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A PERCEPO AMBIENTAL DA COMUNIDADE UNIVERSITRIA E A EDUCAO AMBIENTAL NO MORRO SANTANA : UNIDADE DE

CONSERVAO NOS LIMITES DA UNIVERSIDADE

Orientao: Teresinha Guerra

Bolsistas: Marlia Cercin, Thamy Lara de Souza

Equipe executora: Srgio Luiz Carvalho Leite

INTRODUO

As Unidades de Conservao (UC) so reas territoriais restritas, regidas pela lei n. 9.985, de Julho de 2000 (SNUC), com o objetivo no s de conservar a fauna nativa e migratria e, flora autctone como tambm, manter os recursos naturais de forma sustentvel. Alm disso, indispensvel para a recuperao das reas degradadas permitindo a reintegrao da biomassa no seu territrio local. As UC categorizadas pelo SNUC- Sistema Nacional das Unidades de Conservao- dividem-se em dois grupos: Unidades de Proteo Integral - permite o uso indireto dos atributos naturais-; e Unidades de Uso Sustentvel- permite a explorao do ambiente, mantendo a biodiversidade e os demais recursos ecolgicos perenes. Os dois grupos so divididos em categorias, definidas com base na relevncia dos recursos locais, ou seja, nas caractersticas especficas de cada rea.

De 1989 at 2004 se realizou um trabalho de implantao de uma UC no Campus do Vale da UFRGS com aplicao direita desse territrio em prol da comunidade acadmica e da populao residente em seu entorno. Em 2004 foi aprovada, por mrito, pelo CONSUN- Conselho Universitrio- a criao da UC como Proteo Integral e, em 2006 estabeleceu o limite da rea de 321,12ha. e a denominao na categoria Refgio de Vida Silvestre- REVIS da UFRGS da (Portaria 71/2004).

A criao de uma UC dentro do territrio universitrio beneficia a manuteno e recuperao da biodiversidade, o uso da rea em prol da pesquisa e educao, o

contato direto da comunidade do entorno com a conservao ambiental. Tambm, possibilitar a arrecadao de verbas de rgos nacionais e de instituies internacionais para assegurar condies bsicas de sustentabilidade e manejo da regio, bem como, para fins de pesquisa (rel. Roberta, 2006).

OBJETIVOS:

O trabalho tem a finalidade de conhecer a percepo ambiental da comunidade acadmica e divulgar, para esse pblico e para a comunidade residente do Morro Santana, a Unidade de Conservao Ambiental Refgio de Vida Silvestre da UFRGS. Atravs de um questionrio semi-estruturado, contendo quatro questes, coletou-se as informaes diretamente com os alunos, docentes e tcnicos administrativos do Campus do Vale da UFRGS. Em conjunto foram realizadas sadas de campo ao REVIS-UFRGS com os alunos da graduao da Geografia (Semana Acadmica, 2007), das Cincias Biolgicas (Trote Consciente) e da Geologia (Semana Acadmica, 2008) onde aconteceram atividades em Educao Ambiental e trocas de conhecimento cientficos e naturais entre os alunos e professores. Dando sequncia iniciaram-se atividades de Educao Ambiental, junto comunidade, com abordagem nas escolas pblicas. A primeira a ser visitada foi a Escola Estadual de Ensino Fundamental Incompleto rico Verssimo. A partir das atividades em Educao Ambiental mostrar a fundamental importncia da conservao do REVIS da UFRGS para os alunos da 2 e 3 sries, conscientizando-os para que aprendam os manejos adequados da utilizao dos recursos naturais. Saber sobre o conhecimento ambiental dos alunos, atravs de

uma anlise e somar novas idias, com base nas suas realidades sociais, necessrio para o desenvolvimento de um trabalho de educao ambiental na rea.O objetivo do projeto divulgar a UC-REVIS, para a comunidade do entorno, o meio acadmico e a populao de Porto Alegre. Sensibilizar sobre a importncia da biodiversidade local, promovendo mudanas no modo como a populao se relaciona com a natureza por meio de prticas de educao ambiental, ecoturismo, lazer e pesquisa cientfica.

REA DE ESTUDO

A UFRGS possui uma Unidade de Conservao (UC) denominada Refgio de Vida Silvestre -REVIS- e, est localizada no Morro Santana, o ponto culminante de Porto Alegre, com 311m de altitude. Est localizado a 12 km de distncia do centro da cidade, entre os paralelos 30 02 14e 30 04 45 S e meridianos 51 06 33 e 51 08 35 E. Tem como limites a Av. Protsio Alves ao Norte, o municpio de Viamo a Leste, a Av. Bento Gonalves ao Sul e a Av. Antnio de Carvalho a Oeste. Ocupa uma rea de 1000ha, dos quais cerca de 600ha pertencem UFRGS. (resumo, salo de extenso 2008, Souza, Thamy)

Hoje, devido as especulaes imobilirias- os terrenos regularizados so muito caros-, essas reas vem sofrendo diminuies estruturais dos seus ecossistemas colocando em risco os recursos naturais desses locais. Agravando ainda mais a situao, atravs de habitaes irregulares, quando a rea pblica como o caso do Morro Santana.

Rochas granticas geradas durante estgios de evoluo do cinturo orognico, conhecido como Cinturo Dom Feliciano que reflete a atividade do Ciclo Brasiliano no sul do Brasil. O granito Viamo e o granito Santana so os tipos de rochas granticas, geradas durante a formao do cinturo, que sustentam as formas de relevo.O Granito Santana constitui o padro em morros e possui uma forma alongada de direo NE-SW, sendo seu posicionamento controlado por uma zona de cisalhamento rptil-ductil subvertical de direo NE -SW. Unidade

litolgica mais jovem do que o Granito Viamo. sofreu menos todas as tenses tectnicas que caracterizam a formao do cinturo orognico.Granito Santana foi formado aps o desenvolvimento de grandes falhas transcorrentes que proporcionaram a formao do Granito Viamo. Esse granito formou-se quando passaram a predominar os esforos extensionais, originando novas falhas e reativando as antigas e, durante essa reativao, alojaram-se ao longo das suturas magmas granticos mais novos, como o Granito Santana, a cerca de 550 milhes de anos atrs. No geral, o Granito Santana apresenta uma foliao tectnica com pouca intensidade de deformao e com disposio subparalela foliao magmtica. Somente nos bordos, em contato com o Granito Viamo, a foliao mais forte chegando a apresentar rochas milonticas.

O granito Santana pouco intemperizado com uma pequena cobertura de rocha alterada e os campos de mataces aflorando nos topos e nas encostas do morro Isso ocorre devido existncia de uma estrutura fsico-qumica de desagregao e decomposio desenvolvendo formas esferoidais. Estas evidncias podem refletir as caracterstica do Granito Santana, pois, sendo essa uma rocha mais homognea oferece menor densidade de linhas de fraqueza para o ataque qumico da gua Desse modo, a ao da gua se faz atravs das fraturas verticais e horizontais que ocorrem na superfcie. Nveis centimtricos de solos litlicos arenosos que tem como limitao a sua reduzida espessura e reduzida disponibilidade de gua. Os solos saprolticos mais profundos ocorrem associados s zonas de falha, onde o intemperismo mais intenso Nas reas mais fraturadas, localizadas nas bordas dos morros, observa-se maior ao dos processos de intemperismo, proporcionando um manto de alterao mais profundo e formas de relevo mais baixas.

As formas do relevo provocam diferenas microclimticas (principalmente umidade), que potencializam a ocorrncia de diferentes formaes vegetais, elevando a biodiversidade desta rea.A vegetao caracterstica de Pampa, na encosta norte, noroeste e no topo do morro,

com cerca de 200 ha. considerada relictual, um tipo de formao testemunha da ltima glaciao, preservando espcies endmicas de plantas herbceas, como gramneas e asterceas Ainda ocorrem algumas cactceas e eventuais arbustos e palmeiras. Nas encostas voltadas para o sul e sudeste, o predomnio da vegetao de Mata Atlntica, formada posteriormente ao pampa e que tende a avanar sobre o mesmo, porque nessa latitude, onde se encontram os vales, h uma taxa baixa de incidncia luminosa, sendo mais mida, favorecendo o crescimento e a manuteno de espcies de porte florestal, com formas arbreas latifoliadas e perenes, que medem em mdia 10 a 20 m de altura. Ocorreu a expanso vegetacional oriunda de diferentes partes do continente sul-americano, ocasionando o encontro de pampa e mata atlntica. As formaes vegetais como matas aluviais, campos midos, juncais e macrfitas aquticas foram as mais impactadas, por causa do fcil acesso, e hoje se encontram restritas a poucos locais.O Morro Santana o divisor de guas de trs sub-bacias hidrogrficas: as nascentes dos arroios Dilvio, Feij e Passo das Pedras. (Dossie Morro Santana, 2003.)

A fauna nativa do morro Santana ainda muito pouco estudada. Apesar disto, sabe-se, por meio de relatos pessoais e registros visuais, que esta rea

ainda abriga importantes representantes da fauna nativa local. Alguns mamferos, apesar de no estarem inclusos na Lista das Espcies da Fauna Ameaadas de Extino do Rio Grande do Sul (Decreto no. 41.672 de 10 de Janeiro de 2002), encontram-se em perigo de extino local. A degradao das reas naturais da regio metropolitana de Porto Alegre vem confinando e isolando estas espcies em poucos refgios ainda existentes na malha urbana. Como exemplo, podemos citar o graxaim-do-mato (Cerdocyon thous), o mo-pelada (Procyon cancrivorus) e o ourio-caxeiro (Sphiggurus sp), entre outros. H registros anteriores da ocorrncia de bugio-ruivo (Al