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A propenso a pagar por leitura das famlias brasileiras: uma anlise a partir das

Pesquisas de Oramentos Familiares (POFs) entre 1996 e 2009

Palavras-chave: Leitura, dispndio, pesquisa de oramentos familiares, modelos probits

mailto:liviaspaggiari@yahoo.com.brmailto:alex.almeida@usp.br

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1. Introduo

A sociedade globalizada em que vivemos atualmente exige de seus cidados uma

capacidade reflexiva e uma absoro de conhecimentos mais acelerada, a fim de que a

adaptabilidade s tecnologias insurgentes no seja uma barreira ao desenvolvimento. No

obstante, as capacidades, reflexivas e crticas, so alcanadas alm de outros meios, mas

tambm atravs do hbito da leitura. A atualizao cultural, o prprio prazer ou gosto

proveniente de se adquirir um novo conhecimento sem precisar ir muito longe, a exigncia

acadmica pela leitura de textos tcnicos, os motivos de cunho estritamente religiosos, a

atualizao profissional e as exigncias exercidas pelo trabalho esto entre alguns dos motivos

que levam o indivduo a recorrer leitura (FERREIRA, 1984; LASTRES; ALBAGLI, 1999).

Atravs do PNC (Plano Nacional da Cultura) institudo pela Lei 12.343 no ano de

2010 e do PNLL (Plano Nacional do Livro e Leitura) disposto por meio do decreto No. 7.559

do ano de 2011, o Governo Federal buscou contribuir executando aes incentivadoras

cultura visando obterem consonncia uma maior democratizao desta. No entanto, antes

disso nenhum projeto com tamanha abrangncia havia sido alvo de discusso na pauta

governamental brasileira.

A importncia da leitura e a maior valorizao desta prtica observada no decorrer dos

anos desde 2001, de acordo com certos critrios, so ilustradas pelas trs edies da pesquisa

Retratos da Leitura no Brasil, realizadas pela Instituio Pr-livro. Empreendida pela

primeira vez em janeiro de 2001, a referida pesquisa buscou revelar os hbitos de leitura dos

brasileiros e procurou montar uma base de dados com vistas a fornecer informaes para o

planejamento do mercado e para o fomento de polticas pblicas no Brasil.

As trs edies da pesquisa foram feitas respectivamente nos anos de 2001, 2007 e

2011, e por sua vez revelaram uma crescente aderncia ao hbito da leitura por mulheres e

homens brasileiros, com destaque para as mulheres que constituem atualmente um promissor

pblico alvo de editores, escritores e livrarias. Desde ento, as regies brasileiras foram

analisadas por meio de amostragem populacional e segregaes visando identificar o perfil

dos leitores. Quesitos como regio federativa, escolaridade e renda familiar constituem

critrio de anlise para a pesquisa ao longo das trs edies. Entre os resultados mais

importantes, concluiu-se que quanto maior o grau de instruo, mais livros o indivduo l por

ano, e que as classes B e C possuem mais leitores que no leitores.

Relatrio realizado pela FENAPRO (Federao Nacional das Agncias de

Propaganda) em 2010 visou identificar o perfil dos leitores no Brasil, de acordo com a regio,

faixa de renda familiar, preferncia por gnero literrio (peridicos ou livros) e frequncia da

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leitura entre os entrevistados. Entre os principais resultados, Sul e Sudeste estavam frente

das demais regies quando se fala em leitura de jornais e revistas. Os indivduos na faixa

etria entre 25 e 39 anos (50%) costumam ler jornal em maior proporo, enquanto o pblico

mais jovem, 16 a 24 anos (44,6%) costuma ler revistas. Para 47,1% dos entrevistados, ler

livros faz parte dos seus hbitos cotidianos, sendo que, destes, 29,7% leem apenas aos finais

de semana e 17,4% cultivam o hbito da leitura diria. Observou-se tambm que na faixa de

renda familiar mais alta (mais de 10 salrios mnimos) a proporo de leitura de livros

alcanou 67% dos entrevistados; j a leitura de jornais correspondeu a 65,2%, e revistas,

59,1% (FENAPRO, 2010).

Estudos, como os supracitados, visando identificar o comportamento, bem como o

perfil econmico do leitor brasileiro e os possveis impactos sofridos por estes mediante as

mudanas nos cenrios: econmico, social, cultural e da educao no Brasil so ainda

escassos na literatura tanto nacional quanto internacional, apesar de constiturem valioso

instrumental quando da formulao de polticas pblicas. Este fato, serviu de motivao para

a elaborao do presente trabalho.

Um aspecto tambm bastante curioso levantado por pesquisas a diferena da

dedicao leitura dada por homens e mulheres. Madalozzo (2008) menciona que dados

divulgados pelo INEP (Instituto Nacional de Educao e Pesquisa) comprovam o melhor

desempenho de meninas em disciplinas como lngua portuguesa e literatura se comparadas

aos meninos que cursam as mesmas sries escolares. Com isso, levanta-se o debate entre a

diferena entre os gneros e suas respectivas demandas por leitura, fato que ser discutido em

seo futura.

O presente trabalho intenta, pois, dadas as motivaes supracitadas, observar por meio

dos microdados obtidos das POFs (Pesquisa de Oramentos Familiares) para os anos de 1996,

2003 e 2009 quais so os determinantes demogrficos, socioeconmicos e regionais que

contribuem para o dispndio com leitura pelos indivduos nas principais regies

metropolitanas brasileiras, acrescidos Distrito Federal e Goinia. Mais especificamente,

pretende-se estimar as probabilidades dos indivduos despenderem com jornais e revistas,

com livros e finalmente a disposio a pagar tambm por livros tcnicos e didticos. Uma das

hipteses que norteia esse trabalho que o pas tem vivido um momento econmico bastante

distinto daquele de dcadas passadas. Com a implementao do Plano Real em 1994 e a

estabilidade da moeda, novas geraes de indivduos experimentaram um quadro econmico

at ento indito no pas. Esse aspecto foi e de importncia relevante na vida das famlias,

dado que o controle sustentado da inflao permite ao chefe de famlia planejar por prazos

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maiores seu oramento domstico em funo da renda obtida, melhorando o bem-estar atravs

do consumo de produtos nunca antes consumidos como: livros, internet, viagens e etc.

Espera-se que atravs das anlises propostas seja possvel inferir certos padres de

consumo de leitura. E se esta segregao de padres se deu com a finalidade de identificar as

principais variveis determinantes para a demanda de livros em cada poro da populao

(levando em considerao gnero, renda, grau de escolaridade e etc), o que poder ser um

valioso subsdio quando da formulao de novas polticas de incentivo e democratizao da

leitura.

Este artigo encontra-se estruturado em cinco sees, sendo a primeira esta, que

constitui breve introduo acerca do assunto. A Seo 2 descreve as fontes de dados utilizadas

no estudo, encerrando com a estratgia emprica empregada. Na Seo 3, apresenta-se uma

anlise preliminar dos dados. As estatsticas das variveis utilizadas na estimao do modelo

economtrico e os resultados encontrados so apresentados na Seo 4. Finalmente, na Seo

5, so apresentadas as consideraes finais advogadas pelos autores.

2. Dados e estratgia emprica

Os dados a serem utilizados referem-se aos microdados das trs ltimas edies da

Pesquisa de Oramentos Familiares (POF), realizadas pelo IBGE nos perodos outubro/1995

setembro/1996, julho/2002junho/2003 e maio/2008maio/2009. As POF levantam

informaes sobre as condies do domiclio como: abastecimento de gua, infraestrutura

sanitria, nmero de cmodos, nmero de famlias (unidades de consumo) residindo no

mesmo espao domiciliar. Tambm so levantadas as caractersticas dos indivduos como:

sexo, nvel de instruo, idade, frequncia escola, peso, altura e posio na famlia (chefe,

cnjuge, filho, outro parente, agregado, pensionista, empregado domstico e parente do

empregado domstico); h tambm informaes sobre as despesas com melhoria (reforma) do

domiclio, bens durveis, etc.

De particular interesse para este estudo so as informaes detalhadas sobre gastos

com leitura, alm das informaes sobre gastos mensais e recebimentos salariais e no

salariais. Como as informaes coletadas podem ter perodos de referncia distintos, desde

sete dias at 12 meses, dependendo da natureza do registro, o IBGE disponibiliza coeficientes,

que permitem que os valores sejam convertidos para valores anuais, ou seja, colocados em

bases comparveis (IBGE, 2010).

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Foram entrevistadas 16.013 unidades domiciliares em 1995/96, 48.470 em 2002/03 e

55.970 em 2008/09, sendo que a primeira POF cobriu apenas as nove regies metropolitanas1,

Goinia e Distrito Federal. Em funo das variaes dos preos nominais que ocorrem ao

longo do perodo da coleta, geralmente 12 meses, o IBGE disponibiliza um deflator, referido

data de referncia da pesquisa pr-definida pelo Instituto2. Com isso, possvel comparar e

analisar os registros em valores reais de acordo com o ms base definido pelo IBGE. A

definio das amostras respectivas partiu do Censo Demogrfico de 1991, no caso da POF

1995/96, e do Censo Demogrfico de 2000 para as duas ltimas edies (IBGE, 2004; IBGE

2010). Os fatores de expanso baseiam-se na Contagem Populacional de 1996 e no Censo

Demogrficos de 2000.

O dispndio com l