a questÃo do superÁvit primÁrio como entrave ao ... urandi... · 2.1 as formulaÇÕes...

Download A QUESTÃO DO SUPERÁVIT PRIMÁRIO COMO ENTRAVE AO ... URANDI... · 2.1 AS FORMULAÇÕES TEÓRICAS…

Post on 09-Dec-2018

212 views

Category:

Documents

0 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

URANDI ROBERTO PAIVA FREITAS

A QUESTO DO SUPERVIT PRIMRIO COMO ENTRAVE AO CRESCIMENTO ECONMICO (O CASO DO BRASIL 1999- 2004)

SALVADOR 2005

URANDI ROBERTO PAIVA FREITAS

A QUESTO DO SUPERVIT PRIMRIO COMO ENTRAVE AO CRESCIMENTO ECONMICO (O CASO DO BRASIL 1999 -2004)

Verso final da monografia a ser apresentada no curso de graduao de Cincias Econmicas da Universidade Federal da Bahia como requisito parcial obteno do grau de Bacharel em Cincias Econmicas

Orientador: Prof. Dr. Bouzid Izerrougene

SALVADOR

2005

URANDI ROBERTO PAIVA FREITAS

A QUESTO DO SUPERVIT PRIMRIO COMO ENTRAVE AO CRESCIMENTO ECONMICO (O CASO DO BRASIL 1999 -2004)

Aprovada em _________________________. Orientador: __________________________________ Prof. Dr. Bouzid Izerrogene Faculdade de Cincias Econmicas da UFBA _____________________________________________ Prof. Dr. Joo Damsio Faculdade de Cincias Econmicas da UFBA _____________________________________________ Prof . Osmar Sepulveda Faculdade de Cincias Econmicas da UFBA

RESUMO

Esta monografia visa demonstrar por via terica e emprica a ineficincia do supervit primrio como fator de conteno da dvida pblica, bem como sua inviabilidade no que concerne ao crescimento econmico. Neste sentido ser discutido o modelo de gesto fiscal e dvida pblica implementados no perodo de 1999 a 2004, baseado na austeridade fiscal (corte de gastos pblicos e aumento da carga tributria) e seus impactos na demanda agregada via multiplicador. Palavras chave: Dvida pblica/PIB. Supervit primrio. Efeito multiplicador.

AGRADECIMENTO Agradeo de corao minha famlia, que sempre me incentivou e me apoiou nesta longa caminhada acadmica; aos meus colegas que sempre propiciaram bons momentos de estudo e diverso e aos professores, de maneira geral, por ter dado suporte terico necessrio para a minha formao profissional. Agradeo, em especial, ao professor Bouzid, por ter dedicado seu escasso tempo nos debates e discusses que contriburam para viabilizar este trabalho.

Dedico este trabalho minha av, Zelita Paiva, em memria. Minha maior incentivadora.

LISTA DE ILUSTRAES

Quadro 1 Matriz Departamental 14

Tabela 1 Relao crescimento real do PIB e supervit primrio (em %) 26

Grfico 1 Detentores da Dvida Pblica Interna (2004) 29

Grfico 2 Comportamento do SP e Ji do Setor Pblico Consolidado 31 Grfico 3 Composio da Dvida Pblica Mobiliria Financeira Interna 33 Tabela 2 Supervit primrio como porcentagem do PIB, em condies de estabilidade da relao dvida/PIB, como funo da taxa de crescimento do PIB e da taxa de juros 36

Tabela 3 NFSP nominal como percentagem do PIB, em condies de estabilidade da relao dvida/PIB, como funo da taxa de crescimento do PIB e da relao dvida/PIB 36

Grfico 4 Supervit Primrio Consolidado 39

Grfico 5: Comportamento da DLSP 40

Grfico 6 Evoluo da DLSP no financeira consolidada (2002) 42

SUMRIO 1 INTRODU O 8 2 OS FUNDAMENTOS MACROECONMICOS DO DFICIT PBLICO

9

2.1 AS FORMULAES TERICAS DE KEYNES SOBRE A DEMANDA EFETIVA E O MULTIPLICADOR DE GASTO 9 2.2 A VISO KALECKIANA SOBRE O PRINCPIO DA DEMANDA EFETIVA 13 2.3. A ANTECIPAO DOS CONTRIBUINTES E A TEORIA DA EQUIVALNCIA RICARDIANA 22 3 A RELAO DFICIT PBLICO E CRESCIMENTO ECONMICO 25 3.1 A REDUO DO DFICIT ORAMENTRIO RECESSIVA? 25 4 A ANLISE DO COEFICIENTE DVIDA PBLICA/PIB (O CASO DO BRASIL 1999-2004) 28 4.1 GESTO REAL VERSUS GESTO NOMINAL 28 4.2 SIMULAO PARA A ESTABILIDADE DA RELAO DLSP/PIB 34 4.3 A EVOLUO DA DVIDA PBLICA BRASILEIRA (1999-2004) 38 5 CONSIDERAES FINAIS 46 REFERNCIAS 48

8

1 INTRODUO

A presente monografia tem como objetivo mais geral analisar por via terica e emprica o

modelo de gesto fiscal e dvida pblica introduzido no Brasil a partir de 1999, devido

necessidade de se realizar supervits cada vez mais consistentes.

No ano de 1999, em meio ao cenrio externo agitado pelas crises internacionais e uma

situao abalada pela crise cambial, o pas foi obrigado, mais uma vez na sua histria, a

recorrer ao FMI (Fundo Monetrio Internacional) a fim de viabilizar um acordo para

liberao de emprstimo. Dessa vez, tendo que assumir um compromisso de gerao de

supervit primrio como forma de controlar o endividamento. Isso s possvel porque o

pas reprime o consumo, esterilizando recurso da demanda agregada (lado real da

economia) para cumprir o acordo financeiro (lado nominal).

Partindo das formulaes tericas do princpio da demanda efetiva, de Keynes e Kalecki,

sem, para tanto, ignorar a teoria ortodoxa sobre o ajuste fiscal, o presente estudo pretende

desenvolver uma anlise crtica sobre a estratgia do Brasil de conter a evoluo da dvida

pblica via manuteno e ampliao do supervit primrio.

O trabalho no pretende esgotar o assunto, isso quer dizer que podem faltar pontos

importantes que no sero citados ou desenvolvidos com o rigor merecido. O estudo

apenas uma humilde contribuio sobre os aspectos gerais da gesto fiscal e da dvida

pblica.

A monografia est composta das seguintes partes: Introduo (capitulo I); Os fundamentos

Macroeconmicos do Dficit Pblico (capitulo II); A Relao Dficit Pblico e

Crescimento Econmico (captulo III); A Anlise do Coeficiente Dvida Pblica/PIB no

caso do Brasil, 1999-2004 (captulo IV); Consideraes Finais (capitulo V).

9

2 OS FUNDAMENTOS MACROECONMICOS DO DFICIT PBLICO

2.1 AS FORMULAES TERICAS DE KEYNES SOBRE A DEMANDA EFETIVA E O MULTIPLICADOR DE GASTO

O ponto de partida da teoria macroeconmica de Keynes o princpio da demanda

efetiva1, desenvolvido e aprofundado na sua obra revolucionria, a Teoria Geral do

Emprego, do Juro e da Moeda. Segundo ele, so as decises de gasto, seja privado ou

pblico, em consumo e investimento, que determinam o nvel de atividade econmica.

Adicionalmente, so as expectativas que orientam as decises de investir de longo prazo.

Para explicar as causas subjacentes ao movimento da demanda agregada, e por conseguinte

da renda, Keynes procurou pelos componentes autnomos da demanda agregada,

determinados, em grande medida, independente da renda corrente. Quando esses

componentes do dispndio se alteram, a renda varia. Keynes acreditava que os

investimentos eram o componente autnomo da demanda agregada que exibia maior

varincia. Ele achava que a variabilidade dos dispndios com investimentos era a principal

responsvel pela instabilidade da renda.

Keynes apresenta de forma consistente duas variveis que determinam os dispndios com

investimento no curto prazo: a taxa de juros e as expectativas formadas pelos agentes.

Ao explicitar a relao entre investimentos e taxa de juros, Keynes, em seu modelo terico,

verifica que o nvel de investimentos est inversamente relacionado a esta. Para uma taxa

de juros mais alta h menos projetos para investimentos, pois juros elevados tornam-se um

obstculo para aquisio de emprstimos.

Os benefcios do investimento so os lucros futuros diretamente imputveis ao investimento; estes devem ser comparados aos custos gerais do equipamento de capital e, em seguida, o resultado lquido comparado com a alternativa de emprestar dinheiro a juros ou com o custo do emprstimo, se tiver que procurar financiamento (CHICK, 1993, p. 129).

1 Este princpio contrape-se frontalmente lei de Say (a oferta cria sua prpria demanda).

10

Por outro lado, Keynes chama a ateno para o papel das expectativas como algo essencial

e decisrio no momento de investir. Keynes acha que diante da necessidade de investir no

ambiente de incerteza, os agentes agem racionalmente usando tcnicas e fazendo projees

futuras de clculo.

Os levantamentos das intenes dos investimentos so uma indicao do Estado Geral de otimismo ou pessimismo, mas ningum sabe realmente o que provoca flutuaes nas percepes dos homens de negcio quanto ao futuro. Essas flutuaes de expectativas so fundamentais para a explicao de Keynes na economia como um todo: um colapso da confiana (um desvio para a esquerda da funo de demanda de investimento) precipita a recesso, e as polticas para restaurar a confiana, so a chave para restabelecer a atividade e o emprego (CHICK, 1993, p. 140).

Diante disso, a deciso de investir tomada a partir do confronto entre o valor presente do

fluxo de receita esperada do investimento, o qual Keynes denomina como preo de

demanda do bem capital, frente ao custo de realiz-lo, denominado preo de oferta do bem

capital. Com base nessas duas definies, o autor define a chamada eficincia marginal do

capital como sendo a taxa de desconto que iguala o fluxo de receita esperada ao custo do

investimento. Se esta taxa for superior ao juro, que corresponde ao custo de se obter

emprstimos para se realizar o investimento ou o custo de oportunidade de se imobilizar os

recursos, o empresrio investe; se for o contrrio, no investe.

O problema, segundo Keynes, que a eficincia marginal do capital muito instvel, uma

vez que calculada basicamente a partir das expectativas dos empresrios, cuja base para

formao bastante precria, uma v