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A PARTICIPAO DE CAMPINAS NA REVOLUO CONSTITUCIONALISTA DE 1932

A PARTICIPAO DE CAMPINAS NA REVOLUO CONSTITUCIONALISTA DE 1932Autores: Fernanda Cristina Vieira PereiraGilberto PiresClia Rodrigues Arajo

Campinas/SPJunho/2014

A PARTICIPAO DE CAMPINAS NA REVOLUO CONSTITUCIONALISTA DE 1932Este estudo faz parte do processo de avaliao final do Curso Redes de Aprendizagem Junho/2014.

A REVOLUO CONSTITUCIONALISTAPara estudar a Revoluo Constitucionalista de 1932, devemos em primeiro lugar entender o contexto de toda transformao social e poltica da dcada de 1930.

Apesar do Brasil demonstrar ser um pas de homens cordiais, sua histria no foi feita com cordialidades, mas com muita luta, violncia e desigualdades, e a Revoluo Constitucionalista um exemplo de combate armado contra o governo autoritrio de Vargas.

A REVOLUO CONSTITUCIONALISTAEm outubro de 1930, Getlio Vargas juntamente com seus aliados, sobe ao poder atravs do golpe poltico e militar. Entre suas primeiras medidas suspende a ordem constitucional, fecha os rgo do Poder Legislativo e substitui os presidentes do estado por interventores estaduais.Desde o incio do governo Vargas, as relaes com o estado de So Paulo mostravam-se tensa, marcada por desacordos e insatisfaes. Em maio de 1932, com a morte de 4 estudantes em So Paulo, iniciou-se a Revoluo. Os nomes dos estudantes formavam a sigla MMDC e foi smbolo da Revoluo Contitucionalista.

CAMPINAS NA REVOLUOO QUE ACONTECIA EM CAMPINAS?

Orozimbo Maia exercia seu terceiro mandato de Prefeito da cidade, durante o perodo de 1931 a 1932. Filiado ao Partido Republicano Paulista PRP, era foi contra o golpe de Getlio Vargas. Quando So Paulo levanta-se contra o governo federal provisrio, Orozimbo Maia rene Campinas para a Revoluo.Campinas era controlada pelos Bares do caf, que estavam indispostos com o governo federal provisrio, pois sentiam-se prejudicados financeiramente com as atitudes autoritrias de Vargas.

Orozimbo Maia apoia a revoluo e com o seu fim em outubro de 1932, foi destitudo do poder, substitudo por algumas horas pelo Tenente Coronel Elias Coelho Cintra, em 1/10/32, e neste mesmo dia, substitudo por Adalberto Cerqueira Lima, que permaneceu at 07/09/33. Orozimbo Maia faleceu em 19/04/1939 e foi enterrado no Cemitrio da Saudade. Foi grande poltico que ajudou a construir a cidade de Campinas, alm de partidrio na luta de 1932.

IMPORTNCIA DE CAMPINASAssim que o estopim foi lanado na cidade de So Paulo, Campinas acompanhou a capital do Estado, apoiando a causa revolucionria. Orozimbo Maia acatou de pronto o pedido de ajuda, tornando-se um quartel general de entrada para o interior do Estado.Nenhum campineiro fugiu luta contra ditadura, aqueles que no partiram, ficaram na retaguarda, oferecendo subsdios para a guerra.Como na maioria das guerras do sculo XX, as estaes ferrovirias tornavam-se o corao das operaes estratgicas e militares. E na verdade isso ocorria ... Conforme podemos ver no mapa, a Companhia Mogiana expandiu-se para o interior do Estado, e, durante a revoluo as ferrovias propiciaram o trnsito de voluntrios , o transporte de armamentos, mantimentos e etc.

Campinas tornou-se o quartel general das foras paulistas, e a Estao as veias pulsantes da revoluo.

Os legalistas acreditavam que precisavam barras as ferrovias paulistas para conter a revoluo.

CASAMATA EM CAMPINASA Estao Ferroviria foi to importante para os combatentes constitucionalista como desejada pelos varguistas.Inclusive, encontrou-se aps o episdio de 1932, uma casamata apenas a trezentos metros do prdio da Estao Cultura, no centro da cidade, dentro da Estao Ferroviria.

A casamata da Estao Ferroviria encontra-se em processo de tombamento pela Prefeitura Municipal.CAMPINAS REFORA O CONTINGENTE PAULISTACampinas foi militarmente ocupada. Foram reunidos na cidade, numerosos batalhes dos Estados de Minas Gerais, Bahia, Cear e Rio Grande do Norte. Na cidade, os soldados acampavam em edifcios pblicos e particulares, Grupos Escolares, Colgios, alm do Quartel existente na Avenida da Saudade e no Bosque dos Jequitibs.

Voluntrio do jornal Correio Popular e um menino

Passagem do Batalho da Justia por Campinas. Nesta foto tirada nas escadarias da catedral, o Prefeito Orozimbo Maia foi cumpriment-los.Campinas enviou cerca de 2.000 soldados para o front de batalha, durante a revoluo. Apenas 26 morreram em combate, alm de um menino, atingido por bombardeio na cidade (Aldo Chioratto).

Com a queda de Itapira e Mogi Mirim, na segunda quinzena de agosto de 1932, Campinas passou a ser pressionada pelas foras militares de Getlio, e no poderia suportar mais por muito tempo.

DEFESA DE CAMPINAS EM SETEMBRO DE 1932A defesa da cidade foi confiada, em meados de setembro de 1932, os seguintes batalhes:

1 Grupamento (ou BI)Comandante: Cap. Raul Pinto de Melo F.P.S.P.TropasDuas Cias. Do 6 B.C. da F.P.S.P. 260 homensBat. 9 de Julho120 homensBat. Diocesano (capital)130 homensContingente da G. Civil de So Paulo70 homensTotal580 homens2 Grupamento Comandante: Cap. Benedito Pedro dos Santos F.P.S.P.Bat. Catanduva (voluntrios)120 homensBat. Rio Preto (voluntrios)110 homensBat. Misto (contingente diversos/voluntrios)100 homensBat. Serra Negra (voluntrios)150 homensTotal480 homens3 Grupamento (ou BI)Comandante: Cap. Carlos Trita do E.N.Bat. N. S. Aparecida180 homensCia do 7 B.C. da F.P.S.P.90 homensBat. Pinhalense80 homensBat. Liga de Defesa Paulista150 homensTotal500 homens4 Grupamento (BI)Comandante: Cap. Ccero Nunes da Costa F.P.S.P.Bat. Noroeste110 homensBat. Gal. Ozrio83 homensBat. Legio Paulista146 homensCia. 3 B.C. da F.P.S.P.50 homensTotal389 homens5 Grupamento (BI)Comandante: Major Leonidas (civil)Batalho de efetivo reduzido, formados por contingentes mistos a saber:a) Elementos da Justia do Estado 80 homensb) Elementos de Novo Horizonte100 homensc) Elementos da Legio Negra70 homensTotal250 homensBOMBARDEIOSCampinas foi uma das poucas cidades brasileiras que sofreram bombardeios pelos prprios brasileiros. Os bombardeios ocorreram entre os dias de 15 e 29 de setembro de 1932.A sirene do jornal Correio Popular, na Rua Conceio anunciava a presena de avies e possveis bombardeios.Os bombardeios de 18/09/1932 atingiram a Estao Paulista; a Fbrica Mac Hardy, na Avenida Campos Sales com a Andrade Neves; e nos fundos de uma residncia na Rua Visconde do Rio Branco. No bombardeio houve 27 feridos e uma morte, a do menino Aldo Chioratto.Infelizmente, poucas imagens retratam os bombardeios, em razo da ditadura apagar todos os vestgios de crueldades aplicados nas cidades.

BOMBARDEIO DE 18 DE SETEMBRO DE 1932Neste dia foram lanadas quatro bombas:Uma caiu na Estao Ferroviria, atravessou o teto de zinco, furou o telhado e explodiu uma das vigas de ferro que suportavam o telhado, diminuindo seu impacto e causando apenas danos materiais. A segunda, caiu em frente Estao, entre o ponto de automveis, o posto de telgrafo e a sesso de despacho, causando a morte de Aldo, e dos outros feridos;Outra bomba atingiu as proximidades da Companhia Mac Hardy, derrubando um pilar do edifcio; A ltima caiu no nmero 164, da rua Visconde do Rio Branco, residncia deAthayde dos Santos, que feriu-se na cabea.

VERMELHINHOS DE GETLIOOs avies do governo federal, os chamados vermelhinhos, causavam medo e pnico na populao quando sobrevoavam a cidade.

Vermelhinhos modelo dos avies utilizados durante a Revoluo ConstitucionalistaO HERI MENINOAldo Chioratto nasceu em Campinas/SP, em 06 de outubro de 1922. Tinha quase dez anos quando foi atingido por um bombardeio legalista na Estao Paulista, no dia 18 de setembro de 1932.

O menino heri era aluno do Grupo Escolar Orozimbo Maia - hoje EE Orozimbo Maia tambm fazia parte do grupo de escoteiros da cidade vinculada ao Grupo Escolar. Durante o estopim da revoluo, o menino integrou-se as tropas paulistas e fazia servio de transporte e correspondncia da estao ferroviria at o Quartel.Os restos mortais de Aldo encontravam-se enterrados no Cemitrio da Saudade, em Campinas at 1966, onde foi transferido para oMausolu Constitucionalista, ao lado de outros importantes heris.

Dos estudos realizados pelos documentos da poca, no se sabe ao certo, se Aldo trabalhava durante o bombardeio ou se estava com seus pais passeando pela cidade, o que se sabe que o menino foi atingido pela segunda bomba lanada pelos avies, caindo exatamente em frente Estao, entre o ponto de automveis, o posto de telgrafo e a sesso de despacho.

Durante os bombardeios, a populao abrigava-se onde podia, qualquer poro que oferecesse segurana era ocupado. O Bosque dos Jequitibs foi utilizado como refgio, somente depois que os voluntrios que estavam ali acampados foram retirados pelas prprias tropas paulistas.Fato importante - os soldados acampados no Bosque dos Jequitibs, em sua maioria voluntrios vindos da Bahia, melhoraram seu rancho com os animais que ali habitavam. O zoolgico municipal foi extinto, nem a ona sobrou para contar a histria.

O Largo do Rosrio tornou-se uma espcie de Quartel General local e foram criados batalhes de voluntrios, na Avenida Francisco Glicrio. No dia 16 de julho de 1932, os voluntrios partiram da Estao Ferroviria.Personalidades famosas participaram do movimento constitucionalista, tais como, Lix da Cunha, Campinas contou com a participao da populao para apoiar a Revoluo. Destacaram-se na mobilizao: a Liga das Senhoras de Campinas, Associao Evanglica de Campinas, Legio Feminina Barreto Leme, as Legionrias de 32.

A Legio Feminina Barreto Leme, sob a direo do casal Gumercindo e Dulcinia Guimares. Sua casa era o quartel general das legionrias, que saam as ruas para angariar fundos que se reverteriam em alimentos, armas, roupas, agasalhos, fardamentos, ou seja, tudo que fosse possvel enviar para os soldados na frente de batalha.ABANDONO DAS ARMASAps os bombardeios, a cidade comeou a ceder aos combates e logo, abandonou a luta.Na noite de 29 de setembro de 1932, aproximadamente s 22:00, uma centena de soldados paulistas foram vistos de tnicas sujas e rasgadas puxando 4 canhes, em marcha desordenada pela Rua Baro de Jaguara, em direo Ponte Preta. Quando questionados, os soldados diziam estar indo rumo Jundia para uma batalha na Serra dos Cristais.Na verdade, na manh seguinte, no dia 30 de setembro de 1932, foram encontrados fuzis e baionetas abandonados pelos retirantes.Os soldados fugiram, bem como, todas as autoridades da cidade. O Casaro da Delegacia e o Quartel da Guarda Civil, localizados naqueles tempos na Rua Marechal Deodoro e na rua Jos Paulino, respectivamente.FIM DA BATALHA EM CAMPINASAinda, em meados de setembro de 1932, j quase no fim da Revoluo, as tropas do governo atingiram Campinas, nas proximidades de Joaquim Egdio. Havia disparos de canhes tarde e noite. Os disparos podiam ser ouvidos pelos moradores do Taquaral e do Cambu, causando temor entre a populao. Com o abandono das tropas paulistas, as tropas Getulistas assumem o poder.

RENDIO PAULISTAA rendio foi assinada pelo General Klinger, em 2 de outubro de 1932, duas semanas aps a morte do menino Aldo. O PEGA PEGA DE 23 DE FEVEREIRO DE 1933.O cortejo do primeiro soldado campineiro, morto em batalha ocorreu repleto de emoo e violncia.Antonio Fernandes foi voluntrio do 2 Grupo de Artilharia da Montanha, tombado em Buri/SP, em 22 de julho de 1932.O povo foi convidado a comparecer ao cortejo, entretanto, no esperava a confuso que estava por vir.

O povo compareceu s ruas quase que obrigatoriamente, com gravatas ou lenos negros, simbolizando o luto dos vencidos.Alunos fardados em forma como uma parada cvica, desfilavam rumo a Estao Ferroviria para aguardar a urna, contendo os restos mortais de Fernandes. Tambm compareceram representantes das mais diversas agremiaes, homens, mulheres e crianas.Enquanto aguardavam o trem com a urna, um bonde que passava em frente Estao, no se sabe ao certo se era da linha da Vila Industrial ou do Bonfim, era ocupado por trs soldados das tropas governamentais. Os soldados estavam desarmados e foram atacados e espancados pela populao mais raivosa.Com a chegada da urna, o cortejo toma a direo da Rua Treze de Maio, at a Catedral da cidade, para o Ofcio dos Mortos realizados pelo Monsenhor Loschi, prosseguindo para o Cemitrio da Saudade.Diante do exaltado episdio da Estao Ferroviria, encorajou-se a atividade de desordeiros.Foram atacados diversos soldados durante o cortejo fnebre, resultando na morte de um soldado baiano ou do Rio Grande do Norte.O momento mais tenso do trajeto ocorreu durante a passagem do cortejo em frente o quartel da Avenida da Saudade, onde os soldados nada fizeram contra ningum. Contudo, na volta, as coisas no foram bem assim.Na volta tudo mudou. Na frente do quartel, moas e rapazes foram acossados e dispersados a golpe de sabre e fivela de cinturo militar.As alunas normalistas correram para abrigar-se no Grupo Escolar mais prximo, entretanto, encontraram oficiais ocupando o lugar.O pior ocorreu no centro da cidade. Os soldados desceram dos quartis, dividiram-se em grupos de 10 a 12 homens e espalharam-se por ruas e praas centrais para uma ao agressora perfeitamente organizada.Os soldados agrediam com sabres e cinturo militar, arrancavam as gravatas e paravam os bondes retirando os passageiros com violncia.At figuras ilustres foram atacadas, Dr. Cunha Campos, brutalmente agredido na Baro de Jaguara com a Rua Conceio e Orozimbo Maia, desacatado na Antiga Agncia dos Correios.O Batalho que sofreu a perda de um soldado, vtima dos desordeiros, teve que ser mantido sob vigilncia por outro Batalho durante dias, para evitar qualquer vingana. MAUSOLU DOS CAMPINEIROS MORTOS NA REVOLUO CONSTITUCIONALISTA DE 1932Diante da participao de Campinas na Revoluo de 1932, foi necessrio erigir um monumento para comemorar a daO Mausolu est localizado na Avenida da Saudade, na Praa dos Voluntrios de 32, ao lado direito do porto do Cemitrio da Saudade. A inaugurao foi em 9 de julho de 1935 e a construo ficou a cargo da iniciativa popular.

PROPAGANDA PARA ANGARIAR FUNDOS PARA A CONSTRUO

CAMPINEIROS ENTERRADOS NO MAUSOLU

COMEMORAES DE 9 DE JULHOTodos os anos realizam-se solenidades no Mausolu dos Campineiros Mortos durante a Revoluo de 1932, no Cemitrio da Saudade, para lembrar dos mortos e comemorar a luta dos que sobreviveram. Aos 82 anos passados da revoluo, a histria da participao de Campinas vem sendo esquecida ao longo dos tempos.As comemoraes de 9 de julho reforam a memria do campineiro e resgata sua histria para que no erre novamente.

Infelizmente, todos os ex combatentes campineiros j faleceram, o ltimo foi Paulo de Barros Camargo, falecido em 13 de outubro de 2012.

Paulo era o ltimo ex combatente campineiro vivo.Campinas participou bravamente da Revoluo Constitucional de 1932, fornecendo combatentes e coragem para a construo de um Estado/pas melhor e longe dos governos ditatoriais.

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