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  • Gabinete de Juzes Assessores do Supremo Tribunal de Justia

    Assessoria Cvel

    A responsabilidade civil extracontratual do

    Estado na jurisprudncia das

    Seces Cveis do Supremo Tribunal de Justia

    (Sumrios de Acrdos

    de 1996 a Outubro de 2014)

  • Gabinete de Juzes Assessores do Supremo Tribunal de Justia

    Assessoria Cvel

    3 A responsabilidade civil extracontratual do Estado

    na jurisprudncia das Seces Cveis do Supremo Tribunal de Justia

    NOTA INTRODUTRIA

    A responsabilidade civil extracontratual do Estado e demais entidades pblicas por actos

    ilcitos est consagrada no artigo 22. da Constituio da Repblica Portuguesa.

    No plano ordinrio, o princpio da responsabilidade patrimonial directa do Estado encontra-se

    actualmente desenvolvido na Lei n. 67/2007, de 31-12, que aprovou o Regime da

    Responsabilidade Civil Extracontratual do Estado e Demais Entidades Pblicas.

    A responsabilidade civil do Estado pelos prejuzos causados ao cidado no exerccio da sua

    funo poltico-legislativa, jurisdicional e administrativa tem sido objecto de tratamento

    abundante pela jurisprudncia do Supremo Tribunal de Justia e justifica, por si s, a

    elaborao do presente caderno temtico, o qual condensa os sumrios dos acrdos tirados a

    respeito de tal questo pelas Seces Cveis do Supremo Tribunal de Justia, no perodo

    compreendido entre Janeiro de 1996 e Julho de 2010.

    Para facilitar a sua consulta, optou-se por compartimentar os sumrios seleccionados em trs

    grandes categorias, a saber:

    responsabilidade civil por danos decorrentes do exerccio da funo poltico-

    legislativa;

    responsabilidade civil por danos decorrentes do exerccio da funo jurisdicional;

    responsabilidade civil por danos decorrentes do exerccio da funo administrativa.

    Finalmente, de salientar que, no obstante todo o cuidado colocado na elaborao dos

    sumrios que se seguem, a utilizao destes no dispensa a consulta do texto integral da

    deciso a que os mesmos dizem respeito.

    Novembro de 2014

    Gabinete de Juzes Assessores do Supremo Tribunal de Justia

    Assessoria Cvel

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    5 A responsabilidade civil extracontratual do Estado

    na jurisprudncia das Seces Cveis do Supremo Tribunal de Justia

    Responsabilidade civil por danos decorrentes

    do exerccio da funo poltico-legislativa

  • Gabinete de Juzes Assessores do Supremo Tribunal de Justia

    Assessoria Cvel

    7 A responsabilidade civil extracontratual do Estado

    na jurisprudncia das Seces Cveis do Supremo Tribunal de Justia

    Responsabilidade civil do Estado - Omisses legislativas - Direito legislao

    O reconhecimento de um direito legislao representaria uma violao do princpio da diviso de

    poderes "e uma completa subverso da relao de fora entre legislativo e judicial". Tal pretenso no

    poderia ser feita valer atravs dos tribunais.

    30-10-1996 - Processo n. 476/96 - 2. Seco - Relator: Cons. Nascimento Costa

    Responsabilidade civil do Estado - Funo legislativa - Tribunal competente - Tribunal comum

    A competncia em razo da matria para conhecer de pedido de indemnizao dirigido contra o

    Estado por um particular destinado a estabelecer a responsabilidade do Estado pelos danos decorrentes

    do exerccio da funo legislativa (no caso de prolao da Lei n. 80/77, de 26-10, e DL n. 332/91, de

    06-09, que fixaram critrios para determinao de indemnizao devida a antigos titulares de bens

    nacionalizados) cabe aos tribunais comuns e no aos administrativos (art. 4, n. 1, b), do ETAF e 66

    do CPC).

    30-10-1996 - Processo n. 470/96 - 2. Seco - Relator: Cons. Sousa Ins *

    Responsabilidade civil do Estado - Funo legislativa - Facto ilcito - Facto lcito - Viabilidade do

    pedido - Nulidade do acrdo recorrido

    I - De acordo com o princpio consagrado no n. 2 do art. 660, do CPC, aplicvel apelao por fora

    do disposto no n. 2 do art. 713, do mesmo Cdigo, se se anula um julgamento, no faz sentido

    conhecer de questes que, por serem elementos ou pressupostos da deciso final, so tambm

    abrangidas pela anulao e que, por isso, numa nova deciso consequente repetio do julgamento,

    podem ser decididas de diferente forma.

    II - Pedindo o autor uma indemnizao ao Estado com fundamento de, em virtude de legislao por

    este produzida, no ter podido aumentar as rendas por que traz arrendados os seus prdios, trata-se de

    uma questo de qualificao jurdica, saber se essa actividade do Estado - funo legislativa - lcita

    ou ilcita.

    III - A circunstncia de, na petio, o autor ter qualificado a concreta actividade legislativa do Estado

    como um acto ilcito e imoral, no significa que o tribunal no possa qualific-la de maneira diversa,

    nem esta diversa qualificao pode impedir que se no reconhea eventualmente que o Estado

    civilmente responsvel pelos danos da sua funo legislativa.

    IV - Se se parte, fundada e conscientemente, da irresponsabilidade do Estado pelos danos resultantes

    do exerccio da sua funo legislativa, independentemente de se poder eventualmente qualificar essa

    actividade, em certos casos concretos, como ilcita (v.g. lei ferida de inconstitucionalidade material) a

    questo no s pode ser decidida no despacho saneador, como o deve ser.

    V - Mas se, na deciso, se partiu do princpio de que s existe responsabilidade do Estado pela prtica

    de actos ilcitos, e no se analisou a hiptese da responsabilidade por factos lcitos, em termos gerais

    no existe propriamente nulidade por omisso de questo de que se devia conhecer, mas eventual erro

    de julgamento.

    14-11-96 - Processo n. 156/96 - 2. Seco - Relator: Cons. Figueiredo de Sousa

    Responsabilidade civil do Estado - Funo legislativa - Processo administrativo - Nacionalizao

    - Indemnizao - Prescrio

    I - Tal como as coisas esto legisladas desde os tempos da Lei n. 80/77, o procedimento

    administrativo, gracioso e contencioso, posto pelo legislador ao servio da concretizao do direito de

    indemnizao dos atingidos pelas nacionalizaes, no comporta uma perspectiva indemnizatria

    fundada na produo antijurdica de danos.

    II - To-pouco contempla tal procedimento uma perspectiva que atribua quele direito (de

    indemnizao por efeito de nacionalizao) um contedo igual ao da indemnizao por acto ilcito ou

    pelo risco (isto , que satisfizesse o objectivo de reparao integral do dano).

    III - A limitao da indemnizao, nas hipteses de responsabilidade por facto lcito, constitui, alis,

    uma aceitvel consequncia da legalidade do acto gerador de responsabilidade, justificando, em tais

    circunstncias, o relativo sacrifcio do lesado.

  • Gabinete de Juzes Assessores do Supremo Tribunal de Justia

    Assessoria Cvel

    8 Responsabilidade civil por danos decorrentes do exerccio da funo poltico-legislativa

    IV - S, pois, em aco de responsabilidade contra o Estado, intentada no foro comum, como a

    presente, ou no foro administrativo, conforme os pressupostos, que teria cabimento a discusso sobre

    os danos no patrimoniais, assim como a dos danos decorrentes da perda do valor de investimento, e

    da forada alienao da herdade, aps ter sido devolvida.

    V - No domnio da funo administrativa, a responsabilidade civil extracontratual do Estado e demais

    pessoas colectivas pblicas, por actos de gesto pblica, prescreve no prazo previsto no n. 1 do art.

    498 do CC.

    VI - A responsabilidade que ao Estado possa ser pedida pelos danos decorrentes da aplicao daquela

    norma situa-se, pois, no mbito daquilo a que a alnea b) do n. 1, do art. 4. do DL 129/84, de 27-04,

    chama de responsabilidade pelos danos decorrentes do exerccio da funo legislativa.

    22-04-1999 - Revista n. 750/98 - 2. Seco - Relator: Cons. Quirino Soares

    Nacionalizao - Responsabilidade civil do Estado - Acto legislativo - Indemnizao -

    Reprivatizao

    I - A disposio contida no art. 22 da CRP tem sido considerada a matriz do regime da

    responsabilidade civil extra-obrigacional do Estado e demais entidades pblicas, abrangendo a

    decorrente quer da actividade administrativa, quer da legislativa, quer da jurisdicional.

    II - O reconhecimento do direito reparao dos danos causados por actos legislativos abrange quer o

    lcito legislativo, quer o ilcito legislativo e, quanto quele, no se circunscreve ao sacrifcio do direito

    de propriedade.

    III - Se a nacionalizao no for feita por grupos, o acto poltico que decreta a apropriao tem

    carcter individual, a norma no goza de abstraco e generalidade, mas ainda que se enuncie um

    princpio segundo o qual todo o sector ir passar para a propriedade pblica, tal no implica que

    necessariamente isso suceda nem que todas as empresas o tenham de ser; caso a nacionalizao de

    outras empresas no venha a ser efectuada, nem por isso resulta menor licitude do acto da

    nacionalizao ou se constitui o Estado na obrigao de motivar a no nacionalizao de outras

    empresas ou de ter de provar que no praticou injustia, nem na de indemnizar.

    IV - Os danos no patrimoniais resultantes da nacionalizao so indemnizveis, se resultarem da

    aplicao de uma lei ferida de inconstitucionalidade ou de ilegalidade, podendo e devendo ter sido

    evitada a sua aprovao, mas no se resultarem de acto legislativo lcito.

    V - A

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