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    30 VERA THORSTENSEN

    A mais importante conseqncia desse novo cenrio o fim das fronteirasentre polticas domsticas e polticas externas, principalmente a de comrcio externo.Tal fato exige que o comrcio de bens e servios e o investimento passem a ser

    coordenados em nveis multilaterais e que as regras de conduta dos parceiroscomerciais passem a ser controladas e arbitradas tambm em nvel internacional.

    1.2 A OMC Organizao Mundial do Comrcio

    Dentro do contexto internacional, a OMC, criada em janeiro de 1995, acoluna mestra do novo sistema internacional do comrcio. A OMC engloba oGATT, o Acordo Geral de Tarifas e de Comrcio, concludo em 1947, os resultados

    das sete negociaes multilaterais de liberalizao de comrcio realizadas desdeento, e todos os acordos negociados na Rodada Uruguai, concluda em 1994.O Acordo que estabelece a OMC determinou os objetivos da nova

    organizao. Os termos negociados foram os seguintes: As Partes reconhecemque as suas relaes na rea do comrcio e das atividades econmicas devem serconduzidas com vistas melhoria dos padres de vida, assegurando o pleno empregoe um crescimento amplo e estvel do volume de renda real e demanda efetiva, eexpandindo a produo e o comrcio de bens e servios, ao mesmo tempo quepermitindo o uso timo dos recursos naturais de acordo com os objetivos do

    desenvolvimento sustentvel, procurando proteger e preservar o ambiente e reforaros meios de faz-lo, de maneira consistente com as suas necessidades nos diversosnveis de desenvolvimento econmico (GATT 1994).

    Ponto bsico para a consecuo desses objetivos a liberalizao docomrcio de bens e, agora, de servios, principalmente atravs do desmantelamentodas barreiras impostas nas fronteiras ao comrcio entre os pases.

    A OMC tem basicamente quatro funes (GATT 1994): 1 facilitar aimplantao, a administrao, a operao e os objetivos dos acordos da RodadaUruguai, que incluem: setores diversos como agricultura, produtos industriais eservios; regras de comrcio como valorao, licenas, regras de origem,antidumping, subsdios e salvaguardas, barreiras tcnicas, e empresas estatais;superviso dos acordos regionais e sua compatibilidade com as regras do GATT;propriedade intelectual; e novos temas como meio ambiente, investimento econcorrncia; 2 constituir um foro para as negociaes das relaes comerciaisentre os estados membros, com objetivo de criar ou modificar acordos multilateraisde comrcio; 3 administrar o Entendimento (Understanding) sobre Regras eProcedimentos relativos s Solues de Controvrsias, isto , administrar o tribunal

    da OMC; 4 administrar o Mecanismo de Reviso de Polticas Comerciais (TradePolicy Review Mechanism) que realiza revises peridicas das Polticas de ComrcioExterno de todos os membros da OMC, acompanhando a evoluo das polticas eapontando os temas que esto em desacordo com as regras negociadas.

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    Com tais objetivos e funes, o sistema multilateral de comrcio vem seconsolidando nos ltimos anos, atravs da OMC, que conta atualmente com 132membros e cerca de 30 membros em processo de acesso. As atividades vm se

    desenvolvendo dentro de 4 conselhos, cerca de 35 comits, alm dos grupos deacesso de novos membros.

    1.3 Dos objetivos de liberalizao do comrcio aos objetivos de competio

    internacional

    Os objetivos da OMC/GATT, ao longo das cinco dcadas da sua histria,sempre enfatizaram a liberalizao do comrcio atravs do estabelecimento e

    aplicao de regras para a remoo de barreiras nas fronteiras. No entanto, taisobjetivos vm sendo questionados diante do novo contexto mundial. Atualmente,as polticas nacionais esto sendo cada vez mais influenciadas pelos acontecimentosinternacionais, as empresas transnacionais esto desempenhando papel cada vezmais importante no comrcio, e a estratgia da globalizao est, agora, ditando asregras de investimento e de avanos tecnolgicos.

    Diante desse contexto, surgem novas discusses sobre o papel que a OMCdeve desempenhar, e quais novos objetivos deve perseguir. Tais discusses jabrangem uma abordagem mais ampla para a OMC, no s de liberalizao do

    comrcio, via o exame dos instrumentos de poltica comercial, mas de uma novaanlise que incluiria os instrumentos das diversas polticas econmicas e seusimpactos sobre a competio internacional, alm do modo de operao dosmercados (Feketekuty, Rogowsky, 1996).

    Dentre as razes apontadas para a necessidade de uma nova abordagemesto os mtodos de produo dirigidos globalizao e ao consumidor, que acabaramcom a distino entre as estratgias de comrcio e de investimentos. Antes, comrcioe investimento eram considerados atividades alternativas para se penetrar nomercado externo. Agora, na era da globalizao, as empresas tratam comrcio einvestimento como atividades complementares. Cada vez se torna mais difcilimplantar regras sobre a troca de bens que envolvam origens nacionais distintas.Na rea de servios, temas como comrcio, investimento e movimento dosprovedores so pontos bsicos das negociaes sobre liberalizao.

    No contexto da globalizao, a identidade nacional dos produtos e dasempresas que os fornecem fica cada vez mais difcil de ser identificada. Comoconseqncia, as novas regras para o comrcio internacional devem enfocar oimpacto de todas as polticas econmicas sobre o funcionamento dos mercados

    globais, sujeitas s exigncias econmicas de melhor eficincia, e sujeitas sexigncias polticas de tratamento justo por parte dos governos aos interesses deoutros pases. Tratamento no discriminatrio para produtos e para empresas, sejamnacionais ou estrangeiros, passou a ser um dos grandes temas do momento atual.

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    O processo de globalizao tem resultado em um aprofundamento daespecializao internacional e na interpenetrao das economias nacionais. Istosignifica que os interesses econmicos das naes passaram a se interpenetrar, de

    modo a tornar sem significado a tradicional distino entre instrumentos de polticaeconmica domstica e instrumentos de poltica econmica internacional. Assim,toda medida que tenha impacto na deciso de produo de bens ou servios deuma empresa globalizada se tornou tema de interesse para o governo de outrospases e para a comunidade internacional, tanto do lado do produtor quanto do ladodo consumidor.

    Diante dessas consideraes que se tem advogado uma nova posturapara o comrcio internacional, at agora sob uma abordagem de simples liberalizao

    das fronteiras, para uma abordagem mais ampla, orientada para a competiointernacional. As razes defendidas so de que tal abordagem enfocaria maisdiretamente os impactos das medidas sobre o funcionamento eficiente dos mercadosglobais, bem como passaria a incluir um conjunto mais amplo de instrumentos depolticas que afetassem a competio internacional. Com a nova abordagem, todaa argumentao de defesa da liberalizao do comrcio internacional permanecevlida, mas ampliada.

    Com o fortalecimento do processo de globalizao, todo o sistemamultilateral do comrcio deveria passar por profundas modificaes, caso uma

    nova abordagem orientada para a competio internacional se impusesse aoprocesso de liberalizao do comrcio internacional. Os objetivos do sistemamultilateral de promover a eficincia econmica e o crescimento econmico, agoradeveriam tambm incluir polticas e instrumentos que permitissem maior competiointernacional entre as empresas, de modo a garantir uma alocao de recursoseconomicamente eficiente, tanto em termos estticos quanto dinmicos. Taisobjetivos passariam a exigir acesso equivalente a insumos e consumidores, etratamento equivalente sob a regulamentao domstica, no importando a origemda empresa.

    Nesse novo cenrio, as novas negociaes multilaterais de comrcio teriam,necessariamente, que incluir novos temas como: polticas e medidas quediscriminassem entre empresas com base na nacionalidade dos detentores do capital;leis e medidas que impedissem ou distorcessem desnecessariamente a operaodas foras do mercado, ou limitassem a entrada e sada das empresas; e polticase medidas essenciais para o funcionamento eficiente do mercado global. Cadagoverno nacional manteria o seus direitos de estabelecer e atingir seus objetivossociais nas reas da sade, segurana, igualdade social e ambiente (Feketekuty,

    Rogowsky, 1996).Dentro dessa nova abordagem, as futuras negociaes internacionaiscontinuariam o processo de desmantelamento das barreiras j identificadas comotarifas, quotas, barreiras tcnicas, subsdios, dumping, prticas das empresas

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    estatais, barreiras no comrcio de servios e de padres de propriedade intelectual.Mas novos temas seriam includos, como: medidas que afetam os investimentos,prticas comerciais restritivas ou medidas que distorcem a concorrncia, medidas

    ambientais que afetam o comrcio, e padres trabalhistas, dentre outros. A razoseria de que qualquer prtica discriminatria em qualquer dessas polticas poderiaafetar os objetivos estabelecidos de se assegurar a competio global.

    Diante do novo contexto internacional de globalizao do sistema produtivoe de prestao de servios, que tem dado sustentao ao crescimento dos fluxosde comrcio e de investimentos, importante ter em mente a ampliao do papeldo pilar central de todo o sistema multilateral do comrcio que a OMC.

    A OMC j iniciou a discusso sobre diversos dos novos temas que vm

    afetando o comrcio internacional, com a criao de novos comits ou grupos detrabalho para analisar seus impactos e discutir a necessidade de se ampliar asatividades da OMC com a

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