A pluralidade dos saberes e experiências no ambiente ... ?· Conflitos e debates urbanísticos, culturais…

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<ul><li><p>A pluralidade dos saberes e experincias no ambiente escolar: imigrantes </p><p>bolivianos na rede municipal de So Paulo </p><p>Francione Oliveira Carvalho Diversitas/USP </p><p>francioneoliveiracarvalho@ig.com.br Atualmente vemos comunidades oriundas dos pases da Amrica do Sul fazerem de So Paulo seu novo territrio. Conflitos e debates urbansticos, culturais e polticos nascem desta nova realidade, assim, fronteiras simblicas so erguidas e comeam a delimitar as aes dos sujeitos envolvidos. A situao econmica de seus pases de origem e a possibilidade de trabalho e mobilidade social motivam a migrao para a cidade paulista. Entretanto, a maioria acaba em trabalhos informais, principalmente na indstria txtil das regies do Bom Retiro, Brs e Pari, bairros que concentram forte mercado varejista de apelo popular. Essa realidade faz com que estes imigrantes enfrentem diversos problemas tais como o trabalho escravo ou subumano, concorrncia profissional e constantes situaes de preconceito, seja pelos contratantes, populao local como tambm pelos grupos que possuem origem sul-americana diversas. Relatos de professores e notcias veiculadas nas diversas mdias revelam que estes conflitos adentram as escolas que recebem estes grupos. Por no saberem lidar com as questes levantadas, muitas instituies reforam o preconceito e a excluso dos imigrantes fortalecendo assim um crculo vicioso de no reconhecimento identitrio e cultural. Nesse contexto, investigamos como a interculturalidade se apresenta e se reconstri em territrio brasileiro a partir dos imigrantes bolivianos matriculados na rede municipal de educao de So Paulo, que ao atravessar fronteiras impe a necessidade de reconhecermos a pluralidade dos saberes e experincias no ambiente escolar. Acreditamos que a educao e a cultura devem servir como um combate as hierarquias de saberes e epistemologias reducionistas, que defendem uma escala de poderes e valores entre as tradies culturais e cientficas. E defendemos a urgncia e a necessidade de se pensar a cultura e a poltica a partir da valorizao da diversidade humana e a democracia a partir da participao ativa na construo dos conhecimentos. So Paulo. Bolivianos. Educao. Interculturalidade. Rede Municipal </p><p>Na fronteira geogrfica ou nas comunidades que recebem imigrantes, a identidade </p><p> tema privilegiado, porque nela o sujeito constantemente inquirido: quem voc? A </p><p>que lado voc pertence? As respostas para essas e outras questes tornam-se cada vez </p><p>mais complexas e ambivalentes na afirmao da identidade. Fronteiras, antes de serem </p><p>marcos fsicos ou naturais, so, sobretudo simblicas, referncias mentais que guiam a </p><p>percepo da realidade e dialogam com a identidade. No sendo construes atemporais </p><p>que possuem um ncleo imutvel de valores, as identidades culturais so reelaboradas a </p><p>partir das novas configuraes espaciais e sociais que encontram. </p></li><li><p>Diferentes possibilidades de ser passam a conviver no mesmo territrio, abrindo </p><p>fendas para a problematizao sobre o prprio conceito de territrio, que deixa de ficar </p><p>encerrado no espao fsico. Portanto, as fronteiras que anteriormente delimitavam o </p><p>campo da ao poltica das naes, hoje so mveis, instveis, abarcando tambm os </p><p>diversos pertencimentos e subjetividades. O redirecionamento das fronteiras poder tanto </p><p>ser recrudescido como aponta Foucher (2009) ao lembrar que desde 1991, mas de 26 mil </p><p>quilmetros de novas fronteiras internacionais foram institudas e outras 24 mil foram </p><p>objeto de acordos de delimitao e de demarcao, fazendo com que os muros, as cercas </p><p>e as barreiras metlicas ou eletrnicas, se unidas, se alongariam por mais de 18 mil </p><p>quilmetros ou marco para a consolidao de outra compreenso de fronteira. Para que </p><p>isso ocorra, a negociao e a delimitao das fronteiras no podero ficar circunscritas </p><p>aos interesses econmicos, identitrios e de hegemonia. No so apenas as fronteiras </p><p>que so colocadas em discusso, mas a compreenso que temos de poltica e de </p><p>cidadania. </p><p>Portanto, como pensar nestas questes a partir da cidade de So Paulo? A cidade </p><p>no fronteiria, entretanto desde o final do sculo XIX recebe grupos de imigrantes </p><p>vindos de toda parte do mundo. Atualmente vemos comunidades oriundas dos pases da </p><p>Amrica do Sul fazerem de So Paulo seu novo territrio. Conflitos e debates </p><p>urbansticos, culturais e polticos nascem desta nova realidade, assim, fronteiras </p><p>simblicas so erguidas e comeam a delimitar as aes dos sujeitos envolvidos. </p><p>Como ocorrem os contatos culturais entre os moradores da cidade e os </p><p>forasteiros? Ou como nomeia Norbert Elias (2000) entre os estabelecidos e os outsiders? </p><p>E entre o prprio grupo de imigrantes? possvel perceber transformaes culturais ou </p><p>diferenas entre o tratamento/dilogo dos moradores de So Paulo com cada grupo </p><p>cultural? Como estes brasileiros veem os bolivianos? Peruanos? Paraguaios? E como </p><p>estes grupos percebem os brasileiros? Como a escola lida com essa realidade? </p><p>Todas estas questes me mobilizaram para que em 2013 iniciasse uma pesquisa </p><p>de Ps-Doutoramento no Diversitas Ncleo de Estudos das Diversidades, Intolerncias </p><p>e Conflitos da USP a respeito da imigrao sul-americana e as negociaes culturais na </p><p>escola de So Paulo. Desde a implementao do Mercosul vemos o fluxo destes </p><p>imigrantes aumentar tanto nas regies de fronteiras como nas grandes cidades </p><p>brasileiras, caso da capital paulista. </p></li><li><p>Segundo dados da Polcia Federal e do Museu da Imigrao de So Paulo, a </p><p>comunidade boliviana a segunda que mais cresce na cidade de So Paulo, entretanto, </p><p>percebe-se que o nmero de peruanos, seguidos dos paraguaios cresceu regularmente </p><p>ao longo dos ltimos anos. </p><p>A imigrao boliviana como diversos estudos apontam no algo novo no Brasil. </p><p>O ponto de partida foi a dcada de 1950 devido a um programa entre Brasil e Bolvia que </p><p>beneficiava estudantes bolivianos que vinham para o territrio brasileiro em busca de </p><p>qualificao acadmica. Entretanto a partir a dcada de 1970 que a migrao boliviana </p><p>e de outros pases da Amrica do Sul torna-se uma constante, intensificada, no caso da </p><p>Bolvia, a partir de 1985. </p><p>A impresso de que a imigrao boliviana algo recente ocorre porque nos </p><p>ltimos anos ela se acelerou. Segundo o ltimo Censo, entre 2000 e 2010 o nmero de </p><p>bolivianos na cidade de So Paulo cresceu 173%. O Consulado da Bolvia estima que a </p><p>populao total no Brasil seja em torno de 350 mil imigrantes, sendo 75% residentes na </p><p>regio metropolitana de So Paulo. </p><p> A imigrao boliviana no territrio brasileiro caracteriza-se por uma forte </p><p>concentrao em poucos lugares. Souchard (2012) afirma que no caso de So Paulo a </p><p>distribuio dos migrantes desigual, mas que atinge todas as reas do permetro urbano </p><p>do municpio, alcanando a regio metropolitana de So Paulo, principalmente em </p><p>Guarulhos, Osasco e Diadema. Do total de bolivianos que vivem na regio metropolitana </p><p>de So Paulo, 19,5% esto na regio central da capital nos bairros do Bom Retiro, Pari, </p><p>Canind, Belm e Brs. Nessas reas, eles dividem espao com outros grupos, como </p><p>coreanos, judeus, poloneses e outros migrantes da Amrica do Sul. O que no acontece </p><p>nas outras regies, Souchard (2012) ainda aponta que em Guarulhos e na regio sul da </p><p>capital eles representam quase 100% do total de imigrantes e possuem pouco tempo de </p><p>residncia, contrrio da regio central onde possuem maior tempo de presena </p><p>acumulada. </p><p> Ao olharmos especificamente para a educao, alguns dados comprovam a forte </p><p>presena da comunidade boliviana no sistema educativo paulista. A Secretaria Estadual </p><p>de So Paulo divulgou que em 2013, 7,1 mil estudantes nascidos em outros pases se </p><p>matricularam em escolas estaduais, sendo os bolivianos a maioria entre os alunos, totalizando </p><p>58% do total. J na rede municipal de ensino paulistana, segundo dados oficiais de 2013 </p></li><li><p> h 3.319 alunos estrangeiros matriculados nas escolas municipais, sendo 66% de </p><p>bolivianos, o que corresponde a 2.190 alunos. Entretanto, estes dados no levam em </p><p>considerao os alunos de origem boliviana mas nascidos no Brasil, que se totalizados, </p><p>aumentariam enormemente estes nmeros. </p><p> importante lembrar que a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), o Estatuto da Criana </p><p>e do Adolescente e diversos acordos internacionais assinados pelo governo brasileiro </p><p>garantem o direito educao ao estudante vindo de outro pas, independentemente de </p><p>sua situao no pas. Na regio central de So Paulo onde esto os bairros do Brs, do </p><p>Pari e do Bom Retiro h 35 escolas pblicas, sendo 29 pertencentes a rede estadual de </p><p>ensino e 8 da rede municipal. Sendo que esta investigao privilegiou as escolas </p><p>administradas pela Prefeitura de So Paulo que atendem alunos do ciclo fundamental. </p><p> Aps o contato com as instituies decidiu-se no recorte de duas escolas, sendo </p><p>uma delas no pertencente a sondagem inicial por estar um pouco mais distante da rea </p><p>inicialmente levantada, isso ocorreu devido ao nome desta instituio aparecer nas </p><p>entrevistas iniciais com os diretores como exemplo de escola que enfrentava questes </p><p>especficas devido ao nmero excessivo de alunos de origem boliviana. Assim, a EMEF </p><p>Anlia Franco Bastos adentra ao corpus da pesquisa junto com a EMEF Infante Dom </p><p>Henrique. </p><p> Essa comunicao no pretende neste momento apresentar dados conclusivos ou </p><p>anliticos sobre o trabalho desenvolvido nestas escolas, como tambm a atuao dos </p><p>professores, mas reconhecer a necessidade de uma escola democrtica e aberta ao </p><p>reconhecimento cultural. </p><p>Inicialmente procurou-se fazer um levantamento exato do nmero de alunos </p><p>estrangeiros matriculados nestas instituies. Entretanto, esse trabalho no foi necessrio </p><p>porque as prprias instituies tinham finalizado recentemente este diagnstico. A partir </p><p>de entrevistas com os gestores, professores, alunos e insero no cotidiano escolar </p><p>procura-se perceber: Como a convivncia no espao escolar, como ocorrem o </p><p>reconhecimento identitrio e as negociaes culturais, como a escola afirma ou </p><p>desconstri discursos e aes presentes em outras esferas culturais e quais estratgias </p><p>devem ser criadas para uma escola ser considerada inclusiva, democrtica e intercultural. </p><p> A EMEF Anlia Franco Bastos foi criada em 1992 a partir de um antigo convnio </p><p>entre a Secretaria Municipal de Educao e a Federao Esprita de So Paulo para </p></li><li><p> atender as crianas provenientes das favelas do Benfica, Vila Maria e Nelson Cruz. </p><p>Inicialmente instalada na Casa Transitria Fabiano de Cristo, em 2008, a escola muda </p><p>para o endereo atual na regio do Belm e comea a receber um nmero cada vez </p><p>maior de famlias bolivianas, que totalizam hoje 40% dos alunos matriculados na </p><p>instituio. </p><p>Carmosina Augusta Rocha, diretora da escolar desde 2013, em entrevista ao </p><p>pesquisador aponta: </p><p>A estatstica que foi feita, que aqui tem 40% de alunos bolivianos, </p><p>sendo que 12% por cento vieram mesmo da Bolvia e os outros 28% so </p><p>filhos de bolivianos. Aqui ns temos 656 alunos. Eu no sei se j mudou, </p><p>porque muito dinmico, mas no chega a 700. E a, so todos da nossa </p><p>responsabilidade, afinal eles esto no nosso pas, eles tem que interagir </p><p>conosco e ns com eles. Ento, para mim, quando eu falo todos os </p><p>brasileirinhos, eles tambm esto no meio, j no fao distino entre </p><p>eles. Muito embora, voc viu as caractersticas fsicas, de longe eles j se </p><p>dizem, porque no h mistura de raas parece que l tanto quanto a </p><p>nossa, me parece porque so todos muito marcados a caracterstica. </p><p>(Carmosina Augusta Rocha em entrevista realizada no dia 12/09/2013). </p><p>J a EMEF Infante Dom Henrique, localizada no Canind foi criada em 1960, e tal </p><p>como a EMEF Anlia Franco Bastos atende uma comunidade escolar que convive com </p><p>situaes de vulnerabilidade. A escola vizinha de uma favela e de diversos </p><p>equipamentos sociais que atendem principalmente moradores de rua e que acolhem </p><p>migrantes nacionais e internacionais. Um ponto a destacar que EMEF Infante Dom </p><p>Henrique prxima a Praa Kantuta, importante centro de socilializao da comunidade </p><p>boliviana em So Paulo. Porm, o nmero total de alunos de origem estrangeira na </p><p>instituio menor que da escolar anterior, totalizando 12,5% dos alunos matriculados. </p><p> Cludio Marques das Silva Neto, diretor da EMEF Infante Dom Henrique desde </p><p>2011, revela em entrevista os desafios que a diversidade traz ao cotidiano escolar: </p><p>Ainda o grande desafio, a gente j tem alguns que so integrados, temos em mdia 12,5% de bolivianos na escola, que a ltima pesquisa que a gente fez, muitos demoram bastante para se integrar, ns no conseguimos fazer com que o prprio projeto da escola d conta disso mais rapidamente, mas estamos indo. De que maneira? Conversando mais com os alunos, incluindo nas atividades. No projeto, por exemplo, </p></li><li><p>os valores que no tem preo, trabalha com esses valores, em cada bimestre um valor diferente, o primeiro valor trabalhado esse ano foi identidade, e uma das aes do projeto foram os alunos bolivianos apresentando as coisas da Bolvia, nas aulas, nos espaos, eles saram por a, ou seja, j mudou um pouco os prprios alunos trazendo a cultura da Bolvia para dentro da escola, que aqui no Brasil eles terem condies de falar um pouco deles, da cultura, do modo de vida, para alm da informao do professor. Ento, eles j participarem j um comeo e, a gente faz reunies com pais de alunos estrangeiros, como os alunos bolivianos so a maioria na escola, ento os pais boliviano evidentemente esto a em maior quantidade, eles vem para a reunio e a gente tem discutido o que a escola pode fazer para se tornar um ambiente mais acessvel, que de fato eles venham para c e se sintam parte desse lugar. A gente tem tido alguns retornos, na festa junina, por exemplo, a barraca Brasil/Bolvia que foi muito bacana, resultado desse dilogo, e tambm, ns temos um curso de portugus e espanhol para preferencialmente os alunos bolivianos. Por qu? Ns no queremos aculturar tambm, isso uma outra preocupao que a gente tem. De dar ateno a eles de que maneira? Manter a cultura deles, na lngua, ento, a gente tem receio de que muitos, por conviverem muito tempo no Brasil e no podendo voltar, eles percam o contato com a lngua espanhola. A gente tem um curso de espanhol preferencialmente para alunos bolivianos. </p><p>(Cludio Marques das Silva Neto em entrevista realizada no dia </p><p>15/09/1013). </p><p> O que se percebe na EMEF Infante Dom Henrique quanto na EMEF Anlia Franco </p><p>Bastos a vontade de no fechar os olhos para as demandas que a presena dos alunos </p><p>estrangeiros trazem para o cotidiano escolar, e isso se d, principalmente pela atuao </p><p>dos gestores das instituies que colocam o tema na pauta da formao dos professores, </p><p>dos eventos escolares e abrem a escola para o dilogo com toda a comunidade. </p><p> Fig. 1 Grupo Folclrico Kantuta Bolvia se apresentando na Festa Junina de 2013 </p><p>na EMEF Anlia Franco Bastos em So Paulo. Foto do autor. </p></li><li><p>Fig. 2. Encontro quinzenal que acontece na EMEF Infante Dom Henrique com os alunos estrangeiros para discutir aes e necessidades do grupo. </p><p> O nome do educador Paulo Freire surge nas falas dos diretores das duas escolas </p><p>em diversos momentos e parece marcar a atuao profissional de ambos. Freire </p><p>acreditava que o poder pedaggico e educativo deveria ser democratizado, e no algo </p><p>definido apenas entre os muros da escola. Para o educador, a democratizao do poder </p><p>de participao e deciso significa a defesa de uma democracia radical, na qual a </p><p>populao tem de estar presente na histria, e no simplesmente estar nela representada. </p><p>Na escola, tal transformao envolve a participao de todos os agentes </p><p>educativos, por meio de dilogo igualitrio, em busca de construo de consensos. O </p><p>importante que o dilogo busque formas de superar os obstculos aprendizagem e </p><p>uma abertura que possibilite conhecer, aprender e construir conhecimentos coletivos que </p><p>leve em considerao todas identidades culturais presentes na comunidade escolar. </p><p>Promover mudanas sociais e culturais no entorno em que se insere a escola e </p><p>nas suas relaes com a comunidade de fundamental importncia, j que, no contexto </p><p>atual, a aprendizagem no depende apenas do que passa em aula, mas est conectado </p><p>ao que ocorre em casa, na rua, ao que veiculam os meios de comunicao. Informao e </p><p>formao advm de diferentes locais, fazendo desaparecer as fronteiras entre o interior e </p><p>o exterior da escola e a hierarquia dos saberes. </p><p>Nesse contexto, a diversidade cultural e a imigrao possibilitam significativas </p><p>possibilidades de aprendizagem mtua, e a arte e a cultura estratgias de mediao e </p></li><li><p> reconhecimento cultural, tecendo fios e desfazendo os ns que muitas vezes teimam em </p><p>aprisionar o olhar e o conhecimento. </p><p> importante afirmar que os imigrantes, ao contrrio do que pensa o senso </p><p>comum, esto cada vez mais organizados e abertos a uma discusso poltica que leve em </p><p>conta a diversidade. A 7 Marcha do Imigrante, ocorrida em So Paulo no incio de </p><p>dezembro de 2013 trouxe um tema muito claro: Nova Lei de Migrao Justa e Humana </p><p>para o fim da discriminao. Ela aponta a necessidade de uma poltica municipal de </p><p>imigrao que supere o tratamento securitrio da imigrao para uma abordagem que </p><p>foque nos direitos humanos dos imigrantes. </p><p>As atuais polticas pblicas e a atuao dos agentes pblicos terminam por causar </p><p>a criminalizao do imigrante, especialmente o pobre. Neste contexto, na marcha muitos </p><p>cartazes recomendavam a substituio da Polcia Federal como o rgo de acolhimento </p><p>dos migrantes e que a garantia efetiva de direitos pressupe imensas lutas sociais, que </p><p>deve ser encampada por diversos setores da sociedade para ser bem sucedida. Ao </p><p>mesmo tempo, que a insero sociocultural dos imigrantes deve ocorrer a partir da </p><p>perspectiva do interculturalismo e da diversidade cultural. </p><p>Fig. 3. 7 Marcha do Imigrante, 2013, So Paulo. Foto do autor. </p></li><li><p>Nesse contexto, uma das demandas mais significativas dos diversos grupos de </p><p>imigrantes a necessidade de uma escola inclusive, intercultural e preparada para lidar </p><p>com a diversidade. A escola intercultural aquela que ir trabalhar com as diferenas </p><p>individuais e de grupo, respeitando os valores da democracia, da liberdade e da igualdade </p><p>dos indivduos, estudando como as diferentes culturas entrecruzam-se uma nas outras e </p><p>possibilitam novos encontros. Entretanto, importante pensarmos que o primeiro </p><p>encontro necessrio o da escola com a comunidade. </p><p> A escola enquanto instituio social um dos espaos privilegiados de formao </p><p>em que a aprendizagem dos saberes deve estar relacionada ao cotidiano dos alunos, </p><p>desde o aspecto local ao global. Assim, a escola, alm de possibilitar aos alunos a </p><p>apropriao dos contedos de maneira crtica e construtiva, precisa valorizar a cultura e a </p><p>arte de sua prpria comunidade, contribuindo para o exerccio de cidadania. </p><p>A interculturalidade na educao exige que se repensem o conceito de cultura, as </p><p>relaes tnicas, sociais, pedaggicas, os procedimentos de

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