a noite de são bartolomeu

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Noite de So Bartolomeu

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A NOITE DE SO BARTOLOMEU

A NOITE DE SO BARTOLOMEUMdium: Wera Krijanowskaia

Livraria Esprita Boa Nova Ltda.

Ficha Tcnica

Traduzido do original russo "Varfolomeeskaya Notch" ou "Diana de Saurmont" 1896, por Eduardo Pereira Cabral Gomes e Celso Luiz de Alcntara

Notas histricas e reviso: Edith Nbrega Canto Ibsen

Composio: Ricardo Baddouh

Direo de arte da capa: Braslio Matsumoto

"A NOITE DE SO BARTOLOMEU"

(Copyright - Agosto 1998)

6a edio (revista e corrigida)

LIVRARIA ESPRITA BOA NOVA LTDA.

Rua Aurora, 706 Fone: 223-5788

01209 So Paulo SP

Brasil

SINOPSENo obstante as festividades do casamento do Prncipe de Navarra com a irm de Carlos IX, o grande palcio guarda consigo uma sala escura e triste. o grande recinto em que a Rainha-Me congrega os amigos diletos...

Catarina de Mdicis est indecisa... Paris est repleta de protestantes para as npcias reais. A represso contra Coligny deve expressar-se agora ou nunca...

Temendo as hesitaes do filho, a soberana oculta-lhe a reunio levada a efeito, em surdina. A Corte deve decidir-se. Um espetculo disciplinar em Paris o nico lance capaz de erguer a Frana altura da Espanha, na defesa papal.

As vitrias do Duque de Alba, a influncia de Felipe II, do motivo s cochichadas conversaes. Se os Pases Baixos fossem definitivamente submetidos, o prestgio espanhol ofuscaria o mundo francs. E a atuao do Almirante herege, transformado em conselheiro nico e sumamente respeitado pelo Rei, fornece alimento s mais estranhas sugestes do delito coletivo que jaz apenas esboado...

(...) E a reunio passou, at que o Rei, frgil e doente, foi convocado pela energia materna ao anoitecer de dois dias depois.

(...) Carlos treme irresoluto. O corao real est dividido entre o amor da progenitora e as atenes do favorito. O soberano enfermio reage e chora... (...)

Trecho do livro "O Espinho da Insatisfao" de Newton Boechat, pgs. 33-47. Ed. FEB BOANOm LIVRARIA ESPRITA(...) Se a Revoluo Francesa, em 1789, no pde evitar excessos e exageros, dada a sua estruturao de massa, com fatores heterogneos e psicologicamente mltiplos, a existncia de continuadas injustias sobre a coletividade, alimentando a revolta incontrolvel, por outro lado, objetivou levantar a bandeira da "Liberdade, Igualdade, Fraternidade".Evidentemente, a caudal poltica desembocou na aristocracia napolenica; todavia, os frutos da Revoluo ficaram substancializando a vida, e melhorando, paulatinamente, em toda parte, o comportamento das Naes, tendendo-as, mais ou menos tempo, ao Direito.A Noite de So Bartolomeu, no; foi movimento baixo, estpido, cego, fantico, imediatista, em que, em nome de Deus e sombra d'Ele, se cometeram as mais inominveis barbaridades, desencadeando causas que se prolongaram em sculos de provaes para Espritos que, na calada da noite, jogaram com o destino de milhares de protestantes huguenotes, aprisionando-os, primeiramente, numa cilada, usando como isca de atrao o casamento de Henrique de Na varra (protestante) com Margarida de Valois (catlica, filha de Catarina de Mdicis, a Rainha-Me, que determinava energicamente sobre seu filho, o frgil Carlos IX).A Corte Francesa no se conformava com a hegemonia espanhola, que se plasmava cada vez mais, evidenciando-se no Vaticano, e promovendo-se por toda a Europa. De h muito, discreta coletividade de nobres e conselheiros de Catarina, e ela mesma, elaboravam plano sinistro para eliminar do solo francs o que chamavam "a peste". Avolumou-se a corrente evanglica no somente em Paris, mas na Frana toda, alentada pela figura austera e firme do Almirante Gaspar de Coligny, que era conselheiro e amigo de Carlos IX.

...UM POUCO DE HISTRIACATARINA DE MDICIS -1519 a 1589

A Histria acusa Catarina de toda espcie de compls. A gente a v velha, com seu rosto duro, apoiada na cadeira real de Carlos IX lhe dando conselhos de traio e de dio... Mas h uma outra parte dela: alguns a acham uma mulher corajosa, cujo principal defeito foi ter sido mal educada; transportada Frana ela se devotou sade do Estado e defendeu por todos meios a seu alcance o trono a seus filhos. Tentemos compreend-la.Ela nasceu em 13 de abril de 1519 em Florena, no Palcio da Via Larga, construdo por Cosme, o Velho. Seu pai era Loureno de Mdicis, Duque d'Urbino; sua me Madalena de La Tour d'Auvergne. Desde o incio h algo apontando seu destino. Seus pais logo morrem. Aps uma pequena viagem a Roma, onde dois de seus tios - Leo X e Clemente VII - so papas quase sucessivamente, ela volta a Florena onde est havendo uma insurreio popular. Ela encontra asilo no convento das religiosas beneditinas das Murates; dali ela pode ouvir o clamor do povo que saqueia as igrejas e quebra esttuas. Em 1529 enquanto uma armada de espanhis e de mercenrios alemes a soldo do papa sitia a cidade, ela tratada como uma garantia. E arrancada de seu convento apesar do choro das religiosas que desejam proteg-la e Catarina aprisionada em um convento bem menor; um exaltado prope arrast-la sobre as muralhas para assim exp-la aos choques inimigos. A cidade cede. Em 1539 Catarina levada a Roma, confiada a Maria Salviati, viva de Joo de Mdicis, o antigo chefe dos Bandos Negros, e Duquesa de Camerino, damas respeitveis para poca. uma menina de 11 ou 12 anos e Bronzino no-la descreve: cabelos pretos, a fronte arqueada, os olhos redondos flor da pele, herana dos Mdicis; sobrancelhas fortemente arqueadas, o nariz um pouco grosso... O conjunto est longe de ser bonito, mas ela tem graa e distino. De carter amvel, insinuante e sabe se fazer apreciar: no Murates as freiras a amam ternamente; em Roma ela agrada ao pessoal do papa e os embaixadores estrangeiros a acham muito gentil.A Itlia que ela vai logo deixar a marca bem. "O Prncipe" de Maquiavel foi dedicado a seu pai; o livro trata de poltica e de governo ensina aos prncipes italianos os meios de conservarem e firmarem seu poder no interesse da Itlia. Foi escrito em 1513. possvel que ela o tenha lido mais de uma vez. Em Florena sua inteligncia precoce deve se abrir bem s intrigas e compreender bem as coisas; em Roma ela est bem no centro da diplomacia a mais tortuosa e a mais sutil, como sempre.

Ela tem por professor seu tio, o papa Clemente VII. Ento ela aprende a dissimular, se concentrar em si mesma. Mas a civilizao romana papal e a arte da Renascena lhe inspiram uma preocupao de vida refinada e de um sentido de Beleza que ela nunca perder. assim que ela mantm um ar de dignidade, uma correo de conduta que ser conservada durante toda sua carreira de esposa e mesmo de viva. Muitos anos mais tarde, quando a injuriam com escritos nos muros do Louvre, Catarina pode dizer: "Graas a Deus a coisa do mundo da qual eu sou a mais limpa e o agradeo a Deus".Na questo de seu casamento, se ela fosse livre se teria casado com seu primo Hiplito de Mdicis, filho natural de Juliano de Mdicis. Mas o papa tinha outras intenes para ela - seria melhor um casamento poltico. Houve muitos pretendentes (apenas como curiosidade, o Rei da Esccia, futuro pai de Maria Stuart tambm estava nessa lista) e finalmente a escolha recaiu sobre o delfim da Frana, o futuro Henrique II que na ocasio usava o ttulo de Henrique d'Orleans, segundo filho de Francisco I.Em 23 de outubro de 1533 Catarina chegou a Marselha ela tinha 14 anos... O Rei da Frana e seu noivo a esperavam. Apresentaes solenes e, alguns dias mais tarde, foi celebrado o casamento. Segundo os muitos relatos da poca h descrio da cerimnia, do cortejo de cardeais, dos pajens, das damas de honra, da magnificncia das roupas... Logicamente a mocinha era o centro de todos os olhares; ela vestia uma roupa de brocado e um corpinho de veludo violeta guarnecido de arminho. Seus cabelos estavam to carregados de pedrarias que disse dela um contemporneo: "ela vale um reino!"... Pode haver exagero, mas as pedras de seu enxoval eram belssimas.Quando as festas terminaram, o dote foi contado no tesouro geral da Frana e houve quem fizesse trejeito de quem no gostou.Da Itlia brilhante e refinada para a Frana, pas de soldadesca dura, a diferena era grande. Esses tempos nos deixaram grandes belezas, mas isso era exceo; a maioria da populao era impenetrada. A vida dos senhores assim como a vida dos burgueses era rude; tambm rudes eram seus modos de falar e suas maneiras. As penalidades eram terrveis: o ladro era enforcado, o hertico era queimado e o moedeiro falso era mergulhado em lquido fervente. O espetculo do suplcio era muito procurado pela corte e a boa sociedade. No havia respeito pela personalidade humana. Um tal Tavannes escreveu suas "Memrias" dizendo que, se murmurando "padres-nossos" se enforcava, matava-se a tiros, se esquartejava, se queimava a cidade "ponha-se fogo por todo o redor, um quarto de lgua..."Mas havia um lugar onde havia boas maneiras e boa linguagem era a corte. L se agrupavam os funcionrios do Estado e os "convidados da casa": oficiais, gentil homens, damas de honra, abades de todas as convices, sem contar a massa de parasitas, literatos, inventores, pedinches, etc., etc., todo um mundo de gente vivendo da generosidade do Rei. Cada soberano constitua "seus convidados" segundo seu gosto ao luxo ou sociabilidade. Uma alegria franca e de bom quilate; alegria de gente cumulada de bens levando uma existncia perfeita, sem receios do amanh e cuja festana nada tinha de montona, pois a corte peregrinava de castelo em castelo, acampava s vezes sob tendas, sempre enfeitada, e at mesmo luxuosa. Sem dvida havia pessoas que se ocupavam de coisas srias, mas a maioria, no. As conversaes comeavam desde as ltimas horas da manh at tarde da noite. tarde um prncipe cantava canes napolitanas as quais as damas adoravam... A galanteria era a ocupao constante.

Algum desse tempo comentou: "o mau que na Frana as mulheres se metem em tudo; o Rei lhes devia fechar a boca; da que saem os mexericos, a