A memria da imprensa esportiva no Brasil: a histria (re ... histria do jornalismo esportivo no Brasil ocorre praticamente da mesma maneira. A partir do interesse das classes mais altas, dos jornalistas e ...

Download A memria da imprensa esportiva no Brasil: a histria (re ...  histria do jornalismo esportivo no Brasil ocorre praticamente da mesma maneira. A partir do interesse das classes mais altas, dos jornalistas e ...

Post on 20-Feb-2018

215 views

Category:

Documents

3 download

TRANSCRIPT

  • A memria da imprensa esportiva no Brasil:

    a histria (re) contada atravs da literatura1

    Michelli Cristina de Andrade Gonalves2

    Vera Regina Toledo Camargo3

    Unicamp.

    Resumo:

    O objetivo desse projeto foi recontar a histria da imprensa esportiva no Brasil a

    partir das publicaes existentes e confront-las. Atravs da reviso bibliogrfica foi

    possvel compreender a relao do esporte com os meios de comunicao.

    Realizamos tambm entrevistas com pesquisadores para complementar e apurar

    melhor algumas informaes. Atravs da leitura das obras percebemos que embora

    seja inegvel a importncia da mdia no desenvolvimento do esporte, esta que sai

    em vantagem, porque as prticas esportivas no so contempladas em toda a sua

    dimenso conceitual e filosfica. Verificamos ainda que um grande jogo de

    interesses e que precisa ser mais bem discutida. Esta pesquisa parte integrante do

    projeto da Rede Alfredo de Carvalho. Pesquisa organizada pela UNESCO.

    Palavras chaves: memria e imprensa; esporte e histria; jornalismo esportivo .

    1 Trabalho apresentado ao NP 18- Comunicao e Esporte, no V Encontro de Ncleos de Pesquisa da Intercom. 2 Aluna de Iniciao Cientfica da Faculdade de Educao Fsica da Unicamp. Bolsista CNPq. 3 Professora de Educao Fsica e Doutora em Comunicao. Pesquisadora do Labjor e coordenadora do NP Comunicao e Esporte da Intercom.

  • Introduo:

    Ao assistirmos um programa esportivo ou uma transmisso de uma partida,

    vemos e ouvimos discusses e comentrios imprecisos, sem a fundamentao

    terica e histrica necessrias para dialogar com os telespectadores, que ficam a

    merc dessas informaes. Geralmente, nesses programas, outros profissionais

    so chamados para darem seus pareceres e comentrios sobre o fato ocorrido no

    evento esportivo: mdico, ex-atleta, tcnico, menos o profissional de Educao

    Fsica, aquele que poderia trazer mais informaes precisas sobre o assunto.

    Apontamos tambm que a ausncia percebida tambm em relao mdia

    impressa (revistas e jornais). Compreendemos que uma formao inadequada

    pode contribuir para que o profissional de Educao Fsica no atue nesse campo,

    no queremos discutir sua ao como um exerccio profissional, atuando como

    jornalista ou reprter, mas no desempenho da funo de comentarista, j que

    domina o contedo e os termos especficos e poderia colaborar tambm nas

    matrias jornalsticas.

    A pretenso dessa pesquisa foi dar um suporte inicial para os

    profissionais das duas reas (Educao Fsica e Comunicao), para que

    entendam como essas relaes entre o Esporte e a Mdia se desenrolaram e porque

    a sociedade do espetculo esportivo est configurada dessa maneira e, a finalidade

    ao resgatar a memria da cultura esportiva compreender os laos que unem o

    presente com o passado. Essa relao do esporte com os meios de comunicao,

    uma simbiose, mas em nossa investigao, percebemos que a mdia sai em

    vantagem, porque o esporte no contemplado em toda a sua dimenso

    conceitual e filosfica, pois somente os esportes de massa, como o futebol, esto

    em evidencia em detrimento aos outros esportes e a partir dele todas as aes

    sobre as Atividades Esportivas so descritas.

    a) Levantamento bibliogrfico

    A identificao desse material iniciou nas bibliotecas do Centro de

    Memria da UNICAMP; Faculdade de Educao Fsica da UNICAMP; Pontifcia

    Universidade de Campinas PUC-Campinas e no Sistema Informtico Integrado de

  • Bibliotecas (USP, UNICAMP e UNESP). Tambm em anais de Congressos da

    Intercom (Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicao) e

    Conbrace, (Colgio Brasileiro de Cincias do Esporte). Essas duas entidades tm

    Ncleos que trabalham em seus congressos com a temtica. Tambm foi

    investigado nas pginas web que trataram do tema. Buscamos tambm por livros

    indicados e por ttulos encontrados nas referncias bibliogrficas no final de cada

    obra. Desse modo, todo o material levantado e selecionado foi categorizado para

    ser melhor visualizado para a anlise e classificao.

    At a presente data, o nosso corpus esta assim constitudo:

    Captulo de

    Livro

    Livros Dissertao

    de mestrado

    Tese de

    Doutorado

    Artigos

    em anais

    Internet

    4 14 1 1 11 5

    Verificamos que algumas dessas obras enfatizam o jornalismo ou o

    esporte e h algumas histrias do jornalismo esportivo dentro de outras narrativas

    ou contextos sobre o esporte. Essa a maior dificuldade da pesquisa, pois no h

    um livro que conte a histria do jornalismo esportivo no rdio, na televiso ou no

    jornal de maneira linear, cronolgica; no h uma seqncia de informaes. O

    que mais se encontra so fatos isolados dentro de livros que contam a histria dos

    veculos pertencentes aos meios de comunicao. Esses fragmentos encontrados,

    depois de reunidos, estaro construindo uma grande rede de informaes. Esse

    projeto parte integrante da Rede Alfredo de Carvalho.

    (www2.metodista.br/unesco/redealcar.htm), cujo objetivo resgatar a histria da

    imprensa no Brasil e estamos contribuindo com a pesquisa da histria do

    jornalismo esportivo.

    b) Entrevistas

    Para compreender melhor o objeto do nosso estudo, buscamos ampliar

    com as entrevistas realizadas com os profissionais das duas reas. No roteiro das

    entrevistas, algumas foram realizadas pessoalmente e outras atravs de e-mail.

    Todos se disponibilizaram a contribuir com a pesquisa.

  • As entrevistas no seguiram um roteiro pr-estabelecido, caracterizou-se

    como aberta, a partir do tema: Jornalismo Esportivo. Essas pessoas indicadas

    fazem parte de um primeiro momento, estamos realizando mais entrevistas que

    faro parte da prxima etapa do projeto. A escolha do entrevistado teve como

    elemento principal sua atividade profissional trabalham ou trabalharam com

    jornalismo esportivo, outras possuem trabalhos tericos que fazem a juno de

    jornalismo e esporte. Alm disso, foram realizadas buscas na Plataforma Lattes,

    com a finalidade de identificar os pesquisadores.

    Entrevistados para a pesquisa LOCALIZAO Roberto Costa Campinas Jocimar Daolio Campinas Marcelo do Canto Campinas Isabel da Fonseca Rio de Janeiro Francisco Paulo de Melo Neto Rio de Janeiro Augusto Csar Rios Leiro Bahia Victor Andrade de Melo Rio de Janeiro Ricardo Duarte Pernambuco Ouhydes Joo Augusto da Fonseca Santos Luciano Victor Barros Maluly So Paulo Autores de livros, teses, dissertaes. LOCALIZAO ALCOBA, A. Espanha AMORIM, E.R. So Paulo BETTI, M. Bauru CAMARGO, V.R.T. Campinas CARVALHO, S. Rio Grande do Sul COELHO, P. V. So Paulo DELFINO, E. M. & WONSIK, M. Campinas DOMINGUES, A. So Paulo FILHO, M. Rio de Janeiro FONSECA, O. Santos J.G.M.de & COELHO SOBRINHO, J. So Paulo GUERRA, M. Rio de Janeiro KIRSTEN, R.I. So Paulo LEIRO, A.C.R. Bahia MALULY, L.V.B. So Paulo MARIANO, J. Campinas MARINHO, I.P. Rio de Janeiro MARQUES, J.C. So Paulo

  • MARQUES DE MELO, J. So Bernardo do Campo MELO, V.A.de Rio de Janeiro MELO NETO, F.P. Rio de Janeiro MOREL, M. Rio de Janeiro MUSSOLIN NETO, J. So Paulo OLIVEIRA, V. M. Rio de Janeiro PIRES, G.L. Campinas REY, L.R.S. No identificado SANTOS, T.C. No identificado SAROLDI, L.C. & MOREIRA, S.V. Rio de Janeiro SILVA JNIOR, U.S. Campinas TAMBUCCI, P.L. So Paulo VILLA NOVA, G. & TANAKA, V.S. & CARNEIRO, P.L.

    Campinas

    ZAGO, V.L.O. Campinas

    c)Referencial terico

    Um dos objetivos do projeto era tambm discutir alguns referenciais

    tericos entre eles a Comunicao e o Esporte e traar a histria da imprensa

    esportiva no Brasil, suas interfaces e seus aspectos conceituais.

    No desvendar dessa histria encontramos Camargo (1998) definindo o

    Jornalismo como uma difuso das informaes, que se nutre do efmero,

    provisrio e circunstancial, orientando-se atravs dos meios de comunicao. Os

    estudos sobre comunicao podem enfocar diversos questionamentos: a

    mensagem, o emissor, o veculo e o receptor. A autora ainda defende que as

    Cincias da Comunicao recorrem s outras reas para ajud-la na forma de se

    comunicar e de compreender a mensagem veiculada. Dessa maneira ocorre a

    relao com o esporte, que um fenmeno social e cultural e pode ser tambm

    uma prtica de entretenimento, lazer ou de carter obrigatria. Outro aspecto

    importante a mobilizao de milhares de pessoas que espelham nos dolos

    esportivos, a vontade de ser como eles, que alm de serem saudveis (j que

    esto praticando esportes, conceito errneo, j que no esporte de alto rendimento

    vemos a maioria dos atletas mais machucados que em plena sade fsica ou pegos

    em exames antidoping), so ricos e famosos. tudo que um jovem quer e a mdia

    se utiliza dessa imagem para alimentar os sonhos dessas pessoas.

  • O esporte excludente medida que impem barreiras a seus

    praticantes: altura, peso, materiais e lugares especficos. Assim, a maioria das

    pessoas fica de fora das prticas esportivas, e s quem se destaca que tem

    chance de continuar praticando.

    Nesse sentido, a rea da comunicao abrangente tendo como veculos de sua

    ao a televiso, o rdio, a Internet, os jornais. Ao passar uma mensagem, o

    veculo comunicacional deseja informar ou vender um produto, buscando de uma

    maneira mais clara fazer com que o receptor entenda a mensagem que se passa. O

    esporte pode ser uma notcia, um produto ou uma marca associada a um produto

    para vender mais. As palavras de Melo, 2003 so interessantes:

    ... Trata-se do esporte como notcia, ou seja, do Jornalismo Esportivo. Alm de ocupar espao privilegiado nos veculos de informao geral (jornal, rdio ou televiso), constitui um dos ramos importantes da segmentao da indstria jornalstica, ensejando publicaes especializadas no campo da mdia impressa ou programas especficos no interior da mdia audiovisual. O esporte se faz propaganda, gerando mensagens publicitrias dos espetculos ou dos produtos associados s prticas esportivas. Nesse sentido, a Publicidade Esportiva assume um papel fundamental na engrenagem do esporte miditico, financiando seus agentes e gerando divisas que do sustentao econmica s instituies esportivas. . (Marques de Melo, 2003, p. 87).

    JORNALISMO ESPORTIVO NO MUNDO

    De acordo Fonseca (1997), a histria do jornalismo esportivo no

    mundo tem pouco mais de cem anos. Os primeiros registros que se tem do Le

    Sport (1854), que publicava crnicas sobre haras, turfe e caa, alm de sesses de

    canoagem, natao, pesca, boxe, bilhar e outros esportes.

    A primeira rea esportiva a receber uma cobertura mais elaborada dos veculos impressos foi o hipismo, em meados do sculo XIX, na Frana. A grande imprensa s abriu espao em 1875, num momento de mudanas sociais e de crescimento de esportes populares, pois, at ento, s se registravam notas sobre o boxe, iatismo e esgrima. Por isso, os pioneiros do jornalismo esportivo surgiram nos jornais populares. (FONSECA, 1997)

  • Por ser praticado pelas classes menos afortunadas, o esporte era

    considerado um tema inferior, e s poderia mudar esse conceito se patrocinado

    ou praticado pela elite. Isso ocorreu quando o Baro Pierre de Coubertin, membro

    da aristocracia francesa, fez ressurgir os ideais Olmpicos, de unio entre os

    povos.

    No incio a imprensa esportiva oferecia informaes e explicaes

    sobre como praticar os mais variados esportes. Assim que o esporte comeou a

    tornar-se importante, as colunas esportivas comearam a ganhar novo status,

    porque pessoas influentes e de classe alta comearam a se interessar pelos

    esportes e eram elas que apareciam nessas reportagens, o esporte ficava em

    segundo plano.

    ...Antes de 1939, havia a crnica esportiva e no um jornalismo organizado de cobertura de eventos. O primeiro rgo esportivo teria sido Bells Life, ingls, depois chamado de Sporting Life. E, nos Estados Unidos, a imprensa esportiva s comeou a destacar-se nos anos 20 deste sculo. (Fonseca, 1997)

    Baseado em Camargo (1998), as primeiras transmisses esportivas

    televisivas aconteceram na dcada de 30, em diversos pases. Nos Estados Unidos

    uma partida de beisebol em 1935; na Alemanha os Jogos Olmpicos de Berlim no

    contexto nazista em que Hitler queria mostrar a soberania Ariana, h um vdeo de

    divulgao dessa Olimpada chamado Olmpia, em que h um resgate dos ideais

    Olmpicos; a BBC, da Inglaterra, mostrou a primeira jornada de Wimbledon, para o

    pblico britnico em 1937; na Frana, 1948, a primeira transmisso da Copa Mundial

    de Futebol, na ntegra.

    JORNALISMO ESPORTIVO NO BRASIL

    A primeira reportagem filmada para a televiso ocorre em 1950, no jogo

    entre Portuguesa de Desportos e So Paulo, considerada o marco das transmisses

    esportivas na televiso brasileira.

    A histria do jornalismo esportivo no Brasil ocorre praticamente da

    mesma maneira. A partir do interesse das classes mais altas, dos jornalistas e

  • escritores mais respeitados que a imprensa comeou a se preocupar com o esporte,

    principalmente com o futebol.

    Embora hoje o futebol seja o esporte mais explorado pela mdia, em 1894,

    o esporte, trazido para o Brasil por Charles Muller, no foi muito valorizado pela

    imprensa. Fonseca (1997) retrata essa posio:

    As pequenas colunas quase escondidas que tratavam do assunto foram crescendo apenas medida que as pessoas passaram a comentar o esporte praticado por um pequeno grupo de jovens da sociedade. por isso que a linguagem inicial da imprensa em relao ao futebol traduzia a posio intelectual de praticantes e torcedores.. (FONSECA, 1997)

    Em outras palavras, o jornalista esportivo tinha pretenses literrias ou

    eram literatos que descreviam a partida, por ausncia de jornalista especializado,

    considerados como cronistas.

    Maluly (2004) relata que os peridicos esportivos brasileiros preferiam

    abordar assuntos relativos s modalidades esportivas que estavam mais ligadas s

    camadas superiores da sociedade brasileira e destacavam o pblico, deixando a

    partida em segundo plano. A partir da cobertura desses eventos percebeu-se que o

    esporte poderia ser um grande aliado do jornalismo, j que reunia, ao mesmo tempo,

    personalidades e notcia.

    A Copa do Mundo de 1938, na Frana, teve a primeira partida transmitida

    pelo rdio em Copas do Mundo, com o jogo Brasil 6x Polnia 5. Na Copa de 1958,

    na Sucia, com a inveno do videoteipe, era possvel assistir aos jogos no cinema,

    cerca de trs dias aps a partida. Na Copa do Chile, 1962, j era possvel assistir ao

    videoteipe um dia aps a partida e os jornais comearam a sofrer com a forte

    concorrncia da televiso.

    Nessa investigao encontramos vrias histrias interessantes,

    principalmente das primeiras transmisses de eventos esportivos atravs do rdio.

    Camargo (2001) conta que o jornalista-locutor Blota Jnior passou uma semana se

    preparando para a inaugurao do estdio do Pacaembu: j que tinha que conhecer os

    esportes para depois transmiti-los, passou essa semana narrando sozinho todas as

    modalidades. Em outras situaes jornalistas se aventuravam em telhados de casas

    visinhas aos estdios, j que estes no possuam lugares reservados imprensa, e at

  • subiam em galinheiros e tinham o cacarejo dos animais como pano de fundo de suas

    narraes, como descrevem Villa Nova, Tanaka e Carneiro (1998).

    A presena do rdio no mbito esportivo foi to forte que as transmisses

    esportivas foram e so fortemente influenciadas por esse, j que, de acordo com

    Camargo (2001), os mesmos jornalistas e locutores que eram do rdio foram para a

    televiso, levando consigo a mesma linha narrativa, ou seja, descreviam a partida,

    embora as imagens falem por si s, e muitos telespectadores achavam maantes as

    transmisses pela televiso, por isso a deixavam ligada e ouviam a partida pelo rdio,

    porque era mais emocionante.

    J nos anos 60, como afirma Camargo (1998), ocorre o declnio da rdio

    Pan-Americana, que era considerada A Emissora dos Esportes, anunciando o declnio

    de outras rdios, por causa da televiso, que direcionou as cotas de publicidade,

    patrocinadores e audincia. Com isso, as rdios tiveram que passar por um processo

    de reformulao e encontrar sadas para cobrir esse espao.

    Verificamos que a profisso de jornalista esportivo, assim como o

    jornalista policial, era mal vista, alis, qualquer pessoa realizava essa funo, porque

    se entendia que de futebol qualquer pessoa sabia o suficiente para escrever para o

    jornal e existia at preconceito em relao s pessoas que desempenhavam esse papel.

    Fonseca in Coelho registra esse fato:

    ... Durante todo o sculo passado, dirigir redao esportiva queria dizer tourear a realidade. Lutar contra o preconceito de que s os de menor poder aquisitivo poderiam tornar-se leitores desse tipo de dirio. O preconceito no era infundado, o que tornava a luta ainda mais inglria.De fato, menor poder aquisitivo significava tambm menor poder cultural e conseqentemente ler no constava de nenhuma lista de prioridades. (Coelho, 2003, P. 9)

    Encontramos em nosso estudo, autores que afirmam que a transmisso e

    veiculao da informao esportiva eram muito utilizadas pelas foras polticas

    (classe dominante) para alienar o povo e manter a ordem. Exemplos clssicos so as

    Olimpadas, e a Copa do Mundo, em que o governo brasileiro utiliza as imagens das

    conquistas de medalhas, principalmente as mais difceis, para amenizar as crises

    econmicas e polticas no pas. E o esporte mais que um disfarce para essas crises

  • uma catarse para alimentar a sociedade, ou como alguns autores chamavam o pio

    da sociedade. Fonseca (2003) confirma esse dado, ao investigar os jornais da poca

    da ditadura brasileira e encontra no Jornal O Globo, em 4 de abril de 1964, o relato

    dos reprteres:

    ...Em 1 de maio de 1964, Dia do Trabalhador, o governo Castello Branco temia uma srie de manifestaes contrrias ao golpe militar, que completava um ms. Por meio do Conselho Nacional do Desporto (CND), o brao da ditadura no esporte, foi determinada a realizao de uma srie de clssicos regionais em qualquer cidade de mais de 50 mil habitantes. Foi, provavelmente, a primeira das muitas vezes em que o regime militar instaurado h 40 anos aproveitou-se politicamente da fora do futebol. (...) Os amistosos binicos foram o embrio de uma prtica de ditadura cujo pice foi atingido na Copa de 1970. Em nenhum outro perodo a maior paixo brasileira esteve to a servio dos militares. Enquanto militantes de esquerda desapareciam, o presidente Mdici aproveitava o triunfo esportivo para popularizar seu governo. (AWI, GUEIROS, AGUIAR. Futebol aquartelado, O Globo, 4 abr. 1964, p. 58)

    A televiso foi um dos meios que o governo utilizou para manuteno da

    ordem, e o futebol foi instrumento para a televiso para essa unificao. Tanto que

    milhes de dlares foram investido para que o Brasil tivesse transmisso a cores e ao

    vivo, via satlite, da Copa do Mundo de 1970, no Mxico. Como verificamos em

    Marques (2004), foi justamente nessa Copa do Mundo que o rdio e o meio impresso

    se viram ameaados. Em virtude disso, houve um esforo de parceria entre as

    emissoras de rdio e televiso, que durante as transmisses, revezavam-se a cada 30

    minutos, incluindo os intervalos, para narrar as partidas. Nesse ano, o Brasil

    conquistou o Tricampeonato e levava definitivamente a Taa Jules Rimet, e se

    consagrava como mito. A imprensa utilizava a imagem dos jogos como sendo a busca

    pela Taa como a busca pelo Santo Graal, para intensificar o valor obtido pelo ttulo,

    e o governo militar estava sempre ao lado da seleo, como se embora o pas

    estivesse vivendo todas as mazelas, o smbolo mais importante do Mundo, pertencia

    ao Brasil.

  • Com o passar do tempo e das inovaes tecnolgicas, a presena da

    televiso foi cada vez maior no meio esportivo, como comprovamos em Marques

    (2004):

    E, com a onipresena da televiso na mediao das Copas do Mundo, a mdia impressa precisou reinventar seu trabalho diante do poderio da imagem centralizado nos monitores de TV. Um dos recursos utilizados com maior nitidez nesse processo foi a presena, tambm macia, de escritores, jornalistas, cantores, esportistas e outras personalidades que passaram a assinar diversas crnicas e colunas nos principais dirios brasileiros, como forma de compensar coberturas cada vez mais frias e objetivas dos fatos, as quais obliteravam o espao da opinio que, antes, fazia-se presente de modo explcito nas matrias ou reportagens. (Marques, 2004)

    Alm dessas histrias encontradas em obras impressas e filmadas,

    encontramos muitos registros fotogrficos em grande quantidade na Internet. No

    momento estamos selecionando-os para integrarem o projeto.

    Bibliografia

    ALCOBA, A. El Periodismo Deportivo en la sociedad moderna. Ed. Augusto

    Pila Telea. Madrid, 1979.

    ALCOBA, A. Estructura para una enseanza terica de la educacin fsico

    deportiva. Comit Olmpico Espaol, Madrid, 1987.

    AMORIM, E.R. Tv ano 40: quadro cronolgico da televiso brasileira: 1950

    1990. CCSP, So Paulo, 1990.

    BETTI, M. A Janela de Vidro Esporte, Televiso e Educao Fsica. Campinas,

    Papirus, 1998.

    CAMARGO, V.R.T. A divulgao do esporte na TV brasileira: fluxos

    convergentes entre cincia, arte e tecnologia. GUIMARES, E. (org.) Produo e

    Circulao do Conhecimento: Estado, Mdia e Sociedade. Campinas, SP: Pontes

    Editores, 2001.

  • CAMARGO, V.R.T. Esporte e Cincia na Mdia: a divulgao cientfica das

    Cincias do Esporte. XXIII Congresso Brasileiro de Cincias da Comunicao

    (INTERCOM) Manaus - AM / 2000

    CAMARGO, V.R.T. Nadadores brasileiros, campees ou dolos esquecidos.

    Dissertao de mestrado, FEF-Unicamp, Campinas 1995.

    CAMARGO, V.R.T. O telejornalismo e o esporte espetculo. Tese de doutorado,

    UMESP, So Paulo, 1998.

    CARVALHO, S. Esporte e Jornalismo. TAMBUCCI, P.L. & OLIVEIRA,

    J.G.M.de & COELHO SOBRINHO, J. (orgs.) Esporte & Jornalismo, So Paulo,

    CEPEUSP, 1997.

    DALPIAZ, J.G. A indstria cultural e o rdio esportivo em Porto Alegre: o caso

    da rdio Guaba. XXIV Congresso Brasileiro de Cincia da Comunicao

    (INTERCOM) - Campo Grande/ MS Setembro 2001.

    DELFINO, E. M. & WONSIK, M. Brasil de Oliveira - Todo ele futebol. Lince.

    Campinas, 1997.

    DOMINGUES, A. Educao Fsica e Mdia. XIII Congresso Brasileiro de

    Cincias do Esporte (CONBRACE), Caxambu/MG, 14 a 19 de setembro de

    (2003).

    FILHO, M. O negro no futebol brasileiro. Irmos Pongetti Editores. Rio de

    Janeiro, 1947.

    FONSECA, O. Esporte e Crnica Esportiva. TAMBUCCI, P.L. & OLIVEIRA,

    J.G.M.de & COELHO SOBRINHO, J. (orgs.) Esporte & Jornalismo, So Paulo,

    CEPEUSP, 1997.

    KIRSTEN, R.I. Arquivos de um reprter. Grfica Editora Corradini, 2004.

    LEIRO, A.C.R. Cultura e Televiso: os programas esportivos e suas implicaes

    na formao da juventude. XXVI Congresso Brasileiro de Cincia da

    Comunicao (INTERCOM) BH/MG 2 a 6 setembro 2003.

    MALULY, L.V.B. O futebol arte de Tel Santana no jornalismo esportivo de

    Armando Nogueira. XXII Congresso Brasileiro de Cincias da Comunicao

    (INTERCOM). Rio de Janeiro, 1999.

  • MALULY, L.V.B. Panorama do Jornalismo Esportivo no Brasil. XXVII

    Congresso Brasileiro de Cincia da Comunicao (INTERCOM) PUC/RS.

    Porto Alegre/RS, Setembro, 2004.

    MARINHO, I.P. Histria da Educao Fsica e Desportos no Brasil. Rio de

    Janeiro: Imprensa Oficial, 1952-53.

    MARQUES, J.C. Parece que Todo o Brasil Deu a Mo: As Copas do Mundo de

    Futebol e a Mobilizao de Nossa Imprensa Esportiva. XXVII Congresso

    Brasileiro de Cincia da Comunicao (INTERCOM) PUC/RS. Porto

    Alegre/RS, Setembro, 2004

    MARQUES DE MELO, J. Jornalismo Brasileiro. Editora Sulina, 2003.

    MELO NETO, F.P. As relaes do esporte com as redes de Tv: os novos

    paradigmas na gesto do esporte e da mdia esportiva. XXII Congresso

    Brasileiro de Cincias da Comunicao (INTERCOM). Rio de Janeiro - RJ /

    1999.

    MOREL, M. A histria do esporte e do poder na Era Vargas: do Estado Novo

    aos braos do povo uma tica imprensa carioca no perodo de 1930 a 1954.

    COMBRACE

    MUSSOLIN NETO, J. A televiso brasileira. CCSP, So Paulo, 1988.

    OLIVEIRA, V. M. Histria Oral Aplicada Educao Fsica. Editoria Central,

    Universidade Gama Filho, 1998.

    PIRES, G.L. & GONALVES, A. Cultura Esportiva e Mdia abordagem

    crtico emancipatria partir da Educao Fsica. XII Congresso Brasileiro de

    Cincias do Esporte (CONBRACE), Caxambu/MG, 21 a 26 de outubro de (2001).

    REY, L.R.S. Eternos Domingos sem Derby. (s/d)

    SANTOS, T.C. Os primeiros passos do profissionalismo ao futebol como

    megaevento. XXII Congresso Brasileiro de Cincias da Comunicao

    (INTERCOM). Rio de Janeiro, 1999.

    SAROLDI, L.C. & MOREIRA, S.V. Rdio Nacional O Brasil em Sintonia. Rio

    de Janeiro: Funarte, 1984.

    SILVA JNIOR, U.S. O futebol brasileiro apresentado pelo jornalismo esportivo

    impresso: uma histria contada por alguns de seus protagonistas. Iniciao

    Cientfica, FEF-Unicamp, Campinas, 2002.

  • TAMBUCCI, P.L. Esporte e Comunicao. TAMBUCCI, P.L. & OLIVEIRA,

    J.G.M.de & COELHO SOBRINHO, J. (orgs.) Esporte & Jornalismo, So Paulo,

    CEPEUSP, 1997

    VILLA NOVA, G. & TANAKA, V.S. & CARNEIRO, P.L. Jornada de heris a

    histria do rdio esportivo de Campinas. Campinas, 1998.

Recommended

View more >