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  • 1

    A SEXUALIDADE DOS

    DEFICIENTES FSICOS E

    MENTAIS NA VISO ESPRITA

    P. Janet

    Luiz Guilherme Marques

    (mdium)

  • 2

    Sexo e amor so duas foras quase antagnicas o amor, em

    sua essncia, nada tem a ver com o sexo: a manifestao sexual

    nos exterioriza um sentimento de posse, ao passo que o amor

    doao o sexo se traduz por conquista, o amor renncia...

    Tanto quanto as demais possibilidades do esprito, o sexo est

    sujeito a consequente sublimao. Quando se fala em sexo, no

    conseguimos admiti-lo, em seu exerccio, a no ser como ele

    ainda praticado pelos seres humanos, ou seja, muito prximo

    da forma com que os prprios animais o executam, em

    obedincia ao instinto de reproduo... No ser humano,

    acrescenta-se o ingrediente do prazer todavia que o prazer,

    seno uma sensao e no um sentimento? Sexo sensao,

    amor sentimento... Os dois coexistem e coexistiro, at que,

    um dia, o amor se despoje completamente na verdade, tudo que

    se refere a sexo passa um prazer que carece de ser renovado

    com frequncia, porquanto no basta a si mesmo... S o amor

    capaz de gerar para si a prpria alegria! Somente o amor se

    basta!...

    (Incio Ferreira)

    Quase 90% das doenas mentais tm como causa desajustes da

    rea sexual.

    (Incio Ferreira)

    O desconcertante culto ao corpo e ao endeusamento pessoal

    tem arrastado multides inexperientes aos transtornos

    psicolgicos de natureza grave, bem como a enfermidades

    perversas resultantes do mau uso da organizao somtica.

    (Joanna de ngelis)

    Tudo sexo.

    (Divaldo Pereira Franco)

  • 3

    200. Tm sexos os Espritos?

    "No como o entendeis, pois que os sexos dependem da

    organizao. H entre eles amor e simpatia, mas baseados na

    concordncia dos sentimentos.".

    (O Livro dos Espritos, de Allan Kardec)

    Scrates, mestre desses sbios e nosso, no diz o mesmo.

    Aceita, como deve, o prazer fsico; mas prefere o do esprito, que

    julga mais rico, forte, variado e digno. Este ltimo porm no

    deve isolar-se Scrates no um sonhador mas to somente

    controlar o outro; deve atentar para a moderao e no

    apresentar-se como adversrio. A natureza um guia amvel,

    mas no qual a prudncia e a justia superam a doura:

    preciso penetrar a natureza das coisas e ver exatamente o que

    ela exige.

    (Montaigne)

  • 4

    NDICE

    Introduo

    1 Sexualidade

    1.1 Os Espritos so bissexuados 1.1.1 Encarnaes como homem 1.1.2 Encarnaes como mulher 1.2 Anlise das citaes iniciais 1.2.1 Incio Ferreira 1 1.2.2 Incio Ferreira 2 1.2.3 Joanna de ngelis 1.2.4 Divaldo Pereira Franco 1.2.5 O Livro dos Espritos 1.2.6 - Montaigne

    2 Deficientes fsicos 2.1 Sexualidade sadia 2.2 Tratamento 2.3 Vivncia da sexualidade possvel 3 Deficientes mentais 3.1 Sexualidade sadia 3.2 Tratamento 3.3 Vivncia da sexualidade possvel

    4 Um caso real de deficincia fsica Notas

  • 5

    INTRODUO

    O nmero de deficientes fsicos [1] e mentais [2] muito

    grande, em qualquer pas do mundo e, na verdade, existem

    onde quer que se encontrem seres humanos, pois vivemos em

    uma penitenciria-escola, que o nosso planeta, em que, como

    se sabe, o nico Esprito que descreveu Sua trajetria

    evolutiva retilnea foi Jesus.

    Estaremos passando a mundo de regenerao medida

    que nos libertarmos dos nossos condicionamentos

    primitivistas das vivncias anteriores, sem necessidade de,

    aqui, adentrarmos as origens, mas considerando apenas o que

    temos consolidado desde que ingressamos na fase humana, na

    conquista progressiva de um pensar, sentir e agir como

    Espritos programados por Deus para a vivncia do Amor

    Universal.

    Somente o Amor Universal, no curso incessante dos

    sculos e milnios, vai transformando seres brutos em

    Espritos de Luz e ignorantes em sbios, pois at a

    inteligncia, para ultrapassar certos limites, depende da

    introjeo do Amor Universal, pois Deus, como Pai Amoroso

    e Sbio, no d prolas aos porcos, aqui simbolizando ns

    prprios e no nossos irmos sunos, para quem as prolas

    espirituais no tm nenhuma utilidade quando ainda no

    atingimos o nvel evolutivo para sabermos valoriz-las e ainda

    necessitamos do alimento bruto, que nosso metabolismo

    psquico assimila para vivermos dentro das nossas precrias

    condies evolutivas.

    No sabemos de nenhum estudo no meio esprita sobre a

    sexualidade dos deficientes fsicos e mentais, mas este modesto

    trabalho apenas um mero ensaio, a fim de incentivar os

    homens e mulheres interessados no assunto, mesmo sem

    serem especialistas, a pesquisarem e desenvolverem trabalhos

    tericos e prticos que venham a beneficiar os doentes, nossos

    irmos e irms, que sofrem as agruras decorrentes das

    prprias experincias traumticas do passado, necessitando,

    presentemente, da compreenso e do Amor dos que se

  • 6

    responsabilizam pelo seu cuidado, seja como parentes e

    amigos ou profissionais da rea da Sade.

    necessrio, para tanto, que combinemos duas

    tendncias opostas: 1) a ideia do Carma, dos orientais, que

    entendem, basicamente, que os sofrimentos no devem ser

    alterados na vida dos sofredores, e 2) a noo declarada ou

    inconscientemente materialista dos ocidentais, que, pobres na

    f em Deus, fazem tudo para mudar o rumo da vida das

    pessoas, pretendendo cur-las a qualquer preo.

    So dois extremos nocivos, pois o prprio Divino

    Governador da Terra Jesus afirmou que a sorte de cada

    um pode ser mudada a cada momento, tendo dito: Vinde a

    Mim vs que estais sobrecarregados, que Eu vos aliviarei.

    Ideia mais clara que essa no possvel: no se deve ignorar a

    Lei de Causa e Efeito, que traz os resultados suaves ou duros

    decorrentes das nossas prprias opes, quanto tambm faz

    com que, a cada minuto, modifiquemos os retornos da Grande

    Lei, pois, fazendo o Bem ou o Mal, suavizamos nossos

    sofrimentos ou os agravamos. Sem entender essa realidade

    no h como bem orientarmos nossa prpria vida, se somos

    um desses deficientes, nem orientarmos os deficientes pelos

    quais somos responsveis. Nem a procura de curas milagrosas

    nem a conformao passiva com os sofrimentos, que podem

    ser aliviados, ou, conforme seja da Vontade de Deus, at

    curados. Pois Jesus no curou alguns doentes? No

    curou todos, mas apenas alguns. Tudo isso para ser

    pensado madura e serenamente.

    A Doutrina Esprita, como Cincia, Filosofia e Religio,

    deve estudar a sexualidade dos deficientes fsicos e dos

    deficientes mentais, sem embargo das concluses dos

    cientistas materialistas, assim contribuindo para o tratamento

    desses nossos irmos e irms, com resultados benficos,

    independente at do apoio dos profissionais da rea da Sade,

    cuja tendncia, na maioria dos casos, um certo temor em

    enfrentar a incompreenso dos seus colegas de profisso,

    como se sabe e no necessrio citarmos exemplos nesse

  • 7

    sentido, como aconteceu, inclusive, com membros da nossa

    prpria equipe espiritual, os quais, quando encarnados,

    deixaram de afirmar algumas verdades que conseguiram

    apreender, para evitarem retaliaes e perda de prestgio no

    meio acadmico e junto aos prprios pacientes.

    Esses cientistas, como dito, quando encarnados, se

    intimidaram em afirmar verdades a que tiveram acesso e,

    atualmente, procuram redimir-se, inclusive adotando o

    anonimato, porque no se julgam dignos de utilizarem o

    prprio nome de batismo nos seus trabalhos ditados aos

    encarnados.

    Ficamos, assim, na conjuntura de escolher entre dois

    extremos: 1) os deficientes fsicos e os deficientes mentais

    devem ser condenados ao no exerccio da sexualidade plena,

    inclusive no podendo vivenciar a paternidade ou a

    maternidade, pois sua descendncia seria degenerada, ou,

    ento, 2) apesar desse risco, eles devem ter garantido esse

    direito plenamente?

    No primeiro caso, algum pode utilizar como argumento

    o fato de tratarem-se de Espritos devedores, comprometidos

    seriamente com a Justia Divina, ou seja, a prpria

    conscincia, sendo necessrio suportarem todos os sacrifcios

    para se sublimarem, enquanto que a sexualidade plena os

    faria afundar mais ainda no abismo dos condicionamentos

    prejudiciais.

    No segundo caso, pensar-se-ia que a evoluo espiritual

    naturalmente gradativa, lenta, que no se faz de um momento

    para outro e que o exerccio da sexualidade inclusive seria

    uma forma de asserenar a inquietao desses Espritos,

    proporcionando-lhes condies para as reflexes sobre as

    prprias necessidades e projetos evolutivos.

    Em suma, temos de analisar calma e embasadamente

    qual das duas posies convm mais para a vida atual desses

    Espritos encarnados, portanto, dotados de um organismo

    fsico, que tem suas necessidades, e bem assim para o seu

    futuro espiritual. Pretendemos ser teis e no confundir a

  • 8

    trajetria evolutiva dos nossos irmos e irms em

    humanidade.

    Indagamos: qual posicionamento se deve adotar:

    conteno ou liberdade? Algum j disse: Para se saber qual

    a verdadeira ndole de uma pessoa d-se-lhe poder. No caso

    presente, substituamos a expresso poder por liberdade.

    Muita gente no erra e aparenta ser moralment

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