A Nossa Analise E Os Nossos Principios

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O texto que se segue procura no s documentar com verdade os erros e os enormes equvocos da governao socialista, mas tambm reafirmar a diferena nos valores e nos princpios que sustentaro a nossa governao se, como acreditamos, merecermos a confiana dos Portugueses. (Manuela Ferreira Leite

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  • 1. NDICENota Prvia - Manuela Ferreira Leite pg. 2 1. Uma poltica de verdade pg. 3 2. Portugal: Mais de quatro anos de oportunidades perdidas pg. 9 3. A alternativa que representamos pg. 22 3.1. A pessoa humana como referncia primeirapg. 23 3.2. Olhar para o Estado a partir da sociedade pg. 26 3.3. O reformismo como mtodo de aco governativa pg. 30 4. Um Portugal ambicioso pg. 38 2

2. Nota Prvia Dentro em breve, o PSD apresentar aos Portugueses o seu programa eleitoral. Um programa que ser, necessariamente, uma decorrncia da afirmao dos valores pelos quais nos guiamos e dos princpios pelos quais nos batemos.No podemos esquecer que as prximas eleies sero, em simultneo, uma avaliao sobre o passado e um juzo sobre o futuro. Uma avaliao daquela que foi a aco dos agentes polticos a comear, evidentemente, pelo Governo e pelo partido que o sustenta parlamentarmente. Um juzo sobre aquilo que as diferentes foras polticas tm a apresentar aos Portugueses.A elaborao do Programa foi antecedida de ampla audio dos diferentes sectores sociais, numa reflexo sobre o que mais preocupa os portugueses para o futuro mas tambm sobre os erros cometidos pelo Partido Socialista ao longo deste mandato de quatro anos e meio. que, se o julgamento eleitoral , por vezes, afectivo porque influenciado pelas preferncias pessoais de cada um -, tem sobretudo de ser racional, isto , resultar de uma avaliao fundada em elementos objectivos. E, h que diz-lo, o Partido Socialista e a sua gigantesca mquina de propaganda continuam a tudo fazer no sentido de dissimular a realidade e de fugir s graves responsabilidades que s a ele podem ser imputadas. Uma estratgia que assume agora, subtilmente, novas formas, com a ilusria multiplicao de novas promessas. Como se os socialistas no pudessem e devessem ter feito j aquilo que agora proclamam como propsitos para a nova legislatura.Alm disso, a campanha eleitoral sem dvida o momento para a reafirmao clara das dissemelhanas doutrinrias entre as duas foras polticas que, entre ns, representam, por vontade dos Portugueses, a alternncia de Governo.O programa eleitoral e o debate de ideias evidenciaro quanto os projectos polticos de ambos os partidos se afastam substancialmente e como distinta a ideia de sociedade para que apontamos. Esta clara separao de guas condio de transparncia democrtica.O texto que se segue procura no s documentar com verdade os erros e os enormes equvocos da governao socialista, mas tambm reafirmar a diferena nos valores e nos princpios que sustentaro a nossa governao se, como acreditamos, merecermos a confiana dos Portugueses.Manuela Ferreira Leite3 3. UMA POLTICA DE VERDADE 1. UMA POLTICA DE VERDADEPortugal vive um dos momentos mais difceis da sua histria recente. A crise com que nos deparamos, e que no apenas financeira, econmica e social o que seria, por si s, extraordinariamente preocupante -, mas tambm de valores, de atitudes e de comportamentos, veio colocar-nos, enquanto comunidade, perante um conjunto de obstculos de especial gravidade.A conscincia da dimenso dos nossos problemas no deve, porm, constituir um elemento de desnimo ou de desistncia. E isso porque nunca demais relembrar que uma nunca demais crise qualquer crise ao envolver riscos e incertezas, suscita relembrar que qualquer tambm oportunidades. Se apresenta dificuldades, configura-se igualmente como uma ocasio para explorar novas hipteses.crise, ao envolver riscos Se significa o fim de um percurso, representa a possibilidade dee incertezas, suscita escolher novos e distintos percursos que substituam aqueles tambm oportunidades que se esgotaram.Ao longo da sua histria multissecular, o nosso Pas viu-se frequentemente a braos com desafios gravosos, e muito deles de contornos bem mais complexos. Atravessmos perodos muito mais delicados, mas soubemos lutar contra a adversidade. Mau grado a sua magnitude, vencemos esses perigos, um por um. Demonstrmos at especial aptido para explorar recursos de capacidade, de trabalho e de inventiva anteriormente mal aproveitados ou, mesmo, ignorados. Pode dizer-se, inclusive, que foi sempre nessas circunstncias de maior angstia que, enquanto colectividade, revelmos o que de melhor h em ns e construmos a imagem de um dos povos mais marcantes na histria da Humanidade. E, uma vez mais, nos dias de hoje, temos de ser capazes de o fazer e de ser dignos do patrimnio que os nossos antepassados nos legaram.Mas ateno: isso s ocorrer se verdadeiramente o quisermos.Partir para o combate dirigido aos obstculos que entravam o nosso desenvolvimento e que, nos ltimos tempos, nos tm feito atrasar face aos nossos competidores mais directos, pressupe que estejamos disponveis para compreender o que tem corrido mal e porqu. Trata-se de uma condio essencial,4 4. UMA POLTICA DE VERDADEpois s se tivermos essa vontade e esse querer poderemosinverter o caminho descendente em que os erros sucessivos de Falar verdade aos m governao nos lanaram. E, precisamente porque essa ideia Portugueses, (...) o se afigura como central, foi definido como lema director da aco elemento essencial dapoltica do PSD a expresso Poltica de Verdade. relao de confiana que certo que, no nosso caso, essa atitude no configura, em si soubemos construir e mesma, uma novidade. Falar verdade aos Portugueses, e agir com manter com os nossos respeito por esse princpio, faz parte da nossa prpria identidade concidados. gentica, da nossa maneira distinta de ser, do nosso modo De resto, precisamente peculiar de estar. o elemento essencial da relao de confianaque soubemos construir e manter com os nossos concidados. por a que o PSD comeaUma verticalidade de comportamento que queremos conservar, a marcar a diferena,seja quando nos cabe a responsabilidade de governar, seja nomeadamente emquando nos compete a tarefa, no menos digna, de conduzir a relao ao Partido oposio. Socialista.De resto, precisamente por a que o PSD comea a marcar adiferena, nomeadamente em relao ao Partido Socialista. queenquanto ns enveredamos por uma postura de verticalidade ede transparncia, no perdendo nunca o sentido do interessenacional, nem iludindo os problemas quando eles existem, ou asua real dimenso, os socialistas tm preferido a demagogia, aopacidade e o engano. Tm optado por esconder, por iludir, porfazer de conta, Tm privilegiado uma lgica de promessas quesabem, logo no momento em que so feitas, que no vo nuncapoder cumprir. E, o que mais impressiona, que o fazem semvergonha, desdizendo hoje, sem sequer pestanejar, aquilo que,com solenidade, afirmaram ontem. Trata-se, h que diz-lo, de uma atitude que no apenasvisvel entre ns, pois vem fazendo o seu caminho, napoltica, um pouco por todo o lado, mas em Portugal,transformou-se em regra no actual ciclo poltico. Umaatitude que, alm do mais, vem contribuindo activamentepara o fortalecimento de foras polticas mais radicais quecapitalizam, com um discurso poltico habilidoso e demaggico,o descontentamento que tal desrespeito pelos padres de ticamnimos revela. Foras que so, ao mesmo tempo, incapazes deapresentar alternativas polticas coerentes, slidas e exequveis. No decurso da actual legislatura, esta postura com elevadograu de censurabilidade acentuou-se, atingindo nveisjamais registados. Os exemplos que o comprovam so, alis, 5 5. UMA POLTICA DE VERDADE mltiplos: a encenao do dfice oramental, a questo das taxas moderadoras na sade, o tema das portagens nas SCUT ou o lamentvel folhetim do novo Aeroporto de Lisboa, demonstram-no saciedade. Mas, por se afigurar como exemplo especialmente demonstrativo da maneira socialista de estar na Primeiro, num esforo poltica, vale a pena atentar, com algum detalhe, na forma como irresponsvel para negar lidaram com a presente crise econmica e financeira.o bvio, puseram em causa a existncia da Primeiro, num esforo irresponsvel para negar o bvio, puseram prpria crise. em causa a existncia da prpria crise. Depois, repetiram exausto que os efeitos dela no nos viriam a afectar e que, consequentemente, Portugal resistiria melhor do que os outros Depois, repetiram e no entraria em recesso. Por fim, e quando a realidade dos exausto que os efeitos factos no podia mais ser desmentida, passaram da negao dela no nos viriam a desvalorizao. E, a partir de ento, comeou a assistir-se a afectar e que Portugal nova tentativa sistemtica de mistificar os Portugueses, destano entraria em feita quanto dimenso real da crise e aos reflexos que teria no recesso. nosso Pas e, em especial, sobre a nossa economia. importante, nessa medida, recordar o que tm sido os nmeros apresentados pelo Governo e constatar a gritante disparidade que apresentaram, e continuam a apresentar, com os dados avanados por prestigiadas instituies nacionais e internacionais. Quando, em Outubro de 2008, entregou na Assembleia da Repblica a proposta inicial de Oramento para 2009, o Governo previa, para o ano corrente, 0,6% de crescimento do PIB, de 0,8% do consumo privado e de 1,5% do investimento. A taxa de desemprego permaneceria intocada nos mesmos 7,6%.Na mesma altura, nas suas previses do Outono, a Comisso Europeia mencionava, para 2009, um crescimento do PIB e do consumo privado de apenas 0,1%, do investimento de -2,7%, 6 6. UMA POLTICA DE VERDADEsituando-se a taxa de desemprego nos 7,9%.O Governo no sePor seu lado, no Boletim Econmico do Outono, o banco central limitou a errar. (...) nacional projectava, para 2009, -0,8% para o crescimento doPIB, -0,3% para o investimento e 0,6% para o consumo privado. Enveredou, convicta e voluntariamente, por uma Em Janeiro de 2009, o Governo avanou com a proposta poltica de embustes. de oramento suplementar. E nela falava, para 2009, numcrescimento de -0,8% para o PIB, de -0,9% para o investimento,e de 0,4% para o consumo privado, com o desemprego a fixar-senos 8,5%. Nas previses intercalares, tambm tornadas pblicas emJaneiro deste ano, a Comisso Europeia referia, no que toca scontas de 2009, um crescimento de -1,6%, de -0,2%, e de -5,5%,respectivamente, para o PIB, o consumo privado e o investimento,avanando tambm com o nmero de 8,8% para o desemprego. E, sem pretender ser-se exaustivo nos nmeros, atente-se,ainda, que na reviso feita em Maio deste ano, o Governo falaem -3,4% de crescimento do PIB, quando a Comisso Europeia jrefere -3,7% e o FMI -4,1% e que, no que toca ao desemprego,o Governo se fixa nos 8,8%, enquanto a Comisso Europeiamenciona 9,1% e o FMI 9,6%. que faltar verdade, claro que previses so isso mesmo uma antecipao, esconder a realidade tecnicamente fundada, de resultados provveis. E que, por isso,elas apresentam sempre graus diferenciados de falibilidade, concreta dos factostornando-se alm disso mais difceis de fazer em momentos significa hipotecar asde especial instabilidade econmica. Assim sendo, o Governo hipteses de vencer as no poderia ser responsabilizado por apenas se enganar nos dificuldades (...). nmeros que apresentou, at porque o mesmo sucedeu, alis,com outras entidades. S que o ponto no , aqui, esse. O Governo no se limitou a errar.Optou, assumidamente, por desvalorizar os sinais de alarme e agravidade da situao, como a anlise comparativa deixa bempatente. Em vez de falar, olhos nos olhos, com os Portugueses,pretendeu, num esforo a todos os ttulos censurvel, fazerdas coisas aquilo que elas no eram e que no poderiam nuncaser. Enveredou, convicta e voluntariamente, por uma polticade embustes. Em suma, um comportamento incompreensvel einaceitvel que, alis, s contribuiu para tornar tudo mais difcil,colocando o Pas, de forma abrupta, perante uma situao para a7 7. UMA POLTICA DE VERDADE qual o Governo o no havia minimamente preparado ou, sequer, alertado.Este no , de modo algum, o caminho que o PSD quer trilhar. Por ns, e tal como sempre o fizemos, continuamos e continuaremos a repudiar, com veemncia, essa tendncia para esconder, para dissimular, para mentir. Porque o consideramos, a todos os ttulos,No se pode apelar censurvel e condenvel. Porque enganar os cidados constitui, mobilizao das sem dvida, o maior pecado capital que qualquer poltico podecapacidades criativas cometer. Porque assim se adultera, no seu mago mais ntimo, a e de trabalho dos prpria ideia subjacente noo de representao poltica.Portugueses se se lhesoculta a delicadeza da Mas isso no tudo. que faltar verdade, esconder a realidade concreta dos factos, por mais delicada que ela seja, significa situao. igualmente hipotecar, a cada dia que passa, as hipteses de vencer as dificuldades que nos assolam. De facto, no se pode apelar mobilizao das capacidades criativas e de trabalho dos Portugueses se se lhes oculta a delicadeza da situao e se se lhes indica que o momento em que todos os nossos problemas estaro solucionados se apresenta como muito prximo. Nem muito menos srio passar o tempo a pedir esforos e a impor sacrifcios se, de cada vez que isso feito, o ponto a que se chega no corresponde, em nada, ao que foi garantido.Tambm a esta lgica de actuao poltica tem que ser posto um ponto final. No possvel, por mais tempo, exigir, exigir, exigir, eA poltica s faz sentido depois no corresponder com resultados que justifiquem aquilose se basear num que se imps. E no o fazer, ainda para mais, por responsabilidade primeira de polticos incompetentes ou incapazes.contrato de confianaentre os representantes e Com o PSD, esse crculo vicioso pode e vai ser quebrado. Esse quem os escolheu. um compromisso que assumimos. Afirmamo-lo sem receios nem hesitaes, seguros que estamos da alternativa que propomos, do caminho que queremos seguir e dos resultados que possvel alcanar.A poltica s faz sentido se se basear num contrato de confiana entre os representantes e quem os escolheu. Um contrato em que aos cidados solicitado que aceitem, se disso for caso, o cumprimento de medidas exigentes em ordem a atingir, de forma sustentada, os objectivos que assegurem a realizao do bem comum; mas em que aos titulares de cargos polticos se exige que se obriguem sua realizao, sem se esconderem, uma e outra vez, por detrs de novas dificuldades e de novos obstculos, e 8 8. UMA POLTICA DE VERDADE S desse modo se sem que, ao mesmo tempo, invoquem sistematicamente factos poder repor a confianaalheios como justificao para as suas prprias insuficincias. perdida na poltica e nos S desse modo se poder repor, progressivamente, a confiana polticos, (...) retomar o perdida na poltica e nos polticos. S por essa via conseguiremos caminho da dignificao retomar o caminho da dignificao das instituies do Estado e das instituies do dos partidos. S assim se conseguir concretizar aquilo que, Estado e dos partidos(...); nossa convico, est plenamente ao alcance da comunidade fazer de Portugal um Pas nacional: inverter o plano inclinado em que a governao com elevados padressocialista nos tem lanado; assegurar o progresso estvel; fazer de Portugal um Pas com elevados padres de desenvolvimento; de desenvolvimento(...) e garantir aos Portugueses um nvel de vida que esteja em em linha com aquilo linha com aquilo que so as suas justas, e ainda no realizadas, que so as suas justas, aspiraes. e ainda no realizadas, aspiraes.Sabemos que h um outro caminho. E sabemos aquilo que, nestes tempos especialmente difceis, os Portugueses esperam e exigem dos polticos. E as evolues polticas mais recentes, com especial destaque para os resultados registados nas eleies para o Parlamento Europeu, do-nos o conforto de Sabemos aquilo que os ver reconhecida a razo que nos assiste. Por ns, no nos Portugueses esperam e desviaremos, um milmetro que seja, do rumo que tramos. exigem dos polticos. E Continuaremos determinados na orientao que delinemos. E os Portugueses podemos Portugueses podem estar seguros que no os atraioaremos estar seguros que no nem os desiludiremos. os atraioaremos nem os desiludiremos. 9 9. PORTUGAL: MAIS DE QUATRO ANOS DE OPORTUNIDADES PERDIDAS 2. PORTUGAL: MAIS DE QUATRO ANOS DEOPORTUNIDADES PERDIDAS Ao longo dos ltimos meses, o Governo e o Partido Socialista tm-se afadigado em explicar que a delicadeza da actualEm vez de se decidir, situao se deve, apenas e to s, s consequncias internas daapregoou-se. crise que atinge o Mundo. A eles, nada de negativo poderia ser Em vez de se optar, apontado, pois que em todos os momentos em que decidiram,fingiu-se. e em todas as medidas que anunciaram, enveredaram pelo caminho correcto(!) E esta leitura no decorre apenas da nossa Em vez de se agir interpretao. Foi especialmente visvel na noite da sua derrota com determinao, nas eleies para o Parlamento Europeu, quando ouvimos mascarou-se a realidade. da boca dos mais altos responsveis do Partido Socialista e, inclusive, do seu Secretrio-Geral, o firme propsito de manterPerdeu-se mais tempo intocado o rumo insensato que tm imposto ao Pas. e despendeu-se maisenergia e esforos em Infelizmente, porm, todos sabemos incluindo o Governo e o partido que o apoia que as coisas no se configuram dessaanunciar resultados que forma. No pode negar-se, evidentemente, que uma economianingum viu e ningum aberta e de pequena dimenso, como a portuguesa, sempresente, do que aquele que teria de ser afectada pela onda de choque que varre a economia seria gasto na resoluo mundial. Essa uma evidncia que no carecia sequer ser dos mesmos. afirmada. Mas, ao mesmo tempo, h que reconhecer que, quanto maiores so os riscos, maior dever ser a capacidade para lhes resistir, e maior dever ser o cuidado em criar as condies para nos resguardar.Ora, como qualquer observador objectivo poder reconhecer, foi precisamente o inverso disso que ocorreu entre ns. Em vez de se decidir, apregoou-se. Em vez de se optar, fingiu-se. Em vez de se agir com determinao, mascarou-se a realidade. Perdeu-se mais tempo e despendeu-se mais energia e esforos em anunciar resultados que ningum viu e ningum sente, do que aquele que seria gasto na resoluo dos mesmos. E acima de tudo por isso que o nosso Pas est hoje como est.Bom indicador desse facto , alis, o estudo recentemente divulgado pelo Eurostat e que d conta que Portugal , na Zona Euro, o segundo pas com mais elevada taxa de destruio de emprego, tendo registado, no 1. semestre de 2009, uma variao homloga de -1,6%. Na Zona Euro, apenas a Espanha, que tem de resto um crnico problema neste domnio, nos 10 10. PORTUGAL: MAIS DE QUATRO ANOS DE OPORTUNIDADES PERDIDAS ultrapassa. E h, alis, vrios Estados que registam variaes homlogas positivas, como sucede com a Alemanha, a Blgica, a Eslovnia ou a Noruega. E outro dado bem demonstrativo prende-se com a alterao do rating da Repblica Portuguesa Contas Pblicas a que procederam as principais agncias internacionais e que se registou bem antes da presente crise.Todos recordamos que o reequilbrio das contas pblicas e o retomar da convergncia com os nossos parceiros europeus Chegou-se ao ponto foram assumidos pelo Partido Socialista como desgnios de, com a colaborao estratgicos em matria de poltica financeira e econmica. do Banco de Portugal, inventar um dficeNo que primeira questo respeita, tudo foi sacrificado e oramental que desse justificado em funo da necessidade de atingir o equilbrio oramental. Chegou-se ao ponto de, com a colaborao do ao Governo uma ampla Banco de Portugal, inventar um dfice oramental que desse margem de manobra e deao Governo uma ampla margem de manobra e de justificao. justificao. Impuseram-se sacrifcios. Proclamaram-se reformas. Puseram-se em causa direitos e legtimas expectativas dos cidados. Apesar Impuseram-se sacrifcios.de tudo isso, a degradao das contas pblicas acentuou-se. E, Proclamaram-se reformas.como o reconhecem economistas da prpria rea socialista, a Puseram-se em causa trajectria de correco do dfice se que alguma vez existiu realmente h muito que foi interrompida. E, insista-se, muito direitos e legtimas antes de a actual crise internacional estar, sequer, anunciada. expectativas dos cidados. Apesar de tudoNo que poltica econmica concerne, igualmente se prometeram isso, a degradao dasmundos e fundos. Numa demonstrao de pura propaganda, contas pblicas anunciou-se que a chave para ultrapassar as nossas dificuldades acentuou-se. estava num Plano Tecnolgico. No se sendo capaz de entender uma coisa de linear simplicidade: que Portugal no poder vencer os desafios que a nova economia coloca, quando no foi ainda capaz de ultrapassar os constrangimentos que afectaram - e afectam o desempenho da velha economia. De toda essa Poltica Econmicapropalada determinao resta, sobretudo, o Magalhes o qual, na substncia, tem uma relevncia que, quanto muito, no vai para alm do marginal e a que este Governo se agarra tal qual um nufrago abraa a sua bia de salvao. Pouca coisa, convenhamos, para tanto anncio.Incapaz de entender qual a verdadeira ndole dos problemas que nos fazem, progressivamente, perder terreno face aos nossos competidores, este Executivo apostou numa estratgia errada de canalizao de recursos para projectos megalmanos, como o caso do TGV, da terceira travessia do Tejo, ou de11 11. PORTUGAL: MAIS DE QUATRO ANOS DE OPORTUNIDADES PERDIDAS mais auto-estradas, que no apresentam rentabilidade ou justificao econmica, mas apenas contribuem para agravar os desequilbrios da nossa economia e a sua dependncia face ao exterior. E, como se tal no bastasse, no cenrio da presente crise, o Governo insistiu, numa atitude tipicamente socialista, em apregoar o lanamento de mais e mais euros sobre os problemas Poltica Econmica ou a criao de adicionais linhas de crdito, conduzindo a situaes em que muitas vezes, em vez de se contribuir para a sua resoluo se est antes a trabalhar, objectivamente, para a respectiva deteriorao. Anncios que, de resto, deixam quase tudo o que relevante na opacidade: os montantes exactos que envolvem, os critrios de racionalidade a utilizar na atribuio dos auxlios, os reais efeitos que se antecipa sobre as empresas ou as respectivas consequncias oramentais, no endividamento e na situao financeira do Pas. manifesto que a nossa economia no estava preparada, pordesde Outubro de incria governativa, para resistir a uma situao com os contornos1995 at hoje, o da actual. E a actuao do Partido Socialista apenas contribuiu, e Partido Socialista teve muito, para o agravamento dos desequilbrios macroeconmicos que ainda perduravam. Como consequncia disso, Portugal foi a responsabilidade da conduzido a uma situao de fragilidade econmica e financeiradireco do Executivo por como no h memria, e que nos deixa, qual navio sem motores, mais de onze anos. No no meio de uma tempestade devastadora. Ora, se o Governo noh atenuantes nem libis tem culpa da tempestade, sua a inteira responsabilidade por para os socialistas. no ter equipado e preparado a embarcao para resistir a um mar especialmente encapelado e em no ter considerado, como devia, os mltiplos avisos navegao.Contudo, no tanto a incapacidade, o desmazelo ou a incompetncia deste Executivo que nos deve surpreender. , sobretudo, a dimenso das mesmas. Com efeito, nunca demais relembrar que, desde Outubro de 1995 at hoje isto , durante cerca de catorze anos - o Partido Socialista teve a responsabilidade da direco do Executivo por mais de onze anos. O PSD, pelo seu lado, assumiu tarefas desse teor por menos de trs anos. Afigura-se, pois, como por demais evidente, que no h atenuantes nem libis para os socialistas. A culpa dos nossos problemas tem rostos e tem nomes. E todos sabemos quais so. E, no momento adequado, o julgamento dos portugueses no deixar de ser feito, penalizando aqueles que nos esto a condenar ao atraso endmico e progressiva irrelevncia no concerto global das naes. 12 12. PORTUGAL: MAIS DE QUATRO ANOS DE OPORTUNIDADES PERDIDASPorque o Governo insiste, ainda agora, em querer esconder averdade dos factos, mesmo quando ela se torna cada vez maisindisfarvel, vale a pena retomar os nmeros que espelham anossa realidade e que so, na sua imensa frieza, especialmentereveladores. o PIBSe, para no irmos mais atrs, nos situarmos em dados relativosaos quatro ltimos anos, constatamos, desde logo, que o nvelde vida dos portugueses se deteriorou significativamente face mdia europeia, tendo passado de 76,9% em 2005, para 75,5%em 2008. Entre 2004 e 2008, o dfice externo subiu de 6,1% doPIB para 10,5%. Por seu lado, o endividamento externo disparoude 64% do PIB para uns inacreditveis 97,2%. O endividamentodas famlias e das empresas, esse cresceu, respectivamente, de80% para 96% do PIB e de 116% para 140% do PIB. No mesmo perodo, a produtividade do trabalho praticamenteestagnou face mdia europeia passou de 67% para 70,6%,continuando muito aqum do que seria indispensvel. O dficepblico, que atingia 3,4% do PIB em 2004, foi reduzido para2,6 % em 2008 ainda assim, acima do valor projectado peloGoverno, que era de 2,2%. Mas foi-o custa do recurso a receitasextraordinrias (as tais que os socialistas no passado tantocriticaram e a que juraram nunca ir recorrer), que representamcerca de 1800 milhes de euros, isto , volta de 1,1% do PIB.E isto para j no falar da quebra do investimento pblico e doaumento da carga fiscal, que passou de 33,8% para 37,5% doPIB, colocando assim uma presso crescentemente insuportvelsobre as empresas e as famlias. Em contrapartida, porm, a despesa pblica corrente, empercentagem do PIB, passou de 42 % para 43,2% e a despesapblica corrente primria (ou seja, excluindo os juros da dvidapblica), aumentou de 39% para 40,3%. E tudo isto aconteceu num perodo que, at meados de 2008,se caracterizou por um crescimento internacional generalizado! As consequncias deste fracasso governativo so hoje bemvisveis: o PIB, que cresceu 1,5% em 2004, regrediu em 2008para os 0%. E Portugal caiu, no ranking do Institute forManagement Development, da 32. para a 37. posio. E, no quetoca competitividade da nossa economia, e segundo o WorldEconomic Forum, ocupamos agora a 43. posio quando, antes 13 13. PORTUGAL: MAIS DE QUATRO ANOS DE OPORTUNIDADES PERDIDAS deste Governo, nos situvamos no 25. lugar.Se, no plano financeiro e oramental, as coisas se apresentam extremamente complexas, ainda mais preocupantes so os resultados das polticas sociais que foram seguidas. de resto por isso que temos acentuado a expresso Estado de Emergncia Social para descrever a gravidade da situao a que neste domnio se chegou. Inicialmente, muitos escarneceram e tentaram desvalorizar o seu significado. Agora est bem vista como o diagnstico ento feito e as previses na altura formuladas, se pecaram, foi apenas por defeito. Polticas Sociais Dizendo-se socialista, o actual Executivo , seguramente, aquele que maior insensibilidade social tem demonstrado nos mais de trinta anos que levamos de regime democrtico. Porque em vez de pessoas, v nmeros. Porque no capaz de entender que, por detrs de cada desempregado, se esconde um drama humano e, muitas vezes, familiar. Porque se recusa a aceitar que o direito ao emprego um dos direitos mais fundamentais do ser humano, pois que na sua ausncia a prpria dignidade individual que questionada.Este , recorde-se, o Governo que, embora agora o negue, tentando escudar-se na retrica e no jogo de palavras, prometeu criar, no espao da presente legislatura, 150 000 adicionais postos de trabalho. E da que impressione, mais ainda, a (Des)Emprego negatividade dos nmeros a que se chegou, na medida em que o que se passou foi precisamente o inverso do propalado.De uma taxa de 6,7% em 2004 cresceu-se para os 7,6% emPortugal atingir assim, finais de 2008. E a previso para 2009 de 8,8% (para s falarmos nos nmeros enganosos da responsabilidade doem 2009, o valor de prprio Governo). Portugal atingir assim, em 2009, o valor de desemprego mais elevado desemprego mais elevado desde 1986. E isto significa duasdesde 1986. coisas bem reais: que, face aos nmeros de 2004, existem agora Face aos nmeros de em Portugal mais 135 000 pessoas sem emprego; e que cerca2004, existem agora em de meio milho de Portugueses no tm trabalho.Portugal mais 135 000 Infelizmente, porm, os nmeros que conhecemos estaro pessoas sem emprego; seguramente longe da realidade, na medida em que neles see cerca de meio milho no incluem os desempregados que se encontram, ao longode Portugueses no tm de muitos meses e anos, em programas de formao, porque otrabalho. Governo insiste em trabalhar para as estatsticas. Isto , tambm neste domnio tudo vale em ordem a tentar diminuir o completo 14 14. PORTUGAL: MAIS DE QUATRO ANOS DE OPORTUNIDADES PERDIDASdesnorte da governao socialista. E importante que se relembre que estas estatsticas seriam bemmais gravosas caso milhares e milhares de cidados nacionaisno tivessem dado origem a uma nova vaga de emigrao,tentando procurar fora das nossas fronteiras as oportunidadesque aqui lhes so negadas. Na dcada de sessenta, a pobrezafez de ns um Pas de emigrantes. Na dcada de noventa, oprogresso e o desenvolvimento transformaram-nos em Estadode acolhimento daqueles e muitos foram que aqui quiseramprocurar a sua sorte. No final da primeira dcada do Sculo XXI,a busca por uma vida melhor obrigou muitos dos nossos a partirde novo e a enfrentar o desconhecido. Mas, se os dados do desemprego global so, por si s,extremamente preocupantes, o que dizer da taxa de desempregoentre os licenciados, que passou dos 7,5% em 2004 para os9,1% em finais de 2008? Na verdade, que futuro estamos apreparar quando a camada mais qualificada da nossa populao, precisamente, aquela que maiores dificuldades tem em obterum emprego estvel e que permita ao Pas rentabilizar o esforoque durante anos fez na sua formao educativa e na suaqualificao profissional? PobrezaA incapacidade demonstrada na rea social igualmenterevelada por outros dados significativos, como os indicadores dapobreza. Depois de anos de combate bem sucedido a esse flagelo, o fiocondutor que vinha sendo seguido foi rompido e a situao, nomnimo, estagnou. Segundo os nmeros oficiais mais recentes(e que se referem ao ano de 2007), o risco de pobreza entre nscontinua a situar-se nos 18%. E se isso sucedeu num perodo decrescimento econmico internacional, no difcil antever queno ltimo ano e meio se registou um agravamento significativo,porquanto o aumento do desemprego incrementa tambm,e de forma substancial, o risco de pobreza. Mas, como se issono fosse, por si s, bastante, Portugal descobre hoje novasformas de pobreza e de excluso, que assumem contornosdevastadores, e para as quais no houve, nem h, qualquer tipo Apoios aos Idososde resposta concreta adequada. Em 2005, o Partido Socialista garantiu, no contexto da disputaeleitoral, que iria retirar 300 000 idosos da pobreza. Tambm 15 15. PORTUGAL: MAIS DE QUATRO ANOS DE OPORTUNIDADES PERDIDAS essa promessa continua por cumprir. Mas no s a esse nvel que a situao continua a ser extremamente preocupante. O que dizer, com efeito, do que se passa noutros sectores da nossa populao? que a taxa de pobreza, quer antes quer depois das prestaes sociais, agravou-se, tanto no escalo entre os 17 e os 64 anos, quanto no escalo dos menores de 17 anos. Neste ltimo caso, a taxa apresenta valores crticos e, alis, com tendncia crescente, situando-se na casa dos 23%. caso para dizer que, numa rea de importncia crucial, o registo da actuao deste Governo se apresenta, na melhor das hipteses, como medocre. Agricultura Uma palavra especial devida ao que se passa no sector da agricultura, pelo ostracismo completo a que o Executivo votou o sector e, por tabela, trs quartas partes do territrio nacional, com dramticas consequncias para as condies de vida daqueles e tantos so que continuam a fazer da nobre tarefa de trabalhar a terra um modo inteiro de vida.Ao contrrio do que seria sua estrita obrigao, este Governo no s desperdiou irresponsavelmente os recursos europeus postos disposio dos nossos agricultores, como passou o tempo a, sem regra nem critrio, destruir a capacidade da nossa Administrao para gerir os apoios da Poltica Agrcola Comum.As linhas de orientao seguidas ao longo de quatro anos deram resultados que so bem demonstrativos do desinteresse, para no dizer da hostilidade, para com os agricultores: foi-lhes retirado o benefcio da chamada electricidade verde, pagando agora, quando a tm, a energia elctrica mais cara da Europa; foi-lhes vedado, ilegalmente diga-se, o apoio das medidas agro-ambientais, as quais viabilizavam grande parte das exploraes agrcolas existentes por todo o Pas; foi-lhes negado o acesso a quaisquer apoios pblicos ao investimento produtivo, quer no plano estritamente agrcola, quer no plano agro-industrial. Na sade, o Governo Em suma, mesmo com boa vontade no possvel identificar uma nica aco positiva em favor dos agricultores nacionais. ziguezagueou ao sabor E a consequncia disso que o seu rendimento e o das suasdas convenincias famlias se vai degradando, no conseguindo muitas vezes, polticas e da mudana de sequer, gerar ganhos suficientes para pagar a segurana socialtitular de pasta. e estando, por isso, sem qualquer apoio na velhice e na doena. 16 16. PORTUGAL: MAIS DE QUATRO ANOS DE OPORTUNIDADES PERDIDAS Sade Na sade, o Governo ziguezagueou ao sabor das convenincias polticas e da mudana de titular de pasta. O que era ontem certo, passou hoje a ser um erro e vice-versa. Optou-se por uma poltica de cortes cegos e de desafio aos profissionais do sector, encerraram-se servios uma vez mais no vendo o que a situao real das pessoas e de urgncias; fecharam-se quais so os problemas com que diariamente se debatem. Em vez disso, encerraram-se, por todo o pas, servios de urgncias; maternidades; fecharam-se maternidades; diminuram-se centros de sade. diminuram-se centros E atingiu-se o extremo da desumanidade com a passividade de sade. E atingiu-se odemonstrada em matria de listas de espera para cirurgias extremo daoncolgicas. desumanidade com a passividade demonstrada Tudo foi feito sem que adequadas medidas de compensao estivessem implementadas ou, sequer, pensadas. Os riscos em matria de listas de para a vida e o bem-estar fsico e mental das populaes foram, espera para cirurgias pura e simplesmente, ignorados. Aldeias e vilas por todo o oncolgicas. territrio nacional ficaram mais isoladas, sem acesso em tempo til aos cuidados de sade bsicos. Em apenas quatro anos, Portugal caiu vrias posies nas estatsticas internacionais da sade, naquele que , precisamente, um dos indicadores mais - Educaoimpressivos do estado de desenvolvimento de uma sociedade.Na educao, e depois de um comeo at prometedor, hoje claro que o Governo balanou entre o facilitismo e o conflito ftil. Do Do ponto de vista dos ponto de vista dos resultados, trabalhou-se para as estatsticas e os rankings, falseando objectivamente os resultados reais e resultados, trabalhou-se transmitindo a mensagem errada de recompensa ao desleixo, para as estatsticas eem vez de se fomentar o trabalho, o valor e o mrito. os rankings, falseando objectivamente os As consequncias deste enorme equvoco so dramticas para o resultados reais.nosso futuro. Num contexto em que a competio cada vez mais cerrada, os nossos alunos saem das escolas progressivamente somos o pas da Unio mais impreparados. Por seu lado, a taxa de abandono escolar bem expressiva: somos o pas da Unio Europeia com a mais Europeia com a mais baixa percentagem de populao que concluiu, no mnimo, o baixa percentagem deensino secundrio 53,4%, contra 78,1%. No entanto, somos populao que concluiuo terceiro pas da Unio Europeia com maior despesa por aluno. o ensino secundrio. No Muitos gastos, escassos resultados. Uma situao que s pode entanto, somos o terceiro ter como explicao o erro em que caram as polticas educativas. pas da Unio Europeia Como se isso no bastasse, o Governo entreteve-se, tambm com maior despesa por aqui, a afrontar, de forma impensada e desnecessria, os aluno. professores, querendo a todo o custo impor um modelo de avaliao insustentvel, injusto e incompreensivelmente17 17. PORTUGAL: MAIS DE QUATRO ANOS DE OPORTUNIDADES PERDIDAS burocratizado. Resultado: os professores esto totalmente desmotivados e perdeu-se tempo precioso, que poderia e deveria ter sido dispendido a combater os factores de disfuncionalidade que continuam a estar na origem de uma deficiente formao educativa de base dos nossos jovens.E que dizer do sucedido ao nvel do ensino superior, rea de eleio de um Governo que afirmou, vezes sem conta, atribuir relevncia estratgica ao investimento em investigao e desenvolvimento? O que foi conseguido exactamente o oposto, j que enquanto se assinavam, com pompa e circunstncia, protocolos de colaborao com instituies congneres estrangeiras, estrangulava-se financeiramente universidades e politcnicos, impedindo-os at de desempenhar a sua funo primeira de ensinar e de formar os quadros do futuro. (in)Segurana Outra rea em que o insucesso das polticas pblicas notrio, e particularmente inquietante, o da segurana. Todos sabemos como os socialistas, no passado, foram incapazes de implementar polticas de segurana capazes de garantir aos cidados o gozo do bem que em sociedade mais relevante se apresenta: a liberdade. que, ningum o contesta, sem segurana no h que sem segurana liberdade, e sem liberdade a prpria vivncia colectiva que no h liberdade, e sem posta em causa.liberdade a prpria Apesar desse tradicional registo negativo, h que reconhecer que vivncia colectiva que nos ltimos quatro anos se ultrapassaram todas as fronteiras posta em causa. do imaginvel. Com efeito, a passividade, o desinteresse e a arrogncia que caracterizaram a actuao neste domnio tm tido consequncias vastas, que se traduziram, nomeadamente, no incremento das agresses contra agentes da autoridade, num crescimento significativo dos ndices de criminalidade e na total incapacidade em combater as novas formas, mais sofisticadas e mais organizadas, que ela tem vindo a assumir, ou os novos desenvolvimentos em matria de violncia e criminalidade associadas s zonas mais problemticas nas margens dos grandes centros urbanos.Tambm aqui a objectividade dos resultados no pode ser desmentida. Segundo dados do Relatrio Anual de Segurana Interna, 2008 foi o ano mais violento da ltima dcada. Foram participados s diversas autoridades policiais 421037 crimes. Destes, 24 313 cabem na categoria de crimes violentos. E isso significa que ocorreram no nosso Pas, no ano transacto, 67 18 18. PORTUGAL: MAIS DE QUATRO ANOS DE OPORTUNIDADES PERDIDAScrimes violentos por dia. certo que aqui se fazem largamente notar as consequnciasda insensibilidade social deste Governo, incapaz de acorrer s Da conjugao dessesnecessidades e aos anseios das franjas mais excludas ou mais factores fica no ar umaostracizadas da nossa sociedade. Mas, se temos de estar atentoss causas e combat-las eficazmente, o Estado de Direito no permanente sensaopode aceitar, pela inrcia ou pela complacncia, o questionar da de que o sistema no autoridade democrtica. capaz de dar resposta s solicitaes e de que,Para alm disso, o crescimento da insegurana e da criminalidade ao fim e ao cabo, o crimeconfronta o Pas com custos muito pesados. E no falamosapenas dos custos directos, traduzidos na perda de vidas e pode, muitas vezes,em danos fsicos e materiais, mas tambm nos custos sociais compensar.e econmicos. Tanto mais que esta insegurana, que afecta ageneralidade dos cidados, vai de par com a ideia de impunidadedos prevaricadores, que resulta da desconexo temporal entraa actividade ilcita e a correspondente punio e da crnicaausncia de meios tcnicos, logsticos e humanos que permitamagir com eficcia e em tempo. Da conjugao desses factoresfica no ar uma permanente sensao de que o sistema no capaz de dar resposta s solicitaes e de que, ao fim e ao cabo,o crime pode, muitas vezes, compensar.o Governo criou A este quadro perigoso, o Governo respondeu precisamente instabilidade nas forascom as opes opostas quelas que deveria ter assumido: criouinstabilidade nas foras policiais, nada fazendo para reforar policiais, nada fazendoo seu estatuto e a sua autoridade; e preocupou-se mais em para reforar o seutomar decises como a da instituio de um Secretrio-Geral estatuto e a sua do Sistema de Segurana Interna que, pelos poderes de que se autoridade. encontra investido e pelo estatuto que lhe foi outorgado, geracondies para uma perigosa governamentalizao da polticade segurana. Um derradeiro exemplo parece especialmente significativo: como possvel afirmar que se quer ser determinado no combate criminalidade sobretudo mais perigosa e, ao mesmo tempo,contribuir to negativamente para a operacionalidade da PolciaJudiciria, como consequncia do processo, que inaceitavelmentese arrastou no tempo, de reviso da respectiva lei orgnica? JustiaA justia tem sido mais um dos domnios desprezadose maltratados pelos socialistas. E se certo que algunsdesenvolvimentos positivos ocorreram, eles centraram-se nas 19 19. PORTUGAL: MAIS DE QUATRO ANOS DE OPORTUNIDADES PERDIDAS reas em que foi possvel estabelecer um entendimento com o PSD, traduzido na celebrao de um acordo poltico-parlamentar entre os dois partidos. Em tudo o resto, os resultados escasseiam e a propaganda impera.O principal problema com que a realizao da justia se defronta continua a ser o tempo de arrastamento dos processos em tribunal. E nunca demais afirmar que a lentido da justia , a todos os ttulos, inaceitvel. Porque lesa os direitos individuaisa lentido da justia lesa dos cidados. Porque representa um entrave ao crescimentoos direitos individuais e ao desenvolvimento econmico. Porque nos envergonha em comparao com outros pases, tendo j conduzido alis ados cidados, (...) mltiplas condenaes em instncias internacionais.representa um entraveao crescimento e ao Ora a lentido da justia no se resolve, no que essencial,desenvolvimento com mais e mais reformas legislativas. Soluciona-se comeconmico, (...) reformas administrativas, com medidas concretas de reforo e redistribuio dos recursos e materiais. Com decises, enfim, queenvergonha[-nos] em cabem na rbita de responsabilidade do Executivo.comparao com outrospases... Para o descrdito da justia contribuiu ainda, e muito, o facto de nos anos mais recentes se ter agravado a ideia de que h uma justia para ricos, que conseguem sempre fugir s suas responsabilidades, e outra justia para pobres, para quem existe inexoravelmente uma mo pesada. Consequncia disso, a confiana nas instituies vai sendo, no dia-a-dia, erodida.Face a este panorama deveras complexo, o que foi feito?Adiou-se a implementao de um mapa judicial que correspondesse s necessidades da celeridade da justia, mantendo-se uma situao em que, nos centros urbanos se concentram dois teros dos litgios, mas a eles esto apenas alocados um tero dos recursos materiais e humanos.Enveredou-se por uma lgica populista ao decidir, com pompa e circunstncia, a diminuio do perodo de encerramento dos tribunais. O resultado foi a criao de um clima de crispao e de guerra institucional com os agentes do universo judicial, sem que isso, como era previsvel, redundasse em qualquer aumento da produtividade.E deram-se passos perigosos no sentido da governamentalizao da justia, ao colocar o instrumento informtico que o CITIUS 20 20. PORTUGAL: MAIS DE QUATRO ANOS DE OPORTUNIDADES PERDIDAS na dependncia das estruturas do Ministrio da Justia e no, como o respeito pela independncia dos tribunais exigia, sob a alada do Conselho Superior da Magistratura.As crticas aco governativa poderiam multiplicar-se quantitativamente e estender-se a praticamente todas as reas da sua interveno. Mas no nos alongaremos mais nesse tema, pois que o nosso desiderato, com estas reflexes, no o de descrever, de modo exaustivo, o cenrio negro a que o Pas foi conduzido nos quatro anos deste mandato.O que interessa , antes, contribuir para repor a verdade das coisas. demonstrar, com base em dados concretos e irrefutveis, como o caminho seguido foi errado. Como Portugal podia e devia encontrar-se numa situao muito melhor do que aquela que atravessa. Como o percurso que temos pela frente no seria to estreito e to exigente como aquele que agora o percurso que temos se nos apresenta, se o Governo tivesse cumprido com as suas pela frente no seria to obrigaes. estreito e to exigente Interrogar-se-o alguns porqu insistir nestas denncias. como aquele que agora se nos apresenta, se o, contudo, importante que se no esmorea nessa atitude. Governo tivesse cumpridoAcreditamos que a verdade tem de ser continuadamente com as suas obrigaes.reafirmada, at porque o Partido Socialista, se absolutamente incapaz na governao, , ao contrrio, exmio na propaganda e na mistificao. E, para alm disso, tem contado ao longo dos anos com uma tolerncia, seno mesmo com a conivncia de sectores importantes da sociedade portuguesa, que se foram demonstrando especialmente prestveis na filtragem e na anlise da informao, por forma a que ela chegasse de forma distorcida aos destinatrios finais que, em democracia, so sempre os cidados.No foi fcil quebrar essa barreira. Foi precisa muita persistncia, e foi necessrio at que a realidade dos factos falasse, por fim, mais alto, e se afirmasse pela sua evidncia. E tambm isso nos deve levar a reflectir profundamente sobre a qualidade da democracia que temos e sobre a qualidade da democracia que queremos para Portugal.Em suma, e pesando bem as palavras, s uma concluso se afigura possvel: Portugal hoje, cinquenta e dois meses volvidos da chegada ao poder dos socialistas, um pas mais dbil,21 21. PORTUGAL: MAIS DE QUATRO ANOS DE OPORTUNIDADES PERDIDAS mais desigual, mais impreparado para enfrentar os desafios da modernidade.Como muitas vezes afirmamos, desta feita no h justificaes, no h libis, no h sequer circunstncias atenuantes. O principal responsvel do descalabro governativo o Primeiro-Ministro Jos Scrates. Precisamente aquele que agora se pretendeNo h justificaes, apresentar como vtima de tudo e de todos. E o principal no h libis, no h responsvel porque o seu Governo teve, durante todo o tempo, uma maioria dcil no Parlamento, sempre disponvel para aprovar sequer circunstncias tudo e nada questionar. Contou, da parte dos dois Presidentes daatenuantes. O principal Repblica com quem trabalhou, com uma actuao orientada porresponsvel do um permanente esprito de boa f e de cooperao institucionaldescalabro governativo e com um respeito, sem falhas, pelos limites daquilo que so as o Primeiro-Ministro Jos suas competncias constitucionalmente estipuladas. Durante Scrates. mais de trs quartos do seu mandato, beneficiou de uma conjuntura econmica internacional favorvel.Todos esses factores favoreciam e facilitavam um trabalho srio, se tivesse sido sua inteno faz-lo. Mas, ainda assim, oPrecisamente aquele Governo no atingiu nenhum mesmo nenhum - dos objectivosque agora se pretende a que se tinha proposto e com cuja realizao se tinha livremente apresentar como vtima comprometido aquando da campanha eleitoral. No equilibrou, de tudo e de todos, de forma sustentada e racional, as finanas pblicas. Antes teve uma maioria dcil pelo contrrio. No baixou o desemprego. Antes pelo contrrio. no Parlamento, sempre No retomou o percurso da convergncia da nossa economia com a dos pases que connosco partilham o espao da Unio disponvel para aprovar Europeia. Antes pelo contrrio. No diminuiu o nvel de pobreza,tudo e nada questionar. nem aumentou os nveis de incluso social. Antes pelo contrrio.Contou, da parte dos dois No melhorou aos cuidados de sade, nem facilitou o acessoPresidentes da Repblica a eles. Antes pelo contrrio. No combateu as disparidades de com quem trabalhou, desenvolvimento, nem travou a desertificao do interior. Antes com uma actuao pelo contrrio. orientada por um Tudo isto o resultado de polticas impensadas, de decisespermanente esprito de desadequadas e de opes muitas vezes insensatas. De nada boa f e de cooperao vale atirar a culpa para os anteriores Governos, para as oposiesinstitucional(...). Durante ou, sequer, para a actual crise. responsabilidade exclusiva de mais de trs quartos do quem no fez, ou fez mal. Porque no sabe fazer bem. seu mandato, beneficiou E, neste momento, esta concluso deve estar bem presentede uma conjuntura na conscincia de cada um. Porque tambm o julgamento econmica internacional poltico da aco governativa que ir ser feito no prximo msfavorvel. de Setembro.22 22. A ALTERNATIVA QUE REPRESENTAMOS 3. A ALTERNATIVA QUE REPRESENTAMOSo resultado queComo o PSD vem consistentemente afirmando, h uma recentemente registmos alternativa real quilo que tm sido as polticas erradas dos socialistas. E a conscincia da seriedade dessa alternativa nas eleies europeias, est a ser crescentemente aceite pela comunidade nacional. devolveu ao nosso Alis, na nossa interpretao, o resultado que recentemente partido o estatuto de registmos nas eleies europeias, o qual devolveu ao nosso maior partido polticopartido o estatuto de maior partido poltico portugus, bem portugus. a prova de que, mau grado todas as adversidades com que nos confrontmos, temos a razo do nosso lado.Tradicionalmente, duas vises bem distintas podem ser apontadas quanto quilo que o futuro nos reserva: a daqueles que acreditam, pela sua atitude de passividade ou de complacncia, que o nosso destino se encontra inelutavelmente traado, e que nada do que fizermos nos pode elevar para um patamar mais ambicioso de desenvolvimento; e a dos outros que esto firmemente convictos que, se as decises correctas forem tomadas e as transformaes imprescindveis forem levadas a cabo, perfeitamente possvel reconduzir o nosso pas a uma senda de progresso e de prosperidade.Neste ciclo, Portugal foi dirigido com uma evidente dose de se as decises correctas irresponsabilidade poltica. Por aqueles que, embora afirmando forem tomadas e o contrrio, nada de verdadeiramente importante foram capazes as transformaes de fazer em ordem a reformar aquilo que tem mesmo de ser mudado, seja porque no tm reais convices sobre o que fazer, imprescindveis forem seja porque no percebem, sequer, qual o sentido da mudana levadas a cabo, necessria. perfeitamente possvel reconduzir o nosso pas a O PSD no se resigna com a permanncia do actual estado de uma senda de progressocoisas. Continuamos a acreditar, com firmeza, que possvel construir um pas mais moderno, mais justo, mais solidrio e mais e de prosperidade. equitativo. E que s depende de ns legar s geraes futuras uma Nao mais coesa e mais ambiciosa.Nada, absolutamente nada, justifica que os nossos problemas centrais se perpetuem, e muitas vezes se agravem at, e que, conta disso, vamos paulatinamente perdendo condies para competir com uma pliade de Estados que apresentam, muitas vezes, condies bem mais difceis do que as nossas para afirmar23 23. A ALTERNATIVA QUE REPRESENTAMOS os seus interesses.Nada, a no ser a incapacidade demonstrada pelos nossos governantes para fazer aquilo que tem de ser feito. A ausncia, demonstrada saciedade, para entender quais devem ser os nossos desgnios estratgicos. A sua patente inabilidade para combater as causas do nosso endmico atraso. O desconhecimento das mais-valias que, enquanto comunidade, representamos, bem como quanto melhor forma de as explorar em nosso benefcio.Afirmar que existe uma soluo real para os nossos problemas estruturais no uma afirmao que faamos, como porventura acontece com outros, por demagogia poltica ou por simplismo eleitoral. Temos a certeza inabalvel de que os constrangimentos actuais podem ser vencidos e de que as dificuldades so Temos a certeza ultrapassveis. Desde que nos deixemos de efabulaes e deinabalvel de que os discusses estreis. Desde que haja determinao para fazer.constrangimentos actuais Desde que o caminho a seguir seja traado com clareza e sejapodem ser vencidos e de seguido com serena determinao. Desde que cada um de ns, que as dificuldades so cada famlia, cada instituio, d o contributo que lhe exigvel em nome da realizao do bem comum. E, sobretudo, desde que ultrapassveis. os polticos no percam mais tempo a encontrar justificaes queDesde que nos deixemos expliquem os seus fracassos do que aquele que despenderiam ade efabulaes e de decidir quanto ao percurso a seguir para nos afastar do precipciodiscusses estreis. junto ao qual nos encontramos.A alternativa existe. Uma alternativa clara e real. Uma alternativa que se baseia em princpios muito distintos para no dizer opostos queles que a governao socialista elegeu. Uma alternativa que arranca de uma identificao, sria e honesta, daquilo que est mal, bem como daquilo que possvel fazer para corrigir, enquanto tempo, a nossa rota. Uma alternativa que radica, antes do mais, na reafirmao dos pressupostos polticos bsicos com que o PSD sempre se apresentou aos Portugueses e cuja validade a actual situao s contribuiu, alis, para reafirmar.3.1. A PESSOA HUMANA COMO REFERNCIA PRIMEIRAPorventura em contra-corrente ao chamado pensamento do politicamente correcto, entendemos ser insofismvel que persistem divergncias essenciais entre a mundividncia do PS e aquela pela qual o PSD se orienta, e que tais divergncias 24 24. A ALTERNATIVA QUE REPRESENTAMOSse apresentam como muito profundas. Que continuam a existirespaos diferentes de afirmao poltica, marcados por opesfilosficas e ideolgicas contrapostas. E que o sublinhar de taisdiferenas deve, em permanncia, ser feito, por uma questode transparncia poltica. Diferenas que no se colocamapenas e j seria muito no plano das ideologias, mas que,por uma questo de coerncia, assumem depois consequnciasimportantes no plano da prtica poltica, bem como dos O PSD ocupa, entreprogramas que defendemos, dos projectos que sustentamos edas medidas que propomos. os partidos polticos portugueses, uma E porque, mais do que em qualquer outra altura, os perodos posio privilegiada. eleitorais tm de ser momentos de rigor nas ideias e de que, diferentementefrontalidade nas alternativas, importa reiterar, em termos de outros, os ventos daconcretos, os pontos pelos quais o PSD se distingue dossocialistas, bem como em que medida essa diferenciao tem histria deram-nos razo.traduo prtica ao nvel das polticas pblicas. Ora, num esforo de sntese, possvel dizer que tudo o que realmente determinante nos afasta do Partido Socialista edaquela que tem sido a actuao do Governo por ele liderado:separam-nos os pressupostos essenciais da aco poltica;separa-nos a forma de fazer poltica; e separa-nos a estratgiaque temos para os sectores fundamentais da aco governativa.E isso deve ficar bem evidenciado, para que no restemquaisquer dvidas no esprito dos Portugueses, quando foremchamados a exercer o mais importante direito, mas tambm amais delicada tarefa que, em democracia, pode a cada um dens caber: manifestar, pelo voto, as nossas preferncias e, aofaz-lo, ajudar a determinar um caminho para Portugal. O PSD ocupa, entre os partidos polticos portugueses, umaposio privilegiada. que, diferentemente de outros, os ventosda histria deram-nos razo. Podemos dizer, e com legtimoorgulho, que os surpreendentes desenvolvimentos que nas Na referncia centralltimas dcadas tiveram lugar no nos obrigaram, em nada, dos nossos valores a abdicar dos valores e dos princpios que nos caracterizam permanece a pessoa desde o primeiro momento e pelos quais nos conduzimos. No humana e a sua necessitmos de recorrer, apressadamente e por convenincia, inalienvel dignidade.a liftings polticos. No necessitmos de defender hoje aquiloque contestvamos ontem. No necessitmos de fazer nossasas ideias dos outros. Na referncia central dos nossos valores permanece a pessoa 25 25. A ALTERNATIVA QUE REPRESENTAMOS humana e a sua inalienvel dignidade. A convico de que cada ser humano , em si mesmo, um valor inestimvel e um projecto autnomo de vida. E da que uma poltica qualquer poltica tenha necessariamente de partir desse dado e de articular-se com ele. Nada pode, assim, justificar as aces que ponham em causa esse princpio basilar. Nada pode autorizar que se sacrifique a dignidade essencial de cada um. Nada pode legitimar que se hipoteque a possibilidade de cada um se afirmar de acordo com as suas prprias capacidades e qualidades.O reconhecimento da igual dignidade de todos os cidados tem como corolrio lgico a afirmao do valor central da igualdade de oportunidades. E se essa uma verdade evidente, ela tem de ser reafirmada no dia-a-dia da aco poltica.Com efeito, se h algo que os ltimos anos de governao socialista tm vindo a pr em causa esse algo , precisamente, a igualdade de oportunidades. E no est apenas em causa o agravamento das disparidades de rendimentos ou de acessibilidade aos servios pblicos. muito mais do que isso, ou seja, a prpria possibilidade de cada cidado singrar de acordo com aquilo que so as suas caractersticas de personalidade, Hoje, como porventura de inteligncia e de trabalho e que agora vemos seremnunca no passado sistematicamente desvalorizadas e desprezadas.recente, os Portugueses Hoje, como porventura nunca no passado recente, os esto coarctados, no seu Portugueses esto coarctados, no seu dia-a-dia, por um conjuntodia-a-dia, por um conjunto de desequilbrios que lhes dificultam e, no limite, impossibilitam de desequilbrios que lhes mesmo o desenvolvimento e a afirmao das respectivasdificultam e, no limite, capacidades individuais. impossibilitam mesmo odesenvolvimento e a Ns queremos, muito simplesmente, governar para as pessoas e para os resultados reais. E governar para as pessoas estar afirmao das respectivas atento aos seus problemas concretos. ter presente que nocapacidades individuais. estamos perante estatsticas ou conjuntos, mas ante realidades vivenciais nicas na sua singularidade. compreender que aquilo que, visto de fora, no passa, porventura, de mais uma dificuldade igual a tantas outras, assume, para cada cidado atingido, a dimenso de drama central da sua existncia. combater, com denodo, os obstculos e as dificuldades, em ordem a eliminar ou, pelo menos, a minorar as suas consequncias. Essa marca de profunda humanidade, talvez mais at nos actos do que nas palavras, sempre nos distinguiu como partido. E imbudos dessa marca de humanidade que voltaremos a actuar quando 26 26. A ALTERNATIVA QUE REPRESENTAMOSos Portugueses confiarem de novo em ns para assumirmos aconduo dos destinos da nossa Ptria. Mas a convico da centralidade do valor da pessoa humanatem, de imediato, consequncias sobre a viso, que a nossa,da sociedade. Uma sociedade que tem de ser composta porcidados livres e iguais. Uma sociedade que se enriquece como contributo de todos. Uma sociedade que no pode excluirningum. Uma sociedade que procura realizar a justia, semnunca questionar a diversidade. As divergncias sociais no se teriam aprofundado em Portugalse o Governo aceitasse, na sua aco, a ideia de que a pessoa os socialistas olham para humana tem por natureza de se encontrar no centro de toda a Sociedade a partir doa aco poltica. Isto , se os governantes se guiarem por uma Estado enquanto ns, viso personalista da sociedade. Infelizmente para todos ns, ao contrrio, vemos no o PS apregoa sensibilidade social no discurso, mas perpetua o Estado um instrumentomais retrgrado conservadorismo na realidade. E os Portuguesessofrem, no seu quotidiano, as consequncias cada vez mais ao servio da Sociedade.perniciosas dessa bipolaridade poltica e governativa. 3.2. OLHAR PARA O ESTADO A PARTIR DA SOCIEDADE Em consequncia do diverso ponto de que partimos, muitasvezes temos afirmado que nos separa do PS a leitura quefazemos das relaes entre Estado e Sociedade. Porque ossocialistas olham para a Sociedade a partir do Estado enquantons, ao contrrio, vemos no Estado um instrumento ao servioda Sociedade, dos cidados que a integram e da realizao deum conjunto de objectivos essenciais. E o acerto dessa nossaleitura surge como cada vez mais bvio. De facto, se olharmos com ateno para os factos, facilmenteconclumos que o Estado se tem transformado entre ns, comdemasiada frequncia, num obstculo ao progresso do Pas.Numa parte importante dos problemas nacionais, em vez de seassumir, como deveria, enquanto actor central na sua resoluo.Numa figura que abafa e tolhe a capacidade criativa dos cidadose das empresas, em vez de constituir um instrumento para a suaplena realizao no seio de uma comunidade global. Em cada situao concreta em que esta dicotomia se coloca,os socialistas optam sempre pelo incremento da presena doEstado, invadindo desnecessria, ou at ilegitimamente, o27 27. A ALTERNATIVA QUE REPRESENTAMOS espao irredutvel da autonomia dos cidados, dos agentes econmicos e das empresas. E fazem-no, apenas e to s, em nome de um apriorstico preconceito ideolgico, assim subordinando os interesses dos cidados s consequncias de uma concepo poltica errada e insensvel s sequelas negativas que da advenham. Por isso se recusam a aceitar, em mltiplos domnios, o princpio da liberdade de escolha individual. Por isso puseram fim s experincias de gesto concorrencial na rea da sade, apesar de estar provada evidncia a sua mais-valia. Por isso querem impor orientaes educacionais em matrias cujo tratamento deve caber, antes do mais, aos pais e s famlias.O PSD acredita que a rota a seguir bem distinta. Uma rota que passa por defender que o Estado se deve concentrar nas tarefas que por natureza lhe cabem ou que realiza com mais eficcia e com melhores resultados. Que ao Estado deve caber um papel insubstituvel na correco das assimetrias e na defesa dos mais fracos e mais vulnerveis. Que o Estado deve intervir nos vrios Estado e Sociedade planos da actividade, sempre e quando a defesa do interessetm de ser capazes de colectivo o exija, mas tambm deve saber quando se abster de encontrar uma vivncia o fazer, porque essa sua actuao atrofiadora do verdadeiroharmoniosa. Essa pulsar da sociedade, revelando-se por isso mais danosa do queharmonia condio de benfica.sucesso e de progresso. preciso reafirmar uma viso social-democrata do papel do Estado. No aceitamos um Estado ausente, porque isso questiona a realizao da justia social e o alcanar do bem-estar econmico e social dos cidados. Mas tambm no nos revemos numa concepo que atribua omnipresena do Estado a chave para a resoluo de todos os problemas.Ou seja: Estado e Sociedade tm de ser capazes de encontrar uma vivncia harmoniosa. Uma vivncia em que quele caiba o papel insubstituvel de garantir uma organizao e funcionamento coerente desta, e em que esta encontre naquele um aliado na explorao das mltiplas potencialidades que encerra. Essa harmonia condio de sucesso e de progresso. Ao invs, a conflitualidade, assumida ou implcita, entre ambos, s pode contribuir para acentuar as nossas debilidades e o nosso atraso.A viso que temos do papel do Estado em nada foi abalada ou ficou prejudicada com a actual crise internacional. Bem pelo contrrio. 28 28. A ALTERNATIVA QUE REPRESENTAMOS Com efeito, face a uma situao cuja gravidade atingiu, no plano econmico, financeiro e social, dimenses de enorme monta, no faltaram de imediato as vozes habituais proclamando a morte dos mecanismos de economia livre, aberta e concorrencial e proclamando, urbi et orbi, que tudo se fica a dever ao fracasso do processo de globalizao econmica.Ora, quem quiser - ou estiver disponvel - para levar a cabo uma anlise minimamente objectiva da realidade das coisas, saber concluir que essas panfletrias acusaes so rotundamente falsas. E vale a pena sublinhar, pelo relevo que isso reveste, que essa , igualmente, a convico da maioria dos eleitores europeus, que no recente acto eleitoral reprovaram, de forma clara, a actuao dos governos socialistas e, em sentido contrrio, reforaram o apoio manifestado s foras prximas dos valores e dos princpios pelos quais o PSD se bate.Em si mesma, a economia livre, aberta e concorrencial representa uma opo correcta diremos mesmo a nica opo correcta -, como, de resto, a anlise histrica comprova. E a globalizao, pela integrao planetria que induz e pela partilha de valores, de objectivos e de princpios que propicia, tem dado um contributo inestimvel para o progresso da humanidade, nos mais diversos planos.Mas ento, onde reside o verdadeiro problema que conduziu situao que na actualidade conhecemos?A resposta cristalina: na demisso do papel do Estado; na incapacidade de levar a cabo as suas essenciais misses; na dificuldade para compreender qual a natureza modulada da interveno que, em cada circunstncia e em cada conjuntura, deve ser por ele assumida.Acreditar, convictamente, nos mritos do mercado e da globalizao, no significa perder a capacidade crtica. E no representa, sobretudo, qualquer receio de identificar os riscos que ambos apresentam ou de defender a necessidade de agir em ordem a limitar esses riscos e a combater os abusos que podem propiciar.Os tempos mudaram. E mudaram muito. E tais mudanas impem aos Estados e s instituies internacionais a capacidade de agir de modo diverso daquilo que tradicionalmente faziam. E h que29 29. A ALTERNATIVA QUE REPRESENTAMOS reconhecer que, muitas vezes, essa percepo no fez ainda o seu caminho. certo que assistimos, nos ltimos meses, a uma actuao assumida e concertada dos Estados em ordem a minorar as dramticas consequncias a que esta crise poderia dar lugar.Mas, h uma preocupao que deve presidir a toda a actividade poltica: a lgica da antecipao. Porque s quando os polticos se comportam de acordo com essa linha de rumo os problemas podem ser prevenidos ou, se a sua ocorrncia inevitvel, o PSD alertou, podem as suas propores ser mantidas em nveis relativamente baixos. Foi precisamente isso que agora no sucedeu. E essa sistematicamente, para uma questo para a qual o PSD, ao longo dos anos, chamouque a incapacidade do insistentemente a ateno.nosso Estado em identificar as funes que Tal lgica de anlise igualmente vlida para compreender o em cada domnio deve estado de coisas a que Portugal chegou. que o PSD tambm alertou, sistematicamente, para que a incapacidade do nosso desempenhar s poderia Estado em identificar as funes que em cada domnio deve agravar as dificuldades. desempenhar s poderia agravar as dificuldades que nosE, o que pior, o actual ameaavam e continuam a ameaar. E, o que pior, o actualGoverno recusou-se, Governo recusou-se, pura e simplesmente, a discutir estas pura e simplesmente, a questes essenciais, assim impossibilitando a identificao das discutir estas questes reas em que deve caber ao Estado uma funo de prestador insubstituvel; os domnios em que lhe h-de competir uma essenciais. funo de forte e activo regulador; e os sectores em que h-de estar a seu cargo uma eficaz funo fiscalizadora.Essa confuso de planos adensou, sem margem para qualquer dvida, a dimenso das dificuldades nacionais. E permitiu o desenvolvimento progressivo de um Estado mais tentacular, mas simultaneamente mais fragilizado. Uma situao que no incomoda, de todo em todo, o Partido Socialista, que alis v nos seus contornos uma forma de afirmar o seu poder e de aumentar o controlo sobre os cidados e as instituies. Porque a clareza s beneficia aqueles que no tm agendas particulares mas se preocupam, apenas e to s, com o interesse nacional.Desta forma se chegou a um ponto em que o Estado se mostra progressivamente mais incapaz para proteger aqueles que se encontram em situaes mais dbeis. Aqueles que mais carecem do apoio das instituies pblicas. Aqueles que mais dificuldade tm em atingir, de forma sustentada, um patamar de existncia 30 30. A ALTERNATIVA QUE REPRESENTAMOScompatvel com aquilo que seu direito inalienvel. Esta senda no pode permanecer. De uma vez por todas, h queassumir que indispensvel reinterpretar o papel do Estado. De uma vez porQue o Estado no pode continuar a fazer tudo, mesmo o que a todas, h que assumirsociedade faz melhor. Que uma utopia apregoar que o Estadodeve garantir a universal gratuitidade dos servios pblicos. que indispensvelQue os recursos financeiros do Estado, cada vez mais escassos reinterpretar o papel do face ao incremento das solicitaes, tm de se concentrar no Estado. (...)apoio aos que dele carecem. Que o Estado tem de, em definitivo, A vontade e a capacidade deixar de ser displicente para com os carenciados e subserviente de levar a cabo talpara com os poderosos. transformao aquiloRepensar as funes que ao Estado ho-de caber no se que vai fazer a diferenaconfigura, h que reconhec-lo, como uma tarefa fcil ou entre o fracasso e o de cumprimento imediato. Mas a vontade e a capacidade de sucesso no caminho dalevar a cabo tal transformao , seguramente, aquilo que vai modernidade. Como j o fazer a diferena entre o fracasso e o sucesso no caminho fizemos antes, saberemos da modernidade. Como j o fizemos antes, saberemos nsprotagoniz-lo de novo. ns protagoniz-lo de novo. 3.3. O REFORMISMO COMO MTODO DE ACO GOVERNATIVA por demais conhecida de todos os Portugueses a capacidadedo PSD para promover as transformaes de que Portugal carece.Capacidade no discursiva, como outros gostam de exibir, massim nos resultados apresentados. Foi aquando dos governos Foi aquando dos que lidermos que o Pas conheceu surtos mais significativos de governos que lidermosdesenvolvimento. Que as principais mudanas estruturais de quePortugal carecia tiveram lugar. Que o progresso e a modernizao que o Pas conheceuforam mais patentes. Que a melhoria das condies de vida dos surtos mais significativos nossos compatriotas mais se fez sentir. de desenvolvimento. Que as principaisE tudo isso ocorreu porque soubemos ir ao encontro do sentir mudanas estruturais profundo da comunidade nacional. Porque no tergiversmosperante dificuldades e incompreenses. Porque fomos capazes de que Portugal careciade, em cada momento, compreender o verdadeiro sentido e tiveram lugar.alcance do interesse nacional e de agir, s e exclusivamente, em Que o progresso e afuno dele. modernizao foram mais patentes. Actuando dessa forma honrmos, no apenas a confiana queos Portugueses em ns depositaram, mas igualmente o ideriosocial-democrata que, desde sempre, nos norteia. Um iderio que 31 31. A ALTERNATIVA QUE REPRESENTAMOS acredita que a capacidade de adaptao a novas realidades um dado central face s caractersticas das sociedades modernas, que se encontram em permanente mutao. Que acredita que a mudana possvel e indispensvel. Que acredita que as transformaes, para serem reais, s podem ser feitas com base na mobilizao das capacidades nacionais e no devem assentar numa lgica de autoritarismo gratuito.Dir-se- que estamos aqui perante questes no de substncia, mas de forma concreta de actuao. Sucede que o tema do estilo e do mtodo de governao no matria de somenos importncia. Bem pelo contrrio, ele pode representar e, entre ns, tem representado -, a diferena entre a capacidade de agir em funo das necessidades que o Pas apresenta e a mera preocupao de transmitir uma imagem de aco e de competncia que no tem equivalncia, porm, na aptido para mudar, nos actos e no apenas nas palavras, aquilo que tem de ser alterado. entre 1995 e 2002, altura em que [o Isso, o Partido Socialista nunca foi capaz de entender. No o foi PS] desbaratou uma quando governou entre 1995 e 2002, altura em que desbaratou oportunidade de ouro de uma oportunidade de ouro de fazer, numa conjuntura interna e fazer, numa conjuntura internacional altamente favorvel, as reformas necessrias, elegendo o dilogo, o laxismo e o facilitismo como forma de interna e internacional governar. E no o agora porque, nos antpodas daquela, elegeu altamente favorvel, as como mtodo de aco um estilo de confrontao permanente,reformas necessrias, de hostilizao constante e de humilhao inaceitvel.elegendo o dilogo, o laxismo e o facilitismo Todos nos lembramos como, ao contrrio da atitude de abertura que sistematicamente assumira na oposio e a que agora como forma de governar. parece querer apressada e artificialmente voltar, na ressaca da sua derrota eleitoral -, o Primeiro-Ministro apostou, desde oE (...) elegeu [agora] como discurso de tomada de posse, numa estratgia de diabolizaomtodo de aco um de certos sectores da sociedade portuguesa, procurando porestilo de confrontao essa via encontrar, por antecipao, desculpas para futuros permanente, de fracassos da sua actuao e bodes expiatrios para o insucesso hostilizao constante das suas polticas. e de humilhao O Governo enveredou pois, e de modo deliberado, por uma via inaceitvel. de desautorizao das classes profissionais e de agresso sua dignidade social. E os exemplos de tal postura multiplicaram-se, na medida em que se pretendeu abrir caminho para as pretensas reformas dizendo que os juzes tinham descanso a mais, que os funcionrios pblicos eram dispensveis, que os militares 32 32. A ALTERNATIVA QUE REPRESENTAMOSacumulavam privilgios, que os polcias actuavam, ora de mais,ora de menos, mas nunca na medida justa. Mas o exemplo mais pernicioso de todos ter sido, seguramente,o conflito, gratuito e absurdo, com os professores, a propsitoda questo da avaliao. Vilipendiar e diminuir os professoresperante o Pas, perante as famlias, perante os alunos e peranteos restantes membros da comunidade educativa no apenasinjusto e errado. algo de extremamente negativo para a O Governo enveredou, deestabilidade e a melhoria de funcionamento de um sector de modo deliberado, por umaactividade que, como todos havemos de reconhecer, se configura via de desautorizao dascomo estratgico para o nosso futuro colectivo. classes profissionais e de agresso sua dignidade verdade por todos conhecida que uma reforma qualquer social. que ela seja suscita sempre resistncias, contestaes eoposies. Sempre assim foi. E, nas sociedades abertas edemocrticas, isso ainda mais comum, compreensvel e, porqueno diz-lo, desejvel at. E bem se compreende que aqueles aquem as transformaes vo afectar no aceitem muitas vezesde bom grado que o estatuto que, por deciso assumida ou portolerncia passiva dos poderes pblicos, foram adquirindo, sejaafectado.O desempenho do Mas, entendamo-nos, no se consegue mudar apenas pela presente Executivo imposio, majesttica e unilateral, de decises que merecem tem-se igualmentea rejeio unnime daqueles que vo ser, no dia-a-dia, os caracterizado, de umaintrpretes primeiros dessas fundamentais alteraes. forma permanente, pelaAcresce que, com demasiada frequncia at, as causas dos vontade de condicionar a constrangimentos que determinam a necessidade de mudar liberdade de actuao dasno so imputveis, em exclusivo ou sequer principalmente, a foras polticas e sociais presumveis lgicas corporativas que se tenham apoderado dos que ousam divergir agentes de um determinado sector. Em causa est, antes, a daquilo que os socialistasincapacidade do prprio Estado em compreender as verdadeirascausas das dificuldades enfrentadas e em adoptar, com coerncia dizem ou fazem.e coragem, polticas pblicas diferentes e mais adequadas.Regressou ao nosso Notar-se-, contudo, que a tctica confrontacional em que Pas o conceito, que o Governo tem assentado a sua actuao faz parte de uma todos pensvamos j em concepo mais vasta de aco poltica e que , em larga medida, definitivo afastado, deresponsvel pelo nvel muito perigoso de degradao que a que quem no por mimqualidade da nossa democracia vem registando. Este , alis,outro ponto fulcral da nossa divergncia face aos socialistas e contra mim.que deve merecer uma ateno muito particular por parte dos 33 33. A ALTERNATIVA QUE REPRESENTAMOS cidados e das instituies.Com efeito, o desempenho do presente Executivo tem-se Em causa est muito igualmente caracterizado, de uma forma permanente, pela mais do que isso, vontade de condicionar a liberdade de actuao das foras pois que aquilo que polticas e sociais que ousam divergir daquilo que os socialistas se tem verificado dizem ou fazem. Regressou ao nosso Pas o conceito, que todos pensvamos j em definitivo afastado, de que quem no por corresponde a um plano, mim contra mim. racionalmente delineado, e meticulosamente A dimenso que esse tipo de postura, exclusivista e impositiva, cumprido, de tudo tem vindo a atingir, no releva apenas da postura de arrogncia dominar, de tudo e de sobranceria que alguns, a comear pelo Primeiro-Ministro, evidenciam. Em causa est muito mais do que isso, poiscontrolar, de tudo que aquilo que se tem verificado corresponde a um plano,fiscalizar. Os socialistas racionalmente delineado, e meticulosamente cumprido, de tudo(...) querem construir dominar, de tudo controlar, de tudo fiscalizar. Os socialistas tm, um Pas imagem e h que reafirm-lo, um projecto de poder partidrio. E querem semelhana, unicamente, construir um Pas imagem e semelhana, unicamente, dos seus dos seus desgnios desgnios prprios. O resultado dessa actuao que aquilo que o PSD j classificou como clima de claustrofobia democrtica se prprios. est a transformar, de forma progressiva, num estado de asfixia democrtica.Os exemplos dessa prtica multiplicam-se e esto vista de todos: o modo persecutrio com que so tratados aqueles que, um pouco por todo lado, ousam, no exerccio da liberdade de expresso, manifestar o seu direito fundamental a divergir; o clima de receio que se vive dentro dos servios da administraoNo apenas ao nvel pblica e o direito, que o Governo se reclama, de a definir odas foras sociais que tal que ou no politicamente aceitvel; a tentativa de cercear, atitude de cerceamento inclusive por via legislativa, a liberdade de aco das empresas de comunicao social; as presses sobre jornalistas que tmdas condies de a coragem de fazer aquilo que a deontologia da sua profissoexerccio dos direitos lhes impe: investigar com independncia e informar com fundamentais se verifica. iseno; a hostilizao sistemtica do estatuto e das funes O mesmo sucede no que das organizaes representativas dos trabalhadores, acusadastoca s regras essenciais de mais no serem do que correias de transmisso dos partidos do jogo poltico e ao polticos. relacionamento com Mais do que pelo respeito da vontade maioritria, o grau de as demais instituies democracia de uma sociedade mede-se pela forma como apolticas do Estado. so respeitados os direitos das minorias. Como tolerada a diferena. Como respeitada a noo de limites interveno 34 34. A ALTERNATIVA QUE REPRESENTAMOS dos poderes pblicos. Ora, no que a isso respeita, evidente o panorama sombrio em que o Pas vive, por responsabilidade exclusiva do Partido Socialista.Mas no apenas ao nvel das foras sociais que tal atitude de cerceamento das condies de exerccio dos direitos fundamentais se verifica. O mesmo sucede, e at por vezes com gravidade acrescida, no que toca s regras essenciais do jogo poltico e ao relacionamento com as demais instituies polticas do Estado. Veja-se, por exemplo, Veja-se, por exemplo, o que se passa com a gritante discriminao o que se passa com aque tem vindo a ser feita, nomeadamente no plano dos apoios gritante discriminaofinanceiros, entre as autarquias locais que apresentam a cor (...) entre as autarquias poltica do Governo e aquelas que so lideradas por foras da locais que apresentam a oposio. cor poltica do Governo e Atente-se, igualmente, na permanente perseguio poltica aquelas que so lideradas com que tem de se confrontar, injusta e inaceitavelmente, a por foras da oposio.Regio Autnoma da Madeira, apenas e s pelo pecado de, como o faz desde h mais de trinta anos, reiterar o seu apoio a quem a transformou, pela sua capacidade, pela sua coragem e pela sua tenacidade, numa das zonas mais desenvolvidas do nosso Pas. Uma atitude que alcanou os limites do despudor absoluto na diminuio drstica dos recursos para a regio, sem que nenhuma razo de substncia a justificasse, aquando da aprovao da nova lei das finanas regionais.Observe-se a tentativa de condicionar os direitos polticos dos nossos emigrantes, por via da introduo de limitaes Olhe-se para o modo s condies de exerccio do seu direito de voto nas eleies como o Governo (...) legislativas, que apenas encontra justificao no facto de o pretende decidir e imporsentido tradicionalmente apurado dos resultados do escrutnio opes em matriasdesfavorecer o Partido Socialista. estratgicas para o nosso futuro colectivo, Note-se a atitude adoptada a propsito do processo de eleio do Provedor de Justia, em que, por via do arrogante exerccio sem ouvir ningum e da maioria absoluta, se pretendeu impor unilateralmente uma sem dar previamente asescolha, para mais em matria onde a prpria Constituio impe explicaes que a lei lhe um consenso alargado. impe e que a natureza democrtica do regime Olhe-se, por fim, para o modo como o Governo, em absoluto exige. desrespeito pelo estatuto da oposio, pretende decidir e impor opes em matrias estratgicas para o nosso futuro colectivo,35 35. A ALTERNATIVA QUE REPRESENTAMOS sem ouvir ningum e sem dar previamente as explicaes que a lei lhe impe e que a natureza democrtica do regime exige.Este comportamento, se especialmente visvel ao nvel nacional, confirma-se um pouco por todo o lado onde o PS exerce o poder. E traduz um desiderato assumido de colocar o Estado no ao servio do interesse comum, mas antes na disponibilidade dosA partir de que outra particulares interesses poltico-partidrios dos socialistas e anlise se pode daqueles que lhes so prximos. considerar a opo por Esse , alis, um aspecto que impressiona quando se analisa a deferir sistematicamente actuao poltica deste Governo: o modo de encarar o interessepara o futuro, quando o nacional apenas como mais uma das variveis e muitas vezesPS j no tiver quaisquer menos importncia assume a ser tida em conta quando seencargos governativos, prepara e se implementa uma determinada deciso poltica. E, os gigantescos encargos se esta ou aquela opo se afigurar como egoisticamente mais conveniente, o completo despudor em a assumir de imediato, em que agora se querem prejuzo ostensivo do bem comum.assumir com grandes obras pblicas, limitando primeira vista, pode considerar-se que estamos perante umadrasticamente a margem crtica de enorme gravidade, porque questiona os propsitos de manobra das prximas ltimos em que se tem baseado a actuao dos socialistas. Mas geraes e violando, a verdade que, se escrutinarmos, com justeza e com iseno, algumas das suas principais decises ou iniciativas, chega-se de modo dramtico, o precisamente concluso de que mesmo isso que ocorre.princpio fundamental da solidariedade De facto, a que outra luz pode ser vista a teimosia de insistir,intergeracional? anos a fio, numa determinada localizao do Aeroporto de Lisboa, quando para todos era patente a existncia de opes bem mais adequadas? O ltimo e determinante Sob que outro prisma se pode analisar a insistncia, cuja irracionalidade cada vez mais patente, de, no actual contexto,critrio de deciso deste teimar no projecto de construo do TGV?Governo , assim, o do seu prprio benefcio A partir de que outra anlise se pode considerar a opo porpoltico. No interessa deferir sistematicamente para o futuro, quando o PS j no tiver se aquilo que prope quaisquer encargos governativos, os gigantescos encargos que agora se querem assumir com grandes obras pblicas, limitando certo ou errado. (...). drasticamente a margem de manobra das prximas geraes O que importa que e violando, de modo dramtico, o princpio fundamental da se d a aparncia que solidariedade intergeracional?o Governo decide com determinao. O ltimo e determinante critrio de deciso deste Governo , 36 36. A ALTERNATIVA QUE REPRESENTAMOS assim, o do seu prprio benefcio poltico. No interessa se aquilo que prope certo ou errado. Se trar, no futuro, consequncias vantajosas ou prfidas. Se as alternativas em presena se configuram, ou no, como melhores e mais adequadas. O que importa que se d a aparncia que o Governo decide com determinao. Que o Governo age com empenho. Que o Governo enfrenta com coragem os problemas.Tambm aqui somos diferentes nas ideias e queremos ser diferentes na prtica governativa, como sempre o fomos no passado. Porque somos capazes de compreender qual , em cada momento, o verdadeiro interesse nacional. Porque estamos determinados em agir apenas em funo da leitura que dele fazemos, com sacrifcios de quaisquer outros desgnios parcelares. Porque acreditamos que no legtimo fazer recair sobre os nossos filhos e os nossos netos as consequncias negativas das decises que, no presente, nos couber tomar.Entre o dilogo sem consequncias do Eng. Antnio Guterres o PSD quer e sabere a prepotncia arrogante do Eng. Jos Scrates existe, trilhar (...) um caminhoevidentemente, um caminho alternativo. Um caminho que no Um caminho que valoriza confunda os mtodos de decidir com a essncia das prprias decises. Um caminho que no confunda vontade para negociar o facto de as reformas com indisponibilidade para assumir responsabilidades. Um s se justificarem se caminho que no confunda o exerccio da autoridade legtima forem motivadas pelacom a exibio de um autoritarismo ofensivo e desnecessrio. necessidade de encontrarUm caminho que no confunda coragem para decidir com novas e melhoresarbitrariedade para impor. solues, e no pelo mero esse caminho, mais exigente certo, mas tambm mais propsito de destruir responsvel, que o PSD quer e saber trilhar. Um caminho que aquilo que existe. o bom senso dita, que o xito requer e que o respeito pela democracia exige. Um caminho que se baseie na ideia de que as reformas s tm sentido se forem feitas para defender o interesse geral e no se forem dirigidas contra estes ou contra aqueles. Um caminho que arranca do pressuposto de que as reformas s sero verdadeiramente teis e duradouras se contarem com o contributo de todos e no se basearem numa lgica de excluso daqueles que pensam diferentemente de ns. Um caminho que valoriza o facto de as reformas s se justificarem se forem motivadas pela necessidade de encontrar novas e melhores solues, e no pelo mero propsito de destruir aquilo que existe. 37 37. A ALTERNATIVA QUE REPRESENTAMOS Dito de outra forma: a responsabilidade primeira de promover asGovernar, para o PSD, transformaes que so indispensveis para permitir a Portugal tambm isto. enfrentar os desafios de um mundo globalizado do EstadoNo abdicar nunca da e, dentro deste, do Governo. E essa uma tarefa inalienvel eresponsabilidade de indelegvel. Mas essas mudanas profundas s sero realizveis,decidir. no apenas no texto das leis, mas igualmente na realidade concreta das coisas, se o Governo, na sua implementao, for capaz de escutar, de contar com os contributos diferenciados,No claudicar nunca de encorajar a participao daqueles que podem, com operante as dificuldades. seu contributo conhecedor e empenhado, incrementar as possibilidades de xito dessas mesmas reformas.No hesitar nuncaperante as vrias opes Governar, para o PSD, tambm isto. No abdicar nunca daem presena. responsabilidade de decidir. No claudicar nunca perante as dificuldades. No hesitar nunca perante as vrias opes emMas igualmente saber presena. Mas igualmente saber agir, no contra, mas com. No desvalorizar desdenhosamente as opinies dos outros. No agir, no contra, mas com. votar ao ostracismo aqueles que discordam de ns, s e apenas por esse singelo facto.No desvalorizardesdenhosamente as A nossa concepo reformista , assim, indissocivel da nossaopinies dos outros. profunda convico democrtica. De uma democracia no apenas proclamada, mas afirmada no quotidiano da interveno No votar ao ostracismo poltica e da aco governativa. De uma democracia substantivaaqueles que discordam de e no apenas formal. De uma democracia integral que s sens, s e apenas por esse constri e fortifica no respeito da diversidade e na valorizao da divergncia. De uma democracia participativa que fortalea osingelo facto. tipo de relacionamento que deve existir entre representantes e representados.Guiar-nos-, nessa medida, a preocupao de devolver governao o sentido democrtico. No perseguindo aqueles que nos combatem politicamente. No discriminando em funoinsistimos na das opes partidrias. No insistindo na ideia ridcula de quenecessidade de fazer temos sempre razo, seja qual for a deciso, a matria, o tempopoltica com as pessoas ou a circunstncia. No agindo em funo de uma ilegtima agenda escondida que subordine o interesse de todos aosem mente. Com o desideratos de alguns. envolvimento daspessoas. Com respeito Este outro ponto central. Por isso insistimos na necessidade pelas pessoas. E a de fazer poltica com as pessoas em mente. Com o envolvimentoesse compromisso das pessoas. Com respeito pelas pessoas. E a esse compromissopermaneceremos permaneceremos igualmente fiis.igualmente fiis. 38 38. UM PORTUGAL AMBICIOSO 4. UM PORTUGAL AMBICIOSO preciso romper com Anos e anos de erros e de omisses colocaram o nosso Pas o impasse para que nosperante um problema central de viabilidade. No, evidentemente, conduziram. enquanto entidade formalmente independente e soberana, mas enquanto espao econmico autnomo. E, por causa disso, possvel essa ruptura. os Portugueses sero confrontados, nas prximas eleies legislativas, com opes determinantes, como a de saber se aceitam ou no, como fatalidade, o empobrecimento para que continuamente nos empurram as actuais polticas. Se aceitam ou no continuar com este caminho de engano e de fico. Se Acreditamos em aceitam ou no baixar os braos e hipotecar o seu futuro. Portugal. Mas tambm acreditamos evidente que insistir na mesma frmula que nos trouxe ao ponto delicado em que nos encontramos nos conduziria, que h outra forma, mais inevitavelmente, aos mesmos, seno a piores, resultados. Os tica, mais eficiente, de problemas nacionais no se resolvem s porque se quer, ou fazer poltica. porque se anuncia. Com verdade, com seriedade, com dignidade. preciso romper com o impasse para que nos conduziram. A pensar, apenas e em possvel essa ruptura. E h, nela, um sentido de urgncia. Adoptando polticas inteligentes, que tenham efeitos imediatos exclusivo, em Portugal e que ataquem, com firmeza e com seriedade, a crise que como comunidade e quotidianamente alastra. Dando prioridade aos que mais sofrem no bem-estar de todos e respeitando, ao mesmo tempo, os direitos das geraes e de cada um dosvindouras. Apostando numa viso arrojada e com horizontes Portugueses. temporais alargados.Acreditamos em Portugal. No estamos, enquanto Nao, condenados a perder, dia aps dia, o desafio do futuro. Podemos construir um Pas mais moderno, mais justo e mais equitativo. E repeti-lo-emos tantas vezes quantas for necessrio.Mas tambm acreditamos que h outra forma, mais tica, mas tambm mais eficiente, de estar na poltica e de fazer poltica. Com verdade, com seriedade, com dignidade. A pensar, apenas e em exclusivo, em Portugal como comunidade e no bem-estar de todos e de cada um dos Portugueses.Nas situaes de maior delicadeza Portugal habituou-se a contar com o PSD. Com a nossa disponibilidade para servir. Com a seriedade do nosso esforo. Com a certeza dos nossos39 39. UM PORTUGAL AMBICIOSO propsitos. E da que, como noutros momentos da nossa nosso dever oferecer histria democrtica, os Portugueses olhem agora para ns com(...)alternativa de verdade uma esperana renovada. Uma esperana que no podemose de seriedade. Que defraudar.invista na dignidade das Por isso mesmo, nosso dever oferecer-lhes uma alternativa, pessoas. Que acredite no apenas de governo mas, tambm, de objectivos, de polticas,numa economia dinmica de atitudes e de comportamentos. Uma alternativa de verdade ee competitiva. Que de seriedade. Que invista na dignidade das pessoas. Que acredite aposte num Pas coeso e numa economia dinmica e competitiva. Que aposte num Passolidrio. Que seja capaz coeso e solidrio. Que seja capaz de transformar Portugal.de transformar Portugal. certo que muito daquilo que tem de ser feito no depende, em exclusivo, de ns. Mas no menos verdade que a maior parte do que verdadeiramente importa est, em concreto, na nossa disponibilidade. Est ligado ao nosso desejo de nos ultrapassarmos a ns prprios. Ao nosso orgulho em afirmarmos aquilo que somos e queremos continuar a ser. nossa rejeio do imobilismo, do conformismo, do cepticismo. nossa vontade firme de deixarmos aos nossos filhos e aos nossos netos um Pas melhor do que aquele que a ns nos foi legado. Enfim, capacidade que formos capazes de revelar para sermos ambiciosos.Ambio assim, a nosso ver, a ideia chave. um Portugal ambicioso que o PSD quer ajudar a criar. Porque acreditamos nele. E porque um Portugal ambicioso um Portugal que triunfar. 40 40. PARTIDO SOCIAL DEMOCRATAAGOSTO 2009

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