A palavra e o som, o ritmo e a harmonia, na medida em que actuam ...

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  • A palavra e o som, o ritmo e a harmonia, na medida em que

    actuam pela palavra, pelo som ou por ambos, so as nicas

    foras formadoras da alma [] o domnio da palavra

    significa a soberania do esprito.

    Werner Jaeger

    A msica a arte que exprime o inexprimvel, que diz o

    inefvel, a voz primordial do homem. Tanto a intimidade do

    eu como a infinidade do Universo se exprimem na msica

    como em nenhuma outra arte.

    Vitor Aguiar e Silva (2008: 175)

  • Agradecimentos

    Aos meus orientadores da FLUC, Professora Doutora Cristina Mello e Professor

    Doutor Joo da Costa Domingues, pela dedicao, disponibilidade e apoio incondicional

    na realizao do presente trabalho.

    s minhas orientadoras da Escola, Edite e Isabel Tavares, pelas experincias

    trocadas, pela amizade e entreajuda.

    Escola Profissional de Vouzela que me proporcionou a realizao da minha

    prtica pedaggica supervisionada.

    Aos alunos do 12 A e do 12 B, pela colaborao, pelo empenho, pelas pessoas

    que so.

    minha querida amiga, Maria das Dores, pela amizade, pelo apoio incondicional.

    Ao meu marido, aos meus filhos, por me terem apoiado, ajudado e incentivado

    nesta etapa da minha vida.

    A todos o meu bem-haja!

  • ndice

    Resumo ........................................................................................................................... V

    Abstract .......................................................................................................................... V

    Introduo ...................................................................................................................... 1

    CAPITULO I ................................................................................................................ 3

    1. Caracterizao da realidade pedaggica ................................................................... 3

    1.1. A Escola ............................................................................................................. 3

    1.2. Localizao ......................................................................................................... 6

    1.3. Organizao do processo de ensino aprendizagem ......................................... 7

    1.3.1. O Projeto Educativo de Escola ................................................................... 7

    1.4. Perfil das Turmas observadas ........................................................................... 10

    1.4.1 A turma de Portugus ................................................................................ 10

    1.4.2 A turma de Francs ................................................................................... 11

    1.5. A professora estagiria ..................................................................................... 13

    2. Prtica Pedaggica supervisionada ........................................................................ 14

    2.1. Expectativas e Desafios .................................................................................... 14

    2.1.1. Prtica Pedaggica de Portugus, LM ....................................................... 16

    2.1.2. Prtica Pedaggica de Francs, LE ........................................................... 18

    2.2. Atividades extracurriculares ............................................................................. 20

    2.3. Aes de formao de mbito geral ................................................................. 22

    2.4. Sntese .............................................................................................................. 23

    CAPITULO II ............................................................................................................. 24

    1. A abordagem da musicalidade na lngua e no texto. ............................................... 24

  • 1.1. Musicalidade: definio, caractersticas e relevncia ....................................... 25

    1.2. A importncia da Musicalidade no Ensino de Portugus ................................. 30

    1.2.1. Apresentao e anlise das atividades realizadas na disciplina de

    Portugus em sala de aula ....................................................................................... 32

    2. O uso da msica no ensino ...................................................................................... 49

    2.1. A importncia da msica na aprendizagem da lngua estrangeira ................... 50

    2.1.1 Apresentao e anlise das atividades realizadas na disciplina de Francs

    em sala de aula ..................................................................................................... 54

    Consideraes Finais .................................................................................................... 64

    Bibliografia .................................................................................................................. 68

    Anexos .......................................................................................................................... 72

  • Resumo

    O presente relatrio incide sobre a minha Prtica de Ensino Supervisionada,

    (P.E.S), realizada na Escola Profissional de Vouzela, ao longo do ano letivo de

    2014/2015. O relato e respetiva reflexo crtica centram-se na prtica letiva referente ao

    nvel de ensino que acompanhei, o 12Ano, nas disciplinas de Portugus e de Francs.

    A aplicao prtica do tema em estudo, A Musicalidade em Contexto de Ensino

    de Portugus, LM, e de Francs, LE, foi realizada de acordo com as orientaes dos

    respetivos programas curriculares.

    Este trabalho de investigao, como o ttulo deixa adivinhar, versa a musicalidade

    em contexto de ensino, concretizado em diversas atividades em ambas as disciplinas, no

    intuito de abordar algumas dimenses da musicalidade: a melodia, o ritmo, as

    sonoridades, aspetos trabalhados nesta prtica pedaggica ao nvel da lngua e do texto.

    Pretende-se ainda demonstrar que, por meio de metodologias diferenciadas, a msica

    pode ser um importante instrumento de aprendizagem no ensino de uma lngua

    estrangeira, neste caso a lngua francesa.

    Abstract

    This report focuses on my Supervised Teaching Practice held at Escola

    Profissional de Vouzela (a vocational school), throughout the school year 2014/2015. The

    report and the critical reflection focus on the teaching practice that I accompanied, the

    12th grade, in Portuguese and French subjects.

    The practical application of the subject under study, The Musicality in Context of

    Teaching Portuguese as first language, and French as foreign language, was carried out

    according to the guidelines of the curricula.

    This research work, as the title suggests, highlights musicality in educational

    context, implemented in various activities in both subjects in order to approach some

    dimensions of the music: the melody, the rhythm and the sounds. These aspects were

    worked in this educational practice in the dimensions of language and text. It also aims

    to demonstrate that, through different methodologies, music can be an important learning

    tool in teaching a foreign language, in this case French.

  • Abreviaturas

    EPV Escola Profissional de Vouzela

    CET Cursos de Especializao Tecnolgica

    UE Unio Europeia

    IEFP Instituto de Emprego e Formao Profissional

    CNC Centro Numrico Computorizado

    PEE Projeto Educativo de Escola

  • 1

    Introduo

    Este relatrio visa descrever e fundamentar cientificamente o trabalho realizado

    na Escola Profissional de Vouzela, durante a prtica de ensino supervisionada, no mbito

    do Mestrado em Ensino de Portugus no 3ciclo do Ensino Bsico e Ensino Secundrio e

    de Francs nos Ensinos Bsico e Secundrio.

    O tema deste trabalho - A Musicalidade em Contexto de Ensino de Portugus,

    LM, e de Francs, LE - surgiu por gosto e motivao da estagiria em tratar este tema,

    em sala de aula, com alunos do 12 ano de um curso profissional.

    Na verdade, a sua grande motivao ficou a dever-se ao facto de, por vezes, haver

    a ideia errada de que os alunos que frequentam este tipo de ensino so menos dotados,

    menos empenhados, pouco trabalhadores e que apresentam um fraco percurso acadmico.

    Desmistificar esta ideia pr-concebida foi nossa inteno, comprovando-a atravs do

    trabalho desenvolvido com as turmas, ao longo desta prtica letiva.

    Abordar as dimenses da musicalidade nas diversas tipologias textuais, presentes

    nas unidades curriculares a lecionar, foi objetivo essencial neste trabalho. Embora

    sabendo que no era um tema fcil de trabalhar, persistimos nesta ideia, pois era um

    desafio que pretendamos vivenciar. Acreditvamos no trabalho dos alunos e na sua boa

    vontade em colaborar connosco nesta tarefa. Sabamos que, da nossa parte, teramos de

    encontrar instrumentos pedaggicos atrativos e motivadores com o propsito de os cativar

    e que a escolha de atividades contribusse para o desenvolvimento da inteligncia e

    pensamento crtico do aluno fosse tambm criteriosa.

    Enquanto professores, aprendemos que, ao longo do nosso percurso profissional,

    iremos encontrar todo o tipo de alunos: uns com mais ou menos dificuldades do que

    outros; com ritmos de trabalho diferentes; com interesses e responsabilidades

    diferenciadas, cabendo-nos a ns, professores, encontrar estratgias adequadas, formas

    de aprendizagem diversificadas de forma a motivar e a despertar o interesse dos alunos

    para os contedos a serem estudados.

    Neste mbito, e na disciplina de Portugus, foram trabalhados o ritmo, a melodia,

    a harmonia imitativa, as sonoridades, em textos como a Ode Triunfal de lvaro de

    Campos, O Mostrengo de Fernando Pessoa e em excertos de Memorial do Convento de

    Jos Saramago.

  • 2

    Na turma de Francs pretendamos que os alunos tomassem conscincia das

    sonoridades da lngua a fim de utiliz-las convenientemente a partir de situaes do

    quotidiano, por exemplo uma ida ao restaurante, trabalhando, desta forma, os domnios

    da prosdia e da fontica, entre outros. Ao trabalharmos a msica, cano em sala de aula,

    pretendamos despertar a curiosidade e o interesse dos alunos com vista a facilitar a

    aprendizagem em LE. Alm disso, todos sabemos que a msica uma forma de olhar

    outras realidades, uma via que proporciona a interpretao do mundo, o entendimento de

    outras culturas, e de outras civilizaes.

    Apresentamos um trabalho em duas partes: captulo I, onde se contextualiza a

    Escola e a sua zona envolvente; captulo II, onde exploramos o tema A Musicalidade

    em Contexto de Ensino de Portugus, LM, e de Francs, LE- segundo bases cientficas e

    no qual se defende o tipo de investigao, e se descreve a metodologia seguida nas

    atividades realizadas em contexto de estgio. O trabalho contempla ainda uma parte final

    onde se tecem apreciaes pessoais e pedaggicas, em jeito de reflexes/ ponderaes

    finais que nos foi possvel extrair do estudo concreto que fizemos.

  • 3

    Captulo I

    Pelo sonho que vamos

    Pelo sonho que vamos,

    comovidos e mudos.

    Chegamos? No chegamos?

    Haja ou no haja frutos,

    pelo sonho que vamos.

    Basta a f no que temos.

    Basta a esperana

    naquilo que talvez no teremos.

    Basta que a alma demos,

    com a mesma alegria,

    ao que desconhecemos

    e ao que do dia a dia.

    Chegamos? No chegamos?

    Partimos. Vamos. Somos.

    Sebastio da Gama

    1. Caracterizao da realidade pedaggica

    1.1. A Escola

    A Escola Profissional de Vouzela, doravante referida como EPV, iniciou a sua

    atividade em outubro de 1991. A carncia de mo-de-obra especializada, no ramo da

    hotelaria da regio, e a elevada percentagem de alunos que abandonavam precocemente

    a escola sem preparao para a vida e para o mercado de trabalho, foram a razo pela qual

    se criou esta Escola Profissional. uma escola que se ajusta s necessidades de formao

    e valorizao profissional de todos os que pretendem ingressar mais cedo no mundo do

    trabalho. Os cursos candidatados pela EPV so escolhidos de acordo com as necessidades

    do mercado de trabalho definidas pelo Ministrio da Educao. Desde o primeiro

    momento, a ideia base foi sempre a Hotelaria, no s pelo facto de a Regio de Lafes

  • 4

    incluir a zona termal de S. Pedro do Sul, mas tambm pelas fortes potencialidades

    tursticas que esta zona detm e que preciso explorar.

    Ter sido esta a ideia base de todo o projeto, embora, na data da sua criao, tenha

    surgido tambm no concelho o desejo de criar a sua zona industrial como instrumento de

    desenvolvimento regional. Nasce ento a Escola Profissional, desde logo com duas

    vertentes: a da Hotelaria e a de Eletricidade, cursos de nvel II da U.E.1, que deram

    formao inicial a uma centena de jovens.

    Com a evoluo do Ensino Profissional, a Escola viu-se obrigada a enveredar por

    formao de tcnicos de nvel III da U.E.2, embora nunca se tenha afastado da ideia

    inicial: os cursos na rea de Hotelaria/Turismo; Eletricidade/Eletrnica e Construo

    Civil.

    Atualmente, os cursos so de nvel IV e conferem um certificado profissional e a

    equivalncia ao 12 ano, permitindo, tambm, o prosseguimento de estudos a todos os

    jovens que o desejem. A mdia anual de jovens que frequenta a Escola de 250 alunos,

    distribudos pelos cursos profissionais (Nvel IV, ou seja, 10, 11, 12 anos) de Tcnico

    de Manuteno Industrial / Eletromecnica; Tcnico de Manuteno Industrial /

    Mecatrnica; Tcnico de Manuteno Industrial/ Mecatrnica Automvel; Tcnico de

    Restaurao / Restaurante/ Bar; Tcnico de Restaurao / Cozinha/Pastelaria; Tcnico de

    Secretariado/ Mecatrnica; Tcnico de Mecatrnica/Comrcio e pelos cursos vocacionais

    de educao e formao (Nvel II) de Hotelaria: Cozinha e Pastelaria; Restaurante/Bar,

    Receo e Atendimento e de Eletromecnica: Mecatrnica Automvel/ Mecatrnica,

    alm de duas turmas CEF em parceria com o IEFP de Viseu.

    O nmero de professores de cerca de 40, alguns deles na situao de formadores

    internos da Escola, h j alguns anos. A quase totalidade tem formao acadmica, sendo

    uma percentagem razovel no ramo educacional, logo profissionalizados. H vrios

    professores que possuem Mestrado, a saber: em Ensino da Histria e Geografia, em

    Cincias da Educao, em Psicologia da Educao, em Desporto e Educao Fsica e em

    Educao Especial. Dois professores possuem Bacharelato: um, em Engenharia

    Eletrotcnica, e outro em Nutrio Humana, Social e Escolar. H, ainda, dois professores

    com um Curso de Especializao Tecnolgica (CET), de nvel IV, de Restaurao. No

    Servio de Psicologia e Orientao trabalha uma psicloga a tempo inteiro que coordena

    1 Cursos de nvel II correspondentes ao 9 Ano de escolaridade. 2 Cursos de nvel III que correspondiam ao 10, 11 e 12 Ano de escolaridade; atualmente correspondem

    ao nvel IV.

  • 5

    o seu trabalho com os docentes da instituio e a Direo Pedaggica e uma professora

    do Ensino Especial, de modo a asseverar uma maior eficincia na realizao dos

    objetivos, expectativas e interesses dos alunos.

    A instituio tem 16 funcionrios, distribudos por assistentes administrativos,

    auxiliares de ao educativa e ajudantes da cozinha.

    Os alunos finalistas de cada ciclo de ensino realizam estgios curriculares

    (formao em contexto de trabalho) cuja finalidade a de proporcionar-lhes, mediante

    contacto com o campo real do exerccio da sua profisso, a aquisio de conhecimentos

    e o desenvolvimento das competncias adquiridas no seu percurso acadmico, visando

    uma melhor qualificao do futuro profissional. Para alm da experincia no campo

    profissional, das interaes de relacionamento humano, da vivncia prtica, do contacto

    com o ambiente e a realidade do trabalho profissional, esta formao permite ainda

    contribuir para a formao social e humana do estudante, bem como promover a

    integrao da escola, no meio empresarial e na comunidade.

    O Espao Fsico

    A Escola Profissional de Vouzela est instalada num espao que, embora no

    sendo inicialmente pensado para esse fim, pois era uma cooperativa, sofreu vrias

    transformaes, tendo sido feito um grande investimento na adequao dos espaos o que

    lhe permite ser, hoje, um espao simptico, colorido, totalmente equipado com salas de

    informtica, laboratrios bem apetrechados (serralharia, Centro Numrico

    Computorizado (CNC), cozinha, oficinas, salo de cabeleireiro), biblioteca, espaos de

    convvio e lazer. Tem ainda um bar onde os alunos podem tomar o pequeno-almoo e que

    funciona, tambm, como sala de convvio. A cantina um local muito agradvel onde

    alunos, professores e funcionrios almoam diariamente. A comida de excelente

    qualidade, sendo muito bem confecionada. A Escola no tem ginsio para a prtica de

    Educao Fsica, tendo os alunos que se deslocar para as instalaes da Cmara Municipal

    que ficam no centro da vila, e que dispem de ginsio, campos de futebol, basquetebol,

    andebol e tnis.

    A Escola pode orgulhar-se de possuir um conjunto de requisitos que a colocou em

    timas condies para ministrar um ensino de qualidade assim como um corpo docente

    qualificado e profundamente empenhado na obteno do sucesso dos seus alunos.

  • 6

    A escola tem vindo, desde 2006, a direcionar-se para as reas da Mecnica,

    Eletrnica e Eletricidade, usufruindo de mais de 400m2 de rea coberta de oficinas

    apetrechadas com tecnologia de ponta.

    CNC Salo de Cabeleireiro Salo/Restaurante

    Ao longo de 22 anos a formar profissionais, a Escola Profissional no poder ser

    vista como uma via menor no processo educativo. , isso sim, uma via de ensino

    diferente, porque mais virada para o aprender fazendo, mais ajustada s necessidades de

    formao e valorizao profissional de todos aqueles que procuram ingressar mais cedo

    no mundo do trabalho com uma qualificao profissional.

    1.2. Localizao

    A Escola Profissional

    situa-se na vila de Vouzela. O

    concelho de Vouzela encaixa-se

    na Beira Alta, em plena zona de

    Lafes, distrito de Viseu. Tem

    uma rea de 191,65 km e 10 540

    habitantes distribudos por 12

    freguesias: Alcofra, Cambra,

    Campia, Carvalhal de Vermilhas,

    Fataunos, Figueiredo das Donas,

    Mapa do concelho de Vouzela

  • 7

    Fornelo do Monte, Paos de Vilharigues, Queir, S. Miguel do Mato, Ventosa e Vouzela3.

    Vouzela uma vila de origens remotas, situada numa verdejante regio de grande

    beleza natural e forte feio rural e tradicional, com um interessante patrimnio

    arquitetnico. Destaca-se a bela Igreja Matriz em estilo Romnico, o Pelourinho, a Igreja

    da Misericrdia do sculo XVIII, a Capela de So Frei Gil, datada do sculo XVII, bem

    como os vrios solares e casas Senhoriais, construdas com o tpico granito da regio, que

    podem ser encontradas por toda a regio, denotando a importncia agrcola e consequente

    gerao de riqueza para os senhores da terra ao longo dos sculos. Este concelho tem

    sabido manter as suas tradies, mormente rurais e etnogrficas ao longo do tempo,

    destacando-se, ainda hoje, o seu artesanato com trabalhos em linho, as colchas regionais,

    ou as muitas peas de cestaria. Em termos Gastronmicos, muito h para conhecer e

    degustar: a famosa Vitela de Lafes, os Pastis de Vouzela ou o Folar, verdadeiros ex-

    libris gastronmicos da regio.

    Tal como a vila, tambm o meio que envolve a escola de cariz rural, embora nos

    ltimos anos a indstria e os servios tenham vindo a aumentar, sendo a escola, em parte,

    responsvel pelo desenvolvimento da regio pelos postos de trabalho que cria e pelo

    nmero de alunos que todos os anos atrai, oriundos de outros concelhos, de outros

    distritos e at mesmo de outros pases.

    1.3. Organizao do processo de ensino aprendizagem

    1.3.1. O Projeto Educativo de Escola 4

    O mais importante na vida no saberes onde ests, mas sim para onde vais.

    Goethe

    O Projeto Educativo de Escola, representando uma rutura com a normalizao,

    pode constituir uma referncia e um dispositivo para a construo contnua da mudana,

    para a organizao da escola (no presente e no futuro), para a clarificao das

    intencionalidades educativas e para a articulao das participaes dos diversos

    protagonistas.

    3 Veja-se Municpio de Vouzela, disponvel em http://www.cm-vouzela.pt (acedido em 5 de Novembro

    2014) 4 As informaes constantes neste captulo foram recolhidas no documento Projeto Educativo para o

    Trinio 2013/2016.

  • 8

    O PE da Escola Profissional de Vouzela uma das formas que a mesma encontrou

    de planificar a organizao da instituio, coordenando as suas atividades e

    racionalizando os seus recursos, de forma a solucionar os seus problemas e a reforar as

    suas competncias, com vista a uma melhoraria permanente da qualidade do seu ensino.

    Em suma, constam no PE da Escola Profissional de Vouzela os seguintes pontos

    orientadores:

    Proporcionar uma formao geral comum a todos os cidados;

    Promover o desenvolvimento das aptides, interesses, esprito crtico e

    criatividade de cada aluno;

    Proporcionar condies para a formao de cidados livres, autnomos,

    civicamente responsveis, democraticamente intervenientes, solidrios e

    cooperantes;

    Desenvolver no aluno a capacidade de ser ele o agente basilar do seu prprio

    processo de aprendizagem, de modo a que exista um maior empenho no

    processo ensino-aprendizagem;

    Fomentar o interesse por uma atualizao permanente de conhecimentos;

    Estimular uma constante disponibilidade para a mudana e necessria

    adaptao;

    Promover a dignificao do trabalho, muito particularmente do trabalho

    manual;

    Assegurar uma slida formao profissional, que associe o saber ao saber

    fazer;

    Proporcionar a aquisio de conhecimentos cientficos e tecnolgicos que

    garantam a validade do ttulo profissional;

    Valorizar a componente prtica da formao profissional;

    Proporcionar aos jovens uma melhor insero no mundo de trabalho,

    convenientemente preparados;

    Contribuir para a soluo do problema das carncias de mo-de-obra

    especializada em determinados setores de atividade;

    Formar jovens tcnicos qualificados;

    Responder s necessidades do mercado de trabalho;

    Reforar o envolvimento com o tecido empresarial da regio;

    Educar para a cidadania;

    Estimular uma disponibilidade para a inovao e mudana;

  • 9

    Promover uma cultura de qualidade/excelncia.

    O Projeto Educativo concretiza-se anualmente atravs de um plano de atividades.

    Foi proposto em Conselho Pedaggico e elaborado em conformidade com os objetivos

    pedaggicos/de aprendizagem no domnio dos diversos saberes saber conhecimento,

    saber fazer e saber estar. O Plano Anual de Atividades, enquanto expoente mximo da

    concretizao do Projeto Educativo, acompanhado de forma permanente e interativa e,

    em funo dos resultados obtidos, so feitos ajustamentos ou complementos.

    A Escola Profissional de Vouzela pretende adotar uma pedagogia de sucesso a

    qual, na mesma inteno, rena uma pedagogia por objetivos, uma pedagogia da

    avaliao formativa e uma pedagogia de eficcia geral.

    Nesta perspetiva, h que planificar o ensino aprendizagem de modo a mobilizar

    toda a comunidade escolar para desenvolver atividades numa relao com o meio

    envolvente.

    Neste sentido pretende-se explicitamente:

    A integrao da escola na regio em que est inserida, de modo a responder aos

    problemas e anseios da comunidade;

    A participao dos jovens, como elementos transformadores, na sociedade. Esta

    participao dever passar pela anlise do contexto social, econmico, poltico,

    cultural (regional, nacional e internacional), pela anlise das contradies sociais,

    pela crtica das situaes que se pretendem superar, pela denncia de toda a

    alienao a ignorncia, a fome, a explorao pela persecuo, enfim, de ntidos

    objetivos de criar hbitos de reflexo pessoal, levando cada um a pensar por si

    prprio, a julgar sem indiferena e sem dogmatismo, possibilitando a afirmao

    de uma capacidade crtica;

    Estabelecer a unio entre o estudo e o trabalho produtivo, entre a teoria e a prtica,

    por ser este o caminho essencial para a preparao dos futuros homens livres;

    A formao a partir do conhecimento da realidade concreta da vida regional e

    nacional, jovens interessados na resoluo de futuros problemas nacionais e,

    simultaneamente, desenvolver, numa perspetiva internacionalista, a solidariedade

    com os problemas dos outros povos.

  • 10

    1.4. Perfil das Turmas observadas

    Para proceder caracterizao das turmas, foram consultados os dados

    apresentados na ficha de caracterizao da turma, elaborada pelos diretores de turma e

    arquivada no dossi da mesma.

    1.4.1 A turma de Portugus

    O grupo onde decorre a experincia de observao, turma 12 A, no mbito da

    disciplina de Portugus, composto por 11 rapazes e 7 raparigas, com idades

    compreendidas entre os 17 e os 27 anos. A razo desta turma ser reduzida prende-se com

    o facto de um aluno ter necessidades educativas especiais e estar abrangido pelo Decreto-

    lei n. 3/20085. Ao longo do seu percurso escolar, h 8 alunos com retenes em anos

    anteriores, alguns com retenes repetidas. A maioria provm de famlias de estrato social

    medio/baixo, no possuindo os pais graus de escolaridade elevados. Excetua-se o caso de

    um dos alunos, cujos pais so licenciados.

    So jovens oriundos de vrios pontos do pas, quase todos de nacionalidade

    portuguesa, embora haja duas alunas santomenses e um aluno brasileiro, cujas idades

    variam entre os 17 e os 27 anos. A maioria dos alunos reside em Vouzela, em regime de

    alojamento, uma vez que so quase todos habitantes de localidades distantes. H apenas

    dois alunos que vivem na cidade de So Pedro do Sul e que vo dormir a casa. Os restantes

    so oriundos de localidades bem distintas que vo desde a praia at serra: Murtosa,

    Sever do Vouga, Santa Comba Do, Viseu, Aveiro, Mangualde, Vila Nova de Gaia,

    Tondela e duas alunas de So Tom e Prncipe.

    So alunos do Curso Profissional de Tcnico de Restaurao, sendo que 11

    frequentam a variante Cozinha/Pastelaria e 7 a variante Restaurante/Bar. O Tcnico de

    Cozinha Pastelaria o profissional que, no domnio das normas de higiene e segurana

    alimentar, planifica e dirige os trabalhos de cozinha, colabora na estruturao de ementas,

    prepara e confeciona refeies num enquadramento de especialidade, nomeadamente a

    gastronomia regional portuguesa e internacional. O Tcnico de Restaurante-Bar o

    profissional que, no domnio das normas de segurana e higiene alimentar, planifica,

    dirige e efetua o servio de alimentos e bebidas mesa e ao balco, em estabelecimentos

    de restaurao e bebidas integrados ou no em unidades hoteleiras.

    5 http://legislacao.min-edu.pt/np4/np3content/?newsId=1530&fileName=decreto_lei_3_2008.pdf

  • 11

    Estes alunos so todos muito motivados para esta rea, o que justifica o bom

    aproveitamento da turma, no 10 e 11anos, no s nas disciplinas da parte tcnica

    (Servios de Cozinha-Pastelaria; Servios de Restaurante-Bar; Tecnologia Alimentar;

    Gesto e Controlo; Comunicar em Francs), mas tambm nas disciplinas da componente

    sociocultural (Portugus; Ingls; rea de Integrao; TIC; Educao Fsica) e da

    componente cientfica (Matemtica; Economia; Psicologia).

    Neste Plano Curricular de Turma faz-se um diagnstico de competncias no

    domnio dos conhecimentos, mas tambm no domnio das atitudes e valores.

    No domnio do conhecimento, so alunos que, de uma forma geral, selecionam e

    organizam informao, optando pelas metodologias mais adequadas para desenvolver os

    trabalhos com eficcia. Aplicam os conhecimentos de forma bastante satisfatria, apesar

    de nem todos os dominarem totalmente.

    Relativamente s expectativas quanto ao seu futuro, a maioria pretende concluir o

    curso de nvel IV e ingressar no mundo do trabalho na sua rea de eleio. Alguns

    ambicionam prosseguir estudos no ensino superior, na mesma rea de formao.

    Sobre os seus tempos livres referem preferir estar com os colegas, utilizar o

    computador ou ver filmes. Alguns elegem o desporto como uma forma agradvel de

    passar o tempo.

    De um modo geral, os pais no acompanham os filhos nas atividades escolares, o

    que se deve, sobretudo, ao facto de no estarem com eles durante a semana. No entanto,

    a diretora de turma tem o cuidado de telefonar aos encarregados de educao vrias vezes

    para os manter informados da evoluo e do comportamento dos seus educandos.

    1.4.2 A turma de Francs

    A turma composta por 10 rapazes e 8 raparigas, com idades compreendidas entre

    os 17 e os 26 anos. Ao longo do seu percurso escolar, h alguns alunos com retenes em

    anos anteriores. A maioria proveniente de famlias de estrato social medio/baixo, no

    possuindo os pais graus de escolaridade elevados. Quanto situao profissional dos

    Encarregados de Educao, a mesma distribui-se por trabalhadores fabris, empregadas de

    limpeza, domsticas, cozinheiro, havendo, tambm, uma razovel percentagem de

    desempregados.

    A maioria dos alunos de localidades limtrofes de Vouzela, quase todos de

    nacionalidade portuguesa, embora haja trs alunos santomenses. A maioria desloca-se

  • 12

    diariamente para Vouzela, havendo outros, um nmero reduzido, em regime de

    alojamento, pois so habitantes de localidades distantes. Estes alunos santomenses so

    normalmente muito bem acolhidos pelos colegas que os ajudam na sua plena integrao.

    So alunos do Curso Profissional de Tcnico de Restaurao, distribudos pelas

    variantes de Cozinha/Pastelaria e Restaurante/Bar de alimentos e bebidas mesa e ao

    balco, em estabelecimentos de restaurao e bebidas ou ento em unidades hoteleiras.

    Estes alunos so muito trabalhadores e empenhados na rea que abraaram, o que

    justifica o razovel aproveitamento da turma, no s nas disciplinas da parte tcnica

    (Servios de Cozinha-Pastelaria; Servios de Restaurante-Bar; Tecnologia Alimentar;

    Gesto e Controlo; Comunicar em Francs), mas tambm nas disciplinas da componente

    sociocultural (Portugus; Ingls; rea de Integrao; TIC; Educao Fsica) e da

    componente cientfica (Matemtica; Economia; Psicologia).

    No domnio do conhecimento, so alunos que, de uma forma geral, selecionam e

    organizam informao, optando pelas metodologias mais adequadas para desenvolver os

    trabalhos com eficcia. Aplicam os conhecimentos de forma bastante satisfatria, apesar

    de nem todos os dominarem totalmente.

    A maioria dos alunos empenhada nas tarefas propostas e revela interesse pelo

    estudo, sendo o ritmo de trabalho na aula satisfatrio. Na sua generalidade, so alunos

    responsveis, assduos, de grande maturidade, que se fazem acompanhar do material

    necessrio para cada aula.

    Quanto s expectativas no que concerne o futuro, a maioria pretende concluir o

    curso de nvel IV e ingressar no mundo do trabalho na sua rea de eleio.

    Sobre a sua ocupao durante os tempos livres, referem preferir estar com os

    colegas, utilizar o computador, ouvir msica ou ver filmes, ou ento ajudar os pais na lida

    do campo.

    O primeiro contacto com a turma foi muito positivo, tendo os alunos mostrado

    bastante recetividade a metodologias diversificadas e potenciadoras no desenvolvimento

    das suas competncias lingusticas e comunicativas. Estes alunos tm apenas uma hora,

    por semana, de Comunicar em Francs, o que muito pouco para aprender, a meu ver,

    uma lngua estrangeira, num total de apenas trinta horas anuais. No entanto, e apesar deste

    constrangimento, os alunos mostram-se empenhados e colaborantes nas atividades que

    semanalmente lhes so propostas.

  • 13

    1.5. A professora estagiria

    Em conformidade com os programas oficiais de ensino, o processo ensino

    aprendizagem emprega metodologias que se apoiam em recursos que possibilitam ao

    professor uma abordagem diferente da tradicional. Assim, e evocando os quatro pilares

    da educao mencionados por Jacques Delors (1996) no Relatrio para a UNESCO, -

    Aprender a conhecer, Aprender a fazer, Aprender a viver juntos e Aprender a ser

    (ibidem: 162), a formao do docente, desde o contexto de estgio pedaggico e

    respeitando o regulamento da FLUC, deve basear-se no desenvolvimento de trs eixos

    formativos: o Saber, o Saber Fazer e o Ser, orientando assim a sua prtica

    pedaggica enquanto princpios essenciais. Tendo como base os pilares da educao atrs

    referidos, a presente reflexo crtica respeita a experincia pedaggica obtida no estgio

    curricular. Neste mbito, tentei construir um projeto que incorporasse estratgias que

    munissem o aluno de uma crescente capacidade quer de compreenso e de anlise, quer

    de produo oral e escrita. Neste processo, pretendi aferir a importncia da musicalidade

    na lngua e no texto, enquanto recurso sonoro, para uma pedagogia participada e interativa

    no ensino de Portugus, LM e de Francs, LE.

    A viver na cidade de Viseu, desde 1980, foi aqui, no concelho, mais

    concretamente na Escola Bsica de Penalva do Castelo, que lecionei, pela primeira vez,

    no 2 Grupo, as disciplinas de Portugus e Francs, corria, ento, o ano de 1982. Era muito

    jovem, ainda no tinha concludo a minha licenciatura, mas isso no me assustou, pois

    soube, desde logo, que esta era a minha vocao e que tudo faria para no a abandonar.

    Durante anos, consegui sempre ficar colocada em escolas do ensino regular, quer

    no ensino bsico, quer no ensino secundrio, at porque, na poca, havia grande carncia

    de professores de Francs e eu tinha estado em Frana onde frequentei um curso de

    Francs que me habilitou, durante anos, para a docncia da disciplina.

    Em 1989, um novo tipo de escola surgia, em Portugal, as Escolas Profissionais,

    criadas por iniciativa do Ministrio da Educao, que nasceram como consequncia de

    um contrato entre o Estado e os parceiros locais.

    Em 1993, fui convidada a experienciar o ensino profissional, na Escola

    Profissional de Vouzela, a minha escola de eleio, onde ainda continuo e espero

    prosseguir, pois no mundo do ensino que pretendo manter-me e neste em particular.

    Aqui cresci como pessoa e como profissional. Acompanhei o crescimento e a evoluo

    da escola ao longo de duas dcadas e sinto-me feliz com isso. Por aqui passaram muitos

  • 14

    jovens, que sentiram esta escola como a sua segunda casa, onde os seus problemas eram

    os nossos problemas e juntos tentvamos encontrar solues. Cresceram como pessoas

    ntegras e respeitadoras, realizadas pessoalmente e profissionalmente nas reas que

    escolheram. Manter com eles essa proximidade, foi e , desde sempre, uma preocupao

    da Escola e nossa, corpo docente.

    Assim, e consciente de que so de crise os tempos que vivemos, quer pela falta de

    emprego, quer pela crise econmica que afeta muitas famlias, senti necessidade de

    adquirir outros saberes e outras competncias, que me possibilitassem outras

    oportunidades de trabalho no futuro.

    Considero que a frequncia do Mestrado em Ensino de Portugus/ Francs uma

    boa oportunidade para investir na minha formao, acadmica e profissional, em busca

    de um futuro mais promissor.

    2. Prtica Pedaggica supervisionada

    Neste captulo pretende-se construir uma reflexo crtica acerca da forma como

    decorreu a prtica pedaggica supervisionada. Assim, sero apresentadas, inicialmente,

    algumas consideraes de natureza pessoal relacionadas com as principais expectativas e

    receios. De seguida, far-se- um balano do trabalho desenvolvido nas aulas de Portugus

    e nas de Francs. Por ltimo, sero descritas as vrias atividades extracurriculares

    realizadas ao longo do ano.

    2.1. Expectativas e Desafios

    A prtica pedaggica supervisionada iniciou-se em setembro de 2014. Ao longo

    do percurso formativo, a superviso esteve a cargo das professoras Edite Tavares e Isabel

    Tavares. Por parte da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, foram

    orientadores a Doutora Cristina Mello, na rea de Portugus, e o Doutor Joo Domingues,

    na rea de Francs.

    Iniciar o estgio foi comear uma nova experincia, num espao que me familiar,

    desde 1993, ano em que ali lecionei, pela primeira vez, e do qual sinto que fao parte,

    desde h muito. Durante anos, lecionei no ensino pblico, como professora contratada, as

    disciplinas de Portugus e de Francs, outrora no 2 Grupo do ensino bsico e no 8 Grupo

    B no ensino secundrio. A verdade que, apesar de terem sido boas experincias, foi na

  • 15

    Escola Profissional de Vouzela, no ano letivo de 1993/1994, quando ingressei, que me

    descobri enquanto docente. Foi aqui que tive a certeza de que lecionar aquilo que

    ambiciono fazer.

    Naquela poca, o ensino profissional dava os primeiros passos e eu no tinha

    qualquer experincia neste tipo de ensino. No foi fcil; mas a persistncia, a dedicao,

    o empenho e o profissionalismo, ajudaram-me a ultrapassar as barreiras iniciais que

    consistiam, sobretudo, na dificuldade em encontrar materiais adequados lecionao das

    temticas modulares, pois no havia manuais especficos para os cursos profissionais. No

    entanto, e apesar de ser um ensino completamente desconhecido foi aqui que cresci,

    enquanto docente, ao longo do meu percurso profissional. Assisti evoluo e ao

    crescimento da escola: o nmero de cursos e de alunos mais que triplicou nestes ltimos

    anos, devido, substancialmente, elevada taxa de empregabilidade que esta formao

    apresenta. Este tipo de ensino surgiu na dcada de 90, e tem dado grande contributo para

    a reduo do abandono escolar, uma realidade vivenciada, durante anos, no nosso pas.

    Atualmente encarado pelos nossos jovens como um ensino de qualidade que lhes

    garante um saber fazer, uma ferramenta til e vlida, para vencerem na vida profissional.

    Os ideais da Escola Profissional de Vouzela passam pela preveno/reduo do abandono

    escolar e pela formao e qualificao de excelentes profissionais. gratificante verificar

    que, ano aps ano, so vrios os alunos que terminam a sua formao acadmica em reas

    que tm tido e continuam a ter boa aceitao no mercado, apesar da atual conjuntura.

    Trabalhar nesta escola sentir-me em casa, fazer parte de um grupo, de uma

    equipa, que vive, pensa, sente e sonha os seus alunos permanentemente e tenta realizar os

    seus sonhos, concretizar o seu amanh.

    De facto, durante todos estes anos, a minha conduta enquanto professora pautou-

    se por fazer aquilo que eu considerava mais correto e proveitoso para os alunos. Senti

    sempre o peso da responsabilidade, pois a educao de jovens e crianas algo que

    sempre encarei com a devida seriedade.

    Com o incio da minha prtica pedaggica supervisionada, esperava alcanar uma

    melhoria no meu desempenho didtico, isto , uma maior segurana na tomada de

    decises relacionadas com a planificao de aulas, com a elaborao de materiais

    adequados, ou mesmo com a adoo de estratgias. A minha maior expectativa em relao

    realizao do Mestrado era, precisamente, a possibilidade de melhorar enquanto

    profissional nas vrias reas que referi e simultaneamente poder realizar a

    profissionalizao para continuar a lecionar com habilitao prpria e profissionalizada.

  • 16

    Relativamente disciplina de Francs, sentia que o afastamento de quase dezasseis anos

    em relao lngua talvez pudesse afetar ou comprometer o meu desempenho durante o

    estgio pedaggico; apesar disso, o gosto pela lngua e pela cultura francesas continuavam

    bem presentes e a prtica pedaggica s veio avivar esses conhecimentos, tendo-se

    tornado muito prazerosa.

    Mas o desafio estava, sobretudo, relacionado com a conceo de materiais e de

    atividades que promovessem aulas dinmicas. Saliente-se o facto de no haver livros de

    Francs para o ensino profissional, o que obriga o professor a procurar e a pesquisar o

    material de acordo com as temticas correspondentes a cada mdulo, a fim de facult-lo

    ao aluno. Preparar fichas de trabalho intercaladas com atividades foi um grande desafio;

    no entanto, fui aprendendo a contornar a situao e acabei mesmo por superar as minhas

    expectativas.

    Quanto prtica pedaggica propriamente dita, houve sempre uma boa relao de

    superviso centrada na colaborao, no apoio, na entreajuda, no dilogo, tendo em vista

    o desenvolvimento de prticas letivas adequadas que melhorem a qualidade do ato letivo.

    Da parte dos colegas, senti haver sempre disponibilidade em colaborar comigo, quer na

    troca de sala, quer no material a utilizar durante as sesses, o que gerou, sem dvida, um

    ambiente favorvel para trabalhar. Tambm os funcionrios e os alunos, para alm de

    retriburem a simpatia com que sempre os tratei, evidenciaram uma preocupao e

    acompanhamento constantes.

    2.1.1. Prtica Pedaggica de Portugus, LM

    Na apresentao da turma do 12 A estagiria, notou-se haver empatia, e um

    grande -vontade entre alunos e estagiria, uma vez que a turma j tinha colaborado com

    a estagiria em vrios projetos em nome da Escola. So alunos empenhados, aplicados e

    colaborantes, embora haja um ou outro menos esforado e menos colaborante, o que se

    deve muito provavelmente grande disparidade de idades. Mas um grupo com quem se

    trabalha muito bem. Das aulas lecionadas pela professora orientadora da prtica

    pedaggica, transpareceu sempre um clima agradvel de trabalho, onde o interesse, o

    empenho, a participao dos alunos, foram notrios, estimulando ainda mais a minha

    vontade de lecionar. O objetivo principal, enquanto profissional da educao, foi sempre

    o de atuar no sentido da melhoria das prticas, visando o progresso e as aprendizagens

    dos alunos, tentando sempre garantir a todos e a cada um o desenvolvimento de

  • 17

    competncias que lhes permitissem o sucesso escolar e educativo e a sua incluso, na

    escola e na sociedade, de modo a torn-los seres felizes e realizados.

    Quanto ao desenvolvimento das prticas didtico-pedaggicas, no houve

    dificuldades de maior, pois este no foi o meu primeiro contacto com a realidade docente.

    Tambm as planificaes de aula foram realizadas com responsabilidade, escolhendo-se

    criteriosamente as atividades a realizar para aulas de 60 minutos. Os objetivos foram

    definidos com clareza e os contedos tratados com rigor. No domnio da execuo,

    articulou-se criticamente a atuao em aula com a planificao, incentivando-se o

    desenvolvimento integral e harmonioso do aluno, estimulando a sua participao ativa no

    processo educativo. Sempre que necessrio, foram realizados ajustamentos s

    planificaes, de acordo com as necessidades e o ritmo de aprendizagem dos alunos. Foi

    meu objetivo tambm desenvolver neles o sentido crtico e criativo com vista

    fundamentao das suas prprias opinies. Convm tambm salientar neste processo o

    trabalho colaborativo da orientadora, professora Edite Tavares, com a estagiria, que se

    traduziu na troca de opinies, na partilha de saberes, na procura de materiais,

    perspetivando o desenvolvimento de prticas conducentes a um bom desempenho

    didtico e pedaggico.

    Os recursos didticos foram criteriosamente selecionados, adequados a cada

    situao de aula, tendo sido planeadas atividades que respeitassem os objetivos

    pretendidos e que motivassem os alunos, visando sempre uma boa interao

    aluno/professora. Quanto ao dilogo educativo, procurou-se dar lugar expresso de

    sentimentos e experincias, promovendo-se um ambiente de convivncia democrtica e

    de comunicao inclusiva, criando-se mecanismos que possibilitassem a participao de

    todos os discentes e diligenciando para que participassem de forma equilibrada.

    Houve momentos de promoo de trabalho individual e de trabalho em pares,

    estimulando-se a autonomia, a colaborao e at mesmo a competio saudvel. Existiu

    sempre a preocupao em motivar os alunos para as atividades planificadas, adequando

    o seu discurso heterogeneidade das situaes de comunicao, estimulando-os a

    participar e mantendo uma relao equilibrada com os alunos. A relao pedaggica

    assentou sempre no respeito mtuo e na cordialidade. Os alunos envolveram-se,

    continuamente, no desenvolvimento da aula e seguiram as instrues fornecidas.

  • 18

    2.1.2. Prtica Pedaggica de Francs, LE

    O primeiro contacto com a turma, o 12B, foi muito positivo, tendo os discentes

    demonstrado, desde o incio, bastante recetividade s metodologias diversificadas e

    potenciadoras no desenvolvimento das suas competncias lingusticas e comunicativas.

    Estes alunos tinham apenas uma hora por semana, s teras-feiras, de Comunicar

    em Francs, num total de 30 horas anuais. O Mdulo 3, Cozinha-Pastelaria/Restaurante-

    Bar, que explora a gastronomia, os receiturios e o espao da cozinha (chaves do discurso,

    equipamentos e materiais da cozinha), foi o mdulo lecionado. Uma hora por semana para

    aprender uma lngua estrangeira muito pouco e no entanto, foi muito bom trabalhar com

    esta turma que, apesar das dificuldades ao nvel da escrita e da oralidade, se mostrou

    empenhada e colaborante nas atividades propostas semanalmente. O objetivo principal

    era que o aluno, ao seu nvel, se tornasse competente na lngua, que fosse capaz de usar,

    de forma eficaz, os recursos lingusticos em situao de comunicao, bem como refletir

    sobre o uso e o funcionamento da lngua por forma a desenvolver estratgias

    metacognitivas que garantam um processo contnuo de aprendizagem.6

    As estratgias escolhidas e os recursos trabalhados foram selecionados de acordo

    com este propsito, atendendo tambm s caractersticas da turma e aos objetivos de

    aprendizagem estipulados para este nvel de ensino.

    Ao longo da ao pedaggica atendeu-se sempre ao nvel elementar de

    aprendizagem da linguagem em que se encontravam os nossos alunos e aos objetivos

    estipulados para as vrias competncias. Os objetivos centraram-se no desenvolvimento

    das competncias basilares desta disciplina compreenso oral, produo oral,

    compreenso escrita e produo escrita, integrando-as na competncia intercultural, tal

    como apresentada no Quadro Comum Europeu de Referncia das Lnguas, mas

    privilegiando a produo oral e escrita, pois esta uma competncia que implica

    conhecimentos lexicais e gramaticais e, por isso, essencial para o desenvolvimento do

    aluno e para o seu sucesso. Os textos trabalhados nas aulas foram criteriosamente

    selecionados, procurando a autenticidade, de modo a preparar os alunos para possveis

    situaes reais. O ensino da gramtica foi tambm um aspeto importante que procurmos

    desenvolver, uma vez que permite compreender o funcionamento da lngua.

    Como afirma Tarrab (1990: 207), "faire de la grammaire devrait amener lenfant

    comprendre le fonctionnement de la langue". Deste modo, foram trabalhados, sempre

    6 Cf: http://www.netprof.pt/pdf/Competencias_basicas/LinguasEstrangeiras.pdf

  • 19

    devidamente contextualizados, les articles partitifs; le prsent, le pass compos, por se

    tratar de aspetos presentes na planificao da unidade temtica.

    No incio de cada aula, tivemos sempre como rotina desafiar os alunos para uma

    interveno oral, atravs de um breve rmue-mninges para rever contedos da aula

    anterior, ou para iniciar um novo contedo, o que permitia fazer a transio para o tema

    da aula.

    Os materiais utilizados na sala de aula foram importantes no processo de ensino-

    aprendizagem uma vez que contriburam para o sucesso dos alunos e para a dinmica

    positiva da aula. No havendo um manual adotado, consultmos vrios manuais e sites

    franceses a partir dos quais crimos fichas de trabalho que incluram textos adaptados ao

    nvel de ensino em questo, mas tambm aos interesses e s necessidades concretas dos

    alunos, sempre acompanhados com questionrios de compreenso escrita e exerccios de

    tipologias diversificadas (verdadeiro/falso, frases para ligar ou para completar, caa ao

    intruso, exerccios com espaos, entre outros). Elabormos fichas de contedos

    gramaticais e exerccios diversificados para insistir na assimilao dos mesmos.

    Tentmos sempre desenvolver estratgias que permitissem aos alunos atingir os

    objetivos, uma vez que o QECRL, Quadro Europeu Comum de Referncia para as

    Lnguas, refere, e em nosso entender muito pertinentemente, que o professor e os

    programas de ensino devem fornecer aos alunos instrumentos que os incentivem a

    preparar-se para uma aprendizagem autnoma e eficaz.

    Com efeito, no se pode esquecer que [a] prtica eficaz implica a capacidade de

    abordar as situaes da sala de aula de uma forma reflexiva e orientada para a resoluo

    de problemas. (Arends, 1995: 27).

    Aprender uma lngua no apenas dominar o seu idioma, sim a abertura a uma

    cultura, s ideias, s tradies, histria de um pas ou comunidade.

    Assim, conclumos que dominar eficazmente uma lngua no garante uma perfeita

    integrao no contexto onde ela falada. Para evitar equvocos e situaes incmodas

    para quem aprende uma lngua, indispensvel aliar a essa aprendizagem a transmisso

    da cultura a ela ligada, uma vez que, parafraseando o que diz Aguiar e Silva aprender

    uma lngua aprender um comportamento cultural (Aguiar e Silva, 2010: 141).

  • 20

    2.2. Atividades extracurriculares

    No que concerne s atividades facultativas, estas foram cumpridas de acordo com

    o estipulado no Plano Individual de Formao e no Plano Anual de Atividades. Sou, desde

    h muito, a responsvel pela Biblioteca, bem como pela organizao das aes no mbito

    da Educao para a Sade; sou membro da Comisso da Feira do Livro de Vouzela, e

    responsvel pelos Exames, atividades que gosto de realizar sempre com o objetivo de

    ajudar, de esclarecer, de informar, de apoiar os alunos sobre temticas atuais e de grande

    interesse na sua formao pessoal e social, enquanto cidados livres, responsveis e

    atentos sociedade em que esto inseridos. Promover o contacto dos alunos com

    escritores do panorama cultural portugus foi tambm um dos objetivos a atingir, ao longo

    deste ano letivo.

    Na disciplina de Portugus foram concretizadas as vrias atividades previstas no

    Plano Individual de Formao. A comemorao de vrias efemrides, em conjunto com

    o Departamento de Lnguas e a Biblioteca Escolar, foi realizada de acordo com as datas

    agendadas para esse fim.

    Elaborei, juntamente com os alunos, textos de cariz informativo sobre os

    malefcios do tabaco, que foram afixados no hall de entrada para uma

    maior e melhor visibilidade dos mesmos, para comemorar o Dia do No

    Fumador (Anexo 1);

    Foram escritas e lidas, pelos vrios espaos da Escola, algumas mensagens

    de Natal com vista a uma confraternizao saudvel entre toda a

    comunidade escolar;

    Colaborei, tambm, na organizao da Festa da Primavera, um evento que

    pretendeu celebrar a chegada da primavera. Os alunos trouxeram os seus

    produtos para venda, tendo a decorao ficado a cargo dos alunos da turma

    de Comrcio, a minha direo de turma.

    Colaborei no evento Assembleia da Juventude, organizado pela Cmara

    Municipal que anualmente convida os alunos das vrias escolas a

    participar, este ano subordinado ao tema: Os direitos das crianas que

    contou com a participao dos nossos alunos com textos da sua autoria,

    sempre com a superviso das professoras de Portugus (Anexo 1);

    Festejmos o Dia do Livro com uma simblica homenagem, um agradvel

    momento de leitura em grupo protagonizado por alguns alunos (Anexo 1);

  • 21

    Colaborei na organizao da Feira do Livro de Vouzela, cujo objetivo o

    de divulgar o livro e promover hbitos de leitura nos nossos jovens (Anexo

    1);

    Elaborei com os alunos a redao de notcias sobre este e outros eventos

    levados a cabo pela Escola, ao longo do ano letivo.

    No mbito da disciplina de Francs, procurei promover nos alunos o

    aprofundamento do conhecimento da sua prpria realidade sociocultural, atravs do

    confronto com aspetos da cultura e da civilizao dos povos de expresso francesa,

    conforme o preconizado no programa de Francs, desenvolvendo as seguintes atividades:

    Colaborei, juntamente com os discentes, na realizao de um desdobrvel com

    as regras de ouro de uma alimentao saudvel, La pyramide alimentaire, para

    comemorar o Dia da Alimentao e reforcei a importncia da mensagem (Anexo

    1);

    Realizei, com os alunos, um cartaz alusivo ao Dia do No Fumador, apelando

    para os malefcios do tabaco, sempre em francs (Anexo 1);

    Participei na decorao natalcia da Escola, colocando na rvore de Natal,

    mensagens de boas festas, em francs, elaboradas pelos alunos (Anexo 1);

    Organizei a comemorao da Chandeleur, com os alunos do 12 Ano de

    Restaurao, atravs da confeo e venda de crepes, a partir da receita trabalhada

    em aula, em Francs (Anexo 1);

    Promovi a confeo das especialidades francesas estudadas em aula, com o

    objetivo de fixar nomes e expresses em francs;

    Festejou-se o Dia do Francs, com a colaborao dos docentes da disciplina e

    dos discentes. Ouviu-se msica francesa, houve uma exposio de trabalhos e a

    confeo de um prato francs.

    Para alm destas atividades, realizei ainda outras, a saber:

    Redigi textos, subordinados ao tema Os Direitos da Criana, no mbito da

    Assembleia da Juventude;

    Colaborei na organizao da Feira do Livro de Vouzela, que decorreu de 8 a 17

    de maio, enquanto responsvel pela Biblioteca;

    Promovi um rastreio ao HIV, no mbito da Educao para a Sade, em parceria

    com o Centro de Sade;

  • 22

    Colaborei, ainda, no Festival das Sopas, um evento organizado pela minha

    Escola, no dia 23 de maio;

    Participei na marcao e na vigilncia de exames, semanalmente;

    Desenvolvi todas as atividades e responsabilidades inerentes funo de diretora

    de turma;

    Participei nas reunies de avaliao no final de cada perodo, bem como nas

    reunies de Conselho Pedaggico, enquanto diretora de turma e responsvel pela

    Biblioteca;

    Procedi, juntamente com outra colega, s alteraes ao Regulamento Interno da

    Escola;

    Redigi vrias notcias para o jornal da Escola sobre os eventos realizados ao

    longo do ano.

    Mostrei sempre disponibilidade para participar em projetos de trabalho

    colaborativo na escola, envolvendo-me ativamente na elaborao, concretizao e

    avaliao de atividades que visam atingir os objetivos institucionais.

    2.3. Aes de formao de mbito geral

    Sendo o ms de abril, o Ms da Preveno dos Maus Tratos na Infncia, participei

    na iniciativa (Em) conversas comDr. Laborinho Lcio, promovida pela Comisso de

    Proteo de Crianas e Jovens de Vouzela, com a durao de 3 horas, uma sensibilizao

    a um tema que importa a todos ns. Estar atentos a qualquer forma de violncia praticada

    sobre a criana e jovens e denunci-la, cabe a todos ns, Escola e professores.

    Participei, tambm, nas Jornadas da Comunicao, uma atividade preparada

    pelos alunos de Tcnico de Secretariado, em conjunto com a Diretora de Curso, cujo tema

    foi A Comunicao, um tema abrangente e muito importante para profissionais que tm

    contacto com o pblico. Esta atividade foi muito interessante e enriquecedora, pois as

    Jornadas iniciaram com uma abordagem da msica como veculo de comunicao, e

    como influenciadora de comportamentos e atitudes, indo de encontro ao tema

    monogrfico do meu trabalho.

  • 23

    2.4. Sntese

    Ao longo da minha prtica pedaggica supervisionada pude concretizar e pr em

    prtica os conhecimentos tericos adquiridos e desenvolver competncias fundamentais

    inerentes ao exerccio da profisso docente. A observao de aulas tem como objetivo o

    desenvolvimento profissional de professores, melhorando, assim, a ao educativa. um

    processo fundamental, uma vez que proporciona aos docentes que esto a iniciar a sua

    prtica profissional o contacto com prticas e mtodos de ensino utilizados por docentes

    experientes.

    Para alm disso, a discusso de aulas promove a reflexo por parte dos docentes

    sobre a sua prtica profissional, permitindo-lhes o desenvolvimento das suas

    competncias. No que respeita prtica pedaggica propriamente dita, houve sempre,

    entre estagiria e orientadoras, uma boa relao de superviso centrada na colaborao,

    no apoio, na entreajuda, no dilogo, tendo em vista o desenvolvimento de prticas letivas

    adequadas que melhorem a qualidade do ato letivo. A partilha, a troca de materiais, a

    adoo de medidas para um melhor desempenho, foram aspetos relevantes e vantajosos.

    Tambm os anos de experincia no ensino me deram um certo vontade, sentido de

    responsabilidade, e um saber fazer assente num trabalho dirio de valorizao pessoal e

    profissional.

    A realizao das atividades extracurriculares foi tambm muito importante e

    gratificante ao longo deste ano de formao.

  • 24

    Captulo II

    1. A abordagem da musicalidade na lngua e no texto.

    A msica a alma do Universo. D voo imaginao, alegra o esprito, afugenta a

    tristeza. D vida a tudo o que bom e justo. (Plato 427-347 a.C.)

    A msica tem sido usada tanto como forma de comunicao e entretenimento,

    como tambm de expresso afetiva, cultural, social, poltica e religiosa. Presente em todas

    as sociedades desde tempos imemoriais, diariamente nos meios de comunicao social, a

    msica uma linguagem de comunicao universal. a arte de combinar sons e o

    silncio. Se pararmos para perceber os sons que esto nossa volta, concluiremos que a

    msica parte integrante da nossa vida. Ela existe e sempre existiu, pois, segundo estudos

    cientficos, desde que o ser humano comeou a organizar-se em tribos primitivas pela

    frica, a msica era parte integrante do quotidiano dessas pessoas.

    Aprender, atravs da msica, uma boa forma para motivar o aluno pois , cada

    vez mais, pertinente usar estratgias diversificadas com vista a uma aprendizagem mais

    interessante e eficaz. Usando este meio, possvel atrair e cativar os alunos, de forma a

    tornar as aulas mais prazerosas; sabendo que a msica faz parte do quotidiano dos jovens

    o professor, conhecedor desta realidade, pode tirar proveito disso para levar o aprendente

    a empenhar-se e a interessar-se por aprendizagens diversificadas.

    A importncia da musicalidade/da msica, no texto e na lngua, em contexto

    escolar, ser abordada neste captulo. Os nveis escolares abrangidos so: Portugus/ LM e

    Francs/LE, ao nvel do 12 ano de escolaridade.

    Assim, e em primeiro lugar, definir-se- o conceito de musicalidade e de msica;

    falaremos depois da sua importncia nos programas das disciplinas de Portugus e Francs

    e da sua relevncia no processo de ensino/ aprendizagem. De seguida, apresentar-se-o

    algumas ideias consideradas importantes e defendidas por conceituados estudiosos sobre

    este tema. Pretende-se, igualmente, expor e analisar alguns exemplos de atividades que

    foram desenvolvidas durante a prtica pedaggica supervisionada e referenciar a

    pertinncia da musicalidade. Embora musicalidade e msica sejam indissociveis, estes

    aspetos sero tratados de forma diferenciada nas duas disciplinas. Na disciplina de

    Portugus, a musicalidade ser descoberta a partir dos textos analisados, enquanto na

  • 25

    disciplina de Francs, a presena da msica ser observada no contexto de ensino

    aprendizagem da lngua francesa.

    1.1. Musicalidade: definio, caractersticas e relevncia

    Falar em musicalidade falar de melodia, de ritmo, das sonoridades da lngua e

    do texto. Sabemos que cada lngua tem as suas sonoridades, quer seja ao nvel da

    entoao, da pronncia, da fala ou ao nvel do prprio texto. Abordar essas dimenses da

    musicalidade objetivo fundamental deste trabalho. O que se pretende ir ao encontro e

    descoberta dessa musicalidade, nas diferentes tipologias textuais, a nvel fnico,

    morfossinttico e semntico. impossvel limitar, por exemplo, a anlise do texto lrico

    identificao dos tipos de rima ou da mtrica sem se atender aos sentidos que validam

    a sua utilizao. No esqueamos que tambm o texto dramtico e o narrativo tm a sua

    musicalidade e torna-se importante levar os alunos descoberta dessa mesma realidade,

    da a pertinncia das definies de musicalidade, msica, sonoridade para que

    percebamos que todas elas tm em comum a cadncia harmoniosa, o ritmo, a melodia,

    elementos de referncia que qualquer professor de lngua pode e deve trabalhar.

    Musicalidade s. f.: 1. carcter, qualidade ou estado do que musical;

    2..talento ou sensibilidade para executar msica; 3. sensibilidade para

    apreciar msica; 4. expresso do talento musical de algum; 5.

    cadncia harmoniosa, ritmo (). (Dicionrio Houaiss da Lngua

    Portuguesa, 2007: 5688).

    Msica s. f: 1. combinao harmoniosa e expressiva de sons; 2. a arte

    de se exprimir por meio de sons, seguindo regras variveis conforme a

    poca, a civilizao, etc; 3. interpretao de obra musical; 4.

    Acompanhamento musical; 5. Sons vocais, instrumentais ou mecnicos

    com ritmo, harmonia e melodia; 6. produto da criao ou execuo

    musical; 7. notao escrita de composio musical; partitura; 8.grupo

    de msicos pertencentes a uma unidade militar, filarmnica, desportiva,

    etc; 9. Sequncia de sons agradveis ao ouvido; 10. qualidade musical;

    musicalidade (). (Dicionrio Houaiss da Lngua Portuguesa, 2007:

    5687).

  • 26

    Sonoridade s. f. 1. Som claro, harmonioso, suave, agradvel ao ouvido;

    2. Som claro e ntido; 3. qualidade do trecho literrio que, pela escolha

    de vocbulos sonoros ou pela sua ordenao sintctica, torna a leitura

    agradvel ao ouvido; 4. propriedade que tm certos corpos de emitir

    sons intensos ou sons de frequncia regular; (); 8. uma das qualidades

    do som, som harmonioso, harmonia. (Dicionrio Houaiss da Lngua

    Portuguesa, 2007: 7460).

    Estas noes, materializadas em textos de diversas tipologias, foram trabalhadas

    em aula. A explorao da sonoridade, no sendo exclusiva do texto lrico, no entanto

    trabalhada em contexto pedaggico quase que exclusivamente com esse tipo de texto. A

    prosa potica tambm se caracteriza pela presena de valores estilsticos ligados ao som,

    ao ritmo, melodia da frase, pelo que importa no deix-la de parte. H poesia no texto

    em prosa quando o autor escolhe as palavras que evocam ou sugerem sentimentos, quando

    tira rendimento das sonoridades e ritmos ao nvel frsico ou ao nvel macrotextual. Por

    outro lado, h poemas que se aproximam bastante da prosa por no apresentarem rima e

    regularidade mtrica.

    A este propsito Carlos Reis refere que

    [o] convvio com textos onde o ritmo e a musicalidade sejam elementos

    marcantes constitui um factor determinante para suscitar um interesse

    inicial face poesia () numa fase em que a criana mantm ainda uma

    forte relao ldica e exploratria com a lngua. Poder-se- assim

    estimular o prazer de manipular os sons, o que permitir, por exemplo,

    conduzir o aluno criao dos seus prprios textos atravs de diferentes

    jogos poticos. (Reis, C. e Adrago, J. V., 1992: 177)

    Assim e para uma melhor contextualizao da presena e da pertinncia da

    musicalidade na lngua no texto literrio, fizemos uma breve incurso, numa perspetiva

    diacrnica, pelas vrias pocas literrias com vista a evidenciar essa dimenso.

    A histria conta que a musicalidade proporcionou grande contribuio s

    primeiras manifestaes orais do homem, uma vez que a musicalidade est em ns, seres

    humanos e na natureza, desde sempre. E, se prestarmos ateno ao mundo musical,

    confirmamos que, na maioria das vezes, os cantores se inspiram nos grandes poetas,

    trabalhando e adequando a musicalidade dos poemas. Na realidade, muitas das grandes

  • 27

    msicas decorrem de grandes poemas. Sem uma boa letra, um bom poema, dificilmente

    se far uma grande cano.

    Como escreveu Marco Viana in Livro Aberto

    Cada palavra um som

    Cada verso, um refro

    Cada melodia, um dom

    Cada lrica a voz do corao.

    A lngua tem vocbulos com sons e uma musicalidade prprios. Falar bem a

    lngua fazer sons e imitar essa musicalidade. Qualquer signo composto por significado

    e significante: por um lado a ideia geral, por outro os sons e as letras que, numa lngua,

    traduzem esse significado. Sabemos que a cada vocbulo corresponde um conceito ou um

    conjunto de conceitos prximos. Citando Gladstone de Melo, estilisticamente pode-se

    falar em adequao ou inadequao entre a massa sonora do vocbulo e o contedo

    significativo. (Melo, G. C. de, 1979: 79), o que nos leva a concluir que importante

    escolher vocbulos expressivos, cuja massa sonora sirva o efeito pretendido.

    A propsito da estreita relao da msica com a poesia, refere Aguiar e Silva

    A palavra grega mousik possui um significado muito amplo e

    complexo: designa toda a actividade espiritual inspirada e guiada pelas

    Musas, mas designa, em particular, a msica propriamente dita, a poesia

    e a dana. (Silva, V. M. de A e, 2008: 173)

    A mousik grega clssica possua um significado divergente do sentido de

    msica que se conhece atualmente, pois essa manifestao grega inclua msica, poesia

    e dana, artes que se diferenciam na contemporaneidade. Na Antiguidade, a poesia era

    cantada, normalmente por uma pessoa ou por um coro ao som de instrumentos musicais,

    designadamente a lira, a ctara e a flauta. (Silva, 2008: 173). Tambm a poesia medieval

    era voltada para o canto. Na poca trovadoresca, os trovadores compunham e entoavam,

    com a ajuda de instrumentos musicais, os seus poemas e, devido ao seu carter musical,

    os textos poticos eram chamados de cantigas. Cames, expoente mximo do

    renascimento em Portugal, tambm escreveu canes, onde a variedade do ritmo

    camoniano evidenciada, graas liberdade que estas formas concedem. Alis, um dos

  • 28

    processos mais subtis de que se serve Cames, a harmonia imitativa, isto , a utilizao

    da sonoridade das palavras. Durante o perodo barroco, uma vez mais, a poesia e a msica

    se encontram associadas. No perodo literrio seguinte, o Arcadismo, os poetas tambm

    produziram textos carregados de musicalidade.

    Desde a Antiguidade Clssica, que estas duas reas se encontram ligadas, mas s

    a partir do sculo XVIII, essa ligao se tornou uma rea reconhecida de estudo.

    As semelhanas entre poesia e msica foram exploradas pelos pr-romnticos e

    romnticos, em especial na filosofia e nos estudos literrios.

    Na sua obra Ensaio sobre a Origem das Lnguas (1781), o filsofo francs, Jean

    Jacques Rousseau, evidencia o canto como criador de toda a linguagem

    [a] cadncia e os sons nascem com as slabas: a paixo faz falar todos

    os rgos e confere voz todo o seu brilho; assim, os versos, os cantos,

    a palavra tm uma origem comum. (). Os primeiros discursos foram

    as primeiras canes: os retornos peridicos e compassados do ritmo,

    as inflexes melodiosas dos acentos fizeram nascer a lngua, a poesia e

    a msica, ou melhor tudo isso no era outra coisa seno a prpria lngua

    () (apud: Rousseau, J. J., 1781).

    Tambm o Romantismo contribuiu para uma maior unio entre poesia e msica.

    possvel verificar que os vocbulos: poesia, msica e cano esto intimamente

    relacionados, uma vez que muitas das caractersticas da poesia esto tambm presentes

    na msica e na cano, designadamente o som, o ritmo, e os sentidos. Pode, ento, inferir-

    se que a cano faz parte da msica, que esta faz parte da poesia e que a poesia, por sua

    vez, faz parte da cano. Assim, a declamao de um poema dever ser feita de forma

    expressiva, respeitando o ritmo da composio potica e a sua musicalidade. O cantor e

    o msico devem, tambm, respeitar o ritmo da cano, da melodia, pois a poesia e a

    msica so inseparveis: a sonoridade, o ritmo, a harmonia pura, a melodia esto sempre

    presentes. No h como no ver, entre poesia e msica uma intimidade que as irmana

    num passado remoto e que ecoa pela modernidade. (Fontes, 1999: 6).

    Tambm alguns textos em prosa so considerados prosa potica, dada a

    musicalidade, o ritmo e os processos imagticos que o autor imprimiu ao texto. A prosa

    potica apareceu no sculo XVIII, no Romantismo, encontrando um grande

    desenvolvimento a partir do Simbolismo.

  • 29

    Na segunda metade do sculo XIX, o poeta Mallarm, ao explorar a musicalidade

    nos seus poemas, instituiu, assim, uma nova conceo de poesia. Mallarm conhecido

    como um escritor cuja prosa e poesia primam pela musicalidade.

    Na poca Simbolista, o dilogo entre essas duas artes foi tambm bastante

    valorizado. A esttica simbolista desejava destacar os recursos fnicos da linguagem

    verbal, que, na verdade, sempre fizeram parte da poesia.

    A partir dos movimentos de vanguarda, em particular o Futurismo italiano e russo,

    na Europa do sculo XX, a associao entre poesia e msica tornou-se mais bvia.

    Os futuristas italianos consideraram necessria a utilizao de uma nova

    linguagem potica capaz de expressar a nova realidade. O poeta italiano Marinetti, por

    exemplo, recorria no s a uma rutura com o passado e com a tradio, mas tambm

    enaltecia um novo estilo de vida, de acordo com o dinamismo dos tempos modernos.

    No plano literrio, a escrita e a arte so vistas como meios expressivos na

    representao da velocidade, da violncia, que exprimem o dinamismo da vida moderna,

    em oposio a formas tradicionais de expresso. Rompe-se com a tradio aristotlica

    no campo da literatura, que j estava enraizada na cultura ocidental. O futurismo

    contesta o sentimentalismo e enaltece o homem de ao. Destaca-se a inovao, que

    Marinetti procura pelo elogio ao progresso, mquina, ao motor, a tudo o que representa

    o moderno e o imprevisto. O futurismo influenciou a pintura, a msica e outras artes

    como o cinema e difunde-se em vrios outros pases, para alm da Itlia e da Frana,

    incluindo Portugal. De facto, o futurismo inovou na poesia e na prosa ao caracterizar a

    arte de forma geomtrica e abstrata. Pretendiam criar uma nova linguagem potica,

    liberta de todo o tipo de restries e que fosse distinta das formas tradicionais de arte.

    lvaro de Campos canta na Ode Triunfal a sociedade moderna, das sensaes, do

    bulcio, do dinamismo da mquina. Em lvaro de Campos, a mquina est ao servio

    de uma outra metaforizao mais essencial, a da sua pulso ertica, que atravs das

    mltiplas figuras do imaginrio mecnico encontra maneira de exprimir () o seu

    delrio frio mas real. (Loureno, E., 1973: 97)

    A este propsito refere David Mouro Ferreira

    Com a publicao da Ode Triunfal, era porventura a primeira vez que

    se imprimia, entre ns, semelhante tipo de versos, inteiramente libertos

    de estrutura meldica (pois j no se tratava do verso livre, de origem

    simbolista, ainda baseado em elementos musicais) e em que, por outro

  • 30

    lado, sob visvel influncia do poeta americano Walt Whitman (), se

    cantavam, pela primeira vez, os aspectos at a considerados menos

    poticos da civilizao moderna - as mquinas, os motores, as

    fbricas, as cidades tentaculares (), os cartazes, os anncios

    luminosos, as sombras e as luzes da Europa, at os progressos de

    armamentos gloriosamente mortferos ( Couraas, canhes,

    metralhadoras, submarinos, aeroplanos!) -, as mais variadas formas,

    enfim, e os mais variados produtos da nossa civilizao industrial.

    (Mouro-Ferreira, D., 1981)

    1.2. A importncia da Musicalidade no Ensino de Portugus

    Minha alma uma orquestra oculta; no sei que instrumentos tange e

    range cordas e harpas, timbales e tambores, dentro de mim. S me

    conheo como sinfonia. (Soares, B., 1982).

    So muitos os autores que apreciam e valorizam a musicalidade do texto,

    reconhecendo que a harmonia sonora est presente e tem a finalidade de sublinhar a

    compreenso do sentido. O ritmo, a rima, os recursos estilsticos, esto presentes na

    composio potica com o objetivo de lhe atribuir musicalidade. O ritmo um dos fatores

    que mais confere musicalidade, a propsito do texto (Aguiar e Silva, 2008: 1758).

    Segundo Gladstone de Melo

    [a] utilizao estilstica do material sonoro faz-se a todos os momentos

    e de todas as maneiras, no s procurando o autor uma combinao

    agradvel, suave, harmoniosa, mas tambm chocante, desafinada, com

    predomnio de elementos amusicais, consoantes duras, atropelos,

    desconcertos. Tudo depende da adequao da escolha aos objetivos em

    vista. (Melo, G. de., 1979: 61)

    A poesia, com seus versos e musicalidade, desperta emoes e sentimentos no

    leitor, levando-o a penetrar intensamente no universo do poema. Para tal, fundamental

    que o leitor seja capaz de interpretar a mensagem prpria da criao potica e que,

    progressivamente, seja capaz de ultrapassar os obstculos de ordem cognitiva, sendo

    obrigatrio o reconhecimento e posterior compreenso dos cdigos do texto potico.

  • 31

    O leitor, ao declamar, necessita de instrumentos que o ajudem a criar ritmo, e a a

    rima tem um papel importante pois orienta a cadncia com que deve ler.

    A velocidade da elocuo tambm bastante importante, uma vez que, sendo um

    texto longo, bem executado, apresentar certamente vrias mudanas de velocidade,

    como pode verificar-se num dos textos estudados, a Ode Triunfal, onde [os] processos

    retricos dominantes na poesia de Campos, os longos perodos vo respirando medida

    que avanam, apoiando-se no ritmo binrio ou ternrio dos versos, nas construes

    anafricas paralelas, na velocidade adquirida de um irresistvel mpeto oratrio. (Coelho,

    J. do. P., 1982: 126).

    Refira-se a este propsito, a afirmao de Aguiar e Silva que considera que

    [n]o texto literrio, os sons, na sua materialidade, com o seu timbre, a

    sua intensidade, a sua harmonia, as suas combinaes e repeties,

    originam fenmenos que podem ser apropriadamente caracterizados

    como sendo fenmenos de fono-estesia e que se assemelham muito a

    fenmenos musicais. (Aguiar e Silva, 2008: 175)

    Em Campos, cantam-se as mquinas, os motores, a velocidade, a civilizao

    mecnica e industrial, o comrcio, os escndalos e corrupes da contemporaneidade em

    sintonia com o futurismo. A linguagem do poema acelera-se e enriquece-se no mesmo

    andamento delirante. Gunther Georges prope a seguinte abordagem

    [a] fim de que todos os sentidos se sintam constantemente solicitados e

    saciados, o poeta descreve os movimentos, os rudos do seu mundo

    plstico e variadamente to atractivos quanto possvel. Nenhum meio

    estilstico lhe to agressivo que a ele no recorra, nenhuma associao

    de ideias demasiado ousada. A ltima moda, expresses de snobismo

    da poca (Ah, como eu desejaria ser o souteneur disto tudo!), verso que

    particularmente agradou a S Carneiro, tudo isso tem o seu lugar neste

    mundo. No existem limites em parte alguma: onomatopeias (r-r.r,

    z-z-z), exclamaes como rodas, h-la-h la foule!, palavras

    estrangeiras, repeties, comparaes, superlativos, etc, fluem da pena

    do poeta. () (Guntert, G., 1982)

  • 32

    O movimento aumentou e a perceo da matria deixou de ser una, cartesiana,

    passando a ser sentida na sua desintegrao. Uma vez estimulado pelo ritmo, o Eu que

    sofre tem apenas um desejo: continuar a vibrar, sentir mais, experimentar tudo. O verbo

    fica em consequncia no condicional ou no imperativo como forma de desejo. (Guntert,

    G., 1982).

    1.2.1. Apresentao e anlise das atividades realizadas na disciplina de

    Portugus em sala de aula

    Comecemos pela disciplina de Portugus. As atividades foram idealizadas e

    operacionalizadas de acordo com a planificao curricular do 12 ano de escolaridade e

    obedeceram s planificaes anuais, sendo que os contedos a lecionar, no ensino

    profissional, so organizados em mdulos, onde distribudo o tempo letivo e as

    atividades a desenvolver em cada mdulo. Preparar uma aula muito importante e o

    professor deve estar seguro e consciente dos interesses dos seus alunos, devendo criar um

    ambiente propcio e favorvel para o ensino/aprendizagem, almejando motiv-los para a

    leitura em geral e pelos textos literrios em particular.

    Atualmente, e como estratgias de ensino/aprendizagem, o professor tem sua

    disposio toda uma panplia de recursos que dever adequar aos alunos e aos objetivos

    pretendidos, pois s assim conseguir uma aula onde a participao, a motivao, aliadas

    exigncia, possam coexistir de forma equilibrada e eficaz.

    Todas as atividades foram operacionalizadas de acordo com a planificao

    curricular e obedeceram s planificaes anuais.

    Caracterizao da disciplina

    A disciplina de Portugus integra-se, no mbito dos cursos profissionais, na

    componente sociocultural e visa a aquisio de um corpo de conhecimentos e

    desenvolvimento progressivo de competncias que capacitem os alunos para a reflexo e

    uso da lngua materna.

    De acordo com o programa da disciplina de Portugus, a aula deve desenvolver

    mecanismos cognitivos essenciais ao conhecimento explcito da Lngua bem como

    incentivar uma comunicao oral e escrita eficaz, preparando a insero plena do aluno

    na vida social e profissional, promovendo a educao para a cidadania, contribuindo para

  • 33

    a formao de um bom utilizador da lngua, habilitando-o a ser um comunicador com

    sucesso e um conhecedor do seu modo de funcionamento.

    No final do curso, o aluno dever ser capaz de interagir oralmente e por escrito de

    forma adequada, nas situaes de comunicao fundamentais para uma integrao plena

    na sociedade, nomeadamente na resoluo de questes quotidianas.

    Saber ouvir e compreender e saber expressar as suas opinies, receios, vontade e

    sentimentos, vital para assegurar uma boa participao na sociedade em que estamos

    inseridos.

    A aula de Portugus deve ser um espao de transversalidade cultural e lingustica,

    na sua condio de suporte estruturalmente integrado nos outros saberes. Exige, pois, um

    investimento significativo na promoo de situaes de aprendizagem que desenvolvam

    os conhecimentos e as aptides lingusticas dos alunos. A aula de lngua materna deve ser

    orientada para a conscincia e fruio integral da lngua.7

    Assim, e no decorrer da nossa prtica pedaggica, tentmos sempre procurar

    estratgias que fossem ao encontro dos objetivos definidos no programa da disciplina. As

    componentes de compreenso oral, expresso oral, expresso escrita, leitura e

    funcionamento da lngua, competncias nucleares da disciplina, foram trabalhadas,

    perspetivando sempre o exerccio do pensamento reflexivo dada a sua importncia no

    desenvolvimento de valores, capacidades e competncias decorrentes do processo de

    ensino-aprendizagem.

    As vrias competncias foram desenvolvidas e explicitadas a partir dos textos

    previstos, com o objetivo de consciencializar os alunos para a lngua e,

    consequentemente, para a cultura de que so portadores e que constitui, para eles como

    para cada um, o instrumento fundamental para a interao com o mundo.

    A promoo de valores e atitudes conducentes ao exerccio de uma cidadania

    responsvel num mundo em constante mutao foi tambm uma preocupao.

    importante fazer com que o jovem aluno se aceite como , contribuindo para a sua

    personalidade sem deixar de aceitar e respeitar os outros, sem deixar de conhecer e

    cumprir os seus deveres; no fundo, pretende-se que o jovem aluno saiba viver consigo e

    com os outros.

    Tendo por base as grandes linhas orientadoras do Programa de Portugus do

    Ensino Profissional, mas querendo simultaneamente aferir a relevncia e a eficcia do

    7 Conforme Programa de Portugus 2004/2005: 2.

  • 34

    recurso explorao da musicalidade, neste contexto, as atividades que a seguir se

    apresentam pressupem o ensino atravs da musicalidade nas aulas de Portugus, L.M.

    Foram por conseguinte pensadas vrias estratgias, recorrendo a diferentes recursos

    didticos, para guiar os alunos nessa descoberta, de um especial uso da lngua no texto

    literrio.

    O grande objetivo era levar os alunos descoberta do texto e da sua

    interioridade; podendo ser capazes de mergulhar nele e de apreenderem e

    compreenderem o seu contedo, ouvindo as vrias vozes a presentes, transportando-as

    para o exterior, e assim identificando recursos sonoros e estilsticos, que possibilitassem

    a descoberta da musicalidade do texto, tornando esta atividade interessante e motivadora:

    partir descoberta do primado da melodia nos diversos textos abordados, identificando

    os vrios recursos a presentes e que lhes conferem melodia.

    Uma das aulas foi sobre a Ode Triunfal do heternimo lvaro de Campos, uma

    boa escolha, que serviu os meus objetivos, uma vez que o conceito que os alunos tinham

    de poesia era o da esttica aristotlica da arte, ou seja, entendiam que o texto potico

    observa regras e convenes e cdigos rgidos. Ora nada disso ocorre com a arte

    moderna, em que, e no caso de Campos, estamos perante uma ideia esttica em que

    assume um papel fundamental a noo de fora, a torrencialidade verbal, o grito

    esfuziante, o caos expressivo, materializando o magma da lngua.

    Campos sentindo a complexidade e a dinmica da vida moderna, procura sentir a

    violncia e a fora de todas as sensaes ("sentir tudo de todas as maneiras"). A

    irregularidade mtrica e estrfica, tpicas da poesia modernista, afastam, desde logo, o

    poema da lrica tradicional portuguesa. O ritmo irregular traduz a irreverncia e o

    nervosismo do prprio poeta. A nvel estilstico, sobressaem as metforas, comparaes,

    imagens, apstrofes, anforas (entre outros), a fim de evidenciar o sensacionismo de

    Campos. De realar as interjeies que expressam os sentimentos do sujeito lrico que

    pretende e consegue partilhar connosco, leitores, as suas emoes. O poeta cria na sua

    poesia ritmos e sons, tornando-se a musicalidade um trao evidente na sua poesia dotada

    de uma cadncia meldica que confere movimento ao texto.

    A abordagem do texto lrico, em contexto pedaggico, exige procedimentos e

    estratgias prticas que levem os alunos compreenso da mensagem e s inferncias de

    contedo e do sentido das opes formais.

  • 35

    Atividade 1

    Disciplina: Portugus

    Ano de escolaridade: 12 Ano

    Ttulo: Ode Triunfal, de lvaro de Campos

    Mdulo: Textos Lricos: Poemas de Fernando Pessoa Ortnimo e os

    Heternimos

    Objetivos

    Contactar com os autores do patrimnio cultural nacional e universal;

    Analisar passagens do poema Ode triunfal e referir as caractersticas

    estilsticas da poesia deste heternimo;

    Apreender o sentido do texto, sentimentos, musicalidade, ritmo,

    sonoridades;

    Produo escrita.

    Material

    Documento udio com excertos da Ode Triunfal;

    Documento escrito com excertos da Ode Triunfal (Anexo 2);

    PowerPoint com a sntese sobre a poesia de lvaro de Campos (Anexo 3);

    Manual: Percursos Profissionais- Portugus 3 (Catarino, A.; Fonseca, C.;

    Peixoto, M.J..2013).

    Descrio/Metodologia

    A aula iniciou-se com a audio de excertos do poema, a partir do CD udio que

    integra o manual, Percursos Profissionais, com o objetivo de sensibilizar os alunos para

    a novidade desta poesia, na fase futurista/ sensacionista de lvaro de Campos, que celebra

    o triunfo da mquina, da energia mecnica e da civilizao moderna, constatado na

    terminologia desse mundo mecnico, citadino e cosmopolita. Aps esta primeira

    abordagem, procedeu-se execuo da leitura feita pela professora, que imprimiu

    velocidade elocuo, com o objetivo de obrigar o interlocutor a fixar a ateno para

    descodificar a emoo intensa, a vertigem, o estilo torrencial, esfuziante, exclamativo,

    que trespassa todo o poema. A leitura em voz alta possibilitou verificar a musicalidade

  • 36

    que as palavras evocam, servindo a repetio das letras, das palavras, e dos sons, essa

    intencionalidade.

    Com franca facilidade, os alunos identificaram aspetos da modernidade na Ode

    Triunfal, como a sociedade industrial, o bulcio urbano, destacando-se a dinmica da

    mquina, pela sua fora e rudo. Tambm as sensaes e recursos que serviram a inteno

    do sujeito lrico de sentir tudo de todas as maneiras foi um aspeto considerado na anlise

    textual, bastante pertinente para a compreenso e o estudo da poesia de lvaro de

    Campos. Foram identificadas as sensaes auditivas, que traduzem o rudo forte das

    mquinas, associadas ao uso do gerndio que d a ideia de continuidade, e que mostram

    o trabalho contnuo das mquinas. Rugindo, rangendo, ciciando, estrugindo, ferreando.

    Estas formas verbais acentuam o barulho provocado pelas mquinas, complementado

    pela aliterao em r, que intensifica o carter agressivo dos motores. Todo este

    sensacionismo pde ser comprovado pelos alunos em versos como: Fazendo-me um

    excesso de carcias ao corpo numa s carcia alma. A sensao ttil sugere a suavidade

    de uma carcia, o sentir tudo de todas as maneiras: o sentir fisicamente para aliviar a dor

    interior. A confirmao de todo o sensacionismo surge sintetizado no verso Ah, como

    eu desejaria ser o souteneur disto tudo!.

    Refira-se que o facto de ter optado por um documento udio, como recurso

    didtico, possibilitou-me evidenciar de que forma se vivencia a musicalidade. Um dos

    objetivos pretendidos, com o estudo desta Ode, em que o poeta canta a beleza da

    civilizao moderna foi levar os alunos a contactarem com alguns dos contedos

    programticos da disciplina do Portugus, designadamente a vanguarda e o

    sensacionismo, uma vez que este um dos poemas onde estas caractersticas mais se

    evidenciam. Depois da interpretao do texto e a fim de sistematizar os temas e traos

    estilsticos do poema, recorri a um conjunto de slides que apresentei em PowerPoint

    (Anexo 3). Para inserir os alunos nesta atmosfera da fbrica, dos maquinismos em fria,

    achei interessante colocar o rudo das mquinas como pano de fundo dos vrios slides,

    associado aos cromatismos do primeiro e segundo slides, onde o preto e o cinzento

    imperam e que representam os motores, os leos da fbrica, estratgia que foi do agrado

    dos alunos. A utilizao estilstica do material sonoro faz-se a todo o momento

    procurando o poeta uma combinao chocante, desafinada, com predomnio de elementos

    amusicais, consoantes duras, atropelos, desconcertos. A aliterao, a onomatopeia e as

    palavras onomatopaicas surgem constantemente no poema, tendo levado os alunos a

    inferir da importncia do vocbulo como massa sonora. O objetivo era levar os discentes

  • 37

    a interagir com o universo da poesia, das sensaes, das emoes, do ritmo, das

    sonoridades, ideias e imagens prprias do discurso potico. Este excesso de sensaes foi

    constatado atravs das interjeies, personificaes, adjetivao, estrangeirismos,

    onomatopeias, versos longos e curtos e o ritmo alucinante, aspetos formais do futurismo

    presentes no poema. Identificmos as apstrofes e as aliteraes, rodas,

    engrenagens, -r,-r,-r,-r,-r,-r,-r, eterno, a aliterao a realar a raiva, o movimento, a fora.

    O ritmo alucinante retomado atravs das apstrofes sucessivas, das interjeies e das

    repeties anafricas: Eh-l grandes desastres de comboios! Eh l desabamentos de

    galerias de minas,/ Eh-l naufrgios deliciosos dos grandes transatlnticos! Eh-l-h

    revolues aqui, ali, acol,. A ideia de energia expressa atravs das grandes lmpadas

    eltricas da fbrica e a ideia de movimento tambm motivo de realce atravs das rodas,

    dos mbolos, etc.

    A leitura analtica e crtica de alguns excertos da Ode Triunfal conduziu a uma

    produo escrita que foi, seguramente, facilitada pela leitura realizada. Esta anlise crtica

    transmitiu conhecimentos slidos aos alunos para desenvolver, por escrito, um exerccio

    de expresso escrita relacionada com o poema abordado em aula.

    Comentrio

    A produo textual dos alunos consistiu em escrever um texto, uma ode ao

    computador, ao telemvel, mquina, smbolos de um mundo tecnologicamente

    avanado. Nessa Ode, os alunos deveriam cantar esse mundo tecnolgico, ao estilo de

    lvaro de Campos, usando os vrios recursos de modo a deixar transparecer toda a

    musicalidade do poema.

    Esta atividade que encerrou o estudo da Ode Triunfal tambm correspondeu s

    minhas expectativas, pois alguns alunos conseguiram captar o tom do poema, projetando-

    o nos seus textos. Com efeito, nos textos dos alunos pode verificar-se o uso de uma

    elocuo dinmica, de vocabulrio prosaico, e de recursos expressivos como a aliterao,

    a apstrofe, a interjeio, entre outros. (Anexo 4).

    O aluno A conseguiu interiorizar as emoes do sujeito lrico, o estilo torrencial e

    reproduzi-los no seu texto. Um texto algo nico e exclusivo de quem o escreve, imagina

    e constri. O seu poema um quadro cheio de sons musicais que nos convida a viajar

    pela modernidade numa fantasia embalada pela musicalidade. O ritmo e as sonoridades

    que se evidenciam conferem dinamismo ao texto. O recurso s apstrofes, s interjeies,

  • 38

    s onomatopeias, dotam o poema de grande musicalidade. Nota-se um efeito de harmonia

    entre ideias e sentimentos, sinal de que o aluno conseguiu com a sua criatividade

    transmitir um imaginrio ao jeito de lvaro de Campos, tendo por base a sua Ode

    Triunfal.

  • 39

    O aluno B, embora tenha construdo um texto mais breve, tambm conseguiu

    transmitir alguma emoo, quando fala da caixa da tecnologia e da sua beleza.

    interessante verificar como o aluno apreendeu a ideia da fuso do sujeito com a dinmica

    da mquina: Ser parte de ti.

    Atividade 2

    Disciplina: Portugus

    Ano de Escolaridade: 12

    Ttulo: O Mostrengo, in Mensagem de Fernando Pessoa

    Mdulo 10: Textos picos e pico-lricos.

    Objetivos

    Reconhecer a estrutura tripartida da Mensagem;

    Aferir das caractersticas da poesia pico-lrica;

    Exercitar a leitura dramatizada do texto;

    Referenciar de que forma se vivencia a musicalidade no texto (ritmo, rima,

    sonoridades, variedade de vocabulrio).

    Material

    Documento udio;

    Documento escrito com o poema O Mostrengo e as linhas de leitura

    (Anexo 7);

  • 40

    Guio de apoio leitura: compreenso e interpretao (Anexo 8);

    PowerPoint com um registo musical do poema, da autoria do grupo

    Azeituna;

    Manual: Percursos Profissionais- Portugus 3 (Catarino, A.; Fonseca, C.;

    Peixoto, M.J.. 2013).

    Descrio/Metodologia

    Esta aula foi realizada a propsito do tema do meu relatrio e incidiu sobre o

    desenvolvimento da compreenso e a expresso oral. Segundo o Programa de Portugus

    Relativamente compreenso, e considerando que esta competncia

    coloca o sujeito em relao dialgica com os enunciados (), cabe ao

    professor criar estratgias que orientem o aluno na utilizao de

    diferentes modelos de compreenso, de modo a trein-lo na

    mobilizao de conhecimentos prvios necessrios aquisio das

    novas informaes, bem como na interao da informao do texto com

    os seus conhecimentos sobre o tpico e no estabelecimento simultneo

    dos objetivos de escuta. (Programa de Portugus, 2004-2005: 12)

    A aula iniciou-se com um breve dilogo professora e os alunos com o objetivo de

    contextualizar o texto a estudar O Mostrengo, um dos poemas da segunda parte da

    Mensagem Mar Portugus- uma obra com poesias inspirada na nsia do

    Desconhecido e no esforo heroico da luta contra o Mar.

    Para que os alunos atingissem os objetivos pretendidos comeou-se pela leitura

    dramatizada do texto, um dilogo a trs vozes: o sujeito da enunciao, o Mostrengo, e o

    homem do leme. Houve tambm a preocupao de apresentar um registo udio, com sons

    que revelavam um mar agitado, um mar fechado e sem fim no sentido da profundidade,

    indiciando mistrio, para uma maior e melhor verosimilhana com a atmosfera criada

    para a apario do Mostrengo. (Anexo 7). A leitura intensa e o ritmo forte e vibrante

    permitiram aos alunos concluir do dramatismo presente no confronto entre estas duas

    personagens. Na leitura dos alunos foi deveras expressiva a emotividade do mostrengo e

    do marinheiro.

  • 41

    Refira-se, como facto notvel, o contraste entre o tom ameaador das quatro

    perguntas do mostrengo e as respostas tmidas e breves do marinheiro portugus nas duas

    primeiras estrofes.

    O mostrengo que est no fim do mar

    Na noite de breu ergueu-se a voar;

    A roda da nau voou trs vezes,

    Voou trs vezes a chiar,

    E disse: Quem que ousou entrar

    Nas minhas cavernas que no desvendo,

    Meus tectos negros do fim do mundo?

    E o homem do leme disse, tremendo:

    El-Rei D. Joo Segundo!

    De quem so as velas onde me roo?

    De quem as quilhas que vejo e ouo?

    Disse o mostrengo, e rodou trs vezes,

    Trs vezes rodou imundo e grosso.

    Quem vem poder o que s eu posso,

    Que moro onde nunca ningum me visse

    E escorro os medos do mar sem fundo?

    E o homem do leme tremeu, e disse:

    El-Rei D. Joo Segundo!

    Trs vezes do leme as mos ergueu,

    Trs vezes ao leme as reprendeu,

    E disse no fim de tremer trs vezes:

    Aqui ao leme sou mais do que eu:

    Sou um povo que quer o mar que teu;

    E mais que o mostrengo, que me a alma teme

    E roda nas trevas do fim do mundo,

    Manda a vontade, que me ata ao leme,

    De El-Rei D. Joo Segundo!

  • 42

    Estes sinais de pontuao so importantes porque indicam a entoao que o autor

    quis dar ao texto, mas tambm conferem ritmo e melodia a uma frase atravs da voz. Na

    ltima estrofe, os alunos facilmente perceberam a atitude do homem do leme que mobiliza

    todas as suas energias e d uma resposta longa e conclusiva, impondo a sua vontade, que

    a vontade de um povo, arrogncia inconsciente do monstro. A repetio do ltimo

    verso de cada estrofe foi a estratgia escolhida para enfatizar a mensagem de que o

    homem do leme est ali para obedecer vontade de el-rei, depois de ganhar fora e

    coragem para enfrentar o mostrengo.

    A anlise do poema, feita a partir das linhas de leitura, realada pelo recurso

    dramatizao, ajudou os alunos a captar as ideias fundamentais e a intencionalidade

    textual. De seguida, o guio de leitura veio facilitar a compreenso e a interpretao do

    texto no respeitante forma e ao contedo. Esta proposta de atividade promoveu a

    interao aluno/ professor/aluno, articulando os contedos e ideias de acordo com a

    intencionalidade comunicativa, perspetivando o domnio da oralidade, uma competncia

    transversal que deve permitir ao aluno a sua afirmao pessoal e a sua integrao numa

    comunidade, ora como locutor eficaz, ora como ouvinte crtico, ora como interlocutor,

    em suma, como cidado.

    Uma das questes do guio de leitura (Anexo 8) era a seguinte:

    7- Faa o levantamento dos recursos potico-estilsticos, a nvel fnico,

    morfossinttico e semntico.

    Os alunos, solicitados pela professora, conseguiram identificar vrios recursos

    potico-estilsticos:

    Nvel fnico

    3 Estrofes de 9 versos, finalizadas por um refro.

    Irregularidade mtrica

    o Mtrica:

    Versos decasslabos;

    Versos octosslabos;

    Versos eneasslabos;

    Versos hexasslabos no refro.

  • 43

    o Rimtica:

    Esquema rimtico: aabaacdcd;

    Rima emparelhada e cruzada, sendo cada terceiro verso das trs

    estrofes um verso branco.

    Ritmo livre, adaptado emoo patente no poema.

    Refro: predominam os sons nasais e fechados (o, un), conferindo ao

    discurso um tom srio, dramtico e pesado. Por outro lado, nele ressoa a fora,

    a vontade frrea inerentes figura do rei D. Joo II, e acentua a lealdade

    inabalvel do marinheiro vontade do rei.

    Harmonia imitativa onomatopaica produzida pela repetio dos sons /v/, /s/,

    /ch/, /r/, /z/ (aliteraes), que sugerem o rudo do voo do mostrengo.

    o Aliterao em / m/ no verso: Que moro onde nunca ningum me

    visse.

    Nvel morfossinttico

    Abundncia de formas verbais que sugerem movimentos incontrolveis,

    violentos, de terror e que emprestam ao poema grande dinamismo. Os tempos

    verbais predominantes so o pretrito perfeito, predominante na parte narrativa,

    e o presente do indicativo, usado quase exclusivamente no dilogo entre o

    mostrengo e o homem do leme, contribuindo para a grande fora e

    vivacidade da mensagem que se pretende transmitir, para o seu valor universal

    e para o tom pico que culmina na ltima fala do marinheiro. Juntamente com

    as formas verbais, a abundncia de nomes traduz a sucesso incontrolvel e

    dramtica dos acontecimentos. Os adjetivos so quase inexistentes: negros,

    imundo e grosso que traduzem a noo de mistrio e terror.

    Tipos de frase:

    o Frase declarativa: narrao e parte do discurso do homem do leme;

    o Frase interrogativa: discurso do mostrengo;

    o Frase exclamativa: discurso do marinheiro.

    Funes da linguagem: emotiva, ftica, apelativa.

    Inverso, assumindo a violncia do hiprbato:

    o trs vezes rodou imundo e grosso;

    o trs vezes do leme as mos ergueu;

  • 44

    o E mais que o mostrengo que me a alma teme / E roda nas trevas do fim

    do mundo, / Manda a vontade, que me ata ao leme, / De El- Rei D. Joo

    Segundo II.

    Anfora:

    o de quem ()/ De quemvv10-11;

    o Trs vezes ()/ Trs vezes() / Trs vezes() vv 13, 19 e 20.

    Nvel semntico

    Metforas/ Imagens:

    o nas minhas cavernas que no desvendo;

    o meus tectos negros do fim do mundo: as metforas sugerem o mistrio

    impenetrvel de um local desconhecido e medonho;

    o E escorro os medos a ideia de terror;

    o a vontade que me ata ao leme- expressa a misso do marinheiro,

    ligada fatalmente vontade do seu rei e do seu povo.

    Exclamaes e interrogaes: traduzem a emotividade, quer do Mostrengo,

    quer do marinheiro.

    A personificao de um ser desconhecido, o mostrengo voador, que chia,

    v, ouve, e fala ameaadora e aterradoramente, e que corporiza todos os perigos

    da navegao em mares desconhecidos.

    A reiterao do nmero 3.

    Linguagem visualista para sugerir o ambiente de terror e mistrio, fazendo-se

    apelo s sensaes visuais e auditivas.

    A aula terminou com a verso musicada do poema pelo grupo Azeituna. A

    disposio grfica e a msica, numa simbiose perfeita, vieram complementar e reforar

    os aspetos estudados relativos musicalidade do texto. Uma atividade muito do agrado

    dos alunos.

    Comentrio

    A anlise do poema O Mostrengo possibilitou captar as ideias essenciais e o

    propsito do texto. Conseguiu-se fomentar o dilogo aluno/ professor de forma

    responsvel e organizada atravs de uma pertinente questionao, demonstrando um bom

  • 45

    domnio cientfico e boa articulao com outros conhecimentos, perspetivando o

    envolvimento do aluno nesses conhecimentos. Saliento uma das questes do guio de

    leitura que exigia o levantamento dos aspetos fnicos, morfossintticos e semnticos do

    poema que foi correta e acertadamente respondida por alguns alunos. De facto, os alunos

    conseguiram, depois de sensibilizados, atravs da leitura dialogada, identificar as

    onomatopeias produzidas pela repetio de vrios sons, as aliteraes, as anforas, as

    metforas, o hiprbato, entre outros. Trabalhou-se o poema, realando os aspetos sonoros

    e atendendo-se sempre forma e ao contedo. Deu-se especial enfoque grande

    irregularidade mtrica e rimtica, outro aspeto fundamental da musicalidade e do

    ritmo deste poema; com efeito, ao lado de alguns versos decassilbicos, h os

    octossilbicos, os eneassilbicos, sendo o verso no refro hexassilbico. Tambm a rima

    apresenta irregularidades, havendo versos emparelhados e cruzados e ainda a

    peculiaridade de, em cada estrofe, o terceiro verso no rimar com nenhum outro. A

    propsito do refro El-rei D. Joo Segundo, os alunos conseguiram perceber a

    ressonncia conseguida, sobretudo, pela utilizao de sons nasais (o e un). Salientou-se

    ainda a ocorrncia de outros sons nasais (em, por exemplo) e fechados ( e ) que lhe

    conferem a profundidade e amplitude que se adivinham no final da leitura. Foi ainda

    referida a frequncia de sons sibilantes (s, ch, z) que sugerem o rudo do voo do

    Mostrengo. A utilizao destes sons nasais e fechados deixam uma sensao de gravidade

    e de pressgio, acrescida pelo discurso agressivo dos interlocutores, pelas formas verbais

    sugestivas de movimento, pelas sensaes visuais e auditivas, pelos movimentos

    circulares, cercadores e ameaadores, e pela localizao espcio-temporal. Os alunos,

    assim sensibilizados para a complexa musicalidade do texto pareceram ter compreendido

    melhor a mensagem do poema.

    A nvel morfossinttico foi assinalado o grande nmero de verbos sugestivos de

    movimento, a grande quantidade de substantivos e a fraca incidncia de adjetivos; os trs

    tipos de frases, o hiprbato, a metfora, a anfora, etc. A intensa musicalidade do poema

    foi apreendida, desde logo, pela repetio do refro, mas tambm pela cadncia da leitura,

    pela musicalidade latente nas palavras, pelo ritmo do verso e pelo tom geral da

    composio.

    Atividade 3

    Disciplina: Portugus

  • 46

    Ano de Escolaridade: 12

    Ttulo: Memorial do Convento

    Mdulo 10: Textos Narrativos e Descritivos II

    Objetivos

    Contextualizar o excerto nas linhas de ao da obra em estudo;

    Categorizar no texto narrativo/descritivo, a voz do narrador, a pluralidade

    de estatuto e inteno interventiva;

    Exercitar a leitura vocalizada do texto;

    Referenciar as caractersticas peculiares da escrita saramaguiana.

    Material

    Documento udio;

    Documento escrito com o excerto A construo do convento - a tirania e

    a opresso (Anexo 11);

    PowerPoint com o registo das caractersticas da linguagem e do estilo de

    Saramago (Anexo 12);

    Ficha de apoio leitura (Anexo 13);

    Manual: Percursos Profissionais- Portugus 3 (Catarino, A.; Fonseca, C.;

    Peixoto, M.J..2013).

    Descrio/Metodologia

    Esta aula iniciou-se com um breve dilogo com os alunos a fim de se

    contextualizar o excerto em estudo e a sua incluso nas linhas de ao do Memorial do

    Convento. A ao central do romance prende-se com a construo do convento de Mafra,

    no reinado de D. Joo V, o querer megalmano de um rei. No entanto, a este

    acontecimento associam-se outras linhas diegticas que estruturam o romance e que esto

    sucintamente apresentadas no texto da contracapa do romance:

    Era uma vez um rei que fez a promessa de levantar um convento em Mafra.

    Era uma vez a gente que construiu esse convento.

    Era uma vez um soldado maneta e uma mulher que tinha poderes.

    Era uma vez um padre que queria voar e morreu doido.

  • 47

    Aps a contextualizao foi distribudo aos alunos o excerto, para acompanharam

    a audio do texto. O episdio de A construo do convento - a tirania e a opresso

    insere-se na sequncia XVII, no momento em que Baltasar e Blimunda regressam a

    Mafra, aps o voo e a queda da passarola. Depois da audio, foi feita a leitura vocalizada

    pelos alunos, e passou-se explorao do texto. A anlise textual permitiu que os alunos

    pudessem constatar a dureza do trabalho levado a cabo pelos trabalhadores na construo

    do convento, bem como as pssimas condies em que viviam. A realizao, em trabalho

    de pares, de uma ficha de interpretao do texto apoiou os alunos na compreenso da

    mensagem e das caractersticas peculiares da escrita de Saramago. O PowerPoint

    apresentado ajudou os alunos a completar o exerccio sobre as marcas peculiares da

    linguagem e do estilo do autor.

    Tambm as atividades de funcionamento da lngua, neste caso, o discurso direto,

    foram realizadas pontuando os alunos o texto de forma convencional os excertos,

    aproveitando-se para rever a pontuao e suas regras.

    Comentrio

    Verificou-se haver da parte dos alunos descontrao e um grande vontade

    durante toda a aula, solicitando a ateno da professora e colocando questes pertinentes

    no que concerne a obra em anlise. Os alunos mostraram-se muito participativos e

    colaborantes no decorrer da aula, o que se traduziu numa aula bastante interativa e

    dinmica. Tambm na atividade de pares revelaram motivao, participao e

    criatividade.

    Atravs da audio do excerto, que pe justamente em realce o ritmo, a cadncia

    e a alternncia das diferentes vozes, pretendeu-se levar os alunos identificao das

    vrias vozes presentes no texto, a partir do tom de voz e da entoao. Alguns conseguiram

    perceber que havia dilogo, no por terem reconhecido a pontuao convencional que o

    caracteriza, mas pela vocalizao, pela sonorizao na leitura, pela musicalidade revelada

    no excerto. Os alunos puderam constatar que, na obra de Saramago, ocorre a anulao do

    processo cannico de pontuao e descobriram que os enunciadores do discurso so dados

    pela letra maiscula inicial: Como que te chamas, Baltasar Mateus, de alcunha o Sete-

    Sis, Podes vir trabalhar na segunda-feira, comeas para a semana, vais para os carros de

    mo. [] (Percursos Profissionais, 2013: 230). Em Memorial do Convento, os alunos

  • 48

    reconheceram tambm que a linguagem do escritor se aproxima da oralidade. Referindo-

    se dimenso oral da sua escrita, Carlos Reis refere que Saramago

    usa pontuao, mas reinventa-a de acordo com um outro ritmo

    prosdico, que o da oralidade de quem fala a lngua (Dilogos com

    Jos Saramago, 2015: 106)

    o prprio Saramago que explica tal dimenso nos seguintes termos:

    como voc sabe, quando falamos, no usamos sinais de pontuao.

    Temos pausas [de respirao] e at, como eu digo nos meus livros, os

    dois nicos sinais de pontuao, o ponto e a vrgula, no so sinais de

    pontuao, so uma pausa, uma pausa breve e uma pausa longa. No

    fundo, como tambm digo muitas vezes, "falar fazer msica

    (Dilogos com Jos Saramago, 2015: 107)

    Com base no anteriormente exposto, os alunos responderam a algumas questes.

    Transcrevo a resposta a uma das questes que me parece esclarecedora quanto forma

    como os alunos veem a escrita de Saramago e como reconhecem a musicalidade no texto.

    (Anexo 13)

    O aluno A

    O aluno B

  • 49

    O aluno C

    2. O uso da msica no ensino

    Pode constatar-se, pela prtica e observao, que os professores de lngua

    estrangeira foram fazendo uso da msica como instrumento pedaggico, crendo que, com

    a utilizao desta ferramenta, a aula se torna mais agradvel, animada, e participativa para

    o aluno. A msica considerada como um mediador que proporciona resultados

    satisfatrios por envolver o aluno no processo de ensino-aprendizagem. No entanto, e

    embora seja um recurso interessante a usar nas aulas, a verdade que o professor dever

    estar atento a outros documentos existentes para o ensino de uma LE. Neste mbito, o

    Quadro Europeu Comum de Referncia para as Lnguas aconselha, no respeitante ao

    ensino de LE, o uso de materiais originais, como a cano: os usos artsticos e criativos

    da lngua so to importantes por si mesmo como do ponto de vista educativo (QECRL,

    2001: 88).

    Segundo Vygotsky (1984: 33), a mediao est relacionada com o uso de

    instrumentos entendidos como qualquer coisa usada para ajudar a resolver um problema

    ou atingir uma meta. Cabe ao professor saber motivar os seus alunos, fazendo uso de

    atividades interessantes, motivadoras, estimulantes, com vista a criar e a reforar uma

    ideia positiva do ensino/aprendizagem da LE, visto que este tipo de experincias pode

    deixar marcas indelveis no aprendente. Mas, a meu ver, esta motivao do aluno s ser

    profcua se o professor conseguir transmitir a sua prpria motivao e o seu entusiasmo

    perante o poder didtico da msica, da cano ou de qualquer outro recurso. S o

    entusiasmo do professor pelo ensino da lngua, servindo-se das vrias ferramentas ao seu

    dispor, contribui para um ambiente de aprendizagem estimulante.

    Harmer (2003: 54) defende que a empatia do professor com os alunos vital para

    a criao das condies necessrias para uma aprendizagem motivada (apud: Bernardo.

    2010: 16). Compreende-se que esta motivao no est apenas dependente do professor,

    mas de um conjunto de fatores intrinsecamente e extrinsecamente ligados aos alunos.

  • 50

    Toda esta panplia de atividades no vai motivar o aluno se o contedo a lecionar no for

    atrativo e adaptado aos seus interesses.

    Sobre o recurso msica, Pereira concorda que se deve tirar proveito dela para

    motivar os alunos em todas as reas de estudo, uma vez que a msica muda a rotina das

    atividades na sala de aula, sendo tambm fundamental no desenvolvimento das

    capacidades auditivas, orais, de leitura e de escrita (Pereira, 2007). E Faria acrescenta que

    [a] msica como sempre esteve presente na vida dos seres humanos, ela tambm est

    presente na escola para dar vida ao ambiente escolar e favorecer a socializao dos alunos,

    alm de despertar neles o senso da criao e da recreao (Faria, 2001: 24)

    Se se fizer uma breve retrospetiva, facilmente se depreende que a educao

    tradicional considerou virtudes como ateno, dedicao e responsabilidade

    incompatveis com alegria e descontrao (Cardoso, 1995). No entanto, muitos

    educadores adotam o ldico como forma de ensinar uma nova lngua estrangeira, porque,

    para alm de proporcionar momentos de descontrao, os alunos adquirem tambm

    conhecimento sobre o contedo proposto. Manter um ambiente de alegria e de ludicidade

    na sala de aula fundamental aprendizagem.

    [] A ludicidade uma necessidade do ser humano em qualquer idade

    e no pode ser vista apenas como diverso. O desenvolvimento do

    aspeto ldico facilita a aprendizagem, o desenvolvimento pessoal,

    social e cultural, colabora para uma boa sade mental, prepara para um

    estado interior frtil, facilita os processos de socializao,

    comunicao, expresso e construo do conhecimento []. (Santos,

    2011: 12)

    O trabalho do professor deve direcionar-se no sentido de procurar atividades que

    proporcionem momentos de sucesso aos seus alunos, que promovam o incremento da

    autoestima e fomentem a motivao.

    2.1. A importncia da msica na aprendizagem da lngua estrangeira

    Qui dit motivation, dit chanson. (Dumont, P., 1998)

  • 51

    A msica, com maior ou menor intensidade, est presente, desde sempre, na vida

    do ser humano. Para alm de despertar emoes e sentimentos, a msica pode ser um

    valioso instrumento de aprendizagem que pode ajudar tanto o professor nos contedos

    ministrados nas aulas como o aluno na motivao, interesse e na compreenso dos

    mesmos. Mas a msica no apenas uma associao de sons e palavras, um rico

    instrumento que pode fazer a diferena na escola, pois desperta/transporta o indivduo

    para um mundo prazeroso e satisfatrio, tanto para a mente como para o corpo, facilitando

    a sua aprendizagem, mas tambm a sua socializao.

    Sabemos que cada aluno tem a sua forma e ritmo de aprendizagem e o professor

    nem sempre consegue chegar a todos com a mesma eficcia, pois tem conscincia de que

    no possui uma frmula para ensinar que se aplique a todos sem exceo. Esta variedade

    de aprendizagem torna o trabalho do professor mais problemtico, uma vez que no

    fcil encontrar atividades que sejam do agrado de todos os discentes. Neste sentido, a

    msica pode ser uma ferramenta valiosssima para o professor e uma pea importante na

    motivao dos seus alunos, uma vez que a msica pode ser entendida como lngua, que

    proporciona saber e cultura.

    Outrora, a aprendizagem de uma lngua estrangeira balizava essencialmente a

    abordagem de contedos gramaticais / lexicais e a cultura era considerada como algo

    secundrio, da a abordagem dos contedos culturais ser feita de forma

    descontextualizada, levando criao de esteretipos relativamente cultura da lngua-

    alvo.

    A abordagem comunicativa na aprendizagem das lnguas foi decisiva na mudana

    de mentalidades relativamente aos mtodos de ensino de LE. Esta abordagem pode ser

    entendida como um conjunto de princpios sobre os objetivos do ensino de lnguas, os

    tipos de aprendizagem e as atividades que a facilitam, bem como sobre o papel dos alunos

    e professores em sala de aula. Com efeito, a competncia comunicativa integra no s a

    competncia lingustica, mas tambm a componente sociocultural, que deve ter-se em

    conta quando se faz uso dessa lngua num determinado contexto.

    Posto isto para aprender / ensinar uma lngua, inconcebvel faz-lo sem uma

    abordagem cultura desse pas, j que a lngua reflete a sua viso do mundo e o seu

    cdigo de conduta. Neste sentido, h que considerar que quando se inicia a aprendizagem

    de uma lngua estrangeira, deparamo-nos com algumas barreiras, o que dificulta a

    comunicao com o outro, no s a nvel lingustico (diferente lxico e sintaxe), mas

    tambm a nvel sociocultural, porque os comportamentos diferem de contexto para

  • 52

    contexto, sendo fundamental dotar o aprendente de uma bagagem lingustica e cultural.

    Aprender uma lngua no s olhar apenas para o seu idioma; sim a abertura a novas

    culturas, s ideias, s tradies e histria de um pas.

    Na opinio de Ana Aguiar, impensvel separar lngua e cultura pois aprender

    uma lngua aprender um comportamento cultural:

    Aprender uma lngua aprender um comportamento e, nomeadamente,

    um comportamento cultural. []Se a dimenso lingustica uma

    condio necessria, no suficiente para assegurar a eficcia da

    comunicao. Alis, exprimir-se e compreender no plano lingustico

    no garantem a capacidade para codificar e descodificar os silncios, os

    gestos, as entoaes das trocas lingusticas. (Aguiar, 2010: 141)

    Assim, pode afirmar-se, com Ana Aguiar, que fundamental no processo de

    ensino-aprendizagem de uma lngua-cultura permitir a cada aluno realizar um percurso

    pessoal e subjectivo na cultura estrangeira; lev-lo a comparar sistematicamente a cultura

    estrangeira com a sua prpria e conduzi-lo a descobrir a (s) coerncia (s) interna (s)

    prpria (s) cultura estrangeira (Aguiar, 2010: 103), no esquecendo que a ideia que

    temos da nossa prpria cultura influencia o modo como consideramos e experienciamos

    as outras.

    De acordo com a mesma autora

    [a] lngua um instrumento de comunicao, mas tambm um

    meio de apreender a cultura do Outro, v-la e senti-la para a poder

    compreender. Uma sociedade constri a sua viso do mundo e a sua

    identidade atravs da lngua. Esta o agente fundador da socializao

    do indivduo e da sua integrao na cultura. (Aguiar, 2010: 151)

    Defende ainda que

    [u] ma educao multilingue favorece a abertura face aos outros e cria

    o desejo de conhecer melhor aqueles cuja lngua se est a praticar, de

    compreender a sua cultura, de trocar ideias, permitindo reduzir os mal-

    entendidos culturais. Esta aprendizagem permite negar o etnocentrismo

    e aceder a outros valores culturais, permitindo um movimento de

  • 53

    descentrao, o que implica ser capaz de comunicar com o Outro.

    (ibidem: 153)

    A aprendizagem de uma lngua estrangeira essencial, nos nossos dias, enquanto

    veculo de cultura e parte integrante de um plano curricular. Nos cursos profissionais, a

    disciplina de Comunicar em Francs integra a componente de formao tcnica do

    curso profissional de Tcnico de Restaurao, nas variantes de cozinha-pastelaria e

    restaurante-bar. Pretende-se com esta disciplina que os alunos desenvolvam competncias

    bsicas noutra lngua estrangeira, para alm da estudada na componente de formao

    sociocultural.

    Ora a integrao desta disciplina na componente de formao tcnica do curso de

    Tcnico de Restaurao reveste-se de particular importncia, na medida em que permite

    ao aluno familiarizar-se com vocabulrio tcnico e especfico do sector onde

    desenvolver a sua atividade profissional nas suas duas variantes.

    Pretende-se, de facto, que os alunos desenvolvam aptides que, no seu

    desempenho profissional, lhes permitam uma comunicao mais eficaz. O Mdulo 3, que

    trabalhmos com os alunos, Cozinha-Pastelaria/Restaurante-Bar, explora a gastronomia,

    os receiturios e o espao da cozinha (chaves do discurso, equipamentos e materiais da

    cozinha). Foi, pois, necessrio criar estratgias motivadoras e atrativas para que a

    aprendizagem resultasse; atividades e estratgias que motivassem os alunos e fizessem

    desenvolver neles o gosto por aprender. Segundo Tavares

    aprender viajar. Para esta autora, aprender uma lngua estrangeira

    fazer uma viagem ao estrangeiro. Viajamos para um destino que

    escolhemos, encontramos alguns obstculos, avanamos, perdemo-nos,

    encontramos locais que no estavam no itinerrio traado, outros

    motivos de interesse. (Tavares, 2001: 220)

    Ora, para estimular esta incurso pela lngua e pela cultura francesas, a msica

    pareceu-nos um timo recurso, pois transporta-nos para o mundo dos sons, das

    associaes sonoras, do ouvir, do descobrir, da familiarizao com a lngua, capacitando

    o aluno, pouco a pouco, com uma bagagem lingustica e cultural, uma espcie de

    banco de dados ao nvel da pronncia, do vocabulrio e da gramtica. Os sons

    harmoniosos fazem com que os alunos se divirtam, aprendendo normalmente, sem

  • 54

    presses. A msica torna a aula mais agradvel e produtiva, facilitando o processo de

    ensino/aprendizagem. Sabe-se que a msica, quando bem trabalhada, desenvolve o

    raciocnio, a criatividade, e outros dons e aptides, por isso reconhecemos que deveramos

    aproveitar esta to rica atividade educacional tambm dentro da sala de aula. A

    compreenso da Lngua Estrangeira, ao utilizar-se a msica, torna-se mais significativa,

    porque capta o interesse e desenvolve e estimula os alunos.

    Numa interessante reflexo sobre a presena da msica na vida do ser humano e

    sobre o seu uso como estratgia de ensino-aprendizagem, Mrcia Faria refere que a

    msica um importante fator na aprendizagem, pois a criana desde pequena que ouve

    msica, a qual muitas vezes cantada pela me para a adormecer. (Faria, 2001).

    Consideramos que a msica muito importante e est, desde sempre, na vida do

    ser humano, e em especial na sua educao. Todos reconhecemos que a msica no

    apenas uma combinao de sons, de notas dentro de uma escala, com melodia, acordes,

    ritmo, tempo e contratempo, ela tambm rudo de passos e sons que saem dos diversos

    instrumentos. Em todas as culturas, a msica tem o poder de estimular o raciocnio

    fazendo com que quem a ouve construa, atravs dela, eventos sociais, pessoais e culturais.

    Em suma, tanto a msica como a cano so recursos reais que podem ser usados

    na sala de aula para o desenvolvimento das vrias competncias do aprendente de L.E.,

    pois a msica som, palavra, lngua, cultura, arte.

    Assim, as atividades que desenvolvemos em sala de aula e aqui apresentamos,

    consistiram em levar os alunos a tomar conscincia das sonoridades da lngua francesa a

    fim de utiliz-las convenientemente. O aperfeioamento fontico, o reforo das

    competncias orais e escritas, a pronncia, os contedos gramaticais, foram aspetos

    trabalhados a partir de situaes do quotidiano. Tambm a imensa riqueza cultural,

    designadamente a diversidade gastronmica francesa, foi objeto de estudo e de interesse.

    2.1.1 Apresentao e anlise das atividades realizadas na disciplina de

    Francs em sala de aula

    Atividade 1

    Disciplina: Francs

    Ano de Escolaridade: 12

    Ttulo: LAlimentation / Une sortie au Restaurant

  • 55

    Mdulo 3: La Gastronomie Franaise

    Objetivos

    Conhecer o lxico relacionado com o tema do mdulo: Alimentos;

    Bebidas; Pratos (Entradas, Prato Principal; Sobremesa);

    Distinguir diferentes pratos;

    Pedir num restaurante;

    Selecionar informao num texto escrito;

    Aprender alguns aspetos culturais: algumas especialidades francesas;

    Utilizar corretamente os verbos manger e boire.

    Material

    Documento udio, dilogo num restaurante;

    Documento escrito Deux amis au restaurant (Anexo 15);

    Ficha de Trabalho (Anexo 15).

    Descrio/Metodologia

    A aula iniciou-se com um breve momento de conversao subordinado ao tema

    Les spcialits franaises, para, de seguida, introduzir o dilogo que tinha preparado

    para essa aula, uma ida ao restaurante, cujo texto falava de algumas das especialidades

    francesas. Antes de passar leitura dialogada do texto, tinha preparado o registo sonoro,

    para sensibilizar os alunos para o contacto com a lngua e com a pronncia francesa, com

    a fonia das palavras de forma a associ-la grafia no momento da leitura. A verdade

    que no consegui, no momento, abrir o CD udio, tento perdido alguns segundos nessa

    tentativa. Espontaneamente, um aluno veio ajudar-me, mas, entretanto, j me tinha

    socorrido de um plano B que no tinha previsto, mas que ps prova a minha capacidade

    de adaptao perante o imprevisto. Entretanto, a situao foi resolvida, e pudemos ouvir

    o dilogo para satisfao dos intervenientes. Este exerccio de audio possibilitou o

    contacto com a lngua oral, com a pronncia, com a melodia da lngua.

    No decorrer da aula, houve sempre muita ateno da minha parte pronncia dos

    alunos, pois palavras do gnero de bouillabaisse, cassoulet, boeuf bourguignon,

    nem sempre so fceis de pronunciar. O aperfeioamento fontico foi uma constante nas

  • 56

    aulas, uma vez que, por vezes, era um pouco difcil para os alunos pronunciarem

    determinados vocbulos, da a insistncia na repetio dos sons.

    Com base no texto, os alunos completaram uma ementa, legendaram algumas

    imagens, que apresentavam alguns pratos tpicos franceses, responderam a um

    questionrio de verdadeiro/falso, seguido de um outro de pergunta/resposta. Sendo a

    gastronomia um tema de interesse dos alunos, h sempre uma grande motivao em

    aprender, no s aspetos relacionados com a lngua, mas tambm com a cultura francesa,

    neste caso a cultura gastronmica.

    Quanto ao vocabulrio, sempre que havia dvidas, tentei explic-lo em Francs,

    e, quando necessrio, recorria linguagem gestual o que acabava por resultar. O texto,

    um dilogo, serviu os meus objetivos, pois o pretendido era que os alunos respeitassem a

    pontuao e dessem a devida entoao frase, usando o tom exigido pelas vrias vozes.

    A compreenso e expresso orais foram competncias que pretendi aferir, tendo os alunos

    correspondido aos meus objetivos.

    O trabalho de casa, e porque se aproximava o 2 de fevereiro, consistiu na pesquisa

    de uma receita de crepes.

    Comentrio

    Nesta aula, houve, por parte dos alunos grande recetividade s estratgias

    adotadas. Houve uma boa interao com os alunos que se mostraram empenhados,

    interessados e colaborantes, respondendo s questes sempre que incitados e solicitando

    a ateno da professora sempre que necessrio.

    Tentei que as aulas decorressem sempre em lngua francesa, procurando que os

    alunos se familiarizassem com a lngua e falando pausadamente para que pudessem captar

    a mensagem veiculada. Quando constatava que o vocabulrio no era compreendido,

    servia-me da linguagem gestual com vista a facilitar a compreenso do mesmo.

    Mas nem sempre as coisas correm como prevemos e, nessa aula, quando tentei

    fazer uso do registo udio do texto, o computador bloqueou; no entanto, este percalo no

    impediu que a aula seguisse o seu curso normal. Com a ajuda de um aluno, consegui que

    o CD funcionasse para gudio da professora e dos alunos para se proceder audio

    dialogada do texto.

    Sendo alunos de um curso de Restaurao, foi muito interessante trabalhar com

    eles na aula de Francs e depois poderem confecionar na prtica as diferentes

  • 57

    especialidades francesas referidas na aula. Efetivamente esta questo da

    interdisciplinaridade funcionou muito bem, devido, talvez, ao facto de serem alunos

    muito empenhados, curiosos (pelo querer saber cultural, neste caso gastronmico) e

    colaborantes.

    Foi importante desenvolver os contedos da disciplina de Francs, com as

    disciplinas de Cozinha / Mesa-Bar. Esta articulao de aes disciplinares, que procurou

    um interesse em comum, revelou-se bastante profcua e s eficaz se for uma maneira

    eficiente de se atingirem as metas educacionais previamente definidas.

    Atividade 2

    Disciplina: Francs

    Ano de Escolaridade: 12

    Ttulo: LAlimentation / Les traditions franaises : La Chandeleur

    Mdulo 3: La Gastronomie Franaise

    Objetivos

    Conhecer o lxico relacionado com o tema do mdulo: Alimentos;

    As tradies francesas - La Chandeleur: origem, provrbios, comptines;

    Realizar vrias atividades para conhecimento e alargamento das tradies

    e costumes franceses;

    Comemorar este dia com a confeo de crepes pela turma;

    Utilizar corretamente os verbos manger e boire.

    Material

    Documento escrito sobre La Chandeleur (Anexo 16);

    Mini-Quizz (Anexo 16);

    Mini-dossier La Chandeleur-proverbes (Anexo 16);

    Receita (Anexo 16).

    Descrio/Metodologia

    Esta aula iniciou-se com a realizao de um exerccio com espaos, com os verbos

    manger e boire, que tinha ficado por realizar na aula anterior. Depois de corrigido o

  • 58

    exerccio, perguntei aos alunos se tinham pesquisado a receita dos crepes, para

    procedermos sua confeo a fim de comemorar La Chandeleur.

    Para dar conhecimento aos alunos desta tradio, distribui uma ficha informativa

    sobre o tema que continha, para alm da origem deste costume francs, uma receita e

    vrios provrbios alusivos ao tema. Os provrbios e as comptines foram do agrado dos

    alunos que acharam muito interessantes tendo servido para tomarem conhecimento de

    vocabulrio relacionado com o tempo e com alguns animais que tm por hbito hibernar.

    Si le deuxime de fvrier

    Le soleil apparat entier

    Lours tonn de sa lumire

    Se va mettre en sa tanire

    Et lhomme mnager prend soin

    De faire resserrer son foin

    Car lhiver tout ainsi que lours

    Sjourne encore quarante jours.

    O meu objetivo visava o aperfeioamento fontico, o reforo das competncias

    orais, atravs da expresso escrita, da pronncia, e da leitura em voz alta aproveitando a

    musicalidade do texto para que os alunos tomassem conscincia das sonoridades da lngua

    francesa a fim de utiliz-las convenientemente. Pedi-lhes para que sublinhassem as

    palavras com sons iguais, nos provrbios, ao mesmo tempo que eu fazia a leitura. Na

    verdade, os alunos conseguiram identificar sons iguais nas palavras: fvrier / entier /

    mnager; lumire / tanire; soin / foin. Num outro provrbio, identificaram os sons

    lanterne / hiberne; luit / sensuit; beau / troupeau; brillant / avant; verdure / dure;

    chandeleur / heures; travailleur / tailleur.

    Nas comptines constataram haver algumas caractersticas do texto potico: a rima,

    as frases semelhantes, os versos, o ritmo e a musicalidade.

    ()

    Cest la chandeleur

    Cest la chandeleur, cest la chandeleur

    La crpe danse dans la pole

  • 59

    La pole danse avec la crpe

    La crpe saute dans la pole

    La pole saute avec la crpe

    Hop, retournons nous (bis).

    De seguida, os alunos realizaram um Mini-Quizz, de escolha mltipla, sobre La

    Chandeleur.

    No final da aula, e porque se seguiu uma aula de Cozinha, os alunos

    confecionaram os crepes que serviram a toda a comunidade escolar.

    Comentrio

    Nesta aula os alunos mostraram-se entusiasmados e, de certa forma, acharam

    interessante esta tradio francesa. H muito que conheciam os crepes e as vrias

    receitas, no entanto desconheciam a sua histria e a explicao para o seu aparecimento,

    na poca dos romanos. O texto trouxe vrias informaes sobre os crepes e os provrbios

    e comptines a eles associados. Estas atividades so excelentes recursos na aula de Lngua

    Estrangeira, uma vez que facilitam o processo de ensino/aprendizagem. A musicalidade,

    associada ao texto potico, tornou a aula mais agradvel e produtiva. Aprender, atravs

    destes recursos sonoros, uma boa forma de motivar os alunos, pois cada vez mais

    pertinente usar estratgias diversificadas com vista a uma aprendizagem mais eficaz e

    interessante.

    A Comemorao de La Chandeleur levou os alunos descoberta das tradies e

    costumes franceses enriquecendo e alargando os seus horizontes culturais.

    Atividade 3

    Disciplina: Francs

    Ano de Escolaridade: 12

    Ttulo: La Chanson : Jai demand la lune

    Mdulo 3: La Gastronomie Franaise

    Objetivos

    Identificar as formas do pass compos;

    Identificar diferentes particpios passados;

  • 60

    Conjugar os verbos com o auxiliar avoir;

    Audio da cano Jai demand la lune: atividades de compreenso

    oral e escrita.

    Material

    Documento vdeo com a cano;

    Documento escrito com a cano (Anexo 17);

    Questionrio sobre o texto;

    PowerPoint com a regra de formao do pass compos (Anexo 18);

    Ficha de trabalho (Anexo 19).

    .

    Descrio/Metodologia

    Esta aula foi dedicada a um texto paraliterrio - a cano - uma tipologia que

    apresenta caractersticas do texto lrico, designadamente a rima, o verso, o ritmo, a

    musicalidade. O uso da cano, em sala de aula, , h muito, alvo de merecido estudo e

    considerao por parte de especialistas do ensino/aprendizagem do FLE, especialmente

    entendido como recurso motivador na tarefa a que se destina, ou seja, o ensino da lngua

    estrangeira de forma original.

    No entanto, todos sabemos que a msica faz parte do quotidiano dos jovens, mas

    a msica francesa nem sempre a opo, talvez por desconhecimento ou por ser preterida

    pela lngua inglesa. Na verdade, o facto de ter escolhido a cano como instrumento

    pedaggico para a aula, deixou-me, por um lado, algo expectante; por outro, acreditava

    que a msica iria tornar a aula animada, agradvel, e participativa para o aluno.

    A cano escolhida foi Jai demand la lune do grupo Indochine, um grupo

    rock francs, surgido em 1981. O meu objetivo era ensinar um contedo gramatical- o

    pass compos - de uma forma ldica e interessante, procurando motivar os alunos atravs

    da atividade musical, evitando que a aula se tornasse aborrecida.

    Este percurso levou a uma compreenso oral atravs de um questionamento que

    promoveu um breve dilogo professora/aluno onde foram colocadas perguntas do gnero:

    coutez-vous de la musique franaise? Connaissez-vous des chanteurs ou des groupes

    franais?

    De seguida, foi feita a apresentao da cano e do grupo Indochine pela

    professora, seguindo-se a sua audio. A professora fez a distribuio do texto e deu

  • 61

    alguns minutos aos alunos para o lerem; a leitura do texto foi feita pela professora, aps

    a audio, que explicou o vocabulrio mais complexo. Foi efetuada a comprhension

    crite da cano, partindo de uma compreenso global das questes colocadas. Os alunos

    tiveram a oportunidade de executar uma srie de exerccios variados (questionrio de

    pergunta/resposta; questionrio de verdadeiro/falso; transcrio de frases do texto para

    comprovar as afirmaes) que possibilitou relevar diversas informaes do texto, jogar

    com a homofonia (vers/ verre/vert/ ), e o emprego do pass compos.

    Os alunos identificaram, a partir de algumas formas verbais presentes no texto, os

    diferentes infinitivos, para chegarem aos particpios passados correspondentes. O pass

    compos, conjugado com o auxiliar avoir, foi o tempo verbal a lecionar. Tentou-se levar

    os alunos descoberta deste tempo, no texto, para posteriormente se chegar regra de

    formao deste tempo verbal. Os alunos aplicaram, depois, os seus conhecimentos num

    pequeno exercice trous.

    A aula terminou com a indicao do trabalho de casa.

    Comentrio

    O vdeo com a cano foi determinante para despertar a ateno dos alunos para

    posteriormente se introduzir o tema da aula, servindo, desde logo, como motivao e, ao

    mesmo tempo como introduo ao tema. A msica, em contexto escolar, bastante

    salutar, uma vez que alarga e facilita a aprendizagem, levando o aluno a ouvir e a escutar

    de maneira ativa e refletida. Assim, constatamos que a msica veio trazer aos discentes

    um certo entusiasmo pelas atividades propostas. O receio inicial da professora foi

    completamente ultrapassado. Os alunos demonstraram emoo e satisfao pela

    atividade, tendo gostado da msica e da letra da cano. So alunos que interagiam

    espontaneamente com a professora ou ento respondiam sempre que solicitados.

    Mantiveram-se empenhados, interessados e colaborantes. A aula decorreu em lngua

    francesa, tendo a professora explicado o vocabulrio desconhecido sempre em francs,

    falando, mas tambm recorrendo linguagem gestual para que os alunos inferissem o

    significado desses vocbulos. Os contedos foram expostos de forma natural, havendo a

    preocupao de falar pausadamente para que os alunos pudessem captar a mensagem

    veiculada. O contedo gramatical lecionado foi o pass compos, com o auxiliar avoir,

    tendo-se partido do texto da cano para o introduzir. Na apresentao do mesmo, fui

    sempre reforando a necessidade de se utilizarem dois verbos, verbo auxiliar e verbo

  • 62

    principal, fundamentais formao deste tempo do passado, visando uma aprendizagem

    slida do mesmo. A apresentao do PowerPoint veio sistematizar o contedo gramatical

    e a ficha ficou para trabalho de casa.

    Atividade 4

    Disciplina: Francs

    Ano de Escolaridade: 12

    Ttulo: Les Chansons : Jai demand la lune e Les Cornichons

    Mdulo 3: La Gastronomie Franaise

    Objetivos

    Identificar as formas do pass compos;

    Conjugar os verbos com o auxiliar avoir e tre;

    Audio da cano: Les Cornichons;

    Reviso do vocabulrio sobre os alimentos.

    Material

    Documento vdeo com a cano;

    Documento escrito com a cano (Anexo 21);

    Ficha de trabalho (Anexo 22).

    Descrio/Metodologia

    A aula iniciou-se com a correo da ficha de trabalho, que tinha sido entregue aos

    alunos como trabalho de casa, para aplicao do pass compos. Os alunos acharam

    interessante a ficha de trabalho, pois o contedo das frases vinha na sequncia do assunto

    da cano que fora trabalhado antes e do vocabulrio ligado gastronomia, uma forma

    atrativa de envolver os discentes que favoreceu tambm a aprendizagem. Depois da

    correo da ficha e por solicitao dos alunos, ouvimos novamente a cano Jai demand

    la lune para poderem, depois, cant-la, pois gostaram muito da msica e da letra. Ao

    cantarem, os alunos trabalharam intuitivamente a oralidade na LE, visto que as canes

    so tambm importantes ferramentas para praticar vocabulrio, aspetos gramaticais, a

    compreenso e a prtica da oralidade. uma cano que fala de sentimentos, de emoes,

    e pude verificar a alegria, o entusiasmo, a participao e o brilho nos olhos dos alunos.

  • 63

    Na 2 parte, apresentei-lhes uma outra cano Les Cornichons, uma cano pop

    de Nino Ferrer. Inicialmente, os alunos ouviram a cano e de seguida completaram os

    espaos em branco. Houve alguma dificuldade na compreenso oral do vocabulrio, no

    entanto, com a minha ajuda, conseguiram realizar o exerccio. Esta cano serviu tambm

    para trabalhar, uma vez mais, o pass compos, de forma divertida, mas tambm para

    rever algum do vocabulrio, dado em aulas anteriores, referente alimentao. As

    questes sobre o texto foram realizadas pelos alunos e corrigidas pela professora.

    Comentrio

    Esta foi uma aula muito divertida. Os alunos tentaram acompanhar a msica e

    cantaram satisfeitos e bem-dispostos a cano. Quando ouvimos a 2 cano, acharam

    imensa graa letra, pois o texto da cano apresentava aspetos prosaicos que eles to

    bem conheciam. Les cornichons uma cano com um gnero musical diferente daquele

    a que os alunos esto habituados a ouvir, mas que proporcionou um momento ldico

    excecional, que veio contribuir e ajudar os alunos no ensino/aprendizagem da lngua,

    permitindo-lhes, quase intuitivamente e sem esforo, ganhar vocabulrio novo, novas

    expresses, e at a capacidade para pronunciarem corretamente alguns sons menos

    frequentes.

  • 64

    Consideraes Finais

    O estgio profissional constitui mais uma importante etapa na formao do

    professor. Ao longo da sua realizao, adquirimos conhecimentos fundamentais para um

    bom desempenho na docncia, com vista a tornarmo-nos profissionais de qualidade.

    A minha Prtica de Estgio Supervisionada realizou-se na Escola Profissional de

    Vouzela, onde trabalho h j alguns anos. Durante a minha prtica, e da parte das minhas

    orientadoras, houve sempre uma boa relao de superviso centrada no apoio, na

    entreajuda, no dilogo, na partilha de saberes, com vista a uma troca produtiva no que

    respeita ao desenvolvimento de prticas letivas conducentes a uma melhor qualidade do

    ato letivo.

    O estgio uma atividade marcante na formao inicial do professor, no entanto,

    no meu caso, esta experincia aconteceu muito mais tarde e, apesar de conhecer a

    realidade de uma escola, senti que, neste ano letivo, tinha que trabalhar e esforar-me

    ainda mais para atingir as metas a que me propus. Embora tenha alguns anos de prtica

    letiva, reconheo que esta formao me trouxe tambm um conhecimento terico que no

    possua, e que veio enriquecer-me enquanto docente, pois esta uma profisso que exige

    uma aprendizagem constante, que deve ser desenvolvida ao longo da nossa carreira

    profissional.

    As turmas a que estive adstrita, enquanto estagiria, foram as do 12A (disciplina

    de Portugus) e 12 B (disciplina de Francs), embora tenha lecionado em mais quatro

    turmas, neste ano letivo. Colaborei em vrias atividades de cariz extracurricular, levadas

    a cabo pela escola. Desempenhei as funes de diretora de turma, responsvel pela

    Biblioteca e por todas as atividades que lhe so inerentes, e pelo servio de exames. Ao

    apoio das professoras orientadoras acresceu o dos colegas e funcionrios desta pequena

    comunidade, apelidada carinhosamente de EPV, que tudo fizeram para que houvesse um

    ambiente favorvel de trabalho.

    Tendo por base os quatro pilares da educao mencionados por Jacques Delors

    (1996), tentei realizar um trabalho que aglutinasse estratgias que munissem os alunos de

    uma crescente capacidade quer de compreenso e de anlise, quer de produo oral e

    escrita.

  • 65

    Pretendi aferir da importncia da musicalidade na lngua e consequentemente no

    texto, enquanto recurso sonoro, para uma pedagogia participada e interativa no ensino de

    Portugus, LM e de Francs, LE.

    Abordar as dimenses da musicalidade nas diversas tipologias textuais, presentes

    nas unidades curriculares a lecionar, foi o grande objetivo. Embora sabendo que no era

    um tema fcil de trabalhar, persisti nesta ideia, pois era um desafio que pretendia

    vivenciar e assim coloquei em prtica algumas atividades.

    Sabemos que a funo do professor de extrema importncia. De facto, atravs

    das escolhas do professor em termos de atividades, de tarefas, de estratgias a serem

    usadas, que a transmisso do conhecimento se far de forma adequada e eficaz. A adoo

    de estratgias motivadoras e a sua implementao de forma dinmica potenciam

    desenvolver os objetivos propostos de forma eficiente e interessante.

    A nossa lngua muito rica em sonoridades e foi minha inteno trabalhar essa

    competncia da lngua e consequentemente do texto, na turma de Portugus. Senti que

    era possvel trabalhar as vrias dimenses da musicalidade atravs da repetio das

    palavras, pois assim tambm os sons se vo repetindo.

    Constatei que uma boa estratgia para asseverarmos a musicalidade que as

    palavras entoam ler em voz alta, pois esse ato facilita perceber o ritmo e a melodia que

    se est a construir. Nos textos em verso foi fcil levar os alunos ao encontro dessa

    musicalidade; nos textos narrativos e no caso particular da obra Memorial do Convento,

    a dificuldade foi maior, no entanto os alunos conseguiram reconhecer a dimenso oral da

    escrita do escritor, e a sua aproximao da oralidade; essa dimenso explicada pelo

    prprio Saramago nos seguintes termos: [como voc sabe, quando falamos, no usamos

    sinais de pontuao. Temos pausas [de respirao] e at, como eu digo nos meus livros,

    os dois nicos sinais de pontuao, o ponto e a vrgula, no so sinais de pontuao, so

    uma pausa, uma pausa breve e uma pausa longa. No fundo, como tambm digo muitas

    vezes falar fazer msica]. (Reis, C., 2015: 106)

    A msica e a linguagem aparecem ligadas por grandes laos de afinidade entre si,

    uma vez que ambas vivem do som, da articulao, da expresso. A msica faz parte da

    comunicao social e conhecida como uma arte de combinar os sons, sendo capaz de

    proporcionar momentos ldicos. Tanto a msica como a linguagem tm o seu prprio

    valor e no precisam uma da outra para poderem existir, contudo os seus caminhos

    acabam por cruzar-se no universo fascinante da cano.

  • 66

    As canes so uma maneira de interpretar o mundo, de entender outras

    civilizaes, outras culturas. A msica/cano pode ser um timo instrumento de

    aprendizagem, uma ajuda preciosa para o professor nos contedos a ministrar, mas

    tambm para os alunos no que respeita a motivao, o interesse, e a compreenso dos

    contedos a estudar. A cano, palavras e msica, ritmo e melodia, podem aparecer como

    une matire susceptible dintresser les lves (Dumont, 1998: 8), pois a msica faz

    parte do quotidiano dos jovens; vemo-los constantemente como os seus auriculares a

    ouvir a sua msica preferida.

    possvel explorar este gosto pela msica na aprendizagem de Francs Lngua

    Estrangeira?

    claro que sim! A msica proporciona aprender, de forma ldica, o vocabulrio,

    os aspetos gramaticais e fnicos, a compreenso e a oralidade, sendo tarefa do professor

    procurar os instrumentos certos e as ferramentas adequadas. A este propsito, Pierre

    Dumont (1998: 9) declara que qui dit motivation, dit chanson.

    Na verdade, atravs da cano, os alunos podem aprender a lngua mas tambm a

    cultura desse povo parce quelle est la langue, bien sr, parce quelle est la culture aussi,

    parce quelle est la chanson surtout (Calvet, 1980: 20).

    Ao trabalhar a cano francesa, em sala de aula, pude comprovar que os alunos

    mostravam recetividade melodia, s sonoridades, ao ritmo, letra das canes, tendo

    realizado as propostas de trabalho de forma divertida. A cano veio contribuir e ajudar

    os alunos no ensino/aprendizagem da lngua, permitindo-lhes adquirir ou rever

    vocabulrio, novas expresses, e at a capacidade para pronunciarem com correo

    alguns sons menos frequentes. A cano serviu ainda para trabalhar alguns aspetos

    gramaticais que normalmente so menos interessantes para os alunos, como por exemplo

    o pass compos.

    Gostaria de finalizar esta questo com as palavras dos prprios alunos quando

    questionados sobre: Gostas de realizar atividades com msica nas aulas de Francs? Por

    qu? e algumas das respostas foram as seguintes: Sim, porque desperta mais interesse

    e cativa para a aprendizagem; Sim, porque motiva; Sim, porque uma aula diferente

    e d-nos motivao e ajuda-nos a pronunciar melhor a lngua; Sim, porque para a

    aprendizagem mais motivador e interessante; Sim, porque motiva, ajuda a aprender a

    lngua, o vocabulrio e torna a aula menos montona.

    Em suma, a lngua palavra; a palavra melodia; os sons conferem-lhe

    musicalidade; assim e parafraseando Jos Saramago: falar fazer msica. O valor das

  • 67

    palavras est bem patente neste belo poema de Eugnio de Andrade que aqui se

    transcreve.

    As Palavras

    So como um cristal,

    as palavras.

    Algumas, um punhal,

    um incndio.

    Outras,

    orvalho apenas.

    Secretas vm, cheias de memria.

    Inseguras navegam:

    barcos ou beijos,

    as guas estremecem.

    Desamparadas, inocentes,

    leves.

    Tecidas so de luz

    e so a noite.

    E mesmo plidas

    verdes parasos lembram ainda.

    Quem as escuta? Quem

    as recolhe, assim,

    cruis, desfeitas,

    nas suas conchas puras?

    Eugnio de Andrade (1972)

    http://pensador.uol.com.br/autor/eugenio_de_andrade/

  • 68

    Bibliografia

    AGUIAR, Ana Raquel. (2010). A Educao Intercultural no entendimento da

    Diversidade na sala de aula de Lngua Estrangeira. Dissertao apresentada na

    Faculdade de Letras da Universidade do Porto, para obteno do grau de Doutor em

    Didctica das Lnguas Estrangeira. Disponvel em

    http://repositorioaberto.up.pt/bitstream/10216/53883/2/tesedoutanaaguiar000120940.pdf

    (consultado em 20/04/2015).

    AMOR, Emlia. (2006). Didctica do Portugus Fundamentos e Metodologia (6 ed.),

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    ARENDS, Richard I. (1995). Aprender a ensinar. Lisboa: McGraw-Hill.

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    do input visual na sala de aula motivar os alunos para a participao oral? Tese de

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    Porto Editora. Porto.

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    CLE International. Paris.

    CARDOSO, Clodoaldo Meneghello. (1995). A cano da Inteireza: uma Viso Holstica

    da Educao. So Paulo: Summus.

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    Noes de Lingustica e Literariedade. Didctica Editora. 12 Edio.

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    Edio Revista e atualizada. Editorial Verbo.

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    Almedina.

  • 69

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    UNESCO da Comisso Internacional sobre Educao para o Sculo XXI. Porto: Edies

    Asa.

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    Lisboa.

    DUMONT, Pierre. [en collaboration avec Renaud Dumont]. (1998). Le franais par la

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    Didctica de la Lengua y la Literatura para una Sociedad Plurilinge del siglo XXI,

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    Poseidon.

    MELLO, Cristina. (1998). O ensino da literatura e a problemtica dos gneros literrios.

    Coimbra. Almedina.

  • 70

    MINISTRIO DA EDUCAO. (2004/2005). Cursos Profissionais de Nvel

    Secundrio. Programa da disciplina de Portugus.

    MINISTRIO DA EDUCAO. (2004/2005). Cursos Profissionais de Nvel

    Secundrio. Programa da disciplina de Comunicar em Francs.

    MOISS, Massaud. (2004). Dicionrio de Termos literrios. Edio Revista e Ampliada.

    S.Paulo. Cultrix.

    MOURO-FERREIRA, David. (1981). Hospital de Letras. Lisboa. INCM.

    PEREIRA, Paula Graciano. (2007). Reflexes sobre o uso da msica na sala de aula de

    LE: as crenas e a prtica de dois professores de Ingls. Dissertao (Mestrado em

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    QUADRO EUROPEU COMUM DE REFERNCIA PARA AS LNGUAS. (2001).

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    Langues Maternelles. Bruxelles: ditions Universitaires, pp.205-209.

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    Acedido a 1 de maio de 2015, de http://www.esecs.ipleiria.pt/files/f.

    Outros documentos consultados:

    1. Competncias bsicas das Lnguas Estrangeiras. Disponvel em:

    http://www.netprof.pt/pdf/Competencias_basicas/LinguasEstrangeiras.pdf.

    Acedido em 10 de Novembro de 2014.

    2. Plano Anual de Atividades da Escola Profissional de Vouzela. Acedido em 20 de

    Outubro de 2014.

    3. Projeto Educativo da Escola Profissional de Vouzela. Disponvel em:

    http://www.epvouzela.pt/v1/ficheiros_2014/PE_13_16.pdf. Acedido em 5 de

    Novembro de 2014.

    4. Ministrio da Educao. Decreto-Lei n 3/2008 de 7 de Janeiro. Disponvel em

    http://legislacao.min-

    edu.pt/np4/np3content/?newsId=1530&fileName=decreto_lei_3_2008.pdf.

    Acedido em 10 de Novembro de 2014.

    5. Municpio de Vouzela, disponvel em: http://www.cm-vouzela.pt/. Acedido em 5

    de Novembro de 2014.

    http://www.esecs.ipleiria.pt/files/f

  • 72

    Anexos

    Anexo 1 Atividades Extracurriculares

    XIII Feira do Livro de Vouzela

    Comemorao do Dia Mundial do Livro

    13 Feira do Livro

    ArtEscola

    Assembleia da Juventude

    Rastreio

  • 73

    Folheto sobre o Dia da Alimentao

    Folheto sobre o Dia da Alimentao

    Decorao de Natal

    Comemorao do Dia do No Fumador

    Confeo de crepes

    Confeo de crepes

  • 74

    Anexo 2

    ESCOLA PROFISSIONAL DE VOUZELA

    Ode Triunfal

    (excertos)

    dolorosa luz das grandes lmpadas eltricas da fbrica

    Tenho febre e escrevo.

    Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,

    Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.

    rodas, engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno!

    Forte espasmo retido dos maquinismos em fria!

    Em fria fora e dentro de mim,

    Por todos os meus nervos dissecados fora,

    Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!

    Tenho os lbios secos, grandes rudos modernos,

    De vos ouvir demasiadamente de perto,

    E arde-me a cabea de vos querer cantar com um excesso

    De expresso de todas as minhas sensaes,

    Com um excesso contemporneo de vs, mquinas!

    Em febre e olhando os motores como a uma Natureza tropical

    Grandes trpicos humanos de ferro e fogo e fora

    Canto, e canto o presente, e tambm o passado e o futuro.

    Porque o presente todo o passado e todo o futuro

    E h Plato e Virglio dentro das mquinas e das luzes eltricas

    S porque houve outrora e foram humanos Virglio e Plato,

    E pedaos do Alexandre Magno do sculo talvez cinqenta,

    tomos que ho-de ir ter febre para o crebro do squilo do sculo cem,

  • 75

    Andam por estas correias de transmisso e por estes mbolos e por estes volantes,

    Rugindo, rangendo, ciciando, estrugindo, ferreando,

    Fazendo-me um excesso de carcias ao corpo numa s carcia alma.

    Ah, poder exprimir-me todo como um motor se exprime!

    Ser completo como uma mquina!

    Poder ir na vida triunfante como um automvel ltimo-modelo!

    Poder ao menos penetrar-me fisicamente de tudo isto,

    Rasgar-me todo, abrir-me completamente, tornar-me passento

    A todos os perfumes de leos e calores e carves

    Desta flora estupenda, negra, artificial e insacivel!

    ()

    H-l as ruas, h-l as praas, h-l-h la foule!

    Tudo o que passa, tudo o que pra s montras!

    Comerciantes; vadios; escrocs exageradamente bem-vestidos;

    Membros evidentes de clubes aristocrticos;

    Esqulidas figuras dbias; chefes de famlia vagamente felizes

    E paternais at na corrente de oiro que atravessa o colete

    De algibeira a algibeira!

    Tudo o que passa, tudo o que passa e nunca passa!

    Presena demasiadamente acentuada das cocotes

    Banalidade interessante (e quem sabe o qu por dentro?)

    Das burguesinhas, me e filha geralmente

    Que andam na rua com um fim qualquer;

    A graa feminil e falsa dos pederastas que passam, lentos;

    E toda a gente simplesmente elegante que passeia e se mostra

    E afinal tem alma l dentro!

    (Ah, como eu desejaria ser o souteneur disto tudo!)

    ()

    Notcias desmentidas dos jornais,

    Artigos polticos insinceramente sinceros,

  • 76

    Notcias passez -la-caisse, grandes crimes

    Duas colunas deles passando para a segunda pgina!

    O cheiro fresco a tinta de tipografia!

    Os cartazes postos h pouco, molhados!

    Vients-de-paratre amarelos como uma cinta branca!

    Como eu vos amo a todos, a todos, a todos,

    Como eu vos amo de todas as maneiras,

    Com os olhos e com os ouvidos e com o olfato

    E com o tacto (o que palpar-vos representa para mim!)

    E com a inteligncia como uma antena que fazeis vibrar!

    Ah, como todos os meus sentidos tm cio de vs!

    ()

    Eu podia morrer triturado por um motor

    Com o sentimento de deliciosa entrega duma mulher possuda.

    Atirem-me para dentro das fornalhas!

    Metam-me debaixo dos comboios!

    Espanquem-me a bordo de navios!

    Masoquismo atravs de maquinismos!

    Sadismo de no sei qu moderno e eu e barulho!

    ()

    Eh-l grandes desastres de comboios!

    Eh-l desabamentos de galerias de minas!

    Eh-l naufrgios deliciosos dos grandes transatlnticos!

    Eh-l-h revolues aqui, ali, acol,

    ()

    Nem sei que existo para dentro. Giro, rodeio, engenho-me.

    Engatam-me em todos os comboios.

    Iam-me em todos os cais.

    Giro dentro das hlices de todos os navios.

    Eia! eia-h! eia!

    Eia! sou o calor mecnico e a electricidade!

  • 77

    Eia! e os rails e as casas de mquinas e a Europa!

    Eia e hurrah por mim-tudo e tudo, mquinas a trabalhar, eia!

    Galgar com tudo por cima de tudo! Hup-l!

    Hup-l, hup-l, hup-l-h, hup-l!

    H-la! He-h! Ho-o-o-o-o!

    Z-z-z-z-z-z-z-z-z-z-z-z!

    Ah no ser eu toda a gente e toda a parte!

    lvaro de Campos

  • 78

    Anexo 3

  • 79

  • 80

  • 81

  • 82

    Anexo 4

    ESCOLA PROFISSIONAL DE VOUZELA

    Exerccio de Expresso Escrita

    Nome:____________________________________N______Turma__________

    1- Imagina-te um engenheiro de Informtica. O computador o smbolo desse

    mundo tecnicamente avanado. Faz uma ode ao computador, ao telemvel,

    mquina, ao estilo de lvaro de Campos, usando os vrios recursos, de modo a

    deixar transparecer toda a musicalidade do poema.

    ___________________________________________________________________

    ___________________________________________________________________

    ___________________________________________________________________

    ___________________________________________________________________

    ___________________________________________________________________

    ___________________________________________________________________

    ___________________________________________________________________

    ___________________________________________________________________

    ___________________________________________________________________

    ___________________________________________________________________

    ___________________________________________________________________

    ___________________________________________________________________

    ___________________________________________________________________

    ___________________________________________________________________

    ___________________________________________________________________

    ___________________________________________________________________

    Bom Trabalho!

  • 83

    Anexo 5

    ESCOLA PROFISSIONAL DE VOUZELA

    Grelha de Avaliao da Competncia da

    Expresso Escrita Ficha individual

    Aluno: Autoavaliao Avaliao do/a professor/a

    Planificao

    Respeito pelas orientaes

    Esquematizao de ideias

    Considerao do tema/assunto

    Textualizao

    Intencionalidade comunicativa

    Respeito pela tipologia

    Estrutura/Organizao/Coeso

    Adequao do registo

    Variedade e propriedade vocabular

    Correo ortogrfica

    Correo sinttica

    Construo frsica

    Emprego da pontuao

    Reviso

    Substituio vocabular

    Reformulao frsica

    Correo de sintaxe

    Correo de ortografia

    Correo de pontuao

    Reviso estilstica

    Avaliao final

    Avaliao: I Insuficiente; S Suficiente; B Bom; MB Muito Bom.

    A competncia da escrita , hoje mais do que nunca, um fator indispensvel ao exerccio da

    cidadania, ao sucesso escolar, social e cultural dos indivduos. A par da leitura e da oralidade,

    condiciona o xito na aprendizagem das diferentes disciplinas curriculares.

    () A tarefa de escrita obriga a recorrer aos conhecimentos sobre o tpico, o destinatrio, os

    tipos de texto e as operaes de textualizao, o que implica o desdobramento desta atividade

    em trs fases (com carcter recursivo): planificao, textualizao e reviso, devendo estas

    ser objeto de lecionao.

    Programa de Portugus Ensino Secundrio

  • 84

    Anexo 6

    ESCOLA PROFISSIONAL DE VOUZELA

    Texto: Ode Triunfal

    CONTEDO / COMPETNCIA DA

    COMPREENSO

    Nomes C

    om

    pre

    end

    e a

    men

    sagem

    do t

    exto

    Com

    pre

    end

    e e

    con

    segu

    e

    ver

    bali

    zar

    sen

    tim

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    s

    do

    eu

    Com

    pre

    end

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    inte

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    ori

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    rit

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    poem

    a c

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    s

    1

    2

    3

    4

    5

    6

    7

    8

    9

    10

    11

    12

    13

    Avaliao: I Insuficiente; S Suficiente; B Bom; MB Muito Bom

  • 85

    Anexo 7

    ESCOLA PROFISSIONAL DE VOUZELA

    O Mostrengo

    O mostrengo que est no fim do mar

    Na noite de breu ergueu-se a voar;

    A roda da nau voou trs vezes,

    Voou trs vezes a chiar,

    E disse: Quem que ousou entrar

    Nas minhas cavernas que no desvendo,

    Meus tectos negros do fim do mundo?

    E o homem do leme disse, tremendo:

    El-Rei D. Joo Segundo!

    De quem so as velas onde me roo?

    De quem as quilhas que vejo e ouo?

    Disse o mostrengo, e rodou trs vezes,

    Trs vezes rodou imundo e grosso.

    Quem vem poder o que s eu posso,

    Que moro onde nunca ningum me visse

    E escorro os medos do mar sem fundo?

    E o homem do leme tremeu, e disse:

    El-Rei D. Joo Segundo!

    Trs vezes do leme as mos ergueu,

    Trs vezes ao leme as reprendeu,

    E disse no fim de tremer trs vezes:

    Aqui ao leme sou mais do que eu:

    Sou um povo que quer o mar que teu;

    E mais que o mostrengo, que me a alma teme

    E roda nas trevas do fim do mundo,

    Manda a vontade, que me ata ao leme,

    De El-Rei D. Joo Segundo!

    Fernando Pessoa, Mensagem, 1934

    Linhas de leitura

    - O cenrio em que surge o mostrengo

    a noite escura, como nOs Lusadas

    em relao ao aparecimento do

    Adamastor.

    -Algo semelhante acontece com as

    sensaes visuais e auditivas

    presentes aqui e em Cames.

    -Realar o paralelismo entre as

    atitudes do mostrengo e a evoluo

    crescente do homem do leme.

    -Realar a evoluo descendente do

    mostrengo e a evoluo crescente do

    homem do leme.

    - Os perigos do mar e a audcia dos

    portugueses so bem representados.

    -O homem do leme confessa a sua

    representatividade: smbolo de um

    povo.

    -A natureza pica do poema: o refro,

    as sonoridades nasais, por vezes

    onomatopaicas, os versos

    decasslabos, a tenso no dilogo

    entre o mostrengo e o homem do

    leme.

    - Explorar todo o simbolismo do

    nmero trs.

  • 86

    Anexo 8

    ESCOLA PROFISSIONAL DE VOUZELA

    Nome:________________________________Ano:______N:_______Turma:___

    O MOSTRENGO

    Guio de apoio

    leitura: compreenso

    e interpretao

    1. Depois da leitura atenta do texto, responda de forma clara,

    objetiva e completa, s questes apresentadas:

    1.1.Identifique o conflito entre as duas personagens

    do poema.

    2. Que sentimento (s) move (m) o Mostrengo?

    3. Como reage o homem do leme ao tom ameaador do

    Mostrengo? Exemplifique com elementos do texto.

    4. Mostre como, a nvel do discurso, o poeta consegue criar

    uma atmosfera ensombrada e medonha.

    5. Para alm do conflito apresentado, qual o valor simblico

    das personagens?

    6. Indique o valor expressivo da repetio do ltimo verso

    em todas as estrofes.

    7. Faa o levantamento dos recursos potico-estilsticos, a

    nvel fnico, morfossinttico e semntico.

    8. Qual poder ser o simbolismo do nmero 3?

    9. Como interpreta o ttulo do texto?

  • 87

    Anexo 9

    Resposta ao questionrio sobre o texto

    1- O conflito entre o Mostrengo que defende os seus domnios, os tectos negros do

    fim do mundo, e o homem do leme que ousa desvend-los.

    2- O Mostrengo movido pelos sentimentos de indignao, revolta e desejo de

    vingana.

    3- O homem do leme reage, inicialmente, com medo (disse, tremendo, 1

    estrofe;tremeu, e disse, 2estrofe), mas, na 3 estrofe, acaba por recuperar a

    convico e a coragem necessrias para enfrentar o Mostrengo:

    E disse no fim de tremer trs vezes:

    Aqui ao leme sou mais do que eu:

    Sou um Povo que quer o mar que teu;

    E mais que o mostrengo que me a alma teme

    E roda nas trevas do fim do mundo,

    Manda a vontade, que me ata ao leme,

    De El-Rei D. Joo Segundo!

    4- H, realmente, uma preocupao em criar uma atmosfera ensombrada e medonha,

    porque s assim a apario de um mostrengo teria verosimilhana e poderia

    produzir o efeito desejado:

    Ambiente: Na noite de breu;

    Nas minhas cavernas que no desvendo,

    Meus tectos negros do fim do mundo

    nas trevas do fim do mundo;

    Personagem: Um mostrengo, repelente e agressivo, gerador de medo; o

    prprio nome, fonicamente, inspira repulsa;

    Atitudes: roda da nau voou trs vezes;

    Voou trs vezes a chiar;

    onde me roo;

    Trs vezes rodou imundo e grosso.

  • 88

    5- Valor simblico das personagens:

    - Mostrengo- os perigos que os navegadores portugueses tiveram de enfrentar nas

    suas viagens de descoberta.

    - Homem do leme- a coragem, a determinao, a ousadia dos marinheiros

    portugueses da poca de quinhentos.

    6- A repetio quase perfeita do ltimo verso em todas as estrofes deriva da inteno

    de exaltar a figura do Rei de Portugal e a necessidade do respeito e da obedincia

    que lhe eram devidos.

    7- Recursos potico-estilsticos:

    7.1- Nvel fnico

    * 3 estrofes de 9 versos, finalizadas por um refro.

    - Irregularidade mtrica:

    - mtrica:

    * versos decasslabos, octosslabos, eneasslabos;

    * versos hexasslabos no refro;

    - rimtica:

    * esquema rimtico: aabaacdcd

    * rima emparelhada e cruzada, sendo cada terceiro verso das trs estrofes um verso

    branco;

    - Ritmo livre, adaptado emoo patente no poema.

    -Refro: predominam os sons nasais e fechados (o, un), conferindo ao poema

    um tom pesado e sombrio. Por outro lado, nele ressoa a fora, a vontade frrea

    inerentes figura do rei D. Joo II, e acentua a lealdade inabalvel do marinheiro

    vontade do rei.

    - Harmonia imitativa onomatopaica produzida pela repetio dos sons /v/, /s/,

    /ch/, /r/, /z/ (aliteraes), que sugerem o rudo do voo do mostrengo.

    * aliterao em / m/ no verso 15.

    7.2- Nvel morfossinttico

    * Abundncia de formas de formas verbais que sugerem movimentos incontrolveis,

    violentos, de terror e que emprestam ao poema grande dinamismo.

  • 89

    Os tempos verbais predominantes so o pretrito perfeito, predominante na parte

    narrativa, e o presente do indicativo, usado quase exclusivamente no dilogo entre o

    mostrengo e o homem do leme, contribuindo para a grande fora e vivacidade do

    poema, para o seu valor universal e para o tom pico que culmina na ltima fala do

    marinheiro.

    - Juntamente com as formas verbais, a abundncia de nomes traduz a sucesso

    incontrolvel e dramtica dos acontecimentos.

    - Os adjetivos so quase inexistentes: negros, imundo e grosso que traduzem a noo

    de mistrio e terror.

    * Tipos de frase:

    - declarativo: narrao e parte do discurso do homem do leme;

    - interrogativo: discurso do mostrengo;

    - exclamativo: discurso do marinheiro.

    - Funes da linguagem: emotiva, ftica, apelativa.

    - Inverso, assumindo a violncia do hiprbato:

    trs vezes rodou imundo e grosso;

    trs vezes do leme as mos ergueu;

    E mais que o mostrengo que me a alma teme

    E roda nas trevas do fim do mundo,

    Manda a vontade, que me ata ao leme,

    De El- Rei D. Joo Segundo II.

    - Anfora: de quem ()/ De quemvv10-11;

    Trs vezes ()/ Trs vezes() / Trs vezes() vv 13, 19 e 20.

    7.3- Nvel semntico

    - Metforas/ Imagens:

    nas minhas cavernas que no desvendo;

    meus tectos negros do fim do mundo: estas 2 metforas sugerem o mistrio

    impenetrvel de um local desconhecido e medonho;

    E escorro os medos sugere a ideia de terror;

    a vontade que me ata ao leme- expressa a misso do marinheiro, ligada fatalmente

    vontade do seu rei e do seu povo.

    - Exclamaes e interrogaes: traduzem a emotividade, quer do Mostrengo, quer do

    marinheiro;

  • 90

    - a personificao de um ser desconhecido, o mostrengo voador, que chia, v, ouve,

    e fala ameaadora e aterradoramente, e que corporiza todos os perigos da navegao em

    mares desconhecidos.

    - a reiterao do nmero 3.

    - Linguagem visualista para sugerir o ambiente de terror e mistrio, fazendo-se apelo

    s sensaes visuais e auditivas.

    8- O simbolismo do nmero 3:

    Nmero cabalstico relacionado com as cincias ocultas que remete para um

    tringulo sagrado: a trade dos cristos (Pai, Filho, Esprito Santo). Em suma,

    assume as conotaes de um tringulo ou ciclo que se fecha (=perfeio),

    contribuindo para conferir ao poema um sentido oculto e esotrico:

    - trs estrofes;

    - cada estrofe tem 9 versos;

    - o refro tem 6 slabas;

    - o mostrengo e o marinheiro falam trs vezes cada;

    - o marinheiro tremeu trs vezes, ergueu as mos do leme trs vezes e trs vezes

    as repreendeu ao leme.

    9- Ttulo- a palavra mostrengo significa ente fantstico, geralmente considerado

    perigoso e assustador, dotado de uma configurao fora do normal e

    desagradvel.

  • 91

    Anexo 10

    ESCOLA PROFISSIONAL DE

    VOUZELA

    Grelha de Avaliao da Compreenso Oral

    Avaliao: I Insuficiente; S Suficiente; B Bom; MB Muito Bom

    N

    Nom

    e

    Rev

    ela c

    om

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    ens

    o

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    1

    2

    3

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    14

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    17

    18

    19

  • 92

    ESCOLA PROFISSIONAL DE

    VOUZELA

    Grelha de Avaliao da Expresso Oral

    Avaliao: I Insuficiente; S Suficiente; B Bom; MB Muito Bom

    N

    Nom

    e

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    um

    dis

    curs

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    luen

    te

    Art

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    1

    2

    3

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    16

    17

    18

    19

  • 93

    Anexo 11

  • 94

  • 95

    Anexo 12

  • 96

  • 97

  • 98

    Anexo 13

    ESCOLA PROFISSIONAL DE VOUZELA

    Curso Tcnico de Restaurao - 12Ano A

    Ficha sobre o Memorial do Convento, cap. XVII

    Nome: _____________________________________________________________N____

    I. Interpretao do texto

    1. Faz a contextualizao do excerto, inserindo-o na estrutura da obra.

    2. De que trata esta cena narrativa?

    3. Retrata o movimento dos trabalhadores na construo do Convento de Mafra.

    4. Clarifica o sentido da expresso Ilha da Madeira.

    5. Demonstra que sobre os trabalhadores do convento era exercida a opresso.

    6. Como classificas o narrador do texto quanto presena e quanto cincia?

    7. Uma das facetas do narrador de Memorial do Convento a sua capacidade de

    manipular o tempo.

    7.1.Prova, com uma expresso textual a veracidade desta afirmao.

    8. O povo a classe oprimida e sobre quem exercida tirania. Comprova com

    expresses textuais as condies de vida do povo.

    9- A escrita de Saramago apresenta caractersticas peculiares.

    9.1. Recursos de estilo:

    a) metfora

    b) comparao

    c) polissndeto

    d) enumerao

    e) ironia

  • 99

    9.2. Linguagem:

    a) Recurso a expresses da linguagem familiar e popular.

    b) Recursos aos aforismos.

    10. Utilizao do gerndio.

    11. Perspetiva omnisciente do narrador.

    12. Focalizao interna.

    13. Ausncia de pontuao convencional indicadora do discurso direto.

  • 100

    Anexo 14

    ESCOLA PROFISSIONAL DE VOUZELA

    Curso Tcnico de Restaurao - 12Ano A

    Nome: _____________________________________________________________N____

    Nos textos que estudaste, mais em particular, no Memorial do Convento, foi reconhecido

    que a linguagem do escritor se aproxima da oralidade. O escritor utiliza frases e perodos

    complexos, usando a pontuao de uma maneira no convencional, Coutinho, Isabel,

    Saramago, O escritor que brinca com a pontuao in Ciberdvidas, Pblico, 23 de Abril

    de 2008. Referindo-se dimenso oral da sua escrita, afirma Carlos Reis que Saramago

    usa pontuao, mas reinventa-a de acordo com um outro ritmo prosdico, que o da

    oralidade de quem fala a lngua, in Dilogos com Jos Saramago. Saramago explica tal

    dimenso nos seguintes termos: como voc sabe, quando falamos, no usamos sinais de

    pontuao. Temos pausas [de respirao] e at, como eu digo nos meus livros, os dois

    nicos sinais de pontuao, o ponto e a vrgula, no so sinais de pontuao, so uma

    pausa, uma pausa breve e uma pausa longa. No fundo, como tambm digo muitas vezes,

    falar fazer msica, (apud Coutinho, Isabel, Saramago, o escritor que brinca com a

    pontuao in Ciberdvidas, Pblico, 23 de Abril de 2008.

    1- Depois de uma leitura atenta das citaes anteriores e relembrando alguns excertos da

    obra em estudo, responde de forma completa s questes:

    1.1 Que impresso te causou o contacto com esta escrita de uma musicalidade prxima

    da linguagem oral? Justifica a tua resposta.

    1.2. Sentiste falta da pontuao tradicional para compreender os sentidos do texto?

    Justifica a tua resposta.

    1.3. Indica algumas das caractersticas da escrita saramaguiana presentes no ltimo

    excerto estudado: A construo do Convento.

    Bom trabalho!

  • 101

    Anexo 15

  • 102

  • 103

  • 104

    Anexo 16

  • 105

  • 106

  • 107

  • 108

  • 109

  • 110

    Anexo 17

    ESCOLA PROFISSIONAL DE VOUZELA

    J'ai Demand La Lune

    J'ai demand la lune

    Et le soleil ne le sait pas

    Je lui ai montr mes brlures

    Et la lune s'est moque de moi

    Et comme le ciel n'avait pas fire allure

    Et que je ne gurissais pas

    Je me suis dit quelle infortune

    Et la lune s'est moque de moi

    J'ai demand la lune

    Si tu voulais encore de moi

    Elle m'a dit "j'ai pas l'habitude

    De m'occuper des cas comme a"

    Et toi et moi

    On tait tellement srs

    Et on se disait quelques fois

    Que c'tait juste une aventure

    Et que a ne durerait pas

    Je n'ai pas grande chose te dire

    Et pas grande chose pour te faire rire

    Car j'imagine toujours le pire

    Et le meilleur me fait souffrir

    J'ai demand la lune

    Si tu voulais encore de moi

  • 111

    Elle m'a dit "j'ai pas l'habitude

    De m'occuper des cas comme a"

    Et toi et moi

    On tait tellement srs

    Et on se disait quelques fois

    Que c'tait juste une aventure

    Et que a ne durerait pas

    COMPRHENSION DU TEXTE

    1. Quel est le titre de la chanson ?

    ________________________________________________________________

    ________________________________________________________________

    2. Quest-ce que le chanteur a demand la lune ?

    ________________________________________________________________

    2.1. Trouve le vers qui rpond la question.

    ________________________________________________________________

    3. Le rle de la lune est de :

    a. Confidente

    b. Amie

    c. Complice

    4. Dans le texte, il y a un couple damoureux ?

    Vrai________ Faux_______

    5. La lune a lhabitude de soccuper des cas amoureux ?

    Vrai________ Faux_______

    5.1- Justifie la rponse avec une phrase du texte.

    ________________________________________________________________

  • 112

    Anexo 18

  • 113

  • 114

    Anexo 19

    Exercice trous

    1- Compltez les phrases laide des verbes entre

    parenthses au pass compos.

    J____________________ (danser) avec la lune

    La nuit entire

    Je lui__________________ (parler)

    De mes prires.

    Je lui__________________ (dire)

    Que jaimais un garon/une fille

    Elle m_______________ (rpondre)

    Je suis contente pour toi.

    J__________________ (remercier) la lune

    De mavoir cout()

    Et j__________________ (faire)

    Un beau gteau au chocolat

    Pour lui donner.

    La lune______________ (accepter)

    Et elle_______________ (manger)

    Mon gteau.

    Et avant de sen aller

    Elle m______________ (conseiller)

    De continuer faire mes gteaux

    Car celui-l tait si bon !

  • 115

    Anexo 20

    Exercice trous: correction

    1- Compltez les phrases laide des verbes entre

    parenthses au pass compos.

    Jai dans (danser) avec la lune

    La nuit entire

    Je lui ai parl (parler)

    De mes prires.

    Je lui ai dit (dire)

    Que jaimais un garon/une fille

    Elle ma rpondu (rpondre)

    Je suis contente pour toi.

    Jai remerci (remercier) la lune

    De mavoir cout()

    Et jai fait (faire)

    Un beau gteau au chocolat

    Pour lui donner.

    La lune a accept (accepter)

    Et elle a mang (manger)

    Mon gteau.

    Et avant de sen aller

    Elle ma conseill (conseiller)

    De continuer faire mes gteaux

    Car celui-l tait si bon !

  • 116

    Anexo 21

    Chanson: Les cornichons

    Interprte : Nino Ferrer, musicien franais

    Les Cornichons

    On est parti, samedi, dans une grosse ___________________,

    Faire tous ensemble un grand _______________________dans la nature,

    En emportant des paniers, des_______________________, des paquets,

    Et la radio!

    Des cornichons

    De la ______________________

    Du pain, du ________________

    Des petits oignons

    Des confitures

    Et des oeufs durs

    Des cornichons

    Du corned-beef

    Et des biscottes

    Des macarons

    Un tire-bouchon

    Des petits-beurre

    Et de la ___________________

    Des cornichons

    On n'avait rien oubli , c'est maman qui a tout fait

    Elle avait travaill trois jours sans s'arrter

  • 117

    Pour prparer les paniers, ________________________, les paquets

    Et la radio !

    Le poulet froid

    La _________________________

    Le chocolat

    Les ________________________

    Les ouvre-botes

    Et les _______________________

    Les _________________________

    Mais quand on est arriv, on a trouv la pluie

    Ce qu'on avait oubli, c'tait les parapluies

    On a ramen les paniers, les bouteilles, ____________________

    Et la____________________________!

    On est rentr

    Manger la maison

    Le _________________________et les botes

    Les confitures et les _____________________

    La moutarde et le beurre

    La mayonnaise et les cornichons

    Le_____________________, les biscottes

    Les oeufs durs et puis les cornichons

    Aprs avoir cout et complet le texte, rpondez aux questions.

    I

    Comprhension :

    1. En quel jour de la semaine partent-ils en pique-nique?

    2. O est-ce quils vont?

    3. Qui prpare le pique- nique?

    4. Quest-ce quils ont import pour manger ?

    5. Pourquoi sont-ils rentrs la maison pour manger ?

  • 118

    II

    Grammaire :

    1- Relevez du texte les expressions soulignes.

    2- Indiquez linfinitif des verbes employs.

    3- Les verbes sont au pass compos.

    3.1. Quels sont les verbes dont lauxiliaire est le verbe avoir ? Et ceux avec

    lauxiliaire tre ?

    4- Maintenant, compltez la rgle de la formation du pass compos.

    Le pass compos se forme avec le_____________de lindicatif des verbes

    auxiliaires___________ou _____________ suivi du participe pass du verbe

    conjuguer.

  • 119

    Anexo 22

    Les Cornichons

    Nino Ferrer

    On est parti, samedi, dans une grosse voiture,

    Faire tous ensemble un grand pique-nique dans la nature,

    En emportant des paniers, des bouteilles, des paquets,

    Et la radio !

    Des cornichons

    De la moutarde

    Du pain, du beurre Les champignons

    Les ouvre-botes

    Et les tomates

    Les cornichons

    Mais quand on est arriv, on a trouv la pluie

    C'qu'on avait oubli, c'tait les parapluies

    On a ramen les paniers, les bouteilles, les paquets

    Et la radio !

    On est rentr

    Manger la maison

    Le fromage et les botes

    Les confitures et les cornichons

    La moutarde et le beurre

    La mayonnaise et les cornichons

    Le poulet, les biscottes

    Les ufs durs et puis les cornichons

    Des p'tits oignons

    Des confitures

    Et des ufs durs

    Des cornichons

  • 120

    Du corned-beef

    Et des biscottes

    Des macarons

    Un tire-bouchon

    Des petits-beurre

    Et de la bire

    Des cornichons

    On n'avait rien oubli, c'est maman qui a tout fait

    Elle avait travaill trois jours sans s'arrter

    Pour prparer les paniers, les bouteilles, les paquets

    Et la radio !

    Le poulet froid

    La mayonnaise

    Le chocolat

    Les champignons

    Les ouvre-botes

    Et les tomates

    Les cornichons

    Mais quand on est arriv, on a trouv la pluie

    C'qu'on avait oubli, c'tait les parapluies

    On a ramen les paniers, les bouteilles, les paquets

    Et la radio !

    On est rentr

    Manger la maison

    Le fromage et les botes

    Les confitures et les cornichons

    La moutarde et le beurre

    La mayonnaise et les cornichons

    Le poulet, les biscottes

    Les ufs durs et puis les cornichons

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