A PSICOLOGIA E O CAMPO EPISTÊMICO: DO JULGAMENTO ?· campo de julgamento é preciso dar sentido a sua…

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<ul><li><p>A PSICOLOGIA E O CAMPO EPISTMICO: DO JULGAMENTO POSITIVAO DE UMA PLURALIDADE </p><p> Muitos discursos podem ser lanados com relao a uma cincia, mesmo que ela esteja </p><p>buscando reconhecimento enquanto tal. Pode-se buscar fundament-la, descrev-la, histori-la, </p><p>positiv-la, legitim-la, critic-la. Todas estas atitudes no trato com os saberes so reunidas sob </p><p>a marca genrica de epistemologia. Contudo, a palavra epistemologia1 muitas vezes soa como </p><p>mgica e instanciadora. Como se um fundamento epistemolgico garantisse por decreto a </p><p>fundao de uma cincia. Esta tem sido a sina das cincias humanas: discutir infindamente sua </p><p>fundamentao legal, mais do que qualquer outro tipo de saber. notadamente o caminho </p><p>inverso das cincias naturais, que somente reconheceram-se cincias aps terem se realizado. </p><p>Contudo, a epistemologia tem sido o espao de discusso sobre a psicologia, o foro onde </p><p>advogado seu estatuto como cincia, condenado seu status de ideologia e constatada sua </p><p>incmoda pluralidade consensual. Muitos discursos cruzam a psicologia partindo da </p><p>epistemologia. Todos com sentidos muito diversos. Dentre as muitas posturas que atravessam </p><p>o vocbulo epistemologia (discusso sobre a natureza do conhecimento cientfico ou geral - em </p><p>sua possibilidade, sua fonte, sua essncia, suas formas, seus rituais, suas condies, seus </p><p>mecanismos de progresso), o que ele assume perante a psicologia basicamente o de </p><p>julgamento. Antes de se dirigir natureza do conhecimento psicolgico, ela pergunta: s </p><p>conhecimento?. A epistemologia tem aqui, pois, o sentido legalizante, conforme aventado </p><p>por Stengers (1989, p. 80). A orientao deste trabalho ser tentar transmutar esta discusso </p><p>de fundamento em fundao, ou seja, ao invs de aguardar pacientemente que uma lei </p><p>complementar d corpo constituio epistmica, tentarei fundamentar o legal no juris-</p><p>prudente, transformando o que h de fato no que de direito. Tal ser o objetivo deste </p><p>captulo: inventariar os discursos epistemolgicos sobre a psicologia, visando compreender seu </p><p>singular modo de funcionamento. Mas, antes de tudo, impe-se catalogar os foros epistmicos </p><p>em que a psicologia avaliada. </p><p> 1- O Mapa Epistmico </p><p> Apesar da epistemologia se instalar com relao psicologia enquanto foro, necessrio </p><p>considerar a disperso inerente a esta instncia, suas diversas jurisdies. Ainda que se defina </p><p>genericamente epistemologia como estudo da constituio de conhecimentos vlidos (Jean </p><p>Piaget, 1970, p. 107), o que perpassa este campo um conjunto de foras deslocando o foco </p><p>de validade, ampliando-o, reduzindo-o, propondo-o em novas direes, tomando a 1 Segundo Robert Blanch, citado por Mrcio Marighela (1997, p.31), o termo epistemologia surge em 1906, significando teoria da cincia. Somente mais tarde, notadamente com Gaston Bachelard, que este termo ser correlacionado histria da cincia. </p></li><li><p>constituio deste campo a partir de diferentes fundamentos (ora do conhecedor, ora do </p><p>conhecido) ou atravs de diversos motores (o refinamento do olhar, a inteligncia crtica, o </p><p>consenso da comunidade cientfica, o regime de poderes). Este campo, gerado por fontes to </p><p>diversas quanto as filosofias e as cincias existentes, delineado por questes, conceitos, e </p><p>mtodos to mltiplos quanto os seus pontos de partida, tem apenas no termo epistemologia </p><p>uma homonmia, que apenas rene discursos tensionados entre si, algo de resto, semelhante ao </p><p>que ocorre ao seu julgado, a psicologia. O jri pois to mltiplo quanto o ru. Para mapear o </p><p>campo de julgamento preciso dar sentido a sua multiplicidade. A linha mestra desta </p><p>cartografia ser buscada em Piaget, notadamente em seu artigo A epistemologia e suas variedades </p><p>(1970), um dos mapas mais detalhados no gnero. Contudo, outros mapas sero confrontados </p><p>na busca de refinamento. </p><p>De incio, deve-se diferenciar a epistemologia da teoria do conhecimento, ou </p><p>gnosiologia, enquanto empresa fundadora da filosofia moderna (iniciada pois em Descartes), a </p><p>fim de dar conta da possibilidade de todo e qualquer conhecimento (sua viabilidade, origem, </p><p>essncia, espcies e critrios), e no apenas do conhecimento cientfico. Para Piaget (op. cit., p. </p><p>26), esta distino no procede, uma vez que no h epistemologia independente das </p><p>cincias. Na verdade, o mestre suo reconhece, no trabalho dos filsofos gnosiolgicos, </p><p>epistemologias metacientficas, uma vez que oriundas da reflexo sobre cincias especficas e </p><p>posteriormente generalizadas ao saber em geral. deste modo que estas epistemologias seriam </p><p>desdobradas: Plato, partindo da matemtica; Aristteles, da lgica; Ren Descartes, Gottfried </p><p>W. Leibniz e Immanuel Kant, da fsica matematizada; os empiristas, da fsica mecnica e de </p><p>uma psicologia ainda por constituir; Georg W. Hegel e Karl Marx, da histria e da sociologia. </p><p>Suas teorias do conhecimento nada mais seriam que filosofias prolongadas a partir de um </p><p>ncleo cientfico, de onde se constituiriam como metacientficas. Piaget (op.cit. p.25), </p><p>identificando o campo gnosiolgico como um subconjunto do epistemolgico, reconhece </p><p>ainda duas outras sub-regies: a das que apoiando-se em uma crtica das cincias, procuram </p><p>alcanar um modo de conhecimento distinto do conhecimento cientfico [epistemologias </p><p>paracientficas]... e a das que permanecem no interior de uma reflexo sobre as cincias </p><p>[epistemologias cientficas]. No primeiro caso, ns temos trabalhos como os de Bergson e Husserl. </p><p>No segundo, o das epistemologias cientficas, estas se subdividem nos positivismos (que iro </p><p>tomar da cincia uma metodologia ortopdica para qualquer saber que se queira legitimar), </p><p>nas filosofias da cincia (que iro tomar da cincia uma reflexo e um modelo sobre o </p><p>conhecimento em geral) e na epistemologia interior s cincias (que os cientistas em seus prprios </p><p>domnios iro tomar para estabelecer suas prprias regras, reflexes e solues para suas </p><p>crises). </p></li><li><p>As demais tentativas de categorizao da epistemologia seguiro um critrio mais </p><p>doutrinrio que temtico, encarnando nela uma renovao conceitual com relao s </p><p>gnosiologias. deste modo que Georges Canguilhem, citado por Manuel Carrilho (1979, p. </p><p>22), promove uma conceituao mais delimitada da epistemologia: </p><p>Ou a filosofia procura, numa cincia consagrada e em expanso [...] esclarecer-se sobre </p><p>as vias e os meios de conhecimento, ou ela procura, numa cincia estabelecida e mais ou </p><p>menos estvel, descobrir as razes que atrasaram e posteriormente permitiram o seu </p><p>aparecimento. Se a primeira a posio tradicional que se situa no campo das teorias do </p><p>conhecimento e das filosofias da cincia, a segunda conduz-nos a projetos mais recentes, </p><p>que se encontram ou cruzam sob a designao comum de epistemologia. </p><p>Para Michel Fichant (1973, p. 124), a distino, entre epistemologia por um lado e </p><p>filosofia de cincia e teoria do conhecimento por outro, a renovao que a primeira impe s </p><p>demais nas questes relativas ao papel do sujeito cognoscente e ao progresso na histria da </p><p>cincia. A distino no remeteria s diversas parties na relao cincia X conhecimento em </p><p>geral como para Piaget, mas a uma renovao de cunho doutrinrio. Assim, para a </p><p>epistemologia o sujeito seria mais um inventor, um criador do que um mero descobridor de </p><p>conhecimentos incrustados na natureza, e estes progrediriam mais atravs de saltos e rupturas </p><p>do que na sua acumulao lenta, gradual e contnua. </p><p>Grard Lebrun (1977, p. 11) tambm busca distinguir a epistemologia como um trabalho </p><p>renovador perante uma reflexo racionalista sobre as cincias. Esta ltima, tendo seu chefe em </p><p>Descartes, buscaria traar, a partir das cincias, o esboo de uma Verdade unificada e revelada </p><p>atravs de uma Razo homognea. Se para esta reflexo racionalizante a cincia um caso da </p><p>razo, para a epistemologia, esta, ao contrrio, produto das diversas prticas cientficas. Aqui </p><p>no se busca uma cincia universal, mas cincias especficas, em suas demarcaes </p><p>provisrias e instveis. Todo trabalho passa a no ser mais extrair uma verdade maior a partir </p><p>das cincias, mas trabalhar direto sobre estas, destacando o aspecto autctone de seus </p><p>princpios e a singularidade de suas montagens tericas. A epistemologia para Lebrun se funda, </p><p>pois, nesta recusa a uma cincia, uma razo e uma verdade universais, e a conseqente </p><p>afirmao de uma tomada histrica, filolgica, e cartogrfica dos saberes em sua singularidade. </p><p>Contudo, Lebrun parece ir mais longe do que os prprios epistemlogos, recusando ver nestes </p><p>qualquer compromisso com a idia de verdade e de progresso. Ao sugerir o trabalho do </p><p>epistemlogo como mera radiografia do sistema de operaes e do campo de objetos em que </p><p>funciona o discurso cientfico, buscando da a configurao do saber, de onde emergiriam as </p><p>cincias concretas, Lebrun parece se aproximar mais da arqueologia foucaultiana. Ou mesmo </p></li><li><p>da genealogia nietzscheana: No lugar deixado pela sabedoria humana, eis que nascem os gaios </p><p>saberes, as epistemologias saberes ainda adolescentes, agressivos, insolentes, dissolventes, </p><p>desrespeitosos da cientificidade de direito divino, porque mais a respeito da cincia como </p><p>trabalho e como documento (op. cit., p. 21). Se o afastamento da epistemologia com relao </p><p>reflexo racionalizante pertinente, sua aproximao da arqueologia e da genealogia </p><p>foucaultianas torna-se arriscada, pois torna as idias de progresso e verdade, to caras quela, </p><p>meras fices. </p><p>Um mapa possvel do campo epistemolgico pode ser desenhado em cinco regies, em </p><p>funo das contribuies acima citadas e segundo, pois, uma ordem cronolgica e doutrinria: </p><p>1) Teorias do conhecimento ou gnosiologias </p><p>2) Filosofias da cincia </p><p>3) Epistemologias cientficas </p><p>4) Epistemologias paracientficas </p><p>5) Epistemologias internas s cincias especficas </p><p> teoria do conhecimento, cabe a reflexo sobre as condies do conhecimento em </p><p>geral, parta ou no esta reflexo de uma cincia particular, como sugere Piaget. Contudo, todas </p><p>teorias do conhecimento se aproximam de uma ontologia do sujeito, seja enquanto substncia </p><p>pensante, alma imortal, mnada ou complexo de impresses. Neste aspecto, a epistemologia se </p><p>identificaria com o seu sentido clssico e racionalizante, tal como denunciado por Lebrun. </p><p>Representa o esforo inaugurado por Descartes e prolongado at bem recentemente por Pierre </p><p>Duhem. Em contraste: se gnosiologia cabe tratar das condies do conhecimento em geral, </p><p>psicologia cabe as do desconhecimento ou da iluso, pois como lembra Canguilhem (1973, p. </p><p>109), ela se constitui enquanto desculpa do esprito razo. </p><p>Por filosofia da cincia, entende-se a tomada do conhecimento cientfico como modelo </p><p>para o conhecimento em geral. Representa a transio para uma reflexo inerente ao campo </p><p>cientfico, como prprio da epistemologia contempornea. Neste caso as duas linhagens mais </p><p>fecundas so a kantiana e a positivista. A primeira considera as prprias categorias e formas a </p><p>priori do entendimento nos moldes da matemtica e da fsica mecnica da poca (final do </p><p>sculo XVIII). Nas palavras de Stengers (1989, p.62), produz-se aqui uma captura conceitual, </p><p>na medida em que as prprias condies do conhecimento so assimiladas s do conceito de </p><p>identidade causal, gerado no plano inclinado de Galileu, enquanto operador inicial da fsica </p><p>mecnica. A cincia no possuiria pois histria, seria um mero desdobramento do </p><p>entendimento humano delimitado em esquema transcendental. Na perspectiva comteana isto </p><p>no ocorre, uma vez que o conhecimento depende de um assentimento e um aperfeioamento </p><p>do experimentar. Numa inverso do kantismo, aqui a cincia no est garantida num </p><p>conhecimento a priori, mas se encontra assegurada naquela, na apropriao de suas normas. O </p></li><li><p>positivismo, na verdade, representa a passagem para a epistemologia, uma vez que se detm </p><p>nas condies de possibilidade do conhecimento cientfico, reconhecidas aqui como exclusivas </p><p>do mtodo experimental. Mesmo que seja para demarcar a inviabilidade de qualquer outro tipo </p><p>de saber, todos reunidos sob a alcunha, agora pejorativa, de mera metafsica, ou non-sense, </p><p>como operam os neo-positivismos. </p><p>Se a gnosiologia inaugura-se no sculo XVII, a filosofia da cincia no final do XVIII, a </p><p>epistemologia contempornea, prpria de nosso sculo. A epistemologia cientfica ir tomar </p><p>como tema a prpria feitura da cincia, em sua concretude, sem nada dizer quanto ao </p><p>conhecimento em geral. E nada ir marcar mais este fazer do que o seu constante refazer, ou </p><p>a ultrapassagem incessante que a cincia impe a si prpria, inclusive das matemticas e da </p><p>mecnica, que Kant tomava como formas do conhecimento. Se, como sugere Foucault (1969, </p><p>p.15) a noo de ruptura passa na histria em geral de obstculo [...] ao elemento positivo que </p><p>determina seu objeto e valida sua anlise, na Histria das Cincias ela se trata de um a priori. </p><p>neste sentido que Fernando Gil (1979, p. 159) afirma que: </p><p>Assim a epistemologia contempornea transforma-se a pouco e pouco numa </p><p>epistemologia da histria das cincias, ao mesmo tempo que a histria das cincias </p><p>aparece animada de uma inteno declaradamente epistemolgica, no se trata j de </p><p>contabilizar a acumulao dos conhecimentos, mas de conhecer as condies de </p><p>possibilidade de sua transmisso. </p><p>Perante a superao da cincia mecnica, reificada antes nas condies e formas </p><p>kantianas do entendimento, e a conseqente crise das cincias europias(conforme Edmund </p><p>Husserl), ao mesmo tempo brotam duas modalidades de epistemologia: as paracientficas e as </p><p>cientficas; as primeiras tentando dar conta da direo da ultrapassagem do modelo clssico, e as </p><p>segundas do prprio ato de ultrapassar. deste modo que as epistemologias paracientficas </p><p>tentam apontar um novo sentido para as cincias, enquanto as cientficas tratam de seu </p><p>constante renovar atravs da histria, sem propor qualquer novo paradigma. Ao se fazer </p><p>histria das cincias, a epistemologia cientfica no se torna um mero museu das idias, dos </p><p>mtodos e seus instrumentos obsoletos. Seu sentido no est no passado, ou no ultra-</p><p>passado, mas no futuro, no ultrapassar, ou seja, no progresso constante que mede esta </p><p>superao. Se o sentido da cincia est no progresso, a questo derradeira da epistemologia </p><p>cientfica o motor deste progresso. Refinamento experimental por parte dos positivistas; </p><p>inteligncia crtica, pelos racionalistas; consenso (ou dissenso) da comunidade, segundo </p></li><li><p>Thomas Kuhn; regime de poderes para Isabelle Stengers2, so estes os principais motores </p><p>sugeridos. </p><p>Como visto, se os epistemlogos cientficos querem demarcar o motor das </p><p>ultrapassagens cientficas, os paracientficos querem indicar a direo e sentido destas </p><p>ultrapassagens: desejam propor novos rumos para a cincia. deste modo que os </p><p>fenomenlogos, capitaneados por Husserl, iro propor a duplicao do trabalho cientfico, a </p><p>ser concludo por fundamentaes eidticas, obtidas por sucessivas redues fenomenolgicas. </p><p>Na cincia no basta somente estabelecer leis causais, contingentes, mas buscar o eidos ou </p><p>essncia do fenmeno a par de todas as suas variaes. deste modo que ser proposta uma </p><p>psicologia fenomenolgica, que encontra na intencionalidade (dupla implicao e referncia </p><p>constante entre conscincia e mundo) o eidos (essncia) de todo fenmeno psicolgico. De </p><p>modo diverso, Bergson ir se contrapor ao mecanicismo da cincia clssica. Ao contrrio da </p><p>fenomenologia, a querela com o mecanicismo no visa a crtica das leis contingentes. Visa o </p><p>prprio mecanismo cognitivo da cincia mecnica: a inteligncia. Esta seria apenas um </p><p>instrumento cognitivo til no trato com os slidos descontnuos. No teria as vantagens </p><p>cognoscentes da intuio, mescla de inteligncia (de carter til e construda) e instinto </p><p>(certeiro e cego), e mais apta a conhecer o Real, identificado com o fluxo do vivido. </p><p>Bergsonianos e fenomenlogos desejam uma cincia do vivido, estes para fundamentar a </p><p>cincia e os primeiros para atingir as correntes do Real3. </p><p>Se a considerao das cincias em sua ultrapassagem constante representa um passo na </p><p>direo de uma delimitao na questo do conhecimento, maior passo ser dado na </p><p>constituio das epistemologias regionais ou epistemologias interiores s cincias, no dizer de Piaget. Aqui </p><p>realiza-se a singularizao mxima ressaltada por Lebrun. Mais do que tomar o conhecimento </p><p>em geral, ou este como identificado s cincias, ou ainda estas em seu progresso geral, oferece-</p><p>se aqui uma especificao mxima, para onde afunila o campo epistemolgico. Trata-se de uma </p><p>epistemologia do cientista particular, no mais do filsofo (gnosiologia), do filsofo-cientista </p><p>(filosofia da cincia) ou do cientista-filsofo (epistemologia cientfica). O olhar do cientista </p><p>com relao s suas possibilidades torna-se mais microscpico, mais convergente aos </p><p>problemas particulares de seu saber. Com isto, as grandes questes gerais de condio, de </p><p>mtodo ou progresso cedem s regionais, autorizadas pelos prprios cientistas que </p><p> 2Deve-se destacar a singularidade da posio de Stengers nesta corrente, posto que ela distancia-se do poder demarcatrio que os epistemlogos se concedem, ao delimitarem o cientfico do no-cientfico, conforme se cumpra a marcha progressiva das cincias ou no. Por reconhecer este poder demarcatrio dos epistemlogos, que Stengers destaca-se destes. Contudo, esta autora parece sancionar este poder ao delimitar o cientfico, submetido aos riscos do operador em produzir fatos, do no-cientfico que apenas gera artefatos. 3 Dentre as Novas Alianas propostas pelo grupo Sujeito &amp; Saber, referido na Introduo deste trabalho, se encontra a reativao de Bergson, como intercessor para uma nova concepo de tempo a servir de parmetro para a compreenso dos processos psicolgicos. Esforo de resto j delineado por Antnio Gomes Penna. </p></li><li><p>produzem seu prprio saber. No se discute mais o progresso; busca-se efetiv-lo na sua </p><p>constante retomada crtica: </p><p>Em tais casos, a crtica epistemolgica deixa de constituir uma simples reflexo sobre a </p><p>cincia; ento se converte em um instrumento do progresso cientfico [grifo meu] como </p><p>organizao interior dos fundamentos, e sobretudo na medida em que elaborada por </p><p>aqueles mesmos que utilizaro e que sabem, portanto, que o que necessitam, em lugar </p><p>de receb-los de fora, a ttulo de bens preciosos sim, mas pouco teis e s vezes molestos </p><p>(Piaget, 1970, p. 56). </p><p>2- A Psicologia Filosfica e a Filosofia das Cincias Mapeado o campo epistmico na sua direo temporal e espacial (afunilamento temtico), </p><p>resta considerar como este se franqueia ao exame de um saber em petio de reconhecimento: </p><p>o psicolgico. E, curiosamente, as primeiras peties foram julgadas antes mesmo deste saber </p><p>se pleitear cientfico, tratando-se mesmo de um projeto em esboo. Pode-se dizer inclusive que </p><p>a constituio deste frum foi fundamental para o surgimento da psicologia. No

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