A origem das espécies charles darwin

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  • 1. A Origem Das Espcies Charles Darwin

2. Ttulo original: On the Origin of SpeciesTraduo de Joaquim D Mesquita Paulwww.LivrosGratis.net 3. Mdico e Professor Variao das espcies no estado domstico. Variao no estadonatural. A luta pela existncia. Concorrncia universal.-A luta pela vida muito encarniada entre os indivduos e as variedades da mesmaespcie. A seleco natural ou a persistncia do mais apto. Seleco sexual. Lei da variao. Hiptese da descendncia. Objeces teoria da seleco natural. Instinto. Concluso. LELLO & IRMO - EDITORES 144, Rua das Carmelitas -PORTO 4. Quanto ao mundo material, podemos pelo menos Ir at concluso de que os factos seno produzem em consequncia da interveno isolada do poder divino, manifestando-seem cada caso particular, mas antes pela aco das leis gerais. WHEWELL, Bridgewater Treatises.O nico sentido preciso da palavra natural a qualidade de ser estabelecido,fixo ou estvel; por isso tudo o que natural exige e supe qualquer factor inteligentepara o tornar tal, Isto , para o produzir continuamente ou em intervalos determinados,enquanto que tudo o que sobrenatural ou miraculoso produzido uma s vez, e de ums golpe.BUTLER, Analogy of Revealeci Religion.Para concluir, no deixeis crer ou sustentar, devido a uma ideia muito acentuada dafraqueza humana ou a uma moderao mal entendida, que o homem pode ir longe ou serinstrudo com a palavra de Deus, ou com a do livro das obras de Deus, isto , em religioou em filosofia; mas que todo o homem se esforce por progredir cada vez mais numa enoutra, e tirando disto vantagem sem jamais Parar.BACON, Advancement of Learning. 5. Notcia histrica com respeito aos progressos da opinio pblica origem dasespcies antes da publicao da primeira edio inglesa da presente obra Proponho-me noticiar a largos traos o progresso da opinio relativamente origemdas espcies. At h bem pouco tempo, a maior parte dos naturalistas supunha que asespcies eram produes imutveis criadas separadamente. Numerosos sbiosdefenderam habilmente esta hiptese. Outros, pelo contrrio, admitiam que as espciesprovinham de formas preexistentes por intermdio de gerao regular. Pondo de lado asaluses que, a tal respeito, se encontram nos autores antigos,1 Buffon foi o primeiro que,nos tempos modernos, tratou este assunto de um modo essencialmente cientfico.Todavia, como as suas opinies variavam muito de poca para poca, e no trata nem dascausas, nem dos meios de transformao da espcie, (1) Aristteles. nas suas PhysIcaeAuscultationes (lib. II, cap. VIII, 2), depois de ter notado que a chuva no cai para fazercrescer o trigo como no cai para o deteriorar quando o rendeiro o bate nas eiras, aplica omesmo argumento aos organismos e acrescenta (foi M. Clair Grece que me notou estapassagem): Qual a razo por que as diferentes partes (do corpo) no teriam na naturezaestas relaes puramente acidentais? Os dentes, por exemplo, crescem necessariamenteincisivos na parte anterior da boca, para dividir os alimentos; os maiores, planos, servempara mastigar; portanto no foram feitos para este fim, e esta forma o resultado de umacidente. O mesmo se diz para os outros rgos que parecem adaptados a determinadoacto. Por toda a parte, pois, todas as coisas reunidas (isto , o conjunto das partes de umtodo) so constitudas como se tivessem sido feitas com vista em algum desiderato; estasformas de uma maneira apropriada, por uma espontaneidade interna, so conservadas,enquanto que, no caso contrrio, tm desaparecido e desaparecem ainda. Encontra-seaqui um esboo dos princpios da seleco natural; mas as observaes sobre aconformao dos dentes indicam quo pouco Aristteles compreendia estes princpios intil entrar aqui em maiores minudncias a respeito dos seus trabalhos. Lamarek foi o primeiro que despertou pelas suas concluses, um estudo srio sobretal assunto. Este sbio, justamente clebre, publicou as suas opinies, pela vez primeira,em 1801; desenvolveu-as consideravelmente em 1809, na sua Philosophie Zoologiqe, esubsequentemente em 1815, na introduo sua Histoire Naturelle des Animaux sansVertbres. Sustenta nas suas obras a doutrina de que todas as espcies, compreendendoo prprio homem, derivam de outras espcies. Foi ele o primeiro que prestou cincia ogrande servio de declarar que toda a alterao no mundo orgnico, bem como no mundoinorgnico, o resultado de uma lei, e no uma interveno miraculosa. A impossibilidadede estabelecer uma distino entre as espcies e as variedades, a gradao to perfeitaem certos grupos, e a analogia das produes domsticas, parece terem conduzidoLamarek s suas concluses a respeito das transformaes graduais das espcies.Quanto s causas da modificao, procurou-as ele em parte na aco directa dascondies fsicas da existncia, no cruzamento das formas j existentes, e sobretudo nouso e no uso, isto , nos efeitos do hbito. a esta ltima causa que parece ligar todasas admirveis adaptaes da natureza, tais como o longo pescoo da girafa, que lhe 6. permite pascer as folhas das rvores. Admite igualmente uma lei de desenvolvimentoprogressivo; ora, como todas as formas da vida tendem tambm ao aperfeioamento, eleexplica a existncia actual dos organismos muito simples pela gerao espontnea. 7. 1 Geoffroy Saint-Hilaire, como pode ver-se na sua biografia, escrita por seu filho, jem 1795, tinha suposto que o que chamamos espcies no so mais que desvios variadosdo mesmo tipo. Foi somente em 1828 que se declarou convencido que as mesmas formasse no perpetuam desde a origem de todas as coisas; parece ter considerado ascondies de existncia ou meio ambiente como a causa primordial de cadatransformao,1 na excelente histria de Isidore Geoffroy Saint-Hilaire (Hist. Nat. Gnrale,1859, t. II, p. 405) que encontrei a data da primeira publicao de Lamarck; esta obracontm tambm um resumo das concluses de Bufon sobre o mesmo assunto. curiosover quanto o Dr. Erasmo Darwin, meu av, na sua Zoonomia (vol. I, p. 500-510),publicada em 1794, antecedeu Lamarek nas suas ideias e seus erros. Segundo IsidoreGeoffroy, Goethe partilhava completamente as mesmas ideias, como prova a introduode uma obra escrita em 1794 e 1795, mas publicada muito mais tarde. Insistiu sobre esteponto (Goethe als Naturforscher, Peio Dr. Karl meding, p. 34), que os naturalistas terode procurar, por exemplo, como os bois e carneiros adquiriram os cornos, e no para queservem, um caso bastante singular a apario quase simultnea de opiniessemelhantes, porque se v que Goethe na Alemanha, o Dr. Darwin na Inglaterra, eGeoffroy Saint-Hilaire em Frana, chegam, nos anos de 1794-1795 mesma conclusosobre a origem das espcies. 8. Um pouco tmido nas suas concluses, no acreditava que as espcies existentesestivessem em via de modificao; e, como seu filho diz, pois um problema reservadointeiramente ao futuro, supondo mesmo que o futuro pode tomar conta dele. O Dr. W. C.Wells, em 1813, dirigiu Sociedade Real uma memria sobre uma mulher branca, cujapele, em certos pontos, se assemelha de um negro, memria que s foi publicada em1818 com os seus famosos Two Essays upon Dew and Single Vision. Admite distintamentenesta memria o princpio da seleco natural, e foi a primeira vez que publicamente asustentou; mas aplica-a apenas s raas humanas e a certos caracteres particulares.Depois de ter notado que os negros e os mulatos escapam a certas doenas tropicais,verifica primeiramente que todos os animais tendem a variar num certo grau, esecundariamente que os agricultores aperfeioam os animais domsticos pela seleco.Em seguida acrescenta que o que, neste ltimo caso, efectuado pela arte, pareces-lo igualmente, mas mais lentamente, pela natureza, para a produo de variedadeshumanas adaptadas s regies que habitam; assim, em meio das variedades acidentaisque puderam surgir entre alguns habitantes disseminados nas partes centrais da frica,algumas eram sem dvida mais aptas que outras para suportar as doenas do pas. Estaraa devia, por conseguinte, multiplicar-se, enquanto que as outras desapareceriam, nos porque no podiam resistir s doenas, mas ainda porque lhes era impossvel lutarcontra os seus vigorosos vizinhos. Depois das minhas notas precedentes, no se podeduvidar que esta raa enrgica no fosse uma raa escura. Ora, persistindo sempre amesma tendncia para a formao de variedades, deviam surgir, no decorrer do tempo,raas cada vez mais negras; e a raa mais negra, sendo a mais prpria para adaptar-se aoclima, devia tornarse a raa predominante, seno a nica, no pas particular onde tomouorigem. O autor estende em seguida estas mesmas consideraes aos habitantes brancosdos climas mais frios. Devo agradecer a M. Rowley, dos Estados Unidos, ter chamado, porintermdio de M. Brace, a minha ateno para esta passagem da memria do Dr. Wells. O venervel e reverendo W. Herbert, mais tarde deo de Manchester, escrevia em1822, no 4., volume das Horticultural Transactions, e na sua obra as Amaryllidaces (1837,p. 19, 339), que as experincias de horticultura tm estabelecido, sem refutao possvel,que as espcies botnicas no so mais que uma classe superior de variedades maispermanentes. Aplica a mesma opinio aos animais e v que as espcies nicas de cadagnero foram criadas num estado primitivo muito plstico, e que estes tipos produziramulteriormente, principalmente pelo cruzamento e tambm por variao, todas as nossasespcies existentes. 9. Em 1826, o professor Grant, no ltimo pargrafo da sua memria sobre as espongilas(Edinburgh Philos. Journal, 1826, t. xiv, p. 283), declara nitidamente que acredita que asespcies derivam de outras espcies, e que se aperfeioam no correr das modificaesque vo sofrendo. Apoiou-se nesta mesma opinio na sua 55. conferncia, publicada em1834 no jornal The Lancet.Em 1831, M. Patrick Matthew publicou um tratado com o ttulo Naval Timber andArboriculture, no qual emite exactamente a mesma opinio que M. Wallace e euexpusemos no Linnean Journal, e que vou desenvolver na presente obra. Infelizmente M.Matthew enunciou as suas opinies laconicamente e em passagens disseminadas numapndice a uma obra tratando de assunto muito diverso; passariam at despercebidas seM. Matthew no chamasse a ateno para elas no Guardeners Chronicle (7 Abril 1860).As diferenas em os nossos modos de ver no tm grande importncia. Parece crer que omundo foi quase despovoado em perodos sucessivos e povoado de novo em seguida;admite, a ttulo de alternativa, que novas formas podem produzir-se sem auxlio de moldeou germe anterior. Julgo no compreender bem algumas passagens; parece-me, todavia,que d muita importncia aco directa das condies da existncia. Contudo,estabeleceu claramente todo o poder do princpio da seleco natural.Na sua Description Physique des Iles Canaries (1836, p. 147), o clebre gelogo enaturalista von Buch exprime nitidamente a opinio de que as variedades se modificampouco a pouco e se tornam espcies permanentes que no mais so capazes decruzar-se.Na Nouvelle Flore de lAmrique du Nord (1836, p. 6), Rafinesque exprimia-se assim:Todas as espcies podiam ser outrora variedades, e muitas variedades tornaram-segradualmente espcies, adquirindo caracteres permanentes e particulares; e um poucomais adiante (pg. 18) acrescenta: exceptuando os tipos primitivos ou ancestrais dognero.Em 1843 a 44, no Boston Journal of Nat. Hist. U. S. (t. rv, pg. 468), o professorHaldeman exps com talento os argumentos pr e contra a hiptese do desenvolvimento eda modificao da espcie; parecia pender para o lado da variabilidade.Os Vestiges of Creation apareceram em 1844. Na 10.a edio, muito melhorada(1853), o autor annimo diz (p. 155): A proposio na qual se pode parar aps numerosasconsideraes, que as diversas sries de seres animados, desde os mais simples e maisantigos at aos mais elevados e mais recentes, so, pela providncia de Deus, o resultadode duas causas: primeiramente, de uma impulso comunicada s formas da vida; impulsoesta que as arremessa num tempo dado, por via de gerao regular, atravs de todos osgraus de organizao, at s Dicotiledneas e Vertebrados superiores; estes graus so,alm disso, pouco numerosos e geralmente marcados por intervalos no seu carcterorgnico, o que torna muito difcil na prtica a apreciao das afinidades;secundariamente, de uma outra impulso respeitante s foras vitais, tendendo, na sriedas geraes, a apropriar, modificando-as, as conformaes orgnicas s circunstnciasexteriores, como a nutrio, a localidade e as influncias metericas; so essas asAdaptaes do telogo natural. O autor parece acreditar que a organizao progride por 10. saltos, mas que os efeitos produzidos pelas condies de existncia so graduais.Sustenta com bastante fora, baseando-se sobre razes gerais, que as espcies no soprodues imutveis, mas no vejo como as duas supostas impulses possam explicarcientificamente as numerosas e admirveis coadaptaes que se notam na natureza;como, por exemplo, podemos tomar nota da marcha que devia seguir o picano para seadaptar aos seus hbitos particulares. O estilo brilhante e enrgico deste livro, ainda queapresentando nas primeiras edies poucos conhecimentos exactos e uma grande falta deprudncia cientfica, asseguroulhe logo um grande xito; e, em minha opinio, prestouservios chamando a ateno para o assunto, combatendo os prejuzos e preparando osespritos para a adopo de ideias anlogas. 11. Em 1846, o veterano da zoologia, M. J. dOmalius dHalloy, publicou (Bull. de lAcad.roy. de Bruxelles, vol. XIII, p. 581) uma excelente memria, ainda que breve, na qual emitea opinio de que mais provvel que as espcies novas tenham sido produzidas pordescendncia com modificao do que criadas separadamente; o autor tinha j exprimidoesta opinio em 1831.Na sua obra Nature of Limbs, p. 86, o professor Owen escrevia em 1849: A ideiaarqutipo est encarnada no nosso planeta por manifestaes diversas, muito tempo antesda existncia das espcies animais de que so actualmente a expresso. Mas, at agora,ignoramos inteiramente a que leis naturais ou a que causas secundrias tm sidosubmetidas a sucesso regular e a progresso destes fenmenos orgnicos. No seudiscurso na Associao Britnica, em 1858, fala (p. 51) do axioma da contnua potnciacriadora, ou do destino preordenado das coisas vivas. Mais adiante, a propsito dadistribuio geogrfica, acrescenta: Estes fenmenos abalam a crena em queestvamos de que o aptrix da Nova Zelndia e o tetras urogallus L. da Inglaterra tenhamsido criaes distintas feitas numa ilha e s para ela. til, alm disso, lembrar sempreque o zologo atribui o nome de criao ao processo sobre o qual nada se conhece.Desenvolve esta ideia acrescentando que todas as vezes que um zologo cita exemplos,como o precedente, para provar uma criao distinta numa ilha e para ela, quer dizersomente que no sabe como o tetras urogallus L. se encontra exclusivamente nestelugar, e que esta maneira de exprimir a sua ignorncia implica ao mesmo tempo a crenanuma grande causa criadora primitiva, qual a ave, assim como as ilhas, devem a suaorigem. Se ns relacionarmos as frases pronunciadas no seu discurso umas com asoutras, parece que em 1858 o clebre naturalista no estava convencido que o aptrix e 12. o tetras...

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