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A SEXTAEXTINO

ELIZABETH KOLBERT

UMA HISTRIANO NATURALA SEXTA EXTINO

ELIZABETH KOLBERT

AO LONGO DOS LTIMOS quinhentos milhes de anos, o mundo foi assolado por cinco grandes extines em massa, nas quais a

biodiversidade diminuiu de maneira drstica e violenta. Atualmente, a sexta extino vem sen-do monitorada por cientistas, que a consideram a mais potencialmente devastadora desde a que ps fim aos dinossauros.

E, desta vez, ns somos a catstrofe.Com um texto franco, envolvente e bem fun-

damentado, fruto de uma pesquisa minuciosa, Elizabeth Kolbert explica como e por que o ser humano alterou a vida no planeta como abso-lutamente nenhuma espcie o fizera at ento. Para isso, a autora lana mo de trabalhos de dezenas de cientistas nas searas mais diversas, acompanhando muitos deles em seus campos de atuao: gelogos que estudam oceanos antigos, botnicos que escalam os Andes para analisar a vegetao, bilogos marinhos que mergulham fundo para estudar a Grande Barreira de Corais.

Neste livro, Kolbert apresenta ao leitor doze espcies algumas desaparecidas, outras em vias de extino , entre as quais a r-dourada--do-panam, o arau-gigante e o rinoceronte--de-sumatra. Por meio da histria de cada uma, A sexta extino revela que uma quantidade as-sustadora de animais est desaparecendo bemdiante de nossos olhos. Ao mesmo tempo, traaum panorama de como a extino tem sido en-tendida pelo homem nos ltimos sculos, desdeos primeiros artigos sobre o tema, do naturalistafrancs Georges Cuvier, passando por CharlesLyell e Charles Darwin, e at os dias de hoje.

Kolbert mostra que a sexta extino corre o risco de ser o legado final da humanidade e nos convida a repensar uma questo fundamental: o que significa ser humano?

ELIZABETH KOLBERT colaboradora da revista The New Yorker desde 1999. Com passagens anteriores pelo The New York Times e pela Times Magazine, foi premia-da duas vezes com o National Magazine Award, uma delas pela aclamada srie de reportagens The Climate of Man. A sexta extino, vence-dor do Pulitzer de No Fico em 2015, o seu terceiro livro publicado.

B

arry

Gol

dste

in Poderoso. Uma contribuio inestimvel ao nosso conhecimento.

Al Gore

Cientistas mostram que houve cinco grandes extines ao longo da histria da Terra (pense nos asteroides que

dizimaram os dinossauros), e Elizabeth Kolbert mostra, de maneira bastante convincente, que a atividade humana est

levando o planeta para a sexta.Bill Gates

O novo e surpreendente livro de Kolbert um modelo de jornalismo ao abordar teorias e hipteses muito complexas de

maneira acessvel at para os leitores mais leigos. The New York Times

www.intrinseca.com.br

A SEXTAEXTINO

UMA

HISTRIA

NO NATURAL

ELIZABETH KOLBERTTraduo de Mauro Pinheiro

Copyright 2014 by Elizabeth Kolbert

ttulo originalThe Sixth Extinction: An Unnatural History

preparaoIsabela Fraga

revisoEduardo CarneiroRayssa Galvo

reviso tcnicaNlber Silva

diagramao e adaptao de capaJulio Moreira

arte de capaRick Pracher

imagem de capaNational Museum of Natural History, cortesia da Smithsonian Institution

cip-brasil. catalogao na fonte sindicato nacional dos editores de livros, rj

K85s Kolbert, Elizabeth A sexta extino : uma histria no natural / Elizabeth Kolbert ; traduo Mauro Pi-nheiro. - 1. ed. - Rio de Janeiro : Intrnseca, 2015. 336 p. : il. ; 23 cm. Traduo de: The sixth extinction: an unnatural history Incluibibliografiaendice ISBN 978-85-8057-804-1 1. Espcies em extino. 2. Ecologia. 3. Poluio. I. Ttulo.

15-24595 CDD: 577 CDU: 502.1

[2015]

Todos os direitos desta edio reservados

Editora Intrnseca Ltda.Rua Marqus de So Vicente, 99, 3o andar22451-041 GveaRio de Janeiro RJTel./Fax: (21) 3206-7400www.intrinseca.com.br

Se houver qualquer risco para a trajetria humana, ele no resi-de tanto na sobrevivncia de nossa prpria espcie, mas na con-cretizao da suprema ironia da evoluo orgnica: no instante em que alcanou o conhecimento de si prpria por meio da men-te humana, a vida condenou suas mais maravilhosas criaes.

E.O.Wilson

Sculos e sculos, e s agora as coisas acontecem.

JorgeLuisBorges

SUMRIO

Prlogo 9I: A sexta extino 13

II:Osmolaresdomastodonte32III:Opinguimoriginal56

IV: A sorte das amonites 79V: Bem-vindo ao Antropoceno 101VI:Omaraonossoredor120

VII: Viajando no cido 134VIII:Aflorestaeasrvores157IX:Ilhasemterrafirme183

X: A nova Pangeia 203XI:Orinocerontefazumaultrassonografia227

XII:Ogenedaloucura246XIII: A coisa com penas 269

Agradecimentos 283Notas 287

Bibliografiaselecionada305Crditos de fotos e ilustraes 317

ndice 319

PRLOGO

D izem que os primrdios tendem a ser obscuros. o mesmo ocorre com esta histria, que comea com o surgimento de uma nova espcie h mais ou menos duzentos mil anos. A espcie ainda no tem nome nadatemnome,mastemacapacidadedenomearascoisas.

Como acontece com qualquer espcie jovem, a situao dessa precria. Tem poucos membros, que se restringem a uma fatia da fricaOriental.Apopulaocrescelentamente,masbemprov-velquelogodiminuaoutravezalgunsafirmamquedemaneiraquasefatal,reduzidaaapenasalgunsmilharesdecasais.

Osmembros da espcie no so particularmente geis, fortesnem frteis. Demonstram, contudo, uma engenhosidade singular. Aos poucos, avanam para regies com climas, predadores e pre-sas diferentes. Nenhum dos obstculos mais comuns em relao a hbitatougeografiaparecedet-los.Elesatravessamrios,planciese cadeias de montanhas. Nas regies costeiras, coletam moluscos; longe do mar, caam mamferos. Em todos os lugares onde se esta-belecem, se adaptam e inovam. Ao chegarem Europa, encontram

1 0 A S E X TA E X T I N O

criaturas muito parecidas com eles mesmos, porm mais robustas e possivelmente mais fortes, que vivem h muito mais tempo no continente.Elessemiscigenamcomessascriaturasat,nofimdascontas, dizim-las.

Oencerramentodessecasoserexemplar.medidaqueaes-pcie amplia sua rea de atuao, seus caminhos se cruzam com os de animais duas, dez e at vinte vezes maiores: gatos enormes, ursos imensos, tartarugas grandes como elefantes, bichos-preguia de cinco metros. Essas espcies so mais poderosas e, com frequn-cia, mais violentas, mas demoram para procriar e acabam sendo extintas.

Emborasejaterrestre,nossaespciesempreinventivaatra-vessa o mar. Chega a ilhas habitadas por criaturas remotas da evo-luo: pssaros que pem ovos de trinta centmetros, hipoptamos do tamanho de um porco, lagartos gigantes. Habituados ao isola-mento, esses animais no esto preparados para lidar com os recm--chegados nem com seus companheiros de viagem (principalmente os ratos). Muitos tambm sucumbem.

Aos trancos e barrancos, o processo continua durante mil anos, at a espcie, j no to nova, se espalhar por quase todos os cantos do planeta. A essa altura, vrias coisas acontecem mais ou menos ao mesmo tempo para permitir que o Homo sapiens como essa criatu-ra acabou por chamar a si mesma se reproduza numa escala sem precedentes. Num nico sculo, a populao duplica; depois, dupli-caoutravez,edenovo.Vastasflorestassodestrudas.Ossereshu-manos fazem isso deliberadamente, com o propsito de se alimentar. De forma menos deliberada, deslocam organismos de um continente para outro, reorganizando a biosfera.

Enquanto isso, uma transformao mais forte e radical est pres-tes a acontecer. Aps descobrirem reservas de energia subterrneas, os seres humanos comeam a alterar a composio da atmosfera. Isso,porsuavez,modificaoclimaeaqumicadosoceanos.Algu-mas plantas e animais se adaptam e se deslocam para outro lugar, subindo montanhas e migrando na direo dos polos. Contudo, umaimensaquantidadedeespciesaprincpiocentenas,depois

P R L O G O 1 1

milharese,porfim,talvezmilhessevilhada.Osnveisdeex-tino disparam, e a trama da vida se transforma.

Nenhuma criatura alterou a vida no planeta dessa forma, mas, ainda assim, j ocorreram eventos comparveis. Muito, mas muito de vez em quando, no passado remoto, o planeta sofreu mudan-as to violentas que a diversidade da vida despencou de repen-te.Cincodesses antigos eventos tiveramum impacto catastrficoo suficienteparamerecerumanica categoria: asCincoGrandesExtines. No que parece ser uma coincidncia fantstica, mas que provavelmente no coincidncia alguma, a histria desses eventos recuperada bem na hora em que as pessoas comeam a perceber que esto provocando mais um. Embora ainda seja demasiado cedo para saber se atingir as propores dos anteriores, esse novo even-toficaconhecidocomoaSextaExtino.

A histria da Sexta Extino, pelo menos da maneira como escolhi narrar, tem treze captulos. Cada um rastreia uma espcie que de algummodoemblemticaomastodonte-americano,oarau-gigan-teouumaamoniteextintanofimdoperodocretceojuntocomosdinossauros. As criaturas retratadas nos primeiros captulos j desa-pareceram, e essa parte do livro se concentra mais nas grandes extin-es do passado e na histria sinuosa de suas descobertas, a comear pelo trabalho do naturalista francs Georges Cuvier. A segunda par-tedolivrosepassaprincipalmentenopresentenacadavezmaisfragmentadaflorestatropicalamaznica;numamontanhadosAndesque sofre com o aquecimento acelerado; nas extremidades da Grande BarreiradeCorais.Resolviviajarparaesseslugaresespecficospelasrazes jornalsticas habituais: porque havia uma estao de pesquisa no local ou porque eu tinha sido convidado para acompanhar uma expedio. As mudanas que ocorrem hoje em dia so to grandes que eu encontraria indcios delas se fosse para quase qualquer lugar, desde que recebesse orientao adequada. U

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