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    A PESSOA JURDICA NO DIREITO CIVIL BRASILEIRO

    Thiago da Silva Figueiredo*

    RESUMO O presente artigo visa analisar s caractersticas da pessoa jurdica,entidade constituda por

    homens e bens, com direitos, obrigaes e patrimnio prprios. Podem ser de direito pblico

    externo (outras naes e organismos internacionais) ou interno (a Unio, os Estados, Municpios),

    ou de direito privado (sociedades civis, associaes, sociedades de economia mista, empresas

    pblicas, servios sociais autnomos, partidos polticos, fundaes privadas entre outras).

    Palavras-chave:Pessoa Jurdica. Evoluo. Caractersticas. Direito Civil.

    Sumrio: Introduo. 1- A Funo Social da Empresa. 2-Nome comercial: o nome civil das

    pessoas jurdicas. 3-Classificao da pessoa jurdica. 4-Domiclio. 5- A natureza jurdica da pessoa

    jurdica e as teorias explicativas.6-O surgimento da pessoa jurdica.7- Registro das Cooperativas.

    8-Registro dos Partidos Polticos. 9 -Registro das sociedades de advogados. 10-Registro das

    associaes e fundaes. 11- O art. 2.031 do CC/2002.12-Entes Despersonalizados.13- Princpio

    da Separao ou independncia ou autonomia.14- Desconsiderao da Personalidade Jurdica da

    pessoa jurdica (disregarddoctrine ou disregardof legal entity). 15- Representao da pessoa

    jurdica. 16 Extino da pessoa jurdica. Concluso.

    INTRODUO

    Pessoas jurdicas so entidades a que a lei empresta personalidade, capacitando-as a serem

    sujeitos de direitos e obrigaes. A sua principal caracterstica a de que atuam na vida

    jurdica com personalidade diversa da dos indivduos que as compem. Cada pas adota uma

    denominao para essas entidades. Na Frana, chamam-se pessoas morais. Em Portugal,

    pessoas coletivas. No Brasil, na Espanha e na Itlia preferiu-se a expressopessoas

    jurdicas.

    *Graduando do 6 semestre do curso de Bacharelado em Direito pela Faculdade Integrada Brasil Amaznia.

  • 2

    A Pessoa jurdicapode ser considerada a soma de esforos humanos ou patrimoniais, tendente

    a uma finalidade lcita, especfica e constituda na forma da lei.

    O fato de possuir CNPJ no pressupe a existncia de uma pessoa jurdica. A existncia de

    uma pessoa fsica, empresrio individual, que dota tambm de CNPJ, decorre da necessidade

    de uma soluo dada pelo direito para o pagamento dos tributos, sendo isso uma fico legal.

    a chamada empresa individual. O que pressupe a existncia da pessoa jurdica o seu

    registro (art. 45do CC).

    1- A Funo Social da Empresa

    De acordo com a CF/1988 e com os princpios da Eticidade e Socialidade, o exerccio do

    direito de empresa no pode prejudicar terceiros. Isto intuitivo. Exige-se, pois, cuidado

    empresarial para com empregados, o meio ambiente e a sociedade. Trata-se da FUNO

    SOCIAL DA EMPRESA engajada com a DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA e que

    ostenta responsabilidade social proporcional s prprias foras enquanto organizao.

    Essa funo social da empresa incide tanto nas atividades internas, quanto nas atividades

    externas empresariais. Temos no mbito interno a exigncia de um comportamento

    socialmente responsvel interno (eticidade), por exemplo: relao da empresa com os scios e

    com os empregados, to como a participao dos empregados nos lucros empresariais, isso

    pode ser vislumbrado nos arts. 57 e 68 do Cdigo Civil. E no mbito externoo exerccio de

    um comportamento socialmente responsvel para com a comunidade (tica e funo social

    nas relaes da empresa com a comunidade) como preservar os direitos fundamentais da

    pessoa humana e inibir o abuso do poder empresarial. Podemos exemplificar isso com os

    dispostos na Lei federal n. 10.048/2000 que Impe a toda e qualquer pessoa jurdica ter

    instalaes fsicas e adequadas para pessoas com deficincia, objetivando acesso e incluso, a

    Lei federal n. 10.098/2000 que firma o direito meia - entrada para os estudantes,

    especificamente para as empresas que realizam atividades culturais, com o escopo de

    produo da cultura e acesso.

    A inobservncia da funo social pode implicar nas mais diversas sanes, a depender do

    nvel de gravidade do fato apurado. possvel falar-se em repreenso, suspenso das

    atividades ou, at mesmo, na extino da personalidade da pessoa jurdica.

    A Teoria da Funo Social da empresa traz consigo a ideia do estabelecimento de

    comportamentos empresariais, positivosou negativos, instrumentalizando a utilizao do

    capital a favor da pessoa humana.

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    Dentro de uma perspectiva civil-constitucional, a pessoa jurdica deve curvar-se ao

    princpio da dignidade da pessoa humana, base do sistema jurdico brasileiro, e desempenhar

    uma FUNO SOCIAL, vocacionada para o cumprimento das atividades para as quais foi

    criada, exercendo-as dentro dos limites da razoabilidade e proporcionalidade sob pena de

    incidir em ABUSO DE DIREITO, consoante dispe o artigo 187 do CC/2002.

    ACF/1988seusarts. 3 e 170 trata a atividade econmica de forma submetida ORDEM

    ECONMICA e VALORIZAO DO TRABALHO HUMANO, da FUNO SOCIAL

    DA PROPRIEDADE, reduo das desigualdades sociais e regionais e da livre iniciativa

    afirmao da dignidade da pessoa humana.

    A partir dessas noes conceituais, fcil agora extrair os elementos caracterizadores da

    pessoa jurdica, como verdadeiros requisitos para a sua constituio:

    I- A vontade humana que lhe d origem (vontade humana criadora);

    II- A organizao de pessoas ou destinao de um patrimnio afetado a um fim

    especfico;

    III- A licitude de seus propsitos;

    IV- A capacidade jurdica reconhecida pela norma jurdica.

    Caio Mrio da Silva Pereira acrescenta mais um elemento: o atendimento das formalidades

    legais, contemplada no art. 45 do CC/2002 e pelos arts. 114 e seguintes daLei de Registros

    Pblicos.

    A pessoa jurdica, regularmente constituda e personificada, conta com os seguintes

    caractersticas:

    1- Personalidade jurdica distinta dos seus instituidores, adquirida a partir do registro

    dos seus estatutos;

    2- Patrimnio tambm distinto dos seus membros (exceto em casos excepcionais, como a

    fraude ou abuso de direito, configurando a chamada desconsiderao da personalidade

    jurdica;

    3-Existncia jurdica diversa de seus representantes ( representada por eles, no se

    confundindo a personalidade de cada um;

    4-No podem exercer atos que sejam privativos de pessoas naturais, em razo de sua

    estrutura biopsicolgica;

    5- Podem ser sujeito passivo ou sujeito ativo civis e criminais.

    A caracterstica fundamental da pessoa jurdica encontra-se na SEPARAO DA

    UNIVERSITAS do particular, ou seja, de cada pessoa. Por isso, o ordenamento brasileiro

    acolhe o SISTEMA DE RESPONSABILIDADE SUBSIDIRIA E LIMITADA DO

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    SCIO, afastando-se do sistema de responsabilidade ilimitada, porque isso levaria a uma

    retrao econmica, contrria livre iniciativa prevista no art. 170 da CF/88.

    2-Nome comercial: o nome civil das pessoas jurdicas

    Segundo lies de Cristiano Chaves de Farias: Nome comercial o critrio de identificao

    da pessoa jurdica ou do comerciante individual, podendo se consubstanciar atravs de firma

    comercial ou denominao social. (Direito Civil Teoria Geral, 2011, p. 268)

    Francisco Amaral preleciona que: firma ou razo comercial o nome sob o qual o

    comerciante ou a sociedade que exerce o comrcio e assina-se nos atos a eles referentes. E

    ento conclui: exemplo de firma M. Santos & Cia Ltda.; exemplo de denominao

    Petrobrs. (Direito Civil Introduo, p. 273)

    A pessoa jurdica pode assumir uma marca de fantasia (ou nome de fantasia), dizendo respeito

    expresso pela qual conhecida (ex: Pepsi; Coca - cola etc.)

    A proteo do nome comercial e da marca (assim como a tutela do nome de domnio na

    internet, que tambm conta com a tutela legal) relativa, abrangendo a rea empresarial em

    que atua o titular, no se podendo impedir que empresas que atuam em outros ramos do

    mercado se valham do mesmo nome.

    Todas as formas de identificao da pessoa jurdica encontram-se protegidas por lei, gozando

    de tutela preventiva e repressiva, inclusive com fulcro na LEI N. 9.279/1996 Propriedade

    Industrial. Segundo o art. 126 da Lei federal n. 9.279/1996 a marca notoriamente

    conhecida em seu ramo de atividade goza de proteo especial, independentemente de estar

    previamente depositada ou registrada no Brasil, consolidando hiptese tpica de concretizao

    do princpio da confiana. Assim, se um nome comercial vem sendo utilizado notoriamente,

    inclusive com a sua respectiva marca, outro no poder registr-lo, em razo da consolidao

    ocorrida no seio social.

    3-Classificao da pessoa jurdica

    A pessoa jurdica pode ser classificada :

    3.1)Quanto nacionalidade: emnacionalouestrangeira:

    Esta identificao est condicionada ao que a ordem jurdica lhe conferiu, soberanamente,

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    apersonalidade que vier determinar. Sendo a personalidade conferida pelo ordenamento

    brasileiro, a pessoa jurdica nacional; se pelo ordenamento internacional, estrangeira.

    (LINDB, art. 11).

    Ex: A Coca-cola uma empresa nacional (registrada no Brasil), embora atue com uma

    marca estrangeira.

    Obs: Existem atividades que so exclusivas de pessoas jurdicas nacionais, como, por

    exemplo, a explorao mineral. a chamadaReserva de mercado (art. 176, CF/1988).

    3.2)Quanto atividade executada ou funes: pessoas jurdicas de direito pblico

    externo e pessoa

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