A Sociologia Volta a Escola. Um Estudo Dos Manuais de Sociologia

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<ul><li><p>Programa de Ps-Graduao em Sociologia e Antropologia </p><p>Instituto de Filosofia Cincias Humanas </p><p>Universidade Federal do Rio de Janeiro </p><p>A sociologia volta escola: </p><p>Um estudo dos manuais de sociologia para o ensino mdio no Brasil </p><p>Flvio Marcos Silva Sarandy </p><p>2004 </p></li><li><p> 2</p><p>Programa de Ps-Graduao em Sociologia e Antropologia </p><p>Instituto de Filosofia Cincias Humanas </p><p>Universidade Federal do Rio de Janeiro </p><p>A sociologia volta escola: </p><p>Um estudo dos manuais de sociologia para o ensino mdio no Brasil </p><p>Flvio Marcos Silva Sarandy </p><p>Dissertao de Mestrado apresentada ao Programa de Ps-</p><p>Graduao em Sociologia e Antropologia do Instituto de </p><p>Filosofia e Cincias Humanas da Universidade Federal do Rio </p><p>de Janeiro, como parte dos requisitos necessrios obteno do </p><p>ttulo de Mestre em Sociologia (com concentrao em </p><p>Antropologia). </p><p>Orientadora: Prof. Dr. Glucia Kruse Villas Bas </p><p>Rio de Janeiro </p><p>Outubro de 2004. </p></li><li><p> 3</p><p>A sociologia volta escola: </p><p>Um estudo dos manuais de sociologia para o ensino mdio no Brasil </p><p>Flvio Marcos Silva Sarandy </p><p>Orientadora: Prof. Dr. Glucia Kruse Villas Bas </p><p>Dissertao de Mestrado apresentada ao Programa de Ps-Graduao em Sociologia e </p><p>Antropologia do Instituto de Filosofia e Cincias Humanas da Universidade Federal do Rio </p><p>de Janeiro, como parte dos requisitos necessrios obteno do ttulo de Mestre em </p><p>Sociologia (com concentrao em Antropologia). </p><p>Aprovada por: </p><p>_______________________________________ </p><p>Presidente, Prof. Dr. Glucia Kruse Villas Bas (PPGSA/ UFRJ) </p><p>_____________________________________ </p><p>Prof. Dr. Andr Pereira Botelho (Pesquisador / Prodoc / CAPES) </p><p>_______________________________________ </p><p>Profa. Dra. Maria Adlia Miglievich Ribeiro (UENF) </p><p>_______________________________________ </p><p>Profa. Dra. Maria Lgia de Oliveira Barbosa (UFRJ) Suplente </p><p>_______________________________________ </p><p>Prof. Dr. Carlos Antnio C. Ribeiro (UFRJ) Suplente </p><p>Rio de Janeiro </p><p>Outubro de 2004 </p></li><li><p> 4</p><p>FICHA CATALOGRFICA </p><p>Sarandy, Flvio Marcos Silva. </p><p> A sociologia volta escola: um estudo dos manuais de sociologia </p><p>para o ensino mdio no Brasil / Flvio Marcos Silva Sarandy. Rio de </p><p>Janeiro: UFRJ, IFCHS, PPGSA, 2004. </p><p> Xii, 142f.;31 cm. </p><p>Orientadora: Glucia Kruse Villas Bas. </p><p>Dissertao (Mestrado) UFRJ / Instituto de Filosofia e Cincias </p><p>Humanas / Programa de Ps-Graduao em Sociologia e Antropologia </p><p>(PPGSA), 2004. </p><p>Referncias bibliogrficas: f. 133-142. </p><p>1. Ensino de Sociologia 2. Ensino Mdio 3. Livro didtico. </p><p>I. Bas, Glucia Villas Kruse II. UFRJ, IFHCS, Programa de Ps-</p><p>Graduao em Sociologia e Antropologia (PPGSA) III. Ttulo. </p></li><li><p> 5</p><p>Resumo </p><p>A sociologia volta escola: </p><p>Um estudo dos manuais de sociologia para o ensino mdio no Brasil </p><p>Flvio Marcos Silva Sarandy </p><p>Orientadora: Prof. Dr. Glucia Kruse Villas Bas </p><p>Dissertao de Mestrado apresentada ao Programa de Ps-Graduao em Sociologia e </p><p>Antropologia do Instituto de Filosofia e Cincias Humanas da Universidade Federal do Rio de </p><p>Janeiro, como parte dos requisitos necessrios obteno do ttulo de Mestre em Sociologia </p><p>(com concentrao em Antropologia). </p><p>Essa pesquisa buscou delinear o que se tem proposto para o ensino de sociologia no ensino mdio a partir de uma anlise interpretativa de quatro entre os manuais didticos de sociologia para o ensino mdio publicados a partir da dcada de 1980, no Brasil. Descreve e analisa a estrutura, as principais idias e a lgica que ordena e orienta os textos dos manuais investigados e sistematiza a produo acadmica anterior. A dissertao conclui que os manuais da disciplina reproduzem um ensino com forte nfase conceitual e fundamentado no pressuposto da sociologia como propiciadora de uma conscincia crtica interventora sobre a realidade social e relevante para o desenvolvimento da cidadania. Tambm procura sistematizar a produo recente sobre sociologia no ensino mdio a partir da recuperao de quatro dissertaes de mestrado, incluindo outros estudos realizados, e sugere que o campo das cincias sociais, especialmente no ensino mdio, articulado por um sentimento missionrio, um sentido civilizacional, no raro entre as teorias e polticas educacionais brasileiras. Disso decorre uma possvel linha de continuidade entre esses manuais e os primeiros escritos e publicados por intelectuais brasileiros nas primeiras dcadas do sculo XX. Por fim, essa dissertao discute a indiferena com que vm sendo tratadas as questes prprias do ensino das disciplinas do campo das cincias sociais no ensino mdio, que mantm invisvel aos cientistas sociais a possibilidade de os manuais didticos serem considerados produes legtimas e relevantes da inteligncia brasileira ou, ao menos, serem fontes reveladoras do campo cientfico das cincias sociais. Palavras-chave: ensino de Sociologia, manuais didticos, ensino mdio. </p><p>Rio de Janeiro </p><p>Outubro de 2004</p></li><li><p> 6</p><p>Abstract </p><p>A sociologia volta escola: </p><p>Um estudo dos manuais de sociologia para o ensino mdio no Brasil </p><p>Flvio Marcos Silva Sarandy </p><p>Orientadora: Prof. Dr. Glucia Kruse Villas Bas </p><p>Abstract da Dissertao de Mestrado submetida ao Programa de Ps-Graduao em Sociologia </p><p>e Antropologia do Instituto de Filosofia e Cincias Humanas da Universidade Federal do Rio </p><p>de Janeiro UFRJ, como parte dos requisitos necessrios obteno do ttulo de Mestre em </p><p>Sociologia (com concentrao em Antropologia). </p><p>This research sought to delineate what has been proposed for the teaching of Sociology in high-school, based on an interpretative analysis of four didactic handbooks, among the many published in Brazil during the decade of 1980. This document describes and analyzes the structure, the main ideas, and the logic behind the texts of the researched handbooks, besides systematizing previous academic works on the issue. This paper reaches the conclusion that Sociology handbooks used in high-school reproduce a model with emphasis on academicist teaching, also based on the general notion of Sociology as a trigger of critical conscience, which could enable the students to intervene in the social reality around them, and develop relevant values of citizenship. An analysis of previous studies on this matter, including four masters thesis, suggests that social sciences are taught in high-school, often driven by a missionary feeling and a sense of civilizational purpose, as it can be frequently seen in Brazilian educational theories and policies. Maybe hence comes a possible line of continuity connecting those four handbooks to the first works published by early twentieth-century Brazilian scholars. Finally, this paper discusses the frequent apathy of social scientists towards researching efficient ways of teaching sociology, which end up disregarding the possibility of didactic handbooks being seen and considered as relevant works, or, at least, being regarded as tools that successfully communicate the vast range of possibilities of the social sciences applications. </p><p> Keywords: Sociology teatching, didactic handbooks, high-school teatching. </p><p> Rio de Janeiro </p><p>Outubro de 2004 </p></li><li><p> 7</p><p>AGRADECIMENTOS </p><p>Agradecer reconhecer a importncia de algum, invocar lembranas gratificantes, comprometer-se com o outro. inventariar as prprias dificuldades e limitaes. No caso de um agradecimento escrito, como esse, o problema comea quando o outro vem no plural, e so tantos! A despeito do risco de esquecer algum injustamente, diga-se logo expresso aqui minha sincera gratido pelo apoio, motivao, crtica e contribuio intelectual, afetiva, financeira e logstica. A todos os que seguem, minha homenagem e gratido: se essa dissertao vale alguma coisa, ela existe em boa medida por vocs, a quem dedico esse trabalho. </p><p> Ana Cludia e Clara. Quem desconhece o tipo de apoio a que esto obrigados aqueles que, juntos, acordam com a tese? A elas no sei que palavras oferecer: Anita me despertou a paixo que dirigiu este trabalho foi com ela que comecei a aventura e o desafio de pensar a educao e Clara foi pura curiosidade, a me recordar as minhas. Clia Azevedo, Marcelo, Andria e Alberto Tosi foram fundamentais! impossvel aquilatar o que me ofereceram. D. Clia, minha referncia bsica, sempre esteve disponvel para tudo a qualquer hora, e saber disso manteve minha coragem; Marcelo e Andria, hoje doutores, alm de me acomodarem no RJ, compartilharam o processo com muita compreenso passaram por ele! Com o Tosi, um cientista poltico exemplar, tenho uma dvida intelectual e emocional enorme; impossvel retribuir: fico lhe devendo. Wiliam, Sara, Tiago, Noemy, Maria ngela, Ana Laura, Lupa (leitor de primeira hora), Andr, Juliana, Ana Elisa, Toni, o pequeno Igor, Amlia e a linda Bebel tambm constituem parte de meu ncleo rgido. no crculo daqueles que mais amamos que nasce a coragem e a motivao: obrigado! </p><p>Dra. Glucia Kruse Villas Bas merece um destaque especial: como se sabe, um privilgio sem conta ser orientado por uma intelectual de seu porte, ainda mais raro quando competncia de ofcio se alia sensibilidade e acolhimento. Sua confiana e reconhecimento balizaram todo o meu percurso, pelo que sou imensamente grato. </p><p>Ana Paula Leite, Nodo, Rodrigo Rosistolato e Andr Felipe foram grandes amigos no RJ cuja falta teria tornado mais sofrido todo o caminhar. Com eles pude perceber-me parte. Ana Paula Leite, minha interlocutora generosa e atenta, tambm devo muitas idias, insights e textos fundamentais. Maria Helena Pignaton, por que abriu a porta para o caminho que venho percorrendo. Dr. Jos Renato e Dra. Margareth Zanothelli, bem como os professores Lindolivo Moura, Maria ngela Soares e outros colegas do dia-a-dia facilitaram minha vida sempre que puderam. Como no lembrar de colegas como Regina, Costalonga, Costalonga Jnior, Renzo, Aline, Alosio Khroling, Alochio, ngelo DAmbrsio e Mnica, sempre interessados em meu percurso, sempre amigos e solidrios. Lourdes tambm foi muito importante neste ltimo ano. </p></li><li><p> 8</p><p>A Rogrio Abaurre e Frank Azevedo Comarela, pelo apoio e contribuio dados. Sandra Vicentin, Antnia Colbari, Cntia vila, Jaime Doxey, Beatriz, Celeste </p><p>Ciccarone, Mrio Hlio, Neide, Luis Pioto, Mauro Petersen, Francisco Albernaz, e Marta Zorzal que foram grandes professores, amigos e incentivadores. Sandra merece algumas palavras a mais, mas que palavras podem ser ditas a quem compartilhou as primeiras descobertas com tanto carinho? Dra. Antnia Colbari, a querida Toninha, um exemplo profissional que est sempre presente em minha mente, como interlocutora ideal. Do mesmo modo posso falar da Dra. Marta Zorzal, cujo profissionalismo e dedicao pesquisa e docncia marcaram um modelo em minha aprendizagem. Profa. Neide, genuinamente interessada e disponvel para os que se iniciam no ritual por vezes alegre, por vezes rduo da academia, sempre soube perceber os ciclos emocionais de seus alunos, e sempre esteve l para apoiar. A Beatriz, Celeste e Cntia, professoras e antroplogas que sabem despertar a paixo pelo conhecer em seus alunos, e ao amigo Dr. Mrio Hlio, sempre interessado pelo andamento de minha dissertao de mestrado; minha gratido tambm ao Dr. Mauro Petersen, sempre aberto e disposto para o debate, tanto quanto ao Dr. Jaime Doxey, uma pessoa atenta para o ouvir. Cada professor ou professora tem sua razo de constar neste agradecimento: devo mais a eles do que posso descrever. </p><p> Mrcia Fracalossi e Jos Bonifcio, amigos do peito. Ao Edson Maciel, por compartilhar os mesmos interesses. Aos queridos colegas do Centro Educacional Leonardo Da Vinci especialmente Joo Duarte, Carla Jardim, Roberto Martins e Paulo de Tarso, professores que se deve ter por bons exemplos. No entanto, a meno a eles em particular no pretende ocultar o brilho de cada colega da escola onde iniciei meu aprendizado, mas somente fazer meno aos que mais estiveram prximo durante meu percurso por essa instituio. </p><p>Ao Z Carlos, que alm de amigo querido, parceiro nas fabulaes, utopias e reflexes ele me fez acreditar nas minhas prprias indagaes: o que mais se deve esperar de um amigo? Ao Paulo Ghiraldelli Jr. que, em conjunto com o Tosi, foi o primeiro a reconhecer algum valor no que vinha fazendo, o que me motivou a prosseguir. Z e Paulo, dois grandes amigos, duas belas surpresas na minha vida. Ao Vidal, hoje professor da Ufes, antigo mestre e amigo eterno, pela aula sobre ser professor, quando tive o privilgio de ser seu aluno de filosofia no ensino mdio. Seu interesse pelo meu caminho motivo de orgulho e gratido. </p><p>A Peter Fry e Marcus Vincius da Cunha, dois seres humanos inteligentes e generosos, que me acolheram e deram grandes contribuies, como Andr Botelho, que alm de tudo me ajudou a costurar o pensamento de modo coerente, desvelando facetas antes no percebidas. Andr foi um encontro feliz, desses que abrem avenidas a percorrer elas estavam ali!, mas antes no as percebamos. Dra. Adlia Miglievich Ribeiro, pelo apoio e estmulo, sempre. Ao Dr. Antnio Oza, professor de cincia poltica, sempre bastante acessvel e amigo, que me </p></li><li><p> 9</p><p>apoiou com a possibilidade de publicao dos primeiros textos na Revista Eletrnica Espao Acadmico (www.espacoacademico.com.br), o que muito me motivou. </p><p>Aos professores e s secretrias do Programa de Ps-Graduao em Antropologia e Sociologia do IFCS/ UFRJ, especialmente Cludia e Denise, de quem recebi muito apoio. </p><p>Meu agradecimento tambm a todos os colegas que participaram do projeto do Laboratrio de Ensino de Cincias Sociais (NEPCS/ UFES), da Associao dos Cientistas Sociais do Esprito Santo e do Centro Acadmico Livre Gilberto Freyre (UFES), pois cada um deles, em graus diferentes, tem sua importncia no debate travado nesta pesquisa; especialmente: Amrico Griffo, Ana Lcia, Ana Paula, Andressa Petersen, Celina, Cludio Mrcio, Everaldo, Ftima, Gabriel, Gilson Leite, Hlio, James Arajo, Jaqueline Sanz, Jos Carlinhos, Laudicia, Leandro, Leonardo Bis, Luana Meriguete, Marcelino Marques, Nelice, Norlen Apelfeler, Odimar Pricles, Otaciano, Paulo Rogrio, Ren, Robson Rangel, Rosilene, Sanderson Bragana, Sandro Jiuliati, Sandro Silva, Stelzimar, Thiago Carminati e Vanessa Alves. </p><p>Tambm sou devedor dos amigos da UFMG, que organizaram e participaram do II Seminrio sobre Licenciatura em Cincias Sociais, especialmente a Profa. Tnia Quintaneiro, o Prof. Juarez (da Faculdade de Educao), o Prof. Hlvio, a Profa. Elisabeth (da Universidade Federal de Uberlndia) e os colegas Fabrcio (um novo velho amigo!), Juliana, Rodrigo, Dani, Carol, Elias, Andr e Tiago (alm de muitos outros). Tambm sou grato aos colegas da APSERJ, UFF e UENF pela participao no V ENCCS, em Niteri, especialmente nas pessoas dos professores Santo Conterato e Adlia Miglievich. Tambm foram muito importantes as discusses que travei com o prof. Dr. Marco Antnio Mattedi, da Universidade Regional de Blumenau, a quem agradeo muito. Tambm agradeo aos professores Nicolas Alexandria, Andr (Colgio Pedro II), Luiz Fernandes de Oliveira, Ricardo Cesar Rocha da Costa e Christina de Rezende Rubim, pelos dilogos, apoio e crticas. </p><p>A todos os que foram meus alunos no ensino mdio, com os quais fui aprendendo a ser professor, especialmente Carla Soares, Saulo, Julio Faro, Marcela Bussinguer e Vincius. A acolhida que r...</p></li></ul>