colnia, atravs de uma rgida poltica fiscal, com o aumento e a criao de novos impostos e de companhias de comrcio, para manter o monoplio real. Em nvel administrativo-fazendrio estava assim estabelecido: Vice-Rei, seguindo-se de um Provedor-Mor, capites-generais das capitanias gerais e capites-mores das subalternas; as juntas de Fazenda em cada capitania, Casas dos Contos e Vedores da Fazenda; provedores das capitanias; oficiais 248Temas de Histria Econmicada fazenda (contadores, almoxarifes, tesoureiros). As juntas da Fazenda eram responsveis pela administrao dos negcios fiscais. Subordinadas Junta da Fazenda estavam as alfndegas, provedorias da moeda, que de forma geral administravam e arrecadavam todas as rendas rgias, observando as ordens do Errio. Os vedores eram os inspetores fazendrios e os almoxa-rifes cuidavam apenas da cobrana dos direitos reais e do pagamento de ordenados Nesse perodo, os tributos consumiam um quarto da produo total, dividindo-se em ordinrios e extraordinrios (donativos voluntrios).As duas primeiras dcadas do sculo XIX caracterizaram-se por transformaes sociais, polticas e econmicas na colnia portuguesa da Amrica. No aspecto poltico, a vinda da famlia real portuguesa, em 1808, constituiu-se em um marco importante no processo da emancipao poltica do Brasil. Tal evento culminar com a independncia em 1822.Em nvel econmico, a abertura dos portos s naes amigas, em 28 de janeiro de 1808, libertou o Brasil do isolamento imposto pela condio de colnia, ao determinar o fim do comrcio exclusivo com a metrpole e abrir o pas ao comrcio internacional. O sistema monopolista comea a ser condenado, defende-se o livre cambismo, pois as diretrizes do capital-ismo impunham a necessidade de um mercado aberto,sem a presena dos monoplios e privilgios que caracterizaram a poltica econmica at ento. A prpria idia de pacto colonial passa a ser questionada:Rompia-se, ao nvel do sistema, a comunho de interesses existentes entre o produtor colonial, o comerciante e a Coroa garantida pelos monoplios e privilgios (...) e o pacto colonial, de um pacto entre irmos, passa a ser um contrato unilateral, visto pelos colonos como um acordo que devia ser desfeito (...)Os colonos rebelam-se contra os excessos fiscais, os desmandos dos administradores (...) manifestando sua repulsa s restries importao de escravos, circulao ou aos excessos do fisco (Costa, 1986, p. 72).A questo tributria aparece muito bem na Carta Rgia de 28 de janeiro de 1808, que estabelecia o seguinte:1 - Que sejam admissveis nas alfndegas do Brasil todo, e quaisquer gneros, fazendas e mercadorias transportadas ou em navios estrangeiros das potncias que se conservaram em paz e harmonia com a minha real coroa, ou em navios dos meus vassalos, pagando por entrada, 24%; a saber: 20% de direitos grossos e 4% de donativos j estabelecidos, regulando-se a cobrana destes direitos pelas pausas ou aforamentos, porque at o presente momento se regulam cada uma das ditas alfndegas, ficando os vinhos, guas, ardentes e azeites doces, que se denominam molhados, pagando o dobro dos direitos, que at agora nelas satisfaziam;249A Tributao na Histria do Brasil Aula202 - Que no s os meus vassalos, mas tambm os ditos estrangeiros possam exportar para os portos, que bem lhes parecer, a benefcio do comrcio, e a agricultura, que tanto desejo promover todos, e quaisquer gneros coloniais, a exceo do pau-brasil , e outros notoriamente estancados, pagando por sada os mesmos direitos j estabelecidos nas referidas capitanias, ficando entretanto como em suspenso, e sem o vigor todas as leis; atos rgios ou outras ordens, que at aqui proibiam neste Estado do Brasil o recproco comrcio entre meus vassalos, estrangeiros o que tudo assim fareis executar com o zelo e a atividade que de vs espero. (Amed., 2000, p. 79).Para estabelecer a corte portuguesa no Brasil, novos tributos foram criados. Era necessrio manter o aparelho burocrtico. Nesse sentido, alm dos j existentes, criaram-se e aplicaram-se os seguintes impostos em todas as capitanias:a) Subsdio real ou nacional, representado por direitos sobre a carne verde, os couros crus ou curtidos, a aguardente de cana e as ls grosseiras manu-faturadas no pas;b) Subsdio literrio, para custeio dos mestres escolas, incidindo sobre cada rs abatida, aguardente destilado;c) Imposto em benefcio do Banco do Brasil (fundado em 1812), de 12.800 ris, recaindo sobre cada negociante, livreiro e boticrio, loja de ouro, prata, estanho e artigos de cobre, tabaco etc., e do qual estavam isentas somente as lojas de barbeiro e sapateiro;d) A taxa sunturia, tambm em benefcio do Banco do Brasil, sobre cada carruagem de quatro e duas rodas;f) A taxa sobre engenhos de acar e destilaes maior ou menor segundo a provncia;g) A dcima do rendimento anual das casas e quaisquer imveis urbanos;h) A sisa, que era um imposto de 10% percebido sobre a venda das casas e outros imveis urbanos;i) A meia sisa, que era um imposto de 5% percebido sobre a venda de um escravo que fosse negro ladino, isto , que j tivesse algum ofcio;j) Os novos direitos, representados por uma taxa de 10% sobre os salrios dos empregados nos departamentos da Fazenda e Justia. (Amed, 2000, p. 179).Enfim, Portugal procurou enquadrar muito bem o Brasil na dinmica do sistema colonial da poca mercantilista, principalmente no tocante administrao fazendria, no seu aspecto fiscalista, pois ... alm da arrecadao de impostos, garantia as atividades e possibilidades econmicas reservadas sob contratos e monoplios, 250Temas de Histria Econmicachamados na poca de estancos. Essa administrao, desdobrada a partir de 1548 nas instncias metropolitana, do governo Geral e da Capitania, era responsvel pela arrecadao de rendas Rgias, cobradas sobre todas as atividades econmicas (uma vez que incluam a arrecadao dos dzimos), com especial cuidado sobre as destinadas ao comrcio exportador e conseqente cobrana de direitos alfandegrios... (SALGADO, 1985, p. 159-160).Figura 5 - Sobre os Escravos Ladinos Incidia o Imposto da Meia Sisa(Fonte: www.oglobo.globo.com).BRASIL IMPRIOProclamada a independncia em 7 de setembro de 1822, era necessrio organizar a mquina administrativa, visto que o Brasil enfrentava uma pro-funda crise econmica, devido ao aumento das importaes e diminuio das exportaes.O sistema tributrio se apresentava precrio, pois no existia uma sistematizao das receitas e despesas. Os tributos eram mal distribudos. A jovem nao herdou do perodo anterior um quadro tributrio que im-pedia o seu crescimento . Os bens de consumo, ao iniciar o 1 Reinado, 251A Tributao na Histria do Brasil Aula20suportavam a maior carga dos impostos. O quadro tributrio, na ordem da importncia das contribuies, no ano de 1822, era o seguinte:I Direitos aduaneiros de entrada, cobrados razo de 15% sobre o valor oficial, estabelecido em pauta alfandegria, das mercadorias de procedncia portuguesa e inglesa, e de 24% sobre o valor oficial dos artigos de outras origens, excludos tanto de uma quanto de outra taxa de vinhos, licores, azeite e vinagres, cujos direitos de importao eram cobrados de acordo, com tabela especial, baixada com o alvar de 25 de abril de 1818; nas alfndegas eram arrecadados, ainda, os direitos de entrada de escravos e, entre outras contribuies de menor vulto, os direitos de baldeao, os de guarda-costa, os de reexportao e o imposto de ancoragem dos navios estranjeiros;II Dzimos, em que incorriam os gneros de cultura e criao de todas as provncias, e para cuja cobrana, antes feita por administradores ou por contrato de arrematao, com graves prejuzos e vexame dos contribuintes;III Imposto de exportao representado pela taxa de 2% sobre todos os gneros no sujeitos a qualquer outro subsdio ou direito de sada;IV Dcima urbana sobre o rendimento lquido anual dos prdios, ou sobre o valor do aluguel arbitrado, no caso de neles morarem seus donos;V Sisa cobrada razo de 10% sobre o valor de todas as compras vendas e arremataes de bens de raiz;VI Imposto de carne verde, constitudo pela contribuio de cinco ris em cada arratel de carne fresca de vaca;VII Imposto conhecido como subsdio literrio, pois destinava-se ao pagamento dos mestres escolas, corresponderia a um real em cada arratel de carne verde que se cortasse nos aougues, e a dez ris em canada de aguardente da terra;VIII Imposto sobre aguardente de consumo;IX Imposto sobre seges, lojas e embarcaes, conhecido tambm pelo imposto do bancoX Imposto sobre o tabaco de corda, cobrados na base de 400 ris por arroba;XI Direitos sobre os escravos, que se despachavam para as minas;XII Imposto do selo do papel e dcima das heranas e legados;XIII Meia sisa dos escravos ladinos isto : todos aqueles que no so havidos por compra feita aos negociantes de negros novos e que entram pela primeira vez no pas, transportados da costa da frica;XIV Contribuies diversas, como taxa dos correios, dzimos de chancelaria, teras de ofcios, direitos de portagem, pedgios, taxa de trnsito entre as provncias, cobrados, no raro, pelas autoridades locais (Deveza, 1974, p. 60-84).252Temas de Histria EconmicaA Constituio de 1824, que poderia definir as esferas tributrias, foi omissa; apenas no Artigo 83 , que trata dos Conselhos Gerais de Provncia e de suas atribuies, estabelecia: Art. 83 no se pode propor, nem deliberar, nestes Conselhos , projetos:3) Sobre imposies, cuja iniciativa da competncia particular da Cmara dos DeputadosO artigo 179, nmero 15, por sua vez declarava: ningum ser isento de contribuir para as despesas do Estado em proporo dos seus haveresAtravs do Ato Adicional de 1834 as Rendas Gerais compunham-se dos seguintes tributos:I Direitos de importao razo de 15% sobre todas as mercadorias, com exceo da plvora que pagava 50% e do ch que passou a incorrer em 30%, e de algumas isentas; havia, ainda, diversas contribuies aduaneiras, como de baldeao, reexportao, expedientes, ancoragem, armazenamento ;II Direitos de exportao, cobrados na base de 2% , 7% e 20%;III - Direitos de 15% na compra de embarcaes estrangeiras;IV Imposto sobre a minerao de ouro;V Sisa dos bens de raiz;VI Imposto sobre lojas abertas;VII Imposto de 5% na venda de embarcaes nacionais;VIII Imposto do selo dos papis;IX Imposto sobre escravos;X Imposto sobre os escravos;XI Dcima urbana adicional;XII Dzima da chancelaria; novos e velhos direitos dos empregos gerais, bem como outras taxas e emolumentos (Deveza, 1974).Figura 6 - Imposto sobre sada de escravos(Fonte: www.icmc.usp.br).253A Tributao na Histria do Brasil Aula20Figura 7 - Imposto Sobre Venda de Escravos (Fonte: www.icmc.usp.br).BRASIL REPBLICAA Constituio de 1891 procurou estabelecer a competncia da Unio e dos Estados quanto questo dos tributos,. O Artigo 7 estabelecia que fosse de competncia exclusiva da Unio decretar:- Imposto sobre a importao de procedncia estrangeira;- direitos de entrada, sada e estada de navios, sendo livre o comrcio de cabotagem s mercadorias nacionais, bem como s estrangeiras que j tenham pago imposto de importao;- taxas de selo;- taxa dos correios e telgrafos federais.Aos Estados conforme o artigo 9 competia decretar impostos- Sobre a exportao de mercadorias de sua prpria produo;- sobre imveis rurais e urbanos;- sobre transmisso de propriedades;- sobre indstrias e profisses (taxa de selo, contribuio dos telgrafos e correios).Figura 8 - Proclamao da Repblica (Fonte: www.quediaehoje.net).254Temas de Histria EconmicaChamamos a ateno especial para um dos tributos que passou a con-tribuir, a partir de 1922, para a receita da Unio e dos Estados, o imposto sobre a renda (IR).O Imposto de Renda foi estabelecido no Brasil, em 1922. Porm, convm lembrar que a cobrana desse tributo no de certa forma uma novidade; desde o perodo Imperial, o fisco imps uma tributao sobre determinadas rendas, a exemplo dos chamados impostos sobre os rendi-mentos, subsdios, vencimentos e dividendos. No entanto, foi a partir da Lei do Oramento no. 4625, de 31 de dezembro de 1922, que foi Institudo o imposto geral sobre a renda, que ser devido anualmente, por toda pessoa fsica ou jurdica, residente no territrio do pas, e incidir, em cada caso, sobre o conjunto lquido dos rendimentos de qualquer origem (Amed, 2000, p. 250).Vitoriosa a Revoluo de 1930, o poder foi entregue a Getlio Vargas, que lentamente vai reforando o seu poder pessoal, culminando, em novembro de 1937 com um golpe de Estado.Getlio Vargas governou sem Constituio at a promulgao da Carta Magna de 1934. O pas ganhava o mais avanado texto constitucional da sua Histria, estabelecendo o salrio mnimo, a jor-nada de trabalho de oito horas dirias, a proibio do trabalho de menores de 14 anos, o repouso semanal remunerado etc.Em seus aspectos tributrios, comparada Constituio de 1891, sistematicamente houve uma melhoria, ou seja, no seu artigo 6, competia Unio:I. Decretar impostos sobre:- a importao de mercadorias de procedncia estrangeira;- consumo de quaisquer mercadorias, exceto os combustveis de motor de exploso;- a renda e proventos de qualquer natureza, excetuando a renda cedular de imveis;transferncia de fundos para o exterior;- atos emanados do governo, negcios da sua economia e instrumentos de contrato;- atos regulados por lei federal;- os TerritriosNo artigo 8, competia aos Estados:Figura 9 - O Leo Smbolo do Imposto de Renda(Fonte: www.inatitude.wordpress.com).255A Tributao na Histria do Brasil Aula20II. Decretar impostos sobre:- Propriedade territorial exceto a urbana;- Transmisso de propriedade causa mortis;- Transmisso de propriedade inter vivos;- Consumo de combustveis de motor a exploso;- vendas e consignaes efetuadas por comerciantes e produtores, inclusive os industriais, ficando isenta a primeira operao de pequeno produtor;- exportao das mercadorias de sua produo, at o mximo de dez por cento ad valorem, vedados quaisquer adicionais;- indstrias e profisses;- atos emanados do seu Governo e negcios da sua economia, ou reguladas por lei estadual;I. cobrar taxas de servios estaduais:1 - O imposto de vendas ser uniforme, sem distino de procedncia, destino ou espcie dos produtos;2 - O imposto de indstrias e profisses ser lanado pelo Estado e ar-recadado por este e pelo Municpio em partes iguais.Aos Municpios competia, conforme o artigo 3, 2)- O imposto de licena;- os impostos predial e territorial urbanos, cobrado o primeiro, sob a forma de dcima ou de cdula de renda;- o imposto sobre diverses pblicas;- o imposto cedular sobre a renda de imveis rurais;- as taxas sobre os servios municipais.Com a redemocratizao, foi promulgada uma nova Constituio em 1946. No que concerne aos tributos, houve uma alterao na sua discriminao com relao de 1937.- O imposto de indstria e profisses que era de competncia privativa dos Estados passou aos Municpios (a metade do produto desta arrecadao j cabia aos Municpios);- Instituiu-se contribuies de melhoria para a Unio, os Estados e os Municpios;- Estados e Municpios passaram a participar de vrios impostos.Realmente, a competncia dos tributos ficou assim discriminada.Cabia Unio:- Imposto sobre importao de mercadorias de procedncia estrangeira;- Imposto sobre consumo de mercadorias;- Imposto sobre produo, comrcio, distribuio e consumo e bem as-sim importao e exportao de lubrificantes e de combustveis lquidos e gasosos de qualquer origem e natureza;256Temas de Histria Econmica- Imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza;- Imposto sobre transferncia de fundos para o exterior;- Imposto sobre negcios de sua economia, atos e instrumentos regulados por lei federal;- Imposto extraordinrios;- Outros impostos a serem criados;- Taxas;- Contribuies de melhoria.Cabia aos Estados cobrar tributos sobre:- A propriedade territorial exceto a urbana;- A transmisso de propriedade causa mortis;- A transmisso de propriedade imobiliria inter vivos, e sua incorporao ao capital das sociedades;- Vendas e consignaes;- Exportao de mercadorias de sua produo para o estrangeiro;- Atos regulados por lei estadual, os servios de sua justia e os negcios de sua economia. Outros impostos, a serem criados (o imposto federal excluir o estadual idntico;- Taxas;- Contribuies de melhoria.O Governo militar, instalado em 1964, teve como prioridade o cresci-mento acelerado isto , a concentrao de renda, ampliao de crdito ao consumidor e a abertura da economia brasileira ao mercado externo. De 1969 a 1973, esse trip possibilitou o chamado milagre brasileiro.Nesse contexto, o sistema tributrio nacional passou a ser composto por impostos diretos (que incidiam sobre o rendimento de cada contribuinte) e impostos indiretos (que so repassados aos preos das mercadorias). O IPI (imposto sobre produtos industrializados), criado em 1966, cuja alquota deveria ser proporcional essencialidade do produto, na prtica no ocor-reu. Por exemplo:Os vinhos foram acrescidos de uma alquota de 20%, enquanto a cerveja alcanava 35%; produtos de perfumaria e cosmticos possuam a mesma taxao que vassouras e dentifrcios, isto 8%; os automveis no ultrapassavam 20%, enquanto alquotas iguais eram atribudas a sabes e sabonetes (Costa, 1999, p. 354).Percebe-se ainda uma injustia na tributao, pela existncia de uma taxao diferenciada para produtos com qualidades diferentes. por exemplo, a chita era onerada com a mesma alquota que a seda; os mveis de madeira nobre sofriam a mesma incidncia que os fabricados em pinho (Costa, 1999, p. 354).257A Tributao na Histria do Brasil Aula20No perodo do Milagre brasileiro, o crdito se expandiu, trazendo conseqncias para as camadas populares, com o aumento do dinheiro em circulao. Criaram-se os incentivos fiscais e cambiais, possibilitando a entrada de capitais estrangeiros e, com isso, a explorao da mo - de- obra nacional reduziu-se a custos baratssimos.Em 15 de janeiro de 1985, Tancredo Neves derrotou Paulo Maluf no Colgio Eleitoral. Faleceu logo depois e assumiu o vice-presidente Jos Sarney, iniciando o perodo conhecido como Nova Repblica. Tentando equilibrar a economia, em fevereiro de 1986, foi editado o Plano Cruzado, que extinguiu o Cruzeiro e criou uma nova moeda, o Cruzado. Foi nesse contexto que se promulgou a Constituio de 1988.Figura 10 - Sistema tributario(Fonte: www.contasabertas.com.br)De acordo com a nova Carta Magna, competia Unio:Diretos- Imposto sobre grandes fortunas - IGF;- Imposto sobre a propriedade territorial rural - ITR;- Imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza - IR;Indiretos- Imposto sobre exportao, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados - IE;258Temas de Histria Econmica- Imposto sobre produtos industrializados- IPI;- Imposto sobre operaes de crdito, cmbio e seguro, ou relativos a ttulos ou valores imobilirios- IOF;- Imposto sobre importao de produtos estrangeiros- II;- Outros impostos extraordinrios, na iminncia ou no caso de guerra externa;- Emprstimos compulsrio;- Taxas;- Contribuies de melhoria.Aos Estados cabia:Diretos- Imposto sobre Transmisso Causa Mortis e Doaes - ITCM;- Imposto sobre Propriedade de Veculos Automotores - IPVA;- Adicional do Imposto de Renda sobre Lucros e Rendimentos de Capital - AdIR;- Taxas- Contribuies de MelhoriaIndireto- Imposto sobre Circulao de Mercadorias e a Prestao de Servios de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicaes ICMSIMPOSTOS DIRETOS E INDIRETOS: Os impostos so considerados diretos quando pagos pela prpria pessoa a qual incidem e indiretos quando o pagamento repassado para terceirosFigura 11 - (Fonte blogperolas.spaces.live.com)259A Tributao na Histria do Brasil Aula20Figura 12 - (Fonte: www.rleite.wordpress.com)1. Como se apresentava a estrutura fazendria no perodo de 1530 a 1548?2. Identifique os principais tributos estabelecidos atravs da carta rgia de 1808?3. Identifique os principais tributos estabelecidos pelo ato adicional de 1834?4. Faa um comentrio sobre a tributao no Brasil colnia e Imprio?5. Elabore uma sntese sobre os tributos na atualidade.COMENTRIO SOBRE AS ATIVIDADESNo perodo de 1530 a 1548, a estrutura fazendria no Brasil se caracterizou apenas pela existncia em cada capitania de funcionrios responsvel pela arrecadao das rendas e administrao das feitoria. A tributao recaia sobre o gado, ouro, tabaco e o algodo dentre outros. Com a carta Rgia de 1808, novos tributos foram criados a exemplo de algumas taxas em benefcio do Banco do Brasil.Portugal a implantao de um sistema tributrio rigoroso conseguia transferir para os cofre metropolitanos a maior parte das rendas geradas na colnia. Como podemos perceber, da mesma forma que no perodo colonial a carga tributaria no Imprio foi oneroso para os bolsos do contribuite, modelo este que contunua at o perodo atual.ATIVIDADES260Temas de Histria EconmicaCONCLUSOA Cobrana de tributos no Brasil tem incio nos primrdios da ocupao do espao agrrio. No perodo colonial tudo que se produzia na colnia era tributado. Cobrava-se impostos sobre o acar, os couros, o fumo e o ouro. Os tributos consumiam um quarto da produo total, dividindo-se em ordinrios e extraordinrios (donativos voluntrios). No imprio percebe-se um aumento da carga tributria com a criao de novos impostos tais como: Direitos de 15% na compra de embarcaes estrangeiras; Imposto sobre a minerao de ouro;Sisa dos bens de raiz;Imposto sobre lojas abertas;Imposto de 5% na venda de embarcaes nacionais;Imposto do selo dos papis;Imposto sobre escravos dentre outros. No momento atual, o pas e, particularmente, os Estados e Municpios necessitam urgentemente, de uma reforma no sistema tributrio, pois o atual sistema oneroso e in-justo, principalmente para o contribuinte. Por outro lado, o modelo atual resqucio da Constituio de 1988, que, alis, tomou como parmetro para sua elaborao, com poucas modificaes, a Reforma Tributria de 1966, criada no bojo do regime militar centralizador.Neste aula aprendemos que:a) A cobraa de tributos no Brasil anterior a colonizao isto direitos de explorao foram tributados sobre o pau-brasil;b) Os principais produtos tributados no perodo colonial foram: o acar, o fumo, os couros, o ouro dentre outros;c) Para manter o Brasil aps a transferncia da Corte portuguesa foram criados vrios tributos;d) Atravs das constituies brasileiros percebemos a implantao de uma carga excessiva de ompostos que tornou o Brasil hoje provavelmente o pas do mundo com a mair carga tributria.RESUMOAMED, Fernando Jos. Histria dos tributos no Brasil. So Paulo: Ed-ies SINAFRESP, 2000.ANTONIL, Andr Joo. Cultura e opulncia no Brasil. So Paulo: Ita-tiaia,1982.AVELLAR, Hlio de Alcntara. Histria administrativa e econmica do Brasil. Rio de Janeiro: FENAME, 1970.COSTA, Lus Csar Amad. Histria do Brasil. So Paulo: Scipione, 1999.REFERNCIA261A Tributao na Histria do Brasil Aula20DEVEZA, Guilherme. Poltica tributria no perodo imperial. In: HOLAN-DA, Srgio Buarque de (Org.). Histria Geral da Civilizao Brasileira, Tomo II, o Brasil Monrquico. v. 4. Declnio e queda do Imprio. So Paulo: DIFEL, 1974.FERREIRA, Benedito. Histria da tributao no Brasil: causas e efeitos. Braslia: Senado Federal, 1986.PEREIRA Ivone Rotta. A tributao na Histria do Brasil. So Paulo: Moderna, 1999.SALGADO, Graa (Coord). Fiscais e meirinhos: a administrao no Brasil Colnia. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985.SIMONSEN, Roberto C. Histria econmica do Brasil (1500-1820). So Paulo: Editora Nacional, 1947.

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