A palavra e o som, o ritmo e a harmonia, na medida em que actuam ...

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A palavra e o som, o ritmo e a harmonia, na medida em que actuam pela palavra, pelo som ou por ambos, so as nicas foras formadoras da alma [] o domnio da palavra significa a soberania do esprito. Werner Jaeger A msica a arte que exprime o inexprimvel, que diz o inefvel, a voz primordial do homem. Tanto a intimidade do eu como a infinidade do Universo se exprimem na msica como em nenhuma outra arte. Vitor Aguiar e Silva (2008: 175) Agradecimentos Aos meus orientadores da FLUC, Professora Doutora Cristina Mello e Professor Doutor Joo da Costa Domingues, pela dedicao, disponibilidade e apoio incondicional na realizao do presente trabalho. s minhas orientadoras da Escola, Edite e Isabel Tavares, pelas experincias trocadas, pela amizade e entreajuda. Escola Profissional de Vouzela que me proporcionou a realizao da minha prtica pedaggica supervisionada. Aos alunos do 12 A e do 12 B, pela colaborao, pelo empenho, pelas pessoas que so. minha querida amiga, Maria das Dores, pela amizade, pelo apoio incondicional. Ao meu marido, aos meus filhos, por me terem apoiado, ajudado e incentivado nesta etapa da minha vida. A todos o meu bem-haja! ndice Resumo ........................................................................................................................... V Abstract .......................................................................................................................... V Introduo ...................................................................................................................... 1 CAPITULO I ................................................................................................................ 3 1. Caracterizao da realidade pedaggica ................................................................... 3 1.1. A Escola ............................................................................................................. 3 1.2. Localizao ......................................................................................................... 6 1.3. Organizao do processo de ensino aprendizagem ......................................... 7 1.3.1. O Projeto Educativo de Escola ................................................................... 7 1.4. Perfil das Turmas observadas ........................................................................... 10 1.4.1 A turma de Portugus ................................................................................ 10 1.4.2 A turma de Francs ................................................................................... 11 1.5. A professora estagiria ..................................................................................... 13 2. Prtica Pedaggica supervisionada ........................................................................ 14 2.1. Expectativas e Desafios .................................................................................... 14 2.1.1. Prtica Pedaggica de Portugus, LM ....................................................... 16 2.1.2. Prtica Pedaggica de Francs, LE ........................................................... 18 2.2. Atividades extracurriculares ............................................................................. 20 2.3. Aes de formao de mbito geral ................................................................. 22 2.4. Sntese .............................................................................................................. 23 CAPITULO II ............................................................................................................. 24 1. A abordagem da musicalidade na lngua e no texto. ............................................... 24 1.1. Musicalidade: definio, caractersticas e relevncia ....................................... 25 1.2. A importncia da Musicalidade no Ensino de Portugus ................................. 30 1.2.1. Apresentao e anlise das atividades realizadas na disciplina de Portugus em sala de aula ....................................................................................... 32 2. O uso da msica no ensino ...................................................................................... 49 2.1. A importncia da msica na aprendizagem da lngua estrangeira ................... 50 2.1.1 Apresentao e anlise das atividades realizadas na disciplina de Francs em sala de aula ..................................................................................................... 54 Consideraes Finais .................................................................................................... 64 Bibliografia .................................................................................................................. 68 Anexos .......................................................................................................................... 72 Resumo O presente relatrio incide sobre a minha Prtica de Ensino Supervisionada, (P.E.S), realizada na Escola Profissional de Vouzela, ao longo do ano letivo de 2014/2015. O relato e respetiva reflexo crtica centram-se na prtica letiva referente ao nvel de ensino que acompanhei, o 12Ano, nas disciplinas de Portugus e de Francs. A aplicao prtica do tema em estudo, A Musicalidade em Contexto de Ensino de Portugus, LM, e de Francs, LE, foi realizada de acordo com as orientaes dos respetivos programas curriculares. Este trabalho de investigao, como o ttulo deixa adivinhar, versa a musicalidade em contexto de ensino, concretizado em diversas atividades em ambas as disciplinas, no intuito de abordar algumas dimenses da musicalidade: a melodia, o ritmo, as sonoridades, aspetos trabalhados nesta prtica pedaggica ao nvel da lngua e do texto. Pretende-se ainda demonstrar que, por meio de metodologias diferenciadas, a msica pode ser um importante instrumento de aprendizagem no ensino de uma lngua estrangeira, neste caso a lngua francesa. Abstract This report focuses on my Supervised Teaching Practice held at Escola Profissional de Vouzela (a vocational school), throughout the school year 2014/2015. The report and the critical reflection focus on the teaching practice that I accompanied, the 12th grade, in Portuguese and French subjects. The practical application of the subject under study, The Musicality in Context of Teaching Portuguese as first language, and French as foreign language, was carried out according to the guidelines of the curricula. This research work, as the title suggests, highlights musicality in educational context, implemented in various activities in both subjects in order to approach some dimensions of the music: the melody, the rhythm and the sounds. These aspects were worked in this educational practice in the dimensions of language and text. It also aims to demonstrate that, through different methodologies, music can be an important learning tool in teaching a foreign language, in this case French. Abreviaturas EPV Escola Profissional de Vouzela CET Cursos de Especializao Tecnolgica UE Unio Europeia IEFP Instituto de Emprego e Formao Profissional CNC Centro Numrico Computorizado PEE Projeto Educativo de Escola 1 Introduo Este relatrio visa descrever e fundamentar cientificamente o trabalho realizado na Escola Profissional de Vouzela, durante a prtica de ensino supervisionada, no mbito do Mestrado em Ensino de Portugus no 3ciclo do Ensino Bsico e Ensino Secundrio e de Francs nos Ensinos Bsico e Secundrio. O tema deste trabalho - A Musicalidade em Contexto de Ensino de Portugus, LM, e de Francs, LE - surgiu por gosto e motivao da estagiria em tratar este tema, em sala de aula, com alunos do 12 ano de um curso profissional. Na verdade, a sua grande motivao ficou a dever-se ao facto de, por vezes, haver a ideia errada de que os alunos que frequentam este tipo de ensino so menos dotados, menos empenhados, pouco trabalhadores e que apresentam um fraco percurso acadmico. Desmistificar esta ideia pr-concebida foi nossa inteno, comprovando-a atravs do trabalho desenvolvido com as turmas, ao longo desta prtica letiva. Abordar as dimenses da musicalidade nas diversas tipologias textuais, presentes nas unidades curriculares a lecionar, foi objetivo essencial neste trabalho. Embora sabendo que no era um tema fcil de trabalhar, persistimos nesta ideia, pois era um desafio que pretendamos vivenciar. Acreditvamos no trabalho dos alunos e na sua boa vontade em colaborar connosco nesta tarefa. Sabamos que, da nossa parte, teramos de encontrar instrumentos pedaggicos atrativos e motivadores com o propsito de os cativar e que a escolha de atividades contribusse para o desenvolvimento da inteligncia e pensamento crtico do aluno fosse tambm criteriosa. Enquanto professores, aprendemos que, ao longo do nosso percurso profissional, iremos encontrar todo o tipo de alunos: uns com mais ou menos dificuldades do que outros; com ritmos de trabalho diferentes; com interesses e responsabilidades diferenciadas, cabendo-nos a ns, professores, encontrar estratgias adequadas, formas de aprendizagem diversificadas de forma a motivar e a despertar o interesse dos alunos para os contedos a serem estudados. Neste mbito, e na disciplina de Portugus, foram trabalhados o ritmo, a melodia, a harmonia imitativa, as sonoridades, em textos como a Ode Triunfal de lvaro de Campos, O Mostrengo de Fernando Pessoa e em excertos de Memorial do Convento de Jos Saramago. 2 Na turma de Francs pretendamos que os alunos tomassem conscincia das sonoridades da lngua a fim de utiliz-las convenientemente a partir de situaes do quotidiano, por exemplo uma ida ao restaurante, trabalhando, desta forma, os domnios da prosdia e da fontica, entre outros. Ao trabalharmos a msica, cano em sala de aula, pretendamos despertar a curiosidade e o interesse dos alunos com vista a facilitar a aprendizagem em LE. Alm disso, todos sabemos que a msica uma forma de olhar outras realidades, uma via que proporciona a interpretao do mundo, o entendimento de outras culturas, e de outras civilizaes. Apresentamos um trabalho em duas partes: captulo I, onde se contextualiza a Escola e a sua zona envolvente; captulo II, onde exploramos o tema A Musicalidade em Contexto de Ensino de Portugus, LM, e de Francs, LE- segundo bases cientficas e no qual se defende o tipo de investigao, e se descreve a metodologia seguida nas atividades realizadas em contexto de estgio. O trabalho contempla ainda uma parte final onde se tecem apreciaes pessoais e pedaggicas, em jeito de reflexes/ ponderaes finais que nos foi possvel extrair do estudo concreto que fizemos. 3 Captulo I Pelo sonho que vamos Pelo sonho que vamos, comovidos e mudos. Chegamos? No chegamos? Haja ou no haja frutos, pelo sonho que vamos. Basta a f no que temos. Basta a esperana naquilo que talvez no teremos. Basta que a alma demos, com a mesma alegria, ao que desconhecemos e ao que do dia a dia. Chegamos? No chegamos? Partimos. Vamos. Somos. Sebastio da Gama 1. Caracterizao da realidade pedaggica 1.1. A Escola A Escola Profissional de Vouzela, doravante referida como EPV, iniciou a sua atividade em outubro de 1991. A carncia de mo-de-obra especializada, no ramo da hotelaria da regio, e a elevada percentagem de alunos que abandonavam precocemente a escola sem preparao para a vida e para o mercado de trabalho, foram a razo pela qual se criou esta Escola Profissional. uma escola que se ajusta s necessidades de formao e valorizao profissional de todos os que pretendem ingressar mais cedo no mundo do trabalho. Os cursos candidatados pela EPV so escolhidos de acordo com as necessidades do mercado de trabalho definidas pelo Ministrio da Educao. Desde o primeiro momento, a ideia base foi sempre a Hotelaria, no s pelo facto de a Regio de Lafes 4 incluir a zona termal de S. Pedro do Sul, mas tambm pelas fortes potencialidades tursticas que esta zona detm e que preciso explorar. Ter sido esta a ideia base de todo o projeto, embora, na data da sua criao, tenha surgido tambm no concelho o desejo de criar a sua zona industrial como instrumento de desenvolvimento regional. Nasce ento a Escola Profissional, desde logo com duas vertentes: a da Hotelaria e a de Eletricidade, cursos de nvel II da U.E.1, que deram formao inicial a uma centena de jovens. Com a evoluo do Ensino Profissional, a Escola viu-se obrigada a enveredar por formao de tcnicos de nvel III da U.E.2, embora nunca se tenha afastado da ideia inicial: os cursos na rea de Hotelaria/Turismo; Eletricidade/Eletrnica e Construo Civil. Atualmente, os cursos so de nvel IV e conferem um certificado profissional e a equivalncia ao 12 ano, permitindo, tambm, o prosseguimento de estudos a todos os jovens que o desejem. A mdia anual de jovens que frequenta a Escola de 250 alunos, distribudos pelos cursos profissionais (Nvel IV, ou seja, 10, 11, 12 anos) de Tcnico de Manuteno Industrial / Eletromecnica; Tcnico de Manuteno Industrial / Mecatrnica; Tcnico de Manuteno Industrial/ Mecatrnica Automvel; Tcnico de Restaurao / Restaurante/ Bar; Tcnico de Restaurao / Cozinha/Pastelaria; Tcnico de Secretariado/ Mecatrnica; Tcnico de Mecatrnica/Comrcio e pelos cursos vocacionais de educao e formao (Nvel II) de Hotelaria: Cozinha e Pastelaria; Restaurante/Bar, Receo e Atendimento e de Eletromecnica: Mecatrnica Automvel/ Mecatrnica, alm de duas turmas CEF em parceria com o IEFP de Viseu. O nmero de professores de cerca de 40, alguns deles na situao de formadores internos da Escola, h j alguns anos. A quase totalidade tem formao acadmica, sendo uma percentagem razovel no ramo educacional, logo profissionalizados. H vrios professores que possuem Mestrado, a saber: em Ensino da Histria e Geografia, em Cincias da Educao, em Psicologia da Educao, em Desporto e Educao Fsica e em Educao Especial. Dois professores possuem Bacharelato: um, em Engenharia Eletrotcnica, e outro em Nutrio Humana, Social e Escolar. H, ainda, dois professores com um Curso de Especializao Tecnolgica (CET), de nvel IV, de Restaurao. No Servio de Psicologia e Orientao trabalha uma psicloga a tempo inteiro que coordena 1 Cursos de nvel II correspondentes ao 9 Ano de escolaridade. 2 Cursos de nvel III que correspondiam ao 10, 11 e 12 Ano de escolaridade; atualmente correspondem ao nvel IV. 5 o seu trabalho com os docentes da instituio e a Direo Pedaggica e uma professora do Ensino Especial, de modo a asseverar uma maior eficincia na realizao dos objetivos, expectativas e interesses dos alunos. A instituio tem 16 funcionrios, distribudos por assistentes administrativos, auxiliares de ao educativa e ajudantes da cozinha. Os alunos finalistas de cada ciclo de ensino realizam estgios curriculares (formao em contexto de trabalho) cuja finalidade a de proporcionar-lhes, mediante contacto com o campo real do exerccio da sua profisso, a aquisio de conhecimentos e o desenvolvimento das competncias adquiridas no seu percurso acadmico, visando uma melhor qualificao do futuro profissional. Para alm da experincia no campo profissional, das interaes de relacionamento humano, da vivncia prtica, do contacto com o ambiente e a realidade do trabalho profissional, esta formao permite ainda contribuir para a formao social e humana do estudante, bem como promover a integrao da escola, no meio empresarial e na comunidade. O Espao Fsico A Escola Profissional de Vouzela est instalada num espao que, embora no sendo inicialmente pensado para esse fim, pois era uma cooperativa, sofreu vrias transformaes, tendo sido feito um grande investimento na adequao dos espaos o que lhe permite ser, hoje, um espao simptico, colorido, totalmente equipado com salas de informtica, laboratrios bem apetrechados (serralharia, Centro Numrico Computorizado (CNC), cozinha, oficinas, salo de cabeleireiro), biblioteca, espaos de convvio e lazer. Tem ainda um bar onde os alunos podem tomar o pequeno-almoo e que funciona, tambm, como sala de convvio. A cantina um local muito agradvel onde alunos, professores e funcionrios almoam diariamente. A comida de excelente qualidade, sendo muito bem confecionada. A Escola no tem ginsio para a prtica de Educao Fsica, tendo os alunos que se deslocar para as instalaes da Cmara Municipal que ficam no centro da vila, e que dispem de ginsio, campos de futebol, basquetebol, andebol e tnis. A Escola pode orgulhar-se de possuir um conjunto de requisitos que a colocou em timas condies para ministrar um ensino de qualidade assim como um corpo docente qualificado e profundamente empenhado na obteno do sucesso dos seus alunos. 6 A escola tem vindo, desde 2006, a direcionar-se para as reas da Mecnica, Eletrnica e Eletricidade, usufruindo de mais de 400m2 de rea coberta de oficinas apetrechadas com tecnologia de ponta. CNC Salo de Cabeleireiro Salo/Restaurante Ao longo de 22 anos a formar profissionais, a Escola Profissional no poder ser vista como uma via menor no processo educativo. , isso sim, uma via de ensino diferente, porque mais virada para o aprender fazendo, mais ajustada s necessidades de formao e valorizao profissional de todos aqueles que procuram ingressar mais cedo no mundo do trabalho com uma qualificao profissional. 1.2. Localizao A Escola Profissional situa-se na vila de Vouzela. O concelho de Vouzela encaixa-se na Beira Alta, em plena zona de Lafes, distrito de Viseu. Tem uma rea de 191,65 km e 10 540 habitantes distribudos por 12 freguesias: Alcofra, Cambra, Campia, Carvalhal de Vermilhas, Fataunos, Figueiredo das Donas, Mapa do concelho de Vouzela 7 Fornelo do Monte, Paos de Vilharigues, Queir, S. Miguel do Mato, Ventosa e Vouzela3. Vouzela uma vila de origens remotas, situada numa verdejante regio de grande beleza natural e forte feio rural e tradicional, com um interessante patrimnio arquitetnico. Destaca-se a bela Igreja Matriz em estilo Romnico, o Pelourinho, a Igreja da Misericrdia do sculo XVIII, a Capela de So Frei Gil, datada do sculo XVII, bem como os vrios solares e casas Senhoriais, construdas com o tpico granito da regio, que podem ser encontradas por toda a regio, denotando a importncia agrcola e consequente gerao de riqueza para os senhores da terra ao longo dos sculos. Este concelho tem sabido manter as suas tradies, mormente rurais e etnogrficas ao longo do tempo, destacando-se, ainda hoje, o seu artesanato com trabalhos em linho, as colchas regionais, ou as muitas peas de cestaria. Em termos Gastronmicos, muito h para conhecer e degustar: a famosa Vitela de Lafes, os Pastis de Vouzela ou o Folar, verdadeiros ex-libris gastronmicos da regio. Tal como a vila, tambm o meio que envolve a escola de cariz rural, embora nos ltimos anos a indstria e os servios tenham vindo a aumentar, sendo a escola, em parte, responsvel pelo desenvolvimento da regio pelos postos de trabalho que cria e pelo nmero de alunos que todos os anos atrai, oriundos de outros concelhos, de outros distritos e at mesmo de outros pases. 1.3. Organizao do processo de ensino aprendizagem 1.3.1. O Projeto Educativo de Escola 4 O mais importante na vida no saberes onde ests, mas sim para onde vais. Goethe O Projeto Educativo de Escola, representando uma rutura com a normalizao, pode constituir uma referncia e um dispositivo para a construo contnua da mudana, para a organizao da escola (no presente e no futuro), para a clarificao das intencionalidades educativas e para a articulao das participaes dos diversos protagonistas. 3 Veja-se Municpio de Vouzela, disponvel em http://www.cm-vouzela.pt (acedido em 5 de Novembro 2014) 4 As informaes constantes neste captulo foram recolhidas no documento Projeto Educativo para o Trinio 2013/2016. 8 O PE da Escola Profissional de Vouzela uma das formas que a mesma encontrou de planificar a organizao da instituio, coordenando as suas atividades e racionalizando os seus recursos, de forma a solucionar os seus problemas e a reforar as suas competncias, com vista a uma melhoraria permanente da qualidade do seu ensino. Em suma, constam no PE da Escola Profissional de Vouzela os seguintes pontos orientadores: Proporcionar uma formao geral comum a todos os cidados; Promover o desenvolvimento das aptides, interesses, esprito crtico e criatividade de cada aluno; Proporcionar condies para a formao de cidados livres, autnomos, civicamente responsveis, democraticamente intervenientes, solidrios e cooperantes; Desenvolver no aluno a capacidade de ser ele o agente basilar do seu prprio processo de aprendizagem, de modo a que exista um maior empenho no processo ensino-aprendizagem; Fomentar o interesse por uma atualizao permanente de conhecimentos; Estimular uma constante disponibilidade para a mudana e necessria adaptao; Promover a dignificao do trabalho, muito particularmente do trabalho manual; Assegurar uma slida formao profissional, que associe o saber ao saber fazer; Proporcionar a aquisio de conhecimentos cientficos e tecnolgicos que garantam a validade do ttulo profissional; Valorizar a componente prtica da formao profissional; Proporcionar aos jovens uma melhor insero no mundo de trabalho, convenientemente preparados; Contribuir para a soluo do problema das carncias de mo-de-obra especializada em determinados setores de atividade; Formar jovens tcnicos qualificados; Responder s necessidades do mercado de trabalho; Reforar o envolvimento com o tecido empresarial da regio; Educar para a cidadania; Estimular uma disponibilidade para a inovao e mudana; 9 Promover uma cultura de qualidade/excelncia. O Projeto Educativo concretiza-se anualmente atravs de um plano de atividades. Foi proposto em Conselho Pedaggico e elaborado em conformidade com os objetivos pedaggicos/de aprendizagem no domnio dos diversos saberes saber conhecimento, saber fazer e saber estar. O Plano Anual de Atividades, enquanto expoente mximo da concretizao do Projeto Educativo, acompanhado de forma permanente e interativa e, em funo dos resultados obtidos, so feitos ajustamentos ou complementos. A Escola Profissional de Vouzela pretende adotar uma pedagogia de sucesso a qual, na mesma inteno, rena uma pedagogia por objetivos, uma pedagogia da avaliao formativa e uma pedagogia de eficcia geral. Nesta perspetiva, h que planificar o ensino aprendizagem de modo a mobilizar toda a comunidade escolar para desenvolver atividades numa relao com o meio envolvente. Neste sentido pretende-se explicitamente: A integrao da escola na regio em que est inserida, de modo a responder aos problemas e anseios da comunidade; A participao dos jovens, como elementos transformadores, na sociedade. Esta participao dever passar pela anlise do contexto social, econmico, poltico, cultural (regional, nacional e internacional), pela anlise das contradies sociais, pela crtica das situaes que se pretendem superar, pela denncia de toda a alienao a ignorncia, a fome, a explorao pela persecuo, enfim, de ntidos objetivos de criar hbitos de reflexo pessoal, levando cada um a pensar por si prprio, a julgar sem indiferena e sem dogmatismo, possibilitando a afirmao de uma capacidade crtica; Estabelecer a unio entre o estudo e o trabalho produtivo, entre a teoria e a prtica, por ser este o caminho essencial para a preparao dos futuros homens livres; A formao a partir do conhecimento da realidade concreta da vida regional e nacional, jovens interessados na resoluo de futuros problemas nacionais e, simultaneamente, desenvolver, numa perspetiva internacionalista, a solidariedade com os problemas dos outros povos. 10 1.4. Perfil das Turmas observadas Para proceder caracterizao das turmas, foram consultados os dados apresentados na ficha de caracterizao da turma, elaborada pelos diretores de turma e arquivada no dossi da mesma. 1.4.1 A turma de Portugus O grupo onde decorre a experincia de observao, turma 12 A, no mbito da disciplina de Portugus, composto por 11 rapazes e 7 raparigas, com idades compreendidas entre os 17 e os 27 anos. A razo desta turma ser reduzida prende-se com o facto de um aluno ter necessidades educativas especiais e estar abrangido pelo Decreto-lei n. 3/20085. Ao longo do seu percurso escolar, h 8 alunos com retenes em anos anteriores, alguns com retenes repetidas. A maioria provm de famlias de estrato social medio/baixo, no possuindo os pais graus de escolaridade elevados. Excetua-se o caso de um dos alunos, cujos pais so licenciados. So jovens oriundos de vrios pontos do pas, quase todos de nacionalidade portuguesa, embora haja duas alunas santomenses e um aluno brasileiro, cujas idades variam entre os 17 e os 27 anos. A maioria dos alunos reside em Vouzela, em regime de alojamento, uma vez que so quase todos habitantes de localidades distantes. H apenas dois alunos que vivem na cidade de So Pedro do Sul e que vo dormir a casa. Os restantes so oriundos de localidades bem distintas que vo desde a praia at serra: Murtosa, Sever do Vouga, Santa Comba Do, Viseu, Aveiro, Mangualde, Vila Nova de Gaia, Tondela e duas alunas de So Tom e Prncipe. So alunos do Curso Profissional de Tcnico de Restaurao, sendo que 11 frequentam a variante Cozinha/Pastelaria e 7 a variante Restaurante/Bar. O Tcnico de Cozinha Pastelaria o profissional que, no domnio das normas de higiene e segurana alimentar, planifica e dirige os trabalhos de cozinha, colabora na estruturao de ementas, prepara e confeciona refeies num enquadramento de especialidade, nomeadamente a gastronomia regional portuguesa e internacional. O Tcnico de Restaurante-Bar o profissional que, no domnio das normas de segurana e higiene alimentar, planifica, dirige e efetua o servio de alimentos e bebidas mesa e ao balco, em estabelecimentos de restaurao e bebidas integrados ou no em unidades hoteleiras. 5 http://legislacao.min-edu.pt/np4/np3content/?newsId=1530&fileName=decreto_lei_3_2008.pdf 11 Estes alunos so todos muito motivados para esta rea, o que justifica o bom aproveitamento da turma, no 10 e 11anos, no s nas disciplinas da parte tcnica (Servios de Cozinha-Pastelaria; Servios de Restaurante-Bar; Tecnologia Alimentar; Gesto e Controlo; Comunicar em Francs), mas tambm nas disciplinas da componente sociocultural (Portugus; Ingls; rea de Integrao; TIC; Educao Fsica) e da componente cientfica (Matemtica; Economia; Psicologia). Neste Plano Curricular de Turma faz-se um diagnstico de competncias no domnio dos conhecimentos, mas tambm no domnio das atitudes e valores. No domnio do conhecimento, so alunos que, de uma forma geral, selecionam e organizam informao, optando pelas metodologias mais adequadas para desenvolver os trabalhos com eficcia. Aplicam os conhecimentos de forma bastante satisfatria, apesar de nem todos os dominarem totalmente. Relativamente s expectativas quanto ao seu futuro, a maioria pretende concluir o curso de nvel IV e ingressar no mundo do trabalho na sua rea de eleio. Alguns ambicionam prosseguir estudos no ensino superior, na mesma rea de formao. Sobre os seus tempos livres referem preferir estar com os colegas, utilizar o computador ou ver filmes. Alguns elegem o desporto como uma forma agradvel de passar o tempo. De um modo geral, os pais no acompanham os filhos nas atividades escolares, o que se deve, sobretudo, ao facto de no estarem com eles durante a semana. No entanto, a diretora de turma tem o cuidado de telefonar aos encarregados de educao vrias vezes para os manter informados da evoluo e do comportamento dos seus educandos. 1.4.2 A turma de Francs A turma composta por 10 rapazes e 8 raparigas, com idades compreendidas entre os 17 e os 26 anos. Ao longo do seu percurso escolar, h alguns alunos com retenes em anos anteriores. A maioria proveniente de famlias de estrato social medio/baixo, no possuindo os pais graus de escolaridade elevados. Quanto situao profissional dos Encarregados de Educao, a mesma distribui-se por trabalhadores fabris, empregadas de limpeza, domsticas, cozinheiro, havendo, tambm, uma razovel percentagem de desempregados. A maioria dos alunos de localidades limtrofes de Vouzela, quase todos de nacionalidade portuguesa, embora haja trs alunos santomenses. A maioria desloca-se 12 diariamente para Vouzela, havendo outros, um nmero reduzido, em regime de alojamento, pois so habitantes de localidades distantes. Estes alunos santomenses so normalmente muito bem acolhidos pelos colegas que os ajudam na sua plena integrao. So alunos do Curso Profissional de Tcnico de Restaurao, distribudos pelas variantes de Cozinha/Pastelaria e Restaurante/Bar de alimentos e bebidas mesa e ao balco, em estabelecimentos de restaurao e bebidas ou ento em unidades hoteleiras. Estes alunos so muito trabalhadores e empenhados na rea que abraaram, o que justifica o razovel aproveitamento da turma, no s nas disciplinas da parte tcnica (Servios de Cozinha-Pastelaria; Servios de Restaurante-Bar; Tecnologia Alimentar; Gesto e Controlo; Comunicar em Francs), mas tambm nas disciplinas da componente sociocultural (Portugus; Ingls; rea de Integrao; TIC; Educao Fsica) e da componente cientfica (Matemtica; Economia; Psicologia). No domnio do conhecimento, so alunos que, de uma forma geral, selecionam e organizam informao, optando pelas metodologias mais adequadas para desenvolver os trabalhos com eficcia. Aplicam os conhecimentos de forma bastante satisfatria, apesar de nem todos os dominarem totalmente. A maioria dos alunos empenhada nas tarefas propostas e revela interesse pelo estudo, sendo o ritmo de trabalho na aula satisfatrio. Na sua generalidade, so alunos responsveis, assduos, de grande maturidade, que se fazem acompanhar do material necessrio para cada aula. Quanto s expectativas no que concerne o futuro, a maioria pretende concluir o curso de nvel IV e ingressar no mundo do trabalho na sua rea de eleio. Sobre a sua ocupao durante os tempos livres, referem preferir estar com os colegas, utilizar o computador, ouvir msica ou ver filmes, ou ento ajudar os pais na lida do campo. O primeiro contacto com a turma foi muito positivo, tendo os alunos mostrado bastante recetividade a metodologias diversificadas e potenciadoras no desenvolvimento das suas competncias lingusticas e comunicativas. Estes alunos tm apenas uma hora, por semana, de Comunicar em Francs, o que muito pouco para aprender, a meu ver, uma lngua estrangeira, num total de apenas trinta horas anuais. No entanto, e apesar deste constrangimento, os alunos mostram-se empenhados e colaborantes nas atividades que semanalmente lhes so propostas. 13 1.5. A professora estagiria Em conformidade com os programas oficiais de ensino, o processo ensino aprendizagem emprega metodologias que se apoiam em recursos que possibilitam ao professor uma abordagem diferente da tradicional. Assim, e evocando os quatro pilares da educao mencionados por Jacques Delors (1996) no Relatrio para a UNESCO, - Aprender a conhecer, Aprender a fazer, Aprender a viver juntos e Aprender a ser (ibidem: 162), a formao do docente, desde o contexto de estgio pedaggico e respeitando o regulamento da FLUC, deve basear-se no desenvolvimento de trs eixos formativos: o Saber, o Saber Fazer e o Ser, orientando assim a sua prtica pedaggica enquanto princpios essenciais. Tendo como base os pilares da educao atrs referidos, a presente reflexo crtica respeita a experincia pedaggica obtida no estgio curricular. Neste mbito, tentei construir um projeto que incorporasse estratgias que munissem o aluno de uma crescente capacidade quer de compreenso e de anlise, quer de produo oral e escrita. Neste processo, pretendi aferir a importncia da musicalidade na lngua e no texto, enquanto recurso sonoro, para uma pedagogia participada e interativa no ensino de Portugus, LM e de Francs, LE. A viver na cidade de Viseu, desde 1980, foi aqui, no concelho, mais concretamente na Escola Bsica de Penalva do Castelo, que lecionei, pela primeira vez, no 2 Grupo, as disciplinas de Portugus e Francs, corria, ento, o ano de 1982. Era muito jovem, ainda no tinha concludo a minha licenciatura, mas isso no me assustou, pois soube, desde logo, que esta era a minha vocao e que tudo faria para no a abandonar. Durante anos, consegui sempre ficar colocada em escolas do ensino regular, quer no ensino bsico, quer no ensino secundrio, at porque, na poca, havia grande carncia de professores de Francs e eu tinha estado em Frana onde frequentei um curso de Francs que me habilitou, durante anos, para a docncia da disciplina. Em 1989, um novo tipo de escola surgia, em Portugal, as Escolas Profissionais, criadas por iniciativa do Ministrio da Educao, que nasceram como consequncia de um contrato entre o Estado e os parceiros locais. Em 1993, fui convidada a experienciar o ensino profissional, na Escola Profissional de Vouzela, a minha escola de eleio, onde ainda continuo e espero prosseguir, pois no mundo do ensino que pretendo manter-me e neste em particular. Aqui cresci como pessoa e como profissional. Acompanhei o crescimento e a evoluo da escola ao longo de duas dcadas e sinto-me feliz com isso. Por aqui passaram muitos 14 jovens, que sentiram esta escola como a sua segunda casa, onde os seus problemas eram os nossos problemas e juntos tentvamos encontrar solues. Cresceram como pessoas ntegras e respeitadoras, realizadas pessoalmente e profissionalmente nas reas que escolheram. Manter com eles essa proximidade, foi e , desde sempre, uma preocupao da Escola e nossa, corpo docente. Assim, e consciente de que so de crise os tempos que vivemos, quer pela falta de emprego, quer pela crise econmica que afeta muitas famlias, senti necessidade de adquirir outros saberes e outras competncias, que me possibilitassem outras oportunidades de trabalho no futuro. Considero que a frequncia do Mestrado em Ensino de Portugus/ Francs uma boa oportunidade para investir na minha formao, acadmica e profissional, em busca de um futuro mais promissor. 2. Prtica Pedaggica supervisionada Neste captulo pretende-se construir uma reflexo crtica acerca da forma como decorreu a prtica pedaggica supervisionada. Assim, sero apresentadas, inicialmente, algumas consideraes de natureza pessoal relacionadas com as principais expectativas e receios. De seguida, far-se- um balano do trabalho desenvolvido nas aulas de Portugus e nas de Francs. Por ltimo, sero descritas as vrias atividades extracurriculares realizadas ao longo do ano. 2.1. Expectativas e Desafios A prtica pedaggica supervisionada iniciou-se em setembro de 2014. Ao longo do percurso formativo, a superviso esteve a cargo das professoras Edite Tavares e Isabel Tavares. Por parte da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, foram orientadores a Doutora Cristina Mello, na rea de Portugus, e o Doutor Joo Domingues, na rea de Francs. Iniciar o estgio foi comear uma nova experincia, num espao que me familiar, desde 1993, ano em que ali lecionei, pela primeira vez, e do qual sinto que fao parte, desde h muito. Durante anos, lecionei no ensino pblico, como professora contratada, as disciplinas de Portugus e de Francs, outrora no 2 Grupo do ensino bsico e no 8 Grupo B no ensino secundrio. A verdade que, apesar de terem sido boas experincias, foi na 15 Escola Profissional de Vouzela, no ano letivo de 1993/1994, quando ingressei, que me descobri enquanto docente. Foi aqui que tive a certeza de que lecionar aquilo que ambiciono fazer. Naquela poca, o ensino profissional dava os primeiros passos e eu no tinha qualquer experincia neste tipo de ensino. No foi fcil; mas a persistncia, a dedicao, o empenho e o profissionalismo, ajudaram-me a ultrapassar as barreiras iniciais que consistiam, sobretudo, na dificuldade em encontrar materiais adequados lecionao das temticas modulares, pois no havia manuais especficos para os cursos profissionais. No entanto, e apesar de ser um ensino completamente desconhecido foi aqui que cresci, enquanto docente, ao longo do meu percurso profissional. Assisti evoluo e ao crescimento da escola: o nmero de cursos e de alunos mais que triplicou nestes ltimos anos, devido, substancialmente, elevada taxa de empregabilidade que esta formao apresenta. Este tipo de ensino surgiu na dcada de 90, e tem dado grande contributo para a reduo do abandono escolar, uma realidade vivenciada, durante anos, no nosso pas. Atualmente encarado pelos nossos jovens como um ensino de qualidade que lhes garante um saber fazer, uma ferramenta til e vlida, para vencerem na vida profissional. Os ideais da Escola Profissional de Vouzela passam pela preveno/reduo do abandono escolar e pela formao e qualificao de excelentes profissionais. gratificante verificar que, ano aps ano, so vrios os alunos que terminam a sua formao acadmica em reas que tm tido e continuam a ter boa aceitao no mercado, apesar da atual conjuntura. Trabalhar nesta escola sentir-me em casa, fazer parte de um grupo, de uma equipa, que vive, pensa, sente e sonha os seus alunos permanentemente e tenta realizar os seus sonhos, concretizar o seu amanh. De facto, durante todos estes anos, a minha conduta enquanto professora pautou-se por fazer aquilo que eu considerava mais correto e proveitoso para os alunos. Senti sempre o peso da responsabilidade, pois a educao de jovens e crianas algo que sempre encarei com a devida seriedade. Com o incio da minha prtica pedaggica supervisionada, esperava alcanar uma melhoria no meu desempenho didtico, isto , uma maior segurana na tomada de decises relacionadas com a planificao de aulas, com a elaborao de materiais adequados, ou mesmo com a adoo de estratgias. A minha maior expectativa em relao realizao do Mestrado era, precisamente, a possibilidade de melhorar enquanto profissional nas vrias reas que referi e simultaneamente poder realizar a profissionalizao para continuar a lecionar com habilitao prpria e profissionalizada. 16 Relativamente disciplina de Francs, sentia que o afastamento de quase dezasseis anos em relao lngua talvez pudesse afetar ou comprometer o meu desempenho durante o estgio pedaggico; apesar disso, o gosto pela lngua e pela cultura francesas continuavam bem presentes e a prtica pedaggica s veio avivar esses conhecimentos, tendo-se tornado muito prazerosa. Mas o desafio estava, sobretudo, relacionado com a conceo de materiais e de atividades que promovessem aulas dinmicas. Saliente-se o facto de no haver livros de Francs para o ensino profissional, o que obriga o professor a procurar e a pesquisar o material de acordo com as temticas correspondentes a cada mdulo, a fim de facult-lo ao aluno. Preparar fichas de trabalho intercaladas com atividades foi um grande desafio; no entanto, fui aprendendo a contornar a situao e acabei mesmo por superar as minhas expectativas. Quanto prtica pedaggica propriamente dita, houve sempre uma boa relao de superviso centrada na colaborao, no apoio, na entreajuda, no dilogo, tendo em vista o desenvolvimento de prticas letivas adequadas que melhorem a qualidade do ato letivo. Da parte dos colegas, senti haver sempre disponibilidade em colaborar comigo, quer na troca de sala, quer no material a utilizar durante as sesses, o que gerou, sem dvida, um ambiente favorvel para trabalhar. Tambm os funcionrios e os alunos, para alm de retriburem a simpatia com que sempre os tratei, evidenciaram uma preocupao e acompanhamento constantes. 2.1.1. Prtica Pedaggica de Portugus, LM Na apresentao da turma do 12 A estagiria, notou-se haver empatia, e um grande -vontade entre alunos e estagiria, uma vez que a turma j tinha colaborado com a estagiria em vrios projetos em nome da Escola. So alunos empenhados, aplicados e colaborantes, embora haja um ou outro menos esforado e menos colaborante, o que se deve muito provavelmente grande disparidade de idades. Mas um grupo com quem se trabalha muito bem. Das aulas lecionadas pela professora orientadora da prtica pedaggica, transpareceu sempre um clima agradvel de trabalho, onde o interesse, o empenho, a participao dos alunos, foram notrios, estimulando ainda mais a minha vontade de lecionar. O objetivo principal, enquanto profissional da educao, foi sempre o de atuar no sentido da melhoria das prticas, visando o progresso e as aprendizagens dos alunos, tentando sempre garantir a todos e a cada um o desenvolvimento de 17 competncias que lhes permitissem o sucesso escolar e educativo e a sua incluso, na escola e na sociedade, de modo a torn-los seres felizes e realizados. Quanto ao desenvolvimento das prticas didtico-pedaggicas, no houve dificuldades de maior, pois este no foi o meu primeiro contacto com a realidade docente. Tambm as planificaes de aula foram realizadas com responsabilidade, escolhendo-se criteriosamente as atividades a realizar para aulas de 60 minutos. Os objetivos foram definidos com clareza e os contedos tratados com rigor. No domnio da execuo, articulou-se criticamente a atuao em aula com a planificao, incentivando-se o desenvolvimento integral e harmonioso do aluno, estimulando a sua participao ativa no processo educativo. Sempre que necessrio, foram realizados ajustamentos s planificaes, de acordo com as necessidades e o ritmo de aprendizagem dos alunos. Foi meu objetivo tambm desenvolver neles o sentido crtico e criativo com vista fundamentao das suas prprias opinies. Convm tambm salientar neste processo o trabalho colaborativo da orientadora, professora Edite Tavares, com a estagiria, que se traduziu na troca de opinies, na partilha de saberes, na procura de materiais, perspetivando o desenvolvimento de prticas conducentes a um bom desempenho didtico e pedaggico. Os recursos didticos foram criteriosamente selecionados, adequados a cada situao de aula, tendo sido planeadas atividades que respeitassem os objetivos pretendidos e que motivassem os alunos, visando sempre uma boa interao aluno/professora. Quanto ao dilogo educativo, procurou-se dar lugar expresso de sentimentos e experincias, promovendo-se um ambiente de convivncia democrtica e de comunicao inclusiva, criando-se mecanismos que possibilitassem a participao de todos os discentes e diligenciando para que participassem de forma equilibrada. Houve momentos de promoo de trabalho individual e de trabalho em pares, estimulando-se a autonomia, a colaborao e at mesmo a competio saudvel. Existiu sempre a preocupao em motivar os alunos para as atividades planificadas, adequando o seu discurso heterogeneidade das situaes de comunicao, estimulando-os a participar e mantendo uma relao equilibrada com os alunos. A relao pedaggica assentou sempre no respeito mtuo e na cordialidade. Os alunos envolveram-se, continuamente, no desenvolvimento da aula e seguiram as instrues fornecidas. 18 2.1.2. Prtica Pedaggica de Francs, LE O primeiro contacto com a turma, o 12B, foi muito positivo, tendo os discentes demonstrado, desde o incio, bastante recetividade s metodologias diversificadas e potenciadoras no desenvolvimento das suas competncias lingusticas e comunicativas. Estes alunos tinham apenas uma hora por semana, s teras-feiras, de Comunicar em Francs, num total de 30 horas anuais. O Mdulo 3, Cozinha-Pastelaria/Restaurante-Bar, que explora a gastronomia, os receiturios e o espao da cozinha (chaves do discurso, equipamentos e materiais da cozinha), foi o mdulo lecionado. Uma hora por semana para aprender uma lngua estrangeira muito pouco e no entanto, foi muito bom trabalhar com esta turma que, apesar das dificuldades ao nvel da escrita e da oralidade, se mostrou empenhada e colaborante nas atividades propostas semanalmente. O objetivo principal era que o aluno, ao seu nvel, se tornasse competente na lngua, que fosse capaz de usar, de forma eficaz, os recursos lingusticos em situao de comunicao, bem como refletir sobre o uso e o funcionamento da lngua por forma a desenvolver estratgias metacognitivas que garantam um processo contnuo de aprendizagem.6 As estratgias escolhidas e os recursos trabalhados foram selecionados de acordo com este propsito, atendendo tambm s caractersticas da turma e aos objetivos de aprendizagem estipulados para este nvel de ensino. Ao longo da ao pedaggica atendeu-se sempre ao nvel elementar de aprendizagem da linguagem em que se encontravam os nossos alunos e aos objetivos estipulados para as vrias competncias. Os objetivos centraram-se no desenvolvimento das competncias basilares desta disciplina compreenso oral, produo oral, compreenso escrita e produo escrita, integrando-as na competncia intercultural, tal como apresentada no Quadro Comum Europeu de Referncia das Lnguas, mas privilegiando a produo oral e escrita, pois esta uma competncia que implica conhecimentos lexicais e gramaticais e, por isso, essencial para o desenvolvimento do aluno e para o seu sucesso. Os textos trabalhados nas aulas foram criteriosamente selecionados, procurando a autenticidade, de modo a preparar os alunos para possveis situaes reais. O ensino da gramtica foi tambm um aspeto importante que procurmos desenvolver, uma vez que permite compreender o funcionamento da lngua. Como afirma Tarrab (1990: 207), "faire de la grammaire devrait amener lenfant comprendre le fonctionnement de la langue". Deste modo, foram trabalhados, sempre 6 Cf: http://www.netprof.pt/pdf/Competencias_basicas/LinguasEstrangeiras.pdf 19 devidamente contextualizados, les articles partitifs; le prsent, le pass compos, por se tratar de aspetos presentes na planificao da unidade temtica. No incio de cada aula, tivemos sempre como rotina desafiar os alunos para uma interveno oral, atravs de um breve rmue-mninges para rever contedos da aula anterior, ou para iniciar um novo contedo, o que permitia fazer a transio para o tema da aula. Os materiais utilizados na sala de aula foram importantes no processo de ensino-aprendizagem uma vez que contriburam para o sucesso dos alunos e para a dinmica positiva da aula. No havendo um manual adotado, consultmos vrios manuais e sites franceses a partir dos quais crimos fichas de trabalho que incluram textos adaptados ao nvel de ensino em questo, mas tambm aos interesses e s necessidades concretas dos alunos, sempre acompanhados com questionrios de compreenso escrita e exerccios de tipologias diversificadas (verdadeiro/falso, frases para ligar ou para completar, caa ao intruso, exerccios com espaos, entre outros). Elabormos fichas de contedos gramaticais e exerccios diversificados para insistir na assimilao dos mesmos. Tentmos sempre desenvolver estratgias que permitissem aos alunos atingir os objetivos, uma vez que o QECRL, Quadro Europeu Comum de Referncia para as Lnguas, refere, e em nosso entender muito pertinentemente, que o professor e os programas de ensino devem fornecer aos alunos instrumentos que os incentivem a preparar-se para uma aprendizagem autnoma e eficaz. Com efeito, no se pode esquecer que [a] prtica eficaz implica a capacidade de abordar as situaes da sala de aula de uma forma reflexiva e orientada para a resoluo de problemas. (Arends, 1995: 27). Aprender uma lngua no apenas dominar o seu idioma, sim a abertura a uma cultura, s ideias, s tradies, histria de um pas ou comunidade. Assim, conclumos que dominar eficazmente uma lngua no garante uma perfeita integrao no contexto onde ela falada. Para evitar equvocos e situaes incmodas para quem aprende uma lngua, indispensvel aliar a essa aprendizagem a transmisso da cultura a ela ligada, uma vez que, parafraseando o que diz Aguiar e Silva aprender uma lngua aprender um comportamento cultural (Aguiar e Silva, 2010: 141). 20 2.2. Atividades extracurriculares No que concerne s atividades facultativas, estas foram cumpridas de acordo com o estipulado no Plano Individual de Formao e no Plano Anual de Atividades. Sou, desde h muito, a responsvel pela Biblioteca, bem como pela organizao das aes no mbito da Educao para a Sade; sou membro da Comisso da Feira do Livro de Vouzela, e responsvel pelos Exames, atividades que gosto de realizar sempre com o objetivo de ajudar, de esclarecer, de informar, de apoiar os alunos sobre temticas atuais e de grande interesse na sua formao pessoal e social, enquanto cidados livres, responsveis e atentos sociedade em que esto inseridos. Promover o contacto dos alunos com escritores do panorama cultural portugus foi tambm um dos objetivos a atingir, ao longo deste ano letivo. Na disciplina de Portugus foram concretizadas as vrias atividades previstas no Plano Individual de Formao. A comemorao de vrias efemrides, em conjunto com o Departamento de Lnguas e a Biblioteca Escolar, foi realizada de acordo com as datas agendadas para esse fim. Elaborei, juntamente com os alunos, textos de cariz informativo sobre os malefcios do tabaco, que foram afixados no hall de entrada para uma maior e melhor visibilidade dos mesmos, para comemorar o Dia do No Fumador (Anexo 1); Foram escritas e lidas, pelos vrios espaos da Escola, algumas mensagens de Natal com vista a uma confraternizao saudvel entre toda a comunidade escolar; Colaborei, tambm, na organizao da Festa da Primavera, um evento que pretendeu celebrar a chegada da primavera. Os alunos trouxeram os seus produtos para venda, tendo a decorao ficado a cargo dos alunos da turma de Comrcio, a minha direo de turma. Colaborei no evento Assembleia da Juventude, organizado pela Cmara Municipal que anualmente convida os alunos das vrias escolas a participar, este ano subordinado ao tema: Os direitos das crianas que contou com a participao dos nossos alunos com textos da sua autoria, sempre com a superviso das professoras de Portugus (Anexo 1); Festejmos o Dia do Livro com uma simblica homenagem, um agradvel momento de leitura em grupo protagonizado por alguns alunos (Anexo 1); 21 Colaborei na organizao da Feira do Livro de Vouzela, cujo objetivo o de divulgar o livro e promover hbitos de leitura nos nossos jovens (Anexo 1); Elaborei com os alunos a redao de notcias sobre este e outros eventos levados a cabo pela Escola, ao longo do ano letivo. No mbito da disciplina de Francs, procurei promover nos alunos o aprofundamento do conhecimento da sua prpria realidade sociocultural, atravs do confronto com aspetos da cultura e da civilizao dos povos de expresso francesa, conforme o preconizado no programa de Francs, desenvolvendo as seguintes atividades: Colaborei, juntamente com os discentes, na realizao de um desdobrvel com as regras de ouro de uma alimentao saudvel, La pyramide alimentaire, para comemorar o Dia da Alimentao e reforcei a importncia da mensagem (Anexo 1); Realizei, com os alunos, um cartaz alusivo ao Dia do No Fumador, apelando para os malefcios do tabaco, sempre em francs (Anexo 1); Participei na decorao natalcia da Escola, colocando na rvore de Natal, mensagens de boas festas, em francs, elaboradas pelos alunos (Anexo 1); Organizei a comemorao da Chandeleur, com os alunos do 12 Ano de Restaurao, atravs da confeo e venda de crepes, a partir da receita trabalhada em aula, em Francs (Anexo 1); Promovi a confeo das especialidades francesas estudadas em aula, com o objetivo de fixar nomes e expresses em francs; Festejou-se o Dia do Francs, com a colaborao dos docentes da disciplina e dos discentes. Ouviu-se msica francesa, houve uma exposio de trabalhos e a confeo de um prato francs. Para alm destas atividades, realizei ainda outras, a saber: Redigi textos, subordinados ao tema Os Direitos da Criana, no mbito da Assembleia da Juventude; Colaborei na organizao da Feira do Livro de Vouzela, que decorreu de 8 a 17 de maio, enquanto responsvel pela Biblioteca; Promovi um rastreio ao HIV, no mbito da Educao para a Sade, em parceria com o Centro de Sade; 22 Colaborei, ainda, no Festival das Sopas, um evento organizado pela minha Escola, no dia 23 de maio; Participei na marcao e na vigilncia de exames, semanalmente; Desenvolvi todas as atividades e responsabilidades inerentes funo de diretora de turma; Participei nas reunies de avaliao no final de cada perodo, bem como nas reunies de Conselho Pedaggico, enquanto diretora de turma e responsvel pela Biblioteca; Procedi, juntamente com outra colega, s alteraes ao Regulamento Interno da Escola; Redigi vrias notcias para o jornal da Escola sobre os eventos realizados ao longo do ano. Mostrei sempre disponibilidade para participar em projetos de trabalho colaborativo na escola, envolvendo-me ativamente na elaborao, concretizao e avaliao de atividades que visam atingir os objetivos institucionais. 2.3. Aes de formao de mbito geral Sendo o ms de abril, o Ms da Preveno dos Maus Tratos na Infncia, participei na iniciativa (Em) conversas comDr. Laborinho Lcio, promovida pela Comisso de Proteo de Crianas e Jovens de Vouzela, com a durao de 3 horas, uma sensibilizao a um tema que importa a todos ns. Estar atentos a qualquer forma de violncia praticada sobre a criana e jovens e denunci-la, cabe a todos ns, Escola e professores. Participei, tambm, nas Jornadas da Comunicao, uma atividade preparada pelos alunos de Tcnico de Secretariado, em conjunto com a Diretora de Curso, cujo tema foi A Comunicao, um tema abrangente e muito importante para profissionais que tm contacto com o pblico. Esta atividade foi muito interessante e enriquecedora, pois as Jornadas iniciaram com uma abordagem da msica como veculo de comunicao, e como influenciadora de comportamentos e atitudes, indo de encontro ao tema monogrfico do meu trabalho. 23 2.4. Sntese Ao longo da minha prtica pedaggica supervisionada pude concretizar e pr em prtica os conhecimentos tericos adquiridos e desenvolver competncias fundamentais inerentes ao exerccio da profisso docente. A observao de aulas tem como objetivo o desenvolvimento profissional de professores, melhorando, assim, a ao educativa. um processo fundamental, uma vez que proporciona aos docentes que esto a iniciar a sua prtica profissional o contacto com prticas e mtodos de ensino utilizados por docentes experientes. Para alm disso, a discusso de aulas promove a reflexo por parte dos docentes sobre a sua prtica profissional, permitindo-lhes o desenvolvimento das suas competncias. No que respeita prtica pedaggica propriamente dita, houve sempre, entre estagiria e orientadoras, uma boa relao de superviso centrada na colaborao, no apoio, na entreajuda, no dilogo, tendo em vista o desenvolvimento de prticas letivas adequadas que melhorem a qualidade do ato letivo. A partilha, a troca de materiais, a adoo de medidas para um melhor desempenho, foram aspetos relevantes e vantajosos. Tambm os anos de experincia no ensino me deram um certo vontade, sentido de responsabilidade, e um saber fazer assente num trabalho dirio de valorizao pessoal e profissional. A realizao das atividades extracurriculares foi tambm muito importante e gratificante ao longo deste ano de formao. 24 Captulo II 1. A abordagem da musicalidade na lngua e no texto. A msica a alma do Universo. D voo imaginao, alegra o esprito, afugenta a tristeza. D vida a tudo o que bom e justo. (Plato 427-347 a.C.) A msica tem sido usada tanto como forma de comunicao e entretenimento, como tambm de expresso afetiva, cultural, social, poltica e religiosa. Presente em todas as sociedades desde tempos imemoriais, diariamente nos meios de comunicao social, a msica uma linguagem de comunicao universal. a arte de combinar sons e o silncio. Se pararmos para perceber os sons que esto nossa volta, concluiremos que a msica parte integrante da nossa vida. Ela existe e sempre existiu, pois, segundo estudos cientficos, desde que o ser humano comeou a organizar-se em tribos primitivas pela frica, a msica era parte integrante do quotidiano dessas pessoas. Aprender, atravs da msica, uma boa forma para motivar o aluno pois , cada vez mais, pertinente usar estratgias diversificadas com vista a uma aprendizagem mais interessante e eficaz. Usando este meio, possvel atrair e cativar os alunos, de forma a tornar as aulas mais prazerosas; sabendo que a msica faz parte do quotidiano dos jovens o professor, conhecedor desta realidade, pode tirar proveito disso para levar o aprendente a empenhar-se e a interessar-se por aprendizagens diversificadas. A importncia da musicalidade/da msica, no texto e na lngua, em contexto escolar, ser abordada neste captulo. Os nveis escolares abrangidos so: Portugus/ LM e Francs/LE, ao nvel do 12 ano de escolaridade. Assim, e em primeiro lugar, definir-se- o conceito de musicalidade e de msica; falaremos depois da sua importncia nos programas das disciplinas de Portugus e Francs e da sua relevncia no processo de ensino/ aprendizagem. De seguida, apresentar-se-o algumas ideias consideradas importantes e defendidas por conceituados estudiosos sobre este tema. Pretende-se, igualmente, expor e analisar alguns exemplos de atividades que foram desenvolvidas durante a prtica pedaggica supervisionada e referenciar a pertinncia da musicalidade. Embora musicalidade e msica sejam indissociveis, estes aspetos sero tratados de forma diferenciada nas duas disciplinas. Na disciplina de Portugus, a musicalidade ser descoberta a partir dos textos analisados, enquanto na 25 disciplina de Francs, a presena da msica ser observada no contexto de ensino aprendizagem da lngua francesa. 1.1. Musicalidade: definio, caractersticas e relevncia Falar em musicalidade falar de melodia, de ritmo, das sonoridades da lngua e do texto. Sabemos que cada lngua tem as suas sonoridades, quer seja ao nvel da entoao, da pronncia, da fala ou ao nvel do prprio texto. Abordar essas dimenses da musicalidade objetivo fundamental deste trabalho. O que se pretende ir ao encontro e descoberta dessa musicalidade, nas diferentes tipologias textuais, a nvel fnico, morfossinttico e semntico. impossvel limitar, por exemplo, a anlise do texto lrico identificao dos tipos de rima ou da mtrica sem se atender aos sentidos que validam a sua utilizao. No esqueamos que tambm o texto dramtico e o narrativo tm a sua musicalidade e torna-se importante levar os alunos descoberta dessa mesma realidade, da a pertinncia das definies de musicalidade, msica, sonoridade para que percebamos que todas elas tm em comum a cadncia harmoniosa, o ritmo, a melodia, elementos de referncia que qualquer professor de lngua pode e deve trabalhar. Musicalidade s. f.: 1. carcter, qualidade ou estado do que musical; 2..talento ou sensibilidade para executar msica; 3. sensibilidade para apreciar msica; 4. expresso do talento musical de algum; 5. cadncia harmoniosa, ritmo (). (Dicionrio Houaiss da Lngua Portuguesa, 2007: 5688). Msica s. f: 1. combinao harmoniosa e expressiva de sons; 2. a arte de se exprimir por meio de sons, seguindo regras variveis conforme a poca, a civilizao, etc; 3. interpretao de obra musical; 4. Acompanhamento musical; 5. Sons vocais, instrumentais ou mecnicos com ritmo, harmonia e melodia; 6. produto da criao ou execuo musical; 7. notao escrita de composio musical; partitura; 8.grupo de msicos pertencentes a uma unidade militar, filarmnica, desportiva, etc; 9. Sequncia de sons agradveis ao ouvido; 10. qualidade musical; musicalidade (). (Dicionrio Houaiss da Lngua Portuguesa, 2007: 5687). 26 Sonoridade s. f. 1. Som claro, harmonioso, suave, agradvel ao ouvido; 2. Som claro e ntido; 3. qualidade do trecho literrio que, pela escolha de vocbulos sonoros ou pela sua ordenao sintctica, torna a leitura agradvel ao ouvido; 4. propriedade que tm certos corpos de emitir sons intensos ou sons de frequncia regular; (); 8. uma das qualidades do som, som harmonioso, harmonia. (Dicionrio Houaiss da Lngua Portuguesa, 2007: 7460). Estas noes, materializadas em textos de diversas tipologias, foram trabalhadas em aula. A explorao da sonoridade, no sendo exclusiva do texto lrico, no entanto trabalhada em contexto pedaggico quase que exclusivamente com esse tipo de texto. A prosa potica tambm se caracteriza pela presena de valores estilsticos ligados ao som, ao ritmo, melodia da frase, pelo que importa no deix-la de parte. H poesia no texto em prosa quando o autor escolhe as palavras que evocam ou sugerem sentimentos, quando tira rendimento das sonoridades e ritmos ao nvel frsico ou ao nvel macrotextual. Por outro lado, h poemas que se aproximam bastante da prosa por no apresentarem rima e regularidade mtrica. A este propsito Carlos Reis refere que [o] convvio com textos onde o ritmo e a musicalidade sejam elementos marcantes constitui um factor determinante para suscitar um interesse inicial face poesia () numa fase em que a criana mantm ainda uma forte relao ldica e exploratria com a lngua. Poder-se- assim estimular o prazer de manipular os sons, o que permitir, por exemplo, conduzir o aluno criao dos seus prprios textos atravs de diferentes jogos poticos. (Reis, C. e Adrago, J. V., 1992: 177) Assim e para uma melhor contextualizao da presena e da pertinncia da musicalidade na lngua no texto literrio, fizemos uma breve incurso, numa perspetiva diacrnica, pelas vrias pocas literrias com vista a evidenciar essa dimenso. A histria conta que a musicalidade proporcionou grande contribuio s primeiras manifestaes orais do homem, uma vez que a musicalidade est em ns, seres humanos e na natureza, desde sempre. E, se prestarmos ateno ao mundo musical, confirmamos que, na maioria das vezes, os cantores se inspiram nos grandes poetas, trabalhando e adequando a musicalidade dos poemas. Na realidade, muitas das grandes 27 msicas decorrem de grandes poemas. Sem uma boa letra, um bom poema, dificilmente se far uma grande cano. Como escreveu Marco Viana in Livro Aberto Cada palavra um som Cada verso, um refro Cada melodia, um dom Cada lrica a voz do corao. A lngua tem vocbulos com sons e uma musicalidade prprios. Falar bem a lngua fazer sons e imitar essa musicalidade. Qualquer signo composto por significado e significante: por um lado a ideia geral, por outro os sons e as letras que, numa lngua, traduzem esse significado. Sabemos que a cada vocbulo corresponde um conceito ou um conjunto de conceitos prximos. Citando Gladstone de Melo, estilisticamente pode-se falar em adequao ou inadequao entre a massa sonora do vocbulo e o contedo significativo. (Melo, G. C. de, 1979: 79), o que nos leva a concluir que importante escolher vocbulos expressivos, cuja massa sonora sirva o efeito pretendido. A propsito da estreita relao da msica com a poesia, refere Aguiar e Silva A palavra grega mousik possui um significado muito amplo e complexo: designa toda a actividade espiritual inspirada e guiada pelas Musas, mas designa, em particular, a msica propriamente dita, a poesia e a dana. (Silva, V. M. de A e, 2008: 173) A mousik grega clssica possua um significado divergente do sentido de msica que se conhece atualmente, pois essa manifestao grega inclua msica, poesia e dana, artes que se diferenciam na contemporaneidade. Na Antiguidade, a poesia era cantada, normalmente por uma pessoa ou por um coro ao som de instrumentos musicais, designadamente a lira, a ctara e a flauta. (Silva, 2008: 173). Tambm a poesia medieval era voltada para o canto. Na poca trovadoresca, os trovadores compunham e entoavam, com a ajuda de instrumentos musicais, os seus poemas e, devido ao seu carter musical, os textos poticos eram chamados de cantigas. Cames, expoente mximo do renascimento em Portugal, tambm escreveu canes, onde a variedade do ritmo camoniano evidenciada, graas liberdade que estas formas concedem. Alis, um dos 28 processos mais subtis de que se serve Cames, a harmonia imitativa, isto , a utilizao da sonoridade das palavras. Durante o perodo barroco, uma vez mais, a poesia e a msica se encontram associadas. No perodo literrio seguinte, o Arcadismo, os poetas tambm produziram textos carregados de musicalidade. Desde a Antiguidade Clssica, que estas duas reas se encontram ligadas, mas s a partir do sculo XVIII, essa ligao se tornou uma rea reconhecida de estudo. As semelhanas entre poesia e msica foram exploradas pelos pr-romnticos e romnticos, em especial na filosofia e nos estudos literrios. Na sua obra Ensaio sobre a Origem das Lnguas (1781), o filsofo francs, Jean Jacques Rousseau, evidencia o canto como criador de toda a linguagem [a] cadncia e os sons nascem com as slabas: a paixo faz falar todos os rgos e confere voz todo o seu brilho; assim, os versos, os cantos, a palavra tm uma origem comum. (). Os primeiros discursos foram as primeiras canes: os retornos peridicos e compassados do ritmo, as inflexes melodiosas dos acentos fizeram nascer a lngua, a poesia e a msica, ou melhor tudo isso no era outra coisa seno a prpria lngua () (apud: Rousseau, J. J., 1781). Tambm o Romantismo contribuiu para uma maior unio entre poesia e msica. possvel verificar que os vocbulos: poesia, msica e cano esto intimamente relacionados, uma vez que muitas das caractersticas da poesia esto tambm presentes na msica e na cano, designadamente o som, o ritmo, e os sentidos. Pode, ento, inferir-se que a cano faz parte da msica, que esta faz parte da poesia e que a poesia, por sua vez, faz parte da cano. Assim, a declamao de um poema dever ser feita de forma expressiva, respeitando o ritmo da composio potica e a sua musicalidade. O cantor e o msico devem, tambm, respeitar o ritmo da cano, da melodia, pois a poesia e a msica so inseparveis: a sonoridade, o ritmo, a harmonia pura, a melodia esto sempre presentes. No h como no ver, entre poesia e msica uma intimidade que as irmana num passado remoto e que ecoa pela modernidade. (Fontes, 1999: 6). Tambm alguns textos em prosa so considerados prosa potica, dada a musicalidade, o ritmo e os processos imagticos que o autor imprimiu ao texto. A prosa potica apareceu no sculo XVIII, no Romantismo, encontrando um grande desenvolvimento a partir do Simbolismo. 29 Na segunda metade do sculo XIX, o poeta Mallarm, ao explorar a musicalidade nos seus poemas, instituiu, assim, uma nova conceo de poesia. Mallarm conhecido como um escritor cuja prosa e poesia primam pela musicalidade. Na poca Simbolista, o dilogo entre essas duas artes foi tambm bastante valorizado. A esttica simbolista desejava destacar os recursos fnicos da linguagem verbal, que, na verdade, sempre fizeram parte da poesia. A partir dos movimentos de vanguarda, em particular o Futurismo italiano e russo, na Europa do sculo XX, a associao entre poesia e msica tornou-se mais bvia. Os futuristas italianos consideraram necessria a utilizao de uma nova linguagem potica capaz de expressar a nova realidade. O poeta italiano Marinetti, por exemplo, recorria no s a uma rutura com o passado e com a tradio, mas tambm enaltecia um novo estilo de vida, de acordo com o dinamismo dos tempos modernos. No plano literrio, a escrita e a arte so vistas como meios expressivos na representao da velocidade, da violncia, que exprimem o dinamismo da vida moderna, em oposio a formas tradicionais de expresso. Rompe-se com a tradio aristotlica no campo da literatura, que j estava enraizada na cultura ocidental. O futurismo contesta o sentimentalismo e enaltece o homem de ao. Destaca-se a inovao, que Marinetti procura pelo elogio ao progresso, mquina, ao motor, a tudo o que representa o moderno e o imprevisto. O futurismo influenciou a pintura, a msica e outras artes como o cinema e difunde-se em vrios outros pases, para alm da Itlia e da Frana, incluindo Portugal. De facto, o futurismo inovou na poesia e na prosa ao caracterizar a arte de forma geomtrica e abstrata. Pretendiam criar uma nova linguagem potica, liberta de todo o tipo de restries e que fosse distinta das formas tradicionais de arte. lvaro de Campos canta na Ode Triunfal a sociedade moderna, das sensaes, do bulcio, do dinamismo da mquina. Em lvaro de Campos, a mquina est ao servio de uma outra metaforizao mais essencial, a da sua pulso ertica, que atravs das mltiplas figuras do imaginrio mecnico encontra maneira de exprimir () o seu delrio frio mas real. (Loureno, E., 1973: 97) A este propsito refere David Mouro Ferreira Com a publicao da Ode Triunfal, era porventura a primeira vez que se imprimia, entre ns, semelhante tipo de versos, inteiramente libertos de estrutura meldica (pois j no se tratava do verso livre, de origem simbolista, ainda baseado em elementos musicais) e em que, por outro 30 lado, sob visvel influncia do poeta americano Walt Whitman (), se cantavam, pela primeira vez, os aspectos at a considerados menos poticos da civilizao moderna - as mquinas, os motores, as fbricas, as cidades tentaculares (), os cartazes, os anncios luminosos, as sombras e as luzes da Europa, at os progressos de armamentos gloriosamente mortferos ( Couraas, canhes, metralhadoras, submarinos, aeroplanos!) -, as mais variadas formas, enfim, e os mais variados produtos da nossa civilizao industrial. (Mouro-Ferreira, D., 1981) 1.2. A importncia da Musicalidade no Ensino de Portugus Minha alma uma orquestra oculta; no sei que instrumentos tange e range cordas e harpas, timbales e tambores, dentro de mim. S me conheo como sinfonia. (Soares, B., 1982). So muitos os autores que apreciam e valorizam a musicalidade do texto, reconhecendo que a harmonia sonora est presente e tem a finalidade de sublinhar a compreenso do sentido. O ritmo, a rima, os recursos estilsticos, esto presentes na composio potica com o objetivo de lhe atribuir musicalidade. O ritmo um dos fatores que mais confere musicalidade, a propsito do texto (Aguiar e Silva, 2008: 1758). Segundo Gladstone de Melo [a] utilizao estilstica do material sonoro faz-se a todos os momentos e de todas as maneiras, no s procurando o autor uma combinao agradvel, suave, harmoniosa, mas tambm chocante, desafinada, com predomnio de elementos amusicais, consoantes duras, atropelos, desconcertos. Tudo depende da adequao da escolha aos objetivos em vista. (Melo, G. de., 1979: 61) A poesia, com seus versos e musicalidade, desperta emoes e sentimentos no leitor, levando-o a penetrar intensamente no universo do poema. Para tal, fundamental que o leitor seja capaz de interpretar a mensagem prpria da criao potica e que, progressivamente, seja capaz de ultrapassar os obstculos de ordem cognitiva, sendo obrigatrio o reconhecimento e posterior compreenso dos cdigos do texto potico. 31 O leitor, ao declamar, necessita de instrumentos que o ajudem a criar ritmo, e a a rima tem um papel importante pois orienta a cadncia com que deve ler. A velocidade da elocuo tambm bastante importante, uma vez que, sendo um texto longo, bem executado, apresentar certamente vrias mudanas de velocidade, como pode verificar-se num dos textos estudados, a Ode Triunfal, onde [os] processos retricos dominantes na poesia de Campos, os longos perodos vo respirando medida que avanam, apoiando-se no ritmo binrio ou ternrio dos versos, nas construes anafricas paralelas, na velocidade adquirida de um irresistvel mpeto oratrio. (Coelho, J. do. P., 1982: 126). Refira-se a este propsito, a afirmao de Aguiar e Silva que considera que [n]o texto literrio, os sons, na sua materialidade, com o seu timbre, a sua intensidade, a sua harmonia, as suas combinaes e repeties, originam fenmenos que podem ser apropriadamente caracterizados como sendo fenmenos de fono-estesia e que se assemelham muito a fenmenos musicais. (Aguiar e Silva, 2008: 175) Em Campos, cantam-se as mquinas, os motores, a velocidade, a civilizao mecnica e industrial, o comrcio, os escndalos e corrupes da contemporaneidade em sintonia com o futurismo. A linguagem do poema acelera-se e enriquece-se no mesmo andamento delirante. Gunther Georges prope a seguinte abordagem [a] fim de que todos os sentidos se sintam constantemente solicitados e saciados, o poeta descreve os movimentos, os rudos do seu mundo plstico e variadamente to atractivos quanto possvel. Nenhum meio estilstico lhe to agressivo que a ele no recorra, nenhuma associao de ideias demasiado ousada. A ltima moda, expresses de snobismo da poca (Ah, como eu desejaria ser o souteneur disto tudo!), verso que particularmente agradou a S Carneiro, tudo isso tem o seu lugar neste mundo. No existem limites em parte alguma: onomatopeias (r-r.r, z-z-z), exclamaes como rodas, h-la-h la foule!, palavras estrangeiras, repeties, comparaes, superlativos, etc, fluem da pena do poeta. () (Guntert, G., 1982) 32 O movimento aumentou e a perceo da matria deixou de ser una, cartesiana, passando a ser sentida na sua desintegrao. Uma vez estimulado pelo ritmo, o Eu que sofre tem apenas um desejo: continuar a vibrar, sentir mais, experimentar tudo. O verbo fica em consequncia no condicional ou no imperativo como forma de desejo. (Guntert, G., 1982). 1.2.1. Apresentao e anlise das atividades realizadas na disciplina de Portugus em sala de aula Comecemos pela disciplina de Portugus. As atividades foram idealizadas e operacionalizadas de acordo com a planificao curricular do 12 ano de escolaridade e obedeceram s planificaes anuais, sendo que os contedos a lecionar, no ensino profissional, so organizados em mdulos, onde distribudo o tempo letivo e as atividades a desenvolver em cada mdulo. Preparar uma aula muito importante e o professor deve estar seguro e consciente dos interesses dos seus alunos, devendo criar um ambiente propcio e favorvel para o ensino/aprendizagem, almejando motiv-los para a leitura em geral e pelos textos literrios em particular. Atualmente, e como estratgias de ensino/aprendizagem, o professor tem sua disposio toda uma panplia de recursos que dever adequar aos alunos e aos objetivos pretendidos, pois s assim conseguir uma aula onde a participao, a motivao, aliadas exigncia, possam coexistir de forma equilibrada e eficaz. Todas as atividades foram operacionalizadas de acordo com a planificao curricular e obedeceram s planificaes anuais. Caracterizao da disciplina A disciplina de Portugus integra-se, no mbito dos cursos profissionais, na componente sociocultural e visa a aquisio de um corpo de conhecimentos e desenvolvimento progressivo de competncias que capacitem os alunos para a reflexo e uso da lngua materna. De acordo com o programa da disciplina de Portugus, a aula deve desenvolver mecanismos cognitivos essenciais ao conhecimento explcito da Lngua bem como incentivar uma comunicao oral e escrita eficaz, preparando a insero plena do aluno na vida social e profissional, promovendo a educao para a cidadania, contribuindo para 33 a formao de um bom utilizador da lngua, habilitando-o a ser um comunicador com sucesso e um conhecedor do seu modo de funcionamento. No final do curso, o aluno dever ser capaz de interagir oralmente e por escrito de forma adequada, nas situaes de comunicao fundamentais para uma integrao plena na sociedade, nomeadamente na resoluo de questes quotidianas. Saber ouvir e compreender e saber expressar as suas opinies, receios, vontade e sentimentos, vital para assegurar uma boa participao na sociedade em que estamos inseridos. A aula de Portugus deve ser um espao de transversalidade cultural e lingustica, na sua condio de suporte estruturalmente integrado nos outros saberes. Exige, pois, um investimento significativo na promoo de situaes de aprendizagem que desenvolvam os conhecimentos e as aptides lingusticas dos alunos. A aula de lngua materna deve ser orientada para a conscincia e fruio integral da lngua.7 Assim, e no decorrer da nossa prtica pedaggica, tentmos sempre procurar estratgias que fossem ao encontro dos objetivos definidos no programa da disciplina. As componentes de compreenso oral, expresso oral, expresso escrita, leitura e funcionamento da lngua, competncias nucleares da disciplina, foram trabalhadas, perspetivando sempre o exerccio do pensamento reflexivo dada a sua importncia no desenvolvimento de valores, capacidades e competncias decorrentes do processo de ensino-aprendizagem. As vrias competncias foram desenvolvidas e explicitadas a partir dos textos previstos, com o objetivo de consciencializar os alunos para a lngua e, consequentemente, para a cultura de que so portadores e que constitui, para eles como para cada um, o instrumento fundamental para a interao com o mundo. A promoo de valores e atitudes conducentes ao exerccio de uma cidadania responsvel num mundo em constante mutao foi tambm uma preocupao. importante fazer com que o jovem aluno se aceite como , contribuindo para a sua personalidade sem deixar de aceitar e respeitar os outros, sem deixar de conhecer e cumprir os seus deveres; no fundo, pretende-se que o jovem aluno saiba viver consigo e com os outros. Tendo por base as grandes linhas orientadoras do Programa de Portugus do Ensino Profissional, mas querendo simultaneamente aferir a relevncia e a eficcia do 7 Conforme Programa de Portugus 2004/2005: 2. 34 recurso explorao da musicalidade, neste contexto, as atividades que a seguir se apresentam pressupem o ensino atravs da musicalidade nas aulas de Portugus, L.M. Foram por conseguinte pensadas vrias estratgias, recorrendo a diferentes recursos didticos, para guiar os alunos nessa descoberta, de um especial uso da lngua no texto literrio. O grande objetivo era levar os alunos descoberta do texto e da sua interioridade; podendo ser capazes de mergulhar nele e de apreenderem e compreenderem o seu contedo, ouvindo as vrias vozes a presentes, transportando-as para o exterior, e assim identificando recursos sonoros e estilsticos, que possibilitassem a descoberta da musicalidade do texto, tornando esta atividade interessante e motivadora: partir descoberta do primado da melodia nos diversos textos abordados, identificando os vrios recursos a presentes e que lhes conferem melodia. Uma das aulas foi sobre a Ode Triunfal do heternimo lvaro de Campos, uma boa escolha, que serviu os meus objetivos, uma vez que o conceito que os alunos tinham de poesia era o da esttica aristotlica da arte, ou seja, entendiam que o texto potico observa regras e convenes e cdigos rgidos. Ora nada disso ocorre com a arte moderna, em que, e no caso de Campos, estamos perante uma ideia esttica em que assume um papel fundamental a noo de fora, a torrencialidade verbal, o grito esfuziante, o caos expressivo, materializando o magma da lngua. Campos sentindo a complexidade e a dinmica da vida moderna, procura sentir a violncia e a fora de todas as sensaes ("sentir tudo de todas as maneiras"). A irregularidade mtrica e estrfica, tpicas da poesia modernista, afastam, desde logo, o poema da lrica tradicional portuguesa. O ritmo irregular traduz a irreverncia e o nervosismo do prprio poeta. A nvel estilstico, sobressaem as metforas, comparaes, imagens, apstrofes, anforas (entre outros), a fim de evidenciar o sensacionismo de Campos. De realar as interjeies que expressam os sentimentos do sujeito lrico que pretende e consegue partilhar connosco, leitores, as suas emoes. O poeta cria na sua poesia ritmos e sons, tornando-se a musicalidade um trao evidente na sua poesia dotada de uma cadncia meldica que confere movimento ao texto. A abordagem do texto lrico, em contexto pedaggico, exige procedimentos e estratgias prticas que levem os alunos compreenso da mensagem e s inferncias de contedo e do sentido das opes formais. 35 Atividade 1 Disciplina: Portugus Ano de escolaridade: 12 Ano Ttulo: Ode Triunfal, de lvaro de Campos Mdulo: Textos Lricos: Poemas de Fernando Pessoa Ortnimo e os Heternimos Objetivos Contactar com os autores do patrimnio cultural nacional e universal; Analisar passagens do poema Ode triunfal e referir as caractersticas estilsticas da poesia deste heternimo; Apreender o sentido do texto, sentimentos, musicalidade, ritmo, sonoridades; Produo escrita. Material Documento udio com excertos da Ode Triunfal; Documento escrito com excertos da Ode Triunfal (Anexo 2); PowerPoint com a sntese sobre a poesia de lvaro de Campos (Anexo 3); Manual: Percursos Profissionais- Portugus 3 (Catarino, A.; Fonseca, C.; Peixoto, M.J..2013). Descrio/Metodologia A aula iniciou-se com a audio de excertos do poema, a partir do CD udio que integra o manual, Percursos Profissionais, com o objetivo de sensibilizar os alunos para a novidade desta poesia, na fase futurista/ sensacionista de lvaro de Campos, que celebra o triunfo da mquina, da energia mecnica e da civilizao moderna, constatado na terminologia desse mundo mecnico, citadino e cosmopolita. Aps esta primeira abordagem, procedeu-se execuo da leitura feita pela professora, que imprimiu velocidade elocuo, com o objetivo de obrigar o interlocutor a fixar a ateno para descodificar a emoo intensa, a vertigem, o estilo torrencial, esfuziante, exclamativo, que trespassa todo o poema. A leitura em voz alta possibilitou verificar a musicalidade 36 que as palavras evocam, servindo a repetio das letras, das palavras, e dos sons, essa intencionalidade. Com franca facilidade, os alunos identificaram aspetos da modernidade na Ode Triunfal, como a sociedade industrial, o bulcio urbano, destacando-se a dinmica da mquina, pela sua fora e rudo. Tambm as sensaes e recursos que serviram a inteno do sujeito lrico de sentir tudo de todas as maneiras foi um aspeto considerado na anlise textual, bastante pertinente para a compreenso e o estudo da poesia de lvaro de Campos. Foram identificadas as sensaes auditivas, que traduzem o rudo forte das mquinas, associadas ao uso do gerndio que d a ideia de continuidade, e que mostram o trabalho contnuo das mquinas. Rugindo, rangendo, ciciando, estrugindo, ferreando. Estas formas verbais acentuam o barulho provocado pelas mquinas, complementado pela aliterao em r, que intensifica o carter agressivo dos motores. Todo este sensacionismo pde ser comprovado pelos alunos em versos como: Fazendo-me um excesso de carcias ao corpo numa s carcia alma. A sensao ttil sugere a suavidade de uma carcia, o sentir tudo de todas as maneiras: o sentir fisicamente para aliviar a dor interior. A confirmao de todo o sensacionismo surge sintetizado no verso Ah, como eu desejaria ser o souteneur disto tudo!. Refira-se que o facto de ter optado por um documento udio, como recurso didtico, possibilitou-me evidenciar de que forma se vivencia a musicalidade. Um dos objetivos pretendidos, com o estudo desta Ode, em que o poeta canta a beleza da civilizao moderna foi levar os alunos a contactarem com alguns dos contedos programticos da disciplina do Portugus, designadamente a vanguarda e o sensacionismo, uma vez que este um dos poemas onde estas caractersticas mais se evidenciam. Depois da interpretao do texto e a fim de sistematizar os temas e traos estilsticos do poema, recorri a um conjunto de slides que apresentei em PowerPoint (Anexo 3). Para inserir os alunos nesta atmosfera da fbrica, dos maquinismos em fria, achei interessante colocar o rudo das mquinas como pano de fundo dos vrios slides, associado aos cromatismos do primeiro e segundo slides, onde o preto e o cinzento imperam e que representam os motores, os leos da fbrica, estratgia que foi do agrado dos alunos. A utilizao estilstica do material sonoro faz-se a todo o momento procurando o poeta uma combinao chocante, desafinada, com predomnio de elementos amusicais, consoantes duras, atropelos, desconcertos. A aliterao, a onomatopeia e as palavras onomatopaicas surgem constantemente no poema, tendo levado os alunos a inferir da importncia do vocbulo como massa sonora. O objetivo era levar os discentes 37 a interagir com o universo da poesia, das sensaes, das emoes, do ritmo, das sonoridades, ideias e imagens prprias do discurso potico. Este excesso de sensaes foi constatado atravs das interjeies, personificaes, adjetivao, estrangeirismos, onomatopeias, versos longos e curtos e o ritmo alucinante, aspetos formais do futurismo presentes no poema. Identificmos as apstrofes e as aliteraes, rodas, engrenagens, -r,-r,-r,-r,-r,-r,-r, eterno, a aliterao a realar a raiva, o movimento, a fora. O ritmo alucinante retomado atravs das apstrofes sucessivas, das interjeies e das repeties anafricas: Eh-l grandes desastres de comboios! Eh l desabamentos de galerias de minas,/ Eh-l naufrgios deliciosos dos grandes transatlnticos! Eh-l-h revolues aqui, ali, acol,. A ideia de energia expressa atravs das grandes lmpadas eltricas da fbrica e a ideia de movimento tambm motivo de realce atravs das rodas, dos mbolos, etc. A leitura analtica e crtica de alguns excertos da Ode Triunfal conduziu a uma produo escrita que foi, seguramente, facilitada pela leitura realizada. Esta anlise crtica transmitiu conhecimentos slidos aos alunos para desenvolver, por escrito, um exerccio de expresso escrita relacionada com o poema abordado em aula. Comentrio A produo textual dos alunos consistiu em escrever um texto, uma ode ao computador, ao telemvel, mquina, smbolos de um mundo tecnologicamente avanado. Nessa Ode, os alunos deveriam cantar esse mundo tecnolgico, ao estilo de lvaro de Campos, usando os vrios recursos de modo a deixar transparecer toda a musicalidade do poema. Esta atividade que encerrou o estudo da Ode Triunfal tambm correspondeu s minhas expectativas, pois alguns alunos conseguiram captar o tom do poema, projetando-o nos seus textos. Com efeito, nos textos dos alunos pode verificar-se o uso de uma elocuo dinmica, de vocabulrio prosaico, e de recursos expressivos como a aliterao, a apstrofe, a interjeio, entre outros. (Anexo 4). O aluno A conseguiu interiorizar as emoes do sujeito lrico, o estilo torrencial e reproduzi-los no seu texto. Um texto algo nico e exclusivo de quem o escreve, imagina e constri. O seu poema um quadro cheio de sons musicais que nos convida a viajar pela modernidade numa fantasia embalada pela musicalidade. O ritmo e as sonoridades que se evidenciam conferem dinamismo ao texto. O recurso s apstrofes, s interjeies, 38 s onomatopeias, dotam o poema de grande musicalidade. Nota-se um efeito de harmonia entre ideias e sentimentos, sinal de que o aluno conseguiu com a sua criatividade transmitir um imaginrio ao jeito de lvaro de Campos, tendo por base a sua Ode Triunfal. 39 O aluno B, embora tenha construdo um texto mais breve, tambm conseguiu transmitir alguma emoo, quando fala da caixa da tecnologia e da sua beleza. interessante verificar como o aluno apreendeu a ideia da fuso do sujeito com a dinmica da mquina: Ser parte de ti. Atividade 2 Disciplina: Portugus Ano de Escolaridade: 12 Ttulo: O Mostrengo, in Mensagem de Fernando Pessoa Mdulo 10: Textos picos e pico-lricos. Objetivos Reconhecer a estrutura tripartida da Mensagem; Aferir das caractersticas da poesia pico-lrica; Exercitar a leitura dramatizada do texto; Referenciar de que forma se vivencia a musicalidade no texto (ritmo, rima, sonoridades, variedade de vocabulrio). Material Documento udio; Documento escrito com o poema O Mostrengo e as linhas de leitura (Anexo 7); 40 Guio de apoio leitura: compreenso e interpretao (Anexo 8); PowerPoint com um registo musical do poema, da autoria do grupo Azeituna; Manual: Percursos Profissionais- Portugus 3 (Catarino, A.; Fonseca, C.; Peixoto, M.J.. 2013). Descrio/Metodologia Esta aula foi realizada a propsito do tema do meu relatrio e incidiu sobre o desenvolvimento da compreenso e a expresso oral. Segundo o Programa de Portugus Relativamente compreenso, e considerando que esta competncia coloca o sujeito em relao dialgica com os enunciados (), cabe ao professor criar estratgias que orientem o aluno na utilizao de diferentes modelos de compreenso, de modo a trein-lo na mobilizao de conhecimentos prvios necessrios aquisio das novas informaes, bem como na interao da informao do texto com os seus conhecimentos sobre o tpico e no estabelecimento simultneo dos objetivos de escuta. (Programa de Portugus, 2004-2005: 12) A aula iniciou-se com um breve dilogo professora e os alunos com o objetivo de contextualizar o texto a estudar O Mostrengo, um dos poemas da segunda parte da Mensagem Mar Portugus- uma obra com poesias inspirada na nsia do Desconhecido e no esforo heroico da luta contra o Mar. Para que os alunos atingissem os objetivos pretendidos comeou-se pela leitura dramatizada do texto, um dilogo a trs vozes: o sujeito da enunciao, o Mostrengo, e o homem do leme. Houve tambm a preocupao de apresentar um registo udio, com sons que revelavam um mar agitado, um mar fechado e sem fim no sentido da profundidade, indiciando mistrio, para uma maior e melhor verosimilhana com a atmosfera criada para a apario do Mostrengo. (Anexo 7). A leitura intensa e o ritmo forte e vibrante permitiram aos alunos concluir do dramatismo presente no confronto entre estas duas personagens. Na leitura dos alunos foi deveras expressiva a emotividade do mostrengo e do marinheiro. 41 Refira-se, como facto notvel, o contraste entre o tom ameaador das quatro perguntas do mostrengo e as respostas tmidas e breves do marinheiro portugus nas duas primeiras estrofes. O mostrengo que est no fim do mar Na noite de breu ergueu-se a voar; A roda da nau voou trs vezes, Voou trs vezes a chiar, E disse: Quem que ousou entrar Nas minhas cavernas que no desvendo, Meus tectos negros do fim do mundo? E o homem do leme disse, tremendo: El-Rei D. Joo Segundo! De quem so as velas onde me roo? De quem as quilhas que vejo e ouo? Disse o mostrengo, e rodou trs vezes, Trs vezes rodou imundo e grosso. Quem vem poder o que s eu posso, Que moro onde nunca ningum me visse E escorro os medos do mar sem fundo? E o homem do leme tremeu, e disse: El-Rei D. Joo Segundo! Trs vezes do leme as mos ergueu, Trs vezes ao leme as reprendeu, E disse no fim de tremer trs vezes: Aqui ao leme sou mais do que eu: Sou um povo que quer o mar que teu; E mais que o mostrengo, que me a alma teme E roda nas trevas do fim do mundo, Manda a vontade, que me ata ao leme, De El-Rei D. Joo Segundo! 42 Estes sinais de pontuao so importantes porque indicam a entoao que o autor quis dar ao texto, mas tambm conferem ritmo e melodia a uma frase atravs da voz. Na ltima estrofe, os alunos facilmente perceberam a atitude do homem do leme que mobiliza todas as suas energias e d uma resposta longa e conclusiva, impondo a sua vontade, que a vontade de um povo, arrogncia inconsciente do monstro. A repetio do ltimo verso de cada estrofe foi a estratgia escolhida para enfatizar a mensagem de que o homem do leme est ali para obedecer vontade de el-rei, depois de ganhar fora e coragem para enfrentar o mostrengo. A anlise do poema, feita a partir das linhas de leitura, realada pelo recurso dramatizao, ajudou os alunos a captar as ideias fundamentais e a intencionalidade textual. De seguida, o guio de leitura veio facilitar a compreenso e a interpretao do texto no respeitante forma e ao contedo. Esta proposta de atividade promoveu a interao aluno/ professor/aluno, articulando os contedos e ideias de acordo com a intencionalidade comunicativa, perspetivando o domnio da oralidade, uma competncia transversal que deve permitir ao aluno a sua afirmao pessoal e a sua integrao numa comunidade, ora como locutor eficaz, ora como ouvinte crtico, ora como interlocutor, em suma, como cidado. Uma das questes do guio de leitura (Anexo 8) era a seguinte: 7- Faa o levantamento dos recursos potico-estilsticos, a nvel fnico, morfossinttico e semntico. Os alunos, solicitados pela professora, conseguiram identificar vrios recursos potico-estilsticos: Nvel fnico 3 Estrofes de 9 versos, finalizadas por um refro. Irregularidade mtrica o Mtrica: Versos decasslabos; Versos octosslabos; Versos eneasslabos; Versos hexasslabos no refro. 43 o Rimtica: Esquema rimtico: aabaacdcd; Rima emparelhada e cruzada, sendo cada terceiro verso das trs estrofes um verso branco. Ritmo livre, adaptado emoo patente no poema. Refro: predominam os sons nasais e fechados (o, un), conferindo ao discurso um tom srio, dramtico e pesado. Por outro lado, nele ressoa a fora, a vontade frrea inerentes figura do rei D. Joo II, e acentua a lealdade inabalvel do marinheiro vontade do rei. Harmonia imitativa onomatopaica produzida pela repetio dos sons /v/, /s/, /ch/, /r/, /z/ (aliteraes), que sugerem o rudo do voo do mostrengo. o Aliterao em / m/ no verso: Que moro onde nunca ningum me visse. Nvel morfossinttico Abundncia de formas verbais que sugerem movimentos incontrolveis, violentos, de terror e que emprestam ao poema grande dinamismo. Os tempos verbais predominantes so o pretrito perfeito, predominante na parte narrativa, e o presente do indicativo, usado quase exclusivamente no dilogo entre o mostrengo e o homem do leme, contribuindo para a grande fora e vivacidade da mensagem que se pretende transmitir, para o seu valor universal e para o tom pico que culmina na ltima fala do marinheiro. Juntamente com as formas verbais, a abundncia de nomes traduz a sucesso incontrolvel e dramtica dos acontecimentos. Os adjetivos so quase inexistentes: negros, imundo e grosso que traduzem a noo de mistrio e terror. Tipos de frase: o Frase declarativa: narrao e parte do discurso do homem do leme; o Frase interrogativa: discurso do mostrengo; o Frase exclamativa: discurso do marinheiro. Funes da linguagem: emotiva, ftica, apelativa. Inverso, assumindo a violncia do hiprbato: o trs vezes rodou imundo e grosso; o trs vezes do leme as mos ergueu; 44 o E mais que o mostrengo que me a alma teme / E roda nas trevas do fim do mundo, / Manda a vontade, que me ata ao leme, / De El- Rei D. Joo Segundo II. Anfora: o de quem ()/ De quemvv10-11; o Trs vezes ()/ Trs vezes() / Trs vezes() vv 13, 19 e 20. Nvel semntico Metforas/ Imagens: o nas minhas cavernas que no desvendo; o meus tectos negros do fim do mundo: as metforas sugerem o mistrio impenetrvel de um local desconhecido e medonho; o E escorro os medos a ideia de terror; o a vontade que me ata ao leme- expressa a misso do marinheiro, ligada fatalmente vontade do seu rei e do seu povo. Exclamaes e interrogaes: traduzem a emotividade, quer do Mostrengo, quer do marinheiro. A personificao de um ser desconhecido, o mostrengo voador, que chia, v, ouve, e fala ameaadora e aterradoramente, e que corporiza todos os perigos da navegao em mares desconhecidos. A reiterao do nmero 3. Linguagem visualista para sugerir o ambiente de terror e mistrio, fazendo-se apelo s sensaes visuais e auditivas. A aula terminou com a verso musicada do poema pelo grupo Azeituna. A disposio grfica e a msica, numa simbiose perfeita, vieram complementar e reforar os aspetos estudados relativos musicalidade do texto. Uma atividade muito do agrado dos alunos. Comentrio A anlise do poema O Mostrengo possibilitou captar as ideias essenciais e o propsito do texto. Conseguiu-se fomentar o dilogo aluno/ professor de forma responsvel e organizada atravs de uma pertinente questionao, demonstrando um bom 45 domnio cientfico e boa articulao com outros conhecimentos, perspetivando o envolvimento do aluno nesses conhecimentos. Saliento uma das questes do guio de leitura que exigia o levantamento dos aspetos fnicos, morfossintticos e semnticos do poema que foi correta e acertadamente respondida por alguns alunos. De facto, os alunos conseguiram, depois de sensibilizados, atravs da leitura dialogada, identificar as onomatopeias produzidas pela repetio de vrios sons, as aliteraes, as anforas, as metforas, o hiprbato, entre outros. Trabalhou-se o poema, realando os aspetos sonoros e atendendo-se sempre forma e ao contedo. Deu-se especial enfoque grande irregularidade mtrica e rimtica, outro aspeto fundamental da musicalidade e do ritmo deste poema; com efeito, ao lado de alguns versos decassilbicos, h os octossilbicos, os eneassilbicos, sendo o verso no refro hexassilbico. Tambm a rima apresenta irregularidades, havendo versos emparelhados e cruzados e ainda a peculiaridade de, em cada estrofe, o terceiro verso no rimar com nenhum outro. A propsito do refro El-rei D. Joo Segundo, os alunos conseguiram perceber a ressonncia conseguida, sobretudo, pela utilizao de sons nasais (o e un). Salientou-se ainda a ocorrncia de outros sons nasais (em, por exemplo) e fechados ( e ) que lhe conferem a profundidade e amplitude que se adivinham no final da leitura. Foi ainda referida a frequncia de sons sibilantes (s, ch, z) que sugerem o rudo do voo do Mostrengo. A utilizao destes sons nasais e fechados deixam uma sensao de gravidade e de pressgio, acrescida pelo discurso agressivo dos interlocutores, pelas formas verbais sugestivas de movimento, pelas sensaes visuais e auditivas, pelos movimentos circulares, cercadores e ameaadores, e pela localizao espcio-temporal. Os alunos, assim sensibilizados para a complexa musicalidade do texto pareceram ter compreendido melhor a mensagem do poema. A nvel morfossinttico foi assinalado o grande nmero de verbos sugestivos de movimento, a grande quantidade de substantivos e a fraca incidncia de adjetivos; os trs tipos de frases, o hiprbato, a metfora, a anfora, etc. A intensa musicalidade do poema foi apreendida, desde logo, pela repetio do refro, mas tambm pela cadncia da leitura, pela musicalidade latente nas palavras, pelo ritmo do verso e pelo tom geral da composio. Atividade 3 Disciplina: Portugus 46 Ano de Escolaridade: 12 Ttulo: Memorial do Convento Mdulo 10: Textos Narrativos e Descritivos II Objetivos Contextualizar o excerto nas linhas de ao da obra em estudo; Categorizar no texto narrativo/descritivo, a voz do narrador, a pluralidade de estatuto e inteno interventiva; Exercitar a leitura vocalizada do texto; Referenciar as caractersticas peculiares da escrita saramaguiana. Material Documento udio; Documento escrito com o excerto A construo do convento - a tirania e a opresso (Anexo 11); PowerPoint com o registo das caractersticas da linguagem e do estilo de Saramago (Anexo 12); Ficha de apoio leitura (Anexo 13); Manual: Percursos Profissionais- Portugus 3 (Catarino, A.; Fonseca, C.; Peixoto, M.J..2013). Descrio/Metodologia Esta aula iniciou-se com um breve dilogo com os alunos a fim de se contextualizar o excerto em estudo e a sua incluso nas linhas de ao do Memorial do Convento. A ao central do romance prende-se com a construo do convento de Mafra, no reinado de D. Joo V, o querer megalmano de um rei. No entanto, a este acontecimento associam-se outras linhas diegticas que estruturam o romance e que esto sucintamente apresentadas no texto da contracapa do romance: Era uma vez um rei que fez a promessa de levantar um convento em Mafra. Era uma vez a gente que construiu esse convento. Era uma vez um soldado maneta e uma mulher que tinha poderes. Era uma vez um padre que queria voar e morreu doido. 47 Aps a contextualizao foi distribudo aos alunos o excerto, para acompanharam a audio do texto. O episdio de A construo do convento - a tirania e a opresso insere-se na sequncia XVII, no momento em que Baltasar e Blimunda regressam a Mafra, aps o voo e a queda da passarola. Depois da audio, foi feita a leitura vocalizada pelos alunos, e passou-se explorao do texto. A anlise textual permitiu que os alunos pudessem constatar a dureza do trabalho levado a cabo pelos trabalhadores na construo do convento, bem como as pssimas condies em que viviam. A realizao, em trabalho de pares, de uma ficha de interpretao do texto apoiou os alunos na compreenso da mensagem e das caractersticas peculiares da escrita de Saramago. O PowerPoint apresentado ajudou os alunos a completar o exerccio sobre as marcas peculiares da linguagem e do estilo do autor. Tambm as atividades de funcionamento da lngua, neste caso, o discurso direto, foram realizadas pontuando os alunos o texto de forma convencional os excertos, aproveitando-se para rever a pontuao e suas regras. Comentrio Verificou-se haver da parte dos alunos descontrao e um grande vontade durante toda a aula, solicitando a ateno da professora e colocando questes pertinentes no que concerne a obra em anlise. Os alunos mostraram-se muito participativos e colaborantes no decorrer da aula, o que se traduziu numa aula bastante interativa e dinmica. Tambm na atividade de pares revelaram motivao, participao e criatividade. Atravs da audio do excerto, que pe justamente em realce o ritmo, a cadncia e a alternncia das diferentes vozes, pretendeu-se levar os alunos identificao das vrias vozes presentes no texto, a partir do tom de voz e da entoao. Alguns conseguiram perceber que havia dilogo, no por terem reconhecido a pontuao convencional que o caracteriza, mas pela vocalizao, pela sonorizao na leitura, pela musicalidade revelada no excerto. Os alunos puderam constatar que, na obra de Saramago, ocorre a anulao do processo cannico de pontuao e descobriram que os enunciadores do discurso so dados pela letra maiscula inicial: Como que te chamas, Baltasar Mateus, de alcunha o Sete- Sis, Podes vir trabalhar na segunda-feira, comeas para a semana, vais para os carros de mo. [] (Percursos Profissionais, 2013: 230). Em Memorial do Convento, os alunos 48 reconheceram tambm que a linguagem do escritor se aproxima da oralidade. Referindo-se dimenso oral da sua escrita, Carlos Reis refere que Saramago usa pontuao, mas reinventa-a de acordo com um outro ritmo prosdico, que o da oralidade de quem fala a lngua (Dilogos com Jos Saramago, 2015: 106) o prprio Saramago que explica tal dimenso nos seguintes termos: como voc sabe, quando falamos, no usamos sinais de pontuao. Temos pausas [de respirao] e at, como eu digo nos meus livros, os dois nicos sinais de pontuao, o ponto e a vrgula, no so sinais de pontuao, so uma pausa, uma pausa breve e uma pausa longa. No fundo, como tambm digo muitas vezes, "falar fazer msica (Dilogos com Jos Saramago, 2015: 107) Com base no anteriormente exposto, os alunos responderam a algumas questes. Transcrevo a resposta a uma das questes que me parece esclarecedora quanto forma como os alunos veem a escrita de Saramago e como reconhecem a musicalidade no texto. (Anexo 13) O aluno A O aluno B 49 O aluno C 2. O uso da msica no ensino Pode constatar-se, pela prtica e observao, que os professores de lngua estrangeira foram fazendo uso da msica como instrumento pedaggico, crendo que, com a utilizao desta ferramenta, a aula se torna mais agradvel, animada, e participativa para o aluno. A msica considerada como um mediador que proporciona resultados satisfatrios por envolver o aluno no processo de ensino-aprendizagem. No entanto, e embora seja um recurso interessante a usar nas aulas, a verdade que o professor dever estar atento a outros documentos existentes para o ensino de uma LE. Neste mbito, o Quadro Europeu Comum de Referncia para as Lnguas aconselha, no respeitante ao ensino de LE, o uso de materiais originais, como a cano: os usos artsticos e criativos da lngua so to importantes por si mesmo como do ponto de vista educativo (QECRL, 2001: 88). Segundo Vygotsky (1984: 33), a mediao est relacionada com o uso de instrumentos entendidos como qualquer coisa usada para ajudar a resolver um problema ou atingir uma meta. Cabe ao professor saber motivar os seus alunos, fazendo uso de atividades interessantes, motivadoras, estimulantes, com vista a criar e a reforar uma ideia positiva do ensino/aprendizagem da LE, visto que este tipo de experincias pode deixar marcas indelveis no aprendente. Mas, a meu ver, esta motivao do aluno s ser profcua se o professor conseguir transmitir a sua prpria motivao e o seu entusiasmo perante o poder didtico da msica, da cano ou de qualquer outro recurso. S o entusiasmo do professor pelo ensino da lngua, servindo-se das vrias ferramentas ao seu dispor, contribui para um ambiente de aprendizagem estimulante. Harmer (2003: 54) defende que a empatia do professor com os alunos vital para a criao das condies necessrias para uma aprendizagem motivada (apud: Bernardo. 2010: 16). Compreende-se que esta motivao no est apenas dependente do professor, mas de um conjunto de fatores intrinsecamente e extrinsecamente ligados aos alunos. 50 Toda esta panplia de atividades no vai motivar o aluno se o contedo a lecionar no for atrativo e adaptado aos seus interesses. Sobre o recurso msica, Pereira concorda que se deve tirar proveito dela para motivar os alunos em todas as reas de estudo, uma vez que a msica muda a rotina das atividades na sala de aula, sendo tambm fundamental no desenvolvimento das capacidades auditivas, orais, de leitura e de escrita (Pereira, 2007). E Faria acrescenta que [a] msica como sempre esteve presente na vida dos seres humanos, ela tambm est presente na escola para dar vida ao ambiente escolar e favorecer a socializao dos alunos, alm de despertar neles o senso da criao e da recreao (Faria, 2001: 24) Se se fizer uma breve retrospetiva, facilmente se depreende que a educao tradicional considerou virtudes como ateno, dedicao e responsabilidade incompatveis com alegria e descontrao (Cardoso, 1995). No entanto, muitos educadores adotam o ldico como forma de ensinar uma nova lngua estrangeira, porque, para alm de proporcionar momentos de descontrao, os alunos adquirem tambm conhecimento sobre o contedo proposto. Manter um ambiente de alegria e de ludicidade na sala de aula fundamental aprendizagem. [] A ludicidade uma necessidade do ser humano em qualquer idade e no pode ser vista apenas como diverso. O desenvolvimento do aspeto ldico facilita a aprendizagem, o desenvolvimento pessoal, social e cultural, colabora para uma boa sade mental, prepara para um estado interior frtil, facilita os processos de socializao, comunicao, expresso e construo do conhecimento []. (Santos, 2011: 12) O trabalho do professor deve direcionar-se no sentido de procurar atividades que proporcionem momentos de sucesso aos seus alunos, que promovam o incremento da autoestima e fomentem a motivao. 2.1. A importncia da msica na aprendizagem da lngua estrangeira Qui dit motivation, dit chanson. (Dumont, P., 1998) 51 A msica, com maior ou menor intensidade, est presente, desde sempre, na vida do ser humano. Para alm de despertar emoes e sentimentos, a msica pode ser um valioso instrumento de aprendizagem que pode ajudar tanto o professor nos contedos ministrados nas aulas como o aluno na motivao, interesse e na compreenso dos mesmos. Mas a msica no apenas uma associao de sons e palavras, um rico instrumento que pode fazer a diferena na escola, pois desperta/transporta o indivduo para um mundo prazeroso e satisfatrio, tanto para a mente como para o corpo, facilitando a sua aprendizagem, mas tambm a sua socializao. Sabemos que cada aluno tem a sua forma e ritmo de aprendizagem e o professor nem sempre consegue chegar a todos com a mesma eficcia, pois tem conscincia de que no possui uma frmula para ensinar que se aplique a todos sem exceo. Esta variedade de aprendizagem torna o trabalho do professor mais problemtico, uma vez que no fcil encontrar atividades que sejam do agrado de todos os discentes. Neste sentido, a msica pode ser uma ferramenta valiosssima para o professor e uma pea importante na motivao dos seus alunos, uma vez que a msica pode ser entendida como lngua, que proporciona saber e cultura. Outrora, a aprendizagem de uma lngua estrangeira balizava essencialmente a abordagem de contedos gramaticais / lexicais e a cultura era considerada como algo secundrio, da a abordagem dos contedos culturais ser feita de forma descontextualizada, levando criao de esteretipos relativamente cultura da lngua-alvo. A abordagem comunicativa na aprendizagem das lnguas foi decisiva na mudana de mentalidades relativamente aos mtodos de ensino de LE. Esta abordagem pode ser entendida como um conjunto de princpios sobre os objetivos do ensino de lnguas, os tipos de aprendizagem e as atividades que a facilitam, bem como sobre o papel dos alunos e professores em sala de aula. Com efeito, a competncia comunicativa integra no s a competncia lingustica, mas tambm a componente sociocultural, que deve ter-se em conta quando se faz uso dessa lngua num determinado contexto. Posto isto para aprender / ensinar uma lngua, inconcebvel faz-lo sem uma abordagem cultura desse pas, j que a lngua reflete a sua viso do mundo e o seu cdigo de conduta. Neste sentido, h que considerar que quando se inicia a aprendizagem de uma lngua estrangeira, deparamo-nos com algumas barreiras, o que dificulta a comunicao com o outro, no s a nvel lingustico (diferente lxico e sintaxe), mas tambm a nvel sociocultural, porque os comportamentos diferem de contexto para 52 contexto, sendo fundamental dotar o aprendente de uma bagagem lingustica e cultural. Aprender uma lngua no s olhar apenas para o seu idioma; sim a abertura a novas culturas, s ideias, s tradies e histria de um pas. Na opinio de Ana Aguiar, impensvel separar lngua e cultura pois aprender uma lngua aprender um comportamento cultural: Aprender uma lngua aprender um comportamento e, nomeadamente, um comportamento cultural. []Se a dimenso lingustica uma condio necessria, no suficiente para assegurar a eficcia da comunicao. Alis, exprimir-se e compreender no plano lingustico no garantem a capacidade para codificar e descodificar os silncios, os gestos, as entoaes das trocas lingusticas. (Aguiar, 2010: 141) Assim, pode afirmar-se, com Ana Aguiar, que fundamental no processo de ensino-aprendizagem de uma lngua-cultura permitir a cada aluno realizar um percurso pessoal e subjectivo na cultura estrangeira; lev-lo a comparar sistematicamente a cultura estrangeira com a sua prpria e conduzi-lo a descobrir a (s) coerncia (s) interna (s) prpria (s) cultura estrangeira (Aguiar, 2010: 103), no esquecendo que a ideia que temos da nossa prpria cultura influencia o modo como consideramos e experienciamos as outras. De acordo com a mesma autora [a] lngua um instrumento de comunicao, mas tambm um meio de apreender a cultura do Outro, v-la e senti-la para a poder compreender. Uma sociedade constri a sua viso do mundo e a sua identidade atravs da lngua. Esta o agente fundador da socializao do indivduo e da sua integrao na cultura. (Aguiar, 2010: 151) Defende ainda que [u] ma educao multilingue favorece a abertura face aos outros e cria o desejo de conhecer melhor aqueles cuja lngua se est a praticar, de compreender a sua cultura, de trocar ideias, permitindo reduzir os mal-entendidos culturais. Esta aprendizagem permite negar o etnocentrismo e aceder a outros valores culturais, permitindo um movimento de 53 descentrao, o que implica ser capaz de comunicar com o Outro. (ibidem: 153) A aprendizagem de uma lngua estrangeira essencial, nos nossos dias, enquanto veculo de cultura e parte integrante de um plano curricular. Nos cursos profissionais, a disciplina de Comunicar em Francs integra a componente de formao tcnica do curso profissional de Tcnico de Restaurao, nas variantes de cozinha-pastelaria e restaurante-bar. Pretende-se com esta disciplina que os alunos desenvolvam competncias bsicas noutra lngua estrangeira, para alm da estudada na componente de formao sociocultural. Ora a integrao desta disciplina na componente de formao tcnica do curso de Tcnico de Restaurao reveste-se de particular importncia, na medida em que permite ao aluno familiarizar-se com vocabulrio tcnico e especfico do sector onde desenvolver a sua atividade profissional nas suas duas variantes. Pretende-se, de facto, que os alunos desenvolvam aptides que, no seu desempenho profissional, lhes permitam uma comunicao mais eficaz. O Mdulo 3, que trabalhmos com os alunos, Cozinha-Pastelaria/Restaurante-Bar, explora a gastronomia, os receiturios e o espao da cozinha (chaves do discurso, equipamentos e materiais da cozinha). Foi, pois, necessrio criar estratgias motivadoras e atrativas para que a aprendizagem resultasse; atividades e estratgias que motivassem os alunos e fizessem desenvolver neles o gosto por aprender. Segundo Tavares aprender viajar. Para esta autora, aprender uma lngua estrangeira fazer uma viagem ao estrangeiro. Viajamos para um destino que escolhemos, encontramos alguns obstculos, avanamos, perdemo-nos, encontramos locais que no estavam no itinerrio traado, outros motivos de interesse. (Tavares, 2001: 220) Ora, para estimular esta incurso pela lngua e pela cultura francesas, a msica pareceu-nos um timo recurso, pois transporta-nos para o mundo dos sons, das associaes sonoras, do ouvir, do descobrir, da familiarizao com a lngua, capacitando o aluno, pouco a pouco, com uma bagagem lingustica e cultural, uma espcie de banco de dados ao nvel da pronncia, do vocabulrio e da gramtica. Os sons harmoniosos fazem com que os alunos se divirtam, aprendendo normalmente, sem 54 presses. A msica torna a aula mais agradvel e produtiva, facilitando o processo de ensino/aprendizagem. Sabe-se que a msica, quando bem trabalhada, desenvolve o raciocnio, a criatividade, e outros dons e aptides, por isso reconhecemos que deveramos aproveitar esta to rica atividade educacional tambm dentro da sala de aula. A compreenso da Lngua Estrangeira, ao utilizar-se a msica, torna-se mais significativa, porque capta o interesse e desenvolve e estimula os alunos. Numa interessante reflexo sobre a presena da msica na vida do ser humano e sobre o seu uso como estratgia de ensino-aprendizagem, Mrcia Faria refere que a msica um importante fator na aprendizagem, pois a criana desde pequena que ouve msica, a qual muitas vezes cantada pela me para a adormecer. (Faria, 2001). Consideramos que a msica muito importante e est, desde sempre, na vida do ser humano, e em especial na sua educao. Todos reconhecemos que a msica no apenas uma combinao de sons, de notas dentro de uma escala, com melodia, acordes, ritmo, tempo e contratempo, ela tambm rudo de passos e sons que saem dos diversos instrumentos. Em todas as culturas, a msica tem o poder de estimular o raciocnio fazendo com que quem a ouve construa, atravs dela, eventos sociais, pessoais e culturais. Em suma, tanto a msica como a cano so recursos reais que podem ser usados na sala de aula para o desenvolvimento das vrias competncias do aprendente de L.E., pois a msica som, palavra, lngua, cultura, arte. Assim, as atividades que desenvolvemos em sala de aula e aqui apresentamos, consistiram em levar os alunos a tomar conscincia das sonoridades da lngua francesa a fim de utiliz-las convenientemente. O aperfeioamento fontico, o reforo das competncias orais e escritas, a pronncia, os contedos gramaticais, foram aspetos trabalhados a partir de situaes do quotidiano. Tambm a imensa riqueza cultural, designadamente a diversidade gastronmica francesa, foi objeto de estudo e de interesse. 2.1.1 Apresentao e anlise das atividades realizadas na disciplina de Francs em sala de aula Atividade 1 Disciplina: Francs Ano de Escolaridade: 12 Ttulo: LAlimentation / Une sortie au Restaurant 55 Mdulo 3: La Gastronomie Franaise Objetivos Conhecer o lxico relacionado com o tema do mdulo: Alimentos; Bebidas; Pratos (Entradas, Prato Principal; Sobremesa); Distinguir diferentes pratos; Pedir num restaurante; Selecionar informao num texto escrito; Aprender alguns aspetos culturais: algumas especialidades francesas; Utilizar corretamente os verbos manger e boire. Material Documento udio, dilogo num restaurante; Documento escrito Deux amis au restaurant (Anexo 15); Ficha de Trabalho (Anexo 15). Descrio/Metodologia A aula iniciou-se com um breve momento de conversao subordinado ao tema Les spcialits franaises, para, de seguida, introduzir o dilogo que tinha preparado para essa aula, uma ida ao restaurante, cujo texto falava de algumas das especialidades francesas. Antes de passar leitura dialogada do texto, tinha preparado o registo sonoro, para sensibilizar os alunos para o contacto com a lngua e com a pronncia francesa, com a fonia das palavras de forma a associ-la grafia no momento da leitura. A verdade que no consegui, no momento, abrir o CD udio, tento perdido alguns segundos nessa tentativa. Espontaneamente, um aluno veio ajudar-me, mas, entretanto, j me tinha socorrido de um plano B que no tinha previsto, mas que ps prova a minha capacidade de adaptao perante o imprevisto. Entretanto, a situao foi resolvida, e pudemos ouvir o dilogo para satisfao dos intervenientes. Este exerccio de audio possibilitou o contacto com a lngua oral, com a pronncia, com a melodia da lngua. No decorrer da aula, houve sempre muita ateno da minha parte pronncia dos alunos, pois palavras do gnero de bouillabaisse, cassoulet, boeuf bourguignon, nem sempre so fceis de pronunciar. O aperfeioamento fontico foi uma constante nas 56 aulas, uma vez que, por vezes, era um pouco difcil para os alunos pronunciarem determinados vocbulos, da a insistncia na repetio dos sons. Com base no texto, os alunos completaram uma ementa, legendaram algumas imagens, que apresentavam alguns pratos tpicos franceses, responderam a um questionrio de verdadeiro/falso, seguido de um outro de pergunta/resposta. Sendo a gastronomia um tema de interesse dos alunos, h sempre uma grande motivao em aprender, no s aspetos relacionados com a lngua, mas tambm com a cultura francesa, neste caso a cultura gastronmica. Quanto ao vocabulrio, sempre que havia dvidas, tentei explic-lo em Francs, e, quando necessrio, recorria linguagem gestual o que acabava por resultar. O texto, um dilogo, serviu os meus objetivos, pois o pretendido era que os alunos respeitassem a pontuao e dessem a devida entoao frase, usando o tom exigido pelas vrias vozes. A compreenso e expresso orais foram competncias que pretendi aferir, tendo os alunos correspondido aos meus objetivos. O trabalho de casa, e porque se aproximava o 2 de fevereiro, consistiu na pesquisa de uma receita de crepes. Comentrio Nesta aula, houve, por parte dos alunos grande recetividade s estratgias adotadas. Houve uma boa interao com os alunos que se mostraram empenhados, interessados e colaborantes, respondendo s questes sempre que incitados e solicitando a ateno da professora sempre que necessrio. Tentei que as aulas decorressem sempre em lngua francesa, procurando que os alunos se familiarizassem com a lngua e falando pausadamente para que pudessem captar a mensagem veiculada. Quando constatava que o vocabulrio no era compreendido, servia-me da linguagem gestual com vista a facilitar a compreenso do mesmo. Mas nem sempre as coisas correm como prevemos e, nessa aula, quando tentei fazer uso do registo udio do texto, o computador bloqueou; no entanto, este percalo no impediu que a aula seguisse o seu curso normal. Com a ajuda de um aluno, consegui que o CD funcionasse para gudio da professora e dos alunos para se proceder audio dialogada do texto. Sendo alunos de um curso de Restaurao, foi muito interessante trabalhar com eles na aula de Francs e depois poderem confecionar na prtica as diferentes 57 especialidades francesas referidas na aula. Efetivamente esta questo da interdisciplinaridade funcionou muito bem, devido, talvez, ao facto de serem alunos muito empenhados, curiosos (pelo querer saber cultural, neste caso gastronmico) e colaborantes. Foi importante desenvolver os contedos da disciplina de Francs, com as disciplinas de Cozinha / Mesa-Bar. Esta articulao de aes disciplinares, que procurou um interesse em comum, revelou-se bastante profcua e s eficaz se for uma maneira eficiente de se atingirem as metas educacionais previamente definidas. Atividade 2 Disciplina: Francs Ano de Escolaridade: 12 Ttulo: LAlimentation / Les traditions franaises : La Chandeleur Mdulo 3: La Gastronomie Franaise Objetivos Conhecer o lxico relacionado com o tema do mdulo: Alimentos; As tradies francesas - La Chandeleur: origem, provrbios, comptines; Realizar vrias atividades para conhecimento e alargamento das tradies e costumes franceses; Comemorar este dia com a confeo de crepes pela turma; Utilizar corretamente os verbos manger e boire. Material Documento escrito sobre La Chandeleur (Anexo 16); Mini-Quizz (Anexo 16); Mini-dossier La Chandeleur-proverbes (Anexo 16); Receita (Anexo 16). Descrio/Metodologia Esta aula iniciou-se com a realizao de um exerccio com espaos, com os verbos manger e boire, que tinha ficado por realizar na aula anterior. Depois de corrigido o 58 exerccio, perguntei aos alunos se tinham pesquisado a receita dos crepes, para procedermos sua confeo a fim de comemorar La Chandeleur. Para dar conhecimento aos alunos desta tradio, distribui uma ficha informativa sobre o tema que continha, para alm da origem deste costume francs, uma receita e vrios provrbios alusivos ao tema. Os provrbios e as comptines foram do agrado dos alunos que acharam muito interessantes tendo servido para tomarem conhecimento de vocabulrio relacionado com o tempo e com alguns animais que tm por hbito hibernar. Si le deuxime de fvrier Le soleil apparat entier Lours tonn de sa lumire Se va mettre en sa tanire Et lhomme mnager prend soin De faire resserrer son foin Car lhiver tout ainsi que lours Sjourne encore quarante jours. O meu objetivo visava o aperfeioamento fontico, o reforo das competncias orais, atravs da expresso escrita, da pronncia, e da leitura em voz alta aproveitando a musicalidade do texto para que os alunos tomassem conscincia das sonoridades da lngua francesa a fim de utiliz-las convenientemente. Pedi-lhes para que sublinhassem as palavras com sons iguais, nos provrbios, ao mesmo tempo que eu fazia a leitura. Na verdade, os alunos conseguiram identificar sons iguais nas palavras: fvrier / entier / mnager; lumire / tanire; soin / foin. Num outro provrbio, identificaram os sons lanterne / hiberne; luit / sensuit; beau / troupeau; brillant / avant; verdure / dure; chandeleur / heures; travailleur / tailleur. Nas comptines constataram haver algumas caractersticas do texto potico: a rima, as frases semelhantes, os versos, o ritmo e a musicalidade. () Cest la chandeleur Cest la chandeleur, cest la chandeleur La crpe danse dans la pole 59 La pole danse avec la crpe La crpe saute dans la pole La pole saute avec la crpe Hop, retournons nous (bis). De seguida, os alunos realizaram um Mini-Quizz, de escolha mltipla, sobre La Chandeleur. No final da aula, e porque se seguiu uma aula de Cozinha, os alunos confecionaram os crepes que serviram a toda a comunidade escolar. Comentrio Nesta aula os alunos mostraram-se entusiasmados e, de certa forma, acharam interessante esta tradio francesa. H muito que conheciam os crepes e as vrias receitas, no entanto desconheciam a sua histria e a explicao para o seu aparecimento, na poca dos romanos. O texto trouxe vrias informaes sobre os crepes e os provrbios e comptines a eles associados. Estas atividades so excelentes recursos na aula de Lngua Estrangeira, uma vez que facilitam o processo de ensino/aprendizagem. A musicalidade, associada ao texto potico, tornou a aula mais agradvel e produtiva. Aprender, atravs destes recursos sonoros, uma boa forma de motivar os alunos, pois cada vez mais pertinente usar estratgias diversificadas com vista a uma aprendizagem mais eficaz e interessante. A Comemorao de La Chandeleur levou os alunos descoberta das tradies e costumes franceses enriquecendo e alargando os seus horizontes culturais. Atividade 3 Disciplina: Francs Ano de Escolaridade: 12 Ttulo: La Chanson : Jai demand la lune Mdulo 3: La Gastronomie Franaise Objetivos Identificar as formas do pass compos; Identificar diferentes particpios passados; 60 Conjugar os verbos com o auxiliar avoir; Audio da cano Jai demand la lune: atividades de compreenso oral e escrita. Material Documento vdeo com a cano; Documento escrito com a cano (Anexo 17); Questionrio sobre o texto; PowerPoint com a regra de formao do pass compos (Anexo 18); Ficha de trabalho (Anexo 19). . Descrio/Metodologia Esta aula foi dedicada a um texto paraliterrio - a cano - uma tipologia que apresenta caractersticas do texto lrico, designadamente a rima, o verso, o ritmo, a musicalidade. O uso da cano, em sala de aula, , h muito, alvo de merecido estudo e considerao por parte de especialistas do ensino/aprendizagem do FLE, especialmente entendido como recurso motivador na tarefa a que se destina, ou seja, o ensino da lngua estrangeira de forma original. No entanto, todos sabemos que a msica faz parte do quotidiano dos jovens, mas a msica francesa nem sempre a opo, talvez por desconhecimento ou por ser preterida pela lngua inglesa. Na verdade, o facto de ter escolhido a cano como instrumento pedaggico para a aula, deixou-me, por um lado, algo expectante; por outro, acreditava que a msica iria tornar a aula animada, agradvel, e participativa para o aluno. A cano escolhida foi Jai demand la lune do grupo Indochine, um grupo rock francs, surgido em 1981. O meu objetivo era ensinar um contedo gramatical- o pass compos - de uma forma ldica e interessante, procurando motivar os alunos atravs da atividade musical, evitando que a aula se tornasse aborrecida. Este percurso levou a uma compreenso oral atravs de um questionamento que promoveu um breve dilogo professora/aluno onde foram colocadas perguntas do gnero: coutez-vous de la musique franaise? Connaissez-vous des chanteurs ou des groupes franais? De seguida, foi feita a apresentao da cano e do grupo Indochine pela professora, seguindo-se a sua audio. A professora fez a distribuio do texto e deu 61 alguns minutos aos alunos para o lerem; a leitura do texto foi feita pela professora, aps a audio, que explicou o vocabulrio mais complexo. Foi efetuada a comprhension crite da cano, partindo de uma compreenso global das questes colocadas. Os alunos tiveram a oportunidade de executar uma srie de exerccios variados (questionrio de pergunta/resposta; questionrio de verdadeiro/falso; transcrio de frases do texto para comprovar as afirmaes) que possibilitou relevar diversas informaes do texto, jogar com a homofonia (vers/ verre/vert/ ), e o emprego do pass compos. Os alunos identificaram, a partir de algumas formas verbais presentes no texto, os diferentes infinitivos, para chegarem aos particpios passados correspondentes. O pass compos, conjugado com o auxiliar avoir, foi o tempo verbal a lecionar. Tentou-se levar os alunos descoberta deste tempo, no texto, para posteriormente se chegar regra de formao deste tempo verbal. Os alunos aplicaram, depois, os seus conhecimentos num pequeno exercice trous. A aula terminou com a indicao do trabalho de casa. Comentrio O vdeo com a cano foi determinante para despertar a ateno dos alunos para posteriormente se introduzir o tema da aula, servindo, desde logo, como motivao e, ao mesmo tempo como introduo ao tema. A msica, em contexto escolar, bastante salutar, uma vez que alarga e facilita a aprendizagem, levando o aluno a ouvir e a escutar de maneira ativa e refletida. Assim, constatamos que a msica veio trazer aos discentes um certo entusiasmo pelas atividades propostas. O receio inicial da professora foi completamente ultrapassado. Os alunos demonstraram emoo e satisfao pela atividade, tendo gostado da msica e da letra da cano. So alunos que interagiam espontaneamente com a professora ou ento respondiam sempre que solicitados. Mantiveram-se empenhados, interessados e colaborantes. A aula decorreu em lngua francesa, tendo a professora explicado o vocabulrio desconhecido sempre em francs, falando, mas tambm recorrendo linguagem gestual para que os alunos inferissem o significado desses vocbulos. Os contedos foram expostos de forma natural, havendo a preocupao de falar pausadamente para que os alunos pudessem captar a mensagem veiculada. O contedo gramatical lecionado foi o pass compos, com o auxiliar avoir, tendo-se partido do texto da cano para o introduzir. Na apresentao do mesmo, fui sempre reforando a necessidade de se utilizarem dois verbos, verbo auxiliar e verbo 62 principal, fundamentais formao deste tempo do passado, visando uma aprendizagem slida do mesmo. A apresentao do PowerPoint veio sistematizar o contedo gramatical e a ficha ficou para trabalho de casa. Atividade 4 Disciplina: Francs Ano de Escolaridade: 12 Ttulo: Les Chansons : Jai demand la lune e Les Cornichons Mdulo 3: La Gastronomie Franaise Objetivos Identificar as formas do pass compos; Conjugar os verbos com o auxiliar avoir e tre; Audio da cano: Les Cornichons; Reviso do vocabulrio sobre os alimentos. Material Documento vdeo com a cano; Documento escrito com a cano (Anexo 21); Ficha de trabalho (Anexo 22). Descrio/Metodologia A aula iniciou-se com a correo da ficha de trabalho, que tinha sido entregue aos alunos como trabalho de casa, para aplicao do pass compos. Os alunos acharam interessante a ficha de trabalho, pois o contedo das frases vinha na sequncia do assunto da cano que fora trabalhado antes e do vocabulrio ligado gastronomia, uma forma atrativa de envolver os discentes que favoreceu tambm a aprendizagem. Depois da correo da ficha e por solicitao dos alunos, ouvimos novamente a cano Jai demand la lune para poderem, depois, cant-la, pois gostaram muito da msica e da letra. Ao cantarem, os alunos trabalharam intuitivamente a oralidade na LE, visto que as canes so tambm importantes ferramentas para praticar vocabulrio, aspetos gramaticais, a compreenso e a prtica da oralidade. uma cano que fala de sentimentos, de emoes, e pude verificar a alegria, o entusiasmo, a participao e o brilho nos olhos dos alunos. 63 Na 2 parte, apresentei-lhes uma outra cano Les Cornichons, uma cano pop de Nino Ferrer. Inicialmente, os alunos ouviram a cano e de seguida completaram os espaos em branco. Houve alguma dificuldade na compreenso oral do vocabulrio, no entanto, com a minha ajuda, conseguiram realizar o exerccio. Esta cano serviu tambm para trabalhar, uma vez mais, o pass compos, de forma divertida, mas tambm para rever algum do vocabulrio, dado em aulas anteriores, referente alimentao. As questes sobre o texto foram realizadas pelos alunos e corrigidas pela professora. Comentrio Esta foi uma aula muito divertida. Os alunos tentaram acompanhar a msica e cantaram satisfeitos e bem-dispostos a cano. Quando ouvimos a 2 cano, acharam imensa graa letra, pois o texto da cano apresentava aspetos prosaicos que eles to bem conheciam. Les cornichons uma cano com um gnero musical diferente daquele a que os alunos esto habituados a ouvir, mas que proporcionou um momento ldico excecional, que veio contribuir e ajudar os alunos no ensino/aprendizagem da lngua, permitindo-lhes, quase intuitivamente e sem esforo, ganhar vocabulrio novo, novas expresses, e at a capacidade para pronunciarem corretamente alguns sons menos frequentes. 64 Consideraes Finais O estgio profissional constitui mais uma importante etapa na formao do professor. Ao longo da sua realizao, adquirimos conhecimentos fundamentais para um bom desempenho na docncia, com vista a tornarmo-nos profissionais de qualidade. A minha Prtica de Estgio Supervisionada realizou-se na Escola Profissional de Vouzela, onde trabalho h j alguns anos. Durante a minha prtica, e da parte das minhas orientadoras, houve sempre uma boa relao de superviso centrada no apoio, na entreajuda, no dilogo, na partilha de saberes, com vista a uma troca produtiva no que respeita ao desenvolvimento de prticas letivas conducentes a uma melhor qualidade do ato letivo. O estgio uma atividade marcante na formao inicial do professor, no entanto, no meu caso, esta experincia aconteceu muito mais tarde e, apesar de conhecer a realidade de uma escola, senti que, neste ano letivo, tinha que trabalhar e esforar-me ainda mais para atingir as metas a que me propus. Embora tenha alguns anos de prtica letiva, reconheo que esta formao me trouxe tambm um conhecimento terico que no possua, e que veio enriquecer-me enquanto docente, pois esta uma profisso que exige uma aprendizagem constante, que deve ser desenvolvida ao longo da nossa carreira profissional. As turmas a que estive adstrita, enquanto estagiria, foram as do 12A (disciplina de Portugus) e 12 B (disciplina de Francs), embora tenha lecionado em mais quatro turmas, neste ano letivo. Colaborei em vrias atividades de cariz extracurricular, levadas a cabo pela escola. Desempenhei as funes de diretora de turma, responsvel pela Biblioteca e por todas as atividades que lhe so inerentes, e pelo servio de exames. Ao apoio das professoras orientadoras acresceu o dos colegas e funcionrios desta pequena comunidade, apelidada carinhosamente de EPV, que tudo fizeram para que houvesse um ambiente favorvel de trabalho. Tendo por base os quatro pilares da educao mencionados por Jacques Delors (1996), tentei realizar um trabalho que aglutinasse estratgias que munissem os alunos de uma crescente capacidade quer de compreenso e de anlise, quer de produo oral e escrita. 65 Pretendi aferir da importncia da musicalidade na lngua e consequentemente no texto, enquanto recurso sonoro, para uma pedagogia participada e interativa no ensino de Portugus, LM e de Francs, LE. Abordar as dimenses da musicalidade nas diversas tipologias textuais, presentes nas unidades curriculares a lecionar, foi o grande objetivo. Embora sabendo que no era um tema fcil de trabalhar, persisti nesta ideia, pois era um desafio que pretendia vivenciar e assim coloquei em prtica algumas atividades. Sabemos que a funo do professor de extrema importncia. De facto, atravs das escolhas do professor em termos de atividades, de tarefas, de estratgias a serem usadas, que a transmisso do conhecimento se far de forma adequada e eficaz. A adoo de estratgias motivadoras e a sua implementao de forma dinmica potenciam desenvolver os objetivos propostos de forma eficiente e interessante. A nossa lngua muito rica em sonoridades e foi minha inteno trabalhar essa competncia da lngua e consequentemente do texto, na turma de Portugus. Senti que era possvel trabalhar as vrias dimenses da musicalidade atravs da repetio das palavras, pois assim tambm os sons se vo repetindo. Constatei que uma boa estratgia para asseverarmos a musicalidade que as palavras entoam ler em voz alta, pois esse ato facilita perceber o ritmo e a melodia que se est a construir. Nos textos em verso foi fcil levar os alunos ao encontro dessa musicalidade; nos textos narrativos e no caso particular da obra Memorial do Convento, a dificuldade foi maior, no entanto os alunos conseguiram reconhecer a dimenso oral da escrita do escritor, e a sua aproximao da oralidade; essa dimenso explicada pelo prprio Saramago nos seguintes termos: [como voc sabe, quando falamos, no usamos sinais de pontuao. Temos pausas [de respirao] e at, como eu digo nos meus livros, os dois nicos sinais de pontuao, o ponto e a vrgula, no so sinais de pontuao, so uma pausa, uma pausa breve e uma pausa longa. No fundo, como tambm digo muitas vezes falar fazer msica]. (Reis, C., 2015: 106) A msica e a linguagem aparecem ligadas por grandes laos de afinidade entre si, uma vez que ambas vivem do som, da articulao, da expresso. A msica faz parte da comunicao social e conhecida como uma arte de combinar os sons, sendo capaz de proporcionar momentos ldicos. Tanto a msica como a linguagem tm o seu prprio valor e no precisam uma da outra para poderem existir, contudo os seus caminhos acabam por cruzar-se no universo fascinante da cano. 66 As canes so uma maneira de interpretar o mundo, de entender outras civilizaes, outras culturas. A msica/cano pode ser um timo instrumento de aprendizagem, uma ajuda preciosa para o professor nos contedos a ministrar, mas tambm para os alunos no que respeita a motivao, o interesse, e a compreenso dos contedos a estudar. A cano, palavras e msica, ritmo e melodia, podem aparecer como une matire susceptible dintresser les lves (Dumont, 1998: 8), pois a msica faz parte do quotidiano dos jovens; vemo-los constantemente como os seus auriculares a ouvir a sua msica preferida. possvel explorar este gosto pela msica na aprendizagem de Francs Lngua Estrangeira? claro que sim! A msica proporciona aprender, de forma ldica, o vocabulrio, os aspetos gramaticais e fnicos, a compreenso e a oralidade, sendo tarefa do professor procurar os instrumentos certos e as ferramentas adequadas. A este propsito, Pierre Dumont (1998: 9) declara que qui dit motivation, dit chanson. Na verdade, atravs da cano, os alunos podem aprender a lngua mas tambm a cultura desse povo parce quelle est la langue, bien sr, parce quelle est la culture aussi, parce quelle est la chanson surtout (Calvet, 1980: 20). Ao trabalhar a cano francesa, em sala de aula, pude comprovar que os alunos mostravam recetividade melodia, s sonoridades, ao ritmo, letra das canes, tendo realizado as propostas de trabalho de forma divertida. A cano veio contribuir e ajudar os alunos no ensino/aprendizagem da lngua, permitindo-lhes adquirir ou rever vocabulrio, novas expresses, e at a capacidade para pronunciarem com correo alguns sons menos frequentes. A cano serviu ainda para trabalhar alguns aspetos gramaticais que normalmente so menos interessantes para os alunos, como por exemplo o pass compos. Gostaria de finalizar esta questo com as palavras dos prprios alunos quando questionados sobre: Gostas de realizar atividades com msica nas aulas de Francs? Por qu? e algumas das respostas foram as seguintes: Sim, porque desperta mais interesse e cativa para a aprendizagem; Sim, porque motiva; Sim, porque uma aula diferente e d-nos motivao e ajuda-nos a pronunciar melhor a lngua; Sim, porque para a aprendizagem mais motivador e interessante; Sim, porque motiva, ajuda a aprender a lngua, o vocabulrio e torna a aula menos montona. Em suma, a lngua palavra; a palavra melodia; os sons conferem-lhe musicalidade; assim e parafraseando Jos Saramago: falar fazer msica. O valor das 67 palavras est bem patente neste belo poema de Eugnio de Andrade que aqui se transcreve. As Palavras So como um cristal, as palavras. Algumas, um punhal, um incndio. Outras, orvalho apenas. Secretas vm, cheias de memria. Inseguras navegam: barcos ou beijos, as guas estremecem. Desamparadas, inocentes, leves. Tecidas so de luz e so a noite. E mesmo plidas verdes parasos lembram ainda. Quem as escuta? Quem as recolhe, assim, cruis, desfeitas, nas suas conchas puras? Eugnio de Andrade (1972) http://pensador.uol.com.br/autor/eugenio_de_andrade/68 Bibliografia AGUIAR, Ana Raquel. (2010). A Educao Intercultural no entendimento da Diversidade na sala de aula de Lngua Estrangeira. Dissertao apresentada na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, para obteno do grau de Doutor em Didctica das Lnguas Estrangeira. Disponvel em http://repositorioaberto.up.pt/bitstream/10216/53883/2/tesedoutanaaguiar000120940.pdf (consultado em 20/04/2015). AMOR, Emlia. (2006). Didctica do Portugus Fundamentos e Metodologia (6 ed.), Lisboa, Texto Editores. ARENDS, Richard I. (1995). Aprender a ensinar. Lisboa: McGraw-Hill. BARRETO, Lus de Lima. (1998). 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Disponvel em: http://www.epvouzela.pt/v1/ficheiros_2014/PE_13_16.pdf. Acedido em 5 de Novembro de 2014. 4. Ministrio da Educao. Decreto-Lei n 3/2008 de 7 de Janeiro. Disponvel em http://legislacao.min-edu.pt/np4/np3content/?newsId=1530&fileName=decreto_lei_3_2008.pdf. Acedido em 10 de Novembro de 2014. 5. Municpio de Vouzela, disponvel em: http://www.cm-vouzela.pt/. Acedido em 5 de Novembro de 2014. http://www.esecs.ipleiria.pt/files/f72 Anexos Anexo 1 Atividades Extracurriculares XIII Feira do Livro de Vouzela Comemorao do Dia Mundial do Livro 13 Feira do Livro ArtEscola Assembleia da Juventude Rastreio 73 Folheto sobre o Dia da Alimentao Folheto sobre o Dia da Alimentao Decorao de Natal Comemorao do Dia do No Fumador Confeo de crepes Confeo de crepes 74 Anexo 2 ESCOLA PROFISSIONAL DE VOUZELA Ode Triunfal (excertos) dolorosa luz das grandes lmpadas eltricas da fbrica Tenho febre e escrevo. Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto, Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos. rodas, engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno! Forte espasmo retido dos maquinismos em fria! Em fria fora e dentro de mim, Por todos os meus nervos dissecados fora, Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto! Tenho os lbios secos, grandes rudos modernos, De vos ouvir demasiadamente de perto, E arde-me a cabea de vos querer cantar com um excesso De expresso de todas as minhas sensaes, Com um excesso contemporneo de vs, mquinas! Em febre e olhando os motores como a uma Natureza tropical Grandes trpicos humanos de ferro e fogo e fora Canto, e canto o presente, e tambm o passado e o futuro. Porque o presente todo o passado e todo o futuro E h Plato e Virglio dentro das mquinas e das luzes eltricas S porque houve outrora e foram humanos Virglio e Plato, E pedaos do Alexandre Magno do sculo talvez cinqenta, tomos que ho-de ir ter febre para o crebro do squilo do sculo cem, 75 Andam por estas correias de transmisso e por estes mbolos e por estes volantes, Rugindo, rangendo, ciciando, estrugindo, ferreando, Fazendo-me um excesso de carcias ao corpo numa s carcia alma. Ah, poder exprimir-me todo como um motor se exprime! Ser completo como uma mquina! Poder ir na vida triunfante como um automvel ltimo-modelo! Poder ao menos penetrar-me fisicamente de tudo isto, Rasgar-me todo, abrir-me completamente, tornar-me passento A todos os perfumes de leos e calores e carves Desta flora estupenda, negra, artificial e insacivel! () H-l as ruas, h-l as praas, h-l-h la foule! Tudo o que passa, tudo o que pra s montras! Comerciantes; vadios; escrocs exageradamente bem-vestidos; Membros evidentes de clubes aristocrticos; Esqulidas figuras dbias; chefes de famlia vagamente felizes E paternais at na corrente de oiro que atravessa o colete De algibeira a algibeira! Tudo o que passa, tudo o que passa e nunca passa! Presena demasiadamente acentuada das cocotes Banalidade interessante (e quem sabe o qu por dentro?) Das burguesinhas, me e filha geralmente Que andam na rua com um fim qualquer; A graa feminil e falsa dos pederastas que passam, lentos; E toda a gente simplesmente elegante que passeia e se mostra E afinal tem alma l dentro! (Ah, como eu desejaria ser o souteneur disto tudo!) () Notcias desmentidas dos jornais, Artigos polticos insinceramente sinceros, 76 Notcias passez -la-caisse, grandes crimes Duas colunas deles passando para a segunda pgina! O cheiro fresco a tinta de tipografia! Os cartazes postos h pouco, molhados! Vients-de-paratre amarelos como uma cinta branca! Como eu vos amo a todos, a todos, a todos, Como eu vos amo de todas as maneiras, Com os olhos e com os ouvidos e com o olfato E com o tacto (o que palpar-vos representa para mim!) E com a inteligncia como uma antena que fazeis vibrar! Ah, como todos os meus sentidos tm cio de vs! () Eu podia morrer triturado por um motor Com o sentimento de deliciosa entrega duma mulher possuda. Atirem-me para dentro das fornalhas! Metam-me debaixo dos comboios! Espanquem-me a bordo de navios! Masoquismo atravs de maquinismos! Sadismo de no sei qu moderno e eu e barulho! () Eh-l grandes desastres de comboios! Eh-l desabamentos de galerias de minas! Eh-l naufrgios deliciosos dos grandes transatlnticos! Eh-l-h revolues aqui, ali, acol, () Nem sei que existo para dentro. Giro, rodeio, engenho-me. Engatam-me em todos os comboios. Iam-me em todos os cais. Giro dentro das hlices de todos os navios. Eia! eia-h! eia! Eia! sou o calor mecnico e a electricidade! 77 Eia! e os rails e as casas de mquinas e a Europa! Eia e hurrah por mim-tudo e tudo, mquinas a trabalhar, eia! Galgar com tudo por cima de tudo! Hup-l! Hup-l, hup-l, hup-l-h, hup-l! H-la! He-h! Ho-o-o-o-o! Z-z-z-z-z-z-z-z-z-z-z-z! Ah no ser eu toda a gente e toda a parte! lvaro de Campos 78 Anexo 3 79 80 81 82 Anexo 4 ESCOLA PROFISSIONAL DE VOUZELA Exerccio de Expresso Escrita Nome:____________________________________N______Turma__________ 1- Imagina-te um engenheiro de Informtica. O computador o smbolo desse mundo tecnicamente avanado. Faz uma ode ao computador, ao telemvel, mquina, ao estilo de lvaro de Campos, usando os vrios recursos, de modo a deixar transparecer toda a musicalidade do poema. ________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Bom Trabalho! 83 Anexo 5 ESCOLA PROFISSIONAL DE VOUZELA Grelha de Avaliao da Competncia da Expresso Escrita Ficha individual Aluno: Autoavaliao Avaliao do/a professor/a Planificao Respeito pelas orientaes Esquematizao de ideias Considerao do tema/assunto Textualizao Intencionalidade comunicativa Respeito pela tipologia Estrutura/Organizao/Coeso Adequao do registo Variedade e propriedade vocabular Correo ortogrfica Correo sinttica Construo frsica Emprego da pontuao Reviso Substituio vocabular Reformulao frsica Correo de sintaxe Correo de ortografia Correo de pontuao Reviso estilstica Avaliao final Avaliao: I Insuficiente; S Suficiente; B Bom; MB Muito Bom. A competncia da escrita , hoje mais do que nunca, um fator indispensvel ao exerccio da cidadania, ao sucesso escolar, social e cultural dos indivduos. A par da leitura e da oralidade, condiciona o xito na aprendizagem das diferentes disciplinas curriculares. () A tarefa de escrita obriga a recorrer aos conhecimentos sobre o tpico, o destinatrio, os tipos de texto e as operaes de textualizao, o que implica o desdobramento desta atividade em trs fases (com carcter recursivo): planificao, textualizao e reviso, devendo estas ser objeto de lecionao. Programa de Portugus Ensino Secundrio 84 Anexo 6 ESCOLA PROFISSIONAL DE VOUZELA Texto: Ode Triunfal CONTEDO / COMPETNCIA DA COMPREENSO Nomes Compreende a mensagem do textoCompreende e consegue verbalizar sentimentos do euCompreende e interpreta as sonoridades do textoAssocia-as ao estado de esprito do poeta Relaciona o ritmo do poema com o ritmo das mquinas Retira conclusespertinentes 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 Avaliao: I Insuficiente; S Suficiente; B Bom; MB Muito Bom 85 Anexo 7 ESCOLA PROFISSIONAL DE VOUZELA O Mostrengo O mostrengo que est no fim do mar Na noite de breu ergueu-se a voar; A roda da nau voou trs vezes, Voou trs vezes a chiar, E disse: Quem que ousou entrar Nas minhas cavernas que no desvendo, Meus tectos negros do fim do mundo? E o homem do leme disse, tremendo: El-Rei D. Joo Segundo! De quem so as velas onde me roo? De quem as quilhas que vejo e ouo? Disse o mostrengo, e rodou trs vezes, Trs vezes rodou imundo e grosso. Quem vem poder o que s eu posso, Que moro onde nunca ningum me visse E escorro os medos do mar sem fundo? E o homem do leme tremeu, e disse: El-Rei D. Joo Segundo! Trs vezes do leme as mos ergueu, Trs vezes ao leme as reprendeu, E disse no fim de tremer trs vezes: Aqui ao leme sou mais do que eu: Sou um povo que quer o mar que teu; E mais que o mostrengo, que me a alma teme E roda nas trevas do fim do mundo, Manda a vontade, que me ata ao leme, De El-Rei D. Joo Segundo! Fernando Pessoa, Mensagem, 1934 Linhas de leitura - O cenrio em que surge o mostrengo a noite escura, como nOs Lusadas em relao ao aparecimento do Adamastor. -Algo semelhante acontece com as sensaes visuais e auditivas presentes aqui e em Cames. -Realar o paralelismo entre as atitudes do mostrengo e a evoluo crescente do homem do leme. -Realar a evoluo descendente do mostrengo e a evoluo crescente do homem do leme. - Os perigos do mar e a audcia dos portugueses so bem representados. -O homem do leme confessa a sua representatividade: smbolo de um povo. -A natureza pica do poema: o refro, as sonoridades nasais, por vezes onomatopaicas, os versos decasslabos, a tenso no dilogo entre o mostrengo e o homem do leme. - Explorar todo o simbolismo do nmero trs. 86 Anexo 8 ESCOLA PROFISSIONAL DE VOUZELA Nome:________________________________Ano:______N:_______Turma:___ O MOSTRENGO Guio de apoio leitura: compreenso e interpretao 1. Depois da leitura atenta do texto, responda de forma clara, objetiva e completa, s questes apresentadas: 1.1.Identifique o conflito entre as duas personagens do poema. 2. Que sentimento (s) move (m) o Mostrengo? 3. Como reage o homem do leme ao tom ameaador do Mostrengo? Exemplifique com elementos do texto. 4. Mostre como, a nvel do discurso, o poeta consegue criar uma atmosfera ensombrada e medonha. 5. Para alm do conflito apresentado, qual o valor simblico das personagens? 6. Indique o valor expressivo da repetio do ltimo verso em todas as estrofes. 7. Faa o levantamento dos recursos potico-estilsticos, a nvel fnico, morfossinttico e semntico. 8. Qual poder ser o simbolismo do nmero 3? 9. Como interpreta o ttulo do texto? 87 Anexo 9 Resposta ao questionrio sobre o texto 1- O conflito entre o Mostrengo que defende os seus domnios, os tectos negros do fim do mundo, e o homem do leme que ousa desvend-los. 2- O Mostrengo movido pelos sentimentos de indignao, revolta e desejo de vingana. 3- O homem do leme reage, inicialmente, com medo (disse, tremendo, 1 estrofe;tremeu, e disse, 2estrofe), mas, na 3 estrofe, acaba por recuperar a convico e a coragem necessrias para enfrentar o Mostrengo: E disse no fim de tremer trs vezes: Aqui ao leme sou mais do que eu: Sou um Povo que quer o mar que teu; E mais que o mostrengo que me a alma teme E roda nas trevas do fim do mundo, Manda a vontade, que me ata ao leme, De El-Rei D. Joo Segundo! 4- H, realmente, uma preocupao em criar uma atmosfera ensombrada e medonha, porque s assim a apario de um mostrengo teria verosimilhana e poderia produzir o efeito desejado: Ambiente: Na noite de breu; Nas minhas cavernas que no desvendo, Meus tectos negros do fim do mundo nas trevas do fim do mundo; Personagem: Um mostrengo, repelente e agressivo, gerador de medo; o prprio nome, fonicamente, inspira repulsa; Atitudes: roda da nau voou trs vezes; Voou trs vezes a chiar; onde me roo; Trs vezes rodou imundo e grosso. 88 5- Valor simblico das personagens: - Mostrengo- os perigos que os navegadores portugueses tiveram de enfrentar nas suas viagens de descoberta. - Homem do leme- a coragem, a determinao, a ousadia dos marinheiros portugueses da poca de quinhentos. 6- A repetio quase perfeita do ltimo verso em todas as estrofes deriva da inteno de exaltar a figura do Rei de Portugal e a necessidade do respeito e da obedincia que lhe eram devidos. 7- Recursos potico-estilsticos: 7.1- Nvel fnico * 3 estrofes de 9 versos, finalizadas por um refro. - Irregularidade mtrica: - mtrica: * versos decasslabos, octosslabos, eneasslabos; * versos hexasslabos no refro; - rimtica: * esquema rimtico: aabaacdcd * rima emparelhada e cruzada, sendo cada terceiro verso das trs estrofes um verso branco; - Ritmo livre, adaptado emoo patente no poema. -Refro: predominam os sons nasais e fechados (o, un), conferindo ao poema um tom pesado e sombrio. Por outro lado, nele ressoa a fora, a vontade frrea inerentes figura do rei D. Joo II, e acentua a lealdade inabalvel do marinheiro vontade do rei. - Harmonia imitativa onomatopaica produzida pela repetio dos sons /v/, /s/, /ch/, /r/, /z/ (aliteraes), que sugerem o rudo do voo do mostrengo. * aliterao em / m/ no verso 15. 7.2- Nvel morfossinttico * Abundncia de formas de formas verbais que sugerem movimentos incontrolveis, violentos, de terror e que emprestam ao poema grande dinamismo. 89 Os tempos verbais predominantes so o pretrito perfeito, predominante na parte narrativa, e o presente do indicativo, usado quase exclusivamente no dilogo entre o mostrengo e o homem do leme, contribuindo para a grande fora e vivacidade do poema, para o seu valor universal e para o tom pico que culmina na ltima fala do marinheiro. - Juntamente com as formas verbais, a abundncia de nomes traduz a sucesso incontrolvel e dramtica dos acontecimentos. - Os adjetivos so quase inexistentes: negros, imundo e grosso que traduzem a noo de mistrio e terror. * Tipos de frase: - declarativo: narrao e parte do discurso do homem do leme; - interrogativo: discurso do mostrengo; - exclamativo: discurso do marinheiro. - Funes da linguagem: emotiva, ftica, apelativa. - Inverso, assumindo a violncia do hiprbato: trs vezes rodou imundo e grosso; trs vezes do leme as mos ergueu; E mais que o mostrengo que me a alma teme E roda nas trevas do fim do mundo, Manda a vontade, que me ata ao leme, De El- Rei D. Joo Segundo II. - Anfora: de quem ()/ De quemvv10-11; Trs vezes ()/ Trs vezes() / Trs vezes() vv 13, 19 e 20. 7.3- Nvel semntico - Metforas/ Imagens: nas minhas cavernas que no desvendo; meus tectos negros do fim do mundo: estas 2 metforas sugerem o mistrio impenetrvel de um local desconhecido e medonho; E escorro os medos sugere a ideia de terror; a vontade que me ata ao leme- expressa a misso do marinheiro, ligada fatalmente vontade do seu rei e do seu povo. - Exclamaes e interrogaes: traduzem a emotividade, quer do Mostrengo, quer do marinheiro; 90 - a personificao de um ser desconhecido, o mostrengo voador, que chia, v, ouve, e fala ameaadora e aterradoramente, e que corporiza todos os perigos da navegao em mares desconhecidos. - a reiterao do nmero 3. - Linguagem visualista para sugerir o ambiente de terror e mistrio, fazendo-se apelo s sensaes visuais e auditivas. 8- O simbolismo do nmero 3: Nmero cabalstico relacionado com as cincias ocultas que remete para um tringulo sagrado: a trade dos cristos (Pai, Filho, Esprito Santo). Em suma, assume as conotaes de um tringulo ou ciclo que se fecha (=perfeio), contribuindo para conferir ao poema um sentido oculto e esotrico: - trs estrofes; - cada estrofe tem 9 versos; - o refro tem 6 slabas; - o mostrengo e o marinheiro falam trs vezes cada; - o marinheiro tremeu trs vezes, ergueu as mos do leme trs vezes e trs vezes as repreendeu ao leme. 9- Ttulo- a palavra mostrengo significa ente fantstico, geralmente considerado perigoso e assustador, dotado de uma configurao fora do normal e desagradvel. 91 Anexo 10 ESCOLA PROFISSIONAL DE VOUZELA Grelha de Avaliao da Compreenso Oral Avaliao: I Insuficiente; S Suficiente; B Bom; MB Muito Bom N Nome Revela compreenso global do discurso ouvido Reproduz com exatido as informaes ouvidas Distingue com clareza as marcas do discurso lrico Avalia com justeza aintencionalidade do discurso ouvido Identifica os recursos fnicos,morfossintticos e semnticos 1 2 3 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 92 ESCOLA PROFISSIONAL DE VOUZELA Grelha de Avaliao da Expresso Oral Avaliao: I Insuficiente; S Suficiente; B Bom; MB Muito Bom N Nome Tem um discurso fluente Articula as ideias compertinncia e com correo gramatical Exprime-se com um vocabulrio variado eadequado ao tema esituao comunicativaFala num tom de voz audvel e percetvel, com uma dico claraFala de forma descontrada e com uma atitude e uma linguagem gestual ajustadas comunicao 1 2 3 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 93 Anexo 11 94 95 Anexo 12 96 97 98 Anexo 13 ESCOLA PROFISSIONAL DE VOUZELA Curso Tcnico de Restaurao - 12Ano A Ficha sobre o Memorial do Convento, cap. XVII Nome: _____________________________________________________________N____ I. Interpretao do texto 1. Faz a contextualizao do excerto, inserindo-o na estrutura da obra. 2. De que trata esta cena narrativa? 3. Retrata o movimento dos trabalhadores na construo do Convento de Mafra. 4. Clarifica o sentido da expresso Ilha da Madeira. 5. Demonstra que sobre os trabalhadores do convento era exercida a opresso. 6. Como classificas o narrador do texto quanto presena e quanto cincia? 7. Uma das facetas do narrador de Memorial do Convento a sua capacidade de manipular o tempo. 7.1.Prova, com uma expresso textual a veracidade desta afirmao. 8. O povo a classe oprimida e sobre quem exercida tirania. Comprova com expresses textuais as condies de vida do povo. 9- A escrita de Saramago apresenta caractersticas peculiares. 9.1. Recursos de estilo: a) metfora b) comparao c) polissndeto d) enumerao e) ironia 99 9.2. Linguagem: a) Recurso a expresses da linguagem familiar e popular. b) Recursos aos aforismos. 10. Utilizao do gerndio. 11. Perspetiva omnisciente do narrador. 12. Focalizao interna. 13. Ausncia de pontuao convencional indicadora do discurso direto. 100 Anexo 14 ESCOLA PROFISSIONAL DE VOUZELA Curso Tcnico de Restaurao - 12Ano A Nome: _____________________________________________________________N____ Nos textos que estudaste, mais em particular, no Memorial do Convento, foi reconhecido que a linguagem do escritor se aproxima da oralidade. O escritor utiliza frases e perodos complexos, usando a pontuao de uma maneira no convencional, Coutinho, Isabel, Saramago, O escritor que brinca com a pontuao in Ciberdvidas, Pblico, 23 de Abril de 2008. Referindo-se dimenso oral da sua escrita, afirma Carlos Reis que Saramago usa pontuao, mas reinventa-a de acordo com um outro ritmo prosdico, que o da oralidade de quem fala a lngua, in Dilogos com Jos Saramago. Saramago explica tal dimenso nos seguintes termos: como voc sabe, quando falamos, no usamos sinais de pontuao. Temos pausas [de respirao] e at, como eu digo nos meus livros, os dois nicos sinais de pontuao, o ponto e a vrgula, no so sinais de pontuao, so uma pausa, uma pausa breve e uma pausa longa. No fundo, como tambm digo muitas vezes, falar fazer msica, (apud Coutinho, Isabel, Saramago, o escritor que brinca com a pontuao in Ciberdvidas, Pblico, 23 de Abril de 2008. 1- Depois de uma leitura atenta das citaes anteriores e relembrando alguns excertos da obra em estudo, responde de forma completa s questes: 1.1 Que impresso te causou o contacto com esta escrita de uma musicalidade prxima da linguagem oral? Justifica a tua resposta. 1.2. Sentiste falta da pontuao tradicional para compreender os sentidos do texto? Justifica a tua resposta. 1.3. Indica algumas das caractersticas da escrita saramaguiana presentes no ltimo excerto estudado: A construo do Convento. Bom trabalho! 101 Anexo 15 102 103 104 Anexo 16 105 106 107 108 109 110 Anexo 17 ESCOLA PROFISSIONAL DE VOUZELA J'ai Demand La Lune J'ai demand la lune Et le soleil ne le sait pas Je lui ai montr mes brlures Et la lune s'est moque de moi Et comme le ciel n'avait pas fire allure Et que je ne gurissais pas Je me suis dit quelle infortune Et la lune s'est moque de moi J'ai demand la lune Si tu voulais encore de moi Elle m'a dit "j'ai pas l'habitude De m'occuper des cas comme a" Et toi et moi On tait tellement srs Et on se disait quelques fois Que c'tait juste une aventure Et que a ne durerait pas Je n'ai pas grande chose te dire Et pas grande chose pour te faire rire Car j'imagine toujours le pire Et le meilleur me fait souffrir J'ai demand la lune Si tu voulais encore de moi 111 Elle m'a dit "j'ai pas l'habitude De m'occuper des cas comme a" Et toi et moi On tait tellement srs Et on se disait quelques fois Que c'tait juste une aventure Et que a ne durerait pas COMPRHENSION DU TEXTE 1. Quel est le titre de la chanson ? ________________________________________________________________________________________________________________________________ 2. Quest-ce que le chanteur a demand la lune ? ________________________________________________________________ 2.1. Trouve le vers qui rpond la question. ________________________________________________________________ 3. Le rle de la lune est de : a. Confidente b. Amie c. Complice 4. Dans le texte, il y a un couple damoureux ? Vrai________ Faux_______ 5. La lune a lhabitude de soccuper des cas amoureux ? Vrai________ Faux_______ 5.1- Justifie la rponse avec une phrase du texte. ________________________________________________________________ 112 Anexo 18 113 114 Anexo 19 Exercice trous 1- Compltez les phrases laide des verbes entre parenthses au pass compos. J____________________ (danser) avec la lune La nuit entire Je lui__________________ (parler) De mes prires. Je lui__________________ (dire) Que jaimais un garon/une fille Elle m_______________ (rpondre) Je suis contente pour toi. J__________________ (remercier) la lune De mavoir cout() Et j__________________ (faire) Un beau gteau au chocolat Pour lui donner. La lune______________ (accepter) Et elle_______________ (manger) Mon gteau. Et avant de sen aller Elle m______________ (conseiller) De continuer faire mes gteaux Car celui-l tait si bon ! 115 Anexo 20 Exercice trous: correction 1- Compltez les phrases laide des verbes entre parenthses au pass compos. Jai dans (danser) avec la lune La nuit entire Je lui ai parl (parler) De mes prires. Je lui ai dit (dire) Que jaimais un garon/une fille Elle ma rpondu (rpondre) Je suis contente pour toi. Jai remerci (remercier) la lune De mavoir cout() Et jai fait (faire) Un beau gteau au chocolat Pour lui donner. La lune a accept (accepter) Et elle a mang (manger) Mon gteau. Et avant de sen aller Elle ma conseill (conseiller) De continuer faire mes gteaux Car celui-l tait si bon ! 116 Anexo 21 Chanson: Les cornichons Interprte : Nino Ferrer, musicien franais Les Cornichons On est parti, samedi, dans une grosse ___________________, Faire tous ensemble un grand _______________________dans la nature, En emportant des paniers, des_______________________, des paquets, Et la radio! Des cornichons De la ______________________ Du pain, du ________________ Des petits oignons Des confitures Et des oeufs durs Des cornichons Du corned-beef Et des biscottes Des macarons Un tire-bouchon Des petits-beurre Et de la ___________________ Des cornichons On n'avait rien oubli , c'est maman qui a tout fait Elle avait travaill trois jours sans s'arrter 117 Pour prparer les paniers, ________________________, les paquets Et la radio ! Le poulet froid La _________________________ Le chocolat Les ________________________ Les ouvre-botes Et les _______________________ Les _________________________ Mais quand on est arriv, on a trouv la pluie Ce qu'on avait oubli, c'tait les parapluies On a ramen les paniers, les bouteilles, ____________________ Et la____________________________! On est rentr Manger la maison Le _________________________et les botes Les confitures et les _____________________ La moutarde et le beurre La mayonnaise et les cornichons Le_____________________, les biscottes Les oeufs durs et puis les cornichons Aprs avoir cout et complet le texte, rpondez aux questions. I Comprhension : 1. En quel jour de la semaine partent-ils en pique-nique? 2. O est-ce quils vont? 3. Qui prpare le pique- nique? 4. Quest-ce quils ont import pour manger ? 5. Pourquoi sont-ils rentrs la maison pour manger ? 118 II Grammaire : 1- Relevez du texte les expressions soulignes. 2- Indiquez linfinitif des verbes employs. 3- Les verbes sont au pass compos. 3.1. Quels sont les verbes dont lauxiliaire est le verbe avoir ? Et ceux avec lauxiliaire tre ? 4- Maintenant, compltez la rgle de la formation du pass compos. Le pass compos se forme avec le_____________de lindicatif des verbes auxiliaires___________ou _____________ suivi du participe pass du verbe conjuguer. 119 Anexo 22 Les Cornichons Nino Ferrer On est parti, samedi, dans une grosse voiture, Faire tous ensemble un grand pique-nique dans la nature, En emportant des paniers, des bouteilles, des paquets, Et la radio ! Des cornichons De la moutarde Du pain, du beurre Les champignons Les ouvre-botes Et les tomates Les cornichons Mais quand on est arriv, on a trouv la pluie C'qu'on avait oubli, c'tait les parapluies On a ramen les paniers, les bouteilles, les paquets Et la radio ! On est rentr Manger la maison Le fromage et les botes Les confitures et les cornichons La moutarde et le beurre La mayonnaise et les cornichons Le poulet, les biscottes Les ufs durs et puis les cornichons Des p'tits oignons Des confitures Et des ufs durs Des cornichons 120 Du corned-beef Et des biscottes Des macarons Un tire-bouchon Des petits-beurre Et de la bire Des cornichons On n'avait rien oubli, c'est maman qui a tout fait Elle avait travaill trois jours sans s'arrter Pour prparer les paniers, les bouteilles, les paquets Et la radio ! Le poulet froid La mayonnaise Le chocolat Les champignons Les ouvre-botes Et les tomates Les cornichons Mais quand on est arriv, on a trouv la pluie C'qu'on avait oubli, c'tait les parapluies On a ramen les paniers, les bouteilles, les paquets Et la radio ! On est rentr Manger la maison Le fromage et les botes Les confitures et les cornichons La moutarde et le beurre La mayonnaise et les cornichons Le poulet, les biscottes Les ufs durs et puis les cornichons

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