A PERCEPÇÃO SOBRE O VOTO NO BRASIL: DIREITO OU ?· A história do voto no Brasil inicia-se com a aplicação…

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<ul><li><p>A PERCEPO SOBRE O VOTO NO BRASIL: DIREITO OU </p><p>DEVER? </p><p>Reinaldo Ramos da SILVA, Dra. Elizete Mello da SILVA </p><p>Fundao Educacional do Municpio de Assis FEMA </p><p>Fundao Educacional do Municpio de Assis FEMA </p><p> rramos1995@hotmail.com, dedemelo@femanet.com.br </p><p>RESUMO: Este texto uma reflexo sobre o voto no Brasil, a fim de analisar a </p><p>percepo do voto no pas, com o seu contexto histrico, a importncia de seu exerccio </p><p>para a efetividade da cidadania e do seu papel para o desenvolvimento da democracia. </p><p>Observou-se, tambm, o atual estgio do voto no pas, os fatores preponderantes para o </p><p>pleno desenvolvimento democrtico, a discusso sobre a concepo jurdico-filosfica </p><p>conferida ao voto e o seu consequente carter obrigatrio ou facultativo. </p><p>PALAVRAS-CHAVE: Voto; Cidadania; Democracia. </p><p>ABSTRACT: This text is a reflection on the vote in Brazil in order to analyze the </p><p>perception of the vote in the country, with its historical context, the importance of </p><p>exercise for effective citizenship and their role in the development of democracy. There </p><p>was also the current stage of voting in the country, the important factors for the full </p><p>democratic development, the discussion about the legal and philosophical conception </p><p>conferred to vote and his subsequent compulsory or optional character. </p><p>KEYWORDS: Vote; citizenship; democracy. </p><p>1. Introduo. </p><p> O pargrafo nico do artigo 1 da CF/88 estabelece que todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos da </p><p>Constituio Federal. A partir da, o regime de governo adotado no pas foi o da </p><p>democracia semidireta, onde convivem instrumentos que permitem a deliberao direta </p><p>do povo e outros que fazem com que a soberania popular seja exercida por meio de </p><p>representantes eleitos. </p><p> A vigente Constituio Federal assegura, em seu artigo 14, o direito ao sufrgio </p><p>universal, que se concretizar pelo voto, direto e secreto, e com valor igual para todos, </p><p>por meio das eleies que sero peridicas. </p><p>Deste modo, o voto tem carcter obrigatrio para os maiores de dezoito anos e </p><p>facultativo para os analfabetos, os maiores de setenta anos e os maiores de dezesseis e </p><p>menores de dezoito anos. A obrigatoriedade do voto, embora prevista no art. 14 da CF, </p><p>no clusula ptrea. So clusulas ptreas os votos direto, secreto e universal e </p><p>peridico. Assim, o voto obrigatrio impe que todos devem ter maior </p><p>comprometimento com os destinos do pas. </p><p>Nesse mbito, percebemos a importncia do exerccio da cidadania por meio do </p><p>voto, no poder e na responsabilidade dada ao eleitor para a escolha dos representantes </p><p>que iro efetivar as garantias fundamentais de cada indivduo. Destarte, so divergentes </p><p>as perspectivas doutrinrias sobre a natureza desse importante mecanismo democrtico, </p><p>repartindo-se as vises e opinies, ora concebendo o voto como um dever, ora, como </p><p>mailto:rramos1995@hotmail.commailto:dedemelo@femanet.com.br</p></li><li><p>um direito. A definio da natureza do voto determinante para estabelecer o seu </p><p>carter, sendo um dever, ele necessariamente compulsrio, porm, como um direito, </p><p>perfaz-se facultativo. </p><p>2. O histrico do voto no Brasil. </p><p>A histria do voto no Brasil inicia-se com a aplicao das Ordenaes do Reino, </p><p>um cdigo eleitoral elaborado em Portugal ainda na Idade Mdia e que fora utilizado no </p><p>Brasil-colnia por um longo perodo. Partindo de uma raiz bastante profunda, o voto no </p><p>Brasil teve efetivamente a sua origem em meados de 1532 (32 anos aps o </p><p>descobrimento), quando os moradores da Vila de So Vicente (So Paulo) elegeram o </p><p>seu Conselho Municipal. </p><p>At o final do perodo de Imprio o voto aqui era censitrio, adstrito s pessoas </p><p>que possussem determinada renda, calculada sobre a posse da mandioca. H de se </p><p>mensurar tambm, a suma importncia que o processo de independncia teve para a </p><p>consolidao e aprimoramento das eleies no pas, pois, surgiu a necessidade de se ter </p><p>um sistema poltico nacional prprio e conseguinte organizao eleitoral melhor </p><p>elaborada. Pertinente ao tema pontua Jos Afonso da Silva: </p><p>Proclamada a Independncia, o problema da unidade nacional impe-</p><p>se como o primeiro ponto a ser resolvido pelos organizadores das </p><p>novas instituies. A consecuo desse objetivo dependia da </p><p>estruturao de um poder centralizador e uma organizao nacional </p><p>que freassem e at demolissem os poderes regionais e locais, que </p><p>efetivamente dominavam no pas, sem deixar de adotar alguns dos </p><p>princpios bsicos da teoria poltica em moda na poca. (SILVA, </p><p>2000, p. 74). </p><p>Conhecer a histria do voto no Brasil essencial ao entendimento da </p><p>democracia, outrossim, pontos primordiais para o esclarecimento desta devem ser </p><p>destacados. </p><p>A primeira legislao eleitoral confeccionada no Brasil (1824) possibilitou a </p><p>eleio da Assembleia Geral Constituinte, responsvel pela formao da Constituio </p><p>promulgada no referido ano. </p><p> O voto para presidente e vice da repblica apareceu pela primeira vez na </p><p>Constituio de 1891, o das mulheres e o voto secreto foram institudos apenas em </p><p>1932, ano que surge tambm a Justia Eleitoral Brasileira. </p><p>Em 1964 instaurou-se no Brasil o perodo da Ditadura Militar, que sob o prisma </p><p>democrtico, representa o perodo de maior retrocesso em toda a histria do pas. Esse </p><p>perodo foi marcado por uma sucesso de atos institucionais, com os quais, o governo </p><p>militar moldada seus interesses de forma una e coercitiva, suprimindo uma srie de </p><p>direitos, consoante o pensamento de Maria Paula Araujo, Izabel Pimentel da Silva e </p><p>Desirree dos Reis Santos: </p><p>Com os militares instalados no poder, comeava a temporada de </p><p>punies e violncia praticadas pelo Estado. A montagem de uma </p><p>estrutura de vigilncia e represso, para recolher informaes e afastar </p><p>do territrio nacional os considerados subversivos dentro da tica </p><p>do regime, e a decretao de Atos Institucionais arbitrrios estiveram </p><p>presentes desde os primeiros meses de governo. Num primeiro </p><p>momento, esse sistema abateu-se principalmente sobre lderes </p><p>sindicais e comunistas vinculados a luta pelas reformas de base. </p><p>(ARAUJO, PIMENTEL, REIS, 2013, p.17). </p></li><li><p>A ditadura no Brasil apresentou peculiaridades das demais experimentadas pelo </p><p>mundo. Nesse nterim, vale ressaltar, que a escolha para ocupao de alguns cargos era </p><p>feita ainda mediante eleio do povo, como os de vereadores, prefeitos, governadores, </p><p>deputados e senadores. Porm, a presena de eleies no tornava o regime </p><p>democrtico, conforme bem salientado pelo historiador Marcos Antnio da Silva: </p><p>A ditadura no Brasil tinha a preocupao de manter uma espcie de </p><p>cenrio de ambiente democrtico. Mas havia eleies em que </p><p>condies? Os partidos existentes foram extintos. Foram criados </p><p>partidos por ordem da ditadura em um bipartidarismo. O Executivo </p><p>tinha o poder absoluto. Havia eleies, havia, mas eram eleies </p><p>indignas de confiana. (apud CAPUCHINHO, 2014, grifo nosso). </p><p> No mesmo sentido, o professor Luiz Antnio Dias ressalta que: </p><p>Os militares sempre se preocuparam em passar um verniz na ditadura </p><p>para tentar dar legitimidade, mas as eleies no tornavam o regime </p><p>democrtico. Quando a ditadura sofria uma derrota, os militares </p><p>fechavam o Congresso e mudavam as regras. (apud CAPUCHINHO, </p><p>2014). </p><p>Por fim, aps longo e gradual perodo de recuperao democrtica a </p><p>Constituio Federal de 1988, fundada principalmente nos direitos sociais e na </p><p>dignidade da pessoa, efetivou a atual democracia no pas, trazendo consigo novidades </p><p>almejadas pela sociedade, quais sejam: a ordem poltica, jurdica e eleitoral. </p><p>Trata-se da Constituio Cidad, como definiu Ulysses Guimares, em sua </p><p>promulgao, caracterizando-a como o documento da liberdade, da democracia e da </p><p>justia social do Brasil. Ademais, para o historiador Boris Fausto (apud. ARAUJO, </p><p>PIMENTEL, REIS, 2013, p.40) a Constituio de 1988 refletiu o avano ocorrido no </p><p>pas especialmente na rea da extenso de direitos sociais e polticos aos cidados em </p><p>geral e s chamadas minorias. </p><p>Segundo Jos Afonso Alves (2000, p.89), a referida Constituio um texto </p><p>moderno, com inovaes de relevante importncia para o constitucionalismo brasileiro e </p><p>at mundial. </p><p>O cenrio eleitoral consolidado pela Carta Maior enseja segmentos obrigatrios </p><p>e facultativos ao voto, conforme disposio do Artigo 14, pargrafo 1, da CF/88: </p><p> 1 O alistamento eleitoral e o voto so: </p><p>I - obrigatrios para os maiores de dezoito anos; </p><p>II - facultativos para: </p><p>a) os analfabetos; </p><p>b) os maiores de setenta anos; </p><p>c) os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos. </p><p>Ante o exposto, e ressalvando a meno aos analfabetos, pode-se concluir que o </p><p>legislador brasileiro adotou o critrio cronolgico (idade) para aferir o exerccio do voto </p><p>no pas, outrossim, impretervel questionar a suficincia de tal critrio promoo da </p><p>maturidade poltica, da conscientizao sobre a importncia do voto, e do exerccio da </p><p>cidadania para os atuais e futuros eleitores brasileiros. No obstante, e ainda sob o </p><p>mtodo socrtico, a obrigatoriedade do voto consegue promover o desenvolvimento e o </p><p>exerccio da cidadania no pas? Esta a melhor soluo para a sade da nossa </p><p>democracia? </p></li><li><p>Para refletirmos sobre esses questionamentos, importante esclarecer os conceitos </p><p>de Cidadania, e do que ser Cidado: </p><p>O dicionrio parlamentar e poltico de Said Farhat (1996, p. 119) define que a </p><p>palavra cidadania utilizada em trs sentidos intimamente correlacionados: designa a </p><p>qualidade ou estado de ser cidado, todos os cidados, coletivamente, e o conjunto de </p><p>direitos e deveres inerentes quela qualidade.. E cidado, o membro de uma </p><p>comunidade nacional, no gozo dos direitos individuais e coletivos polticos, sociais, </p><p>econmicos. </p><p>Assim, exercer a cidadania possuir a plena conscincia dos seus direitos e </p><p>obrigaes e coloc-los em prtica, gozando, tambm, dos preceitos constitucionais. </p><p>3. A efetividade da cidadania pelo exerccio do voto. </p><p>O exerccio do voto por si s no implica no pleno desenvolvimento da </p><p>cidadania, uma vez que, para uma democracia bem consolidada, pressupem-se </p><p>integrantes do grupo social, ativos e participantes da vida poltica, e que, no momento </p><p>da efetivao de suas escolhas, as faam de forma consciente. A sacramentar o mesmo </p><p>entendimento, Manoel Gonalves Ferreira Filho (2009, p.104), entende que para que </p><p>um povo se possa governar, preciso que atinga certo grau de maturidade que no se </p><p>resume na maioridade de seus membros, os eleitores. </p><p>O mesmo autor, ao tratar da democracia, entende que ela no praticvel por </p><p>qualquer povo, a qualquer momento e em qualquer circunstncia. A realidade e a </p><p>cincia mostram que a democracia possui os seus pressupostos e condies essenciais </p><p>ao seu desenvolvimento efetivo, e, ao tratar desses pressupostos, indica principalmente </p><p>o pressuposto social e o econmico, estando interligados. </p><p>Socialmente analisando, uma sociedade para estar preparada democracia </p><p>precisa ter um nvel cultural mnimo, e no s de alfabetizao, assim, com grande </p><p>maestria exemplifica: </p><p>Implica, que esse povo saiba ser possvel mudar da rotina o seu </p><p>destino, ou seja, necessrio que se liberte de comportamentos </p><p>impostos por tradies e tabus que o induzam ao conformismo com </p><p>sua situao. indispensvel, que tenha um mnimo de instruo que </p><p>o habilite a compreender e apreciar a informao. Cumpre tambm </p><p>que tenha senso de responsabilidade, tolerncia e respeito pelos </p><p>dissidentes. Implica, enfim, que tenha um mnimo de experincia no </p><p>trato da coisa pblica. (FERREIRA FILHO, 2009, p. 104). </p><p>Sob o aspecto econmico, plausivelmente concluiu: </p><p>O amadurecimento social no pode existir onde a economia somente </p><p>fornea o indispensvel para a sobrevivncia com o mximo de </p><p>esforo individual. S pode ele ter lugar onde a economia se </p><p>desenvolveu a ponto de dar ao povo o lazer de se instruir, a ponto de </p><p>deixarem os homens de se preocupar apenas com o po de todos os </p><p>dias. (FERREIRA FILHO, 2009, p. 104 - 105). </p><p>O supramencionado artigo 14, da Constituio Federal de 1988, no caput, sagrou </p><p>o voto no pas como: A soberania popular ser exercida pelo sufrgio universal e pelo </p><p>voto direto e secreto, com valor igual para todos (...) (grifo nosso). </p><p>Deste modo, tambm foi estabelecido que essas caractersticas do voto (direto e </p><p>secreto), no podem ser objeto de deliberao em emendas constitucionais, tendentes a </p></li><li><p>abolir, conjuntamente com a universalidade e periodicidade. (vide Art. 60, 4, inciso II </p><p>CF/88). </p><p>Classificado como um direito poltico, para que se possa votar necessrio </p><p>anteriormente, do ponto de vista administrativo, tornar-se cidado. que, os direitos de </p><p>cidadania so conquistados por meio do alistamento eleitoral, nos termos da lei, ou seja, </p><p>a pessoa precisa se inscrever como eleitor Justia Eleitoral, e tal qualidade se </p><p>materializar solenemente pelo ttulo de eleitor. Ressalta Jos Celso de Mello Filho </p><p>(apud Macedo Nery, 2004, p. 3) que pela porta do alistamento eleitoral que se tem </p><p>acesso aos domnios da cidadania. </p><p>Muito se tem discutido acerca da natureza do voto, afinal, o voto um dever ou </p><p>um direito? Encontra-se na doutrina brasileira duas posies dominantes e divergentes </p><p>sobre a natureza do voto, bem compreendido nos dizeres de Regina Maria Macedo Nery </p><p>Ferrari (2004, p.3): As duas escolas repartem as opinies, uma acolhe a ideia de </p><p>soberania nacional e v o ato de votar como uma funo, a outra aceita a doutrina da </p><p>soberania popular e entende o ato de votar como um direito. </p><p>Quando o voto tido como um dever, ou uma funo, podemos destacar o </p><p>pensamento de Sieys (1982), onde o supremo poder do Estado no cabe ao povo, </p><p>conjunto de homens num determinado momento e em um determinado territrio, mas </p><p>nao, que uma entidade abstrata e denota caractersticas mais profundas, passada </p><p>pelas geraes. Neste entendimento, quem representa a nao e no o povo. Deste </p><p>modo, ao votar o integrante acaba efetivando a vontade da nao soberana. </p><p>Mas sobre Rousseau (apud Macedo Nery, 2004), deriva o entendimento do voto </p><p>como um direito, enfatiza-se a ideia da soberania popular, sendo o poder soberano </p><p>pertencente ao povo e cada membro desse corpo social titular de parte da soberania. O </p><p>voto considerado ento como a expresso da vontade prpria, autnoma e individual </p><p>daqueles que compe o quadro de eleitores. </p><p>O voto possui invariveis caractersticas, e dentre elas, destacamos, </p><p>oportunamente, algumas de suas espcies: </p><p> Majoritrio: O candidato que obtiver maior nmero de votos que o(s) seu(s) </p><p>concorrente(s), ser eleito. </p><p>Proporcional: Baseado em um sistema de quocientes, consiste na diviso do </p><p>nmero de votantes pelos postos a serem preenchidos, desta forma, o candidato que </p><p>atingir determinado quociente estar eleito. </p><p>Indireto: O eleitor outorga a outrem o seu direito de votar, ficando este </p><p>incumbido de manifestar-se. </p><p>Direto: efetivado na pessoa do eleitor, ou seja, de forma pessoal, no podendo </p><p>ser delegado a terceiros. </p><p>Distrital: O eleitorado dividido em distritos e cada distrito ter de eleger o seu </p><p>representante parlamentar, que ficar vinculado s peculiaridades de seu distrito. </p><p>Em Lista: Nessa modalidade o voto direcionado a um partido e no a </p><p>candidatos, quanto mais o votos o partido obtiver mais candidatos sero eleitos. Desta </p><p>maneira, o partido elaborar uma lista contendo os seus candidatos, em ordem de </p><p>preferncia a serem eleitos. </p><p>Secreto: Ocorre quando apenas o eleitor tem o conhecimento da efetivao do </p><p>seu voto no momento da eleio. </p></li><li><p> Aberto: A escolha do candidato realizada pelo eleitor fica aberta ao </p><p>conhecimento pblico no momento da eleio, ou seja, pode-se identificar qual </p><p>candidato cada eleitor optou em votar. </p><p>Nulo: Momento em que, numa eleio, o eleitor insere um nmero que no </p><p>corresponde a nenhum candidato ou partido, desta forma, registra-se apenas para fins </p><p>estatsticos. </p><p>Branco: O voto em branco ocorre quando o eleitor no especifica no momento </p><p>da eleio o candidato a ser votado, representado atualmente no sistema de urnas </p><p>eletrnicas com uma tecla prpria, BRANCO. So registrados apenas por finalidades </p><p>estatsticas, no sendo computados para nenhum candidato ou partido poltico. </p><p>Como outrora salientado, os jovens que completam 16 anos de idade adquirem o </p><p>direito ao voto, trata-se, guardadas as devidas propores, de uma maioridade poltico-</p><p>eleitoral. um direito, tendo em vista o seu carter facultativo, que resultou das </p><p>reinvindicaes do movimento estudantil poca da Constituinte de 1988, propiciando </p><p>aos jovens a participao com os destinos do pas. </p><p>Convm criticar tal medida? na adolescncia que o jovem passa pelas mais </p><p>diversas transformaes da vida, sejam elas de ordem fsica, biolgica, psquica, moral, </p><p>e porque no dizer social. Neste perodo da vida o ser humano busca sua afirmao e </p><p>identificao com o meio social, tambm, realiza as suas escolhas que certamente </p><p>definir o seu trajeto de vida, bem como a sua formao pessoal. Sendo assim, nada </p><p>mais adequado do que ser inserido na vida poltica e cidad, j que a Democracia nos </p><p>proporciona direitos liberdade, igualdade, e principalmente, direito de participao. </p><p>Ademais, importante frisar que a insero na vida poltica e social deve ser </p><p>respaldada e provida pela educao. Belssima a lio de Rousseau: </p><p>Nascemos fracos, precisamos de fora; nascemos carentes de tudo, </p><p>precisamos de assistncia; nascemos estpidos, precisamos de juzo. </p><p>Tudo o que no temos ao nascer e de que precisamos quando grandes </p><p>nos dado pela educao. (ROUSSEAU, 2012, p.04). </p><p>Contudo, no se trata apenas de alfabetizao, mas sim de uma educao-poltica </p><p>efetiva, que transforme jovens, em alunos-cidados ativos. Isto se torna possvel quando </p><p>os adolescentes so devidamente instrudos e obtm contato com a coisa pblica. Ou </p><p>seja, mostrar-lhes que com a sua participao se pode obter um futuro mais digno, justo </p><p>e tico, sendo autores de uma mudana e no mais telespectadores de uma enjeitada </p><p>realidade. No nos esqueamos, os jovens de hoje, so a sociedade do amanh. </p><p>Ao tratarmos do assunto de uma educao-poltica: </p><p> a constante participao no exerccio do poder que contribui </p><p>com a educao de cidados ativos. A contribuio se d pela </p><p>experincia direta, proporcionando ao cidado uma viso mais clara </p><p>do funcionamento do governo e exigindo dele maior conscincia dos </p><p>problemas do Estado. Participao popular e educao se fundem </p><p>num crculo que deve ser preservado e aprimorado a cada </p><p>instante, de gerao em gerao.(GOMES, 2006, p. 66, grifo </p><p>nosso). </p><p>Prevista pela Lei Maior de 1988, a educao assume papel preponderante para a </p><p>efetivao da cid

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