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    A TECNOLOGIA SOCIAL COMO ELEMENTO DE CONTRIBUIO PARA A

    GESTO INTEGRADA DE RECURSOS HDRICOS

    DENISE RAUBER1

    ADRIANA RIPKA2

    CHRISTIAN LUIZ DA SILVA3

    FLVIA DE FARIA GOMES4

    GABRIEL MASSAO FUGGI5

    Resumo: O presente artigo procura demonstrar como a Tecnologia Social pode contribuir para

    a gesto integrada dos recursos hdricos a nvel local e regional. O campo dos Estudos Sociais

    da Cincia e da Tecnologia tem dado apoio para o desenvolvimento do debate sobre as

    tecnologias sociais, as quais permitem a incluso social, a gesto participativa, o melhoramento

    das tcnicas, o respeito ao meio ambiente e a cultura local. Atravs de reviso bibliogrfica,

    meio exploratrio e descrio de tecnologias sociais, incentivadas por polticas pblicas, e tendo

    como exemplo o Decreto n 8.038/13, que institui o Programa Nacional de Apoio Captao

    de gua de Chuva e Outras Tecnologias Sociais de Acesso gua, foi possvel perceber que

    estas tecnologias sociais contribuem para a preservao e conservao dos mananciais e para a

    manuteno da quantidade e qualidade da gua disponvel para a populao, ou seja,

    contribuem para a gesto integrada dos recursos hdricos, observando as relaes dos usos

    mltiplos da gua e salientando que estas tecnologias partem de uma construo social que

    identifica e respeita as necessidades locais e regionais, permitindo a participao de diferentes

    atores da sociedade.

    Palavras-chave: Participao; Sociedade; gua; Polticas Pblicas.

    INTRODUO

    O tema abordado no presente artigo versa sobre Tecnologia Social (TS) e Polticas

    Pblicas (PP), fazendo uso da Poltica Nacional de Recursos Hdricos e do Programa Nacional

    de Apoio Captao de gua de Chuva e Outras Tecnologias Sociais de Acesso gua, e

    apresenta dois Programas como exemplos, o Programa Um Milho de Cisternas (P1MC) e o

    Programa Uma Terra e Duas guas (P1+2) buscando refletir sobre como a tecnologia social

    com suas caractersticas pode contribuir para a gesto dos recursos hdricos.

    A gua atravs do seu ciclo hidrolgico tem grande relevncia para a manuteno do

    equilbrio do ecossistema. Porm o desenvolvimento da sociedade tem exigido a cada dia um

    esforo maior da natureza para sua manuteno. As demandas hdricas da sociedade tm

    1 Universidade Tecnolgica Federal do Paran, PPGTE, Brasil. E-mail: deniserauber@utfpr.edu.br. 2 Universidade Tecnolgica Federal do Paran, PPGTE, Brasil. E-mail: a_ripka@hotmail.com 3 Universidade Tecnolgica Federal do Paran, PPGTE, Brasil. E-mail: christiansilva@utfpr.edu.br 4 Universidade Tecnolgica Federal do Paran, PPGTE, Brasil. E-mail: fladfgomes@gmail.com 5 Universidade Tecnolgica Federal do Paran, PPGTE, Brasil. E-mail: gabrielfugii@hotmail.com

    mailto:deniserauber@utfpr.edu.brmailto:a_ripka@hotmail.commailto:christiansilva@utfpr.edu.brmailto:fladfgomes@gmail.commailto:gabrielfugii@hotmail.com

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    aumentado em funo do aumento populacional e da expanso dos usos mltiplos da gua,

    gerando cenrios complexos e por muitas vezes conflitantes. Ao mesmo tempo espaos mais

    distantes dos centros urbanos e com menos estrutura, sofrem efeitos de escassez ou excesso de

    gua, demonstrando a necessidade de interveno para melhoria da qualidade de vida da

    populao local.

    Neste contexto as Polticas Pblicas devem ser planejadas e implementadas com a

    finalidade de auxiliar no gerenciamento dos recursos existentes, no caso da gua, uma das

    formas de gerenciamento indicado o gerenciamento integrado de recursos hdricos, o qual

    objetiva a construo de uma relao de equilbrio entre a demanda e a oferta do recurso natural,

    tentando amenizar os conflitos de uso. Sua gesto realizada observando o espao da bacia

    hidrogrfica e considerando os aspectos econmicos, sociais, ambientais e culturais. Ao mesmo

    tempo observado que as TS buscam a incluso social, a gesto participativa, o melhoramento

    das tcnicas, o respeito ao meio ambiente e a cultura local, portanto, ao juntar essas abordagens,

    da PP e da TS pode-se perceber um anseio por um caminho comum. No entanto as dificuldades

    encontradas para a efetivao deste modelo de gesto so justamente de carter gerencial,

    devido necessidade de existncia de regras e normas que disciplinem os usos mltiplos da

    gua, mas que representem uma construo social, com participao social e democrtica da

    sociedade nas tomadas de decises.

    Diante deste tema, o objetivo demonstrar como a tecnologia social pode contribuir

    para a gesto integrada dos recursos hdricos a nvel local e regional. Para tanto se realizou uma

    pesquisa bibliogrfica sobre Tecnologia Social, Polticas Pblicas, Gesto dos Recursos

    Hdricos e Projetos de TS que envolvessem gua.

    O artigo est dividido em conceito de tecnologia social e poltica pblica, trazendo ao

    longo do texto os comentrios e os exemplos da poltica nacional de recursos hdricos e dos

    programas P1MC e P1+ 2. A fim de localizar o leitor apresenta-se, de forma breve, os

    Programas escolhidos P1MC e P1+2.

    O P1MC inicia sua articulao em 1999, a partir da necessidade de resposta para o

    problema da seca no Semirido Brasileiro, que ocupa uma rea de 982 mil km, composto de

    uma rica sociobiodiversidade. Sua populao composta por 22 milhes de pessoas distribudas

    em nove estados da federao: Alagoas, Bahia, Cear, Paraba, Pernambuco, Minas Gerais,

    Piau, Rio Grande do Norte e Sergipe. O principal foco do trabalho a rea rural, que carece de

    estrutura bsica, principalmente gua e esgoto.

    Tem apoio governamental atravs do Decreto n 8.038/13, que institui o Programa

    Nacional de Apoio Captao de gua de Chuva e Outras Tecnologias Sociais de Acesso

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    gua. Este decreto regulamenta e estabelece os critrios de participao e de prestao de

    servio para a execuo dos programas.

    A Articulao Semirido Brasileiro (ASA) uma rede formada por organizaes da

    sociedade civil que atuam na criao, na gesto e no desenvolvimento de polticas adequadas

    regio. A ao atual da ASA a execuo dos Programas P1MC e P1+2. Esses programas

    trabalham com tecnologias sociais de captao e armazenamento de gua para consumo

    humano e para a produo de alimentos.

    O Programa Um Milho de Cisternas (P1MC) um projeto nascido das bases,

    construdo a muitas mos e resultado do sonho de muita gente. Criado e executado pela

    sociedade civil, o programa promove a descentralizao das estruturas de abastecimento de

    gua e, consequentemente, a democratizao desse elemento essencial vida. Os objetivos do

    programa so: levar gua de qualidade para 5 milhes de pessoas; demonstrar que o Semirido

    uma regio vivel (ASA, 2016).

    No incio do projeto, no ano 2000 at o ms de fevereiro de 2016, foram construdas

    579.185 cisternas, de placas, de 16 mil litros ao lado das casas rurais. Esse Projeto tem por

    objetivo fornecer a gua potvel, com qualidade e na quantidade que a famlia necessita.

    O Projeto P1+2, formulado a partir de 2007, trabalha com a segurana hdrica e tambm

    segurana alimentar e nutricional, porque a gua da chuva armazenada serve tanto para produzir

    alimentos quanto sementes (agroecologia). At a mesma data foram construdas 87.155

    Tecnologias de uso familiar e 1.316 Tecnologias de uso comunitrio. As tecnologias que

    captam e armazenam gua da chuva, para produo de alimentos, so variadas e levam em

    considerao as caractersticas do local, onde vo ser implementadas, e a sua interao com a

    estratgia utilizada pela famlia para produzir. Essas tecnologias podem ser barragens

    subterrneas, tanques de pedra/caldeires, cisternas calado e cisternas de enxurrada adaptadas

    para a roa (ASA, 2016).

    A gua potvel um direito de todos os cidados e cidads. Ela fundamental para a

    segurana alimentar e nutricional e condio prvia para a realizao de outros direitos

    humanos. Apesar de reconhecerem a gua como um direito, muitos pases, inclusive o Brasil,

    carecem de uma poltica estruturante que garanta populao gua de qualidade.

    TECNOLOGIA SOCIAL

    O termo Tecnologia Social (TS) vem sendo trabalhado no campo dos Estudos Sociais

    da Cincia e da Tecnologia (ESCT) como demonstrado por Renato Dagnino (2010: 58), a

    tecnologia social aquela que capaz de viabilizar economicamente os empreendimentos

    autogestionrios. Adaptada a pequeno tamanho, liberadora do potencial fsico e financeiro e

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    da criatividade do produtor direto, no discriminatria e orientada para mercado interno. No

    apenas um aglomerado de interesses ou cooperativas com autogesto, como complementa Jesus

    e Costa (2013), a busca por solues de problemas atravs do empoderamento das

    representaes coletivas da cidadania, observando tecnologias que sejam mais aderentes s

    necessidades do local, sendo elas de foco produtivo ou no.

    Conforme Dagnino, Brando e Novaes (2010) o conceito de TS parte dos princpios,

    crticas e contribuies da Tecnologia Apropriada (TA), que ficou assim conhecida atravs dos

    escritos do economista alemo Schumacher na dcada de 70. No entanto, sua origem advm

    das ideias sobre desenvolvimento de Gandhi (1924 1927), que insistia na condio de

    proteo dos artesanatos das aldeias como uma forma de melhoramento das tcnicas locais e

    respeito ao meio ambiente e a cultura local. Schumacher introduziu o termo tecnologia

    intermediria para designar uma tecnologia de baixo custo de capital, pequena escala,